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Luciane
Os dois dialogantes cuja conversa escutámos no outro dia, voltaram a se encontrar.
Rui: Os argumentos que usaste para me mostrar a razoabilidade da existência do Ser Necessário, são interessantes! Porém, se eu quiser saber mais sobre esse Ser, sobre os Seus atributos, parece que não terei outra opção senão a de me virar para a Revelação. Que te parece??
Carlos: Creio que talvez possas saber mais coisas acerca do Ser Necessário, sem a Revelação...
Rui: Como? Por suposição??
Carlos: Não! Através do modo como pudemos chegar à conclusão da existência do Ser Necessário, ou seja, através dos entes, do Universo.
Rui: Mas tu sabes, tal como eu, aquela máxima de S. Tomás que diz que “nada existe na inteligência que não tenha passado pelos sentidos”. Vês como tenho andado a estudar só para te confundir??
Carlos: Mas o autor dessa frase tem razão. Se nada conheceres pelos sentidos, nada poderás conhecer de facto.
Rui: Pois. O problema é que, segundo me parece, Deus não entra pelos meus sentidos. Não o vejo, não o cheiro, não lhe sinto o tacto, não o ouço...
Carlos: É verdade. Nem tal poderia ser. Se assim fosse, não seria Deus, pois como fenómeno comensurável, poderia não ser, seria contingênte.
Rui: Então, o que dizer  sobre Deus, e com que fundamento??
Carlos: Já te disse: pelo raciocinio indutivo, que é abstrativo.

Como pudemos ver no outro dia, a Deus só se chega pela via indutiva, aquele modo de reflexão que parte do particular, contingênte, e vai à procura do Fundamento Primeiro, do seu principio de razão suficiênte. E tal modo impõe-se, pois, vimos, o Ser Necessário se impõe, sendo que não é o Universo nem nada que lhe pertença.
Ora, o ser contingênte das coisas, do Universo, é a rampa de lançamento indutiva para se afirmar a existência de Deus. Porém, a partir de Kant, as coisas se turvaram um pouco. Dizia este filósofo alemão que, sobre o ser das coisas, nada podemos saber, mas apenas conhecer o fenómeno. O que é o fenómeno?? É a manifestação das coisas aos sentidos; dito em modo filosófico, os seus acidentes. Mas, sobre a essência, nada podemos dizer, pois o que nos é manifesto são as sensações, a manifestabilidade das coisas aos sentidos. Ora, assim, segundo Kant, nada podemos dizer sobre o ser. Vale a pena observar, para quem não conheça Kant, que este filósofo já se movia num ambiente cientifista, para a qual o conhecimento objetivo se prendia com os fenómenos, com o mensurável, com os dados empiricos. Nota-se aqui já um afastamento da metafísica.
Mas Kant, que parece não ter lido os clássicos gregos, esqueceu um aspecto fundamental: para que haja fenómeno, é preciso que haja o ser, o númeno. Ora, Kant não reparou que o ser lhe é dado, ainda que indiretamente, lateralmente, é certo, mas lhe é dado com o fenómeno. Não há fenómeno sem ser.
Reparem nesta última afirmação que acabámos de ver. Trata-se de uma afirmação, um juizo, ato da inteligência. Mas, como vimos no diálogo acima exposto, nada há na inteligência que não tenha passado pelos sentidos. E, por outro lado, pelos sentidos passam apenas os fenómenos!! Como é que nós, naturalmente, afirmamos o ser?? Por abstração!
De facto, o nosso conhecimento é sensível, mas também inteligível. Nós inteligimos os objetos (ob-jectum, posto diante) que nos rodeiam.  Nós os lemos e relacionamos (inter ligere). Ora, nós nos debruçamos SOBRE os objetos, interpretamos. Isto é abstração.
Eu quis insistir neste ponto, porque o ambiente cientifico do senso comum em que nos movemos tende a conotar negativamente a palavra “abstração”, sendo certo que fazer abstração é não só natural ao ser inteligente, mas necessário para a vida humana. Nós, pessoas, não trabalhamos na base no sensivel. Partimos dele, absolutamente, mas abstraimos dele, formamos juizos, escolhemos, prevemos, duvidamos, interrogamos. Ora, tudo isto, próprio do ser  humano, é abstração. E é abstração, como ato da inteligência, que parte dos dados empiricos, sensiveis.
Tal como, por abstração, e por via indutiva, vimos a necessidade do Ser Necessário,  é também nesta via, aliás a única (Deus não é objeto), que poderemos, pela via da razão, falar algo mais sobre Deus.

Esse ipsum subsistens
Deus é o Ser. O Ser é a essência mesma de Deus. Ele é o Ser subsistente por Si mesmo e em Si mesmo. Vimos isto mesmo no outro texto. Tudo o que existe, os entes, o Universo, é, existe, mas por participação, porque são contingêntes, e o contingênte é causado: não existe por si, nem em si. Só Deus É,  e É aquilo que É: Ser quem é – Ser subsistente por Si mesmo, e em Si mesmo. Os entes não são: O Ser é que lhes dá a determinação-que-são, lhes comunica, participa o ser, o existir.
E, nesta abordagem filosófica, já vamos ao encontro da Escritura: “Moisés disse a Deus: «Quando eu for aos israelitas e disser: “O Deus de vossos pais me enviou a vós”; e me perguntarem: “Qual é o seu nome?”, que direi?» Disse Deus a Moisés: “Eu sou aquele que é”. Disse mais: “Assim dirás aos israelitas: «EU SOU me enviou até vós»” (Ex 3,13-14).
É escusado, como fizeram não poucos, querer ler este texto procurando nele principios metafísicos. O povo judeu não dispunha dessas categorias que só surgirão na filosofia grega, justamente como reação à escola eleata (sobre um deles, Parménides, já falámos anteriormente). Neste texto, o que devemos procurar ver, é a afirmação da absoluta transcendência de Deus, a tal ponto de se constituir como a negação da atribuição de qualquer nome. Deus é inominável.
Ser não é, pois, um atributo de Deus, mas sim a sua essência, a sua substância, natureza. Há que se ter muita atenção quando se fala nos atributos de Deus. Estes atributos não estão ao lado, acima ou abaixo do seu Ser, mas são as multiformes e infinitas manifestações e modalidades da Sua única essência, o Ser. Como se dissessemos, por exemplo, que “Deus é Ser e é infinito, ou que Deus é Ser e é amor”, etc! Nada disso. O Ser é infinito, o Ser é amor, o Ser é bondade, etc.
Nem se pode conceber estes atributos como conceitos estaques e isolados entre si, como quem dissesse, “Deus é amor, mas também onipotência, e é infinito”. Também não! Deve ser, antes, o amor é a sua onipotência, ou a onipotência é amor, ou também o infinito é amor, etc.
Trata-se, portanto, de diferentes manifestações do Ser mesmo de Deus, manifestações essas, ou modos do ser de Deus que, de modo eterno, nele existem em grau máximo. Eles (os atributos) não vão sendo; eles são, e são-no em grau infinito.

Conhecer os atributos de Deus – o ser participado
Para além do Ser de Deus, entendido em modo intensivo, eterno, infinito, incausado, Uno (como já havia inteligido Melisso, na linha de Perménides – o ser só pode ser uno), poderemos dizer mais sobre Deus, passar da sua essência aos seus atributos, para além do atributo da imaterialidade e extratemporalidade, que se impõe como necessária?
Eu insisti convosco, na última conversa, para reterdes uma expressão: “participação”. Lembram-se? Todo o ser contingênte é participado, ou seja, recebe do Ser Necessário, do esse ipsum subsistens  o seu próprio ser contingênte e as suas perfeições. De facto, só pelo ser das coisas é que se pode afirmar a necessidade do Ser Necessário.
Mas nós inteligimos nos entes outras perfeições que não apenas o seu ser ente, o seu existir. As perfeições que encontramos nos entes, são também elas participadas, juntamente com o seu acto de serem entes, por participação do ser, participação essa dada pelo Ser Necessário.
Na verdade, vale afirmar agora uma máxima: o efeito comunica algo de si à causa; o Criador comunica algo de si ao criado. Escutemos, para concluir este texto, os nossos dialogantes.
Rui: Mas eu posso criar uma cadeira, sem lhe dar nada de mim mesmo.
Carlos: Eu creio que tu não és criador de coisa alguma, mas apenas artifice.
Rui: Que o seja. Mesmo assim, nada participo de mim à cadeira.
Carlos: Será?? Participarás, aliás, o mais importânte: a ideia da cadeira, e todas suas qualidades, perfeições que, antes de serem da cadeira em si, eram perfeições em ti, na tua ideia. Fizeste aquela cadeira porque a amaste, a viste como um bem, antes dela o ser. E mesmo depois de feita, ela vai continar a ser o bem que era antes de ser.
Rui: Mas isso é um amor utilitarista... segundo dizes, Deus não precisa de nada!
Carlos: É. O amor em Deus, se existir, é infinitamente gratuito, mas isso é tema de outra conversa... agora convido-te a reter na tua mente que:
“o efeito comunica algo de si à causa – o Necessário comunica algo de Si ao contingênte”.
Por Rui Silva
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  • Razão e existência de Deus -2















  • Razão e existência de Deus - 1
  • Luciane

    O Sacramento do batismo
    (extraído do  Blog Cotidiano Espiritual )

    A Igreja adota o significado dado por Nosso Senhor e S. Paulo na epístola aos Efésios. Jesus disse: “Quem não nascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5). O Apóstolo falando da Igreja, diz que Cristo “a purificou pela ablução da água na palavra”(cf. Ef 5,26). Pelo sentido destas palavras podemos definir com acerto e brevidade, que o Batismo é um “Sacramento de regeneração pela palavra na água”. 



