05
Janeiro, 2012
Quinta
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SOBRE O DIZIMO ====Ninguém tem de pagar; o dízimo é uma contribuição generosa feita por quem tem consciência e percebe que ele é responsável pela manutenção do culto e pelo crescimento de sua comunidade.
AS CRUZADAS =====Não deve o católico envergonhar-se de sua história, que é bela, que é grandiosa. Não deve ceder em face dos ataques dos que, ignorando de todo a nossa história,
SOBRE O DIVORCIO ====Duas são as passagens que evidenciam a ordem de Jesus. Antes de Jesus, havia o divórcio, depois de Cristo, o que Deus uniu, o homem não separa. Analisemos Mt 19,1s:
COMO OS APOSTOLOS MORRERAM ? ==== Os doze discípulos - apóstolos eram homens comuns a quem Jesus de Nazaré usou de maneira extraordinária. Pescadores, cobradores de impostos, pastores... O martírio dos apóstolos foi anunciado por Jesus:

Agrotóxicos: um mercado bilionário e cada vez mais concentrado

O mercado mundial de agrotóxicos movimentou US$ 51,2 bilhões em 2010. E o brasileiro US$ 7,3 bilhões. As seis maiores empresas -Basf, Bayer, Dow, Dupont, Monsanto e Syngenta - controlam hoje 66% do mercado mundial. E, no Brasil, as dez maiores empresas foram responsáveis por 75% da venda nacional de agrotóxicos na última safra. As gigantes do setor estão comprando as empresas menores, tanto de agrotóxicos, quanto de sementes, formando monopólios e oligopólios.
Agrotóxicos: um mercado bilionário e cada vez mais concentrado

Pode-se adorar a santa cruz?

Começamos em Hebreus 11, versiculo 1: "A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem. Foi por ela que os antigos deram o seu testemunho. Foi pela fé que compreendemos que os mundos foram organizados por uma palavra de Deus. Por isso é que o mundo visível não tem a sua origem em coisas manifestas."
Pode-se adorar a santa cruz?

1.000.000.000 de Pessoas vive com FOME crônica.

O que é a fome? Para os mais afortunados, é apenas a sensação no estômago que lhes diz que "são horas de comer.” Para os que têm menos sorte, e não conseguem ter a comida suficiente todos os dias, a fome fá-los-á sentir débeis e cansados, incapazes de concentrar-se, e até doentes. A única coisa em que conseguem pensar é quando vão ter alguma coisa para comer. Para centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro, esta sensação dura todo o dia, todosos dias, e nunca sabem se, e quando, esta sensação vai acabar. Para eles, a fome pode levar à doença e a danos temporários ou permanentes para a sua saúde.
1.000.000.000 de Pessoas vive com FOME crônica.

Fraternidade e Saúde pública: um grande desafio

Desde 1963, há 49 anos, a CNBB (Conferência Nacional dos Biuspos do Brasil), anualmente, durante os 40 dias da quaresma, promove a Campanha da Fraternidade (CF), que tem colocado para estudo, reflexão e ação assuntos que são grandes desafios – clamores ensurdecedores - no seio da sociedade. O Tema da CF/2012 é "Fraternidade e Saúde pública"; o Lema: "Que a saúde se difunda sobre a terra!" (Eclo 38,8). Somos convidados conhecer as entranhas da realidade do SUS (Sistema Único de Saúde), visitar pronto-socorros, ouvir as pessoas doentes que esperam muito para fazer exames e conseguir uma vaga para cirurgia no SUS. É hora de ouvirmos o apelo de 150 milhões de brasileiros que só tem como rara possibilidade de acessar saúde pública, via SUS.
Fraternidade e Saúde pública: um grande desafio

CF 2012 - Fraternidade e Saúde Pública

Desde o ano de 1964, a Igreja Católica no Brasil, através da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - promove a Campanha da Fraternidade, um movimento que se inicia sempre na quarta-feira de Cinzas, tendo como pico alto o período quaresmal e se estendendo pelo ano inteiro. Em 2012, o tema que será discutido, debatido e refletido será "Saúde Pública", o que reflete a preocupação da Igreja com um serviço público de mais qualidade.
01 de Dezembro de 2011 I Ler matéria completa

Viver Perdoando

Os discípulos ouviram Jesus dizer coisas incríveis sobre o amor aos inimigos, a oração ao Pai pelos que nos perseguem, o perdão a quem nos faz mal. Seguramente parece-lhes uma mensagem extraordinária mas pouco realista e muito problemática.div>
06 de Janeiro de 2012 I Ler matéria completa

O profeta incomoda os maus

A liturgia nos envolve no mistério de Cristo ressuscitado. Somos um povo eleito e estamos a caminho do Reino definitivo. Aqui na terra, temos muitos que vão ser contra a felicidade e o bem comum das pessoas. A palavra de Deus proclamada e quando cai no nosso coração produz muitos frutos de bondade, de amor e de misericordia. Hoje é um dia dedicado ao sagrado coração de Jesus que nos mostra o amor de Jesus por todos...
27 de Fevereiro de 2012 I Ler matéria completa

O Protestantismo e sua Genealogia

Vem de 1529 a origem do termo "protestante", durante a campanha da reforma luterana, quando a Dieta de Espira (conselho político do Sacro Império Romano Germânico formado para discutir assuntos religiosos) resolveu interromper o andamento das transformações religiosas até a realização de um concílio geral.
25 de Abril de 2012 I Ler matéria completa

A PÁSCOA DO CONCÍLIO

25 - Abril - 2012 Reporter: Erick Sávio Comentario

“Neste ano, a festa da Páscoa traz marcas do Concílio. A páscoa sempre evoca o passado, de maneira a trazer presente o significado dos acontecimentos antigos. Pois bem, desta vez, somos convidados a associar as diversas evocações antigas da Páscoa, com acontecimentos mais recentes na caminhada da Igreja. Entre eles, se destaca, com evidência, o Concílio Ecumênico Vaticano II. … [...]

A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: O CRISTIANISMO A FAVOR DOS EXCLUÍDOS

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios
A palavra teologia vem da conjugação de TÉOS e LÓGOS, dois termos gregos. Poder-se-ia dizer que teologia é todo discurso acerca de Deus. Assim, por exemplo, foi denominado por Aristóteles em seu livro “Filosofia Primeira”, que hoje conhecemos com o nome de metafísica. Para Aristóteles o TÉOS seria objeto de pesquisa da maior de todas as ciências: a ciência do ser enquanto ser – esta que hoje denominamos de metafísica. Portanto, para ser estagirita – Aristóteles, a metafísica, ou seja, a filosofia primeira, é sinônimo de teologia.

Apesar de podermos falar de teologia em um sentido lato, tal como abordamos acima, atualmente o significado deste termo difere-se deste que expusemos. Teologia hoje é o discurso racional acerca de Deus a partir dos dados advindos de um livro revelado: Bíblia, Alcorão, etc. À teologia compete, portanto, a atualização dos dados revelados através do discurso (lógos), segundo as exigências históricas vigentes. Com isso, se mostra o caráter transitório do discurso teológico: a transitoriedade do discurso deve-se à transitoriedade própria da história humana, da cultura e de suas diversas problemáticas. Deus, por isso, deve sempre aparecer ao homem, através do discurso teológico, historicamente situado. Esta, última informação nos leva a perceber a imbricação necessária entre teólogo, revelação e história.

Não obstante à imbricação supracitada, não poucas vezes a teologia cristã se configurou de forma totalmente anacrônica em seus discursos e, conseqüentemente, em seus conceitos. A teologia cristã durante séculos, preocupou-se com o hyperurânio de Platão, com o motor imóvel de Aristóteles, com a cidade de Deus de Agostinho, menos com as problemáticas históricas que fatalmente orientavam a vida social do homem. É comum nos depararmos com textos clássicos da teologia e sermos levados às nuvens, aos céus, como, por exemplo, num texto de Irineu ou de S. Agostinho de Hipona. Mas, qual a razão disto? Isto ocorreu por mera vontade dos teólogos? Certamente, não.

A teologia cristã configurou-se de forma anacrônica por muito tempo, devido ao instrumental filosófico que ela utilizou para discursar acerca de Deus. Tal instrumental derivava-se da metafísica clássica que tem como característica formular conceitos anacrônicos, desconsiderando o caráter histórico do homem – ou seja, desconsiderando o homem enquanto ser histórico, que se faz (constrói) no tempo. A conseqüência disto, é que os dados da revelação cristã – Bíblia – foram entendidos como realidades atemporais e ahistóricas. Por isso, por muito tempo – certamente, também ainda hoje – entendeu-se Deus, Reino dos Céus, inferno, etc., como realidades totalmente transcendentais, totalmente destacadas dos processos e fases históricas da humanidade.

Esta forma de discurso acerca de Deus foi submetida à crítica com o advento da modernidade e do pensamento contemporâneo. A metafísica, que foi a “pedra angular” da teologia clássica, foi fortemente criticada a partir da modernidade. Descobriu-se, após séculos de especulação, a história como característica essencial do homem e a cultura como âmbito de toda construção histórica. Com isso, o pensamento ocidental, largou aquele transcendentalismo metafísico, tornando-se por isso mais imamentista. Isto influenciou fortemente a teologia. O encontro do homem com Deus – chamado pela teologia da GRAÇA – passou a ser pensado como realidade histórica: Deus se manifesta ao homem situando-se histórica e culturalmente, ou seja, o encontro de Deus com o homem difere-se na história em suas diversas épocas, e difere-se na pluralidade cultural que se dá no seio da humanidade. Obviamente, isto gerou uma certa relativização no discurso sobre Deus; porém, valorizou a historicidade como característica essencial do ser humano, além de valorizar a multiplicidade de formas de Deus se apresentar ao homem, superando, assim, o anacronismo clássico metafísico que norteava o pensamento teológico no entendimento da relação homem – DEUS.

A chamada Teologia da Libertação está inserida nesta última fase do pensamento ocidental que destacamos acima: a fase da valorização da história, da cultura e da diversidade de formas de manifestação do encontro do homem com Deus. Ela é uma teologia propriamente cristã; por isso, utiliza a Bíblia como pressuposto necessário de seus discursos.

A expressão “teologia da libertação”, já mostra o sentido norteador deste discurso teológico. O genitivo que aparece na expressão citada – DA LIBERTAÇÃO -, mostra-nos que a libertação é o horizonte regulador do discurso acerca de Deus, e, ao mesmo tempo, mostra-nos que o Deus do discurso é fonte de libertação. Esta se manifesta concretamente nos diversos momentos do processo histórico de um povo. Conseqüentemente, a teologia da libertação torna-se força geradora de ações que viabilizam uma práxis libertadora, segundo as necessidades advindas das diversas circunstâncias sob as quais um povo está submetido.

“A teologia da libertação é um movimento teológico que quer mostrar aos cristãos que a fé deve ser vivida numa práxis libertadora e que ela pode contribuir para tornar esta práxis mais autenticamente libertadora” (MONDIN, 1980, p. 25). Neste sentido, o cristão é impelido a viver a práxis libertadora nas diversas épocas da história.

O termo libertação foi cunhado a partir da realidade cultural, social, econômica e política sob a qual se encontrava a América Latina, a partir das décadas de 60/70 do último século. Os teólogos deste período, católicos e protestantes, assumiram a libertação como paradigma de todo fazer teológico. Vejamos o quadro social da América Latina no período originário da teologia da libertação:

“O ambiente político é geralmente caracterizado pela presença de governos que administram o poder arbitrariamente em vantagem dos ricos e dos poderosos, fazendo amplo uso da força e da violência. (...) O ambiente econômico e social está marcado pela miséria e pela marginalização da maior parte da população. Os recursos econômicos são controlados por um pequeno grupo de privilegiados. (...) No ambiente cultural se verifica ainda uma notável dependência da Europa e dos Estados Unidos. Na ciência como na filosofia, na arte como na literatura, quase nada é concedido à originalidade das populações latino-americanas” (Ibidem, p. 25-26).

