Mostrando postagens com marcador Formação. Mostrar todas as postagens

O impacto das relações exclusivas estáveis ​​a longo prazo sobre a longevidade está bem estabelecido. Em um extenso estudo realizado em sete países europeus, as pessoas casadas tiveram taxas de mortalidade ajustadas para a idade que eram 10-15% mais baixas do que a população como um todo.
Entretanto, estão menos estabelecidos os benefícios da fase inicial das relações românticas, isto é, o namoro. Evidências sugerem que os relacionamentos românticos na adolescência estão associados com aumento de sintomas depressivos, embora estes sintomas venham a diminuir à medida que as pessoas envelhecem. Os relacionamentos românticos entre os 18 e 25 anos de idade estão associados a uma melhor saúde mental, mas não melhor saúde física. Assim, parece que adquirir um certo grau de maturidade é necessário antes de que o Amor seja capaz de trazer um benefício real para a saúde.
Embora o estabelecimento de uma parceria seja capaz de proteger a saúde, isso varia de acordo com o tipo de parceria. O casamento e outras formas de parceria podem ser colocados ao longo de uma escala de compromisso, com compromisso maior conferindo um benefício maior. Em termos de saúde física, a duração de uma relação é um preditor de longevidade tão forte quanto o status legal.
Uma avaliação de 148 estudos sobre o impacto das relações sociais descobriu que tanto a quantidade de apoio emocional disponível e o status legal das parcerias estão relacionadas com a mortalidade. Como o casamento geralmente indica um compromisso mais profundo, isso pode explicar por que o casamento está associado com melhores resultados de saúde mental do que aqueles casais de apenas vivem juntos.
As relações dos casais que coabitam tendem a ser menos duradouras. Um estudo demostrou que a coabitação parece ser melhor para a saúde física dos homens enquanto que o casamento parece melhor para a saúde mental das mulheres.
Benefícios para a saúde física e mental parecem se acumular ao longo do tempo. Após 30 anos de acompanhamento, e com ajuste para a saúde mental basal, a duração de uma relação foi  associada com melhores resultados de saúde mental; ainda, a diferença nas taxas de mortalidade em favor dos casados aumenta com a idade.
Em termos de saúde física, os homens se beneficiam mais de estarem em um relacionamento do que as mulheres; em relação à saúde mental, as mulheres se beneficiam mais do que os homens. O bônus da saúde física para os homens provavelmente se deve pela influência positiva de seus parceiros no estilo de vida. O bônus de saúde mental para as mulheres pode ser devido a uma maior ênfase na importância da relação entre um casal, importância essa valorizada pelas mulheres.
Parcerias civis teoricamente deveriam conferir os mesmos benefícios que as parcerias heterossexuais, na medida em que fornecem os mesmos tipos e níveis de apoio social. Sem dúvida os benefícios de saúde de parceria em minorias sexuais podem ser um tampão contra o estigma social, mas isso precisa ser equilibrado com uma duração mais curta de muitos relacionamentos observada entre parceiros do mesmo sexo. Mais evidências são necessárias a respeito desta questão.  
Copyright © Bibliomed, Inc. 

ASSIM COMO atestam Michaellis, Aurélio e todos os dicionários da língua portuguesa, os termos orar e rezarsão sinônimos. Aliás, é importante notar que essa duplicidade de termos que expressam uma mesma realidade é característica de nossa língua pátria. Em inglês, por exemplo, o verbo to pray significa exatamente o mesmo: orar ou rezar, tanto faz. Em italiano, usa-se a palavra pregare, que poderia ser traduzida como "suplicar" e que tem o mesmo sentido de orar ou rezar em nosso idioma.

No desenvolvimento do português, – esta língua tão complexa, – surgiram muitos termos sinônimos, como: andar e caminhar; experimentar e experienciar; trabalhar e laborar; alimentar e nutrir; orar e rezar, etc, etc... De fato, não há absolutamente nenhuma razão para se diferenciar radicalmente os termos orar e rezar. Na Santa Missa, por exemplo, o sacerdote tanto usa a expressão "oremos" quanto, – na oração dos fiéis ou na homilia, – pode dizer "rezemos". Infelizmente, porém, de algum tempo para cá, muitos "pastores" andam imaginando que têm autoridade para mudar a língua portuguesa, e por conta própria vem "ensinando" a pessoas simples e despreparadas que existe uma grande diferença entre orar e rezar.

