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Muito se fala sobre a riqueza da Igreja, o ouro do Vaticano, etc.

A Igreja, sendo, também, uma Instituição humana, incumbida por Jesus para levar a salvação a todos os homens, precisa evidentemente de um “corpo material”, sem o que não pode cumprir a sua missão em toda a terra.

A palavra Católica quer dizer universal. Qualquer instituição que esteja em várias nações precisa de meios materiais para isto. O Papa é o único chefe de Estado que tem filhos em todos os cantos da Terra, falando todas as línguas. No último Concílio, o do Vaticano II, o Papa João XXIII reuniu cerca de 2600 de todas as nações, no Vaticano, durante 3 anos… Que chefe de Estado faz isto?

Desde 1870, quando a guerra de unificação da Itália tomou, à força, as terras da Igreja, até o fim da chamada Questão Romana (11/02/1929), os Papas se consideraram prisioneiros no Vaticano, por cerca de 60 anos. Esse período foi de relacionamento difícil entre a Igreja e o governo Italiano.

Apesar de toda a pressão contrária, os Papas desses 60 anos, Pio IX (1846-1878), Leão XIII (1878-1903), São Pio X (1903-1914), Bento XV(1914-1922) e Pio XI (1922-1939), julgaram que não podiam abrir mão da soberania territorial da Igreja em relação às demais nações, com direito a um território próprio, ainda que muito pequeno, a fim de que tivesse condições de cumprir a missão que Cristo lhe deu.

Benito Mussolini, o chefe do Governo italiano, em 1929, percebeu a grande conveniência política de conciliar a ltália com o Vaticano. As negociações levaram dois anos e meio, terminando com a assinatura do Tratado do Latrão aos 11/02/1929, que encerrava sessenta anos de disputas entre o Vaticano e o governo da Itália.

A cidade do Vaticano, geograficamente situada dentro de Roma, é mínima territorialmente. Quando começou a discussão da Questão Romana, muitos diziam que em caso da restauração da soberania temporal da Igreja, ela deveria ter apenas um Estado do tamanho da República de São Marinho (60,57 Km2); ora, o Estado Pontifício renasceu com apenas 0,44 Km2 que tem hoje o Vaticano. Esse território é apenas uma carcaça, um pequeno corpo, onde a alma da Igreja possa viver.

Os objetos contidos no Museu do Vaticano foram, em grande parte, doados aos Papas por cristãos honestos e fiéis, e pertencem ao patrimônio da humanidade; os Papas não vêem motivo para não conservar esse acervo cultural muito importante. Não é a pura venda desses objetos, de muito valor para todos os cristãos, que resolveria o problema da miséria do mundo. Será que a rainha da Inglaterra aceitaria vender o museu de Londres, ou o presidente da França vender o Louvre?…

Não há motivo, portanto, para se falar, maldosamente, da “riqueza do Vaticano”. Podemos até dizer que a Igreja foi rica no passado, antes de 1870, mas hoje não.

Qualquer chefe de Estado de qualquer pequeno país tem à sua disposição, no mínimo um avião. Nem isso o Papa tem.

É inegável, que a Igreja cresceu em espiritualidade depois que perdeu o grande poder temporal que o Estado Pontifício antigo lhe dava. Os últimos papas, a partir de 1870, foram homens santos, que entregaram a vida pela Igreja, sem limites. Pio IX (Beato), Leão XIII, S. Pio X, Bento XV, Pio XI, Pio XII, João XXIII (Beato), Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, foram grandes homens, exemplos para o mundo todo.

O Vaticano tem um órgão encarregado da caridade do Papa, o Cor Unum. No final de cada ano é publicada no jornal do Vaticano, o L’Osservatore Romano, a longa lista de doações que o Papa faz a todas as nações do mundo, inclusive o Brasil, especialmente para vencer as flagelações da seca, fome, terremotos, etc. É uma longa lista de doações que o Papa faz com o chamado óbulo de São Pedro, arrecadado dos fiéis católicos do mundo todo.

A Igreja Católica nesses dois mil anos sempre fez e fomentou a caridade. Muitos hospitais, sanatórios, leprosários, asilos, albergues, etc., são e foram mantidos pela Igreja em todo o mundo. Quantos santos e santas, freiras e sacerdotes, leigos e leigas, passaram a sua vida fazendo a caridade… Basta lembrar aqui alguns nomes: São Vicente de Paulo, D. Bosco, São Camilo de Lelis, Madre Teresa de Calcutá… a lista é enorme!



E os bens da Santa Sé?



A Santa Sé, além do território de 0,44 Km quadrados, correspondente ao Estado do Vaticano, possui dois tipos de bens imóveis em Roma: 1 - as que gozam de estatuto próprio definido pelo Tratado de Latrão, em 1929; e 2 - as que estão sujeitas ao Estado italiano para fins de impostos e taxas.

Isto é o que restou de todo o antigo Estado Pontifício que cobria boa parte da Itália. Sem isto os orgãos da Igreja não têm como funcionar.

Mas a Igreja é muito rica sim, espiritulamente. Na verdade ela é rica desde a sua origem, porque o seu Criador é o próprio Deus; é Dele que vem toda a sua riqueza. Ela é o próprio Corpo de Cristo (1Cor 12,27). Ela é rica também, porque é a “Igreja dos Santos”, como disse George Bernanos. Os Santos são a sua grande riqueza, como que reprodução do próprio Cristo.

Ela é a Igreja de Pedro de Cafarnaum, que deixou as redes para seguir o Senhor e morreu de cabeça para baixo, sob Nero, por amor a ela; é a Igreja de Paulo de Tarso, que rodou o mundo até Roma, para ali ser martirizado por ela.

Ela é a Igreja dos Santos Apóstolos, revestidos do próprio Cristo, um a um martirizados pela sua fidelidade ao Senhor… Ela é a Igreja dos Santos Inocentes que, ainda na tenra idade, derramaram o seu sangue inocente pelo menino Deus… Ela é a rica Igreja dos Santos Padres: Agostinho de Hipona, que enfrentou o pelagianismo, o arianismo e o maniqueísmo; Atanásio, que enfrentou o arianismo; Irineu, que enfrentou o gnosticismo; Inácio de Antioquia, que enfrentou os leões; Policarpo de Esmirna, que enfrentou a fogueira,…Tomás de Aquino, que escreveu a Suma-Teológica e transformou a Filosofia; Teresa D’Avila e João da Cruz, que reformaram os Carmelos masculino e feminino; Jerônimo, que traduziu a Bíblia para o latim; Basílio, Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo, Afonso de Ligório, Francisco de Assis, João Bosco, e tantos outros que mudaram a face da terra…

Sim, é uma Igreja riquíssima! Ela é a Igreja daqueles que, de tanto amor por ela, derramaram o seu sangue nas arenas romanas, nas espadas dos imperadores, nos cárceres comunistas e nazistas… Pedro, Paulo, Tiago,… Inácio de Antioquia, Policarpo, Sebastião, Perpétua, Felicidade, Cecília,… Maximiliano Kolbe,… e tantos outros gigantes que fizeram do seu sangue “a semente de novos cristãos” (Tertuliano, †220).

Ela é a Igreja das belas ordens religiosas de Bento, Domingos, Agostinho, Benedito, Francisco, Inácio de Loyola, Camilo de Lélis, D.Bosco …

Ela é a Igreja das Santas Virgens: Maria, Ana, Inez, Cecília, Luzia, Teresinha, Mazzarello, Clara de Assis,… que formam um verdadeiro exército de Esposas do Senhor.

Sim, é uma Igreja riquíssima !

Além de ser a rica Igreja dos Santos, dos Profetas, dos Mártires, dos Apóstolos, das Virgens, dos Confessores… é também a Igreja dos Papas. É a Igreja de João Paulo I com o seu sorriso inesquecível; de João XXIII, do Concílio Vaticano II, de Paulo VI com o seu apaixonado amor à Igreja; de Gregório, que a posteridade chamou de Magno, e que criou o canto que recebeu o seu nome.

Ela é a grande e rica Igreja de Leão Magno, detendo as grandes heresias às portas da Igreja, enfrentando os bárbaros Átila e Genserico às portas de Roma. É a Casa de Pedro, que é o princípio de tudo e a Pedra sobre a qual os outros se sucederam. É a Igreja dessa cadeia viva e ininterrupta de 265 Pontífices, o “doce Cristo na Terra”, como dizia S. Catarina de Sena.

Todos os Santos se inclinaram diante do Papa, e nenhum foi nada sem ele. Paulo, o apóstolo dos gentios, foi ao encontro de Pedro; Francisco, o enamorado da Pobreza, ajoelhou-se diante de Inocêncio III; Teresinha suplicou a Leão XIII que a deixasse entrar no Carmelo aos quinze anos …

Que outra Igreja teve um Pio IX que proclamou Maria Imaculada; e José, Padroeiro Universal da Igreja? Que outra Igreja tem um João Paulo II, filho de operário, operário, ator de teatro, esquiador, sacerdote, poliglota, bispo, diplomata, cardeal - Cardeal da Igreja do Silêncio e da Polônia Mártir?

A Igreja é riquíssima, de fato, pois é a Igreja dos Santos e dos Papas.

É a Igreja dos Sacramentos que o Senhor derramou do seu Coração ferido pela lança no alto da Cruz. É a Igreja da salvação universal de todos os homens… É a barca de Pedro que salva do dilúvio do pecado!

Esta é a verdadeira fortuna da Igreja, acumulada no sangue dos Mártires, na fidelidade dos Confessores, na riqueza dos Padres, no discernimento dos Doutores, na pureza das Virgens, no sangue dos Inocentes, na palavra dos Apóstolos e Profetas, no zelo dos Patriarcas, na lei dos Profetas e na infalibilidade dos Papas. Sim, é riquíssima!…


Desde os primórdios a existência humana é marcada pelo sofrimento, pela dor e pelo desejo de sempre se superar e ser mais. A busca de transcendência do homem é alimentada pelo discurso das religiões. Porém, percebemos um contraste entre o anúncio das religiões e a experiência histórica do ser humano: as religiões anunciam um Deus fiel e que não abandona o ser humano e que sempre é providente; mas a experiência histórica demonstra que, apesar de todo o esforço das religiões em defender a Deus, Deus abandonou o ser humano. Fome, peste e guerras sucessivas têm mostrado o quanto a vida humana é frágil, o quanto parece que Deus criou o mundo e o abandonou ao léu. O mesmo cenário negro que envolvia aquela sexta-feira santa envolve a humanidade; e o mesmo grito daquele justo que rompeu os céus continua a ser o grito dos excluídos de hoje que rompem os céus da existência e da angústia humana para clamar: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste”?[1] Essa experiência põe abaixo o discurso da teodicéia que pretendia defender a Deus através de raciocínios filosóficos. E põe por terra o discurso tradicional segundo o qual Deus não abandona o justo e provê todas as necessidades do mundo com a sua divina providência[2]. Mas, agora, se constata historicamente que o ser humano vive abandonado ao seu duro destino: nascer, crescer e morrer. Sua existência é como a flor que de manhã é bonita e vigorosa, mas à tarde murcha e morre.

Mas onde está Deus? Não é ele quem defende o pobre, o órfão e a viúva? Porque não veio quando se acendiam fogueiras para queimar aqueles que buscavam a verdade? Porque não veio quando uma parte da população mundial foi banida com as duas grandes guerras? Enfim, porque não vem hoje que milhões de pessoas passam fome, estão desempregadas, sem teto e sem terra para plantar, excluídas pelo próprio sistema religioso vigente? Como disse alguém: Se Deus não veio em Alchwits, não virá jamais! Então Deus não existe?

