05
Janeiro, 2012
Quinta
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SOBRE O DIZIMO ====Ninguém tem de pagar; o dízimo é uma contribuição generosa feita por quem tem consciência e percebe que ele é responsável pela manutenção do culto e pelo crescimento de sua comunidade.
AS CRUZADAS =====Não deve o católico envergonhar-se de sua história, que é bela, que é grandiosa. Não deve ceder em face dos ataques dos que, ignorando de todo a nossa história,
SOBRE O DIVORCIO ====Duas são as passagens que evidenciam a ordem de Jesus. Antes de Jesus, havia o divórcio, depois de Cristo, o que Deus uniu, o homem não separa. Analisemos Mt 19,1s:
COMO OS APOSTOLOS MORRERAM ? ==== Os doze discípulos - apóstolos eram homens comuns a quem Jesus de Nazaré usou de maneira extraordinária. Pescadores, cobradores de impostos, pastores... O martírio dos apóstolos foi anunciado por Jesus:

Agrotóxicos: um mercado bilionário e cada vez mais concentrado

O mercado mundial de agrotóxicos movimentou US$ 51,2 bilhões em 2010. E o brasileiro US$ 7,3 bilhões. As seis maiores empresas -Basf, Bayer, Dow, Dupont, Monsanto e Syngenta - controlam hoje 66% do mercado mundial. E, no Brasil, as dez maiores empresas foram responsáveis por 75% da venda nacional de agrotóxicos na última safra. As gigantes do setor estão comprando as empresas menores, tanto de agrotóxicos, quanto de sementes, formando monopólios e oligopólios.
Agrotóxicos: um mercado bilionário e cada vez mais concentrado

Pode-se adorar a santa cruz?

Começamos em Hebreus 11, versiculo 1: "A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem. Foi por ela que os antigos deram o seu testemunho. Foi pela fé que compreendemos que os mundos foram organizados por uma palavra de Deus. Por isso é que o mundo visível não tem a sua origem em coisas manifestas."
Pode-se adorar a santa cruz?

1.000.000.000 de Pessoas vive com FOME crônica.

O que é a fome? Para os mais afortunados, é apenas a sensação no estômago que lhes diz que "são horas de comer.” Para os que têm menos sorte, e não conseguem ter a comida suficiente todos os dias, a fome fá-los-á sentir débeis e cansados, incapazes de concentrar-se, e até doentes. A única coisa em que conseguem pensar é quando vão ter alguma coisa para comer. Para centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro, esta sensação dura todo o dia, todosos dias, e nunca sabem se, e quando, esta sensação vai acabar. Para eles, a fome pode levar à doença e a danos temporários ou permanentes para a sua saúde.
1.000.000.000 de Pessoas vive com FOME crônica.

Fraternidade e Saúde pública: um grande desafio

Desde 1963, há 49 anos, a CNBB (Conferência Nacional dos Biuspos do Brasil), anualmente, durante os 40 dias da quaresma, promove a Campanha da Fraternidade (CF), que tem colocado para estudo, reflexão e ação assuntos que são grandes desafios – clamores ensurdecedores - no seio da sociedade. O Tema da CF/2012 é "Fraternidade e Saúde pública"; o Lema: "Que a saúde se difunda sobre a terra!" (Eclo 38,8). Somos convidados conhecer as entranhas da realidade do SUS (Sistema Único de Saúde), visitar pronto-socorros, ouvir as pessoas doentes que esperam muito para fazer exames e conseguir uma vaga para cirurgia no SUS. É hora de ouvirmos o apelo de 150 milhões de brasileiros que só tem como rara possibilidade de acessar saúde pública, via SUS.
Fraternidade e Saúde pública: um grande desafio

CF 2012 - Fraternidade e Saúde Pública

Desde o ano de 1964, a Igreja Católica no Brasil, através da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - promove a Campanha da Fraternidade, um movimento que se inicia sempre na quarta-feira de Cinzas, tendo como pico alto o período quaresmal e se estendendo pelo ano inteiro. Em 2012, o tema que será discutido, debatido e refletido será "Saúde Pública", o que reflete a preocupação da Igreja com um serviço público de mais qualidade.
01 de Dezembro de 2011 I Ler matéria completa

Viver Perdoando

Os discípulos ouviram Jesus dizer coisas incríveis sobre o amor aos inimigos, a oração ao Pai pelos que nos perseguem, o perdão a quem nos faz mal. Seguramente parece-lhes uma mensagem extraordinária mas pouco realista e muito problemática.div>
06 de Janeiro de 2012 I Ler matéria completa

O profeta incomoda os maus

A liturgia nos envolve no mistério de Cristo ressuscitado. Somos um povo eleito e estamos a caminho do Reino definitivo. Aqui na terra, temos muitos que vão ser contra a felicidade e o bem comum das pessoas. A palavra de Deus proclamada e quando cai no nosso coração produz muitos frutos de bondade, de amor e de misericordia. Hoje é um dia dedicado ao sagrado coração de Jesus que nos mostra o amor de Jesus por todos...
27 de Fevereiro de 2012 I Ler matéria completa

O Protestantismo e sua Genealogia

Vem de 1529 a origem do termo "protestante", durante a campanha da reforma luterana, quando a Dieta de Espira (conselho político do Sacro Império Romano Germânico formado para discutir assuntos religiosos) resolveu interromper o andamento das transformações religiosas até a realização de um concílio geral.
25 de Abril de 2012 I Ler matéria completa

A PÁSCOA DO CONCÍLIO

25 - Abril - 2012 Reporter: Erick Sávio Comentario

“Neste ano, a festa da Páscoa traz marcas do Concílio. A páscoa sempre evoca o passado, de maneira a trazer presente o significado dos acontecimentos antigos. Pois bem, desta vez, somos convidados a associar as diversas evocações antigas da Páscoa, com acontecimentos mais recentes na caminhada da Igreja. Entre eles, se destaca, com evidência, o Concílio Ecumênico Vaticano II. … [...]

Constituição Brasileira gratuita

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios

Para conseguir gratuitamente a Constituição Brasileira, basta pedir para o deputado de sua preferencia. Para isso acesse CLICANDO AQUI, escolha o Deputado em quem você votou, ou é da sua região, ou algum aleatóriamente. Envie a ele um e-mail pedindo a constituição, justifique, por exemplo, que você quer para usar nas aulas de sua faculdade ou porque você entende, como cidadão, tem o direito e o dever de conhecer a Constituição Brasileira. Todos os deputados tem uma tiragem para enviar, fica fácil para eles distribuir este material, e é mais interessante enviar para alguem que realmente precise. Sendo assim, ao enviar a mensagem ao deputado, não esqueça de enviar o seu nome completo, endereço completo, incluindo CEP Cidade e Estado.

Nosso site se preocupa com todos os irmãos carentes de informação e os que desejam sempre mais se informar, continue vizitando nosso site pois em breve estaremos disponibilizando mais novidades e artigos gratuitos.


Paz e Bem



Entenda o que é proselitismo, palavra usada pelo Papa

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios

prosélito [do grego prosélytos, 'aquele que se aproxima'] (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa)



Proselitismo é o nome dado à busca ativa de uma religião por novos fiéis. Em sua origem grega, o termo designava a adesão de pagãos ao judaísmo, mas esse sentido primeiro foi perdido há muito tempo. Hoje, “proselitismo” é usado com conotação negativa, para descrever a suposta agressividade de uma religião (concorrente) em converter novos seguidores.


Durante a visita ao Brasil, o Papa usou o conceito de “proselitismo” três vezes. Em duas delas, na fala aos bispos reunidos na Catedral da Sé, Bento XVI se referiu à abordagem de “seitas cristãs”. Na terceira, durante a missa campal no Santuário Nacional de Aparecida, recorreu à idéia para negar que a Igreja Católica seja “proselitista”, com intenção de marcar contraste exatamente com as “seitas” às quais havia se referido na Sé.



O Papa Bento XVI não é o único que reclama, hoje, de proselitismo. Na Rússia, alguns líderes da Igreja Ortodoxa tacham assim o comportamento de evangélicos, seguidores da "Nova Era" e católicos. Em países como a Arábia Saudita, o governo inspirado pela fé muçulmana vigia qualquer indício de atividade missionária, por mais tênue que seja, e se queixa do tal proselitismo. Em Israel, onde a maioria da população é judia, e na Índia, onde a maioria é hindu, a ação de missionários "proselitistas" também é tema de debate.

Nenhuma religião, por mais vigorosa que seja em converter, assume-se como proselitista. Proselitista é sempre o outro, o vizinho. E como poucas religiões rejeitam conversões*, o campo vai continuar aberto para a troca de acusações.



*Uma das exceções notáveis é a dos drusos, integrantes de uma seita muçulmana que proíbe qualquer mudança de fé, seja para dentro ou para fora.



Família: um dom sagrado de Deus

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios
“'Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela'. (Efésios 5,21-25)

A família têm duas dimensões, a primeira é o "casal" e a segunda são os "filhos". São Paulo compara o casal, marido e mulher, a Cristo e a Igreja. Na Antiga Aliança, tínhamos o casamento entre Javé e Israel e, quando alguém se casava, era de costume comemorar durante sete dias aquele casamento. Deus ficava irado quando o seu povo [o povo de Israel] adorava outros deuses. O Senhor se sentia como um marido traído. Na Nova Aliança, o casamento é entre Cristo e a Igreja.


Os missionários Renata Coelho e Brais Oss, juntos com a pequena Sophia
Foto: Arquivo CN

Deus quis que, na raíz da família, houvesse uma aliança e, por isso, os casais hoje trazem um anel em suas mãos como símbolo desta união. O Papa João Paulo II pedia: "casais cristãos, sejam para o mundo um sinal do amor de Deus"; de forma que, quando as pessoas virem um casal superando os problemas que existem no mundo, possam ver o amor de Deus.


É dogma de fé que a Igreja é santa; nunca podemos dizer que ela tem pecado, pois os pecados são dos filhos da Igreja, eles são nossos. Por que a Igreja é santa? Porque Cristo entregou-se por ela na cruz, para que ela fosse sem mácula. Desta forma São Paulo diz que os maridos devem amar as suas esposas, você está disposto a amar a sua esposa ao ponto de se entregar por ela?

A família é sagrada, ela não foi instituída por homem, por um papa, mas por Deus. Deus quis dar uma ajuda adequada ao homem e por isso deu-lhe a mulher como vemos no livro do Gênesis. A mulher foi a última criação de Deus, foi o ápice da criação. Adão ficou feliz por receber a mulher e Deus olhou para os dois e disse aquilo que é a essência do casamento, “por isso o homem deixa seu pai, deixa sua mãe, une-se a sua mulher e sereis uma só carne”.

O que Deus quer? Deus quer que, com o casamento, homem e mulher sejam uma só carne, um só coração, uma só alma, um só espírito, pois há pessoas que estão casados há anos, porém, ainda não parecem estar casados. Pela mentira, o demônio quer destruir os casamentos. Quando se mente para o marido ou para a esposa, você está dando ocasião para o demônio entrar na vida da sua família.


Erika Torres, Lis e Marcos Araujo, sócios da Canção Nova
Foto: Arquivo CN
Quando o casal está unido no amor de Deus, ninguém separa. São Paulo diz que o amor é paciente, bondoso, não busca os próprios interesses, o amor não acaba nunca, só ele faz com que perdoemos uns aos outros até mesmo quando um errou com o outro. É preciso que nos alimentemos do amor de Deus. E isto vai acontecer onde? Na Igreja, na Eucaristia e na oração, pois o casal que reza junto não se separa diante das dificuldades, porque tem forças para superar todos os problemas.

Pai e mãe, vocês devem conquistar os seus filhos. Um dia, vi uma frase em um carro que dizia: "Conquiste o seu filho antes que o traficante o faça" e pensei: "Tenho cinco filhos e preciso conquistá-los". Você não conquista o seu filho pelo que você dá a ele, mas pelo que você é para ele. Se você é um pai ou uma mãe honrados, conquistará seu filho.

Que Nossa Senhora guarde nossas famílias, nossos filhos, para que possamos conduzi-los a Deus.

Trecho retirado da pregação feita pelo professor Felipe Aquino, durante o Acampamento para as Famílias, de 18 a 20 de julho de 2008.



O que faço com tanto cansaço?!

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios

Um dia me disseram que a gente nunca utiliza toda a energia que possui e é verdade. Quantas vezes eu disse a mim mesmo: cheguei no fim do poço, da linha, do estoque... Entretanto, bastava uma necessidade para experimentar uma força nova para continuar e experimentava ir além, mais do que compreendesse. Eu não estou dizendo que ninguém precisa parar e descansar; estou dizendo que é preciso ter cuidado para não deixar que a mentalidade que o mundo nos impõe faça-nos desistir, cair na mediocridade, quando temos ainda força e vitalidade para viver. Coragem... apenas um passo a mais...!