    Necessidade
    O Batismo declarou Nosso Salvador ser absolutamente necessário para todos os homens. Suas palavras são as seguintes: “Quem não renascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3,5).Se alguém disser que o batismo é livre, ou seja, não necessário à salvação: seja anátema (excomungado). (Concílio de Trento ano 1545 a 1563 VII, V sobre o batismo). É importante deixar claro que o batismo da Nova Aliança era diferente do Batismo de João, o Batista. O batismo de João era uma preparação para o caminho do Senhor, não imprimia na alma de quem o recebia um caráter inapagável, que vem do Espírito Santo. Já a partir do batismo feito a Jesus,que no momento veio o Espírito Santo, o batismo era feito já para consagração e ensinamento às pessoas e inapagável na alma.“Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”(Mt 28,19).Se alguém disser que o batismo de João tinha a mesma força que o batismo de Cristo: seja anátema(excomungado). (Concílio de Trento ano 1545 a 1563 VII, I sobre o batismo).

    Matéria e forma
    Não há restrição quantoao tipo de água, desde que seja pura:
    Matéria ou elemento deste Sacramento é qualquer espécie de água natural, seja de mar, de rio, de banhado, de poço ou de fonte, uma vez que possa simplesmente chamar-se água sem qualquer restrição (Cat Rom II,II,VII).(...)Em termos claros e singelos, de fácil compreensão para todos, deve os pastores ensinar que a forma exata e completa do Batismo é a seguinte: “Eu te batizo em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo” (Cat Rom II, II, XIII).


     
    Épocas da instituição e promulgação do Batismo

    Devemos distinguir o momento em que Cristo instituiu o batismo daquele em que o batismo tornou-se Lei geral para todos. A Igreja ensina que o batismo foi instituído por Cristo quando conferiu à água a virtude de santificar; e o fez na ocasião em que deixou-se batizar no Jordão por João Batista. Com efeito, esta doutrina é confirmada pelos Santos Doutores da Igreja: Nosso Senhor recebeu o Batismo, não porque precisasse de purificação, mas para que ao contato com o Seu Corpo puríssimo as águas se purificassem, e adquirissem a virtude de purificar. (Santo Agostinho, Sermão 135). Todos os escritores eclesiásticos concordam em dizer que o Batismo foi colocado depois da Ressurreição de Nosso Senhor, quando Ele ordenou aos Apóstolos: “Ide, ensinai todos os povos, batizai-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28,19). O provam ainda as palavras autorizadas de S. Pedro: “[Deus] nos fez renascer à esperança da vida, pela Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1Pd 1,3). Confirma S. Paulo: “[Cristo] entregou-se a Si mesmo por ela [a Igreja], para santificá-la, purificando-a no banho da água pela palavra” (Ef 5,25).

    Ministros
    ordinários do batismo são os bispos e presbíteros, os ministros extraordinários são os diáconos e os ministros de emergência são qualquer pessoa.




    Batismo infantil
     



    Por que batizar uma criança se ela não tem pecados? Bem, se o batismo só pode ser feito em adultos, pois criança não tem pecado, então porque Jesus deixou-se batizar se ele não tinha pecado?  Uma das razões é para que possa a criança, desde já, tirar o pecado original, aquele que ja foi colocado em todos nós pela origem (por Adão e Eva) mas o mais óbvio, para consagrar a criança a Deus.
    Se a criança de colo então morre, ela não vai pro céu se não foi batizada para tirar o pecado original? Claro que não! A criança de colo vai para o céu sim, afinal, o pecado original é um pecado por nós contraído e não cometido, uma criança não tem má fé em pecar, somente a partir de uma idade onde já conhecemos o pecado e as leis de Deus. Então, devemos tirar o pecado original da criança(os pais devem ter essa noção), porém não é só pra isso que serve o batismo, também para consagrar a criança de colo como filho de Deus, e “colar” em sua alma a infusão de Deus e os dons do Espírito Santo com suas Virtudes. Essa é a diferença entre o batismo a uma criança e a um adulto, o adulto tem obrigação total de saber que deve ser batizado, a criança não tem essa noção, por isso os pais devem batizá-la consagrando-a como filho (a) de Deus. O batismo às crianças não é com relação à morte, mas sim a toda vida que há de vir. "Deixai as crianças, e não queirais impedí-las de vir a mim, porque destes tais é o reino dos céus"(Mt 19,14).Jesus de cara, já diz a importância das crianças IREM a Ele, por isso o Batismo por ser Sacramento de regeneração sempre na Igreja foi ministrado às crianças. Desta forma, os pais cristãos devem reconhecer que esta prática corresponde também à sua função de alimentar a vida que Deus a eles confiou, ou seja, esse filho que Deus os confiou. 



    Alguns testemunhos dos Santos Padres, primeiros cristãos, sobre o batismo infantil:
    Ele (Jesus) veio para salvar a todos através dele mesmo, isto é, a todos que através dele são renascidos em Deus: bebês, crianças, jovens e adultos. Portanto, ele passa através de toda idade, torna-se um bebê para um bebê, santificando os bebês; uma criança para as crianças, santificando-as nessa idade... (e assim por diante); ele pode ser o mestre perfeito em todas as coisas, perfeito não somente manifestando a verdade, perfeito também com respeito a cada idade (Santo Irineu, ano 189 - Contra Heresias II,22,4).Onde não há escassez de água, a água corrente deve passar pela fonte batismal ou ser derramada por cima; mas se a água é escassa, seja em situação constante ouem determinadas ocasiões, então se use qualquer água disponível. Dispa-se-lhes de suas roupas, batize-se primeiro as crianças, e se elas podem falar, deixe-as falar. Se não, que seus pais ou outros parentes falem por elas (Hipólito, ano 215 - Tradição Apostólica 21,16). A Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar Batismo mesmo às crianças. Os apóstolos, aos quais foi dado os segredos dos divinos sacramentos sabiam que havia em cada pessoa inclinações inatas do pecado (original), que deviam ser lavadas pela água e pelo Espírito (Orígenes, ano 248 - Comentários sobre a Epístola aos Romanos 5,9). Do batismo e da graça NÃO devemos afastar as crianças (São Cipriano, ano 248 - Carta a Fido).

    Ensinamentos do Concílio de Trento sobre o batismo infantil:
     


    Se alguém disser que ninguém deve ser batizado a não ser na idade em que Cristo foi batizado ou no momento da morte: seja anátema. (Conc. Trento VII,12 sobre o batismo. Denzinger 1625). Se alguém disser que as crianças, depois de receber o batismo, pelo fato de não terem o ato de fé, não podem ser contadas entre os fiéis e que, portanto, é necessário rebatizá-las quando chegam à idade da discrição, ou se disser que é preferível deixar de batizar essas crianças, que não crêem por um ato pessoal, a batizá-las só na fé da Igreja, seja anátema. (Conc. Trento VII,13 sobre o batismo. Denzinger 1626).

    Depois de grande, a pessoa deve receber o sacramento da confirmação de filho de Deus, que é o crisma.


    autor: Renato Silveira

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    fonte de estudo:
    http://veritatis.com.br/doutrina/sacramentos/635-o-sacramento-do-batismo http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=doutrina&artigo=20041107144101&lang=bra

    Leia também:

    Luciane



    (extraído do Blog Cotidiano Espiritual)Resumo
    Este artigo faz um breve resumo da História da Igreja ao longo dos tempos. Tenta de forma abreviada comparar as tribulações da Igreja com as tribulações de Pedro. Veremos como as tribulações de Pedro e as suas 3 negações são remediadas pela graça e perdão divino, tal como as pequenas ou grandes negações dos membros da Igreja e mesmo dos seus líderes, como era Pedro, tem também o perdão divino de Deus. Este perdão tal como aconteceu com Pedro ocorre tantas vezes quantas as negações dos membros da Igreja e nada nem ninguém vai alterar a promessa de Cristo: «as portas do inferno não prevalecerão sobre ela». O artigo conclui que esta a Igreja Católica é de facto o meio de salvação privilegiado de Deus, onde a verdade (ou seja Cristo Nosso Senhor) abunda. 
    No meio protestante vemos uma contestação permanente contra o papado, dizendo que o papa ocupa um lugar que não foi instituído. Que Jesus não instituiu o papado e fez de todos os discípulos iguais. Esta igualdade existe de facto, como irmãos em Cristo, é uma dignidade que não é dada mais a uns ou a outros, mas a cada um é dado as suas funções, segundo o seu carisma e a Pedro foi dado o poder de ligar e desligar tudo na Terra, de ser a pedra e líder da Igreja. A Paulo foi dado um carisma próprio da Igreja a de evangelizar, por territórios estrangeiros e a Pedro ele ouvia. Os protestantes tem o desplante de dizer que Cristo se referia a si próprio, como sendo a pedra. Uma vulgar mentira que de forma alguma pode ser entendida do texto lido. Cristo mudou o nome do apóstolo Simão, para Cefas, que significa pedra. Foi por acaso? Ele chamou a Simão, pedra onde ergueu a sua Igreja, a quem «as portas do inferno não prevalecerão sobre ela» e de quem Cristo é a Cabeça, que transmite a todo o seu corpo santo o Espírito Santo.

    «Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.» (Mt 16, 18)


    Pode ser Cristo pedra e cabeça da Igreja ao mesmo tempo? Claro que não. A pedra faz parte da casa. Ora a casa é a Igreja. Pode Cristo fazer parte da Igreja, sabendo que isso está claramente distinguido por Paulo, quando diz que o corpo é a Igreja e Cristo é a sua cabeça. Ora a cabeça está bem distinguida do corpo, tal como a Igreja está bem distinguida de Cristo e nem uma faz parte do outro, apesar de andarem juntos.