O quadro de degradação apresentado na América Latina é o fundamento gerador do conceito de libertação. A libertação, então, é toda “ação que visa criar espaço para a liberdade” (BOFF, 1980, p. 87). Ser livre, neste sentido, é não estar sob o jugo da lei alheia; é poder construir-se autonomamente. O processo histórico da América Latina foi e é dominado por diversas leis estranhas a ela. A América do Norte, em especial os EUA, e os países europeus, sempre impuseram aos latino–americanos seus valores, suas políticas, sua cultura, etc. Neste sentido, a libertação no seio da América Latina, é a luta pela liberdade da cultura, dos valores, da economia, da política latino-americanos, frente às diversas opressões advindas de um modelo imperialista que rege a práxis do hemisfério norte em suas relações com o hemisfério sul, especialmente como o povo latino–americano. Tal relação impõe ao hemisfério sul a cultura do hemisfério norte.

Devido à pobreza e à nefasta degradação do povo latino-americano, a libertação deve ser entendida como superação de um processo de exclusão; já que esta é a conseqüência direta da relação norte–sul, onde milhões de homens e mulheres empobrecem e se deterioram porque ficam à margem (excluídos) do processo econômico e político norteado pelo capitalismo imposto pelos EUA e Europa.

Desta forma compete à teologia da libertação a tarefa de discursar sobre Deus a partir da ótica de um processo excludente e a partir da realidade concreta dos excluídos. O teólogo da libertação, portanto, deve ter este duplo olhar: olhar para Deus e olhar para o excluído. Olhar para Deus é a fonte de toda libertação possível e o olhar para o excluído identifica onde há necessidade de libertação. Olhando para Deus – ou Cristo -, a teologia da libertação diferencia-se de todo movimento libertador laico, já que a libertação apresentada pela teologia enxerga nos processos históricos a possibilidade de presentificação da nova ordem escatológica anunciada por Cristo, ou seja, o Reino de Deus – ordem de justiça e da superação de toda opressão possível, na sociedade e no cosmos. Ao pretender olhar para o excluído e para o sistema gerador de opressão, como pressuposto de todo fazer teológico, a teologia da libertação difere-se radicalmente das teologias clássicas, pois supera o anacronismo destas, circunscrevendo a experiência de Deus no âmbito do engajamento do fiel na luta contra todo o sofrimento humano historicamente situado.

Para que haja elaboração da teologia da libertação é mister que se compreenda os fenômenos da opressão e da exclusão. Estes devem ser compreendidos através de uma mediação sócio – analítica, “Libertação é libertação do oprimido. Por isso, a teologia da libertação deve começar por se debruçar sobre as condições reais em que se encontra o oprimido de qualquer ordem que ele seja.” (BOFF, 1996, p. 40). O método utilizado para elucidar sócio–analiticamente o fenômeno da opressão e da exclusão pela teologia da libertação, é o método histórico- dialético.

O marxismo passa a ser a filosofia predominante na análise sócio–analítica feita pela teologia da libertação. Porém, o marxismo é utilizado como instrumento, não tendo fim em si mesmo. “Na teologia da libertação o marxismo nunca é tratado em si mesmo, mas sempre a partir, e em função dos pobres” (Ibidem, p. 45). O sentido último da teologia não é Marx, mas Deus.

Após a leitura sócio–analítica, o teólogo da libertação deve-se deparar com a Bíblia Sagrada. A Bíblia deve fornecer subsídios para que se possa identificar a face de Deus e sua ação libertadora, nos diversos momentos históricos, sob as quais vive o teólogo e seu povo. Há, então, no processo de elaboração da teologia da libertação, uma imbricação necessária entre a análise sócio–analítica da realidade e a Bíblia Sagrada. Esta última fornece o sentido teológico da práxis libertadora proposta pela teologia da libertação.

Com a gênese da teologia da libertação na América Latina, “a religião passa a ser um fator de mobilização e não do freio” (BOFF, 1980, p. 102). A religião não mais se apresenta como “ópio do povo”. Ela passa a ser fonte de libertação e de esperança para o homem. A religião, desta forma, não se reduz a uma ideologia que mantém o status quo social e político; também não é mais fonte de discursos etéreos. A teologia da libertação pretende mostrar que Deus não está em uma esfera trans–histórica; mas, ela quer mostrar que Deus encarna-se na história, gera libertação de um povo humilhado, gera vida e esperança a um povo crucificado e sem sonhos. Podemos dizer, metaforicamente, que a teologia da libertação anuncia a ‘’descida’’ de Deus de sua esfera transcendente e “celeste” e mostra-o como agente dignificador dos humilhados da terra. Deus não é mais um conjunto de doutrinas e especulações, mas é a fonte de toda a luta pela justiça e igualdade. Por isso, Deus se manifesta nas lutas históricas pela justiça, pela inclusão e pela superação de toda opressão vigente na humanidade. “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.”(Ex 20,2). Eis a face de Deus anunciada pela teologia da libertação: Deus que tira o povo da opressão, da servidão.

O céu almejado pela humanidade, não é pensado como realidade post mortem. Este céu que fora pensado pela teologia clássica como realidade distante que se manifestaria no porvir, encarna-se no “agora”, através da práxis do povo em prol da dignidade humana: cada conquista popular, no que tange a uma relação mais justa entre os homens, presentifica o céu no seio da humanidade.

A teologia da libertação surge para mostrar que Deus é “Pai – Nosso”; portanto os homens e as mulheres devem se relacionar como irmãos e irmãs, sem haver exclusão, sem haver opressão ou sem qualquer tipo de violação da dignidade humana. Lutar pela libertação é valorizar a paternidade universal de Deus, que se manifesta nas relações justas e fraternas entre todos os seres humanos.



Ciência e fé

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios

Muitos acreditam que ciência e fé, ciência e religião são opostos, que não se misturam. O que é mentira. Uma grande mentira.

A principal causa da polêmica reside no erro de muitos religiosos insistirem em querer utilizar a bíblia para a explicação científica das coisas do mundo.

A verdadeira ciência e a verdadeira religião se complementam. A ciência cuida das verdades do mundo e a religião cuida das verdades de Deus. Como as duas procuram a verdade então logicamente as duas chegam a Deus por caminhos diferentes, pois muitos cientistas se converteram após o estudo e aprofundamento na ciência, descobrindo a complexidade e organização tão perfeitas do corpo humano, do universo, da harmonia do eco-sistema e deduzindo logicamente que isto tudo não teria como ser pelo ocaso.

" A ciência sem a religião é paralítica, e a religião sem a ciência é cega ".
( Albert Einstein )

A ciência procura pelos seus meios respostas para a compreensão do nosso mundo, mundo este feito por Deus e que por isto então deduz que pela obra podemos entender quão grandioso é o criador.

Há cientistas que não acreditam em Deus? há.Como também há médicos, professores, comerciantes, políticos, incultos, ....etc. que não acreditam.

Há cientistas que acreditam em Deus? há.

Então dizer simplesmente que o estudo da ciência faz da pessoa tornar-se ateu é uma mentira. Buscar conhecimentos na ciência não nos faz irmos contra a fé ao contrário ajuda a nossa fé.

Muitas religiões ( falsas religiões ) surgiram e surgem baseados em acontecimentos aos quais pessoas incultas, desconhecedores de verdades científicas, interpretaram supersticiosamente.

Por isso o estudo da Parapsicologia, da filosofia, teologia, psicologia, história, física...e outras ciências é necessária para o correto entendimento das verdades de Deus.

E a igreja católica faz isso.

Ela ao reconhecer um milagre, só o faz após ter tido primeiramente um parecer científico.É o primeiro passo.

Ela utiliza de todas as ciências que possam vir a ajudar a esclarecer passagens bíblicas (Arqueologia, história, Línguas, geografia,...)

A ciência é companheira no verdadeiro conhecimento que temos e devemos ter de Deus.



Bíblia e interpretação

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios

"Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como fazem também com as demais escrituras” ( 2 Pedro 3, 15-16)

A bíblia é o livro mais reproduzido e lido da humanidade.Nela estão contidas as verdades de fé dos cristãos. Ela se torna polêmica na medida em que há inúmeras formas de entendimento e aplicação de suas verdades na vida dos cristãos.Para se ter uma idéia só de livros que ensinam a ler a bíblia existem milhares como milhares são as religiões que surgiram em torno da interpretação que cada pessoa passou a ter da bíblia.

Muitos a interpretam ao pé da letra (fundamentalistas) em que tudo que está escrito foi e tem que ser daquele jeito.

Outros interpretam da maneira que lhes convém dando a desculpa que o espírito santo é que foi o autor daquele entendimento.

Outros nem a procuram ler pois como a acham muito difícil de ser entendida deixam a cargo de outros a tarefa de lhe ensinarem e vão aceitando qualquer ensino ministrado por pessoas também com conhecimentos e entendimentos rudimentares e muitas das vezes pessoais da bíblia.

Na nossa querida igreja católica há ainda pessoas, grande parte, que nunca fez um estudo mais aprofundado da bíblia. Nenhum livro, nenhum curso, nada.

A igreja católica incentiva o correto estudo bíblico através de círculos bíblicos, cursos, pastorais mas deixa bem claro que a interpretação legítima da bíblia cabe à hierarquia católica.A ela e Espírito Santo assiste para que todos vivam em unidade de pensamento e ação



Mensagem de Natal do Papa Bento XVI

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios

Para compreender melhor o significado do Natal do Senhor, gostaria de acenar brevemente à origem histórica desta solenidade.
O ano litúrgico da Igreja, de facto, não se desenvolveu inicialmente partindo do nascimento de Cristo, mas da fé na ressurreição. Por isso, a festa mais antiga do Cristianismo não é o Natal, mas a Páscoa: a ressurreição de Cristo funda a fé cristã, está na base do anúncio do Evangelho e faz nascer a Igreja. Por isso, ser cristão significa viver de maneira pascal, fazendo-se envolver pelo dinamismo que se originou no Baptismo e que leva a morrer para o pecado e a viver com Deus (cf Rm 6,4).

A primeira pessoa a afirmar com clareza que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro foi Hipólito de Roma, no seu comentário ao livro do profeta Daniel, escrito cerca de 204. Este exegeta nota, depois, que nesse dia se celebrava a Dedicação do Templo de Jerusalém, instituída por Judas Macabeu no ano 164 antes de Cristo. A coincidência de datas significaria, então, que com Jesus, aparecido como luz de Deus na noite, se realiza verdadeiramente a consagração do templo, o Advento de Deus nesta terra.
No Cristianismo, a festa do Natal assumiu uma forma definida no séc. IV, quando tomou o lugar da festa romana do “Sol invictus”, o sol invencível, colocando assim em evidência que o nascimento de Cristo é a vitória da verdadeira luz sobre as trevas do mal e do pecado.