Agora vamos rezar juntos? Clique no blog.cancaonova.com/ricardosa.

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Com carinho e orações,


Seu irmão,
Ricardo Sá



Você tem um amigo de verdade que pode contar sempre?

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios

Não há nada que nos tranquilize mais do que saber que alguém cuida das nossas coisas e cuida bem, melhor que nós, porque vê o que não conseguimos ver e faz o que não conseguimos fazer. Todos nós temos uma pessoa importante ao nosso inteiro dispor, que dia e noite quer cuidar da nossa pessoa, da nossa família, dos nossos interesses e de tudo o que nos envolve; basta que nós demos consentimento e liberdade para que ela aja em nosso favor. Você deve está curioso(a) para saber de quem se trata, não é mesmo? O seu nome é Jesus, o melhor de todos os amigos.

Vejamos o que Ele disse a Santa Margarida Maria Alacoque, a quem Ele mostrou o seu coração:
"Cuida da minha honra e das minhas coisas que o meu coração cuidará de ti e das tuas coisas".

Concretamente, quando aparecer um pobre no nosso caminho, estendamos a mão; alguém que precisar de um favor nosso, sirvamos; sejamos gentis e ainda que não tenhamos feito nada de errado; estas são as coisas de Jesus. Fiquemos atentos às suas manifestações na nossa vida hoje.
Jesus, eu confio em vós!


Luzia Santiago



Papa pede que cesse violência na Terra Santa

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios

O Papa Bento XVI mostrou-se profundamente preocupado, este Domingo, 28, com a nova onda de violência em Gaza, entre israelitas e palestinianos, pedindo que a comunidade internacional seja capaz de encontrar soluções para este beco sem saída e superar a "lógica perversa do confronto e da violência".

"A Terra Santa", disse, "está novamente transtornada pela explosão de uma inaudita violência". E, expressando seu profundo pesar pelos mortos, feridos, prejuízos materiais, sofrimentos e lágrimas das populações, vítimas desta trágica sucessão de ataques e vinganças, o Papa advertiu:

"A Pátria terrena de Jesus não pode continuar a ser testemunha de tanto derramamento de sangue, que se repete sem cessar. Imploro o fim desta violência, que deve ser condenada em todas as suas formas, e a retomada da trégua na Faixa de Gaza. Peço um mínimo de humanidade e de sabedoria a todos os responsáveis por esta situação. Espero que a Comunidade internacional não se resigne em ajudar israelenses e palestinos a saírem deste beco sem saída e tampouco à lógica perversa dos combates e da violência, mas privilegie o caminho do diálogo e da negociação".

O Papa dirigiu a Jesus, Príncipe da Paz, este seu ardente pedido. À Família de Nazaré, que também sofreu nesta terra, pediu o dom da paz para o mundo, mas, sobretudo, para a Terra Santa!



O matrimonio entre protestantes é valido ?

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios
Prezados colunistas: Estive conversando com uma amiga sobre a validade ou não do casamento protestante. O Batismo, por exemplo, é um sacramento que tem como matéria a água, como intenção a morte e ressurreição em Cristo e como forma as palavras: "eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Tal sacramento não precisa, necessariamente, da presença de um sacerdote. Em condições extremas, um leigo pode realizá-lo. O Batismo das Igrejas protestantes é reconhecido pela Santa Igreja Católica. Da mesma forma, o casamento tem como matéria os noivos, a intenção honesta e sincera de unir-se até que a morte os separe, e a forma que deve ser o "Sim" de ambas as partes, mediante pergunta do testemunho oficial do Vaticano, o padre, naquele momento. É um sacramento católico. Os protestantes, pelo que sei, não crêem em sacramentos, chamam de bênçãos essas atitudes. Mas, nem por isso, a Igreja deixa de reconhecer o batismo que professam em nome de Cristo. O casamento, da mesma forma, seria, então, reconhecido pela Santa Igreja Católica? O casamento protestante é válido até que a morte os separe? Ou não passam de amancebados, tal como se considera aqueles que somente se unem civilmente? enso que é tão válido quanto o batismo que fazem. Minha amiga diz que o batismo é, mas o casamento não. Fico, então, na dúvida. Procurei em todo sítio algo a respeito. E não encontro. Aguardo resposta, Emanuelle


Prezada Emanuelle,

Paz e Bem

A dúvida que você e sua amiga têm é muita comum... Tão comum que o renomado canonista pe. Jesús Hortal (sj) já teve a oportunidade de esclarecer MUITO BEM esse assunto na Revista "Direito e Pastoral", publicação nacional especializada em Direito Canônico.

Como a sua questão é de extrema relevância, aproveitamos a oportunidade que você nos proporciona para reproduzirmos o texto do pe. Hortal e, assim, contribuirmos para a divulgação de tão importante artigo (observe como o caso abordado por pe. Hortal, embora um pouco mais complexo, se enquadra perfeitamente com a sua pergunta), com grifos nossos:

"PERGUNTA: João Silva e Judite Amaral, ambos de família protestante (batistas), em cuja fé foram batizados, casaram-se pelo civil e receberam a bênção matrimonial perante o pastor de sua igreja . Viveram seis anos casados, de cuja união nasceu-lhes um filho. Hoje estão separados e se divorciando. João, tendo se afastado de sua igreja, conheceu Regina, moça católica praticante que o levou para a Igreja Católica e estão agora pensando em se casar no religioso. Quais as chances de João e Regina? Como devem proceder?

RESPOSTA: Já perdi a conta das vezes em que me consultaram a respeito de casos semelhantes, o que parece indicar uma problemática bastante freqüente. A resposta, por outro lado, é bastante simples, se se atende aos princípios em que se baseia o nosso Direito Matrimonial .

Partamos do cânon 1.055, §1: 'O pacto matrimonial...entre batizados foi por Cristo Senhor elevado à dignidade de sacramento'.

O Código, seguindo toda a Tradição da Igreja, inclusive a doutrina do Concílio de Trento, afirma que o sacramento não é uma realidade paralela ao matrimônio natural entre batizados, mas uma transformação intrínseca ('elevação') da própria instituição matrimonial, tornando-a sinal e instrumento da graça salvífica de Cristo.

Daí que no §2 do mesmo cânon acrescente: 'Portanto, entre batizados não pode haver contrato matrimonial válido que não seja por isso mesmo sacramento '.

Advirtam-se as palavras 'por isso mesmo' quer dizer que a distinção entre contrato e sacramento, quando se trata do matrimônio entre batizados é uma distinção conceitual ( distinctio rationis, como dizíamos na Filosofia).

Repitamos: não existem duas realidades paralelas - contrato matrimonial por um lado e sacramento pelo outro - mas uma única realidade complexa, que coalesce de um duplo elemento, humano (o consentimento) e divino (a graça significada e conferida). Não esqueçamos que estamos na ordem sacramental onde, a partir da encarnação de Cristo, a própria ordem sensível torna-se ordem salvífica.

Tentemos compreender isso mais plenamente. O batismo não é um fato de conseqüências apenas extrínsecas (acolhida na comunidade eclesial), mas que transforma intrínsecamente o ser do homem. Para dizê-lo com as palavras do próprio Código: nele 'os homens...são de novo gerados...configurados com Cristo por caráter indelével'.

Ou seja, o batizado passa a ter um 'ser crístico', a levar pelo mundo essa 'figura' (configurados) de Cristo que ficou impressa no ser dele.

Daí que, na ordem matrimonial, o consentimento passe a ter um significado e uma realidade muito mais profundos do que o tinham naturalmente . Todo matrimônio tem uma dimensão de sagrado, porque indica a entrega da vida, da pessoa toda, dessa vida que vem de Deus e a Ele se dirige.

Mas o matrimônio entre batizados, pelo ser crístico que encarnam, está destinado a apresentar perante o mundo a união indissolúvel entre Cristo e a sua Igreja, tal como São Paulo ensina na Carta aos Efésios.

O cristão não se pode desvestir desse ser crístico, porque ele é um caráter indelével. Goste ou não goste, está marcado para a eternidade. Sempre será alguém destinado a essa reapresentação de Cristo.

É aí onde se insere a problemática do matrimônio entre protestantes.

Sublinhei, inicialmente, as palavras, duas vezes repetidas no cânon 1.055 - entre batizados - porque, CONTRA O QUE ERRADAMENTE PENSAM ALGUNS, a dignidade sacramental NÃO É UMA PROPRIEDADE EXCLUSIVA DO MATRIMÔNIO ENTRE CATÓLICOS, mas constitui uma dimensão intrínseca de QUALQUER MATRIMÔNIO ENTRE BATIZADOS .

A objeção que já ouvi inúmeras vezes é: 'Mas, para eles, não é sacramento'. O que significa esse ' para eles'? Que a doutrina das igrejas nascidas da Reforma nega a sacramentalidade do matrimônio? Ou que, pelo fato deles pensarem assim , o sacramento não existe?

Se fosse o primeiro caso, ainda poderíamos concordar, embora a resposta não seja tão nítida, dado o conceito estreito de sacramento com que essas igrejas trabalham. Mas não é essa uma questão que nos deva prender neste momento.

Vamos à segunda hipótese: porque os protestantes ensinam que o matrimônio não é sacramento então os matrimônios entre protestantes ficariam numa ORDEM PURAMENTE NATURAL, sem a elevação à ordem sacramental?

NÃO, DE JEITO NENHUM. Quando falamos de sacramento não nos movemos num terreno subjetivo, mas objetivo. Não se trata do 'para eles', mas do que Cristo quis e instituiu. Por isso, a Igreja Católica afirma que ENTRE BATIZADOS não pode haver contrato matrimonial válido que não seja POR ISSO MESMO sacramento. A única possibilidade de invalidar o sacramento é a de invalidar o próprio matrimônio.

De fato, isso pode acontecer, mas não por um simples 'pensar' e sim por um 'querer' positivo: 'O erro a respeito...da dignidade sacramental do matrimônio, contanto que NÃO DETERMINE A VONTADE, não vicia o consentimento matrimonial' (cânon 1.099). 'Contudo, se uma das partes ou ambas, por ato positivo da vontade, excluem...uma propriedade essencial' - no nosso caso, de matrimônio ENTRE BATIZADOS, a sacramentalidade - 'contraem invalidamente' (cânon 1.101, §2).

Vamos, então, aos nossos João e Judite: Os DOIS eram protestantes, BATIZADOS, mesmo que pela confissão a que pertencem (batistas) o tinham sido na idade adulta e por imersão. Em princípio, devemos supor a validade desse batismo, porque a matéria e a forma empregada pelos batistas são perfeitamente válidas e porque a intenção prevalente do ministro é, sem dúvida, realizar aquilo que Cristo mandou (cf. cânon 869, §2).

Por isso, o consentimento matrimonial deles estava destinado a ser ELEVADO à dignidade sacramental, de acordo com a VONTADE DO CRISTO SENHOR.

Será que eles EXCLUÍRAM o sacramento quando casaram? Podem até ter pensado que não se tratava de sacramento, mas quiseram POSITIVAMENTE rejeitá-lo? Não parece ser essa a vontade prevalente dos protestantes, nem sequer dos pastores...

Uma coisa é 'pensar que' e outra diferente 'querer que'. Logo, em princípio, devemos supor, de acordo com a norma do cânon 1.060 ('o matrimônio goza do fazor do Direito'), que o matrimônio entre João e Judite FOI NÃO SÓ VÁLIDO, MAS TAMBÉM SACRAMENTO e tão sacramento como o realizado entre dois católicos, na Igreja Católica.

Não vale argumentar, neste caso, com a falta de 'forma canônica'. Esta não é algo intrínseco ao ser sacramental, mas apenas um requisito instituído pela Igreja Católica, que fixa as condições para a sua observância. Por isso, ela 'deve ser observada, se ao menos uma das partes contraentes tiver sido batizada na Igreja Católica ou nela tenha sido recebida, e não tenha dela saído por ato formal' (cânon 1.117).

Pelo que levamos dito, vê-se que O MATRIMÔNIO ENTRE JOÃO E JUDITE É RATIFICADO (PELO SACRAMENTO) E CONSUMADO (ATÉ TIVERAM UM FILHO!). Por isso, 'NÃO PODE SER DISSOLVIDO POR NENHUM PODER HUMANO NEM POR NENHUMA CAUSA, EXCETO A MORTE' (cânon 1.1141).