Tanto a negativa como a positiva seriam respostas muito simples para a questão. Por isso, penso que a reflexão deva ser conduzida por outro caminho. Esse fenômeno nos remonta a uma categoria bíblica muito profunda: o deserto. A humanidade passa por um período de abandono, de solidão, de esterilidade profundas que se parece mais com aqueles quarenta anos simbólicos do deserto de Israel.

O deserto é um fenômeno antropológico, antes de ser um local. E seu significado mais profundo é a realidade do encontro e do confronto com a própria natureza humana que leva a um conhecimento profundo de si mesmo e da realidade histórica. É um momento único que leva quem o atravessa a fazer a experiência da sua mais profunda identidade e dele depende a realização ou a frustração eterna de quem o atravessa.

Acredito que Deus esteja “afastado” da humanidade para que ela possa se encontrar. Esse deserto, sim, pode ser chamado de providência de Deus, pois se Deus faz tudo, o ser humano perde a sua identidade e autonomia. E de fato, a humanidade estava perdendo a sua identidade, pois responsabilizava a Deus pelas suas conquistas e pelas suas derrotas. Percorrendo esse caminho, ela jamais poderia chegar à maturidade a qual é chamada. Então Deus se esvazia, se esconde para que a humanidade se perceba como existência, como ser no mundo e responsável por ele. Agora ela precisa ter a coragem de olhar os seus erros e assumi-los sem culpar a ninguém, nem a si mesma nem a Deus. Agora ela precisa se assumir e assumir a responsabilidade pelo mundo e protegê-lo, não como algo à parte, mas como parte de seu próprio ser. Isso me faz pensar na reflexão do iluminismo que renovou o pensamento ocidental, convocando o ser humano a sair do seu estado de infantilidade, atingindo a maturidade, o uso pleno da razão. Ela não pode mais pensar com a cabeça dos outros, apenas obedecendo a sistemas prontos, mas deve ousar pensar, ser, amadurecer. Ainda é justo lembrar Nietzche quando anuncia a morte de Deus e o nascimento de um super-homem que pudesse ser o responsável pelo seu próprio caminho. É preciso concordar com ele quando diz que Deus morreu. De fato esse Deus, que é a justificação de sistemas injustos que colonizam, que excluem e que marginalizam deve morrer. Ele deve dar lugar àquele Deus desconhecido que é a fonte íntima e motivante do ser humano, a sua mais profunda razão de ser e de amar.

Essa kénosis divina reveste o ser humano de uma dignidade inigualável, pois o homem só pode encontrar Deus quando se encontra a si mesmo. De outra forma não poderia encontrá-lo, pois a sua morada é o coração humano. É no mais profundo segredo do coração, na última morada, que Deus se encontra, é lá que ele marcou um encontro profundo com a pessoa humana e, deste encontro depende a sua felicidade.

A oração de Jesus nos mostra essa realidade: “Pai nosso que estás no céu”[3]. Não naquele céu que a tradição sempre pregou como recompensa pela prática do bem. Mas aquele céu da existência humana, da realização da pessoa e das suas aspirações mais profundas. O céu que está dentro do coração de cada pessoa e de todas as pessoas.

A humanidade está vivendo o seu deserto em busca de uma terra prometida. Essa terra prometida é aquela categoria bíblica que revela a mais profunda aspiração de transcendência do ser humano, criado para o infinito. Essa categoria da terra prometida era a mais profunda inspiração para viver que impulsionava Abraão na sua caminhada. A humanidade, hoje, mais do que nunca, precisa de uma motivação profunda para viver. Mas, essa motivação não pode vir dos antigos esquemas religiosos que são excludentes ainda hoje. Ela só virá quando o ser humano se voltar para aquela experiência originária que faz de sua existência a sua razão maior de viver e de morrer.

É dentro desse quadro que se pode entender a atitude desse Deus que se esconde, se esvazia de si mesmo até doar-se a si mesmo à humanidade inteira como fonte de vida e de amor. É no deserto que ele falará ao mais íntimo do coração humano: Atrairei você ao deserto e lá te falarei ao coração[4]. Lá no deserto-céu do coração a sede do ser humano será preenchida por completo. E aí, a ressurreição acontecerá, não como categoria que nos tomará no fim da existência, mas como presença total da vida aqui e agora. Não um paraíso para após a morte num céu distante, alheio à nossa realidade, mas um paraíso aqui e agora, fonte e motivação maior para a vida que se completa na vida do outro. Um paraíso terrestre onde a justiça e a paz reinarão para sempre no coração e nos relacionamentos do ser humano.

Queremos concluir essa reflexão com o pensamento muito significativo de Angelus Silésius, ex-protestante do século XVII: Se o Paraíso não estiver em ti desde o início, acredita-me: nele jamais entrarás. Ò nobre espírito, rompe as tuas amarras, não te deixes aprisionar dessa maneira. Podes encontrar a Deus de modo mais magnífico que todos os santos. Morrerás para a eternidade se não floresceres aqui e agora[5].

[1] Mateus 27, 46
[2] Aqui é preciso fazer uma observação: A religião desde os primórdios tem consolado o ser humano com a esperança de bens futuros, caracterizado por uma promessa de consolação após a morte para os sofredores, excluídos e marginalizados. Essa mentalidade causou um enorme descompromisso com as exigências sociais, tais como a promoção dos menos favorecidos da sociedade. Essa mentalidade causou uma alienação tão acentuada que se chegou a dizer que o pobre era necessário para o mundo e que o próprio Deus defendia essa acentuada divisão de classes.
[3] Mateus 6, 9.
[4] Oséias 2, 16.
[5] Angelus Silésius, Pèlerin cherubinique, trad. Henri Plard, Aubier, in Jean Comby, Para ler a história da igreja II, Do século XV ao século XX. Ed. Loyola, São Paulo, 1994.


a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano, publicou esta importante Nota Doutrinal chamando a atenção para os desvios na evangelização, muitas vezes em discordância com o que ensina o Magistério da Igreja, por causa do forte relativismo religioso e moral que hoje atinge a Igreja. Negar o Evangelho e o Batismo aos povos não cristãos seria a maior traição do missionário a Cristo. Hoje, como mostra a Nota, há um perigo enorme de se querer deixar os nativos viverem sua própria vida religiosa, eivada de erros, maus costumes e superstições; ao invés de pregar-lhes a conversão a Jesus Cristo. Esquece-se que “debaixo do sol não nos foi dado outro Nome onde exista salvação” (At 4, 12). Apresentamos aqui um resumo das principais preocupações da Igreja. A Nota pode ser lida na íntegra no site do Vaticano: www.vatican.va


“1. Enviado pelo Pai a anunciar o Evangelho (cf. Mc 1, 14), Jesus Cristo convida todos os homens à conversão e à fé (cf. Mc 1, 14-15), confiando aos Apóstolos, depois da sua ressurreição, a continuação da sua missão evangelizadora (cf. Mt 28, 19-20; Mc 16, 15; Lc 24, 4-7; At 1, 3): «como o Pai me enviou também Eu vos envio» (Jo 20, 21; cf. 17, 18). Na verdade, através da Igreja, Ele quer atingir cada época da história, cada lugar da terra e cada âmbito da sociedade, chegar a cada pessoa, para que haja um só rebanho e um só pastor (cf. Jo 10, 16): «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo, mas quem não acreditar será condenado» (Mc 16, 15-16). Com efeito, os Apóstolos, «movidos pelo Espírito, convidavam todos a mudar de vida, a converter-se e a receber o Batismo»[1], porque a «Igreja peregrinante é necessária à salvação»[2]”.



“2. «Toda a pessoa tem o direito de ouvir a ‘boa nova’ de Deus que se revela e se dá em Cristo, para realizar plenamente a sua própria vocação»[5]”.



“3. Todavia, hoje verifica-se uma crescente confusão que induz muitos a deixar inaudível e inoperante o mandato missionário do Senhor (cf. Mt 28, 19). Muitas vezes pensa-se que toda a tentativa de convencer os outros em questões religiosas seja um limite posto à liberdade. Seria lícito somente expor as próprias idéias e convidar as pessoas a agir segundo a consciência, sem favorecer uma conversão a Cristo e à fé católica. Diz-se que basta ajudar os homens a serem mais homens ou mais fiéis à própria religião, que basta construir comunidades capazes de trabalhar pela justiça, a liberdade, a paz, a solidariedade. Além disso, alguns defendem que não se deveria anunciar Cristo a quem O não conhece, nem favorecer a adesão à Igreja, pois seria possível ser salvos mesmo sem um conhecimento explícito de Cristo e sem uma incorporação formal à Igreja.”



“4. Nada como a procura do bem e da verdade põe em jogo a liberdade humana, solicitando-a a uma adesão tal que compromete os aspectos fundamentais da vida. De modo particular é o caso da verdade salvífica, que não é só objeto do pensamento, mas algo que afeta toda a pessoa – inteligência, vontade, sentimentos, atividades e projetos – quando essa adere a Cristo.

Todavia, hoje formulam-se, com maior frequência, interrogações sobre a legitimidade de propor aos outros aquilo que é verdadeiro para si. Muitas vezes, tal proposta é vista como um atentado à liberdade dos outros. Esta visão da liberdade humana, desvinculada da sua referência inseparável da verdade, é uma das expressões «daquele relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa sozinho, como última medida, o próprio eu com as suas decisões, e sob a aparência da liberdade torna-se para cada um uma prisão» [9]. Nas diversas formas de agnosticismo e relativismo presentes no pensamento contemporâneo, «a legítima pluralidade de posições cedeu o lugar a um pluralismo indefinido, fundado no pressuposto de que todas as posições são equivalentes: trata-se de um dos sintomas mais difusos, no contexto atual, de desconfiança na verdade. E esta ressalva vale também para certas concepções de vida originárias do Oriente: é que negam à verdade o seu caráter exclusivo, ao partirem do pressuposto de que ela se manifesta de modo igual em doutrinas diversas ou mesmo contraditórias entre si» [10]”.



“O acolhimento da Revelação, que se realiza na fé, apesar de acontecer a um nível mais profundo, entra na dinâmica da busca da verdade: «a Deus que revela é devida a «obediência da fé» (Rom 16,26; cfr. Rom 1,5; 2 Cor 10, 5-6); pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus oferecendo “a Deus revelador o obséquio pleno da inteligência e da vontade” e prestando voluntário assentimento à sua revelação»[14]… Por isso, solicitar honestamente a inteligência e a liberdade de uma pessoa, no encontro com Cristo e o seu Evangelho, não é uma indevida intromissão nos seus confrontos, mas uma legítima oferta e um serviço que pode tornar mais fecundo as relações entre os homens”.