    Ainda afirmam que em act 4,17 Pedro afirma que Cristo é a Pedra (segundo Irmãos.net). Outra mentira que não pode ser encontrada no texto. Os apóstolos algumas vezes podem até ter se referido a Cristo como rocha da igreja, mas em outro contexto como também disse a eles «sou a luz do mundo» e ao mesmo tempo «sede Luz do mundo» , mas neste momento, Jesus muda o nome de Simão para Cefas(que quer dizer pedra em aramaico, a língua que Jesus falou a Pedro)então se refere a Pedro ser a rocha mesmo. Senão não diria também a Pedro em sua terceira aparição após a ressurreição o seguinte <<Pedro tu me amas? APASCENTA MINHAS OVELHAS>> Pedro deveria cuidar da igreja, doutrinar, como o Papa o faz.



    A história de Pedro começa com o chamamento de Cristo (Cristo diz a dada altura que «eu sei a quem chamei»), junto ao lago de Genesaré (Lc 5,1). Depois da grande pescaria, Pedro reconhece o Senhor ao qual se prostra a seus pés, dizendo:« Afasta-te de mim Senhor pois sou um homem pecador». Esta frase de Pedro é emblemática. Em parte é dividida no reconhecimento do Senhor, outra parte no reconhecimento dos seus pecados. Um episódio marcante da vida de Pedro em Comunhão com Jesus passa-se em (Mt14,22-33), quando Pedro de entre todos os discípulos tem a coragem de andar nas águas com o Senhor.

    «Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» 29«Vem» - disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» E, quando entraram no barco, o vento amainou. Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!» (Mt 14, 28-33)


    Grande foi a fé de Pedro, mas sentindo a violência do vento, logo Pedro sentiu medo e falta de fé e ia-se afundando, não fosse o senhor botar-lhe a mão e salvá-lo. Outro episódio marcante foi a confissão messiânica de Pedro: «Quem dizeis vós que eu sou?» ao que Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias de Deus» (Lc 9,20).

    Outro episódio muito marcante, foi as 3 negações de Pedro, que Jesus havia predito e que no final do evangelho de João, Jesus perdoa 3 vezes. Se retomarmos toda a história vemos que Cristo assentou a sua Igreja sobre aquele que o haveria de negar 3 vezes e 3 vezes o perdoa.



    Ao longo da história principalmente na Idade Média onde o poder político tomou posse, sobre o poder religioso, passou a haver decadência moral na liderança da Igreja. Esta altura é também a idade em que as ordens mendicantes de São Francisco de Assis e de São Domingos, conhecidas ainda hoje como as ordens Franciscanas e Dominicanas, surgiram com grande força profética. Talvez as pessoas não saibam, mas foi também nesta Idade Média que a Igreja inventou as universidades. As Universidades são portanto uma invenção da Igreja(«Uma breve história da Igreja», August Franzen). Foi também uma altura de grande criação de arte, parte dela relacionada com a arte sacra, também de grande desenvolvimento da literatura, entre tantas outras tantas coisas boas, que surgiram na idade Média. É por isso deselegante, dizer que esta Idade Média foi a Idade das trevas, onde existia tanta luz a fluir da Igreja.



    Os protestantes acusam a Igreja de ter apostatado um pouco antes do fim da Antiguidade Cristã, que durou até ao séc V (alguns até desde o ínicio, mas esses nem merecem contraditório), até à queda do Império Romano (pelo ano de 476) ao qual a Igreja milagrosamente conseguiu resistir. Ora como pode apostatar uma Igreja onde tanta luz flui e em que é notória a presença de Cristo no Seio da Igreja.



    Cristo fez uma promessa e sabemos que Deus não muda com o tempo, pois é intemporal, nem muda com o espaço, pois é de facto imutável. Se a Igreja tivesse apostado, Jesus seria mentiroso (as coisa que me obrigam a dizer, para esclarecer, que Deus me perdoe), pois Ele disse: «as portas do inferno não prevalecerão sobre ela». Se a Igreja tivesse apostatado, Deus não teria falado verdade. Se Deus tivesse mudado de opinião não seria imutável, como de facto é. A imutabilidade é uma característica de Deus. «Deus é» desde o principio, pois nos disse :

    « Deus disse a Moisés: « EU SOU AQUELE QUE SOU .» Ele disse: «Assim dirás aos filhos de Israel: ’ Eu sou ’ enviou-me a vós!» (Ex 3, 14).


    Ora se Deus é aquele que é, quer dizer, que nunca deixou de ser, pois sempre é, nunca no passado nem no futuro, mas sempre no tempo em que tudo ocorre «Ele é», porque é de facto imutável. O seu conhecimento é sempre o mesmo, desde o principio do Mundo e o seu plano é sempre o mesmo: a salvação. Por isso a aliança selada com o sangue de Cristo, não pode ser quebrada durante algum tempo, porque isso significaria Deus deixar de «ser o que é» (mudar de opinião em relação à igreja ou a qualquer coisa é mudar o que se é e Deus não muda, pois é imutável), durante esse tempo. Isso é impossível. Dizem os protestantes que depois essa aliança foi reatada, na reforma protestante. Cabal mentira. Os membros da Igreja podem apostatar mas a Igreja não.



    Resumindo, Pedro era também um líder da Igreja e negou a Cristo 3 vezes e 3 vezes foi perdoado. Também perdeu a fé quando se viu atribulado pelos ventos do mar, mas logo foi resgatado. A Igreja nunca negou Cristo, mas os seus líderes e os seus membros provavelmente fizeram-no, quando passaram por tribulações do Mundo, tal como Pedro no mar. Mas tal como Pedro que também veio a ser líder da Igreja, também eles são resgatados por Cristo e perdoados 3 vezes. Cristo sabia o que ia acontecer na Igreja e por isso dá o exemplo de Pedro, perdoando as suas negações 3 vezes, resgatando-o no momento de falta de fé. Por isso tenhamos cuidado se pensarmos em apostatar da Igreja, para ir para uma dessas igreja protestantes, porque estaremos a sair do caminho que Deus instituiu.



    Esse ensinamento é um ensinamento válido , olhando para a Igreja ao longo dos tempos, de que qualquer que seja, as pequenas ou grande negações que a liderança da Igreja faça, Cristo nunca abandonará a Igreja, perdoar-lhe-á tantas vezes quantas vezes os seus membros, sejam eles líderes ou não, o negarem. Os seus membros podem apostatar, mas a Igreja nunca. Por isso é que vemos a presença de Cristo na criação das ordens mendicantes e na criação das universidades, do desenvolvimento da arte sacra e da literatura («Uma breve história da Igreja», August Franzen),na Idade Média, quando outras coisas menos boas aconteciam. Deus está sempre com a Igreja que instituiu e nenhuma outra lhe pode ocupar o lugar. Para terminar outra acusação frequente dos protestantes baseados numa leitura bem oblíqua do apocalipse é que a Igreja é a prostituta aí narrada. Ainda que  Igreja fosse a prostituta, que não é , ainda assim Jesus lhe diria:

    "Nem eu te condeno, vai e não tornes a pecar" Jo 8,11
    Tal como disse à mulher encontrada em falta e acusada pelos fariseus.

     Nem sequer seguir o exemplo de Jesus conseguem, e por isso não conseguem andar acompanhados pela verdade.



    Ao alcance da Verdade,

    Vítor Ribeiro (com a colaboração de Renato Silveira)
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    Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e que fazia diariamente brilhantes festins. Um pobre chamado Lázaro jazia coberto de úlceras no pórtico de sua casa. Ele bem quisera saciar-se do que caía da mesa do rico, mas eram antes os cães que vinham lamber suas úlceras.


    O pobre morreu e foi levado pelos anjos para um lugar de honra junto de Abraão. O rico morreu também e foi enterrado. Na morada dos mortos, em meio às torturas, ergueu os olhos e viu de longe Abraão com Lázaro a seu lado. Ele exclamou: "Abraão, meu pai, tem compaixão de mim e manda que Lázaro venha molhar a ponta do dedo na água para me refrescar a língua, pois eu sofro um suplício nestas chamas".


    Abraão lhe disse: "Meu filho, lembra-te de que recebeste tua felicidade durante a vida, como Lázaro, a infelicidade. E agora, ele encontra aqui a consolação, e tu, o sofrimento. Além disso, entre vós e nós foi estabelecido um grande abismo, para que os que quisessem passar daqui para vós não o possam e que também de lá não se atravesse até nós".


    O rico disse: "Eu te rogo, então, pai, que envies Lázaro à casa de meu pai, pois eu tenho cinco irmãos. Que ele os advirta para que não venham, também eles, para este lugar de tortura". Abraão lhe disse: "Eles têm Moisés e os profetas, que os ouçam". O outro replicou: "Não, meu pai Abraão, mas se alguém dentre os mortos for a eles, se converterão". Abraão lhe disse: "Se eles não escutam Moisés nem os profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não ficarão convencidos". (Lc 16,19-31)


    Esta parábola não visa tratar sobre caridade e falta de caridade. Não diz que o rico negava esmolas a Lázaro. Talvez até ignorasse a presença dele junto de sua casa, fechado como estava em seu bem-estar, que não lhe permitia perceber problemas alheios.

    Jesus quer chamar a atenção não para a necessidade de amar-mos o próximo (bê-a-bá cristão), mas para a importância das situações (dos quadros da vida). Uma situação de afago e prazeres pode embotar a mente, tornando-a insensível a valores superiores. Pode tirar a fome da vida eterna, se já se julga satisfeito com seus bens. Ao contrário, uma situação de penúria entretém a fome e a sede de algo maior.

    A riqueza honesta não é má nem condenável, assim como a pobreza não é garantia de salvação. Mas ambas suscitam atitudes éticas que podem facilitar ou dificultar a procura de Deus. É para isto que Jesus quer despertar os cristãos nesta parábola.