A única possibilidade que haveria - mas é algo puramente hipotético - seria que o matrimônio em questão fosse nulo por algum OUTRO motivo, como um impedimento dirimente ou um vício do consentimento, mas nunca pela 'falta de forma', que não houve.

Diferente seria o caso - não tão raro quando se trata de 'batistas' que nem sempre são admitidos ao batismo - em que uma ou ambas as partes não estivessem batizadas, porque aí poderia entrar em questão o privilégio paulino ou solicitar ao Santo Padre a dissolução do matrimônio em favor da fé. Mas não é esse o caso de que tratamos."

Como você mesmo pode verificar, cara Emanuelle, você TINHA RAZÃO ao afirmar à sua amiga que o matrimônio protestante pode ser tido como válido (e, portanto, indissolúvel)...

Obrigado por nos escrever.



Mais duvidas entre o matrimonio entre protestantes

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios
Desculpe-me pela insistência. Estou inteiramente convencida de que o casamento entre dois protestantes é válido (minha amiga ainda não). Ela tem conhecimento de uma união entre um protestante e uma católica em uma Igreja protestante. Essa católica freqüenta ainda uma paróquia em que o Pe. responsável não lhe dá a hóstia, porque sabe do caso. O casamento entre ela e o protestante não é reconhecido pela Igreja (pelo menos não por aqui...).
Diante dos fatos acima, apesar de tudo indicar que essa união é sacramento, o casamento entre uma católica e um protestante não seria válido se fosse efetivado mediante apenas a "bênção" de um pastor? Somente se o fosse (pelo fato dela ser católica e não ter se convertido) na Igreja Católica, mediante, pelo menos, a presença do padre, se não quisessem fazê-lo misto?
Outras dúvidas que suscitaram a querela foram:
1. Se o casamento no civil não é reconhecido pela Igreja Católica, mesmo quando acontece entre dois batizados católicos, porque ela aceitaria o casamento entre um protestante e uma católica (ou entre dois protestantes) fora da Igreja de Cristo e da presença da testemunha oficial do vaticano; apenas com a bênção de um pastor?
2. Se algumas igrejas protestantes reconhecem o divórcio em muitos casos e muitos deles somente casam-se no civil, sem bênção do pastor (pois eles elevam essa união no civil àquela que efetivamente caracteriza o casamento), porque esse casamento seria reconhecido pela Igreja e, consequente, pelo seu Esposo?
3. Pode-se concluir, pelo raciocínio do Pe. Hortal, que o casamento civil poderia valer como sacramento se realizado entre dois batizados? Ou, que as vezes do padre seriam as mesmas das do pastor e que o casamento protestante só valeria como sacramento mediante a presença do pastor e efetivazação na igreja protestante que eles frequentam?
4. Para não ter dúvidas: concluimos (as duas) que só nos casaremos com católicos na Igreja da Cristo.ehheheheeh
Cordialmente, Emanuelle.


cara,Emanuelle

Paz e Bem

Tentemos esclarecer, por partes, as novas dúvidas que surgiram...
Abordemos, primeiramente, o caso citado por sua amiga:

"Ela tem conhecimento de uma união entre um protestante e uma católica em uma Igreja protestante. Essa católica freqüenta ainda uma paróquia em que o Pe. responsável não lhe dá a hóstia, porque sabe do caso. O casamento entre ela e o protestante não é reconhecido pela Igreja (pelo menos não por aqui...)"

E então você questiona:

"apesar de tudo indicar que essa união é sacramento, o casamento entre uma católica e um protestante não seria válido se fosse efetivado mediante apenas a 'bênção' de um pastor?"

Respondemos que tal união NÃO É SACRAMENTO pelo simples fato da cônjuge católica estar legalmente IMPEDIDA pela suprema autoridade da Igreja Católica de contrair "matrimônio misto" (isto é, com uma parte cristã não-católica), sem a prévia AUTORIZAÇÃO do Bispo Diocesano. Com efeito, ordena o cânon 1.124 do Código de Direito Canônico:

"O matrimônio entre duas pessoas batizadas, das quais uma tenha sido batizada na Igreja católica ou nela recebida depois do batismo, e que não tenha dela saído por ato formal, e outra pertencente a uma igreja ou comunidade eclesial que não esteja em plena comunhão com a Igreja católica, É PROIBIDO SEM A LICENÇA EXPRESSA DA AUTORIDADE COMPETENTE" (grifamos).

Repare que a Igreja, que recebeu de Cristo o poder de ligar e desligar TODAS as coisas sobre a terra (cf. Mateus 16,16-18; 18,18), como Mãe zelosa que é por seus filhos, PROÍBE ordinariamente, o denominado "matrimônio misto"; ela tem consciência de que tal espécie de matrimônio pode constituir - com o passar do tempo - um verdadeiro atentado contra a fé da parte católica, em razão de tomar contato com idéias cismáticas ou heréticas (conseqüentemente, a comunhão espiritual entre os cônjuges não será plena; não poderão participar juntos da eucaristia; muito provavelmente encontrarão muitas dificuldades para educar os filhos na fé; etc.).

Entranto, como esta Igreja também é uma Mãe misericordiosa, EXTRAORDINARIAMENTE pode permitir, mediante LICENÇA, que seus filhos católicos contraiam matrimônio com partes não-católicas, salvaguardando-lhes, assim, a fé. Para tanto, impõe certas condições no cânon 1.125:

"O ordinário local pode conceder essa licença se houver CAUSA JUSTA E RAZOÁVEL; NÃO A CONCEDA, porém, se não se verificarem as condições seguintes:
1ª) A parte católica DECLARE ESTAR PREPARADA para afastar os perigos de defecção da fé e PROMETA sinceramente fazer todo o possível a fim de que TODA A PROLE seja batizada e educada na Igreja católica;
2ª) INFORME-SE, TEMPESTIVAMENTE, DESSES COMPROMISSOS da parte católica à outra parte, de tal modo que CONSTE ESTAR ESTA CONSCIENTE do compromisso e da obrigação da parte católica;
3ª) AMBAS AS PARTES SEJAM INSTRUÍDAS A RESPEITO DOS FINS E PROPRIEDADES ESSENCIAIS DO MATRIMÔNIO, QUE NENHUM DOS CONTRAENTES PODE EXCLUIR" (grifamos).

E, ordinariamente, como se dará esse "casamento misto"? Na Igreja Católica, segundo a forma canônica estabelecida para a celebração do matrimônio (cânon 1.127, §1; cfr. cânon 1.108). É claro que, extraordinariamente, é possível obter também a DISPENSA da forma canônica para que a parte católica possa celebrá-la publicamente em outro lugar (cânon 1.127, §2).

Mas, e se apesar da PROIBIÇÃO da Igreja, a parte católica resolver, SEM LICENÇA, contrair matrimônio com uma parte não-católica ou, ainda que tenha obtido essa licença, não tenha obtido a DISPENSA da forma canônica? O que sucederá ao seu matrimônio?

Responde o cânon 1.108, §1:

"SOMENTE SÃO VÁLIDOS OS MATRIMÔNIOS CONTRAÍDOS PERANTE O ORDINÁRIO LOCAL OU O PÁROCO, ou um sacerdote ou diácono delegado por qualquer um dos dois como assistente, e além disso perante duas testemunhas, de acordo porém com as normas estabelecidas nos cânones seguintes, e salvas as exceções contidas nos cânones 144; 1.112, §1; 1.116; e 1.127, §§ 1 e 2" (grifamos).

Portanto, tal matrimônio é INVÁLIDO, nulo de pleno direito, como se nunca tivesse existido...

No entanto, por mais um ato de amor da Igreja, é possível "remediar" tal situação através da graça da "sanação radical", como aponta o cânon 1.161:

"§1. A sanação radical de um MATRIMÔNIO NULO é a sua CONVALIDAÇÃO, sem renovação do consentimento, CONCEDIDA PELA AUTORIDADE COMPETENTE, trazendo consigo a dispensa do impedimento, se o houver, e TAMBÉM DA FORMA CANÔNICA, se não tiver sido observada, como ainda a retroação dos efeitos canônicos do passado.
§2. A convalidação é feita desde o momento em que se concede a graça; mas a retroação se entende feita até o momento da celebração do matrimônio, a não ser que expressamente se determine outra coisa.
§3. NÃO SE CONCEDA A SANAÇÃO RADICAL SE NÃO FOR PROVÁVEL QUE AS PARTES QUEIRAM PERSEVERAR NA VIDA CONJUGAL" (grifamos).

Isto posto, consideremos agora as demais dúvidas levantadas...



"1. Se o casamento no civil não é reconhecido pela Igreja Católica, mesmo quando acontece entre dois batizados católicos, porque ela aceitaria o casamento entre um protestante e uma católica (ou entre dois protestantes) fora da Igreja de Cristo e da presença da testemunha oficial do vaticano; apenas com a bênção de um pastor?"


Resposta: apreciemos cada um dos casos apontados:

1º) O matrimônio no civil entre dois católicos não é reconhecido pela Igreja porque falta-lhe a forma canônica a que todo católico, como filho da Igreja, está OBRIGADO a observar; o verdadeiro casal católico "casa-se no Senhor", isto é, na Igreja (cf. 1Coríntios 7,39); dela recebe verdadeiro sacramento.

2º) Quando a parte católica quer se casar com uma parte cristã não-católica, como vimos acima, está obrigado a OBTER LICENÇA da Igreja de tal PROIBIÇÃO e, obtida esta, se não puder - por razões graves - seguir a forma canônica, deverá também OBTER DISPENSA da autoridade eclesiástica competente, sob pena legítima de nulidade (a menos que obtenha, posteriormente, a convalidação pela sanação radical).

3º) No caso do matrimônio entre dois protestantes, em tese é tido por válido porque se presume que os cônjuges, sendo cristãos batizados, querem o que Cristo queria ao elevar o matrimônio à dignidade de sacramento, nos termos como bem se expressou o pe. Jesús Hortal (e que reproduzi em meu email anterior). Afirma o cânon 1.060, que "o matrimônio GOZA DO FAVOR DO DIREITO; portanto, EM CASO DE DÚVIDA, deve-se estar pela VALIDADE do matrimônio, enquanto NÃO SE PROVA O CONTRÁRIO" (grifamos). Ora, como sabemos, pelo cânon 1.055, §2, que "entre BATIZADOS não pode haver contrato MATRIMONIAL VÁLIDO que não seja POR ISSO MESMO SACRAMENTO" (grifamos), enquanto a autoridade eclesiástica competente não o declarar nulo - obviamente que depois de um minucioso e cuidadoso estudo e análise das provas trazidas ao processo - tal matrimônio DUVIDOSO é tido por válido, gozando, assim, do FAVOR DO DIREITO.


"2. Se algumas igrejas protestantes reconhecem o divórcio em muitos casos e muitos deles somente casam-se no civil, sem bênção do pastor (pois eles elevam essa união no civil àquela que efetivamente caracteriza o casamento), porque esse casamento seria reconhecido pela Igreja e, consequente, pelo seu Esposo?"


Os protestantes que "apenas" se casam no civil, evidentemente não procuram a "bênção" da Igreja. É basicamente a mesma situação que retratamos em primeiro lugar na questão anterior (dois "católicos" que apenas se casam no civil). Com efeito, referido casamento não pode ser legitimamente reconhecido pela Igreja como sacramento, a não ser que se lhe obtenha posteriormente a graça da sanação radical...

"3. Pode-se concluir, pelo raciocínio do Pe. Hortal, que o casamento civil poderia valer como sacramento se realizado entre dois batizados? Ou, que as vezes do padre seriam as mesmas das do pastor e que o casamento protestante só valeria como sacramento mediante a presença do pastor e efetivazação na igreja protestante que eles frequentam?"

Diante do que já expusemos anteriormente, percebe-se claramente que não é possível ao casamento civil ser elevado à dignidade do sacramento do matrimônio. Por outro lado, o matrimônio entre dois protestantes é PRESUMIDAMENTE VÁLIDO (até que se PROVE O CONTRÁRIO) porque a matéria e a forma empregada pela maioria das denominações protestantes são válidas e também porque a intenção prevalente do ministro é realizar aquilo que Cristo ordenou (cf. cânon 869, §2).

"4. Para não ter dúvidas: concluimos (as duas) que só nos casaremos com católicos na Igreja da Cristo."

Com certeza, já é um ótimo começo, ;)
Espero ter ajudado.