“7. Embora os não cristãos se possam salvar mediante a graça que Deus dá por “caminhos que só Ele sabe”[ 21], a Igreja não pode não ter conta do fato que a esses falta um grandíssimo bem neste mundo: conhecer o verdadeiro rosto de Deus e a amizade com Jesus Cristo, o Deus conosco. De fato, «não há nada mais belo do que ser alcançados, surpreendidos pelo Evangelho, por Cristo. Não há nada de mais belo do que conhecê-Lo e comunicar com os outros a Sua amizade»[22]. Para qualquer homem a revelação das verdades fundamentais[23] sobre Deus, sobre si mesmo e sobre o mundo são um grande bem; enquanto viver na obscuridade, sem a verdade acerca das questões últimas, é um mal, muitas vezes na origem de sofrimentos e de escravaturas dramáticas. Eis porque S. Paulo não hesita a descrever a conversão à fé cristã com uma libertação «do reino das trevas» e uma entrada «no reino do Filho predileto, no qual temos a redenção e remissão dos pecados» (Col 1, 13-14)… A Igreja quer tornar participantes destes bens todas as pessoas, para que tenham assim a plenitude da verdade e dos meios de salvação, «para entrar na liberdade dos filhos de Deus» (Rom 8, 21). O impulso originário da evangelização é o amor de Cristo pela salvação eterna dos homens. O espírito cristão foi sempre animado pela paixão de conduzir toda a humanidade a Cristo na Igreja. De fato, a incorporação de novos membros à Igreja não é a extensão de um grupo de poder, mas o ingresso na rede de amizade com Cristo, que liga o céu e a terra, continentes e épocas diversas. É a entrada no dom da comunhão com Cristo, que é «vida nova» animada pela caridade e pelo empenho pela justiça. A Igreja é instrumento - «gérmen e início»[27]- do Reino de Deus; não é uma utopia política. É já presença de Deus na história e traz em si também o verdadeiro futuro, aquele definitivo no qual Ele será «tudo em todos» (1 Cor 15, 28); uma presença necessária, pois só Deus pode trazer ao mundo verdadeira paz e justiça”.



“8. O Reino de Deus não é – como alguns hoje sustentam – uma realidade genérica que domina todas as experiências ou as tradições religiosas, e às quais deveriam tender como que a uma universal e indistinta comunhão todos aqueles que procuram Deus, mas é acima de tudo uma pessoa, que tem o rosto e o nome de Jesus de Nazaré, imagem do Deus invisível [28]. Por isso, qualquer apelo do coração humano para Deus e o seu Reino só pode conduzir, pela sua natureza, a Cristo e ser orientado à entrada na sua Igreja, que daquele Reino é sinal eficaz. A Igreja é, então, veículo da presença de Deus e instrumento de uma verdadeira humanização do homem e do mundo. O dilatar-se da Igreja na história, que constitui a finalidade da missão, é um serviço à presença de Deus mediante o seu Reino: de fato não se pode «desligar o Reino da Igreja» [29]”.



“10. Hoje, todavia, o anúncio missionário da Igreja é «posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de fato, mas também de iure (ou de princípio)»[30]. Há muito que se criou uma situação na qual, para muitos fiéis, não é clara a mesma razão de ser da evangelização [31]. Afirma-se mesmo que a pretensão de ter recebido em dom a plenitude da Revelação de Deus esconde uma atitude de intolerância e um perigo para a paz”.



“Compreende-se, então, a urgência do convite de Cristo para evangelizar e como a missão, confiada pelo Senhor aos apóstolos, se dirige a todos os batizados. As palavras de Jesus – «ide e ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes a observar tudo o que vos mandei» (Mt 28, 19-20) – interpelam a todos na Igreja, cada um segundo a sua vocação”.



13. Os relativismos e irenismos de hoje em âmbito religioso não são um motivo válido para descurar este trabalhoso mas fascinante compromisso, que pertence à própria natureza da Igreja e é «sua tarefa primária» [54].



O Sumo Pontífice Bento XVI, na Audiência concedida ao Cardeal Prefeito, no dia 6 de Outubro de 2007, aprovou a presente Nota doutrinal, decidida na Sessão Ordinária desta Congregação, e ordenou a sua publicação.



Dado em Roma, na sede da Congregação para a Doutrina da Fé, a 3 de Dezembro de 2007, memória litúrgica de S. Francisco Xavier, Padroeiro das Missões.


1 - Dogma da Maternidade Divina – é Mãe de Deus

§495 – Denominada nos Evangelhos “a Mãe de Jesus” (Jo 2,1; 19,25; Mt 13, 55), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como “a Mãe de meu Senhor” (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu do Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos, DS 251).

Maria – Predestinada a ser Mãe do Verbo encarnado

§488 – “Deus enviou Seu Filho” (Gl 4,4), mas para “formar-lhe um corpo” (Hb 10,5), quis a livre cooperação de uma criatura. Por isso, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galiléia, “uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria” (Lc 1,26-27):

“Quis o Pai das misericórdias que a Encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de seu Filho, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, uma mulher também contribuísse para a vida” (LG 56, 61).

Gen 3, 15 – “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”

S. Luiz de Montfort afirma: “Deus Pai ajuntou todas as águas e denominou-as mar; reuniu todas as graças e denominou-as Maria.

2 - Maria - Imaculada Conceição

§490 - Para ser a Mãe do Salvador , Maria “foi enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função” (LG 56). No momento da Anunciação o anjo Gabriel a saúda como “cheia de graça” (Lc 1,28).

§491 - Ao longo dos séculos a Igreja tomou consciência de que Maria, “cumulada de graça” por Deus (Lc 1,28 ), foi redimida desde a concepcão. É isto que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX:

“A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original” (DS 2803).

Os Padres da Tradição oriental chamam a Mãe de Deus “a toda santa” (“Pan-hagia”), celebram-na como “imune de toda mancha de pecado, tendo sido plasmada pelo Espírito Santo, e formada como uma nova criatura” (LG 53). Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida.

3 – Dogma da Virgindade Perpétua

496 – Desde as primeiras formulações da fé (DS 10-64), a Igreja confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, afirmando também o aspecto corporal deste evento: Jesus foi concebido “do Espírito Santo, sem sêmen” (Conc. de Latrão, DS 503). Os padres vêem na conceição virginal o sinal (Is 7,14) de que foi verdadeiramente o Filho de Deus que veio numa humanidade como a nossa:

Sto. Inácio de Antioquia (†107): “Estais firmemente convencidos acerca de Nosso Senhor, que é verdadeiramente da raça de Davi segundo a carne (Rm 1,3), Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus (Jo 1, 3), verdadeiramente nascido de uma virgem... ele foi verdadeiramente pregado, na sua carne, [à cruz] por nossa salvação sob Pôncio Pilatos... ele sofreu verdadeiramente, como também ressuscitou verdadeiramente (Carta aos erminenses I-II)”.

“O que foi gerado nela vem do Espírito Santo”, diz o anjo a José acerca de Maria, sua noiva (Mt 1,20). A Igreja vê aí o cumprimento da promessa divina dada pelo profeta Isaías: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho” (Is 7,14, segundo a tradução grega de Mt 1,23).

“O príncipe deste mundo ignorou a virgindade de Maria e o seu parto, da mesma forma que a Morte do Senhor: três mistérios proeminentes que se realizaram no silêncio de Deus” (S. Inácio de Antioquia, Ad Eph. 19,1)

§499 – O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria (DS 427), mesmo no parto do Filho de Deus feito homem (DS 291;294; 442; 503;571; 1880). Com efeito, o nascimento de Cristo “não lhe diminuiu, mas sagrou a integridade virginal” de sua mãe (LG 57). A Liturgia da Igreja celebra Maria como a “Aeiparthenos” “sempre virgem” (LG 52).

Santo Agostinho: “Maria permaneceu Virgem concebendo seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao amamentá-lo de seu seio, Virgem sempre” ( Serm.,186,1: PL 38, 999).

§500 – A isto objeta-se por vezes que a Escritura meninos irmãos e irmãs de Jesus (Mc 3, 31-35; 6,31; 1 Cor 9,5; Gl 1,19). A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria: com efeito, Tiago e José, “irmãos de Jesus” (Mt 13,55), são os filhos de uma Maria (de Cléofas) discípula de Cristo (Mt 27, 56) que significativamente é designada como “a outra Maria” (Mt 28,1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento (Gn 13,8; 14,16; 29,15, etc.).

§503 – A virgindade de Maria manifesta a iniciativa absoluta de Deus na Encarnação. Jesus tem um só Pai: Deus (Lc 2, 48-49).

Maria respondeu com a “obediência da fé” (Rm 1,5 ), certa que “nada é impossível a Deus”: “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc 1,37-38 ).

S. Ireneu, “obedecendo, se fez causa de salvação, tanto para si quanto para todo o gênero humano” (Adv. haer. 3, 22,4).

“O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade, a virgem Maria desligou pela fé” (idem). Comparando Maria com Eva chamam-na de “mãe dos viventes”; e com frequência afirmam: “veio a morte por Eva e a vida por Maria” (LG 56).

4 – Dogma da Assunção ao Céu

§974 – Depois de encerrar o curso de sua vida terrestre, a Santíssima Virgem Maria foi elevada em corpo e alma à glória do Céu, onde já participa da glória da ressurreição do seu Filho, antecipando a ressurreição de todos os membros de seu corpo.

§966 - “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E, para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo” (LG 59; Pio XII, proclamação do dogma da Assunção, em 1950).

A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos:

“Em vosso parto, guardaste a virgindade, na vossa dormição não deixastes o mundo, ó mãe de Deus: fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que concebestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis as nossas almas da morte” (Liturgia bizantina, Tropário da festa da Dormição).

5 - Maria - Mãe na ordem da graça

§968 - “De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça” (LG 61).

§969 - “Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas por sua múltlipa intercessão prossegue em granjear-nos os dons da salvação eterna. (...) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira” (LG 62).

6 - Maria - medianeira das graças

§970 - “A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurecem nem diminuiu a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (...) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, estriba-se na sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a sua força” (LG 60).

“Com efeito, nenhum criatura jamais pode ser colocada no mesmo plano que o Verbo encarnado e Redentor. Mas da mesma forma que o sacerdócio de Cristo é participado de vários modos seja pelos ministros seja pelo povo fiel, e da mesma forma que a indivisa bondade de Deus é realmente difundida das criaturas de modos diversos, assim também a única mediação do Redentor não exclui, senão que antes suscita nas criaturas uma variegada cooperação que participa de uma única fonte” (LG 62).

“Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu sua função materna em relação aos membros de Cristo” (Credo do Povo de Deus, Paulo VI, 15)

Santo Afonso de Ligório :
“Deus quer que pelas mãos de Maria nos cheguem todas as graças... A ninguém isso pareça contrário à sã teologia. Pois Santo Agostinho, autor dessa proposição, estabelece como sentença, geralmente aceita, que Maria tem cooperado por sua caridade para o nascimento espiritual de todos os membros da Igreja” (GM, p. 15).

São Bernardo :
“Tal é a vontade de Deus que quis que tenhamos tudo por Maria. Se, portanto, temos alguma esperança, alguma graça, algum dom salutar, saibamos que isto nos vem por suas mãos”.

“Eras indigno de receber as graças divinas: por isso foram dadas a Maria a fim de que por ela recebesses tudo o que terias” (idem).

São Bernardino de Sena:
“Todos os dons virtudes e graças do Espírito Santo são distribuídos pelas mãos de Maria, a quem ela quer, quando quer, como quer, e quanto quer” (Tvd, p. 137).

Santo Efrém, († 373):
“Minha Santíssima Senhora, Santa Mãe de Deus, cheia de graças e favores divinos, Distribuidora de todos os bens! Vós sois, depois da Santíssima Trindade, a Soberana de todos; depois do Medianeiro, a Medianeira do Universo, Ponte do mundo inteiro para o céu. Olhai benigna para minha fé e meu desejo que me foram inspirados por Deus” (VtMM, p. 97).

São Boaventura (1218-1274), bispo e doutor da Igreja:
“Deus depositou a plenitude de todo o bem em Maria, para que nisto conhecêssemos que tudo que temos de esperança, graça e salvação, dela deriva até nós” (VtMM, p. 101).

Santo Alberto Magno:
“É anunciada à Santíssima Virgem tal plenitude de graça, que se tornou por isso a fonte e o canal de transmissão de toda a graça a todo o gênero humano” (idem).

São Pedro Canísio (1521-1597), doutor da Igreja:
“O Filho atenderá Sua Mãe e o eterno Pai ouvirá Seu próprio Filho: eis o fundamento de toda nossa esperança” (idem).