E assim, sem pensar, grande parte dos nossos irmãozinhos afastados assume essa ideia equivocada. Pior: como de costume, considerando-se os únicos entendedores da Bíblia Sagrada, essas pessoas são rápidas em nos acusar por conta deste assunto: criou-se a esdrúxula ideia de que "rezar" seria repetir "vãs palavras", enquanto que "orar" seria, verdadeiramente, falar com Deus. Analisaremos bem a questão, a seguir. Antes, vejamos o que a própria Escritura tem a dizer sobre questões como esta:

“Esses tais demonstram um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca das palavras, que resulta em inveja, brigas e atritos constantes...”
(1Tm 6, 4)

Como vemos, esse tipo de controvérsia sobre palavras não é nenhuma novidade. Voltando à questão, por que se apegam alguns a essa grande diferença inventada, entre palavras que são, na realidade, sinônimas? O que alegam, como já dissemos, é que rezar seria uma vã repetição de palavras decoradas, feita mecanicamente, enquanto que orar seria falar a Deus daquilo que vem do coração, com entrega, com fé e amor. – Para um fiel católico, entretanto, desmontar essa construção maldosa é muito fácil, simplesmente porque é desprovida de qualquer base sólida:

Em primeiro lugar, não é verdade que os católicos só podem se utilizar de orações prontas para falar a Deus. Todo católico pode e deve elevar suas próprias orações espontâneas ao Criador, usando as palavras que lhe vêm ao coração, para pedir, louvar, dar graças. O uso das fórmulas prontas sempre serviu (e serve) como uma espécie de guia, para orientar sobre a maneira correta de falar a Deus, conforme instruiu o próprio Senhor Jesus Cristo: quando um dos discípulos lhe perguntou como deveriam rezar ou orar (Lc 11,1-4. Mt 6,9-14), Ele não respondeu: "falem como quiserem, digam as palavras que lhes vierem ao coração". O que o Senhor fez foi ensinar a oração do Pai Nosso, dizendo: "Quando orardes, dizei assim...". –  O Senhor mesmo, pessoalmente, ensinou uma fórmula pronta, para que compreendêssemos o que era mais importante pedir a Deus, e em que ordem e de que maneira devemos fazê-lo.

Por meio desse modelo, Jesus nos ensinou como devem ser as nossas orações e como elas se tornam aceitáveis a Deus, nosso Pai do Céu. Vemos que pode ser muito útil usar fórmulas prontas como orientadoras para os nossos momentos de oração. Foi assim que o Cristo nos ensinou, e isso não quer dizer, de modo algum, que nossa oração será feita mecanicamente, sem entrega, sem devoção, sem amor.


O "X" da questão

Como sempre, quando discutimos com "evangélicos", não podemos encerrar a questão sem entrar no argumento bíblico. "Está na Bíblia", "não está na Bíblia", "onde é que está na Bíblia...", é o que invariavelmente ouviremos como resposta. E ao tentar esclarecer essa questão específica, há um argumento que virá inevitavelmente, em algum ponto da conversa: a citação do texto do Evangelho de Mateus:

“...Orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.” (Mt 6,7)

A tradução acima é a do protestante português J. F. de Almeida (das versões 'corrigida e revisada' ou 'revisada imprensa bíblica'), as mais usadas pelos "evangélicos". Outras versões trazem traduções diferentes, e existe, no mínimo, uma controvérsia em se usar a expressão "vãs repetições". Neste nosso estudo, entretanto, o que realmente importa, mais do que as diferenças entre traduções, é saber o que verdadeiramente diz o Texto Sagrado. Finalizemos então o assunto da melhor maneira possível: analisando o texto bíblico original, em grego.

“Προσευχόμενοι δὲ μὴ βατταλογήσητε ὥσπερ οἱ ἐθνικοί, δοκοῦσιν γὰρ ὅτι ἐν τῇ πολυλογίᾳαὐτῶν εἰσακουσθήσονται”. (Transliteração:'Proseukomenoi de me battaloyesete osper oi etnikoi, dokusin gar oti en te polylogia auton eisakustesontai').