Leitor protestante em luta interior para converter-se ao Católicismo

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios
Prezados irmãos,



Gostaria de lhes expor uma dúvida a respeito do chamado “batismo de desejo”.
Para tanto, permitam-me transcrever alguns extratos de textos encontrados na Internet:

“Não ficam, portanto, segundo a doutrina da Igreja, excluídos da salvação os gentios, os hereges e os cismáticos, que não abraçaram a verdadeira fé, a não ser os que não conheceram a verdade revelada porque não a quiseram conhecer, ou os que, tendo-a bastantemente conhecido, se recusaram a abraçá-la. Só, de fato, estão obrigados a entrar na Igreja Católica os que a reconhecem como o único meio necessário para alcançarem a sua salvação. É, portanto, sob todos os respeitos muito racional e lógica a fórmula: ‘Fora da Igreja não há salvação’: e, se a acusam por este lado, é porque ou estão de má fé ou estão iludidos; iludidos, por lhe não conhecerem o sentido adequado e preciso; de má fé, por se recusarem a reconhecê-lo.’”

(http://www.permanencia.org.br/revista/atualidades/fora.htm)



“Esta é a doutrina do batismo de desejo implícito, que se aplica também aos não cristãos: se o infiel ou herege de espírito piedoso e devoto tivesse conhecido a Igreja ou sua autêntica doutrina, teria aderido a elas. Extra Ecclesiam (visível) não existe, pois, nada além da possibilidade de uma salvação individual, que pode ocorrer por obra do Espírito Santo, apesar da pertinência material do herege, do cismático, do infiel, a sua seita, comunidade ou religião.”

(http://www.beneditinos.org/atualidades/documentos/erros_vaticano2.htm)



“Como explicar que seja possível a salvação dessas almas que viveram fora do grêmio visível da Igreja? A teologia católica explica que essas almas retas, que não conseguiram superar barreiras vivenciais e culturais para reconhecer a verdadeira Igreja, se são autenticamente retas — e, portanto, se sob o influxo da graça desejaram de fato conformar suas vidas com a vontade e a lei de Deus, recebem o batismo de desejo em razão da Fé, Esperança e Caridade que, in voto (implicitamente) acolheram. Isto é, Deus as acolhe no seio da Igreja, porque esta é a comunidade de todos os autênticos filhos de Deus.”

(http://www.lepanto.com.br/DCSalv.html)

“Com efeito, pela fé há de sustentar-se que fora da Igreja Apostólica Romana ninguém pode salvar-se; que esta é a única arca da salvação, que quem nela não tiver entrado, perecerá no dilúvio. Entretanto, também é preciso ter por certo que aqueles que sofrem de ignorância da verdadeira religião, se aquela [ignorância] é invencível, não são eles ante os olhos do Senhor réus por isso de culpa alguma. Ora pois, quem será tão arrogante que seja capaz de assinalar os limites desta ignorância, conforme a razão e a variedade de povos, regiões, caracteres e de tantas outras e tão numerosas circunstâncias?” (Pio IX, Alocução Singulari Quadam, 1854, Denzinger, 1647).

(http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=batismodedesejo&lang=bra)

“Suponhamos um protestante que não tivesse meio algum de conhecer a religião Católica. Esse protestante teria que ser uma criança educada no protestantismo, sem instrução histórica e sem contato com católicos. Se ele for sincero e buscar a Deus, ele terá que ler a Bíblia e estudar a origem do protestantismo. Lendo a Sagrada Escritura, se for sincero, encontrará lá muitas coisas que condenam o protestantismo tal qual ele é ensinado. Por exemplo, ele terá que ter devoção a Nossa Senhora, porque em São Lucas lerá que ela foi bendita entre todas as mulheres, e em São João lerá que Jesus deixou-nos Maria por mãe, etc. Ele lerá em São Mateus que Cristo fundou a Igreja sobre Pedro, e não colegialmente. Lerá que não adianta ler a Bíblia apenas (Atos cap. VIII). Ele, sendo sincero, ficará católico de alma. E, se tiver a oportunidade de conhecer um católico, se converterá. Também pelo estudo da história da religião protestante – que ele tem obrigação de conhecer – ele chegará facilmente à conclusão que a Igreja Católica é a verdadeira.”

(http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=apologetica&artigo=20040817204256&lang=bra)

Caríssimo sr. José Grillo, Paz e Bem,

Obrigado por demonstrar tanta confiança em nosso site e amizade por nós. É uma dádiva debater com o senhor, um irmão verdadeiramente cristão, mesmo separado da plena comunhão com a Igreja Católica. O senhor não imagina quanta alegria deu ao nosso coração e ao Coração de Cristo por sua sinceridade e disposição em aprender, em experimentar o esplendor da verdade (que dá nome ao nosso modesto apostolado).

Minha pergunta é a seguinte: qual o homem que, após reconhecer plenamente a Igreja católica como “único meio necessário para alcançarem a sua salvação”, negar-se-á a se tornar católico? Com efeito, se tal homem ainda não se tornou católico, é por que não chegou ao referido reconhecimento da Igreja católica como única e verdadeira Igreja de Cristo.

Precisamos entender o que significa reconhecer a Igreja como único meio necessário para alcançar a salvação. Para o Magistério, isso significa ter as oportunidades de conhecer tal verdade, ou uma possibilidade concreta de reconhecimento. Não é um oportunidade de fato para esse reconhecimento, mas de direito. Um cristão não-católico que teve a chance de saber que a Igreja Católica Apostólica é a Igreja de Cristo deve, pois, empregar todos os esforços para crer nessa doutrina. Estará condenado se não empregar tais esforços, se não for diligente.

Evidentemente, aquele que reconhece plenamente que a Igreja Católica é o único meio de salvação dificilmente não se tornará católico. É, todavia, possível, embora improvável, que se negue à conversão, dado que esta pode gerar conseqüências nem sempre agradáveis do ponto de vista humano: perda de relações de amizades, dificuldades nos primeiros passos como católicos, sentimento de perda da herança passada, dureza na aceitação de que esteve errado durante anos etc.

A doutrina católica, entretanto, não diz que só aqueles que reconheceram plenamente a Igreja como único meio de salvação e insistem em não aderir a ela é que estão excluídos da salvação. Se alguém teve condições de fazer esse reconhecimento, e não o fez, é culpado. O reconhecimento que se pede não é o pleno, e sim o provável. Alguém que não emprega os esforços suficientes, não chega a esse reconhecimento pleno por culpa própria. Tendo uma mínima idéia – e não um reconhecimento pleno – de que a Igreja Católica é o único meio de salvação, é obrigado a converter-se, ou, ao menos, a empregar sua diligência em adquirir tal fé. Se ele rezar, estudar, e ainda assim não se convencer, poderá estar salvo por sua sinceridade (aí entra o Batismo implícito de desejo). Restando, entretanto, esse reconhecimento – que não é pleno, uma vez que, se assim o fosse, quase que certamente o forçaria à conversão) –, mas sem um esforço por renunciar ao erro (ainda que não renuncie, desde que seu esforço seja sincero e eficaz, conforme a individualidade de cada um), está condenado. Ele não chegou ao reconhecimento pleno por culpa própria, por preguiça, medo etc, de estudar, de conhecer a verdade.

Se alguém não se tornou católico é, justamente, por não ter reconhecido plenamente que a Igreja Católica é o único meio de salvação. Porém, apesar de não ter pleno reconhecimento dessa verdade, pode ter um reconhecimento suficiente que o obrigue ou à conversão ou ao emprego sério dos esforços necessários para efetuar essa conversão. De posse do reconhecimento pleno, se converterá, no mais das vezes – embora possa, ainda nesse caso, não se converter. De posse de um reconhecimento não-pleno, pode se converter, esforçar-se mais na busca da verdade, ou permanecer “na mesma”. É essa última condição que o condena. Não as demais.

Digo-o pelo menos por mim: há anos tenho nutrido admiração pelas riquezas espirituais do catolicismo. Não obstante, ainda não tenho plena certeza de que a Igreja católica apostólica romana é a única e verdadeira Igreja de Cristo. Aliás, só não me converti ao catolicismo precisamente por ainda não ter essa certeza! Sendo assim, estaria eu incluído no chamado “batismo de desejo”? Devo observar que nem estou me referindo ao que diz o Concílio Vaticano II (que tem sido muito questionado nos textos da Montfort), conforme o extrato abaixo: “Diante disso, o que pensar a respeito da salvação dos cismáticos e protestantes? Se o Batismo Sacramental deles foi realmente válido (como é o caso de muitos inseridos em igrejas cismáticas e denominações protestantes tradicionais), não há dúvida de que são membros da Santa Igreja. Diz o Concílio Vaticano II que ‘por diversas razões a Igreja reconhece-se unida aos batizados que se honram com o nome de cristãos, mas não professam integralmente a fé, ou não mantém a unidade da comunhão sob o sucessor de Pedro.’ (LG 15) Também estes poderão se salvar se não houverem chegado ao conhecimento pleno da Santa Igreja ou tiverem certo tipo de resistência psicológica inconsciente que não lhe permite este conhecimento. É importante observar, porém, que se salvarão por fazerem parte da Santa Igreja e não por fazerem parte de uma determina igreja cismática ou denominação protestante - mas se salvarão apesar disso!”

(http://reinodavirgem.vilabol.uol.com.br/salvacao.html)


Só Deus sabe o que vai no coração de cada homem. O Batismo de desejo pode ser explícito ou implícito. O catecúmeno ou aquele que já manifestou a intenção de batizar-se, ao morrer sem recebê-lo de modo ordinário, é salvo pelo Batismo de desejo explícito.

Implícito, por sua vez, é o Batismo de desejo daqueles que nem cogitaram batizar-se, mas são católicos sem o saberem, membros invisíveis da Igreja visível, pertencendo à alma da Igreja, ainda que não ao seu Corpo.

Não é o seu caso, pois, sendo protestante, seu Batismo é válido. Seu Batismo protestante é, na verdade, um Batismo católico, apenas rompendo a comunhão com a Igreja Católica no seu primeiro ato de fé protestante - ao atingir o uso da razão, optando por permanecer protestante. Não há porque desejar ser batizado, se o senhor já o foi. Se o senhor está sem culpa fora das estruturas visíveis da Igreja Católica, é membro dela – invisível, claro –, sem o saber, é um católico, ainda que, por vezes, nem o queira. Agora, se já culpa no senhor por estar visivelmente fora da Igreja, nem invisivelmente o senhor está. Quem sabe disso é só Deus. Não cabe ao homem aferir a sinceridade ou a salvação do seu próximo.

Estendendo um pouco mais a questão, apesar de sustentar o dogma “extra Ecclesiam nulla salus”, o catolicismo parece-me ser a mais inclusivista das religiões, uma vez que reconhece a possibilidade de salvação de todos aqueles que, desde que observando a Lei moral inscrita por Deus nos corações dos homens, não fazem parte da Igreja católica por sofrerem de “ignorância invencível”. E o que significaria a expressão “ignorância invencível”? Quais os seus limites? Seria esse o meu caso, uma vez que nasci e me criei na igreja protestante (e que talvez por isso tenha uma idiossincrasia atavicamente protestante que me dificulte a adesão à fé católica)?

Evidentemente, é possível a alguém que não esteja visivelmente no grêmio da Igreja alcançar a salvação. Mas tal se dá porque, apesar de não saber, esse não-católico é, sim, um membro da Igreja, por vários títulos. Na sua ignorância, se invencível - e isso só Deus pode julgar -, os pequenos e frágeis laços que o unem à Igreja Católica (batismo, traços de doutrina católica, sacramentos, Bíblia, cumprimento da lei natural etc) podem ser suficientes para torná-lo um membro invisível da Igreja visível, ou, como diriam o Cardeal Journet e o Cardeal Billot, participante da “alma da Igreja”, ainda que não do corpo.

De qualquer modo, todos os que se salvam, se salvam por serem católicos. Mesmo que não saibam.

Ordinariamente, todavia, a submissão a Cristo implica na submissão ao seu Vigário, o Papa. A Unam Sanctam é clara nesse sentido, e a Dominus Iesus (como a Ut Unum Sint) desenvolvem essa doutrina mais explicitamente.

Se, por um lado, temos de cuidar para não cairmos no irenismo (Cristo salva independentemente da Igreja, todos são iguais, o que importa é ser bom e cristão), evitemos também o feeneyismo (confundir o “fora da Igreja não há salvação” como se fosse um “fora das estruturas visíveis da Igreja não há salvação”).

Explico melhor.