São Roberto Belarmino (1542-1621), bispo e doutor da Igreja:
“Todos os dons, todas as graças espirituais que por Cristo, como cabeça, descem para o corpo, passam por Maria que é como o colo desse corpo místico” (VtMM, p. 102).

São Luiz Monfort:

“Reconhecemo-nos indignos e incapazes de, por nós mesmos, aproximar-nos de Sua Majestade infinita; e por isso servimo-nos da intercessão da Santíssima Virgem. Além disso é uma prática de grande humildade, virtude que Deus ama acima de todas as outras.

7 - Maria – Mãe da Igreja

§964 - “A bem-aventurada Virgem avançou na sua peregrinação de fé, manteve fielmente sua união com seu Filho até à cruz, onde esteve presente não sem desígnio divino, sofreu intensamente junto com seu unigênito. E com ânimo materno se associou ao seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima por ela gerada. Finalmente, pelo próprio Jesus moribundo na cruz foi dada como mãe ao discípulo com estas palavras: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26-27)” (LG 58).

8 - Maria – seu Culto na Igreja

§971 - “Todas as gerações me chamarão bem aventurada”(Lc 1,48). “A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão” (MC 56).

A Santíssima Virgem “é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja [hiper dulia]. Com efeito, desde os remotíssimos tempos a bem aventurada Virgem é venerada sob o título de ‘Mãe de Deus’ sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades. (...) Este culto (...)embora seja inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encarnado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas favorece poderosamente” (LG 66) este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus (SC 103) e na oração mariana, tal como o Santo Rosário, resumo de todo o Evangelho” (MC 42).

Coroa de Glórias da Virgem Maria – S. Luiz de Montfort

Credo, Pai Nosso
1 – Imaculada Conceição
2 – Virgem Perpétua
3 – Mãe de Deus
4 – Filha Predileta do Pai

Pai Nosso
5 – Esposa do Espírito Santo
6 – A mais humilde a quem Jesus se submeteu
7 – Esmaga a cabeça da Serpente
8 – Medianeira de todas as graças

Pai Nosso
9- Aos pés da Cruz; mãe da Igreja
10 – Assunta ao Céu
11 – Coroada no Céu como Rainha
12 – Por todas as honras e glórias mais numerosas que as estrelas


Do Livro: "A VIRGEM MARIA" - 58 CATEQUESES DO PAPA JOÃO PAULO II

No seu desígnio salvífico Deus quis que o Filho unigênito nascesse de uma Virgem. Tal decisão divina postula uma relação profunda entre a Virgindade de Maria e a Encarnação do Verbo. "O olhar da fé pode descobrir, tendo em mente o conjunto da Revelação, as razões misteriosas pelas quais Deus, no seu desígnio salvífico quis que seu Filho nascesse de uma Virgem. Estas razões tocam tanto a pessoa e a missão redentora de Cristo quanto o acolhimento desta missão por Maria em favor de todos os homens" (Catecismo da Igreja Católica, n. 502).

A concepção virginal, excluindo uma paternidade humana, afirma que o único pai de Jesus é o Pai celeste e que na geração temporal do Filho se reflete a geração eterna: o Pai, que tinha gerado o Filho na eternidade, gera-O também no tempo como homem.

A narração da Anunciação põe em relevo o estado de "Filho de Deus", apôs a intervenção divina na concepção. "O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra. Por isso mesmo é que o Santo que vai nascer há de chamar-Se Filho de Deus" (Lc. 1,35). Aquele que nasce de Maria é já, em virtude da geração eterna, Filho de Deus; a sua geração virginal, operada por intervenção do Altíssimo, manifesta que, também na sua humanidade, Ele é o Filho de Deus.

A revelação da geração eterna na geração virginal é sugerida também pelas expressões contidas no Prólogo do Evangelho de João, que põem em relação a manifestação do Deus invisível, por obra do "unigênito que esta no seio do Pai" (1,18), com a sua vinda na carne: "E o Verbo fez-Se Homem e habitou entre nós, e nós vimos a Sua glória, glória que Lhe vem do Pai, como Filho único cheio de graça e de verdade" (1,14). Narrando a geração de Jesus, Lucas e Mateus afirmam também o papel do Espírito Santo. Este não é o pai do Menino: Jesus é Filho unicamente do eterno Pai (cf. lc. 1,32.35) que, por meio do Espírito, opera no mundo e gera o Verbo na natureza humana.

Com efeito, na Anunciação o anjo chama ao Espírito "força do Altíssimo" (Lc. 1,35), em sintonia com o Antigo Testamento que o apresenta como a divina energia operante na existência humana, tornando-a capaz de ações maravilhosas. Ao manifestar-se no grau supremo no mistério da Encarnação, esta força, que na vida trinitária de Deus é Amor, tem a tarefa de dar o Verbo Encarnado à humanidade.

3. O Espírito Santo, em particular, é a Pessoa que comunica as riquezas divinas aos homens e lhes participa a vida de Deus. Ele, que no mistério trinitário é a unidade do Pai e do Filho, operando a geração virginal de Jesus, une a humanidade a Deus. O mistério da Encarnação põe em evidência também a incomparável grandeza da maternidade virginal de Maria: a concepção de Jesus é fruto da sua generosa cooperação na ação do Espírito de Amor, fonte de toda a fecundidade. No plano divino da salvação, a concepção virginal é, portanto, anúncio da nova criação: por obra do Espírito Santo, em Maria é gerado Aquele que será o homem novo. Como afirma o Catecismo da Igreja Católica, "Jesus é concebido pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, pois Ele é o Novo Adão que inaugura a nova criação" (n. 504). No mistério dessa nova criação resplandece o papel da maternidade virginal de Maria. Chamando a Cristo "Primogênito da Virgem" (Adv. Haer. 3, 16, 4), Santo Ireneu recorda que, depois de Jesus, muitos outros nascem da Virgem, no sentido que recebem a vida nova de Cristo.

"Jesus é o Filho Único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: 'Ela engendrou seu Filho, do qual Deus Se fez o Primogênito entre uma multidão de irmãos' (Rom. 8,29), isto é, entre os fiéis, em cujo nascimento e educação Ela coopera com amor materno (LG, 63)" (Catecismo da Igreja Católica, n. 501).

4. A comunicação da vida nova é transmissão da filiação divina. Podemos aqui recordar a perspectiva aberta por João no Prólogo do seu Evangelho: Aquele que por Deus foi gerado dá aos crentes o poder de se tornarem Filhos de Deus (cf Jo. 1, 11-12). A geração virginal consente a extensão da paternidade divina: os homens tornam-se filhos adotivos de Deus, n’Aquele que é Filho da Virgem e do Pai. A contemplação do mistério da geração virginal faz-nos então intuir que Deus escolheu para o seu Filho uma Mãe Virgem, a fim de oferecer de modo mais amplo à humanidade o seu amor de Pai.

L´Osservatore Romano, n.31, 03/08/1996, pag. 8(372)

Na coletoria de impostos, Mateus se levantou e seguiu Jesus. Para que você entenda melhor, o Senhor viu um homem nesse local [coletoria de impostos] e o chamou, assim como está no Evangelho de São Mateus 9, 9-13.


'Os homens vêem as aparências, mas Deus vê o coração'
O povo de Deus estava sob o jugo do Império Romano. Eles realmente cobravam pesados impostos e tinham consciência de que não poderiam ser dominados por um povo pagão. Os romanos, por essa razão, foram muitos espertos. Por isso os cobradores de impostos eram odiados pelo povo. Pelo fato de serem odiados isso causava polêmica na época, pois violência gera violência; injustiça gera injustiça. Os romanos mais espertos cobravam na proporção que eles recebiam e 10% de tudo que era arrecadado era para eles. Por isso eram tão duros e corruptos.

Mateus, que é o autor de um dos Evangelhos, ao nos contar o que aconteceu em sua vida nos dá um testemunho de fé e amor por Jesus. É o que nós chamamos de conversão, que é uma transformação de vida. Deus ama você e Jesus pessoalmente o ama gratuitamente, não pelas coisas que você faz, Ele o amou antes de você existir. Não é por mérito, mas por Ele ser amor. Tudo com amor. Apesar de todas as “burradas” de sua vida, Ele nunca deixou de amar você. Jesus tem um interesse especial por mim e por você. Diga a você mesmo: “Jesus me ama!”, convicto, mesmo nos erros de sua vida, pois Ele o ama gratuitamente. Hoje o Senhor também está dizendo a você: “Segue-me!”

Na verdade, esse convite não é para você ser padre, religioso ou religiosa; é certo que no nosso meio há pessoas vocacionadas a isso, mas Ele o está chamando, assim como fez com Mateus.

Era costume, naquela época, que o mestre fosse à frente e os discípulos o seguiam em fila indiana, um atrás do outro. Se estavam andando na rua, já sabiam que quem estava à frente era o mestre.

“Segue-me” é o que Ele lhe fala de perto: “Venha estar bem próximo a Mim”. Não queira mais ir pelos caminhos por onde andou, mesmo que você tenha medo de segui-Lo. Porque muitas vezes quando lemos e escutamos essas palavras nos dá arrepio e medo, mas o próprio Jesus está lhe dizendo: “Segue-me”. O restante Ele fará.

Cristo não olha para a sua situação, mas olha para o amor d'Ele dizendo “segue-me”. Parece até uma irresponsabilidade quando nos fala isso, mas assim como acontece com Mateus, que larga tudo e O segue, é o Senhor que está lhe dizendo: “Siga-me”.

Se sua vida estiver estragada e escangalhada, mesmo assim Jesus o chama e não é difícil segui-Lo. Vai ser uma luta, mas isso não será impossível. Somente exigirá muita constância e lutas interiores. Existem muitos “jovens PHN” que decidiram seguir o Senhor, e assim como Jesus chamou o apóstolo que era cobrador de impostos, agora é a sua vez.

É o próprio Jesus que está lhe dizendo “segue-me”.

É o momento de retomar para valer o caminho de volta para Jesus Cristo! O mundo de hoje não vive isso. No entanto, isso é que é o valioso: não ser uma “Maria vai com as outras”! Você decide e vai com Jesus!

Muitos dizem que devemos deixar os jovens experimentarem a vida, mas não nos enganemos, pois Jesus passa uma, dez, cem e até mil vezes, mas uma delas pode ser a última. Não por Ele desistir de você, mas por você não querer mais segui-Lo por alguma circunstância. Há muitos jovens morrendo e morrendo muito cedo. O mundo está traiçoeiro e os envolve, embora Jesus os chame, muitos já estão envolvidos por ele [mundo]. Agora é o tempo favorável e hoje é o dia da salvação: Jesus está chamando você.

Está tudo certo e tudo bem, mas por quê? Porque Jesus o ama e foi até a cruz e morreu por sua causa! E morreria por você outra vez se preciso fosse. Não foi qualquer morte, mas foi na cruz e com todos os sofrimentos. Assim como a música que diz: “Ninguém te ama como eu, olhe pra cruz foi por ti porque te amo”, ninguém o amará como Jesus.

Entre nesta luta! Para esta conquista, para ser um vencedor! Jesus quer fazer de você um vencedor, uma lutadora, uma vencedora. Louvado seja Deus! Com Jesus, sou lutador e vou ser lutador porque ninguém me ama como Ele! Com Ele já sou vitorioso, já sou vencedor porque o Senhor morreu por mim e ninguém me ama e nem me amará mais do que Ele. Eu entro hoje neste campo, nesta batalha. Repitam: sou seguidor de Jesus! Sou seguidora de Jesus e vou caminhar com Ele dia a dia na minha vida.