    Esta lição se baseia num precedente bíblico: Quando Ciro deu liberdade aos judeus para saírem da Babilônia, onde viviam exilados, e regressarem à Judéia, os que haviam conseguido certo bem-estar na Babilônia não tiveram coragem de deixar tudo para recomeçar a vida na Terra Santa. A situação cômoda em que se achavam diminuía seu zelo pelas instituições sagradas de Israel. Assim, quem voltou do exílio para a Judéia foram os pobres, ou "o resto de Israel", como diziam os profetas. Por não terem ilusões suscitadas pelos afagos terrestres, guardavam mais nítida a escala dos valores e tiveram o coração livre para atender ao chamado de Deus, que lhes pedia a reconstrução de Jerusalém.

    Jesus chama os pobres, os que tem fome, sede e choram de bem-aventurados, não por causa da pobreza como tal, mas por causa da atitude ética (ou da fé ou do amor) que essa pobreza preserva ou suscita. E chama os ricos de infelizes (Lc 6,24-26), não por causa da riqueza como tal, mas porque a riqueza pode fazer murchar a fé e o senso do Transcendental.

    Em outras palavras: o rico morreu sem fome física nem espiritual: nada mais espera na outra vida, satisfeito que estava em seu bem-estar. Lázaro que teve fome física e doenças, tinha fome de uma realidade melhor do que a vida terrestre. No além a fome material e espiritual de Lázaro era saciada, ao passo que no rico, ela não existia.

    Alguém pode ser rico e ter um coração de pobre, cultivando o desapego, a humildade, a caridade, como alguém pode ser pobre, mas ter um coração de rico, sem caridade nem humildade. Lázaro, pobre na terra, e Abraão, rico na terra, tiveram a mesma sorte final, porque ambos, em circunstâncias diferentes, tiveram o mesmo amor a Deus e o mesmo desprendimento dos bens terrenos.

    Jesus não costumava dar nomes aos personagens de suas parábolas. Neste caso, talvez o tenha feito visando a futura ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-4). Com efeito, um Lázaro havia de ressuscitar para dar aos homens um testemunho e uma advertência.

    A parábola nos lembra que é na terra que se decide a eternidade no Céu ou no Inferno. Não nos falta os meios cotidianos de santificação: As Escrituras e os Sacramentos. A fé descobre neles os sinais de Deus a respeito do sentido desta vida. O cristão não vive de milagres, mas dos meios ordinários de santificação. Muitos costumam dizer que, se Deus se fizesse mais sensível, seriam mais fervorosos. Pura ilusão. Quem não tem fé nos dons cotidianos de Deus, encontrará desculpas sutis para não reconhecer os milagres de Deus. Abraão responde ao rico que quem não tem o hábito da fé viva, rejeitará mesmo os sinais mais significativos. Na verdade, Lázaro, irmão de Marta e Maria, e o próprio Jesus haviam de ressuscitar dentre os mortos e aparecer aos judeus, mas nem assim estes se deixaram convencer.

    "Um grande abismo" que Abraão diz existir entre o Céu e o Inferno indica que é só na vida terrestre que podemos nos converter. A morte nos estabelece em nossa condição definitiva: Ou o Céu para sempre ou o Inferno para sempre.

    Esta parábola nos leva a concluir que cada indivíduo, ao deixar este mundo, recebe uma sentença. Lázaro é levado ao "seio de Abraão" e o rico aos tormentos do inferno. Isto pressupõe uma sentença de Deus logo após a morte. E sentença definitiva, pois o mau não pode passar para o lugar do justo nem vice-versa. E ainda, sentença anterior ao Juízo Final, pois os irmãos do rico ainda vivem na terra. Temos aí a fundamentação Bíblica da doutrina do Juízo Particular.

    A parábola evidencia também que a tese da reencarnação não é compatível com a fé cristã. Existe para cada homem uma só passagem pela terra. Esta verdade é também reforçada em Hb 9,27: "Os homens devem morrer 1 só vez. Depois segue o Julgamento." Vemos ainda que Deus não permite que os espíritos dos mortos se comuniquem com os vivos.

    Luciane

    Imaculada conceição – Imaculada significa sem máculas, ou seja, sem manchas, o que consiste em crermos que ela já foi concebida sem o pecado original (origem = nascimento), como uma redenção "preventiva", ou seja, ela não podia estar em pecado para receber Jesus em seu ventre e amamentá-lo em seu seio virginal, o próprio Deus a preparou para ser seu sacrário, nenhum bom arquiteto faria pra si mesmo uma casa que habite o inimigo. Esse dogma foi declarado em 1854 e é festejado no dia 8 de dezembro. Há dois versículos bíblicos que nos provam este dogma.

    Em Lucas 1 , 28, nas palavras do anjo, já podemos constatar a imaculada conceição de Maria, pois ela foi agraciada por Deus para que O próprio habitasse em seu ventre: “Ave cheia de graça, o Senhor é contigo”. Em português, essa saudação pode nos parecer “normal”, mas em grego (que é a língua em que o novo testamento foi escrito) o anjo chama Maria de kecharitomene, o que significa plena da graça, agora e sempre.
    No outro versículo, em Gênesis 3,15, Deus promete à serpente que colocará ódio entre ela (que é o demônio) e a mulher, entre a descendência da serpente e a da mulher. A partir daqui, Deus já preparava Maria e sua descendência, aquela que veio cheia da graça para trazer ao mundo o redentor Salvador. A descendência de Maria é a partir de Jesus, logo passando para João (João 19,27) e a todos nós. Maria já estava no plano da redenção, ela é mãe de todos os redimidos (Eva dos viventes).


    Para confirmar ainda mais a palavra de Deus, em 1858 (quatro anos depois da definição dogmática) ocorreu uma das aparições mais famosas de Maria em que ela revelou-se à Santa Bernardette com as seguintes palavras: “Sou a imaculada Conceição”.
    Diante destes fatos efetiva-se o dogma da imaculada conceição da mãe de Jesus. Afinal, é pelo fruto que conhecemos a árvore. (Mateus 12, 33). O mérito de Maria ter sido imaculada é unicamente de Cristo, pois por Ele que Ela foi concebida sem pecado: “meu espírito exulta de alegria em Deus, meu SALVADOR” (Lucas, 1, 47).

    Autor: Renato Silveira
    tato211219@gmail.com
    autor do Blog Cotidiano Espiritual


    As provas Bíblicas do uso de imagens e ícones na liturgia e devoção.

    Fiquei muito satisfeito com a visita de dois Testemunhas de Jeová à minha casa. Foi muito desafiante ver que os dois eram bem firmes sobre sua crença. Um homem e uma mulher, Bíblia na mão, desejosos em começar a discussão. Uma foto colorida da estátua de Nossa Senhora de Fátima - a que verteu lágrimas em Nova Orleans - estava em um lugar bem proeminente na parede da sala. Os TJs não perderam tempo.

    "Eu era católica, sabia?", ela iniciou, "até que compreendi que estava adorando ídolos ao invés de Jeová", disse candidamente. "Me livrei de todos os ídolos que tinha, e centrei minha atenção na Bíblia". Imaginei que se meus visitantes fossem Anglicanos ou algum outro ministro protestante poderíamos ter tido uma discussão mais racional sobre este assunto. Mas não com TJs. A maioria dos anglicanos da Austrália não relutaria em ver estátuas da rainha Vitória nos parques públicos. O mesmo se aplica ao capitão Cook e outros grandes personagens da história daquele país. Nem os protestantes dos Estados Unidos - clássicos ou pentecostais - acreditam que o Memorial Lincon em Washington é um templo pagão para adoração de um ídolo de fundição cujas características são de um presidente já morto.

    Não. Todos sabem que aquelas estátuas possuem um propósito específico, isto é, relembrar a nós da pessoa que é honrada, suas virtudes e feitos pelo bem da nação. Se alguém pichar as estátuas da rainha Vitória ou de Abraham Lincon não estará simplesmente desfigurando um pedaço de ferro fundido, mas a memória da pessoa e, conseqüentemente, os valores da nação que por extensão estão representadas na pessoa da estátua. É por isso que imagens são feitas para honrar grandes homens e mulheres, e é por isso que temos fotos de nossos queridos em lugares especiais em nossas casas, e, às vezes, beijamos a figura de um filho ou filha morta, ou por saudade do noivo que está viajando, como expressão de carinho a ele ou ela.

    Mas todas estas considerações são totalmente estranhas aos TJs. Tive de falar em uma língua que eles entendessem. Então comecei: "Estou satisfeito em saber que você se livrou de todos os ídolos de sua casa e centrou sua atenção na Bíblia. Isto é ótimo. Agora, diga-me, o que você me diria se eu adquirisse um Bíblia de você, e, ao invés, de ler, eu chutasse ela através da porta, rasgasse ela e terminasse fazendo aviõezinhos com suas páginas, que lançaria pela janela até a rua. Agora, o que você diria?" Terminei de dizer sorrindo.

    Ela respondeu, "Diria que você não tem respeito pela Palavra de Deus, e irá receber a ira de Jeová..." "Por enquanto é só" - disse eu - "Mas o livro da Bíblia não é só... papel? Para quê esse exagero todo? Um dicionário, uma lista telefônica, um jornal e uma Bíblia são, estritamente falando, apenas papel e tinta! Porque vocês TJs seriam indiferentes se eu fizesse aviõezinhos de papel com papel de uma lista telefônica, mas não ficariam se eu os fizesse usando o papel de uma Bíblia?"

    O rapaz estava doido para falar: "A Bíblia contém a mensagem de Jeová, e suas páginas devem ser tratadas com reverência e respeito pelo que representam. Uma lista telefônica ou um dicionário não representam da Palavra de Jeová Deus", ele concluiu, com um toque de seriedade pontifícia. "Pois é por esta mesma maneira que temos imagens", eu disse. "Não é o ferro ou madeira ou outro material usado que se faz importante, mas a personalidade representada, a mensagem que elas trazem".