Sendo a Igreja “projeto visível do amor de Deus pela humanidade” (Sua Santidade, o Papa Paulo VI. Discurso de 22 de junho de 1973), “coluna e sustentáculo da verdade?” (1 Tm 3,15), fundada por Jesus Cristo para, como instrumento do Espírito Santo, salvar e santificar os homens (cf. Concílio Ecumênico Vaticano II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, de 21 de novembro de 1964, nº 8), fora da qual não há remissão dos pecados (cf. Sua Santidade, o Papa Bonifácio VIII. Bula Unam Sanctam, de 18 de novembro de 1302; Concílio Ecumênico Vaticano II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, de 21 de novembro de 1964, nº 14; Catecismo da Igreja Católica, 846), há de se crer na absoluta necessidade de a ela pertencerem todos os seres humanos. Certo é, igualmente, que, em situações excepcionais, havendo ignorância invencível, pode o homem salvar-se fora da estrutura visível da Igreja, o que não significa possibilidade de salvação fora da Igreja mesma nem negação da visibilidade desta.

Dois erros devem aqui ser evitados.

Um, o de certa teologia irenista, presente, em maior ou menor grau, em alguns ambientes católicos, e que afirma indiscriminadamente que fora da Igreja há salvação, que o que interessa é ser cristão somente e não católico e, às vezes, nem cristão, bastando ter “caridade”, - como se a caridade não fosse ordinariamente fruto da fé –, que Cristo não teria fundado uma única Igreja, que o extra Ecclesia nulla salus teria sido revogado – como se fosse possível à doutrina católica mudar-se, evoluir –, que a unidade da Igreja teria sido perdida – se a unidade é essencial à Igreja, não pode tal nota ser perdida sob pena de deixar de subsistir a própria Igreja, o que, por sua vez, é igualmente impossível em face da promessa do Redentor –, que todos os caminhos levam a Deus etc. Certa falsa concepção do que seja ecumenismo, tal como entendido pelo Papa, adota esse irenismo, em si pernicioso, condenado pelo Vaticano II, por Paulo VI e por João Paulo II, e, antes, pela Encíclica Mortalium Ânimos, de Pio XI.

O outro erro é o do que interpreta restritivamente a expressão “fora da Igreja não há salvação”, entendendo-a como “fora das estruturas visíveis da Igreja não há salvação”. Essa falsificação do correto entendimento do brocardo foi igualmente rejeitada pela Igreja, sob o nome de feeneyismo, na Carta ao Arcebispo de Boston, de 8 de agosto de 1949. De fato, a Igreja rechaça tanto o irenismo – que crê na salvação fora da Igreja Católica – quanto o feeneyismo – que confunde a Igreja Católica, única e essencialmente visível (mas com possibilidade de membros invisíveis), fora da qual não há salvação, com sua estrutura de visibilidade. “Aqueles que crêem em Cristo e foram devidamente batizados estão constituídos em certa comunhão, embora não perfeita, com a Igreja Católica.” (Concílio Ecumênico Vaticano II. Decreto Unitatis Redintegratio, de 21 de novembro de 1964, nº 3)

“Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica – radicada na sucessão apostólica – entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: ‘Esta é a única Igreja de Cristo (...) que o nosso Salvador, depois da sua ressurreição, confiou a Pedro para apascentar (cf. Jo 21,17), encarregando-o a Ele e aos demais Apóstolos de a difundirem e de a governarem (cf. Mt 28,18ss.); levantando-a para sempre como coluna e esteio da verdade (cf. 1 Tim 3,15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste [subsistit in] na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele.’ Com a expressão subsistit in, o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que ‘existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua composição’, isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica. Acerca destas, porém, deve afirmar-se que ‘o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica.’ Existe portanto uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares. Por isso, também nestas Igrejas está presente e atua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objetivamente tem e exerce sobre toda a Igreja. As Comunidades eclesiais, invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, não são Igrejas em sentido próprio. Os que, porém, foram batizados nestas Comunidades estão pelo Batismo incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que imperfeita, com a Igreja. O Batismo, efetivamente, tende por si ao completo desenvolvimento da vida em Cristo, através da íntegra profissão de fé, da Eucaristia e da plena comunhão na Igreja.” (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. Declaração Dominus Iesus, de 6 de agosto de 2000, nsº 16-17) “Os fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma – diferenciada e, de certo modo, também unitária – das Igrejas e Comunidades eclesiais; nem lhes é permitido pensar que a Igreja de Cristo hoje já não exista em parte alguma, tornando-se, assim, um mero objecto de procura por parte de todas as Igrejas e Comunidades.” (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. Declaração Mysterium Ecclesiae, in AAS 65, em 1973, nº 1) Sobre o verdadeiro sentido do ecumenismo, ver o Decreto Unitatis Redintegratio, do Vaticano II, a Encíclica Ut Unum Sint, do Papa João Paulo II, e a Carta Communionis Notio, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé.

Visto esse embasamento teórico, vamos à prática:

Ignorância invencível, no caso em tela, é a incapacidade de reconhecer plenamente a Igreja Católica como única fundada por Cristo e, portanto, único meio de salvação, canal pelo qual passa a graça que age mesmo fora de suas estruturas visíveis. Não é fácil traçar seus limites. Só Deus sabe se alguém labora ou não em ignorância invencível, sendo temerário proferir qualquer julgamento sobre as intenções de cada um, como bem nos lembrou o Salvador.

O fato de o senhor ter nascido e se criado em uma comunidade protestante realmente pode dificultar seu reconhecimento pleno da Igreja Católica como única fundada por Cristo e conseqüente abandono dos erros doutrinários que são opostos ao que ela ensina. Pode favorecer à criação de barreiras intransponíveis, o que caracterizaria ignorância invencível. Sem embargo, tudo isso são conjecturas. Lembro: só Deus sabe se a ignorância é vencível ou invencível e é perigoso, ademais, presumir-se nesta última. O dever de alguém que tem uma vaga idéia da salvação operada exclusivamente através da Igreja Católica é converter-se ou, ao menos, empreender os necessários esforços para tal. Parece ser o seu caso, caríssimo sr. José. Vejo que o senhor, realmente, está em busca da verdade. Está fazendo, pois, sua parte. Que bom!

Deus sabe que sou sincero, e que se não me converti ao catolicismo até hoje, foi tão-somente porque não estou certo de que devo fazê-lo (e devo dizer que não creio que “pelo estudo da história da religião protestante”, pode-se chegar “facilmente à conclusão que a Igreja Católica é a verdadeira”, conforme afirma o prof. Orlando Fedeli, pois há muitos e competentes protestantes que conhecem a fundo a história do protestantismo, e nem por isso se converteram ao catolicismo). Mas não seria também esse o caso de todos os não-católicos, ou de boa parte dos não-católicos, os quais só não se converteram ao catolicismo porque não entenderam a “necessidade” dessa conversão? E isso não incluiria talvez até mesmo os mais obstinados (e não obstante sinceros) protestantes, que só mantêm essa obstinação justamente por não conhecerem aquilo que, de acordo com a ortodoxia católica, seria a verdadeira natureza do catolicismo? Em suma: considerando que somente aqueles que não conhecem suficientemente o catolicismo e/ou não o reconhecem como o verdadeiro e único meio de salvação deixam de aderir à fé católica, que culpa têm esses indivíduos? Com efeito, se conhecessem suficientemente o catolicismo e/ou se o reconhecessem como verdadeiro e único meio de salvação, não é certo que se converteriam, do mesmo modo que se converteram, em tese, todos os que alcançaram tal conhecimento?

Já expliquei qual o reconhecimento da Igreja é pedido por ela para laborar a pessoa com culpa ao não se converter.

Apenas aproveito para lhe parabenizar por sua sinceridade e sua árdua dedicação à verdade, esteja onde ela estiver. É de espíritos assim que Cristo precisa, com a coragem para ir em busca do que é certo e decisão suficiente para, de posse dela, largar tudo e segui-Lo. Se o senhor realmente se convencer de que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo, se converterá – é o que se depreende de suas afirmações. Ótimo, é um grande passo. Sua sinceridade e retidão não serão ignoradas por Deus.

Concordo com o senhor que a afirmação do Prof. Fedeli é um tanto simplista, mas a análise da história protestante ajuda, sim, na conversão ao catolicismo. Basta ver a multidão de igrejas que surgem, todas invocando a correta interpretação das Escrituras e o auxílio do Espírito Santo, para que o princípio do livre-exame caia por terra.

E para concluir de forma mais específica a minha questão: qual seria a situação dos protestantes que, assim como eu, não se convertem ao catolicismo única e exclusivamente por não o reconhecerem como verdadeira e única religião capaz de salvar o homem (seja por não o conhecerem suficientemente para tanto ou por alguma outra razão que os inclua no caso de “ignorância invencível”)?

Se houver algum reconhecimento, alguma idéia de que a Igreja Católica é a verdadeira religião, devem agir diligentemente para alcançar a plenitude desse entendimento e converter-se. Não se esforçando ou, após o reconhecimento pleno, não se convertendo, estão condenados. Esforçando-se e não chegando à plenitude de tal reconhecimento, podem ser condenados ou salvos, dependendo do grau de sua ignorância: vencível ou invencível.

No seu caso, se o senhor não se converte por ainda não ter a certeza plena da verdade católica, pode ser salvo se essa impossibilidade advier de ignorância invencível ou, vindo de ignorância vencível, usar da diligência necessária e somente não se converter por outros fatores, alheios à sua vontade. Note: usei o verbo "poder", não "ser". O senhor pode ser salvo, mas não sabemos se, efetivamente, será. Até porque ninguém sabe se estará salvo, no fim das contas. Nem mesmo a pertença visível à Igreja Católica - no caso dos membros do Veritatis Splendor, por exemplo - é garantia de salvação. Só Deus sabe os que perseverarão até o final.

O conselho que lhe dou é que siga sincero e firme em sua busca pela verdade. Não desista simplesmente por se presumir em ignorância invencível. Lute, estude, reze muito, peça para que o Espírito Santo lhe mostre qual é, de fato, a Igreja de Cristo. Nós estaremos orando pelo senhor.

Se o que falta é reconhecer plenamente a verdade da Igreja Católica, empreenda os atos necessários para chegar a essa convicção.

Desde já, agradeço pela atenção.

Nós é que agradecemos essa excelente ocasião de conversar com o senhor, esclarecer suas dúvidas e registrar nossa mais viva afeição por alma tão sincera e desejosa de seguir a Cristo de modo fiel.

Deus o abençoe em sua empreitada.



LEITOR PERGUNTA SOBRE "PREGAR JESUS" E NÃO IGREJA...

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[Leitor autorizou a publicação de seu nome no site]

Nome do leitor: Brito

Cidade/UF: Garanhuns

Religião: Católica

Mensagem

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Gostaria de saber o que significa esse termo, Já que alguns protestantes dizem que não pregam religião e sim a Bíblia (Jesus Cristo).

Devo seguir religião ou Igreja? Gostaria de uma explicação sobre os dois temas, já que por diversas vezes escuto os nossos irmãos separados dizer eu prego a bíblia não religião. Eu anuncio Jesus Cristo e não sigo doutrinas de homens. Também queridos irmãos, tenho um amigo que se diz católico e que falou que a Igreja é muito dogmática, ele disse não concordar com isso. Gostaria de poder fazê-lo entender a questão dos dogmas; para isso preciso da vossa ajuda. Peço que envie algum material de estudo para que eu possa apresentar a ele.



Caro,

Paz e Bem!

Os protestantes tem uma visão distorcida da realidade da Igreja. Para eles, a Igreja é uma mera comunidade de cristãos, sem caráter sacramental, dessa forma, para justificar essa multiplicidade de comunidades (igrejas), eles afirmam não pregar uma religião, igreja, mas Jesus Cristo.

É de se notar que os protestantes estão em tremenda contradição! Em primeiro lugar, o termo Religião não se restringe ao cristianismo, religião vem de “religare”, significando em última instancia a re-ligação do homem para com Deus, existindo assim uma infinidade de religiões que “dizem cumprir” essa missão. Por amor à Verdade, cumpre-nos informar que a Religião por excelência é o Cristianismo, e dentro deste, a Única Igreja verdadeira, aquela que possui a plenitude da Revelação divina é a Igreja Católica Apostólica Romana! E por que somente a Igreja Católica Apostólica Romana é a verdadeira? Porque quem a fundou, quem a estabeleceu foi Nosso Senhor Jesus Cristo! Portanto, quem a ilumina é o Espírito Santo!

“E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16,18-19) [destaque nosso]

Em segundo lugar, não se pode separar Cristo e Sua Igreja, não se pode separar a Cabeça (Cristo) de seu Corpo (a Igreja), como querem os protestantes...