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova


Pergunta — No Juízo Final, nossos pensamentos serão expostos a todos? Se cometemos um pecado contra a castidade, consentindo em um pensamento impuro, mas nos arrependemos e fomos perdoados, e dele nos purificamos no Purgatório, mesmo assim esse pecado será exposto ao mundo todo? Se a confissão é secreta e individual, por que então os pecados seriam revelados no Juízo Final? Não me parece fazer sentido. No santo ritual da Confissão, não se deve nem sequer descrever minuciosamente os pecados cometidos contra a virtude da castidade. Por gentileza, me auxilie a compreender.

Resposta — O Juízo Final é realmente um dia tremendo, como diz o responsório que se rezava ao fim da Missa de Defuntos (em latim, naturalmente): “Libera me, Domine, de morte aeterna, in die illa tremenda; […] dum veneris judicare saeculum per ignem”.

Traduzamos para o leitor, desabituado do latim depois de 40 anos sem uso na Liturgia católica, e que só recentemente vem sendo retomado em algumas igrejas privilegiadas:

— Livrai-me, Senhor, da morte eterna, naquele dia tremendo; quando os céus e a terra forem abalados: quando vierdes a julgar o mundo pelo fogo.

— Eu tremo e estou atemorizado, pensando no dia do juízo e da ira [de Deus]. Quando os céus e a Terra forem abalados.

— Dia de ira, aquele dia de calamidade e de miséria, grande dia cheio de amargura. Quando vierdes a julgar o mundo pelo fogo.

Portanto, para todos os homens, bons e maus, o dia do Juízo Final será um “dia de ira, aquele dia de calamidade e de miséria, grande dia cheio de amargura”. Porém, não o será igualmente para bons e maus, e aqui começa a grande diferença!

Antes do Juízo Final, o juízo particular

Juízo Final – Fra Angélico, séc. XV. Museu de São Marcos, Florença, Itália.
O Juízo Final é necessário, pelas razões que veremos em seguida. Mas, na verdade, antes dele cada homem terá passado por um juízo particular, logo depois da morte. Poucos cristãos têm isso presente quando comparecem a um velório e vêem o defunto estendido na câmara mortuária; mas ali está um homem que já foi julgado por Deus e recebeu sua sentença definitiva: Céu ou Inferno!

Se aquele homem ou mulher morreu na graça de Deus, está destinado ao Céu. Pode ser que, embora tenha morrido em estado de graça, não tenha pago suficientemente por todos os pecados cometidos; neste caso, passará antes pelo Purgatório, para satisfazer completamente a Justiça divina até ser purificado da mais leve mancha de pecado. Depois disto sua alma será levada ao Céu, ali aguardando a ressurreição geral dos corpos, quando então se unirá ao seu corpo restaurado para nunca mais morrer. Será nestas condições que ele se apresentará diante de Nosso Senhor Jesus Cristo no dia do Juízo Final, portanto certo de sua absolvição pelo Divino Juiz.

Quanto aos maus, que morreram em pecado mortal, suas almas serão enviadas ao Inferno imediatamente após a morte, e também lá ficarão aguardando a ressurreição geral dos corpos, para se unirem aos seus corpos tenebrosos e receberem diante de toda a humanidade a confirmação da sentença terrível exarada no juízo particular.

Portanto, bons e maus não entram no grande anfiteatro do Juízo Final nas mesmas condições: uns já sabem que se salvaram, e portanto estão tranqüilos e felizes; e outros já têm conhecimento de que se condenaram, e portanto estão desesperados e aterrorizados.

Estes últimos, para sua vergonha, terão os seus pecados, mesmo os mais ocultos, desvendados aos olhos de todo o mundo, que assim verá como Deus foi justo ao condená-los.

E os pecados dos bons, também serão exibidos? É a perplexidade do consulente.

Sobre a necessidade do Juízo Final

Poucos cristãos têm presente, quando comparecem a um velório e vêem o defunto estendido na câmara mortuária, que ali está um homem que já foi julgado por Deus e recebeu sua sentença definitiva — Céu ou Inferno!
Uma pergunta óbvia, ao se tratar do Juízo Final, é sobre a necessidade dele. Pois, se logo após a morte a alma é julgada por um juízo particular, e seu destino eterno já está selado, nada mudará com o Juízo Final. Qual, pois, sua razão de ser?

O Juízo Final –– ou Juízo Universal, como também é chamado –– é o grande ajuste de contas dos homens com Deus, como também dos homens entre si.

Comecemos por este último, apesar de ser menos importante. Menos importante, aliás, não quer dizer desimportante. Mesmo porque Jesus Cristo deu a ele grande importância.

Com efeito, quando São Lucas introduz a questão da revelação dos pecados ocultos (cap. 12, 1-2), é justamente a propósito dos grandes hipócritas do tempo de Jesus, que eram os fariseus: “Começou Ele [Jesus] a dizer aos seus discípulos: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Porque nada há de oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não venha a saber-se”.

Importa pois que, no dia do Juízo Final, todos aqueles que quiseram passar por virtuosos aos olhos dos homens, mas estavam cheios de pecados ocultos, sejam publicamente desmascarados.

Ampliando esse quadro, vemos quantas pessoas são caluniadas ou injustiçadas — em qualquer campo que se considere: moral, familiar, social, político, cultural, artístico, científico, técnico, laboral, etc. — e conseqüentemente menosprezadas ou preteridas em favor de outras francamente incompetentes, oportunistas ou desonestas. É preciso que a justiça seja feita aos olhos de toda a humanidade. É esse grande ajuste de contas, em nível particular, que o Juízo Final propiciará.

Pode entretanto acontecer que alguns –– ou muitos –– que praticaram injustiças tenham depois se arrependido e salvado sua alma. É claro que a injustiça praticada por essas pessoas também deve ser manifestada no Juízo Final, para reparar a honra dos lesados.

O fato de que, no sacramento da Confissão, se garanta o segredo absoluto sobre os pecados confessados, é uma condição necessária da vida nesta Terra: todo convívio humano se tornaria insuportável se cada um ficasse sabendo dos pecados ocultos dos outros. Porém, no dia do Juízo, essa necessidade cessa, pois o convívio a partir de então será na morada celeste, em condições totalmente outras.

Ademais, no Juízo se revelará também a seriedade da contrição e o rigor da penitência com que cada um lavou seus pecados. O que lhe servirá de louvor. Não é este um mérito pequeno. Pelo contrário, é altamente valioso aos olhos divinos ter alguém a coragem de olhar de frente os próprios defeitos e corrigi-los. Arrancar de si um defeito dói mais do que arrancar um braço, e só se consegue com um auxílio especial da graça, a qual Deus não nega a quem lhe pede. Assim, o mérito da penitência cobre o demérito do pecado; e onde abundou o delito, superabundou a graça, como disse São Paulo (Rom, 5, 20).

No fim das contas, a revelação de nossos pecados ocultos, no dia do Juízo Final, não resulta em opróbrio, mas em motivo de ação de graças a Deus, que desse modo triunfou em nossas almas, e em reconhecimento do mérito havido no arrependimento.

Porém, o Juízo Final não se restringe ao acerto de contas entre os indivíduos e destes com Deus. Nele serão julgadas também as famílias, as sociedades de várias ordens, os povos e as nações. Nele, como diz o Catecismo da Igreja Católica, Jesus Cristo “pronunciará sua palavra definitiva sobre toda a história da humanidade” (nº 1040). Será uma grande aula de História.

Não é, pois, sem propósito que a eleição dos papas se faça na Capela Sistina, sob o teto decorado com o célebre afresco de Michelangelo sobre o Juízo Final. O que ali se decide, de cada vez, é o rumo que tomará a Santa Igreja, cuja barca arrasta atrás de si a História de toda a humanidade!
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CORRIGENDA

Na matéria desta coluna de novembro de 2008, a carta do ano de 1615 em que Galileu professa a doutrina católica tradicional sobre a exegese das Sagradas Escrituras foi dirigida efetivamente à Grã-Duquesa da Toscana, Cristina de Lorena (1589-1637), e não à Rainha Cristina da Suécia (1626-1689), como por engano foi afirmado.


A festa da Apresentação celebra uma chegada e um encontro; a chegada do Salvador esperado, núcleo da vida religiosa do povo, e as boas-vindas concedida a ele por dois representantes dignos da raça eleita, Simeão e Ana. Por sua proveta idade, estes dois personagens simbolizam os séculos de espera e de fervoroso anseio dos homens e mulheres devotos da antiga aliança. Na realidade, representam a esperança e o anseio da raça humana.

Ao reviver este mistério na fé, a Igreja dá novamente as boas-vindas a Cristo. Esse é o verdadeiro sentido da festa. É a "Festa do Encontro", o encontro de Cristo e sua Igreja. Isto vale para qualquer celebração litúrgica, mas especialmente para esta festa. A liturgia nos convida a dar as boas-vindas a Cristo e a sua mãe, como o fez seu próprio povo de então: "Ó Sião, enfeita teu quarto nupcial e dá boas-vindas a Cristo Rei; abraça a Maria, porque ela é a verdadeira porta do céu e traz o glorioso Rei da luz nova"2.

Ao dramatizar desta maneira a lembrança deste encontro de Cristo com Simeão, a Igreja nos pede que professemos publicamente nossa fé na Luz do mundo, luz de revelação para todo povo e pessoa.

Na belíssima introdução à benção das velas e a procissão, o celebrante lembra como Simeão e Ana, guiados pelo Espírito, vieram ao templo e reconheceram a Cristo como seu Senhor. E conclui com o seguinte convite: "Unidos pelo Espírito, vamos agora à casa de Deus dar as boas-vindas a Cristo, o Senhor. O reconheceremos na fração do pão até que venha novamente em sua glória".

Refere-se claramente ao encontro sacramental, ao que a procissão serve de prelúdio. Respondemos ao convite: "Vamos em paz ao encontro do Senhor"; e sabemos que este encontro será na eucaristia, na palavra e no sacramento Entramos em contato com Cristo através da liturgia; por ela temos também acesso a sua graça. Santo Ambrósio escreve deste encontro sacramental em uma página insuperável: "Te revelaste face a face, ó Cristo. Em teus sacramentos te encontro".

Função de Maria. A festa da apresentação é, como dissemos, uma festa de Cristo antes do que qualquer outra coisa. É um mistério de salvação. O nome "apresentação" tem um conteúdo muito rico. Fala de oferecimento, sacrifício. Recorda a auto-oblação inicial de Cristo, palavra encarnada, quando entrou no mundo: “Eis-me aqui para fazer tua vontade". Aponta à vida de sacrifício e à perfeição final dessa auto-oblação na colina do Calvário.

Dito isto; temos que passar a considerar o papel de Maria neste acontecimentos salvíficos. Depois de tudo, ela é a que apresenta a Jesus no templo; ou, mais corretamente, ela e seu esposo José, pois ambos pais são mencionados. E perguntamos: Tratava-se exclusivamente de cumprir o ritual prescrito, uma formalidade praticada por muitos outros pais? Ou guardava uma significação muito mais profunda que tudo isto? Os padres da Igreja e a tradição cristã respondem que sim.

Para Maria, a apresentação e oferenda de seu filho no templo não era um simples gesto ritual. Indubitavelmente, ela não era consciente de todas as implicações nem da significação profética deste ato. Ela não contemplar todas as conseqüências de seu fiat na anunciação. Mas foi um ato de oferecimento verdadeiro e consciente. Significava que ela oferecia seu filho para a obra da redenção com a que ele estava comprometido desde o princípio. Ela renunciava a seus direitos maternais e a toda pretensão sobre ele; e o oferecia à vontade do Pai. São Bernardo expressou muito bem isto: "Oferece teu filho, santa Virgem, e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre. Oferece, para reconciliação de todos nós, a santa Vítima que é agradável a Deus'3.