O vocábulo-chave aí é πολυλογίᾳ, que se pronuncia polylogia, e se traduz da seguinte maneira:poly quer dizer muito, bastante, em grande número;logia quer dizer palavra, discurso, descrição, linguagem, estudo, teoria. No contexto em questão, o termo está mais diretamente relacionado ao sentido de palavra.Polylogia, portanto, quer dizer algo como tagarelice, falatório, verborragia, prolixidade. Como vemos, na fiel tradução desta passagem, dificilmente caberia a expressão “vãs repetições”, tão alardeada.

Outro ponto importantíssimo é compreender que Jesus diz que não devemos falar muito, multiplicando as palavras (atenção) do mesmo modo como fazem os pagãos. É claro que os pagãos não recitavam os salmos, nem as orações dos judeus e muito menos o Pai Nosso, que o Senhor ensinou aos seus discípulos. Se o fizessem, seriam recriminados? Certamente que não.

Agora, se "rezar" fosse o mesmo que usar de "vãs repetições", no sentido de repetir as mesmas palavras, então Jesus mesmo rezava, como vemos no Evangelho segundo S. Marcos, que mostra o Cristo falando a Deus Pai no jardim de Getsêmani, antes de Judas o trair:

"E, afastando-se de novo, orava dizendo novamente a mesma coisa..." (Mc 14, 39)

Se esta cena se passasse no Brasil, hoje, certos "pastores" diriam que Jesus estava cometendo um erro, "rezando" em vez de "orar", usando de "vãs repetições"...

Isso acontece porque muitos memorizam a Bíblia, mas poucos entendem o seu contexto e seus significados realmente profundos. Além disso, certas comunidades ditas "evangélicas" procuram valorizar sempre as diferenças, por menores que sejam, aumentando cada vez mais o fosso da separação entre cristãos. Ainda pior, querelas fúteis como esta servem de pretexto para alimentar a confusão entre os que buscam o verdadeiro cristianismo. Acentuando as diferenças, seja no culto ou nas palavras, imediatamente se identificam como “crentes” ou “evangélicos” e se distanciam de católicos e ortodoxos. É uma tática inteligentemente adotada para crescer e prosperar: levar os ingênuos a acreditarem que somente eles são os detentores da salvação e da Verdade divina: somente eles é que conheceriam os sentidos das palavras, quando a realidade é o exato oposto.

E além de tudo, sejamos francos: quantos falsos profetas, – que já conhecemos tão bem, – são verdadeiros mestres da oratória, gênios dos belos discursos? Dizem que "oram", berram elaboradas palavras diante da assembleia deslumbrada, mas suas vidas estão repletas de podridão, luxúria, ostentação, idolatria ao dinheiro e às riquezas. Já uma certa Madre Teresa de Calcutá era tímida no falar, assim como Irmã Dulce dos Pobres e Frei Damião, apenas para citar alguns exemplos bem conhecidos: todos estes diziam "rezar", e suas vidas foram exemplos de caridade cristã. Quem se atreveria a dizer que essas pessoas não rezavam com o coração, com fé e grande amor a Deus?

Para finalizar, observemos o Salmo 135/6, que reproduzimos abaixo (fizemos questão de usar a tradução protestante de J. F. de Almeida):

"Louvai ao SENHOR, porque ele é bom;
Porque a sua benignidade dura para sempre.

Louvai ao Deus dos deuses;
Porque a sua benignidade dura para sempre.

Louvai ao Senhor dos senhores;
Porque a sua benignidade dura para sempre.

Aquele que só faz maravilhas;
porque a sua benignidade dura para sempre.

Aquele que por entendimento fez os céus;
Porque a sua benignidade dura para sempre.

Aquele que estendeu a terra sobre as águas;
Porque a sua benignidade dura para sempre.

Aquele que fez os grandes luminares;
Porque a sua benignidade dura para sempre..."

E assim prossegue a oração do salmista, até o final,repetindo sempre a mesma fórmula, de novo e de novo. Assim também é que cai por terra, definitivamente, o argumento de que os católicos usam de vãs repetições em suas orações, junto com a suposta importante diferença existente entre os termos "orar" e "rezar".

Tanto "rezar" quanto "orar" englobam todos os gêneros de súplicas a Deus, desde aqueles de petição e agradecimento até as orações de louvor e glorificação ao Criador. Não se trata de nenhum segredo escondido: o leitor pode comprovar esta  simples realidade através de breve pesquisa. Tudo que precisamos fazer é deixar de dar ouvidos aqueles que se consideram donos da verdade, e buscar a Vontade de Deus com amor soberano, pureza de alma, fé desapegada e absoluta sinceridade.