“Indubitavelmente, sem Cristo não há cristianismo. Contudo, acontece que na Bíblia ocorre uma realidade muito clara: uma vez que Jesus Cristo se encarnou e fundou sua Igreja, não podemos mais separar a realidade de Cristo da realidade da Igreja. A Palavra de Deus é clara neste ponto: a Igreja é o Corpo de Cristo (Cl 1, 18). Diz mais: a Igreja é a Sua Plenitude (Ef 1, 23). Quem persegue a Igreja, persegue o Cristo (At 9, 1-6) e, caso a relação não esteja suficientemente nítida, podemos perceber que a relação entre Cristo e a Igreja é um mistério, ao qual São Paulo compara o mistério da união entre o homem e a mulher (Ef 5, 31-32)” [Revista Pergunte e Responderemos, SEPARAR CRISTO E IGREJA? (Testemunho de um ex-protestante)]

Outro sério problema protestante é saber como eles conseguem a proeza de pregar a “Bíblia“ sem a Igreja? Ora, quem conhece um mínimo de História da Igreja, sabe que a Igreja é anterior aos escritos do Novo Testamento, quando o Evangelho de Mateus foi escrito, por exemplo, a Igreja já contava com aproximadamente 50 (cinqüenta anos) de evangelização... Em outras palavras, a Igreja “berçou a Bíblia”, foi a Igreja que estabeleceu o cânon da Bíblia e não a Bíblia que estabeleceu a Igreja. Sem a Igreja, a Bíblia não existiria... Portanto, os protestantes que enchem o peito para dizer que pregam a “Bíblia” e não a Igreja, sem saber ou de má fé, ao crerem na Bíblia, estão crendo no fruto da Sagrada Tradição da Igreja Católica Apostólica Romana (note-se entretanto, que no tocante ao Antigo Testamento, os protestantes fizeram a “proeza” de retirar alguns livros, para eles “não inspirados”)

São Paulo afirma com todas as letras, a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade!

“Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade.” (I Tim 3,15) [destaque nosso]

Separando Cristo da Igreja, os protestantes indubitavelmente pregam doutrinas humanas! Visto que a Igreja é a coluna e sustentáculo da verdade, é na Igreja que a sã doutrina é preservada de geração em geração, iluminada pela ação do Espírito Santo! A Igreja não surgiu no século XVI com os protestantes, a Igreja existe desde que Cristo a estabeleceu, no século I

"O patrimônio sagrado" da fé ("depositum fidei"), contido na Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura, foi confiado pelos apóstolos à totalidade da Igreja. "Apegando-se firmemente ao mesmo, o povo santo todo, unido a seus Pastores, persevera continuamente na doutrina dos apóstolos e na comunhão, na fração do pão e nas orações, de sorte que na conservação, no exercício e na profissão da fé transmitida se crie uma singular unidade de espírito entre os bispos e os fiéis." (Catecismo da Igreja Católica § 84)

Sobre seu amigo que se diz “católico”, mas, não concorda com os dogmas da Igreja, é preciso que ele entenda que “os dogmas de nossa fé não são cadeias [prisões], ao contrário, são janelas que se abrem ao infinito” (1)

“O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária. Há uma conexão orgânica entre nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé. Os laços mútuos e a coerência dos dogmas podem ser encontrados no conjunto da Revelação do Mistério de Cristo. "Existe uma ordem ou 'hierarquia' das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente." (Catecismo da Igreja Católica § 88-90) [destaque nosso]

O dogma nada mais é do que a certeza da verdade, por isso, a Igreja o afirma, para que ninguém caminhe no erro. E a Igreja o afirma iluminada pelo Espírito Santo, pois, tem por cabeça o próprio Cristo! Quem não crê nos dogmas de fé estabelecidos pela Igreja não pode ser Católico, pois trilha o caminho errado! Já dizia São Paulo: “Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!” (Gl 1,9) [destaque nosso]



Leitora Católica quer casar com separado casado na igreja protestante

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios
[Leitor NÃO autorizou a publicação de seu nome no site]
Nome do leitor: R.
Cidade/UF: Rio de Janeiro/RJ
Religião: Católica

Mensagem
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Olá, A Paz de Jesus!
Sou Católica, Batizada, Crismada mas infelizmente afastada da Eucaristia. Estou com uma grande dúvida, dúvida essa que está me afastado cada vez mais da Igreja... namoro com um rapaz separado que foi casado na igrja protestante. Será que poderei casar na igreja católica. No aguardo.

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Prezada,

Paz e Bem!

Antes de mais nada, pedimos desculpas pela demora. Diariamente recebemos dezenas de e-mails e como somos poucos para responder, quase nunca é possível oferecer uma resposta imediata.

Como já foi abordado em outros artigos deste Site

o matrimônio entre protestantes pode ser válido, dependendo das circunstâncias, mesmo quando estes, em suas respectivas igrejas, não o admitam como Sacramento.

Com efeito, para que você - batizada e solteira - possa contrair um matrimônio válido com seu namorado - batizado e casado numa igreja protestante - será necessário, muito provavelmente, que ele primeiro submeta o seu caso em particular à apreciação de um Tribunal Eclesiástico.

Sugerimos, assim, que ele procure, o quanto antes, o Vigário Judicial da Diocese, a fim de expor os detalhes de seu caso concreto, para que, assim, possa receber todas as instruções e orientações que deverão ser seguidas para que vocês, futuramente, possam contrair matrimônio válido perante a Igreja.



Luterano pergunta sobre a possibilidade de salvação fora da igreja Católica

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios
Nome do leitor: André
Cidade/UF: Porto Alegre/RS
Religião: Cristã
Confissão: Luterana
Mensagem
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Boa tarde

Procurei no site e não encontrei uma questão específica: para a Igreja Católica, os protestantes históricos encontram salvação? Ou são hereges que não entrarão no Reino de Deus a não ser que voltem a Igreja Católica? Pergunto isso pois já li algumas coisas sobre a mútua aceitação do batismo efetuado pela Igreja de Confissão Luterana e a Igreja Católica. E percebo que algumas doutrinas são semelhantes, mas outras são diferentes, excludentes. Desde já agradeço pela atenção.

Deus abençoe

André

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Prezado André,

Paz e Bem!

Agradecemos pela confiança em nos enviar a sua dúvida.

Em nota redigida pelo Pe. Jesús Hortal, SJ, um dos maiores especialistas em Direito Canônico no Brasil, ao cânon 869 do atual Código de Direito Canônico (Ed. Loyola, 12ª ed.), lemos o seguinte:

“Diversas Igrejas batizam, sem dúvida, validamente; por esta razão, um cristão batizado numa delas não pode ser normalmente rebatizado, sem sequer sob condição.”

Dentre essas igrejas a mesma nota inclui a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), da qual deduzo que você seja membro (obs.: o batismo da Igreja Evangélica Luterana do Brasil – IELB também é reconhecido como válido). De acordo com o cân. 96, “pelo batismo o homem é incorporado à Igreja de Cristo”. Já no Catecismo da Igreja Católica (co-edição Vozes e Loyola) temos que “o batismo faz-nos membros do Corpo de Cristo” e “incorpora à Igreja” (n. 1267). Ainda no mesmo Catecismo lemos:

“Os que hoje em dia nascem em comunidades que surgiram de tais rupturas ‘e estão imbuídos da fé em Cristo não podem ser argüidos de pecado de separação, e a Igreja Católica os abraça com fraterna reverência e amor... Justificados pela fé recebida no batismo, estão incorporados em Cristo, e por isso com razão são honrados com o nome de cristãos, e merecidamente reconhecidos pelos filhos da Igreja Católica como irmãos no Senhor.

Além disso, ‘muitos elementos de santificação e de verdade existem fora dos limites visíveis da Igreja Católica’: ‘A Palavra escrita de Deus, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade e outros dons interiores do Espírito Santo e elementos visíveis.’ O Espírito Santo serve-se dessas igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação cuja força vem da plenitude de graça e de verdade que Cristo confiou à Igreja católica. Todos esses bens provêm de Cristo e levam a ele e impelem à ‘unidade católica’.” (nn. 818-819)

Dessa forma, aqueles que foram validamente batizados em comunidades eclesiais cristãs não-católicas estão incorporados ao Corpo de Cristo, isto é, à Sua única Igreja, que subsiste na Igreja Católica. A esse respeito vale a pena lermos atentamente o que ensina a Declaração Dominus Iesus, redigida pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI (grifos meus):
Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica — radicada na sucessão apostólica53 — entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: « Esta é a única Igreja de Cristo [...] que o nosso Salvador, depois da sua ressurreição, confiou a Pedro para apascentar (cf. Jo 21,17), encarregando-o a Ele e aos demais Apóstolos de a difundirem e de a governarem (cf. Mt 28,18ss.); levantando-a para sempre como coluna e esteio da verdade (cf. 1 Tim 3,15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste [subsistit in] na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele ».54 Com a expressão « subsistit in », o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que « existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua composição »,55 isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica.56 Acerca destas, porém, deve afirmar-se que « o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica ».57

17. Existe portanto uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele.58 As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares.59 Por isso, também nestas Igrejas está presente e actua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objectivamente tem e exerce sobre toda a Igreja.60

As Comunidades eclesiais, invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico,61 não são Igrejas em sentido próprio. Os que, porém, foram baptizados nestas Comunidades estão pelo Baptismo incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que imperfeita, com a Igreja.62 O Baptismo, efectivamente, tende por si ao completo desenvolvimento da vida em Cristo, através da íntegra profissão de fé, da Eucaristia e da plena comunhão na Igreja.63”

Pelo exposto, podemos concluir que, de acordo com a doutrina católica, é possível aos cristãos não-católicos a salvação, embora esta só possa se dar de forma extraordinária, ao passo que somente os que foram plenamente incorporados à Igreja Católica Apostólica Romana, governada pelo Papa e pelos Bispos em comunhão com ele, podem ser ordinariamente salvos. Em outras palavras, a salvação para os não-católicos é possível, porém mais difícil e arriscada do que para aqueles que estão em plena comunhão com a Igreja Católica, onde são ministrados validamente todos os sacramentos instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo para o bem e salvação das almas. Vale salientar que mesmo para os que não estão em plena comunhão com a Igreja Católica a salvação só pode se dar na Igreja Católica e pela Igreja Católica, jamais fora dela. A esse respeito convém lermos o que ensinou o Decreto Unitatis Redintegratio sobre o Ecumenismo (grifos meus):

Por isso, as Igrejas e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica.

Contudo, os irmãos separados, quer os indivíduos quer as suas Comunidades e Igrejas, não gozam daquela unidade que Jesus quis prodigalizar a todos os que regenerou e convivificou num só corpo e numa vida nova e que a Sagrada Escritura e a venerável Tradição da Igreja professam. Porque só pela Igreja católica de Cristo, que é o meio geral de salvação, pode ser atingida toda a plenitude dos meios salutares. Cremos também que o Senhor confiou todos os bens da nova Aliança ao único colégio apostólico, a cuja testa está Pedro, com o fim de constituir na terra um só corpo de Cristo. É necessário que a ele se incorporem plenamente todos os que de alguma forma pertencem ao Povo de Deus. Este Povo, durante a peregrinação terrena, ainda que sujeito ao pecado nos seus membros, cresce incessantemente em Cristo. É conduzido suavemente por Deus, segundo os Seus misteriosos desígnios, até que chegue, alegre, à total plenitude da glória eterna na celeste Jerusalém.

Assim, a salvação se dá sempre e somente por intermédio da Igreja Católica, pois embora haja elementos de verdade fora dos limites visíveis da Igreja, a veracidade e a virtude de tais elementos derivam da única Igreja e de seu único Senhor, Jesus Cristo. Vale também dizer que, em última análise, somente os membros da Igreja Católica podem ser salvos, ainda que alguns sejam apenas membros "invisíveis" da Igreja, ou seja, não plenamente incorporados a ela, ou ainda, não em plena comunhão com a Igreja, mas ainda assim membros dela, mesmo que não o saibam.

Aproveito o ensejo para observar que a chamada igreja luterana, ao lado da anglicana, talvez seja aquela que tem mais elementos em comum com a Igreja Católica, notadamente no que diz respeito à liturgia e à Eucaristia. Por essa razão, convido-o a se aproximar mais da Igreja Católica e a conhecer melhor a nossa doutrina. Para isso recomendo uma visita ao nosso Índice Temático, onde você encontrará artigos e respostas referentes a dúvidas e objeções enviadas por internautas sobre uma grande variedade de assuntos. E indico, desde já, a leitura do artigo abaixo:

LEITOR PROTESTANTE EM LUTA INTERIOR PARA CONVERTER-SE AO CATOLICISMO

Recomendo também a leitura do artigo "Salvam-se os não-católicos?", de autoria de Rafael Vitola Brodbeck, membro do nosso apostolado.