    "Devemos ser guiados pelo Bíblia, sabia" disse a mulher, bem treinada na maneira de mudar de assunto. "E a Bíblia é muito, muito clara quanto imagens e ídolos, sabia? Veja Ex 20,2-5. Aqui você vê os mandamentos de Jeová contra qualquer forma de ídolo ou estátuas, como preferir chamá-las. Posso ler para você na sua própria Bíblia, se preferir?" Ela tomou minha Bíblia da mesa de café, e suas mãos bem treinadas passearam pelas páginas. Então, com uma face ardente, ela leu bem alto: "Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem figura alguma do que há embaixo da terra, nem do que há nas águas debaixo da terra. Não adorarás tais coisas, nem lhes prestarás culto. Porque eu o Senhor teu Deus sou um Deus ciumento".

    Ela parou por um momento, para ter certeza que eu ouvi a mensagem, e, com um estudado aceno com a cabeça terminou dizendo que... "Como você vê, Jeová Deus abomina idolatria... sabia?"

    "Sim, sabia", respondi. "Mas Deus não está condenando pinturas ou esculturas como uma arte, mas apenas as imagens ou outras representações que eram adoradas pelo povo. Você retirou o texto de seu contexto natural e transformou-o em um pretexto contra a Igreja Católica. Se você verificar outros textos paralelos, verá que o que Deus condena é a escultura de ídolos com o propósito de adoração destes mesmos ídolos, que são vistos como ?deuses? pelo povo idólatra, e não meramente imagens representando heróis nacionais ou santos. Veja, por exemplo, Ex 20,23 e 34,17; Lv 19, 4.26; Dt 4,23-24.27,15." (o leitor desta carta verifique, por favor, estas passagens).

    "Quer dizer", falou o rapaz, "Que você está me dizendo que, se o povo não adorar as imagens como deuses mas simplesmente as honrar como representações de pessoas virtuosas, Jeová não levará em consideração?"

    "Matou a charada, meu rapaz", respondi. "O que estou querendo dizer para você é ainda mais: Deus nosso Senhor ordenou que imagens fossem esculpidas! Ele disse ao povo para ter mais respeito a elas que qualquer Britânico teria com a imagem da rainha Vitória, ou qualquer patriota americano teria com o memorial Lincon ... sabia?" Conclui, com algo meio teatral.

    A moça deu uma risada irônica que ecoou pela sala, como morcegos com um radar defeituoso em uma pequena garagem. "Mas você não encontra isto na Bíblia!!!", bradou ela. "É uma invenção católica romana, porque Jeová Deus nunca se contradiria! Como poderia condenar ídolos e depois ordenar que fossem esculpidos? Não pode ser, sabia disso?"

    "Claro que não pode ser!", disse. "Isto não foi o que eu disse. Deus nosso Senhor condena a feitura de ÍDOLOS para adoração, mas ordena a escultura de IMAGENS para veneração"

    O rapaz estava tão ansioso que sua transpiração atravessava sua nuca: eles achavam que finalmente tinham me encurralado. Deixei que eles tivessem alguns momentos de alegria, mas não muitos. "Posso mostrar a você na Bíblia"? perguntei.

    "Seja nosso guia", responderam em uníssono. Peguei a Bíblia na mesa do café, enquanto eles se sentavam alegres e triunfantes. "Aqui está", disse. "Vocês sabem que o lugar mais sagrado mundo era o santuário que guardava a Arca da Aliança. Ela era tão sagrada que nenhum outro senão o sumo sacerdote podia toca-la. Ela continha as tábuas dos mandamentos. Em Ex 25,8 Deus diz: ?devem fazer um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles?. Agora, notem que Deus não disse que o santuário deveria ser para simboliza-lo, mas pêra Ele próprio. Ali Ele habitaria, no meio do povo. Agora, os versos 10 a 16 nos falam sobre a Arca da Aliança. Nos vv 17-21 Deus diz: ?Farás também o propiciatório [uma tampa, um opérculo, para a Arca, no qual o sumo sacerdote aspergirá sangue na festa reconciliação] de ouro puro... Farás dois querubins de ouro batido nas duas extremidades do propiciatório, cubram ambos os lados, estendendo as asas e cobrindo o oráculo, e estejam olhando um para o outro com os rostos voltados para o propiciatório, na qual porás o testemunho que eu hei de dar."

    Esperei um momento, e conclui: "Claro, poderíamos questionar sobre o estilo atual destas imagens de querubins, mas o assunto que permanece é que Deus ordenou que eles fossem esculpidos e colocados na arca."

    Meus visitantes TJs estavam silenciosos, olhando para mim. "Não é incrível", continuei, indiferente, "que Deus Nosso Senhor se renderia a tantos detalhes para descrever as imagens que Ele quisesse ter entre os mais sagrados objetos da terra, a Arca da Aliança?"

    "Mas estes eram apenas um símbolo dos querubins do paraíso, sabia?", disse a dama. "Não eram querubins reais, ou ídolos para ser adorados".

    "Claro que não!", respondi, enfaticamente. "Eram imagens de querubins, o que é precisamente o que a Igreja Católica ensina" Não são ídolos, de outro modo Deus estaria se contradizendo, condenando e ordenando a mesma coisa. O propiciatório e as imagens dos querubins representavam o trono de Deus no céu, de onde Ele governa o universo.

    "Além disso, no v. 22 do mesmo capítulo do Êxodo, falando sobre o propiciatório com suas duas imagens de querubim, Deus diz: ?De lá te darei as minhas ordens, em cima do propiciatório e do meio dos dois querubins, que estão sobre a arca do testemunho, e te darei todas as coisas que por meio de ti intimarei aos filhos de Israel?".

    Meus visitantes estavam meio abalados. "Como vocês vêem", conclui, "Era entre duas imagens que Deus falava a seu povo. Certamente Deus não ordenaria a Moisés esculpir ídolos na Arca da Aliança, porque idolatria era - e é - uma abominação aos olhos do Senhor".

    Deixei alguns segundos se passarem, e toquei a trombeta para uma outra batalha: "Quando Salomão construiu o templo, foi para cumprir uma ordem de Deus para construir uma morada para Ele, Deus, representada pela Arca. Vejam em Rs 7 (ou 1 Samuel na sua Bíblia). O profeta Natan diz: ?Diz o Senhor: Edifique uma morada para que eu possa habitar? - note como Deus não diz uma casa para a Arca habitar, mas uma morada para Ele mesmo. Ele estava presente onde a Arca estava, e com as famosas imagens"

    "Não havia idolatria no templo, Jeová abomina idolatria", disse o rapaz, tentando achar um ponto essencial.

    "Perfeitamente", respondi. Estava surpreendido o quanto concordava com meus amigos TJs. "Quando Salomão terminou o templo o livro dos reis diz (1 Rs 6,22-35), ?Nada havia no templo que não estivesse coberto de ouro, também cobriu de orou o altar do oráculo?, mas agora vem a maravilha. ?Pôs no oráculo dois querubins feitos de madeira de oliveira, de dez côvados de altura... Pôs os querubins no meio do templo interior. Tinham as suas asas estendidas, de sorte que uma asa tocava a parede, e a asa do outro querubim tocava na outra parede; e as asas juntavam-se no meio do templo. Cobriu também de ouro os querubins?".

    Meus visitantes seguravam seus fôlegos. Continuei: "Vocês sabem o tamanho daqueles querubins? Os do propiciatório eram comparativamente pequenos, como as imagens dos católicos em suas casas, mas aquelas duas gigantes mediriam hoje 10 cúbitos (1 cúbito = 50 cm) de altura, o que seriam cerca de 5 metros de altura! Agora, é uma grande imagem, se me perguntarem! São maiores que as da Basílica de São Pedro no Vaticano...!"

    Não dei trégua aos meus visitantes: "Mas não haviam somente imagens de querubins que ?Jeová? ordenou que fossem esculpidas para o Santo dos Santos: Também haviam esculturas nas paredes, assim como vocês vêem nas Igrejas católicas e nos monumentos. Aqui está, o mesmo capítulo, versos 29 a 35: ?Fez adornar todas as paredes do templo em roda com várias molduras e relevos, figurando nelas querubins, palmas, e diversas figuras...?. Os mesmos querubins e palmas foram esculpidas nas portas do oráculo, que foram revestidos de ouro, e na entrada dos pilares do Templo: todas as imagens foram revestidas de ouro. Mesmo o famoso véu do templo tinha querubins desenhados nele, como vocês podem ler em 2 Cr 3,7."

    Tomei um pouco de ar e disparei: "Agora eu pergunto para vocês: Deus contradisse a si mesmo quando condenou a escultura de ídolos e logo depois ordenou a escultura de imagens colocadas no lugar mais sagrado do mundo, que Ele mesmo escolheu para habitar? Ou Ele sabia muito bem a diferença entre ÍDOLOS para adoração e IMAGENS para veneração?"

    Meus visitantes tinham de dizer alguma coisa. O rapaz gaguejou: "Mas estas decorações foram idéia de Salomão, não de Jeová..." disse, meio que convencido.

    "Nem tanto!" disse a ele. "As decorações seguem o rumo que Deus deu a Moisés para a Arca da Aliança e a Salomão para as imagens gigantes de querubins no Santo dos Santos. Além disso, Deus mesmo consagrou o templo e habitou nele, no dia da Dedicação. Você pode ver tudo isso no livro dos Reis. Vou ler somente alguns versos para vocês (eles não gostam muito quando católicos lêem a Bíblia para eles, mas eles não tinham escolha)".

    "Sim, a dedicação do templo, vamos lá: ?Os sacerdotes trouxeram a Arca da Aliança do Senhor para este lugar, no oráculo do templo, para dentro do Santo dos Santos sob as asas dos querubins... Quando os sacerdotes saíram do santuário, uma nuvem encheu a casa do Senhor, e os sacerdotes não podiam mais ministrar por causa da nuvem: PORQUE A GLÓRIA DE DEUS TINHA ENCHIDO A CASA DO SENHOR?".

    "Vocês podem imaginar?", comentei. "A glória do Senhor encheu uma morada repleta de imagens!".