Há um novo simbolismo no fato de que Maria coloca a seu filho nos braços de Simeão. Ao agir desta maneira, ela não o oferece exclusivamente ao Pai, mas também ao mundo, representado por aquele ancião. Dessa maneira, ela representa seu papel de mãe da humanidade, e nos lembra que o dom da vida em através de Maria.

Existe uma conexão entre este oferecimento e o que acontecerá no Gólgota quando serão executadas todas as implicações do ato inicial de obediência de Maria: "Faça-se em mim segundo tua palavra". Por essa ração, o evangelho desta festa carregada de alegria não nos exime da nota profética: "Eis que este menino está destinado para a queda e ressurgimento de muitos em Israel; será sinal de contradição, e uma espada atravessará tua alma, para que sejam descobertos os pensamentos de muitos corações" (Lc 2,34-35).

O encontro futuro. A festa de hoje não se limita a nos permitir reviver um acontecimento passado, mas nos projeta para o futuro. Prefigura nosso encontro final com Cristo em sua segunda vinda. São Sofrônio, patriarca de Jerusalém desde o ano de 634 até sua morte, em 638, expressou isto com eloqüência: "Por isso vamos em procissão com velas em nossas mãos e nos apressamos carregando luzes; queremos demonstrar que a luz brilhou para nós e significar a glória que deve chegar através dele. Por isso vamos juntos ao encontro com Deus".

A procissão representa a peregrinação da própria vida. O povo peregrino de Deus caminha penosamente através deste mundo do tempo, guiado pela luz de Cristo e sustentado pela esperanças de encontrar finalmente ao Senhor da glória em seu reino eterno. O sacerdote diz na benção das velas: "Que quem as levas para enaltecer tua glória caminhemos no caminho de bondade e vamos à luz que brilha para sempre".

A vela que levamos em nossas mão lembra a vela de nosso batismo. E o sacerdote diz: " guardem a chama da fé viva em seus corações. Que quando o Senhor vier saiam a seu encontro com todos os santos no reino celestial". Este será o encontro final, a apresentação , quando a luz da fé se converter na luz da glória. Então será a consumação de nosso mais profundo desejo, a graça que pedimos na pós-comunhão da missa:

Por estes sacramentos que recebemos, enche-nos com tua graça, Senhor, tu que encheste plenamente a esperança de Simeão; e assim como não o deixaste morrer sem ter segurando Cristo nos braços, concede a nós, que caminhamos ao encontro do Senhor, merecer o prêmio da vida eterna.

A cena da apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém apresenta uma catequese bem amadurecida e bem refletida, que procura dizer quem é Jesus e qual a sua missão no mundo. Antes de mais, o autor sublinha repetidamente a fidelidade da família de Jesus à Lei do Senhor, como se quisesse deixar claro que Jesus, desde o início da sua caminhada entre os homens, viveu na escrupulosa fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Desde o início da sua existência terrena, Ele entregou a sua vida nas mãos do Pai, numa adesão absoluta ao plano do Pai. A missão de Jesus no mundo passa por aí – pelo cumprimento rigoroso da vontade e do projeto do Pai.

Portanto, Jesus foi apresentado no Templo. Aí, duas personagens O acolhem: Simeão e Ana. Eles representam esse Israel fiel que espera ansiosamente a sua libertação e a restauração do reinado de Deus sobre o seu Povo. De Simeão diz-se que era um homem “justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel”.

As palavras e os gestos de Simeão são particularmente sugestivos… Simeão toma Jesus nos braços e apresenta-O ao mundo, definindo-O como “a salvação” que Deus quer oferecer “a todos os povos”, “luz para se revelar às nações e glória de Israel”. Jesus é, assim, reconhecido pelo Israel fiel como esse Messias libertador e salvador, a quem Deus enviou – não só ao seu povo, mas a todos os povos da terra. Aqui desponta um tema muito querido a Lucas: o da universalidade da salvação de Deus… Deus não tem já um Povo eleito, mas a sua salvação é para todos os povos, independentemente da sua raça, da sua cultura, das suas fronteiras, dos seus esquemas religiosos. As palavras que Simeão dirige a Maria: “este menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; e uma espada trespassará a tua alma”. Estas palavras aludem, provavelmente, à divisão que a proposta de Jesus provocará em Israel e ao resultado dessa divisão – o drama da cruz.

Ana é também uma figura do Israel pobre e sofredor (“viúva”), que se manteve fiel a Deus, não se voltou a casar, após a morte do marido, que espera a salvação de Deus. Depois de reconhecer em Jesus a salvação anunciada por Deus, ela “falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém”. A palavra utilizada por Lucas para falar de libertação é a palavra resgate, utilizada no Êxodo para falar da libertação da escravidão do Egito (cf. Ex 13,13-15; 34,20; Nm 18,15-16). Jesus é, assim, apresentado por Lucas como o Messias libertador, que vai conduzir o seu Povo do domínio da escravidão para o domínio da liberdade. A apresentação no Templo de um primogênito celebrava precisamente a libertação do Egito e a passagem da escravidão para a liberdade.

O texto termina com uma referência ao resto da infância de Jesus e ao crescimento do menino em “sabedoria” e “graça”. Trata-se de atributos que lhe vêm do Pai e que atestam, portanto, a sua divindade. Em conclusão: Jesus é o Deus que vem ao encontro dos homens com uma missão que lhe foi confiada pelo Pai. O objetivo de Jesus é cumprir integralmente o projeto do Pai… E esse projeto passa por levar os homens da escravidão para a liberdade e em apresentar a proposta de salvação de Deus a todos os povos da terra, mesmo àqueles que não pertencem tradicionalmente à comunidade do Povo de Deus.

Poderíamos dizer que se celebra hoje em toda a Igreja um singular “ofertório”, no qual os homens e as mulheres consagradas ao ministério de Jesus renovam espiritualmente o dom de si. Agindo desta forma, ajudam as comunidades eclesiais a crescer na dimensão oblativa que as constitui intimamente, as edifica e as estimula a testemunhar Jesus pelos caminhos do mundo.

A “apresentação do Senhor” no Templo de Jerusalém revela que, desde o início da sua caminhada entre os homens, Jesus escolheu um caminho de total fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Ao oferecer-Se a Deus em oblação, ao ser “consagrado” ao Pai, Jesus manifesta a sua disponibilidade para cumprir fiel e incondicionalmente o plano salvador do Pai até às últimas conseqüências, até ao dom total da própria vida em favor dos homens.

Jesus é-nos apresentado, neste texto, como “a salvação colocada ao alcance de todos os povos”, a “luz para se revelar às nações e a glória de Israel”, o messias com uma proposta de libertação para todos os homens.

Que eco é que esta “apresentação” de Jesus tem no coração dos consagrados? Jesus é, de fato, a luz que ilumina as suas vidas e que os conduz pelos caminhos do mundo? Ele é o caminho certo e inquestionável para a salvação, para a vida verdadeira e plena? É n’Ele que colocam a sua ânsia de libertação e de vida nova? Este Jesus aqui apresentado tem real impacto na sua vida, nas suas opções, nos passos que dão no seu caminho de consagração, ou é apenas uma figura decorativa de certo cristianismo de fachada?

Simeão e Ana são, na cena evangélica que nos é proposta, figuras do Israel fiel, que foi preparado desde sempre para reconhecer e para acolher o messias de Deus. Na verdade, quando Jesus aparece, eles estão suficientemente despertos para reconhecer naquele bebé o messias libertador que todos esperavam e apresentam-n’O formalmente ao mundo.

Hoje, como discípulos que acolheram Jesus como a sua luz e que aceitaram segui-l’O temos a responsabilidade de O apresentar ao mundo e de O tornar uma proposta questionadora, libertadora, iluminadora, salvadora, para os homens nossos irmãos. É isso que acontece? Através do nosso anúncio – feito com palavras, com gestos, com atitudes, com a fidelidade aos compromissos exige o nosso batismo. A Vida cristã é chamada a refletir de maneira particular a luz de Cristo. É preciso que sejamos luz e conforto para cada pessoa, velas acesas que ardem com o próprio amor de Cristo, luz que ilumina as sombras do mundo e que profeticamente anuncia a aurora de uma nova realidade.


Católico: totalmente discípulo, missionário; totalmente cristão!A+A-
Um jovem me fez essa pergunta. Disse que há algum tempo está em crise de fé e tem buscado a solução em igrejas evangélicas. Em uma delas, ao se confessar católico, ouviu dizer que a palavra “católico” nem sequer está na Bíblia. Pedi que ele abrisse a sua Bíblia no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículos 18b-20.

“É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”


Você percebeu que fiz questão de colocar em negrito uma palavrinha que aparece de modo insistente no texto: “TODO”. Jesus tem todo o poder; devemos anunciá-Lo a todos os povos, guardar todo o ensinamento d’Ele na certeza de que estará todos os dias conosco. Essa ordem de Cristo foi levada muito a sério pelos discípulos. Em grego a expressão “de acordo com o todo” pode ser traduzida por “Kat-holon”. Daí vem a palavra “católico” (em grego seria: Καθολικός). Ao longo do primeiro e segundo séculos os seguidores de Jesus Cristo começaram a ser reconhecidos como “cristãos” e “católicos”. As duas palavras eram utilizadas indistintamente. Ser católico já significava “ser plenamente cristão”. O Catolicismo, portanto, é o Cristianismo na sua “totalidade”. É a forma mais completa de obedecer ao mandato do Mestre antes de sua volta para o Pai. O mesmo mandato pode ser lido no Evangelho de Marcos 16,15: “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura”. Há, portanto, uma catolicidade vertical, que é ter o Cristo todo, ou seja, ser discípulo; e uma catolicidade horizontal, que é levar o Cristo a todos, ou seja, ser missionário. Isso é ser católico: totalmente discípulo, totalmente missionário, totalmente cristão!


Ao que tudo indica o termo “católico” se tornou mais popular a partir de Santo Inácio de Antioquia (discípulo de São João), pelo ano 110 d.C. Pode significar tanto a “universalidade” da Igreja como a sua “autenticidade”. Quase na mesma época, São Policarpo utilizava o termo “católico” também nesses dois sentidos. São Cirilo de Jerusalém (315-386), bispo e doutor da Igreja, dizia: “A Igreja é católica porque está espalhada por todo o mundo; ensina em plenitude toda a doutrina que a humanidade deve conhecer; conduz toda a humanidade à obediência religiosa; é a cura universal para o pecado e possui todas as virtudes” (“Catechesis” 18:23).


Veja que já estão bem claros os dois sentidos de “católico” como “universal e ortodoxo”. Durante mil anos os dois significados estiveram unidos. Mas por volta do ano 1000 aconteceu um grande cisma, que dividiu a Igreja em “Ocidental e Oriental”. A Igreja do Ocidente continuou a ser denominada “católica” e a Igreja do Oriente adotou o adjetivo de “ortodoxa”. Na raiz as duas palavras remetem ao significado original de Igreja: “autêntica”.


A Igreja católica reconhece que cristãos de outras Igrejas podem ter o batismo válido e possuir sementes da verdade em sua fé. Porém, sabe que apenas ela conserva e ensina, sem corrupção, TODA a doutrina apostólica e possui TODOS os meios de salvação.