Todavia, a particular e intensa atmosfera espiritual que rodeia o Natal desenvolveu-se na Idade Média graças a São Francisco de Assis, profundamente enamorado pelo homem Jesus, o Deus-Connosco. O seu primeiro biógrafo, Tomás de Celano, conta que São Francisco “acima de todas as outras solenidades, celebrava com inefável carinho o Natal do Menino Jesus, chamando festa das festas ao dia em que Deus, feito pequena criança, tinha surgido de um seio humano” (Fonti Francescane, n. 199, p. 492).
Desta devoção particular ao mistério da encarnação teve origem a famosa celebração do Natal em Grécio (1223, ndr). Ela foi provavelmente inspirada pela peregrinação de São Francisco à Terra Santa e pelo presépio de Santa Maria Maior, em Roma. O que animava o pequeno pobre de Assis era o desejo de experimentar de forma concreta, viva e actual a humilde grandeza do evento do nascimento do Menino Jesus e comunicar essa alegria a todos.
Na primeira biografia, Tomás de Celano fala da noite do presépio de Grécio de modo vivo e tocante, oferecendo um contributo decisivo para a difusão da tradição natalícia mais bela, a do presépio. A noite de Grécio, de facto, voltou a dar ao Cristianismo a intensidade e a beleza da festa do Natal, educando o Povo de Deus a colher a sua mensagem mais autêntica, o seu calor particular, e a amar e adorar a humanidade de Cristo.
Esta aproximação particular ao Natal ofereceu à fé cristã uma nova dimensão. A Páscoa tinha centrado a atenção sobre o poder de Deus que vence a morte, inaugura a vida nova e ensina a espera no mundo que virá. Com São Francisco e o seu presépio, eram colocados em evidência o amor indefeso de Deus, a sua humildade e benignidade, que na Incarnação do Verbo se manifesta aos homens para ensinar um novo modo de viver e de amar.

Ao aproximarmo-nos do Natal, recordou o papa, a Igreja convida a nos dispor com fervor e simplicidade à celebração do Nascimento do Salvador.

A liturgia desta festa foi se aprimorando com o passar do tempo. A primeira pessoa que afirmou que Jesus nasceu em 25 de dezembro foi Hipólito de Roma, por volta do terceiro século.

Porém, a atmosfera particular que se respira nesta celebração natalina foi favorecida sobretudo por São Francisco de Assis, devido ao especial amor e devoção que este santo professava ao mistério da encarnação do Filho de Deus.

Tomás de Celano, o biógrafo de São Francisco, narra a intensidade com que o pobrezinho de Assis vivia e celebrava a noite de Natal, a partir da maravilhosa experiência que teve diante do presépio de Greccio.

Eis a saudação do papa em português:
"Queridos irmãos e irmãs, a tradição natalícia mais bela, que é o presépio, foi criada por São Francisco de Assis, para recordar a todos como Deus Se revela nos ternos braços dum Menino. A sua condição de criança indica-nos como podemos encontrar Deus e gozar da sua presença. É à luz do Natal que melhor se compreendem estas palavras do Senhor: «Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus». Amados peregrinos de língua portuguesa, a todos desejo um Santo Natal, portador das consolações e graças do Deus Menino, a quem vos encomendo ao dar-vos a minha Bênção".



O destino do mundo

Reporter: Frei Erick Ramon 0 Comentarios

“Pela aceitação de um Deus de Amor, que coroou a Evolução com a aurora do Homem, à sua imagem e semelhança - como os cristãos acreditam -, pode-se admitir, consequentemente, um sentido para a Evolução, ainda misterioso para nós, mas o qual estaria guiando as etapas evolucionárias desde o princípio dos tempos. Podemos supôr que esse Deus tenha um propósito perfeito para o final dos tempos, se a Humanidade não destruir o planeta antes da consumação final n'Ele”.

Acompanhando, ainda que através das poucas informações veiculadas pela imprensa, a conferência de Copenhague, sobre meio ambiente, voltou-me ao pensamento a figura de Teilhard de Chardin, sacerdote jesuíta e paleontólogo. Seus escritos teológicos e filosóficos foram divulgados depois de sua morte. Iluminados por uma visão sintética do desenrolar universal da Evolução, eles dão valor ao fenômeno de complexificação cerebral do phylum humano, que levou ao aparecimento da consciência de si mesmo ("passo" da reflexão), depois a uma rêde mundial de comunicação dos pensamentos humanos, a noosfera, no coração da qual age o "Cristo Evolutor" que conduz a Humanidade, de maneira imanente e transcendente, ao mesmo tempo, para o "ponto Omega" (Reino de Deus). Ele escreveu um livro de destaque, "O Fenômeno Humano," publicado depois de sua morte. Teilhard percebeu que o processo de evolução da matéria até suas formas mais complexas culminando no aparecimento da consciência – a humanidade – tinha sua continuidade no processo histórico que nos conduziria na direção de uma consciência sempre mais profunda de sermos uma única humanidade com um destino comum. Hoje esta consciência se mostra de forma ineludível com o aparecimento da Internet, que consegue colher a humanidade em uma única rede, e com a percepção de que a terra em que vivemos é a casa de todos e de que não existe ação coletiva ou pessoal que não tenha repercussões planetárias. Mais que nunca fica evidenciada a responsabilidade de cada pessoa e de cada nação pelo destino da humanidade como um todo.



O momento que estamos vivendo coloca-nos de forma dramática em uma encruzilhada: que caminhos a humanidade vai tomar? Em Copenhague os países ricos fizeram uma proposta em que querem diminuir o aquecimento global preservando, entretanto, seus interesses, deixando aos outros, menos ricos, ou simplesmente pobres, a tarefa de arcarem sozinhos com seus problemas, devendo ainda eles tomarem, sem apoio dos países ricos, medidas que venham frear a poluição do mundo. A reação dos outros países foi imediata. Salvar a própria pele foi sempre a lei da selva. O momento histórico está a ensinar que a melhor maneira de se salvar é cuidar da salvação de todos. O momento é de solidariedade, é de conversão. Como não lembrar a advertência de João Batista ouvida neste tempo do Advento “quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem e quem tiver comida faça o mesmo...”(Lc 3,10-14). Este convite de João Batista pode ser traduzido para o momento que a humanidade está vivendo com as palavras de Bento XVI na sua última encíclica, quando ele fala à humanidade do “objetivo de reforçar aquela aliança entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho ». É desejável que a comunidade internacional e os diversos governos saibam combater, de maneira eficaz, as modalidades de utilização do ambiente que sejam danosas para o mesmo. É igualmente forçoso que se empreendam, por parte das autoridades competentes, todos os esforços necessários para que os custos econômicos e sociais derivados do uso dos recursos ambientais comuns sejam reconhecidos de maneira transparente e plenamente assumidos por quem deles usufrui e não por outras populações nem pelas gerações futuras: a proteção do ambiente, dos recursos e do clima, requer que todos os responsáveis internacionais atuem conjuntamente e se demonstrem prontos a agir com sinceridade, no respeito da lei e da solidariedade para com as regiões mais débeis da terra.



Uma das maiores tarefas da economia é precisamente um uso mais eficiente dos recursos, não o abuso, tendo sempre presente que a noção de eficiência não é axiologicamente neutra”(n. 50). Será que a cúpula de Copenhague conseguirá colocar a humanidade nesse caminho. Teilhard de Chardin via com esperança o desfecho do processo evolutivo, mas alertava: "O fim do Mundo: mudança de equilíbrio que desprenderá o Espírito, por fim completo, de sua matriz material, para fazê-lo repousar daí em diante, com todo seu peso, sobre Deus-Ômega. O fim do Mundo: ponto crítico, ao mesmo tempo de emergência e de emersão, de amadurecimento e de evasão"; "... mas também pode ser que, seguindo uma lei à qual nada ainda escapou no passado, o Mal, crescendo, ao mesmo tempo que o Bem, atinja no fim seu paroxismo, ele também sob uma forma especificamente nova. Não há cumes sem abismos." Onde entra a liberdade, não há céu sem a possibilidade de seu contrário. O momento é de convergência para salvar o mundo. Você, caro leitor(a), é parte ativa do processo.



O segredo da Samaritana

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Os textos do evangelho de S.João são sempre emblemáticos para quem os lê e com eles reza. Eles se entranham em nós e são fecundos de vida. A Palavra ilumina e faz expandir aquilo que somos diante de Deus e do que Ele é para nós.
Assim que fazemos a opção por Jesus, depois de uma experiência forte com o Espírito Santo, quando passamos a assumir nossa identidade de filhos de Deus e ultrapassamos a barreira do ritualismo e da mera tradição cultural católica, descobrimos a Palavra de Deus e começamos a devorá-la. A palavra é exatamente essa: devorar. É a fome e a sede mais profunda da alma que se manifesta e que passa a ser saciada com aquilo que verdadeiramente a sacia. E o evangelho de S.João oferece verdadeiros banquetes para a alma. Quase sem perceber decoramos partes dos textos, e passamos a nos referir aos capítulos e seus respectivos temas e personagens com a maior liberdade. Falamos do cego de nascença (Jo 9), do Bom Pastor (Jo 10), de Nicodemos (Jo 3), da oração de Jesus por nós (Jo 17), da pecadora pública de Jerusalém, pega em adultério e perdoada (Jo 8), do discurso sobre a Eucaristia e o Pão da Vida (Jo 6)... E assim, sucessivamente, personagens e relatos nos revelam Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor, aquele que morreu e ressuscitou, e como Ele se comunica e relaciona com aqueles que são seus. O discípulo que se auto-alcunha de discípulo amado, revela como ninguém o amor de Jesus, o Amor do Pai, as entranhas do coração de Deus. Se alguém quiser saber como se parece, como sente, quais os desejos mais autênticos, que espírito move o coração do Deus dos cristãos, que o descubra e se abasteça do que nos revela João, o caçula dos apóstolos.
Um dos encontros mais belos do quarto evangelho é o de Jesus com a Samaritana. Muito conhecido, muito explorado, já exaustivamente comentado o diálogo travado entre esta mulher pagã, não judia, com Jesus. Ela que se torna grande e corajosa evangelizadora, após ter ela mesma bebido da água viva oferecida por Jesus, e não somente da água do poço de Jacó. Entretanto, o que há de novo neste encontro que seja luz para nós? O que há de novo na Palavra de Deus que nos faça crescer na vivência concreta e diária do Evangelho?
Creio que valha a pena nos determos no que acontece entre o encontro de Jesus com essa mulher e a partida dela, em missão, em aberta evangelização na região onde vivia. O que acontece entre o primeiro passo e o resultado dele é o encontro de amor com o Esposo. É Jesus quem toma a iniciativa de puxar conversa. Ele está à espera. Isso nos dá a certeza de que, como evangelizadores, semeadores da Palavra e construtores do Reino, (aquilo que somos chamados a ser quando assumimos a vocação Shalom), nosso papel é levar a pessoa, qualquer pessoa, todas elas, ao encontro de Jesus, onde Ele a espera, o espera. Jesus espera aqueles que são seus e lhes foram dados pelo Pai e com eles trava um diálogo de verdade de, na verdade, começando um relacionamento pessoal que vai ao encontro de tudo o que a pessoa precisa para se tornar adoradora e livre em ‘espírito e em verdade’.
Seguindo os passos da Samaritana e vendo esta conversa acontecer, notamos que o Senhor a alcança onde está a sua maior vulnerabilidade: na sua vida sexual, nos seus afetos e emoções, nos seus relacionamentos amorosos com o sexo oposto. Sem que Ele alcance esta dimensão da sua existência ela não poderia se tornar aquilo que ela vem a ser: um testemunho livre e eficaz. Não sei se entre nós há muitas pessoas que tenham tido cinco maridos ou cinco mulheres, cinco ‘companheiros ou companheiras’, com quem tenham vivido maritalmente. Mas creio que entre nós há inúmeros corações que amaram e se apaixonaram e se envolveram emocionalmente e até fisicamente com cinco ou até mais do que cinco pessoas. E é aí que Jesus quer tocar, quer pensar as feridas (sendo Ele mesmo o Bom Samaritano!), quer soprar ressurreição. Jesus não se escandaliza absolutamente com nada que diz respeito a nós, pois ele sabe o que há no coração humano, mas Ele seguramente quer nos dar um sopro de vida que nos sacie a sede de amor, libertando-nos de tantos jogos e comportamentos que só nos tem levado à dor, à solidão e ao pecado. Ele quer se apresentar a nós como o Esposo, ensinando-nos a não mais buscar nas pessoas aquilo que somente Deus pode dar. Ele é o Esposo que nossas vidas anseiam sofregamente encontrar.
Quando a Samaritana replica e pede: ‘Dá-me de beber!’, ela pede a Jesus o dom do Espírito para conseguir libertar-se de suas desordens afetivas. E aí aparece o Esposo que se apresenta e pede água e dá água viva! Seguramente naquele tempo, mesmo havendo fofoca e falatório, não poderia haver tanta exposição das desordens sexuais-comportamentais à luz do dia como vemos hoje na TV, no cinema, na internet e no ambiente social que nos cerca e no qual vivemos. Mas seja às claras, seja escondido, pois as realidades existenciais do ser humano são atemporais, o Senhor nos espera para que a Ele entreguemos todas as desordens sexuais e relacionais presentes em nossa história.
Não adianta abafar, não adianta esconder, nem tampouco negar as marcas deixadas em nós, no corpo, na mente, nos afetos e na alma, pelas concupiscências de nossa própria carne e da carne dos outros em nós! Quantas pessoas sofreram agressão sexual, abuso sexual! Quantas pessoas sentem em si mesmas a desordem e a compulsão manifestada no homossexualismo, na masturbação, nos jogos de sedução e manipulação do próprio corpo e do corpo alheio, entre homens e mulheres, entre mulheres e homens! Quanto mau uso do corpo humano em busca de amor e de segurança!
Mesmo que já estejamos ativamente empenhados na evangelização, o Senhor nos convida a não esconder nada dele, a não deixar qualquer sombra maculando nossa alma. O Senhor quer fazer brilhar a limpidez da água viva onde se encontram as vergonhas e a mesquinhez, nosso calcanhar de Aquiles, nosso pecado e tudo o que ficou distorcido como consequência dele no entendimento que temos sobre nós mesmos. Jesus quer nos ensinar a viver plena e livremente o dom da nossa sexualidade e identidade, o dom de nosso corpo. Jesus não nos quer vivendo de aparências, com vida dupla ou de discursos. Jesus pede que chamemos ‘os nossos cinco maridos’ – e cada um sabe o nome que cada um assumiu em sua história de vida! – e os apresentemos a Ele. Só assim Ele pode se tornar verdadeiramente nosso Esposo.
E nesse caminho, é a graça da castidade, dom do Espírito, que fará de Jesus verdadeiramente o Esposo. É o dom da castidade que torna Jesus o grande amor de nossas vidas, e coloca aos poucos a ordem do amor original em nós. Seja qual for nosso estado de vida Jesus não nos quer impuros ou puritanos, reprimidos ou depravados. O mais belo de todos os homens, quer fazer este novo em nós: quer arrancar-nos das mentiras e das manipulações da cultura secular que nos empurra para o pecado e para a mentira, e quer fazer de todos nós belos e belas como Ele, almas esposas. Só assim nosso testemunho será fecundo como foi o da Samaritana. Só assim daremos prova de verdadeira conversão. E que o Esposo nos ajude a jamais desanimar...