A MISSA É O ATO de culto mais importante que existe na face da Terra. É portanto, o que há de mais importante na Religião. É da Santa Missa que nos vêm, direta ou indiretamente, todas as graças que recebemos, já que é a frequente renovação incruenta (isto é, sem sangue nem sofrimento) do Sacrifício do Calvário. Na cruz, Nosso Senhor jesus Cristo se ofereceu em Sacrifício à Santíssima Trindade. E esse Sacrifício tem um valor infinito, pois Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. No Sacrifício da cruz, Nosso Senhor era a um só tempo Sacerdote e Vítima. Sacerdote sem mácula, perfeita e infinitamente santo, Mediador perfeito entre Deus e os homens. Vítima igualmente perfeita, obedecendo até a morte e morte de cruz para o nosso bem. – Para nos dar a vida eterna. – Na cruz, Cristo adorou perfeitamente à Santíssima Trindade. Na cruz, realizou uma ação de graças perfeita à Santíssima Trindade. Na cruz, Cristo obteve para nós o perdão dos nossos pecados, satisfazendo por eles com seus sofrimentos, mas sobretudo com seu Amor/caridade perfeito para com Deus e para com os homens. Na cruz, Cristo nos alcançou da Santíssima Trindade, por seus méritos sem medidas, todas as graças de que precisamos para nos salvar. É pela Missa que podemos nos unir ao Sacrifício de Cristo no Calvário, pois a Missa é a renovação desse único e definitivo Sacrifício. tudo o que Cristo fez na cruz nos é aplicado pela Santa Missa: Sacrifício que é renovado no momento da Consagração, o ponto mais alto e importante de toda celebração, toda oração, toda adoração e toda devoção católica. É o ápice, o fundamento e a essência de tudo que fazemos e podemos fazer para agradar a Deus. É a oportunidade que temos para adorar a Deus perfeitamente, para agradecer por todos as graças e benefícios. É pela Santa Missa que alcançamos também o perdão de nossos pecados veniais e o arrependimento que nos leva à confissão dos pecados mortais. A Santa Missa tem valor infinito. É graças à Santa Missa que podemos ganhar a vida eterna de felicidade no Céu, em Deus. Podemos, assim, compreender porque a Igreja nos exorta com tanta veemência a ir todos os domingos assistir Missa, sob pena de pecado grave. Salvo motivos de força maior, não deixemos jamais de assistir à Missa. Para assistir à Missa com frutos, isto é, para agradar e ter verdadeira Comunhão com Deus, além de obter tantas graças e benefícios e o arrependimento dos nossos pecados, é recomendado que nos ofereçamos inteiramente a Nosso Senhor pelas mãos de Maria Santíssima. Devemos oferecer todos os nossos sofrimentos e alegrias, nossa inteligência, nossa vontade, tudo. Eis a união perfeita de nossas vidas ao Sacrifício de Nosso Redentor. Por fim, na Missa, devemos pedir não só por nós, mas também pelos que nos são caros, pela nossa pátria, pelo mundo inteiro e (lembrar sempre disso) pelas almas que sofrem no Purgatório, especialmente as mais abandonadas. Devemos pedir pela conversão dos pecadores, pela perseverança dos justos e pelas almas que sofrem no outro mundo. A verdadeira participação na Missa (expressão tão querida dos católicos de tendência modernista) consiste não em falar, cantar e expressar-se ruidosamente todo o tempo, mas sim em oferecer-se inteiramente a Deus, unindo-se ao Sacrifício de Cristo renovado sobre o Altar, para que venhamos a desfrutar, também com Ele, da alegria sem fim da Ressurreição, já neste mundo e depois, eternamente.

A Igreja Católica é sempre atual


Queridos irmãos e irmãs, nós temos a alegria de fazer parte da Igreja através do Batismo e desta maneira passamos a serem filhos e filhas do Deus amado. A nossa Igreja tem uma historia milenar e ela sempre se mostra atual. Se olharmos a história da Igreja através dos séculos encontramos muitos ensinamentos e bons serviços aos pobres, doentes e excluídos. Ela teve e tem o papel muito importante na educação e a sua presença é valiosa nos valores éticos, cristãos e morais de nossa sociedade.

