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A PÁSCOA DO CONCÍLIO

25 - Abril - 2012 Reporter: Erick Sávio Comentario

“Neste ano, a festa da Páscoa traz marcas do Concílio. A páscoa sempre evoca o passado, de maneira a trazer presente o significado dos acontecimentos antigos. Pois bem, desta vez, somos convidados a associar as diversas evocações antigas da Páscoa, com acontecimentos mais recentes na caminhada da Igreja. Entre eles, se destaca, com evidência, o Concílio Ecumênico Vaticano II. … [...]


A primeira coletiva de imprensa realizada na manhã do dia 06, nas instalações do SESI, em Porto Velho, avaliou a influência do jeito CEBs de ser Igreja na transformação da sociedade, na autonomia dos povos indígenas e na preservação da Amazônia. Participaram da coletiva a educadora Eva Canoé, o padre Benedito Ferraro e Dom Moacyr Grechi, presidente do 12º Intereclesial.
"Nós vivemos, existimos e resistimos no direito de viver dignamente como povos indígenas", afirmou Eva Canoé, líder indígena e educadora na Terra Indígena Sagarana, a primeira a ser administrada exclusivamente pelos próprios indígenas.

"Queremos dizer ao mundo e ao Brasil que estamos juntos com os não-índios na construção de um outro mundo possível, de uma Amazônia que seja de todos os brasileiros, de uma Amazônia que não seja dividida, comprada e destruída, mas que sirva para todos, já que ela é a maior riqueza da humanidade", destacou a professora Eva, primeira mulher a liderar a Coordenação da União dos Povos Indígenas de Rondônia, reunindo 32 etnias no Estado.


A educadora destacou ainda a importância da união para cuidar da Amazônia. "Que todos ouçam o clamor dos povos indígenas e levem em seus corações essa mensagem, que todos nós, índios e não-índios, coloquemos em prática tudo aquilo que aqui falamos. Não é a natureza que precisa de nós, mas somos nós que precisamos dela" concluiu.

Para o padre Benedito Ferraro, teólogo e assessor nacional das CEBs, "toda a vez que nos encontramos voltamos nosso olhar para o fundamental na vida das Comunidades". Benedito recordou que dom Pedro Casaldáliga definiu as CEBs como "o modo normal de ser Igreja ligando fé e vida".

Segundo o teólogo, "é o enraizamento nessa dimensão fundamental de Jesus de Nazaré, presente em toda a tradição bíblica, que aponta para a libertação em todas as dimensões, como explicitou o filósofo Enrique Dussel. Falamos de libertação política, econômica, social, erótico-sexual, pedagógica, litúrgica e hoje acrescentamos, com as reflexões de Leonardo Boff, a libertação ecológica" explicou. Boff estava presente e foi calorosamente saudado pela organização.

Segundo o padre Benedito, "a grande novidade das CEBs é a inserção dos cristãos na luta política de libertação dos pobres e excluídos". Essa é, para ele, "a dimensão da missão em relação à busca de vida. Não dá mais para pensar a missão na Amazônia com missionários e missionárias vindos de fora, mas a partir da realidade do povo, construir um novo modo de ser Igreja e de viver o Evangelho inculturado", concluiu.

Dom Moacyr Grechi, arcebispo de Porto Velho, por sua vez, destacou a colaboração e a competência das comunidades na preparação e organização do Encontro. Para o Presidente do 12º Intereclesial, o maior benefício foi voltar a refletir sobre o assunto o que considerou "um tempo de graça para todas as comunidades da arquidiocese".

Dom Moacyr avaliou ainda que o Brasil reagiu positivamente ao evento. "Cada vez mais eu me convenço que, conforme afirmou dom Casaldáliga ao definir as CEBs como o modo normal de ser Igreja, hoje, para ser Igreja católica precisamos unir fé e vida", destacou.

Fazendo referência ao livro do Êxodo, o arcebispo afirmou que "nesses dias, o grito da Amazônia foi ouvido por Deus e está começando a repercutir na sociedade". E concluiu citando o provérbio por ele lido durante a cerimônia de abertura: "Gente simples fazendo coisas pequenas, em lugares não importantes conseguem mudanças extraordinárias".
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Paz e Bem (Louvor as Criaturas)

Altíssimo, onipotente, bom Senhor
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar
Louvado sejas, meu Senhor
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste as claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é muito útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite,
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por Ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei ao meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.

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