    Meus visitantes ficaram pensando. E pensar é uma coisa muito boa para fazer: "Incrível, não é? A glória de Deus descendo sobre uma multidão de imagens, todas revestidas de ouro! Lembrem-se que o bezerro de ouro que os hebreus fizeram na no Monte Sinai também era revestido de ouro: isto foi condenado por Deus porque foi usado com o propósito de adoração como a um deus, mas não os querubins de ouro do santuário. Deus quis que eles fossem esculpidos para serem uma representação de Seu Trono no céu, tanto os querubins quanto os serafins

    O bezerro era um ídolo, e devia ser destruído. Os querubins eram imagens, ordenadas por Deus para serem esculpidas, e glorificadas por sua própria presença. Esta é a diferença. Na Bíblia você pode ler que no livro da Sabedoria, 14,12-29, as grandes condenações à idolatria."

    Neste momento minha esposa entrou na sala carregando uma bandeja: café, chá, biscoitos, e água gelada (o verão na Austrália é muito quente). Assim que colocou os itens na mesa, pegou o fim da minha leitura e sabia exatamente de onde eu estava vindo. Antes de sair ela lançou um pequeno desafio aos TJs, para ver se eles tombariam. E eles tombaram. Ela disse: "Deus ordenou que imagens fossem esculpidas somente na Arca e no Santo dos Santos, certo? Com certeza não há em nenhum lugar na Bíblia onde as imagens representem alguma coisa santa? Mas Deus ordenou a Moisés que fizesse uma imagem de uma serpente e colocasse em uma vara. E, milagrosamente, aquele que fosse mordido por uma serpente seria curado pelo simples olhar para a serpente de bronze"

    Minha esposa ainda completou: "Milagres ocorreram através de uma imagem! Incrível como Deus pode confundir Seus inimigos..."

    Tive, então, de completar o assunto sobre a serpente: "Agora, o bonito é que os hebreus eram tão curvados à idolatria que começaram a adorar a serpente como a um deus. O resultado, o Rei Ezequias teve de destruí-la. Vejam em 2 Rs 18,4. Trabalho bem feito! Vamos examinar isto: enquanto eles a usaram como uma imagem milagrosa por onde Deus curava as pessoas estava tudo bem. Deus concedia cura através dela. Mas quando eles começaram a adorar a imagem como um deus, quando começaram a queimar incenso a ela como um sinal de adoração, ela tinha de ser destruída. Não porque era um imagem de escultura, mas por causa do mal uso que fizeram dela. O princípio permanece: o abuso não destrói o uso."

    "Mas, mas... estas coisas aconteceram somente nos dias das Escrituras dos hebreus, sabia?", disse a moça TJ. "Estamos vivendo agora no tempo comum, e as escrituras cristãs gregas nos libertaram dos preceitos da lei antiga, sabia? Jesus aboliu tudo e recomeçou uma nova".

    "É só isso?", eu perguntei. "Então, em sua opinião, Jesus veio para destruir, não para cumprir; para abolir, não para trazer a perfeição; para encobrir,não para fazer as profecias do Antigo Testamento tornarem-se realidade no Novo. Não, meus amigos, Jesus deixou muito claro no sermão da montanha que Ele ?não veio para destruir, mas para cumprir?. Ele também disse que o povo não devia crer que Ele veio ?destruir a lei e os profetas?. Isto está em Mt 5,17. o que os hebreus possuíam apenas em figura, nós temos em realidade. Mas não preste atenção só em mim: veja as palavras de Jesus quando Ele diz ?assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve o Filho do Homem ser erguido, e todos que nele acreditarem não cairão, mas terão a vida eterna? (Jo 3,16).

    Meus visitantes provavelmente não tinham percebido ainda que a serpente de bronze era um prefiguração de Jesus na cruz para trazer cura espiritual e vida eterna para aqueles que olharem para Ele com os olhos da fé. "Mas", iniciou o rapaz, "isto é muito interessante para os pontos de vista arqueológicos, claro, mas os cristãos primitivos não se reuniam em volta de uma serpente para veneração, sabia?"

    "Seu sarcasmos não adiantou muito", respondi. "Você entendeu perfeitamente bem que a serpente era um símbolo no Antigo Testamento - veja Adão e Eva - e Jesus tomou nossos pecados sobre Ele para nos reconciliar com Deus. As serpentes fizeram as pessoas sofrerem e morrerem, assim como os pecados nos fazem sofrer e morrer eternamente.. os hebreus foram curados fazendo a vontade de Deus assim como foi dito a Moisés, o representante de Deus na terra: olhando para a serpente em uma vara, após terem pedido o perdão de Deus por Moisés. Quando nos arrependemos, somos curados dos nossos pecados por fazer a vontade de Deus como nos foi dito pela Igreja, a representante de Deus na terra: olhando com os olhos espirituais para Jesus na cruz, e pedindo a misericórdia de Deus através de seus sacerdotes, a quem Deus deu o poder de perdoar pecados. Jo 20,23".

    "Mas foi a igreja católica quem inventou a confissão dos pecados por um padre, sabia?", disse a jovem moça TJ. "Por favor, não mude de assunto", respondi. "Fiz uma alusão à confissão somente para mostrar a realidade da crucificação de Jesus e a cura do povo no Novo Testamento sendo prefigurados pela serpente de bronze em um vara curando as pessoas no Antigo Testamento. Se vocês não podem ver isto, realmente me preocupo com vocês".

    "Não há nenhuma menção na Bíblia de que os primeiros cristãos dos tempos pré-constantinianos se preocupavam com pinturas, imagens ou outras ?obras de arte?".

    "Se você conhecesse a história dos primeiros cristãos, saberia que as catacumbas primitivas até hoje ainda possuem pinturas representando Jesus como o bom pastor, pão e peixe, a Arca de Noé e muitas outras representações. Se for à Roma, poderá vê-las se quiser. Um imenso número deles são da era pré-constantiniana. Você pode dizer que os primeiros cristãos não desenvolveram a arte de esculpir imagens ou pinturas religiosas nesta época: ora, eles eram perseguidos até a morte, e quando se é perseguido até a morte creio que não sobra muito tempo para desenvolver habilidades artísticas, você teria?".

    Não achei que meus visitantes estavam entendendo o que estava falando. Eles pareciam interessados em mudar o assunto para a Confissão. Mas eu não estava interessado em começar uma nova discussão. Quando nos dirigíamos em direção à porta, minha esposa disse a eles, "não é interessante São Paulo dizer que Jesus é a imagem de Deus? Ele geralmente usa a palavra ?ícone? para dizer ?imagem?. Veja na carta aos Hebreus 1,3".

    Como eles não comentaram, ela continuou: "E vocês sabiam qual foi o primeiro artista que produziu a primeira imagem, para ser respeitada e amada, ser cuidada e honrada, certamente, mas não para ser adorada como deus?" Nossos amigos subitamente pararam, cheios de curiosidade. "Quem foi este?", disse o jovem. "Com certeza Jeová não gostaria de uma imagem de si mesmo. Quem foi?".

    "Você disse agora mesmo!", respondeu minha esposa dando seu sorriso costumeiro. "Foi Deus mesmo o grande artista da primeira imagem de si mesmo - e não estou falando de Jesus..."

    quando nossos visitantes chegaram à porta, ela concluiu: "Leiam em Gênesis 1,26-27: Deus disse, ?façamos o homem à nossa imagem e semelhança... Deus criou o homem em sua imagem. Na imagem de Deus foram criados os homens. Homem e mulher os criou?". Agora eu tinha certeza que os TJs não tinham prestado atenção a isso. "Sim, meus amigos", continuou, "em linguagem Bíblica, o casamento cristão é a primeira e maior imagem de Deus na terra - e Deus mesmo fez esta imagem, este ícone, esta representação dele mesmo, não para ser adorada, mas para ser amada, respeitada, honrada. Tenham um bom dia, e venham novamente!".

    Quando fechamos a porta, desejamos que nossos visitantes pensassem sobre as passagens Bíblicas e nos argumentos que demos para que considerassem.

    Os cristãos devem perceber que a veneração dos ícones, e depois das imagens, tem sido uma tradição cristã desde das épocas das catacumbas. A primeira vez que uma oposição ocorreu contra seu uso foi no século 8 pelo imperador Bizantino Leão, o Isáurico. Influenciado pelo islamismo e pelo maniqueísmo, foi o grande promotor da heresia conhecida como iconoclasmo. Esta heresia foi condenada no 2º Concílio de Nicéia em 787 d.C. e não retornarama te a revolta de Lutero em 1517. é interessante notar que nas igrejas ortodoxas, que quebraram a unidade com Roma séculos antes de Lutero, mantiveram a tradição do uso dos ícones na liturgia e nas devoções de maneira intacta até hoje.

    Tradução de Rondinelly Ribeiro.


    Por que Deus permite as catástrofes mais ou menos freqüêntes, as doenças, a morte, enfim? Como pode um pai deixar sofrer assim os seus filhos? Não tem Ele poder para impedir o mal? E se não Lhe falta poder, onde está a sua bondade, se não o impede?

    Ensina São Tomás que Deus não permite o mal físico senão de um modo inteiramente acidental, como ocasião para os justos exercerem a virtude da constância, praticarem a caridade para com os menos favorecidos ou doentes, etc. Por outro lado, ele deseja alguns males físicos como pena devida ao pecado, como forma de restabelecer a justiça ultrajada pelas faltas voluntárias.

    Com relação à morte, longe de ser o termo da vida, ela é a passagem para uma nova vida, onde a felicidade é completa, sem mesclar de sofrimento e onde se atinge o Sumo Bem, que é o próprio Deus.

    Quanto ao mal moral ou pecado, Deus não pode querê-lo nem mesmo indiretamente; mas ele pode tirar, corno do mal físico, algum bem, como por exemplo, do pecado do perseguidor a manifestação d constância dos mártires.