Na esperança de ter respondido satisfatoriamente a sua indagação, despeço-me com um abraço fraterno, rogando à Santíssima Trindade que permita a você vislumbrar a plenitude da verdade cristã, e assim abraçar a fé católica.

Em Cristo,



Leitor protestante pergunta sobre santos, canonizações e imagens

Reporter: Frei Erick Ramon 1 Response
Nome do leitor: João Marcos
Cidade/UF: Parnaíba/PI
Religião: Cristã
Confissão: Protestante

Mensagem
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Os tais santos da Igreja Católica são canonizados por um homem, o “Papa”. É engraçado não é? Um homem pecador, comedor de feijão, se acha tão santo que lhe dão o poder de transformar meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui, e os canoniza como "santos".

A Bíblia, tanto católica como evangélica, diz que só existe um Santo, que é o Jesus.

A região Nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria: imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis.

A seca continua assolando aquela região, e assim vai ser até que todos sejam consumidos pela maldita idolatria.

Sou anti-santo de barro, pois sei que nada são.
Que Deus tire a venda que está nos olhos dos nossos irmãos católicos.

João Marcos

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Prezado João Marcos,

Paz e Bem, O Senhor te dê a Paz!

Sua mensagem revela uma completa ignorância a respeito da doutrina católica sobre os Santos e as imagens, como também uma visão absurdamente deformada da mesma. Você não sabe o que, objetivamente, são os Santos. Você não sabe o que, em verdade, é um processo de canonização. E muito menos sabe o que, de fato, são as imagens. E você não pode falar do que não sabe.

Mas não se preocupe. O Veritatis Splendor é um Apostolado que se dedica justamente a resolver tais mal-entendidos. Tendo sido sua mensagem encaminhada a mim, é isto que farei, em nome deste Apostolado.



Os Santos e as Canonizações

Você tem razão ao dizer que aqueles que nós, católicos, veneramos como Santos são “meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui”. Ora, sem dúvida no dia do Juízo hão de prestar contas a Deus, juntos a todos os homens. Aliás, eles já prestaram contas a Deus, logo após a morte, em juízo particular.

Mas o fato de que prestaram contas a Deus não quer dizer de modo algum que eles não tenham sido pessoas sobremaneira virtuosas a ponto de merecerem a glória do Céu. Porque, sim, nós prestaremos contas a Deus do que fizemos de bom e de mal; mas e se conduzimos nossa vida conforme os ditames da Lei de Deus, e se dirigimos nossa conduta de acordo com os ensinamentos de Cristo – não atingiremos a santidade? E no dia que prestarmos contas a Deus, não prestaremos contas das tantas coisas boas que fizemos e pregamos, da santidade que me vida procuramos edificar?

Isto fizeram os Santos, caríssimo João.

Foram pessoas, homens e mulheres, “meros seres humanos” – sim, você está certo ao defini-los assim! –, que de tal maneira se dedicaram a viver em tudo conforme a Cristo, que já podiam dizer como o Apóstolo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20). Foram meros seres humanos cuja medida da vida foi Cristo, cujo combustível da existência foi o amor a Deus. Foram meros seres humanos que, dia após dia, venceram as dificuldades diárias, carregaram sua própria Cruz, para imitar a Cristo Crucificado e Vencedor da morte! Foram meros seres humanos cujo horror ao pecado e o amor à santidade perpassaram cada instante de sua vivência diária. Foram meros seres humanos cujo cultivo da Fé, da Esperança e da Caridade, cujo amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos era de tal maneira radical que de igual modo os aproximou de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele que radicalmente nos amou até o fim. Foram meros seres humanos que responderam àquele convite de Nosso Senhor: “Sede santos, como vosso Pai que está no Céu é Santo” (Mateus 5,48).

E se tanto fizeram, não podem ser ditos santos? Não podem ser declarados como tais?

Se foram santos em vida, por que deixariam de sê-lo após a morte?

Nestas condições, após uma acurada investigação de suas vidas e condutas, o Papa, que é Chefe da Igreja, pode declarar que estas pessoas foram santas em vida, e que portanto agora já gozam das benesses de Nosso Senhor no céu.

Não é o Papa que torna uma pessoa santa. É Deus e a própria pessoa: Deus auxiliando-a com sua graça, e a pessoa deixando-se levar pela graça de Deus, dirigindo sua conduta conforme os desígnios do Senhor, e assim santificando-se dia após dia. Quando o Papa canoniza uma pessoa, ela não a está tornando santa: está reconhecendo um fato já consumado, ou seja, que aquela pessoa viveu santamente e que por isso goza da visão de Deus no céu. A santidade da pessoa não acontece após a canonização pelo Papa: a santidade é anterior à canonização. A pessoa não se torna santa porque é canonizada: ela é canonizada porque é santa. Esta é a ordem das coisas.

Um processo de canonização é uma investigação acurada e cuidadosíssima. Não é coisa leviana. É feita um inquérito minuciosíssimo em torno da vida e obra do cristão que se intenta canonizar para comprovar se ele desenvolveu mesmo os que se chama de “heróicas virtudes cristãs” e se sua vida foi mesmo devotada ao serviço de Deus, da Igreja e do próximo. Além disso, são exigidos pela Igreja, para comprovação da santidade, que pelo menos três milagres, comprovados pela ciência como inexplicáveis, tenham ocorrido pela intercessão da pessoa que se intenta canonizar; estes milagres comprovam que a pessoa está realmente no céu, e que por isso já pode rezar por nós a Deus para que Ele nos conceda suas poderosas graças.

Após canonizado, o santo é proposto como modelo aos fiéis cristãos. Olhando para as virtudes do santo, para o modo como conduziu sua vida, para suas obras e palavras, para o modo como viveu intensamente por Cristo e para Cristo, o fiel cristão busca imitar o santo, tomá-lo como modelo, assemelhar-se a ele e assim assemelhar-se também a Cristo, a Quem o santo fez medida de sua vida.

Portanto, os santos da Igreja não são ídolos: eles mesmos adoraram a Cristo incessantemente, e por isso são ditos santos; o fiel, olhando para esta sua incessante adoração ao Filho de Deus, toma-os como modelo e busca, como eles, seguindo seu exemplo, adorar Nosso Senhor e viver segundo seus mandamentos a cada instante de sua vida.

As Imagens

“A região nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria, imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis”, diz-me você.

Eu sou nordestino, vivi toda minha vida no Nordeste, e, em absoluto, não vejo essa tamanha idolatria que você denuncia.

Obviamente, o que você intenta denunciar não é a idolatria, mas o costume sadio e benigno dos católicos de confeccionar e venerar imagens de Cristo, da Virgem Maria, e dos Santos de Deus. Como para todo protestante uma imagem sempre é um ídolo, então você encara que esta nobre e tradicional devoção católica, fortíssima também no Nordeste – que é católico majoritariamente, graças a Deus! –, é uma idolatria.

Engana-se, meu caro.

Engana-se severamente.

Os pastores da sua comunidade, homens com mania de Deus que acharam por bem fundar uma Igreja – quando só Deus tem o poder e a autoridade para fundar uma Igreja –, não estão lhe ensinando bem.

Pois se toda imagem é um sintoma de idolatria, por que o próprio Deus ordenou a Moisés que confeccionasse uma serpente de bronze? Está lá na Bíblia – “tanto católica como evangélica”, para usar suas palavras – em Números 21,5-9: “O povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: ‘Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento’. Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos. O povo veio a Moisés e disse-lhe: ‘Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós estas serpentes’. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: ‘Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.’ Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma cobra e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida”.

Isso mesmo, meu caro. O mesmo Deus que proibiu imagens mandou que fossem feitas imagens. Como explicar isto? Como compreender esta aparente incoerência?

É preciso diferenciar ídolos de imagens.

Os pagãos atribuíam aos ídolos de barro e ouro poderes divinos. Atribuíam estes poderes aos ídolos em si, enquanto meras peças confeccionadas por mãos humanas.

Os hebreus e cristãos não atribuíam – nem atribuem – poderes divinos às imagens: para o hebreu – que confeccionou leões para o Templo de Jerusalém (I Reis 7,29.36.45), querubins para a Arca da Aliança (cf. Deuteronômio 4,17) e uma serpente de bronze – e para os cristãos – que desde os primeiros séculos, época dos Apóstolos, confeccionavam imagens, como comprovam as catacumbas dos mártires – uma imagem é uma representação de Cristo, uma representação tão-somente – da mesma forma como a serpente de bronze representava Cristo, que ia ser levantado na Cruz (cf. João 3,14) – e a esta representação não são atribuídos nenhum tipo de poder místico ou divino, até porque é só uma representação.

Pela imagem o cristão aprende as verdades da Fé; as imagens são como um livro: da mesma maneira como as letras ensinam os mandamentos do Senhor, as imagens ilustram estes mandamentos e os transmitem de outra forma. Por isto o Papa São Gregório Magno ensinava: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os iletrados; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler”.

Além disso, as preces que são dirigidas a uma imagem não se dirigem à imagem em si, mas à realidade que ela fundamentalmente representa: Cristo. Por isto, ensina a Igreja no Concílio de Trento: “As imagens de Cristo e da Virgem Maria, Mãe de Deus, e dos Santos, devem ser guardadas nas Igrejas, onde se lhes devem prestar a devida honra e veneração; não por crer que haja nelas ‘Divindades’ ou ‘virtude alguma’, a quem queremos adorar ou pedir favores imitando os antigos gentios, que punham toda a sua confiança em seus ídolos; mas porque as honras que lhes prestamos, as referimos aos protótipos que elas representam, de sorte que, quando beijamos uma imagem, ou nos descobrimos ou prostramo-nos diante dela, adoramos Jesus Cristo e veneramos os santos por elas representadas”.

E mesmo as imagens da Virgem Maria e dos Santos representam fundamentalmente a Cristo, pois é em Cristo que a Virgem Maria e o Santos têm a sua glória, e sem Cristo eles nada seriam: eles fazem parte daquela “nuvem de testemunhas” de que fala o Apóstolo (Hebreus 12,1).

Portanto, meu caro, não creia nas barbaridades que muitos pastores protestantes proferem contra a Igreja Católica sem ter um mínimo de fundamento para tanto. Veja por exemplo que não própria Bíblia há momento em que os homens são ordenados a confeccionar imagens por Deus mesmo.

Se o próprio Deus sabe a diferença entre o que é uma imagem e o que é um ídolo, porque não haveríamos nós, que me tudo queremos segui-Lo, não saber esta diferença? Diferenciemos, portanto, o que são imagens e o que são ídolos – e são coisas bem distintas! – pois Deus mesmo os diferencia.

E se o próprio Deus se agrada com as imagens – como se agradou com os querubins da Arca da Aliança e aqueles tecidos nas paredes do Tabernáculo –, mas reprova os ídolos, o que devemos nós fazer? Agradarmo-nos com as imagens, mas reprovarmos os ídolos.

É preciso diferenciar o que é uma imagem e o que é um ídolo. Deus mesmo o faz, e nós também devemos fazê-lo.



Conclusão

Espero que estas simples considerações possam fazê-lo compreender a doutrina católica a respeito dos Santos e das imagens sacras. Espero que elas também tenham dissipado os mal-entendidos plantados em sua mente por pastores protestantes que não encontram fundamentos para suas críticas à Igreja.

Se você realmente desejar a verdade, sugiro que procure em nosso site outros trabalhos a respeito.



PROTESTANTES EM DEFESA DE MARIA, MÃE DE DEUS, SEMPRE VIRGEM

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios

As citações abaixo, feitas por Lutero e Calvino, reais fundadores do Protestantismo, e outros teólogos sérios, denotam o verdadeiro respeito, carinho e amor que todo cristão deve nutrir pela Mãe de Jesus:

“Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da Terra comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar bastante (nunca poderemos exaltar o suficiente), a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade.”

(Martinho Lutero, “Comentário do Magnificat”, cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista “Jesus vive e é o Senhor”).


“Por justiça teria sido necessário encomendar-lhe [para Maria] um carro de ouro e conduzi-la com quatro mil cavalos, tocando a trombeta diante da carruagem, anunciando: ‘Aqui viaja a mulher bendita entre todas as mulheres, a soberana de todo o gênero humano‘. Mas tudo isso foi silenciado; a pobre jovenzinha segue a pé, por um caminho tão longo e, apesar disso, é de fato a Mãe de Deus. Por isso não nos deveríamos admirar, se todos os montes tivessem pulado e dançado de alegria.”

(idem, cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista “Pergunte e Responderemos” nº 429).