A família é uma questão de honra para a Igreja e deve ser, sem duvida, para a nossa sociedade, pois ela é a célula Mater que desenvolve todos os bons valores para as pessoas serem dignas e boas cidadãs. Não se pode desprezar a historia das religiões, dos povos com suas culturas e de tudo que engrandece a civilização. A Igreja é sempre chamada a ser a luz de Cristo no ensinamento da palavra de Deus, buscando na liturgia bíblica, na tradição e no magistério, razões de sempre anunciar a boa nova de Cristo a todos.

Hoje, celebramos a festa da família de Nazaré, um exemplo como se deve portar todas as famílias do mundo e que possamos olhar com carinho essa exortação do nosso saudoso Papa Paulo VI, quando nos fala das lições de Nazaré: "Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho [...]. Aqui, nesta escola, compreende-se a necessidade de uma disciplina espiritual para quem quer seguir o ensinamento do Evangelho e ser discípulo do Cristo. Que Nazaré nos ensine o que é a família, sua comunhão de amor, sua beleza simples e austera, seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré o quanto a formação que recebemos é doce e insubstituível: aprendamos qual é sua função primária no plano social. "Das Alocuções do Papa Paulo VI - Nazaré, 5 de janeiro de 1964

Que as palavras do Papa Paulo VI, sejam uma chamada de nossa atenção, mas que caia em nossos corações, para valorizar a família e que ela seja amparada por nossas decisões a favor dela. Que todos sintam amparados em uma família humana onde os valores da vida sejam cultivados, defendidos e propagados em todos os cantos do mundo. Viva a família. Feliz 2014.


Bacharel em teologia Jose Benedito Schumann Cunha

Basta de violência e de intolerância


Queridos irmãos e irmãs em Cristo. Nós devemos aprender a mansidão e a paz, pois elas nos ajudam a viver em harmonia com todos. O mundo é marcado por algumas ideologias religiosas, sociais e politicas, e muitas vezes elas atrapalham o convívio harmonioso entre os povos. A intolerância, o egoísmo, o materialismo, o fanatismo religioso, a corrupção, a violência urbana, o ódio, o indiferentismo, a miséria, os vícios de toda ordem, o culto exagerado do corpo, o aborto, a eutanásia etc, tudo isso tem provocado uma decadência nas atitudes éticas e morais das pessoas nesse mundo. Não se pode lutar por interesse ou algo importante se não respeitar a posição do outro para que haja um dialogo mutuo, respeitando a posição de cada um.

Muitas vezes a incoerência de pessoas religiosas que não assume a fé em Cristo, não dando sentido as suas vidas, trazendo uma cultura de morte em todos os cantos desse mundo, por isso é urgente a mudança de mentalidade de propagação da cultura de morte para a cultura de  vida. O mundo se modifica se nós formos capazes de sairmos de nós mesmos e ir ao encontro do outro, motivado pelo amor de Deus em nós. Assim, somos preenchidos pela graça de Deus que nos leva a lutar para a paz em nosso meio e no mundo.

As guerras, as incompreensões e os atritos têm trazidos sequelas horríveis para a humanidade. O Papa Francisco nos falou no dia 25/12 e nos faz pensar e refletir nas nossas atitudes diante das adversidades que deparamos nesse mundo. Assim fala o nosso Papa Francisco: “As guerras dilaceram e ferem tantas vidas, muitas dilaceraram, nos últimos tempos, o conflito da Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a rezar a Deus para que Ele poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio e as partes em conflito ponham fim a toda violência”.

Que o mundo possa colher os frutos da paz que se faz com a nossa ajuda fraterna, solidaria e misericordiosa aos que erram e os que ficam às margens da estrada da vida. Nada pode substituir em nós o amor de Deus que tem por nós, pois Ele é fiel e sempre está ao nosso lado. A morte dos inocentes clama por justiça de Deus e ela não ficará impune, por isso devemos defende a vida de todos, sem exceção. Feliz ano novo, cheio de paz e compreensão mutua para todos.