Devemos viver e promover a sensibilidade ecumênica favorecendo a fraternidade com os irmãos que pensam ou vivem a fé cristã de um modo diferente. Mas isso não significa abrir mão de nossa catolicidade. Quando celebramos a Eucaristia seguimos à risca a ordem do Mestre, que disse: “Fazei isso em memória de mim!” A falta da Eucaristia deixa uma grande lacuna em algumas Igrejas. Um pastor evangélico, certa vez, me disse que gostaria de rezar a Ave-Maria, mas, por ser evangélico, não conseguia. Perguntei por quê? Ele disse que se sentia incomodado toda vez que lia o “Magnificat” em que a Santíssima Virgem proclama: “Todas as gerações me chamarão de bendita” (Lc 1,48)… E se questionava sobre o porquê de sua geração tão evangélica não fazer parte desta geração que proclama Bem-aventurada a Mãe do Salvador!


Realmente, ser católico é ser totalmente cristão!


Torna-se cada vez mais comum as comunidades adoradoras fazerem o Cerco de Jericó. De que se trata? Esta prática nasceu na Polônia. Consiste na oração incessante de Rosários, durante sete dias e seis noites, diante do Santíssimo Sacramento exposto.



De onde veio a inspiração paro o “Cerco de Jericó”?No Antigo Testamento, depois da morte de Moisés, Deus escolheu Josué para conduzir o povo hebreu. Deus disse a Josué que atravessasse o Jordão com todo o povo e tomasse posse da Terra Prometida. A cidade de Jericó era uma fortaleza inexpugnável. Ao chegar junto às muralhas de Jericó, Josué ergueu os olhos e viu um Anjo, com uma espada na mão, que lhe deu ordens concretas e detalhadas.



Josué e todo Israel executaram fielmente as ordens recebidas: durante seis dias, os valentes guerreiros de Israel deram uma volta em torno da cidade. No sétimo dia, deram sete voltas. Durante a sétima volta, ao som da trombeta, todo o povo levantou um grande clamor e, pelo poder de Deus, as muralhas de Jericó caíram… (cf. Js 6).



O Santo Padre João Paulo II devia ir à Polônia a 8 de maio de 1979, para o 91º aniversário do martírio de Santo Estanislau, bispo de Cracóvia. Era a primeira vez que o Papa visitava o seu país, sob o regime comunista; era uma visita importantíssima e muito difícil. Aqui começaria a ruína do comunismo ateu e a queda do muro de Berlim.



Em fins de novembro de 1978, sete semanas depois do Conclave que o havia eleito Papa, Nossa Senhora do Santo Rosário teria dado uma ordem precisa a uma alma privilegiada da Polônia: “Para a preparação da primeira peregrinação do Papa à sua Pátria, deve-se organizar na primeira semana de maio de 1979, em Jasna Gora (Santuário Mariano), um Congresso do Rosário: sete dias e seis noites de Rosários consecutivos diante do Santíssimo Sacramento exposto.”

No dia da Imaculada Conceição (8 de dezembro de 1978), Anatol Kazczuck, daí em diante promotor desses Cercos, apresentou a ordem da Rainha do Céu a Monsenhor Kraszewski, bispo auxiliar da Comissão Mariana do Episcopado. Ele respondeu: “É bom rezar diante do Santíssimo Sacramento exposto; é bom rezar o Terço pelo Papa; é bom rezar
em Jasna Gora. Podeis fazê-lo.”



Anatol apresentou também a mensagem de Nossa Senhora a Monsenhor Stefano Barata, bispo de Czestochowa e Presidente da Comissão Mariana do Episcopado. Ele alegrou-se com o projeto, mas aconselhou-os a não darem o nome de “Congresso”, para maior facilidade na sua organização. Então, deu-se o nome de “Cerco de Jericó” a esta iniciativa.



O padre-diretor de Jasna Gora aprovou o projeto, mas não queria que se realizasse em maio por causa dos preparativos para a visita do Santo Padre. Dizia ele: “Seria melhor em abril.” “Mas a Rainha do Céu deu ordens para se organizarem esses Rosários permanentes na primeira semana de maio”, respondeu o Sr. Anatol. O padre aceitou, recomendando-lhe que fossem evitadas perturbações.



A Santíssima Virgem sabia bem que o Cerco de Jericó em maio não iria perturbar a visita do Papa, porque ele não viria. E, logo a seguir, as autoridades recusaram o visto de entrada no país ao Santo Padre, como tinham feito a Paulo VI em 1966. Consternação geral em toda a Polônia! O Papa não poderia visitar a sua Pátria.



Foi, então, com redobrado fervor que se organizou o “assalto” de Rosários. E, no dia 7 de maio, ao mesmo tempo que terminava o Cerco, caíram “as muralhas de Jericó”. Um comunicado oficial anunciava que o Santo Padre visitaria a Polônia de 2 a 10 de junho. Sabe-se como o povo polonês viveu esses nove dias com o Papa, o “seu” Santo Padre, numa alegria indescritível!

No dia de 10 de junho, João Paulo II terminava a sua peregrinação, consagrando, com todo Episcopado polonês, a nação polaca ao Coração Doloroso e Imaculado de Maria, diante de um milhão e quinhentos mil fiéis reunidos em Blonic Kraskoskic. Foi a apoteose!

Depois dessa estrondosa vitória, a Santíssima Virgem ordenou que se organizassem Cercos de Jericó todas as vezes que o Papa João Paulo II saísse em viagem apostólica. “O Rosário tem um poder de exorcismo”, dizem os nossos amigos da Polônia, “ele torna o demônio impotente.”

Por ocasião do atentado contra o Papa, em 13 de maio de 1981, os poloneses lançaram de novo um formidável “assalto” de Rosários e obtiveram o seu inesperado restabelecimento. Mais uma vez, as muralhas de ódio de Satanás se abatiam diante do poder da Ave-Maria.



Em várias partes do mundo estão sendo realizados agora Cercos de Jericó. A 2 de fevereiro de 1986, aquela mesma alma privilegiada recebia outra mensagem da Rainha Vitoriosa do Santíssimo Rosário: “Ide ao Canadá, aos Estados Unidos, à Inglaterra e à Alemanha para salvar o que ainda pode ser salvo.” Nossa Senhora pede que se organizem os Rosários permanentes e os Cercos de Jericó, se queremos ter certeza da vitória.


Os quatro escritores sagrados - Mateus, Marcos, Lucas e Paulo - que nos narram a Última Ceia, dizem-nos que Jesus tomou o pão e "deu graças". E assim, da palavra eucharistia, que significa:"ação de graças", resultou o nome do nosso sacramento: Sagrada Eucaristia. O termo “eucaristia”, que vem do grego, significa, de facto, acção de graças (cf. CIC, 1328). É uma dimensão que aparece, em letras claras, no diálogo que introduz a Oração eucarística: ao convite do sacerdote “Demos graças ao Senhor, nosso Deus”, os fiéis respondem: “É nosso dever, é nossa salvação”. O início da Oração eucarística é sempre marcado por uma fórmula que dá o sentido da reunião de oração: “Senhor, Pai santo, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda parte...”.

Estas fórmulas codificadas, ao referirem o que se realiza na celebração, exprimem uma atitude que não deveria faltar no espírito dos regenerados em Cristo: agradecer é próprio de quem se sente gratuitamente amado, renovado, perdoado. É justo e necessário agradecer a Deus sempre (tempo) e em toda a parte (espaço). É daqui que irradia a espiritualidade de acção de graças pelos dons recebidos de Deus (a vida, a saúde, a família, a vocação, o Baptismo, etc...).



Porque a Eucaristia é o maior dos sacramentos?

Porque nele, não temos apenas um instrumento que nos comunica as graças divinas, como nos outros sacramentos, é nos dado o próprio Doador da graça, Jesus Cristo Nosso Senhor, real e verdadeiramente presente.


Porque a Eucaristia é ao mesmo tempo, Sacrifício e Sacramento?

Como sacrifício, a Eucaristia é a Missa, a ação divina em que Jesus, por meio do sacerdote humano, transforma o pão e o vinho no seu próprio corpo e sangue e continua no tempo o oferecimento que fez a Deus no Calvário, o oferecimento de Si próprio em favor dos homens. Ela é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e oferecimento sacramental do seu único sacrifício, na Liturgia da Igreja que é o seu Corpo.

Como sacramento, ela adquire seu ser na Consagração da Missa; nesse momento, Jesus torna-se presente sob as aparências do pão e do vinho. Enquanto estas aparências permanecerem, Jesus continua a estar presente e o sacramento da Sagrada Eucaristia continua a existir nelas. O ato pelo qual se recebe a Sagrada Eucaristia chama-se Sagrada Comunhão. Pode-se dizer que a Missa é a "confecção"da Sagrada Eucaristia e que a comunhão é a sua recepção. Entre uma e outra, o sacramento continua a existir (como no sacrário), quer o recebamos, quer não.


Como se deu a Instituição da Eucaristia?

Jesus institui a Eucaristia, ao pronunciar as palavras:”Isto é o Meu Corpo..isto é Meu Sangue...” O que até esse momento, não era senão pão ázimo e vinho da videira, passa a ser – pelas palavras e pela vontade de Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro – o próprio Corpo e o próprio Sangue do Salvador. As suas palavras, cheias de realismo, não admitem interpretações de caráter simbólico nem explicações que obscureçam a misteriosa verdade da presença real de Cristo na Eucaristia: só há lugar diante delas para a resposta humilde da fé “que sempre manteve e até ao fim dos séculos conservará a Igreja Católica”(De Assim o exprime Paulo VI na "Encíclia Mysterium fidei, n.5:”A perpétua instrução dada pela Igreja aos catecúmenos e o sentido do povo cristão, a doutrina definida pelo Concílio de Trento e as próprias palavras de Cristo ao instituir a Santíssima Eucaristia, exigem de nós a profissão de que a Eucaristia é a carne do Nosso Salvador Jesus Cristo, que padeceu pelos nossos pecados e a quem o Pai, pela sua bondade ressuscitou. Este sacramento, que não só tem virtude de santificar mas que contém o próprio Autor da Santidade, foi instituído por Jesus para que fosse alimento espiritual da alma, que fortalece na sua luta por alcançar a salvação, Além disso, como ensina a Igreja, por ele são-nos perdoados os pecados veniais e são-nos dadas forças para não cair nos pecados mortais, une-nos com Deus de tal maneira que é um penhor da glória que alcançaremos (Bíblia de Navarra – Santos Evangelhos, pag 408)



“A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d'Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois « tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente ».10 Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção ».11 Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável.12 É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste Mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao « extremo » (cf. Jo 13, 1), um amor sem medida.”(Ecclesia de Eucharistia - Ioannes Paulus PP. II)




O que vem a ser Transubstanciacão?

"O Concílio de Trento resume a fé católica declarando: "Porque Cristo, nosso Redentor, disse que o que Ele oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu Corpo, sempre na Igreja se teve esta convicção que o sagrado Concílio de novo declara: pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda substância do vinho na substância do Seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama-lhe, com justeza e exatidão, transubstanciação"(DS 1642)(CIC n.1376)



Evidentemente é um milagre, um milagre contínuo, realizado centenas de milhares de vezes por dia pelo poder infinito de Deus. A bem dizer, é um duplo milagre: é o milagre da transformação do pão e do vinho em Jesus Cristo; e o milagre adicional pelo qual Deus mantém as aparências do pão e do vinho ainda que a substância adjacente tenha desaparecido. Jesus Cristo por inteiro está presente na Sagrada Eucaristia, em cada uma das hóstias e em cada partícula consagrada e em cada gota de vinho consagrado. Se a hóstia se divide, Ele está presente em cada uma das partes. E o corpo e sangue de Jesus permanecerão enquanto permanecerem as espécies do pão e do vinho.