Deus nos amou primeiro

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Do Tratado sobre a Contemplação de Deus, de Guilherme, abade do Mosteiro de Saint-Thierry.
(Nn. 9-11: SCh 61, 90-96)

Somente vós sois realmente Senhor, vós para quem dominar sobre nós é salvar-nos; enquanto, para nós, servir-vos nada mais é do que ser salvo por vós.
Senhor, de vós procede a bênção e a salvação para vosso povo. Mas que salvação é esta senão a graça que no concedais de vos amar e de ser amados por vós?
Por isso, Senhor, quisestes que o Filho que está a vossa direita, o homem que fortaleceste para vós, fosse chamado Jesus, isto é, Salvador: pois ele vai salvar o povo de seus pecados (Mt 1,21) e em nenhum outro há salvação (At 4,12).Ele nos ensinou a amá-lo, ao nos amar primeiro e até à morte de cruz. Por seu amor e sus dileção, suscita nosso amor por ele, que nos amou primeiro e até o fim.
Foi assim mesmo: vós nos amastes primeiro para que vos amássemos. Não tínheis necessidade de ser amado por nós, mas não poderíamos atingir o fim para o qual fomos criados se não vos amássemos.
Eis por que, tendo falado outrora a nosso pais muitas vezes e de muitos modos por intermédio dos profetas, nestes últimos tempos nos falastes pelo vosso Filho, pelo vosso Verbo; por ele é que os céus foram criados, e pelo sopro de seus lábios, todo o universo (Sl 32,6).
Para vós, fala por meio do vosso Filho não foi outra coisa senão trazer à luz do sol, isto é, manifestar claramente o quanto e como nos amastes, vós que não poupastes vosso próprio Filho, mas o entregastes por todos nós. E ele também nos amou e se entregou por nós.
É essa, Senhor, a Palavra que nos dirigistes, o Verbo todo-poderoso. Quando todas as coisas estavam envolvidas no silêncio (cf. Sb 18,14), ou seja, nas profundezas do erro, ele desceu do seu trono real (Sb 18,15) para combater energicamente todos os erros e fazer triunfar suavemente o amor.
E tudo o que ele fez, tudo o que disse na terra, até aos opróbrios, até aos escarros e às bofetadas, até a cruz e à sepultura, não foi senão a palavra que nos dirigistes em vosso Filho, suscitando pelo vosso amor por vós.
Bem sabíeis, ó Deus, Criador dos homens, que este amor não pode ser imposto, mas que é necessário estimulá-lo no coração humano. Porque onde há coração não há liberdade, e onde não há liberdade não há justiça.
Quisestes assim que vos amássemos, pois não poderíamos ser salvos com justiça sem vos amar; e não poderíamos amar-vos ser receber de vós esse amor.
Por isso, Senhor, como diz o Apóstolo do vosso amor e a nós também já dissemos, vós nos amastes primeiro todos os que vos amam.
Nós, porém, vos amamos com o afeto do amor que pusestes em nós. Mas vosso amor, vossa bondade, ó sumamente bom e sumo bem, é o Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho.. Desde o princípio da criação ele pairava sobra as águas, isto é, sobre os espíritos indecisos dos filhos dos homens; ele se oferece a todos, atrai tudo a si, inspirando, encorajando, afastando as coisas nocivas, providenciando as úteis, unindo Deus a nós e unindo-nos a Deus.



Ano Sacerdotal

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Desde o dia 19 até junho de 2010, a Igreja no mundo celebra o Ano Sacerdotal convocado pelo papa Bento XVI. Com o tema “Fidelidade de Cristo, Fidelidade do sacerdote”, a convocação acontece por ocasião do 150º aniversário da morte do padre francês, São João Maria Vianney, hoje padroeiro dos párocos, e a partir do dia 19, proclamado pelo papa, padroeiro dos sacerdotes de todo o mundo.
A abertura, do dia 19, foi celebrada em Roma, presidida pelo papa Bento XVI. Neste dia a Igreja comemora a solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Dia de Santificação Sacerdotal.
Ainda no Ano jubilar, será publicado um Diretório para os Confessores e Diretores Espirituais, assim como uma compilação de textos do papa sobre os temas essenciais da vida e da missão sacerdotais na época atual.



Segundo expressou Bento XVI aos membros da Congregação para o Clero, o objetivo deste ano é, “ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea”.
NO BRASIL
A Igreja no Brasil vai celebrar o Ano Sacerdotal de várias formas, com destaque para a série de publicações biográficas de padres que serviram à Igreja: José Antônio Maria Ibiapina, Josimo Tavares, Alberto Antoniazzi, Cícero Romão Batista, Emanuel Gomes González, entre outros.
“É uma oportunidade eficaz para tratarmos da formação do presbítero, seu ministério, e levar o povo brasileiro a conhecer mais de perto o que é a vida sacerdotal.
O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, da CNBB, dom Esmeraldo Barreto de Farias, afirmou que o Ano Sacerdotal é uma maneira de motivar o estilo de vida do presbítero. “É uma ótima oportunidade para que cada diocese possa contribuir para o aprofundamento e a renovação das motivações na vida de cada presbítero a fim de que possa, com alegria, continuar respondendo, a cada dia, ao chamado de Deus para o seguimento a Jesus Cristo, o bom Pastor, servo missionário, como ministro ordenado em meio à realidade de hoje”.
Padre Reginaldo de Lima, assessor da Comissão, acredita que o Ano Sacerdotal vai proporcionar aos presbíteros a intensificação de sua espiritualidade e ao mesmo tempo recuperar a imagem de figuras emblemáticas do presbitério brasileiro.



Maria, consoladora dos aflitos

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Diante das cruzes da vida, devemos procurar o colo da Mãe

Toda mãe tem um jeito especial para consolar seu filho. É comum vermos aquela cena do neném chorando no colo dos parentes e amigos. Só o colo da mãe é capaz de fazer a criança parar de chorar e até dormir com aquela sensação gostosa de segurança. Imagino que esta tenha sido a experiência do apóstolo João ao pé da cruz (cf. João 19, 25). Ele devia estar extremamente aflito. Seu melhor Amigo pendia naquela cruz. Pouco antes da morte ele escutara palavras de confiança e dor: “Filho, eis aí a tua mãe; mãe eis aí o teu filho”.

Normalmente imaginamos que com aquele gesto, Jesus pedira que João cuidasse de sua mãe. De fato, foi isso que aconteceu. João levou Maria para sua casa e cuidou dela até o final de sua vida. Mas podemos também inverter a história. Naquele momento, o jovem João precisava muito mais de cuidado do que a Santíssima Virgem Maria. Imagino que ela tenha dito palavras de encorajamento para ele e o tenha consolado em todas as suas aflições. E foi assim durante muitos anos. Logo em seguida, quando os apóstolos se dispersaram por medo de serem perseguidos, Maria o consolava.

Quando estavam no Cenáculo, antes de Pentecostes, Nossa Senhora estava lá. Certamente ela dizia palavras de consolo e fortaleza. O Pentecostes dela já começara em Nazaré. Ela já estava “cheia de graça”. Por isso o céu já vivia plenamente no seu coração. Quem vive assim, pode consolar os irmãos que vivem “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”.

Maria consola também cada um de nós em nossas aflições. Quando estamos diante das cruzes da vida, devemos procurar o colo da Mãe. Ali conseguiremos o sono tranquilo de crianças que sabem que estão seguras.

Mas qual seria o consolo da Virgem Maria? Seria uma palavra, um olhar de ternura, uma prece confiante, um conselho de paz, um afago, uma resposta de solução? Tudo isso ela faz, como tem feito nas diversas aparições aprovadas pela Igreja, como as de Lourdes e de Fátima. Mas o principal consolo é “mostrar-nos seu Filho, Jesus”! Certamente foi isso que ela disse a João:

- Filho, Ele voltará… Ele ressuscitará… a morte não pode vencer o amor!

Nomalmente nossas aflições têm alguma coisa a ver com a morte. Quem não tem medo de morrer?

Rezamos, na Ave-maria, que a Mãe Santíssima esteja nos consolando “agora e na hora de nossa morte”. As pequenas mortes de todos os dias costumam nos afligir. Você recebe uma notícia ruim e seu coração fica pálido de tristeza.