“Ser Mãe de Deus é uma prerrogativa tão alta, coisa tão imensa, que supera todo e qualquer intelecto. Daí lhe advém toda a honra e a alegria e isso faz com que ela seja uma única pessoa em todo o mundo, superior a quantas existiam e que não tem igual na excelência de ter com o Pai Celeste um filhinho comum. Nestas palavras, portanto, está contida toda a honra de Maria. Ninguém poderia pregar em seu louvor coisas mais magníficas, mesmo que possuísse tantas línguas quantas são na terra as flores e folhas nos campos, nos céus as estrelas e no mar os grãos de areia.”

(idem, cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista “Jesus vive e é o Senhor”)


“Peçamos a Deus que nos faça compreender bem as palavras do Magnificat… Oxalá Cristo nos conceda esta graça por intercessão de sua Santa Mãe! Amém.

(Martinho Lutero, “Comentário do Magnificat”).

“O Filho de Deus fez-se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o auxílio de varão e a nascer de Maria pura, santa e sempre virgem.

(Martinho Lutero, “Artigos da Doutrina Cristã”)


“Maria é digna de suprema honra na maior medida.”

“Um só Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nascido da Virgem Maria.”

(”Apologia da Confissão de Fé de Augsburg“, art. IX).


“Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus.”

(João Calvino, Comm. Sur l’Harm. Evang.,20)


“Firmemente creio, segundo as palavras do Evangelho, que Maria, como virgem pura, nos gerou o Filho de Deus e que, tanto no parto quanto após o parto, permaneceu virgem pura e íntegra.”

(Zwinglio, em “Corpus Reformatorum”)


“Creio que [Jesus] foi feito homem, unindo a natureza humana à divina em uma só pessoa; sendo concebido pela obra singular do Espírito Santo, nascido da abençoada Virgem Maria que, tanto antes como depois de dá-lo à luz, continuou virgem pura e imaculada.”

(John Wesley, fundadador da Igreja Metodista, em carta dirigida a um católico em 18.07.1749)


“Ao ler estas palavras de Martinho Lutero [em "Comentário do Magnificat"], que até o fim de sua vida honrava a mãe de Jesus, que santificava as festas de Maria e diariamente cantava o Magnificat, se percebe quão longe nós geralmente nos distanciamos da correta atitude para com ela, como Martinho Lutero nos ensina, baseando-se na Sagrada Escritura. Quão profundamente todos nós, evangélicos, deixamo-nos envolver por uma mentalidade racionalista, apesar de que em nossos escritos confessionais se lêem sentenças como esta: ‘Maria é digna de ser honrada e exaltada no mais alto grau‘.

O racionalismo ignorou por completo o mistério da santidade. O que é santo, é bem diferente do resto; diante do que é santo, só nos podemos quedar em admiração, adorar e prostrar-nos no pó. O que é santo, não é possível compreendê-lo. Diante da exortação, de Martinho Lutero, de que Maria nunca pode ser suficientemente honrada na cristandade, como a mulher suprema, como a jóia mais preciosa depois de Cristo, e sou obrigada a me confessar adepta daqueles que durante muitos anos de sua vida não seguiram esta admoestação de exaltá-la e assim também não cumpriram a exortação da Sagrada Escritura segundo a qual as gerações considerariam Maria bem-aventurada (Lucas 1,48).

Eu não entrei na fila destas gerações. É verdade que também li na Sagrada Escritura como Isabel, mulher agraciada por Deus, falando pelo Espírito Santo e denominando Maria ‘a mãe do meu Senhor’, lhe prestou a maior homenagem, ao lhe dizer como prima mais idosa: ‘Donde me vem a honra de tu entrares em minha casa?!’ Eu, de fato, poderia ter aprendido o procedimento correto com Isabel. Mas eu não prestei homenagem a Maria com pensamento algum, com nenhum sentimento do coração, com palavra alguma, nem com algum canto. E muito menos eu a louvava sem fim, deixando de seguir a orientação de Lutero, quando escreve que jamais chegaríamos a exaltá-la o suficiente.

Minha intenção, ao escrever este opúsculo sobre o caminho de Maria, segundo o que diz dela a Sagrada Escritura, foi conscientemente reparar esta omissão pela qual me tornei culpada para com o testemunho da Palavra de Deus. Nas últimas décadas o Senhor me concedeu a graça de aprender a amar e honrar cada vez mais a Maria, a mãe de Jesus. E isto, à medida que, pela Sagrada Escritura, me ia aprofundando no conhecimento de sua vida e dos seus caminhos. Minha sincera intenção, ao escrever este livro, é fazer o que posso para ajudar, a fim de que entre nós, os evangélicos, a mãe de nosso Senhor seja novamente amada e honrada, como lhe compete, segundo as palavras da Sagrada Escritura e conforme nos recomendou Martinho Lutero, nosso reformador.

Com gratidão gostaria de confessar aqui quanto o testemunho de sua obediência, de sua entrega total de disponibilidade para andar todos os seus penosos caminhos, me foram uma bênção. Pois ela viveu e andou o caminho da humilhação, numa atitude que - no dizer de Lutero, quando escreve a introdução ao Magnificat - nos pode servir de exemplo: ‘A delicada mãe de Cristo sabe ensinar melhor do que ninguém - pelo exemplo de sua prática - como devemos conhecer, louvar e amar a Deus…’

Quanto amor nós, os evangélicos, dedicamos aos apóstolos Paulo e Pedro! Muitas vezes até encontramo-nos num relacionamento individual e espiritual com eles. Nós os honramos e lhe agradecemos por terem andado este caminho de discípulos de Cristo. Agradecemos ao apóstolo Paulo, porque sabemos que, sem ele, a mensagem de Jesus não teria chegado até nós, os gentios. Exaltamos, cheios de gratidão, os mártires de nossa Igreja, cujo sangue foi semente da qual a Igreja tira vida. E nos esquecemos muitas vezes de agradecer a Maria, a mãe de nosso Senhor. Não está ela inserida na ‘nuvem de testemunhas’ que nos circundam (cf. Hebreus 12,1) e cujo testemunho nos deve fortalecer para a luta que temos a sustentar?

Se honramos apóstolos e arcanjos e deles esperamos que sejam nossos guias no caminho, usando seus nomes para denominar comunidades e igrejas nossas, então, como é que poderíamos excluir Maria, que está ligada a Jesus como a primeira e mais íntima e que andou com Ele o caminho da cruz?

A nossa Igreja Evangélica deixou de lhe prestar honra e louvor, receando com isto reduzir a honra devida a Jesus. Mas o que acontece é o seguinte: toda honra autêntica dirigida aos discípulos de Jesus e também à Sua mãe aumenta a honra do Senhor. Pois foi Ele, só Ele, que os elegeu, os cobriu com Sua graça e fez deles Seu vaso de eleição. Por sua fé, seu amor e sua dedicação para com Deus, é Deus colocado no centro das atenções e é glorificado.

É intenção nossa - como Irmandade de Maria - contribuir, em obediência à Sagrada Escritura, para que nosso Senhor Jesus não seja entristecido por um comportamento nosso destituído de reverência para com Sua mãe ou até de desprezo. Pois ela é Sua mãe que O deu à luz e O criou e educou e a cujo respeito falou o Espírito Santo, por intermédio de Isabel: ‘Bem-aventurada a que creu!’

Jesus espera de nós que a honremos e amemos. É isto que nos é proposto pela Palavra de Deus e é, portanto, Sua vontade. E somente os que guardam Sua palavra, são os que amam a Jesus de verdade (João 14,23).”

(M. Basilea Schlink, escritora evangélica que escreveu, em 1960, o livro “Maria - o Caminho da Mãe do Senhor” e fundadora da Irmandade Evangélica de Maria, em Darmstadt, Alemanha; fonte: revista “Pergunte e Responderemos”, nº 429).

“Em Lourdes, em Fátima e em outros santuários marianos, a crítica imparcial se encontra diante de fatos sobrenaturais, que tem relação direta com a Virgem Maria, seja mediante as aparições, seja por causa das graças milagrosas solicitadas pela sua intercessão. Estes fatos são tais que desafiam toda a explicação natural.

Sabemos ou deveríamos saber que as curas de Lourdes e Fátima são examinadas com elevado rigor científico por médicos católicos e não-católicos. Conhecemos a praxe da Igreja Católica, que deixa transcorrer vários anos antes de declarar alguma cura milagrosa. Até hoje, 1200 curas ocorridas em Lourdes foram pelos médicos consideradas cientificamente inexplicáveis. Todavia a Igreja Católica só declarou milagrosas 44 delas. Nos últimos 30 anos, 11000 médicos passaram por Lourdes. Todos os médicos, qualquer que seja a sua religião ou posição científica, tem livre acesso ao “Bureau des Constatations Medicales”. Por conseguinte, uma cura milagrosa é cercada das maiores garantias possíveis.

Qual é, pois, o sentido profundo destes milagres no plano de Deus? Bem parece que Deus quer dar uma resposta irrefutável à incredulidade dos nossos dias. Como poderá um incrédulo continuar a viver de boa fé na sua incredulidade diante de tais fatos? E também nós, cristãos-evangélicos, podemos ainda, em virtude de preconceitos, passar ao lado destes fatos sem nos aplicarmos a um atento exame?

Uma tal atitude não implicaria grave responsabilidade para nós? Por que um cristão evangélico pode ter o direito de ignorar tais realidades pelo fato de se apresentarem na Igreja Católica e não na sua comunidade religiosa? Tais fatos não deveriam, ao contrário, levar-nos a restaurar a figura da Mãe de Deus na Igreja Evangélica?

Somente Deus pode permitir que Maria se dirija ao mundo, através de aparições. Não nos arriscamos talvez a cometer um erro fatal, fechando os olhos diante de tais realidades e não lhes dando atenção alguma? Cristãos Evangélicos da Alemanha, deveremos talvez continuar a opor-lhes recusa e indiferença? Continuaremos a nos comportar de modo que o inimigo de Deus nos mantenha em atitude de intencional cegueira?

Não deveremos talvez abrir o nosso coração a esta luz que Deus faz brilhar para a nossa salvação? Tal problema evidentemente merece exame, não deve ser afastado de antemão, por preconceito, pelo único motivo de que tais curas são apresentadas pela Igreja Católica. Uma tal atitude acarretaria grave dano para nós mesmos e para o mundo inteiro. Grande responsabilidade nos toca. Temos o direito de examinar tais fatos. Não nos é possível passar ao largo e encampar tudo no silêncio. Hoje, em alguns países, está em causa a existência mesmo do Cristianismo. Seria o cúmulo da tolice ignorarmos a voz de Deus que fala ao mundo, pela mediação de Maria, e dar-lhe as costas, unicamente, porque Ele faz ouvir sua voz através da Igreja Católica. Como quer que seja, não podemos calar por muito tempo sobre tais realidades. Temos que examiná-las, sem preconceito, pois é iminente uma catástrofe.

Poderia acontecer que, rejeitando ou ignorando a mensagem que Deus nos faz chegar através de Maria, estejamos recusando a última graça que ele nos oferece para a nossa salvação. É, por isso, um dever muito grave para todos os chefes da Igreja luterana e para outras comunidades cristãs examinar tais fatos e tomar uma posição objetiva. Este dever impõe-se também pelo fato de que a Mãe de Deus não foi esquecida somente depois da Guerra dos 30 anos e na época dos livres pensadores da metade do século XVIII.

Sufocando no coração dos evangélicos o culto da Virgem, destruíram os sentimentos mais delicados da piedade cristã. No seu Magnificat, Maria declara que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada até o fim dos tempos. Todos nós verificamos que esta profecia se cumpre na Igreja Católica e, nestes tempos dolorosos, com intensidade sem precedentes. Na Igreja Evangélica, tal profecia caiu em tão grande esquecimento que dificilmente se encontra algum vestígio da mesma. Ainda uma vez estas reflexões nos impõe o dever de examinar os fatos acima citados e de tirar dos mesmos todas as conclusões pertinentes.”

(Manifesto de Dresden - documento redigido por vários teólogos luteranos e
publicado pela revista “Spiritus Domini” n.5, Maio/1982)

Por fim, gostaria de observar àqueles que negam o título de “Mãe de Deus” a Maria, que tanto Lutero quanto Calvino (além da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa, é claro) admitiam e professavam essa verdade de fé, como podemos ver
nas citações acima.

Copyright (C) 1998, por Carlos Martins Nabeto
Todos os direitos reservados
As citações foram retiradas do site da Banda Rosa Mystica e da revista “Pergunte
e Responderemos”



Paz e Bem (Louvor as Criaturas)

Altíssimo, onipotente, bom Senhor
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar
Louvado sejas, meu Senhor
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste as claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é muito útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite,
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por Ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei ao meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.

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