    A possibilidade do mal moral — ensinam os filósofos — é ao mesmo tempo a conseqüência de um grande bem, a liberdade; e a condição de um bem ainda maior, o mérito.

    As criaturas racionais (os anjos e os homens), por serem dotados de inteligência, possuem o livre arbítrio, a liberdade de escolher entre bens possíveis. A capacidade de livre escolha decorre da natureza inteligente desses seres, do conhecimento que eles têm de várias ações, de seus fins últimos e dos meios para chegar a eles. A liberdade mesmo imperfeita, é a mais bela prerrogativa do ser racional; é pois digno da bondade divina tê-la concedido.

    Deus não podia suprimir no anjo e no homem a possibilidade de fazerem o mal, a não ser recusando-lhes a liberdade ou dando-lhes liberdade incapaz de falhar; na primeira hipótese, eles ficariam rebaixados ao nível dos irracionais, o que seria indigno de criaturas espirituais; na segunda, eles se tornariam iguais a Deus, o que é um absurdo.

    Deus quer que a criatura racional observe suas leis, não como o animal desprovido de razão, que age seguindo os meros instintos, mas moralmente e meritoriamente; ora, sem a possibilidade do mal moral, não haveria mérito na prática do bem, pois não há mérito senão se faz o bem podendo não fazê-lo.

    Deus quis que os anjos e os homens fossem os agentes de sua própria felicidade ou se tornassem responsáveis pela própria desgraça, escolhendo por si mesmos se colaboravam ou não com a graça divina.

    Quando os anjos pecaram e quando os homens pecam, fazem um uso desviado de sua liberdade; Deus, porém, não tolhe a liberdade de suas criaturas racionais em razão do seu uso desviado, porque é próprio a Ele criar e não destruir; seria contrariar-se a si mesmo fazer criaturas livres e depois tolher-lhes a liberdade quando a usam mal. Por outro lado, a existência de seres racionais não-livres é absurda.


    “E Deus viu todas as coisas que
    tinha feito, e eram muito boas".(Gen 1,31)


    ANTES DE ESTUDARMOS a queda de uma parte dos anjos, assim como a figura e a ação do demônio, parece conveniente deter-nos, ainda que rapidamente, no exame do problema do mal. Pois evidente que, se o mal não existisse, não haveria possibilidade de existirem seres malignos, que não visam senão o mal: os demônios.

    Natureza e origem do mal


    De onde procede o mal? Como se podem conciliar a bondade a onipotência de Deus com a existência do mal? Se Deus podia impedir o mal, e não o quis impedir, onde está a sua bondade? E se Deus queria impedir o mal e não o pôde, onde está a sua onipotência? Em ambos os casos, onde está a sua Providência?

    Esse foi um dos problemas que mais angustiaram a Humanidade em todos os tempos, e que só encontra uma solução satisfatória com o Cristianismo.

    Os povos pagãos antigos, premidos por duas realidades aparentemente inconciliáveis — de um lado, a bondade e a onipotência de Deus; do outro, a existência do mal —, procurando evitar o absurdo de atribuir ao ser bom por excelência (Deus) a origem do mal, caíram em outro absurdo, que é o de supor a existência de dois um deuses:um deus bom, criador do bem, ao lado do um deus mau, que seria o criador do mal.

    Essa concepção — conhecida em filosofia como dualismo - é tão absurda como se, para explicar a noite e o frio se admitisse a existência de um sol negro e gélido, distinto do sol radioso e quente, fonte do dia e do calor. Como é evidente, é o mesmo e único sol que dá origem ao dia quando nasce e provoca a noite quando se esconde; que aquece quando está próximo da terra e faz com que surja o frio quando dela se afasta.

    Assim também, não é necessário imaginar dois princípios antagônicos — ou seja, dois deuses — para explicar a origem do mal. O que é preciso, antes de tudo, é determinar a natureza do mal, para depois indagar qual a sua origem.

    O dualismo erra não somente ao conceber duas causas primeiras, contraditórias entre si, para o Universo - uma originando o bem e outra o mal — mas também ao tomar o mal como se fosse um ser, uma coisa que existe por si mesma.

    Ora, como ensinou Santo Agostinho: “O mal não tem uma natureza: aquilo que é chamado mal é mera falta de bem. “(De Civ. Dei 11,9.) Ou, no dizer de São Tomás de Aquino: "Nisto consiste a essência do mal: a privação do bem".(Suma Teológica, 1, q. 14, a. 10.)

    O mal não é, portanto, uma coisa, e sim a falta de alguma coisa. Por isso, o mal não existe por si mesmo, mas apenas como deficiência, como privação de algo. Logo, não foi criado por ninguém.

    Não é, porém, qualquer privação que dá origem ao mal, mas somente privação de algo que é próprio, necessário por natureza à integridade de um determinado ser. Por exemplo, a privação da capacidade de voar não constitui um mal para o homem, uma vez que não é próprio á sua natureza; já a privação da vista é um mal para ele pois enxergar é próprio à natureza humana.

    De onde procede essa possibilidade de a criatura sofrer a privação do bem que é próprio à sua natureza? Em outros termos, qual é a raiz primeira, a origem, aquilo que toma possível o mal?

    Deus fez boas todas as criaturas, porém não as poderia ter dotado de uma perfeição infinita, absoluta, pois a perfeição absoluta só é possível no ser infinito, ou seja, no próprio Deus. Para fazer criaturas dotadas de uma perfeição absoluta, Deus teria que criar outros deuses, o que é absurdo; logo, só podia criar seres finitos, limitados; portanto, imperfeitos, sujeitos a privações.

    É nessa limitação inerente â condição de criatura que os filósofos, seguindo Santo Agostinho, vêem a raiz primeira do mal.

    Daí decorre que a única maneira de evitar o mal seria Deus não ter feito a criação, pois toda criatura é necessariamente limitada.

    O mal pode ser considerado sob diversos aspectos, de acordo com a privação a que se refere.

    Se ocorre privação de um bem físico ou da natureza inanimada, temos o mal físico ou natural; se a privação se refere a um bem moral ou uma perfeição espiritual, estamos diante do mal moral.

    O mal físico compreende todas as desordens da natureza inanimada: terremotos, inundações, incêndios; e em particular as desordens das criaturas sensíveis: o sofrimento, as doenças e a morte. O mal moral compreende as desordens da vida moral: o pecado, o vício, a injustiça, a violação das leis estabelecidas por Deus.


    Frei Raniero Cantalamessa, OFM

    Os textos conciliares do Vaticano II falam com insistência da importância da oração, especialmente da oração litúrgica, na vida dos presbíteros e dos Bispos. Mas gosto de lembrar sobretudo o texto de Atos 6,4, no qual Pedro, na primeira repartição dos ministérios feita na Igreja, reserva a si e aos outros apóstolos a oração e o anúncio da Palavra: Nós, ao contrário, nos dedicaremos à oração e ao ministério da Palavra. Pedro, ou melhor, o Espírito Santo por sua boca, naquela ocasião afirmou um princípio fundamental para a Igreja: que um pastor pode delegar quase tudo a outros na sua vida, mas não pode delegar a oração!

    Esta passagem dos Atos, relativa à instituição dos diáconos, lembra sob muitos aspectos o texto do Êxodo em que se fala da instituição de juízes. Pedro repete na Igreja o que Moisés havia feito no povo de Israel (cf. Ex 18,13-24).
    Aceitando o conselho de Jetro, Moisés escolhe para si, entre todas as funções possíveis, aquela de "estar diante de Deus em nome do povo e apresentar as questões a Deus". Isto não impede que Moisés exerça uma atividade legislativa e que continue a ser o verdadeiro guia do povo; apenas estabelece uma prioridade.

    A propósito de "apresentar as questões a Deus", ouvi esta história do Papa João XXIII. Ele mesmo contava que, nos primeiros dias de pontificado, acordava bruscamente de noite com muitos problemas na cabeça, um mais angustiante do que o outro, e dizia a si mesmo: "É absolutamente necessário que eu diga isto ao Papa!" Mas depois, de repente, lembrava-se de que o Papa agora era ele mesmo, e então dizia: "Bem, então falarei disto com Deus!", e voltava a dormir.

    A decisão tomada por Moisés provinha de uma experiência recente do povo eleito. Este havia superado há pouco uma ameaça de destruição proveniente dos amalecitas. Num momento de vida ou morte para todo o povo e em que cada qual se empenhava ao máximo para rechaçar o ataque de Amalec, onde estava Moisés, seu chefe? No monte, com os braços levantados em oração! Os outros lutavam com Amalec e ele lutava com Deus. Mas foi ele quem decidiu a vitória do povo (cf. Ex 17,8-16). Amalec - explica Orígenes - é aqui o símbolo das forças hostis que se opõem ao caminho do povo de Deus: Amalec é o demônio, é o mundo, o pecado. Quando este povo - e especialmente os seus pastores - reza, é mais forte e rechaça Amalec; quando não reza (quando Moisés, cansado, deixa cair os braços), Amalec é mais forte.

    São Bernardo, no De consideratione, escrito a convite do Papa Eugênio III, aplica esta lição à vida do pastor da Igreja. A certa altura, pede licença para desempenhar o papel de Jetro, sogro de Moisés, e diz coisas que com toda simplicidade me permito lembrar, sabendo que elas julgam, antes de mais nada, a mim que as estou dizendo. Diz assim: "Não confies muito no grau de oração que agora possuis: ele pode deteriorar-se. Temo que no meio das tuas ocupações que são muitas, não tendo esperança alguma de que tenham um fim, tua alma se torne árida. Por isto é mais prudente que te subtraias a tais ocupações em tempo, em vez de ser arrastado por elas, aos poucos, para onde não queres ir, isto é, para a dureza do coração. Eis para onde poderiam levar-te estas malditas ocupações, se te entregares totalmente a elas, sem deixar nada para ti. Visto que todos te têm à disposição, sê também tu um dos que dispõem de ti. Recorda-te, pois, não digo sempre, não digo com freqüência, mas ao menos de vez em quando, de restituir-te a ti mesmo. Usa também tu de ti mesmo, como tantos outros, ou pelo menos depois dos outros".