Procure o colo da Mãe de toda consolação. Ela apontará para a cruz e dirá:

- Ele não está ali.

Ela apontará para a sua cruz e dirá:

- Com meu Filho você vencerá este momento de aflição. Creia, ame, espere!

Maria aprendeu essa lição quando Jesus se perdeu no meio da multidão, aos doze anos. Foram encontrá-Lo em Jerusalém, no templo, conversando com os doutores da lei.

Ela disse:

- Teu pai e eu te procurávamos aflitos.

Nessa ocasião o Menino os consolou:

- Não sabíeis que devia estar na casa de meu Pai?

Esta é a forma de buscar o consolo. Maria entendeu. Temos que procurar Jesus na casa do Pai. Se você está muito aflito com alguma situação, procure uma igreja; fique um momento em silêncio; consagre seu coração a Virgem Maria. Ela o pegará no colo e o colocará junto de seu Filho, Jesus. Ali não temos mais razão para permanecer com medo ou aflitos. É exatamente isso que diz o Salmo 22: “A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida. E habitarei na casa do Senhor por longos dias” (Salmo 22, 6).

Consoladora dos aflitos, rogai por nós!

Padre Joãozinho, SCJ



A glorificação de Maria

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Celebramos a solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Trata-se de uma festa antiga, que tem o seu fundamento último na Sagrada Escritura: de fato, ela apresenta a Virgem Maria estreitamente unida ao seu Filho divino e sempre solidária com Ele. Mãe e Filho mostram-se estreitamente associados na luta contra o inimigo infernal até à plena vitória sobre ele.

Esta vitória expressa-se, em particular, na superação do pecado e da morte, isto é, em vencer aqueles inimigos que São Paulo apresenta sempre em conjunto (cf. Rm 5, 12.15-21; 1 Cor 15, 21-26). Por isso, como a ressurreição gloriosa de Cristo foi o sinal definitivo desta vitória, também a glorificação de Maria no seu corpo virginal constitui a confirmação final da sua plena solidariedade com o Filho tanto na luta quanto na vitória.

Deste profundo significado teológico do mistério fez-se intérprete o Servo de Deus o Papa Pio XII ao pronunciar, a 1º de novembro de 1950, a solene definição dogmática deste privilégio mariano. Ele declarava: "Deste modo a venerável Mãe de Deus, arcanamente unida a Jesus Cristo desde toda a eternidade com o mesmo decreto de predestinação, imaculada na sua concepção, virgem ilibada na sua divina maternidade, generosa sócia do Divino Redentor, que alcançou um triunfo pleno sobre o pecado e sobre as suas conseqüências, no final, como supremo coroamento dos seus privilégios, pôde ser preservada da corrupção do sepulcro e, tendo vencido a morte, como já o seu Filho, ser elevada em alma e corpo à glória do céu, onde resplandece rainha à direita do seu Filho, rei imortal dos séculos" (Const. Munificentissimus Deus, 768-769).

Maria não se afastou de nós, mas permanece ainda mais próxima e a sua luz projeta-se sobre a nossa vida e sobre a história da humanidade inteira. Atraídos pelo esplendor celeste da Mãe do Redentor, recorramos com confiança àquela que do alto nos guarda e nos protege. Todos temos necessidade da sua ajuda e do seu conforto para enfrentar as provas e os desafios de cada dia; precisamos senti-la mãe e irmã nas situações concretas da nossa existência. E para poder partilhar um dia também para sempre do seu mesmo destino, imitemo-la agora no dócil seguimento de Cristo e no generoso serviço aos irmãos. Este é o único modo para saborear, já na nossa peregrinação terrena, a alegria e a paz que vive em plenitude quem alcança a meta imortal do Paraíso.

Papa Bento XVI



A Imaculada Conceição

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Reza o dogma católico que a Bem-aventurada Virgem Maria, desde o primeiro instante de sua conceição, foi preservada da nódoa do pecado original, por privilégio único de Deus e aplicação dos merecimentos de seu divino Filho.

O dogma abrange dois pontos importantes:

a) O primeiro é ter sido a Santíssima Virgem preservada da mancha original desde o princípio de sua conceição. Deus abrogou para ela a lei de propagação do pecado original na raça de Adão; ou por outra, Maria foi cumulada, ainda no começo da vida, com os dons da graça santificante.

b) No segundo, vê-se que tal privilégio não era devido por direito. Foi concedido na previsão dos merecimentos de Jesus Cristo. O que valeu a Maria este favor peculiar foram os benefícios da Redenção, na previsão dos méritos de Jesus Cristo, que já existiam nos eternos desígnios de Deus.

Como se dá a transmissão do Pecado Original

Primeiramente, é necessário esclarecer em que consiste a transmissão do "Pecado Original". A lei geral: "Todos os homens pecaram num só" é o grande argumento dos protestantes contra a "Imaculada Conceição". Tal lei é certa e, segundo vamos demonstrar, não encontra a mínima contradição com o dogma católico.

S. Francisco de Sales, no seu "Tratado do amor de Deus", exprime essa verdade de um modo singelo e glorioso! "A torrente da iniqüidade original veio lançar as suas ondas impuras sobre a conceição da Virgem Sagrada, com a mesma impetuosidade que sobre a dos demais filhos de Adão; mas chegando ali, as vagas do pecado não passaram além, mas se detiveram, como outrora o Jordão no tempo de Josué, aqui respeitando a arca da aliança a torrente parou; lá em atenção ao Tabernáculo da verdadeira aliança, que é a Virgem Maria, o pecado original se deteve."

Os protestantes deveriam compreender a diferença essencial que há entre "pecar em Adão" e "pecar pessoalmente", como são coisas bem distintas pertencer a uma raça pecadora e ser pecador.

De que modo, afinal, contraímos nós o pecado original?

Tal transmissão não se pode fazer pela "criação" da alma; afirmar isso seria dizer que Deus é o autor do pecado, o que é impossível e repugna. Não se transmite tão pouco pelos pais, pois a alma dos filhos não se origina das almas dos pais, mas é criada por Deus. A transmissão se efetua pela "geração".

A alma é criada por Deus no estado de inocência perfeita, mas contrai a "mácula", unindo-se a um corpo formado de um gérmen corrompido, do mesmo modo que ela sofreria, se fosse unida a um corpo ferido. É a opinião de Santo Tomás.

Santo Agostinho diz a propósito: "Apesar de nascerem de pais batizados, os filhos vêm à luz com o pecado original, como do trigo inutilizado germina uma espiga, em que o grão é misturado com a palha."

Nesse mistério do nascimento de uma criança, pelo exposto, opera-se uma dupla conceição: a da alma e a do corpo. Foi nesse momento quase imperceptível que Deus preservou do pecado original a "pessoa" de Maria Santíssima. Criou sua alma, como criou as nossas. Os progenitores de Nossa Senhora formaram-lhe o corpo, como nossos pais formaram o nosso. Até aqui tudo é natural; o milagre da preservação limita-se ao instante em que o Criador uniu a alma ao corpo.

Desta união devia resultar a "transmissão do pecado". Deus fez parar o curso desta transmissão, de modo que nela a união se operou, como se tinha realizado na pessoa de Adão, quando Deus, depois de ter feito o corpo do primeiro homem, soprou nele o espírito, constituindo-o na perfeição da inocência e justiça original.

Maria é uma segunda Eva... mas Eva antes de sua queda! Tal é a sublime doutrina da Igreja de Cristo.

A Exceção à Lei Geral

Seria possível objetar-se que Deus não tem poder para derrogar as leis gerais por Ele mesmo estabelecidas?

Seria negar a onipotência divina e fixar limites Àquele que não os tem.

É uma lei geral que "todos pecaram num só". Tal fato é universal, e todas as criaturas a ele estão subordinadas. Todavia, nada impede que, antes de efetuar-se a união da alma com o corpo, Deus possa intervir e suspender "um dos seus efeitos", o qual é, precisamente, a transmissão desse "pecado original".

A Sagrada Escritura está repleta dessas derrogações de leis gerais. O movimento do sol e da lua está matematicamente fixado pela lei da natureza; entretanto, Josué não hesitou em fazê-lo parar: "Sol detem-te em Gibeon, e tu, lua, no vale de Hadjalon. E o sol deteve-se e a lua parou" (Jos. 10, 12-13).

É uma lei que as águas sigam a correnteza do seu curso. Entretanto, "Moisés estendeu a mão..." o mar deixou livre o seu leito, partiram-se as águas, com um muro à sua esquerda e à sua direita (Exod. 14, 21 e 22).

É uma lei que o um morto fique morto até à ressureição geral; entretanto, o próprio Cristo-Deus, diante do cadáver de Lázaro, já em putrefação, exclamou: "Lázaro, sai!" (Jo 11, 43 e 41). E imediatamente aquele que estava morto saiu vivo.

Que prova isso, demonstra que "para Deus nada é impossível" (Lc 18, 27).

Será, então, que os protestantes acham impossível que Deus preserve Maria Santíssima do Pecado Original?

Se a lei geral fosse superior ao poder de Deus, como ficaria o Homem-Deus? Ele, em sua natureza humana, foi preservado do pecado original, mesmo nascendo de uma mulher. Se fosse impossível a Deus manter Imaculada a sua Mãe, também seria impossível manter "imaculado" o Seu Filho único, que nasceu verdadeiro Homem e verdadeiro Deus.

Provas na Sagrada Escritura:

Depois da queda do pecado original, Deus falou ao demônio, oculto sob a forma de serpente: "Ei de por inimizade entre ti e a mulher, entre sua raça (semente) e a tua; ela te esmagará a cabeça" (Gen 3, 15). Basta um pouco de boa-vontade para compreender de que "mulher" o texto fala. A única mulher "cheia de graça", "bendita entre todas", na qual a "semente" ou (raça) foi Nosso Senhor Jesus Cristo (e os cristãos), é a Santíssima Virgem, a nova Eva, mãe do Novo Adão. Conforme esse texto, há uma luta entre dois antagonistas: de um lado, está uma mulher com o filho; do outro, o demônio. Quem há de ganhar a vitória são aqueles e não estes. Ora, se Nossa Senhora não fosse imaculada, essa inimizade não seria inteira e a vitória não seria total, pois Maria Santíssima teria sido, pelo menos em parte, sujeita ao poder do demônio através do Pecado Original. Em outras palavras, a inimizade entre a mulher (e sua posteridade) e a serpente, implica, necessariamente, que Nosso Senhor e Nossa Senhora não poderiam ter sido manchados pelo pecado original.

Na saudação angélica, quando S. Gabriel diz: "Ave, cheia de graça. O Senhor é convosco". Ora, não se exprimiria desta maneira o anjo e nem haveria plenitude de graça, se Nossa Senhora tivesse o pecado original, visto o homem ter perdido a graça após o pecado.

A maneira da saudação angélica transparece a grandeza de Nossa Senhora, pois o Anjo a saúda com a "Ave, Cheia de Graça". Ele troca o nome "Maria" pela qualidade "Cheia de Graça", como Deus desejou chamá-la.

Ao mesmo tempo, a afirmação "o Senhor é convosco" abrange uma verdade luminosa. Se Nosso Senhor é (está) com Nossa Senhora antes da encarnação ("é convosco"). Sendo palavras anteriores à encarnação do verbo no seio da Virgem Maria, forçoso é reconhecer que onde está Deus não está o pecado. Ou seja, Nossa Senhora não tinha o "pecado original".

Prossegue o arcanjo: Não temas, Maria, pois "achaste graça diante de Deus". Aqui termina a revelação da Imaculada Conceição para começar a da maternidade divina: "Eis que conceberás no teu ventre e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus". (Lc 1, 28).