Santo Ambrósio afirma acerca desta conversão:" Estejamos bem persuadidos de que isto não é o que a natureza formou, mas o que a bênção consagrou, e que a força da bênção supera a da natureza, pois pela bênção a própria natureza mudada. Por acaso a palavra de Cristo, que conseguiu fazer do nada o que não existia, não poderia mudar as coisas existentes naquilo que ainda não eram? Pois não é menos dar às coisas a sua natureza primeira do que mudar a natureza delas".

Que significam as palavras de Jesus: "Fazei isto em memória de mim?"

O mandamento de Jesus de repetir seus gestos e suas palavras "até que Ele volte" não pede somente que se recorde de Jesus e do que Ele fez. Visa a celebração litúrgica, pelos apóstolos e seus sucessores, do memorial de Cristo, da sua vida, da sua Morte, da sua Ressurreção e da sua intercessão junto ao Pai. Desde o início, a Igreja foi fiel ao mandato do Senhor. Da Igreja de Jesrusalém se diz: Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações.(...) Dia após dia, unânimes, mostravam-se assíduos no templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração (At,2,42.46).

Era sobretudo "primeiro dia da semana, isto é, no domingo, o dia da Ressurreição de Jesus, que os cristãos se reuniam, para partir o pão"(At 20,7). Desde aqueles tempos até os nossos dias a celebração da Eucaristia perpetuou-se, de sorte que hoje a encontramos em toda parte na Igreja, com a mesma estrutura fundamental. Ela continua sendo o centro da vida da Igreja. Assim, de celebração em celebração, anunciando o Mistério Pascal de Jesus " até que Ele venha"(I Cor 11,26), o povo de Deus em peregrinação "avança pela porta estreita da cruz" em direção ao banquete celeste, quando todos os eleitos se sentarão à mesa do Reino.


Sobre o Culto da Eucaristia

Na liturgia da missa, exprimimos nossa fé na presença real de Cristo sob as espécies do pão e do vinho, entre outras coisas, dobrando os joelhos, ou inclinando-nos profundamente em sinal de adoração do Senhor. "A Igreja Católica professou e professa este culto de adoração que é devido ao sacramento da Eucaristia não somente durante a Missa, mas também fora da celebração dela, conservando com o máximo cuidado as hóstias consagradas, expondo-as aos fiéis para que o venerem com solenidade, levando-as em procissão" (Trento DS 1641).



É altamente conveniente que Cristo tenha querido ficar presente ã sua Igreja desta maneira singular. Visto que estava para deixar os seus na sua forma visível, Cristo quis dar-nos a sua presença sacramental; já que ia oferecer-se na cruz para nos salvar, queria que tivéssemos o memorial do amor com o qual nos amou "até o fim"(Jo 13,1), até o dom da sua vida. Com efeito, na sua presença eucarística Ele permanece misteriosamente no meio de nós como aquele que nos amou e que se entregou por nós, e o faz sob os sinais que exprimem e comunicam este amor.



"A Igreja e o mundo precisam muito do culto eucarístico. Jesus nos espera neste sacramento do amor. Não regateemos o tempo para ir encontra-lo na adoração, na contemplação cheia de fé e aberta a reparar as faltas graves e os delitos do mundo. Que a nossa adoração nunca cesse" (João PauloII, carta "Dominicae cenae").

"A presença do verdadeiro Corpo de Cristo e do verdadeiro Sangue de Cristo neste sacramento 'não se pode descobrir só pelos sentidos, diz S.Tomás, mas sim só com fé, baseada na autoridade de Deus'. Por isso, comentando o texto de S. Lucas 22,19 ("Isto é o meu Corpo que será entregue por vós"), S. Cirilo declara: "Não ponhas em dúvida se é ou não verdade, aceita com fé as palavras do Senhor, porque Ele, que é a verdade não mente"



Adoro te devote, latens Deitas,
Quae sub his figuris vere latitas
Tíbi se cor meum tótum subjicit
Quia te contemplans tótum deficit.
Vísus, tactus, gustus in te fallitur,
Sed audítu solo tuto creditur
Credo quídquid díxit Dei Fílius
Nil hoc verbo veritátis vérius.
.In cruce latebat sola Deitas,
At hic latet simul et humanitas
Ambo tamen credens atque confitens,
Peto quod petivit latro paenitens.

Adoro Te Devote, de Sto. Tomás de Aquino.

Eu vos adoro devotamente, ó Divindade escondida,
Que verdadeiramente oculta-se sob estas aparências,
A Vós, meu coração submete-se todo por inteiro,
Porque, vos contemplando, tudo desfalece.
A vista, o tato, o gosto falham com relação a Vós
Mas, somente em vos ouvir em tudo creio.
Creio em tudo aquilo que disse o Filho de Deus,
Nada mais verdadeiro que esta Palavra de Verdade.
Na cruz, estava oculta somente a vossa Divindade,
Mas aqui, oculta-se também a vossa Humanidade.
Eu, contudo, crendo e professando ambas,
Peço aquilo que pediu o ladrão arrependido.




O que é necessário para fazer uma Comunhão bem feita?

São três as exigências básicas para se receber dignamente a Sagrada Eucaristia:
• Estar em estado de graça santificante: Não ter na alma pecado grave (mortal)
• Saber a quem se vai receber, na Comunhão: é Jesus nosso alimento
• Guardar o jejum prescrito pela Igreja: Uma hora antes da Comunhão


Como receber a Sagrada Comunhão?

Para receber a Sagrada Comunhão, com todo o respeito que Jesus merece, devemos cuidar de alguns aspectos fundamentais:

• Apresentar-se decentemente vestido, com modéstia, dignidade, elegância e limpeza. Nunca ir comungar de bermudas, calções, blusas decotadas e sem mangas, chinelos etc.. É, antes de tudo, uma questão de respeito e amor para com Jesus.
• Na fila da Comunhão, manter a devida compostura e respeito. Ao chegar na frente do sacerdote que lhe dará a Sagrada Comunhão, fazer uma inclinação do corpo, como sinal de respeito ao Senhor.
• O sacerdote dirá: "O Corpo de Cristo". Responda, em voz alta e clara: "AMÉM". É seu assentimento, sua manifestação de fé na presença real do Senhor na Eucaristia.
• Você poderá comungar de duas maneiras: ou recebendo o Corpo do Senhor diretamente na boca ou poderá estender a mão esquerda aberta, espalmada para cima, com a mão direita embaixo. O sacerdote colocará a Sagrada Comunhão nesta mão e aí, NA FRENTE DO SACERDOTE, você levará a Sagrada Comunhão à própria boca, com a mão direita.


Quais os resultados da Comunhão?

1) crescimento espiritual;
2) perdão dos pecados veniais (já que não se pode receber a Sagrada comunhão em pecado mortal);
3) fortifica a caridade;
4) preserva a alma da morte espiritual;
5) preserva-nos dos pecados mortais futuros;
6) o poder da tentação se debilita;
7) anima-nos a trabalhar (fazer coisas por Cristo e com Cristo).
Porém, "O total de graças que cada indivíduo recebe numa comunhão depende da capacidade que esse indivíduo tenha. Nenhuma alma humana tem capacidade infinita para a graça, ou está em condições de absorver toda a graça que uma comunhão põe à sua disposição."

Frequência das comunhões:
1) Pode-se comungar até mais de uma vez por dia - participando da celebração eucarística completa.
2) Temos obrigação de comungar uma vez por ano pela Páscoa.
3) Devemos comungar com a freqüência que nos é possível - o ideal seria diariamente.


Os esposos podem sentir o drama da desunião dos cristãos

Esta pergunta se torna cada vez mais comum, porque muitos jovens católicos estão namorando com protestantes.

Se ambos foram batizados (mesmo que na comunidade protestante), o sacramento do matrimônio pode ser celebrado na Igreja Católica, desde que os cônjuges aceitem certas condições. Mas a Igreja não deixa de lembrar que há dificuldades a serem superadas. Sabemos que o casamento se funda na expressão "sereis uma só carne" (Gen 2,23) e que, portanto, a diferença de religiões dificulta esta união plena.


Antes de tudo, a Igreja coloca as condições para a liceidade e validade de um matrimônio:


Cân. 1108 § 1. "Somente são válidos os matrimônios contraídos perante o Ordinário local ou o Pároco, ou um sacerdote ou diácono delegado por qualquer um dos dois como assistente, e além disso perante duas testemunhas, de acordo porém com as normas estabelecidas nos cânones seguintes, e salvas as exceções contidas nos cânon. 144, 1112, § 1, 1116 e 1127, §§ 2-3.”


§ 2. Considera-se assistente do matrimônio somente aquele que, estando presente, solicita a manifestação do consentimento dos contraentes e a recebe em nome da Igreja.


Cân. 1086 § 1. "É inválido o matrimônio entre duas pessoas, uma das quais tenha sido batizada na Igreja Católica ou nela recebida e que não a tenha abandonado por um ato formal, e a outra que não é batizada".


O Catecismo da Igreja diz:


§1634 – "A diferença de confissão entre cônjuges não constitui obstáculo insuperável para o casamento, desde que consigam colocar em comum o que cada um deles recebeu na sua comunidade e aprender, um do outro, o modo de viver sua fidelidade a Cristo. Mas nem por isso devem ser subestimadas as dificuldades dos casamentos mistos. Elas se devem ao fato de que a separação dos cristãos é uma questão ainda não resolvida. Os esposos correm o risco de sentir o drama da desunião dos cristãos no seio do próprio lar. A disparidade de culto pode agravar mais ainda essas dificuldades. As divergências concernentes à fé, à própria concepção do casamento, como também mentalidades religiosas diferentes, podem constituir uma fonte de tensões no casamento, principalmente no que tange à educação dos filhos. Uma tentação pode então apresentar-se: a indiferença religiosa".


Para que um casamento misto seja válido e legítimo tem que haver a permissão da autoridade da Igreja, o bispo, como diz o Código de Direito Canônico no cânon 1124. O cânon 1125 diz: "O Ordinário local pode conceder essa licença se houver causa justa e razoável; não a conceda, porém, se não se verificarem as condições seguintes:


1°- a parte católica declare estar preparada para afastar os perigos de defecção da fé e prometa, sinceramente, fazer todo o possível a fim de que toda a prole seja batizada e educada na Igreja Católica;


2°- informe-se, tempestivamente, desses compromissos da parte católica à outra parte, de tal modo que conste estar esta, verdadeiramente, consciente do compromisso e da obrigação da parte católica;


3°- ambas as partes sejam instruídas a respeito dos fins e propriedades essenciais do matrimônio, que nenhum dos contraentes pode excluir".


O cânon. 1126 orienta que: "Compete à Conferência dos Bispos estabelecer o modo segundo o qual devem ser feitas essas declarações e compromissos, que são sempre exigidos, como também determinar como deve constar no foro externo e como a parte não-católica deve ser informada".


Não devem ser feitas outras celebrações ecumênicas após a celebração do matrimônio; diz o Código, no cânon 1127:


§ 3. "Antes ou depois da celebração realizada de acordo com o § 1, proíbe-se outra celebração religiosa desse matrimônio para prestar ou renovar o consentimento matrimonial; do mesmo modo, não se faça uma celebração religiosa em que o assistente católico e o ministro não-católico, executando simultaneamente cada qual o próprio rito, solicitam o consentimento das partes".


Portanto, é possível um católico se casar na Igreja Católica com uma pessoa protestante, desde que esta seja batizada validamente e aceite as condições explicadas acima. No entanto, é bom lembrar aos jovens que não é fácil conciliar tudo isso. No calor da paixão inicial do relacionamento, isso pode parecer fácil de superar, no entanto, com o passar dos anos, o nascer dos filhos, etc., as dificuldades podem aumentar. O recomendado pela Igreja é que o fiel católico se case com alguém de sua mesma fé.
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