    Quando fala de "malditas ocupações", São Bernardo está investindo contra todos aqueles compromissos, particularmente numerosos no seu tempo, que obrigavam um pastor da Igreja, e especialmente o Papa, a servir de árbitro de pequenos litígios de Estado ou de família, a dirimir questões entre eclesiásticos, freqüentemente determinadas apenas por ambição e interesse: a ser, em resumo, uma espécie de juiz em sessão permanente, como era Moisés antes de ouvir o conselho de Jetro. O Santo lembra com força a palavra de Jesus: Ó homem, quem me constituiu juiz sobre vós? (Lc 12,14), como também a de Paulo: Ninguém que milite no serviço de Deus se ocupa dos negócios da vida civil (2Tm 2,4). E conclui dizendo: "A razão demonstra de maneira invencível que, se estivesse em nosso poder fazer o que é conveniente, seria necessário preferir em tudo e por tudo, seria necessário praticar ou exclusivamente ou antes de tudo, aquela virtude que serve a tudo, isto é, a piedade (cf. 1Tm 4,8)" (De consideratione, I, 2-6).

    A esta altura, o nosso pensamento é invadido espontaneamente por uma visão: uma visão que é nostálgica, porque evoca o que existia nos inícios da Igreja, mas que eu gostaria que fosse profética, antecipando o que será novo, dentro em breve e de maneira generalizada, na Igreja. A "visão" é a de casas de Bispos que se apresentam, antes de mais nada, como "casas de oração" (e não de administração de negócios, ainda que estes fossem negócios eclesiásticos); visão de paróquias, cuja igreja pode dizer-se realmente "casa de oração para todo o povo" (cf. Mt 11,17) e que, como tal, não esteja aberta, como todos os edifícios públicos, somente nas "horas de trabalho" (nas quais o povo, em geral, não pode ir à igreja!) mas também em outras horas, também à noite. Vi pessoalmente como pode ser uma atração poderosa para o povo que de noite enche os centros das cidades, ver uma igreja aberta e iluminada, com pessoas que dentro dela rezam e cantam ao Senhor. Numa destas ocasiões, uma pessoa nos confiou que naquela noite havia saído de casa para suicidar-se, mas passando por ali havia ouvido cânticos; entrou e reencontrou a esperança olhando para o rosto das pessoas que ali estavam reunidas.

    Portanto, rezar. Mas não basta; Jesus nos ensinou que se pode fazer da oração a própria urdidura, ou o pano de fundo contínuo do próprio dia-a-dia. Devemos tender a isso, pois é possível. "Rezar incessantemente (cf. Lc 18,1; 1Ts 5,17) - escreve Agostinho - não significa estar continuamente de joelhos ou com os braços levantados. Existe outra oração, aquela interior, e é o teu desejo. Se o teu desejo for contínuo, será contínua também a tua oração. Quem deseja a Deus e o seu repouso, mesmo que cale com a língua, canta e ora com o coração. Quem não 'deseja', pode gritar quanto quiser, mas para Deus será como um mudo" (Enarr. Ps 37,14; 86,1).

    Devemos descobrir e cultivar esta oração de desejo, ou "de coração". "Desejo" significa aqui uma coisa muito profunda: é tensão habitual a Deus, é desejo de todo o ser, é saudade de Deus. Agora a oração se torna para nós como um rio temporário que, às vezes, encontrando certo tipo de terreno, desaparece no subsolo (desaparece quando a atividade que estamos desenvolvendo nos absorve mais), mas que, apenas reencontrado o terreno apropriado, volta à superfície e corre à luz do sol (isto é, torna-se oração acolhedora e explícita).

    No início talvez sejam mais raros os momentos em que aflora na superfície, mas depois, aos poucos, aumentando em nós o espírito de oração, esta oração "subterrânea" vem à tona com freqüência sempre maior, até invadir todos os espaços disponíveis do dia, até tornar-se, como em Jesus, o pano de fundo de tudo. Como uma espécie de "inconsciente espiritual" que age também sem o nosso conhecimento (sem que a nossa mente se dê conta). Também de noite. Quantas almas experimentaram a verdade daquela frase do Cântico dos Cânticos que diz: Durmo, mas meu coração vela! (Ct 5,2); acordando de noite, davam-se conta, com espanto, de que seu coração estava orando.
    Quantas almas experimentaram também a verdade da palavra do salmista que diz: Quando te recordo no meu leito, passo vigílias meditando em ti; pois foste um socorro para mim, e, à sombra de tuas asas, eu grito de alegria (Sl 63,7-8).

    A oração contínua, ou de desejo, não deve fazer-nos negligenciar a necessidade vital que temos de um tempo específico e exclusivo para rezar, possivelmente em lugar solitário, como fazia Jesus. Ele nos disse: Quando orares, entra em teu quarto, e, fechando a porta, ora a teu Pai no segredo (Mt 6,6). Há casos em que é preciso tomar ao pé da letra este conselho de Jesus, porque o próprio quarto - depois de fechada a porta e desligado o telefone - tornou-se para muitos, não só leigos, mas também religiosos, o último refúgio de oração neste mundo, em que podemos orar sem ser perturbados. Sem este tempo exclusivo de oração, é uma ilusão aspirar à oração "incessante", ou do coração.

    Quando chega este momento estabelecido para colocar-nos em oração, é preciso interromper decididamente as ocupações e os pensamentos de antes; fazer como Jacó, que durante a noite lutou com Deus, atravessou descalço a torrente, deixando na outra margem todas as pessoas que lhe eram caras e todas as coisas (cf. Gn 32,23ss). É preciso entrar no próprio castelo interior, levantando as pontes levadiças. Para usar as palavras de um escritor espiritual da Idade Média, "é preciso que coloques uma nuvem de esquecimento entre ti e todas as criaturas", para estar em condições de entrar "na nuvem do não-conhecimento" que está sobre ti, entre ti e o teu Deus, isto é, para entrar na contemplação (cf. Anônimo. Nuvem do não conhecimento. 5, Milano: Áncora, 1981, 138s).

    É difícil, mas devemos esforçar-nos por fazê-lo, do contrário toda a oração ficará enfraquecida e dificilmente conseguirá elevar-se. É aconselhável dedicar os primeiros momentos deste tempo de oração a purificar o próprio Espírito, confessando as próprias culpas e implorando o perdão de Deus, visto que "nada de contaminado" pode unir-se a Deus (cf. Sb 7,25).


    Alguns protestantes confundem o culto que os católicos tributam aos santos com o culto que se deve a Deus. Para introduzir o assunto da intercessão dos santos é necessário esclarecer a diferença que existe entre os cultos de "dulia", "hiperdulia" e "latria".

    Em grego, o termo "douleuo" significa "honrar" e não "adorar".

    No sentido verbal, adorar (ad orare) significa simplesmente orar ou reverenciar a alguém.

    A Sagrada Escritura usa o termo "adorar" em várias acepções, tanto no sentido de douleuo como de latreuo, como demonstrarei através da "Vulgata", Bíblia católica original e escrita em latim.

    "Tu adorarás o teu Deus" (Mt 4, 10)

    "Abraão, levantando os olhos, viu três varões em pé, junto a ele. Tanto que ele os viu, correu da porta da tenda a recebê-los e prostrando em terra os adorou" (Gn. 18,2).

    Eis os dois sentidos bem indicados pela própria Bíblia: adoração suprema, devida só a Deus; adoração de reverência, devida a outras pessoas.

    A Igreja católica, no seu ensino teológico, determina tudo isso com uma exatidão matemática.

    A adoração, do lado de seu objeto, divide-se em três classes de culto:

    1. culto de latria (grego: "latreuo") quer dizer adorar - É o culto reservado a Deus

    2. culto de dulia (grego: "douleuo") quer dizer honrar.

    3. culto de hiperdulia (grego: hyper, acima de; douleuo, honra) ou acima do culto de honra, sem atingir o culto de adoração.

    A latria é o culto que se deve somente a Deus e consiste em reconhecer nele a divindade, prestando uma homenagem absoluta e suprema, como criador e redentor dos homens. Ou seja, reconhecer que ele é o Senhor de todas as coisas e criador de todos nós, etc.

    O culto de dulia é especial aos santos, como sendo amigos de Deus.

    O culto de hiperdulia é o culto especial devido a Maria Santíssima, como Mãe de Deus.

    Alguns protestantes protestam dizendo que toda a "inclinação", "genuflexão", etc, é um ato eminentemente de "adoração", só devido à Deus.

    Já demonstramos, com o trecho do Gênesis, que isso não procede. Todavia, para deixar mais claro o problema, devemos recordar que o culto de "latria" (ou de "dulia") é um ato interno da alma. A adoração é, eminentemente, um ato interior do homem, que pode se manifestar de formas variadas, conforme as circunstâncias e as disposições de alma de cada um.

    Os atos exteriores - como genuflexão, inclinação, etc -, são classificados tendo em vista o "objeto" a que se destinam. Se é aos santos que se presta a inclinação, é claro que se trata de um culto de dulia. Se é a Deus, o culto é de latria.

    Aliás, a inclinação pode ser até um ato de agressão, como no caso dos soldados de Pilatos que, zombando de Nosso Senhor, "lhe cuspiram no rosto e, prostrando-se de joelhos, o adoraram" (Mc 15, 19). A objeção protestante, dessa forma, cai por terra. Ou eles teriam que afirmar que havia uma "adoração" por parte dos soldados de Pilatos, o que é absurdo! Eles simulavam uma adoração (ou veneração ao "Rei dos Judeus), através de atos exteriores, mas seu desejo era de zombaria.
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