Pela simples leitura percebe-se a conexão estreita entre duas verdades: "Maria será a mãe de Jesus, porque achou graça diante de Deus".

Mas, que graça Nossa Senhora achou diante de Deus para poder ser escolhida como a Mãe Dele? Ora, a única graça que não existia - ou que estava "perdida" - era a "graça original". Falar, pois, que: "Maria achou graça" é dizer que achou a "graça original". Ora, a "graça original" é a "Imaculada Conceição"!

Os evangelhos sinóticos deixam claro que a palavra "Cheia de Graça", em grego: "Kecharitoménê", particípio passado de "charitóô", de "Cháris", é empregado na Sagrada Escritura para designar a graça em seu sentido pleno, e não no sentido corrente. A tradução literal seria: "omnino Plena Caelesti gratia" ou "Ominino gratiosa reddita": "Cheia de graça".

Ou seja, a tradução do latim: "gratia plena" é mais perfeita do que a palavra portuguesa: "cheia de graça". Nossa Senhora não apenas "encontrou graça", mas estava "plena" de Graça. Corroborando o que disse o Arcanjo logo em seguida: "O Senhor é contigo".

Falando à Santíssima Virgem que Ela "achara graça", o Arcanjo diz: Maria, sois imaculada, e, por isto, sereis a Mãe de Jesus Cristo.

Também é pela própria razão que se pode concluir a Imaculada Conceição. É claro que o argumento racional não é definitivo, mas corroborou com muita conveniência - e completa harmonia - para com ele. Se Maria Santíssima fosse manchada do pecado original, essa mancha redundaria em menor glória para seu filho, que ficou nove meses no ventre de uma mulher que teria sido concebida na vergonha daquele pecado. Se qualquer mácula houvesse na formação de Maria Santíssima, teria havido igualmente na formação de Jesus, pois o filho é formado do sangue materno.

S. Paulo assim se expressa sobre o ventre de onde nasceu o menino-Deus: "Cristo, porém, apareceu como um pontífice dos bens futuros. Entrou no tabernáculo mais excelente e perfeito, não construído por mãos humanas, nem mesmo deste mundo" (Hebr 9, 12).

Que tabernáculo é esse, "não construído por mãos humanas", por onde "entrou" Nosso Senhor Jesus Cristo? Fica claro o milagre operado em Nossa Senhora na previsão dos méritos de seu divino Filho. Negar que Deus pudesse realizar tal milagre (Imaculada Conceição) seria duvidar de sua onipotência. Negar que Ele desejaria fazer tal milagre seria menosprezar seu amor filial, pois, como afirma S. Paulo: Deus construiu o seu "tabernáculo" que não foi "construído por mãos humanas".

Ora, este tabernáculo, feito imediatamente por Deus e para Deus, devia revestir-se de toda a beleza e pureza que o próprio Deus teria podido outorgar a uma criatura.

E esta pureza perfeita e ideal se denomina: a Imaculada Conceição.

Agora examinemos a Tradição, desde os primeiros séculos:

S. Tiago Menor, o qual realizou o esquema da liturgia da Santa Missa, prescreve a seguinte leitura, após ler uns passos do antigo e do novo testamento, e de umas orações: "Fazemos memória de nossa Santíssima, Imaculada, e gloriosíssima Senhora Maria, Mãe de Deus e sempre Virgem".

O santo Apóstolo não se limita a isso, mas torna a sua fé mais expressiva ainda. Após a consagração e umas preces, ele faz dizer ao Celebrante: "Prestemos homenagem, principalmente, a Nossa Senhora, a Santíssima, Imaculada, abençoada acima de todas as criaturas, a gloriosíssima Mãe de Deus, sempre Virgem Maria. E os cantores respondem: É verdadeiramente digno que nós vos proclamemos bem-aventurada e em toda linha irrepreensível, Mãe de Nosso Deus, mais digna que os querubins, mais digna de glória que os serafins; a vós que destes à luz o Verbo divino, sem perder a vossa integridade perfeita, nós glorificamos como Mãe de Deus" (S. jacob in Liturgia sua).

O evangelista S. Marcos, na Liturgia que deixou às igrejas do Egito, serve-se de expressões semelhantes: "Lembremo-nos, sobretudo, da Santíssima, intemerata e bendita Senhora Nossa, a Mãe de Deus e sempre Virgem Maria".

Na Liturgia dos etíopes, de autor desconhecido, mas cuja composição data do primeiro século, encontramos diversas menções explícitas da Imaculada Conceição. Umas das suas orações começa nestes termos: Alegrai-vos, Rainha, verdadeiramente Imaculada, alegrai-vos, glória de nossos pais. Mais adiante, é pela intercessão da Imaculada Virgem Maria que o Sacerdote invoca a Deus em favor dos fiéis: "Pelas preces e a intercessão que faz em nosso favor Nossa Senhora, a Santa e Imaculada Virgem Maria.".

Terminamos o primeiro século com as palavras de Santo André, apóstolo, expondo a doutrina cristã ao procônsul Egeu, passagem que figura nas atas do martírio do mesmo santo, e data do primeiro século: "Tendo sido o primeiro homem formado de uma terra imaculada, era necessário que o homem perfeito nascesse de uma Virgem igualmente imaculada, para que o Filho de Deus, que antes formara o homem, reparasse a vida eterna que os homens tinham perdido" (Cartas dos Padres de Acaia).

A doutrina da Imaculada Conceição era, pois, conhecida no primeiro século e por todos admitida. A esse respeito, nenhuma contradição se levantou na primitiva Igreja.

No século segundo, os escritos dos Santos Padres falam da Imaculada Conceição como um fato indiscutível. Entre os escritores e oradores deste século, contamos: S. Jusitino, apologista e mártir; Tertuliano e Santo Irineu.

No terceiro século, existem também textos claros em defesa da Imaculada Conceição. mas em menor quantidade.

Santo Hipólito, bispo de Porto e mártir, escreveu em 220: "O Cristo foi concebido e tomou o seu crescimento de Maria, a Mãe de Deus toda pura". Mais além ele diz: "Como o Salvador do mundo tinha decretado salvar o gênero humano, nasceu da Imaculada Virgem Maria".

Orígenes, que viveu em 226 e pareceu resumir a doutrina e as tradições de sua época, escreveu: "Maria, a Virgem-Mãe do Filho único de Deus, é proclamada a digna Mãe deste digno Filho, a Mãe Imaculada do Santo e Imaculado, sendo ela única, como único é o seu próprio Filho."

Em um dos seus sermões sobre S. José, Orígenes faz o mensageiro celeste dizer ao santo: "Este menino não precisa de Pai na terra, porque tem um pai incorruptível no céu; não precisa de Mãe no Céu, porque tem uma Mãe Imaculada e casta na terra, a Virgem Bem-aventurada, Maria".

No século quarto, aparecem inúmeros escritos sobre a Imaculada Conceição, cada vez mais explícitos e em maior número. Temos diante de nós as figuras incomparáveis de Santo Atanásio, de Santo Efrem, de S. Basílio Magno, de Santo Epifânio, e muitos outros, que constituem a plêiade gloriosa dos grandes Apóstolos do culto da Virgem Santíssima e, de modo particular, de sua Imaculada Conceição.

Um trecho de Lutero, para mostrar que nem ele se atreveu a contestar a Imaculada Conceição: "Era justo e conveniente, diz ele, fosse a pessoa de Maria preservada do pecado original, visto o filho de Deus tomar dela a carne que devia vencer todo pecado". (Lut. in postil. maj.).

Para terminar, transcreveremos um pequeno soneto.

Em 1823, dois sacerdotes dominicanos, Pes. Bassiti e Pignataro, estavam exorcizando um menino possesso, de 12 anos de idade, analfabeto. Para humilhar o demônio, obrigaram-no, em nome de Deus, a demonstrar a veracidade da Imaculada Conceição de Maria. Para surpresa dos sacerdotes, pela boca do menino possesso, o demônio compôs o seguinte soneto:

"Sou verdadeira mãe de um Deus que é filho,
E sou sua filha, ainda ao ser-lhe mãe;
Ele de eterno existe e é meu filho,
E eu nasci no tempo e sou sua mãe.

Ele é meu Criador e é meu filho,
E eu sou sua criatura e sua mãe;
Foi divinal prodígio ser meu filho
Um Deus eterno e ter a mim por mãe.

O ser da mãe é quase o ser do filho,
Visto que o filho deu o ser à mãe
E foi a mãe que deu o ser ao filho;

Se, pois, do filho teve o ser a mãe,
Ou há de se dizer manchado o filho
Ou se dirá Imaculada a mãe.

Conta-se que o Papa Pio IX chorou, ao ler esse soneto que contém um profundíssimo argumento de razão em favor da Imaculada.

Nossa Senhora foi a restauradora da ordem perdida por meio de Eva. Eva nos trouxe a morte, Maria nos dá a vida. O que Eva perdeu por orgulho, Nossa Senhora ganhou por humildade.

O Dogma da Imaculada Conceição foi proclamado pelo Papa Pio IX, cercado de 53 cardeais, de 43 arcebispos, de 100 bispos e mais de 50.000 romeiros vindos de todas as partes do mundo, no dia 8 de dezembro de 1854.

Passados apenas 3 anos dessa solene proclamação, em 11 de agosto de 1858, Nossa Senhora dignou-se aparecer milagrosamente quinze dias seguidos, perto da pequena cidade de Lourdes, na França, a uma pobre menina, de 13 anos de idade, chamada Bernadete.

No dia 25 de março, Bernadete suplicou que Nossa Senhora lhe revelasse seu nome. Após três pedidos seguidos, Nossa Senhora lhe respondeu: "Eu sou a Imaculada Conceição".

Eis a chave de ouro que encerra a tradição ininterrupta dos Apóstolos.



As duas vindas de Jesus Cristo!

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Naquele tempo Ele veio para cumprir um desígnio de amor

Anunciamos a vinda de Cristo: não apenas a primeira, mas também a segunda, muito mais gloriosa. Pois a primeira revestiu-se de um aspecto de sofrimento, mas a segunda manifestará a coroa da realeza divina.

Aliás, tudo o que concerne a Nosso Senhor Jesus Cristo tem quase sempre uma dupla dimensão. Houve um duplo nascimento: primeiro, Ele nasceu de Deus, antes dos séculos; depois, nasceu da Virgem, na plenitude dos tempos. Dupla descida: uma discreta como a chuva sobre a relva; outra, no esplendor, que se realizará no futuro. Na primeira vinda, Ele foi envolto em faixas e reclinado num presépio; na segunda, será revestido num manto de luz. Na primeira, Ele suportou a cruz, sem recusar a sua ignomínia; na segunda, virá cheio de glória, cercada de uma multidão de anjos.

Não nos detemos, portanto, somente na primeira vinda, mas esperamos ainda, ansiosamente, a segunda. E assim como dissemos na primeira: “Bendito o que vem em nome do Senhor” (Mt 21,9), aclamaremos de novo, no momento de Sua segunda vinda, quando formos com os anjos ao Seu encontro adorá-Lo: Bendito o que vem em nome do Senhor.

Virá o Salvador, não para ser novamente julgado, mas para chamar a juízo aqueles que se constituíram seus juízes. Ele, que ao ser julgado, guardara silêncio, lembrará as atrocidades dos malfeitores que O levaram ao suplício da cruz e lhes dirá: “Eis o que fizeste e calei-me” (Sl 49,21).

Naquele tempo o Senhor veio para cumprir um desígnio de amor, ensinando aos homens com persuasão e doçura; mas, no fim dos tempos, queiram ou não, todos se verão obrigados a submeter-se à realeza d'Ele.

O profeta Malaquias fala dessas duas vindas: “Logo chegará ao seu templo o Senhor que tentais encontrar” (Mal 3,1). Eis uma vinda. E prossegue a respeito da outra: “E o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; e estará apostos, como para fazer derreter e purificar” (Mal 3,1-3).

Paulo também se refere a essas duas vindas quando escreve a Tito: “A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tt 2,11-13).

Você vê como ele fala da primeira vinda, pela qual dá graças, e da segunda que esperamos?

Por isso, o símbolo da fé que professamos nos é agora transmitido, convidando-nos a crer n'Aquele que subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em Sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o Seu Reino não terá fim. O Senhor Jesus Cristo virá, portanto, dos céus, virá glorioso no fim do mundo, no último dia. Dar-se-á a consumação do mundo, e este mundo que foi criado será inteiramente renovado.


Das Catequeses de São Cirilo de Jerusalém, bispo.

(I Domingo do Advento – Liturgia das Horas).

Natal Feliz é Natal com Cristo!

Como você se prepara para a segunda vinda de Jesus? Clique em comentário e deixe o seu recado.

Minha bênção fraterna+

Padre Luizinho - Comunidade Canção Nova
blog.cancaonova.com/padreluizinho



Vigiai Cristo virá de novo!

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Para impedir que os discípulos o interrogassem sobre o momento de sua vinda, disse-lhes Cristo: Àquela hora ninguém a conhece, nem os anjos nem o Filho. Não vos compete saber o tempo e o momento (cf. Mc 13,32-33). Ocultou-nos isso para que ficássemos vigilantes e cada um de nós pudesse pensar que esse acontecimento se daria durante a nossa vida. Se tivesse revelado o tempo de sua vinda, esta deixaria de ter interesse e não seria mais desejada pelos povos da época em que se manifestará. Ele disse que viria, mas não declarou o momento e por isso as gerações e todos os séculos o esperam ardentemente.

Embora o Senhor tenha dado a conhecer os sinais de sua vinda, não se vê exatamente o último deles, pois numa mudança contínua, esses sinais apareceram e passaram e, por outro lado, ainda perduram. Sua última vinda será igual à primeira. Os justos e os profetas o desejavam, pensando que se manifestaria em seu tempo; do mesmo modo, cada um dos fiéis de hoje deseja recebê-lo em sua época, pois ele não disse claramente o dia em que viria. E isto sobretudo para ninguém pensar que está submetido a uma determinação e hora, ele que domina os números e os tempos. Como poderia estar oculto àquele que descreveu os sinais de sua vinda, o que ele próprio estabeleceu? O Senhor pôs em relevo esses sinais para que, desde o primeiro dia, os povos de todos os séculos pensassem que ele viria no próprio tempo deles.

Permanecei vigilantes porque, quando o corpo dorme, é a natureza que nos domina e nossa atividade é então dirigida não por nossa vontade, mas pelos impulsos da natureza. E quando a alma está dominada por um pesado torpor, como por exemplo a pusilanimidade ou a tristeza, é o inimigo que a domina e a conduz, mesmo contra a sua vontade. Os impulsos dominam a natureza e o inimigo domina a alma.

Por isso. O Senhor recomendou ao homem a vigilância tanto da alma como do corpo: ao corpo, para que se liberte da sonolência; e à alma, para que se liberte da indolência e pusilanimidade. Assim diz a Escritura: Vigiai, justos (cf. 1Cor 15,34); e também: Despertei e ainda estou contigo (cf. S1 138,18); e ainda: Não desanimeis (cf. Jo 16,33). Por isso não desanimamos no exército do ministério que recebemos (2Cor 4,1).

Santo Efrém, diácono e doutor da Igreja, séc.
IV Do Comentário sobre o Diatéssarom, (Cap. 18,15-17, SCh 121,325-328)

Essa é uma fé da Igreja, que nós rezamos nos prefácios das Missas do Advento



Bento XVI aos artistas: o mundo precisa da beleza

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Caminho para encontrar Deus, diz na Capela Sistina

Por Jesús Colina

O que os homens e mulheres contemporâneos realmente precisam é de beleza, caminho para encontrar Deus, assegurou Bento XVI no esperado encontro com os artistas do mundo inteiro, realizado ontem na Capela Sistina, que contou com a presença de aproximadamente 260 artistas renomados internacionalmente: cantores, músicos, escritores, pintores, arquitetos, atores, entre outros.

Trata-se de uma iniciativa organizada pelo arcebispo Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, que não só buscava recordar os 10 anos da carta de João Paulo II aos artistas, mas sobretudo superar o divórcio entre a Igreja e o mundo artístico, constatado por Paulo VI em um encontro como este, há 45 anos.

Em meio ao ambiente de pessimismo que se respira por causa da crise econômica e social, o Papa perguntou aos artistas: “O que pode voltar a dar entusiasmo e confiança, o que pode animar a alma humana a encontrar o caminho, a elevar o olhar ao horizonte, a sonhar com uma vida digna da sua vocação? Não é acaso a beleza?”.

“A experiência do belo, do autenticamente belo, do que não é efêmero nem superficial – respondeu o Papa –, não é acessório ou algo secundário na busca do sentido e da felicidade, porque essa experiência não afasta da realidade, e sim leva a enfrentar totalmente a vida cotidiana para libertá-la da escuridão e transfigurá-la, para torná-la luminosa, bela.”

A beleza, segundo o Papa, pode provocar no ser humano “uma saudável ‘sacudida’ que o leve a sair de si mesmo, que o arranque da resignação, da comodidade do cotidiano; que o faça também sofrer, como um dardo que o fere, mas que o ‘desperta’, abrindo-lhe novamente os olhos do coração e da mente, dando-lhe asas, empurrando-o para o alto”.

Pois bem, continuou constatando o bispo de Roma, “com muita frequência, no entanto, a beleza da que se faz propaganda é ilusória e falaz, superficial e cega até o aturdimento e, ao invés de fazer que os homens saiam de si mesmos e abrir horizontes de verdadeira liberdade, empurrando-os para o alto, fecha-os em si mesmos e os faz ser ainda mais escravos, tirando-lhes a esperança e a alegria”.

Pelo contrário, indicou, a beleza “pode converter-se em um caminho para o transcendente, para o mistério último, para Deus”.

Por este motivo, apresentou o “caminho da beleza” como “um percorrido artístico, estético, e um itinerário de fé, de busca teológica”.

Por isso, seu discurso se converteu em uma constatação da necessidade que os artistas têm de Deus e da necessidade que a Igreja tem da arte para evangelizar.

Antes de despedir-se, o Papa fez um convite aos artistas: “Não tenhais medo de relacionar-vos com a fonte primeira e última da beleza, de dialogar com os crentes, com quem, como vós, se sente peregrino no mundo e na história, rumo à Beleza infinita!”.

“A fé não elimina nada da vossa criatividade, da vossa arte; mais ainda, ela vos exalta e vos nutre, animando-vos a atravessar o limiar e a contemplar, com olhos fascinados e comovidos, a meta última e definitiva, o sol sem crepúsculo que ilumina e torna belo o presente”, concluiu.



O natal concretiza a vinda do menino Deus

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Há dois mil anos se repete o anúncio que S. Lucas apresenta, pela primeira vez, nas cercanias de Belém, feito por um anjo aos pastores: “Eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor”(Lc 2,10s.) Esclarecendo este tema S. João nos garante que quem nele crê estará salvo e quem não crê não conseguirá salvação. E concretiza, no prólogo de seu Evangelho, que todos nós recebemos de sua plenitude, graça sobre graça (Jo 1,l6).


Colocamos o Natal da perspectiva do Primeiro Fórum da Igreja Católica no Rio Grande do Sul. Lembramos seu lema¨”A vida se manifestou, nós a vimos e a testemunhamos”( 1 Jo 1,2). Partimos da experiência de hoje: Cristo está presente em nosso Estado, numa população que vibra com sua presença e sua vida.Tornando visível sua Igreja, na variedade de suas pastorais e atividades, mostramos a pujança desta vida. Constitui uma realidade incontestável. Vós a vemos e a testemunhamos em nosso Estado, nos dia de hoje. Cristo não veio inutilmente. Deixou marcas profundas, que trouxeram muita alegria para nós. O Fórum foi testemunha disso.

Vendo esta riqueza eclesial procuramos aprofundar seu sentido e descobrir sua origem. Constatamos que não estamos diante de alguma ideologia, ou seja, não trabalhamos apenas com idéias abstratas. Constatamos vida. E esta vida se desenvolve numa riquíssima convivência de fé, esperança e caridade. Somos muitos que professamos a mesma fé, anunciada na noite de Natal, como presença de um Salvador entre nós; caminhamos na mesma esperança, amparados e orientados por uma Pessoa muito querida, que se nos apresenta como Caminho, Verdade e Vida, e estreitamos os laços no mesmo amor, que nos foi infundido pelo Espírito Santo.

Esta vida, que hoje vemos e testemunhamos, na Igreja, tem uma história. Lembramo-la com muita gratidão. Em primeiro lugar vai nosso reconhecimento a Ele, o Filho de Deus, que se dignou vir habitar entre nós. Valeu a pena Ele ter vindo ao mundo,. Sua presença enche-nos de alegria, de paz, de fraternidade e esperança. Sentimo-nos amados e, por isso, valorizados ao infinito. Sua vinda ao mundo elevou, ao inverossímil, nossa auto-estima. Garante-nos que Deus está conosco, que nos ama e nos quer ver felizes.

Jesus não só veio morar entre nós. Deu-nos também sua vida, o que equivale a dizer que viveu para nós. No horizonte de sua existência terrena estávamos sempre nós. Mais que morrer por nós, viveu para nós. E para concretizar este seu projeto não só nos falou dos mistérios de seu Reino, nem só nos anunciou coisas maravilhosas sobre a vida eterna, mas também infundiu em nós, pelo Batismo, sua própria vida divina e, ainda mais, entregou-se, em alimento, na Eucaristia, aos que nele cremos. Este alimento é comunhão, o que quer dizer união de objetivos: união com o Pai e união com os irmãos. Sintetiza seu mandamento primordial de amar a Deus e o próximo. Ele mesmo, com seu corpo, vem alimentar esta união e firmá-la na solidez de sua Igreja, que constitui seu Corpo místico.

Além de agradecer a Cristo, que acolhemos, com gratidão e amor, relacionamo-nos também com aqueles que fizeram chegar até nós esta Boa Nova. Estamos hoje a dois mil anos de distância dos acontecimentos narrados por S. Lucas, da alegria que invadiria todo o povo. Esta vida e esta alegria não morreram nem ficaram restritas ao tempo das testemunhas oculares. Vivemos, com paixão, nosso presente. A vida vai sendo transmitida, com grande ardor missionário, às sucessivas gerações. É sempre a mesma vida de Cristo, concretizada em cada fiel: é sua graça que nos transporta para a esfera divina. Agradecemos aos nossos irmãos e irmãs que, ao logo destes dois mil anos, fizeram chegar até nós esta vida. Muitos com o martírio, dando a própria vida para que nós tivéssemos vida. Ou como dizia Tertuliano: o sangue dos mártires é semente de novos cristãos. Nós nascemos destas sementes que foram lançadas em nossa terra e brotamos deste sangue que aqui foi derramado Nossos antepassados na fé viveram de modo que também nós tivéssemos fé: viram e deram testemunho de algo extraordinariamente grande que os empolgou e que continua a empolgar também a nós.

No Primeiro Fórum da Igreja Católica no Rio Grande do Sul quisemos recolher estes testemunhos para reforçar nossa visão da Igreja e tornar mais incisivo nosso testemunho. Queremos viver, com paixão, nosso presente, tão rico de graças, e abrir-nos assim, com confiança, para o futuro. Quem participou não tem dúvidas: “a vida se manifestou. Nós a vimos e a testemunhamos”( 1 Jo 1,2).


PARA REFLETIR

Como se manifesta a vida de Deus em nós?
Qual é o sentido cristão do Natal?
Que nos dizem as testemunhas de Cristo ao longo dos tempos?



Qual o significado do incenso ?

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O incenso é uma resina gomosa que brota na forma de gotas da árvore Boswellia Carteri, arbusto que cresce espontaneamente na Ásia e na África. Durante o tempo de calor e seca (nos meses de fevereiro e março) são feitas incisões sobre o tronco e ramos, dos quais brota continuamente a resina, que se solidifica lentamente com o ar. A primeira exudação para nada serve e é, pois, eliminada; a segunda é considerada como material deteriorável; a terceira, pois, é a que produz o incenso bom e verdadeiro, do qual são selecionadas três variedades, uma de cor âmbar, uma clara e a outra branca.

NA ANTIGÜIDADE: Era uso antigo espalhar resina e ervas aromáticas sobre carvões acesos para purificar o ar e afastar o perigo de infecções. Num primeiro momento, a fumaça tinha um valor catártico (de purificação, de relaxamento) e também apotropaico (o de afastar ou destruir as influências maléficas provenientes de pessoas, coisas, animais, acontecimentos). O uso desta resina perfumada não era exclusivo do culto religioso. O incenso não era queimado somente nos templos, mas também nas casas; as incensações exalavam perfume e, ao mesmo tempo, tinham um fim higiênico. O incenso foi sempre considerado como algo muito precioso. Era utilizado em todas as cerimônias e funções propiciatórias, porém, era sobretudo queimado diante de imagens divinas nos ritos religiosos de muitos povos e, ao se sublimarem as concepções religiosas, as espirais de incenso, em quase todos os cultos, converteram-se em símbolo da oração do homem que sobe até Deus. No culto aos mortos, a fumaça que subia para o alto, era considerada como uma forma de atingir o além e, ao mesmo tempo servia para afastar o odor proveniente da decomposição, uma necessidade premente nos países de clima mais quente. O incenso era também utilizado como expressão de honra para os imperadores, o rei e as pessoas notáveis.

NAS SAGRADAS ESCRITURAS: Conta-se na Bíblia que a Rainha de Sabá chegou a visitar Jerusalém e o Rei Salomão, levando-lhe, entre outros presentes, uma quantidade extraordinária do mais precioso incenso que, naquela época, era vendido num centro de comércio muito importante. De fato, ao longo da história do incenso prosperam povos e reinos míticos, como se lê na Bíblia, no Alcorão e no Livro etíope dos reis. O incenso fazia parte da composição aromática sagrada destinada unicamente a Deus (Ex 30,34) e se transformou em símbolo de adoração. Em linhas gerais é símbolo de culto prestado a Deus e de adoração: Ouçam-me, filhos santos...Como incenso exalem bom odor Si 39,14). A oferenda do incenso e a oração são intercambiáveis, ambos são sacrifícios apresentados a Deus, como diz o salmo 141, que proclama: Suba até vós minha oração, como o perfume do incenso. E é com estas palavras que, na Igreja Oriental, o celebrante ora durante as Vésperas e Laudes matutinas dos dias de festa espalhando em torno de si o perfume do incenso. Com a oferta do incenso os magos do Oriente adoraram o menino Jesus como o recém-nascido Salvador do Mundo (Mt. 2,11). No último livro do Antigo Testamento, o Apocalipse, João vê vinte e quatro anciãos que estavam diante do Cordeiro de Deus, com arpas e taças de ouro cheias de incenso: São as orações dos santos (Ap 8,3-4).
ENTRE OS CRISTÃOS: Os cristãos não utilizaram o incenso na liturgia desde o início porque queriam se distinguir, o mais claramente possível, do paganismo. Extinto o paganismo, o rito do incenso encontrou logo seu lugar na liturgia cristã. A partir do Século IV, a tradição cristã adotou o incenso em seus rituais de consagração e ainda hoje o queima para honrar o altar, as relíquias, os objetos sagrados, os sacerdotes e os próprios fiéis, e para propiciar a subida ao céu das almas dos falecidos no momento das Exéquias. Primeiramente foram colocados turíbulos na igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, e em seguida também nas grandes basílicas do Ocidente, junto aos altares e diante dos túmulos dos mártires. Graças à benção propiciada pelo incenso antes de seu uso, ele chega a ser um sacramental (sinal sagrado, que possui certa semelhança com os sacramentos e do qual se obtém efeitos espirituais). Desde o século IX, instaurou-se o uso do incenso no início da Missa e desde o século XI o altar se transformou no centro da incensação.O turíbulo era também levado na procissão junto com o evangeliário. Em seguida, a incensação estendeu-se às oferendas do pão e do vinho, que são incensadas três vezes em forma de cruz, da mesma maneira como se procede com o altar e a comunidade litúrgica. Desta forma, nasceu a tríplice incensação durante a Missa, praticada também hoje de maneira regular no Oriente e, entre nós, somente nas festas solenes. O incenso deve envolver toda uma atmosfera sagrada de oração que, como uma nuvem perfumada, sobe até Deus. O agitar do turíbulo em forma de cruz recorda principalmente a morte de Cristo e seu movimento em forma de círculo revela a intenção de envolver os dons sagrados e de consagrá-los a Deus. O incenso é muito utilizado na liturgia fúnebre. Os falecidos permanecem como membros da Igreja, já santificados pelos sacramentos. Portanto, seu corpo morto é honrado com o incenso, como as santas mulheres, na manhã de Páscoa, queriam honrar o corpo de Jesus, ungindo-o com óleos preciosos. Na reforma litúrgica, depois do Concílio, em muitos lugares renunciou-se ao símbolo tradicional do incenso, da mesma forma como ocorreu com outros símbolos mais antigos. Na consagração solene de um altar, depois da unção da mesa, queima-se incenso e outros aromas sobre os cinco pontos do altar. O bispo interpreta esse gesto com as palavras: ?Suba até vós, Senhor, o incenso de nossa oração; e como o perfume se espalha por este templo, assim possa tua Igreja expandir para o mundo o suave perfume de Cristo.



Por que os católicos ascendem velas?

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Por que se acende uma vela a Deus ou a um santo? Para comprá-los a fim de alcançar uma graça? Ou para apaziguá-los a fim de ficarmos livres de um mal que nos atormenta ou de uma desgraça que nos ameaça? Nem um nem outro. O sentido da vela acesa é muito mais nobre e mais profundo.

Símbolo de consumação

Deus é nosso Criador e nós, suas criaturas; quer dizer que tudo o que somos e tudo o que temos nos foi dado de graça por Deus. Por conseguinte, seu poder sobre nós é absoluto e seus direitos ilimitados. Pode até exigir a nossa própria vida em sacrifício. Os povos pagãos reconheciam esse direito a seus deuses. Por isso ofereciam-lhe sacrifícios humanos (crianças, geralmente, por causa de sua inocência), para acalmar a sua ira ou conseguir o que desejavam. A Bíblia nos diz também que o Deus verdadeiro exigiu uma vez um sacrifício humano; pediu a Abraão que lhe sacrificasse seu filho único Isaac. Abraão obedeceu. Mas no instante em que segurava a faca para matar o filho em cima da fogueira, Deus enviou seu Anjo que reteve a mão do pai e substituiu o filho por um carneiro (Gn 22). Deus mostrava, assim, que os sacrifícios humanos não são agradáveis a seus olhos e que só quis pôr à prova a fidelidade e a obediência de seu servo. Na história da humanidade houve um só sacrifício de seu próprio Filho feito homem, nosso Senhor Jesus Cristo, na cruz, para a salvação e a redenção do gênero humano. Esse sacrifício continua renovando-se misticamente, de modo incruento, onde houver um sacerdote e um altar. Que relação pode haver entre um sacrifício e uma vela acesa? A vela acesa substitui diante de Deus a pessoa que a acende: Fica se consumindo, como se fosse um holocausto oferecido a Deus. O holocausto era, na Antiguidade e na lei mosaica, o sacrifício mais perfeito, porque por ele a vítima era oferecida a Deus e queimada por inteiro em reconhecimento a seu poder e direito absolutos sobre quem a oferecia. A vela acesa ê um holocausto em miniatura. A pessoa compra a vela que passa a lhe pertencer, a ser sua. Acende-a para ser consumida em seu lugar. Uma vela acesa a Deus simboliza, portanto, a adoração e a entrega total de quem a acende ao Deus Todo Poderoso, Senhor e Criador de todos os seres. Uma vela acesa a um santo tem o mesmo simbolismo, só que este sacrifício é oferecido a Deus por intermédio deste ou daquele santo. É claro que está longe de ter o mesmo valor do sacrifício eucarístico, cujo valor é infinito, visto que por ele é o próprio Homem-Deus que se oferece a seu Pai. Mas nem por isso deve ser desprezado ou abolido. Deve-se, sim, evitar a má interpretação e o exagero, isto é, evitar dar-lhe maior valor do que ele tem. Vela acesa é, pois, símbolo de consumação.

Símbolo de Cristo, Luz do mundo

A vela acesa tem também outro simbolismo. Irradiando luz iluminadora, simboliza Cristo "Luz do mundo", conforme ele próprio se qualificou. Por isso, nos ofícios litúrgicos, usam-se freqüentemente velas acesas, sobretudo durante a semana santa e o tempo pascal.

Por que Acender Velas?

O costume de acender velas tem origem nas prescrições do Antigo Testamento: "O Senhor disse a Moisés: "Ordena aos israelitas que te tragam óleo puro de olivas esmagadas para manter, continuamente acesas as lâmpadas do candelabro. Disporás as lâmpadas no candelabro de ouro puro para que queimem continuamente diante do Senhor". Lev 24, 1-4. A vela acesa, enquanto rezamos, tem um significado muito especial. A idéia básica da "LUZ" como oposição às "trevas" está nas suas raízes: Por exemplo, o profeta Simeão falou da vinda de Cristo como "Luz para revelação dos gentios". Simeão refletia consigo mesmo a profecia do profeta Isaías sobre a vinda do Messias: "O povo que andava nas trevas viu uma Grande Luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma Luz" Is 9,1. Esta profecia cumpriu-se no Novo Testamento, quando a Virgem Maria apresentou seu filho Jesus no templo de Jerusalém. (Lc. 2, 22-32:). Também Jesus identificou-se a si mesmo com estas palavras: "Eu Sou a LUZ do mundo, aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a Luz da Vida" Jo 8,12. Acender velas nas igrejas é, portanto, uma tradição muito antiga. Claramente, a prática individual de acender a vela quando entramos na igreja, é um meio poderoso de unir a nossa oração individual com a oração da Igreja e com Cristo, a Luz do mundo. Mas atenção: as velas não devem substituir nossas orações nem devemos esperar efeitos mágicos de seu uso. Mas, como expressão de nossa presença diante do Altíssimo, a suplicar a luz que ilumina as trevas de nossos pecados fazendo-nos deles tomar consciência para uma contínua conversão a que somos todos chamados.



Paz e Bem (Louvor as Criaturas)

Altíssimo, onipotente, bom Senhor
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar
Louvado sejas, meu Senhor
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste as claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é muito útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite,
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por Ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei ao meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.

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