Bacharel em Teologia Jose Benedito Schumann Cunha

Maria e José, modelos de disponibilidade a Deus


Queridos irmãos e irmãs, estamos as portas da celebração do Natal. Nesse domingo, a Igreja celebra o 4° Domingo do Tempo do Advento, vem Senhor Jesus em nossas casas e em nossos corações. A liturgia vai nos lembrar duas figuras notáveis que são Maria e Jose no Plano de Salvação de nosso Deus.
No livro do Profeta Isaias anuncia que uma virgem conceberá e dará a luz de um menino que é para todos Deus conosco. O Rei Acaz esquece de Deus e confia no poder do exercito dos assírios e por causa disso sofre um grande fracasso. Essa infidelidade do Rei Acaz faz a gente pensar que devemos confiar os nossos projetos que vamos fazer a Deus, pois Ele é fiel e nos dará força e animo para realizá-los.
Apesar de tudo, Deus continua fiel e nos revela através do profeta Isaias um sinal de grande esperança para o povo de Deus. Assim está escrito: "Uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de EMANUEL, que quer dizer Deus-Conosco". Sabe-se que o filho de Acaz foi concebido por uma virgem e tornou-se um Rei bom, consolidando a dinastia de Davi em um sinal da presença de Deus no meio do Povo. Quando há bondade e justiça Deus está presente.
O povo tinha uma grande expectativa que viria outro rei, um filho de Davi, que cumprisse plenamente a profecia e fosse realmente "Deus conosco". Desde os tempos primitivos do cristianismo, os cristãos viram na figura da virgem do livro do profeta Isaias, a pessoa de Maria, , mãe de Jesus; e no "Emanuel" o próprio Jesus, o verdadeiro "Deus-conosco".(cf. Is 7,10-14)
A carta de São Paulo aso romanos nos lembra que Jesus Cristo é a boa noticia de Deus para nós há tempos anunciadas pelos profetas, narradas na Palavra de Deus, mas judeu de nascimento, da família de Davi. Jesus é o Deus conosco que vem nos salvar. (cf. Rm 1,1-7)
O evangelista Mateus narra para nós como foi a realização das promessas de Deus para a humanidade em Jesus Cristo, nosso salvador. Deus vem ao encontro do seu povo, a humanidade se regenera em Deus. Jesus nasce de uma mulher, esposa de um homem justo e honrado Jose, descendente de Davi.
Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Maria concebe Jesus por obra do Espirito Santo como está escrito para mostrar a Jose esse plano de Deus: José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo, assim diz o anjo a ele. Com o advento de Jesus ao mundo, cumpriu-se o que os profetas disseram: "A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamarão Emanuel", que significa "Deus conosco". (cf. Mt 1,18-24)
Assim a vontade Deus se fez e Jose cuidou de Maria e de Jesus, tornando para nós modelo de família que segue os propósitos de Deus para que tenhamos vida em abundancia. O sim de Maria e a obediência de José nos ensinam a seguirmos os seus exemplos para sejamos autênticos cristãos nesse mundo sedento de Deus.
Que a celebração do natal seja a nossa oportunidade de redimir de nossas transgressões humanas nesse mundo, voltando para Deus em uma vida de amor, de justiça, de perdão, de solidariedade, de partilha e de misericórdia a todos que nos cercam
Feliz Natal e  que a noite natalina, que fizermos, seja momento de paz e confraternização para todos. Amém

Bacharel em teologia e filosofo Jose Benedito Schumann Cunha



Para sermos salvos devemos ser de Cristo



Nós devemos ser de Cristo e seguir os seus passos. Assim, vamos despojando do homem velho apegado a matéria e a riqueza desse mundo para ser de Cristo realmente. Nós devemos ser homens novos que ouvem a Palavra de Deus e a põe em pratica em nossas vidas. A Igreja de Cristo deve ser livre de tudo que destoe a comunhão com Deus, parando de ser materialista e de buscar as riquezas desse mundo.
Ser de Cristo deve é ser solidário, partilhar os dons e se fraterno com todos, principalmente os mais pobres e famintos desse mundo. O pão que comemos deve ser repartido com todos, mas isso vai acontecer se estivermos com Deus em Cristo. As curas, o perdão e a misericórdia que precisamos vêm de Cristo. O amor de Deus se derrama a todos que forem sinceros e convertidos a Ele.
Onde encontramos Jesus? Nós encontraremos na pratica do amor que temos a Ele e a todos sem distinção. Jesus é o bom pastor que nos leva a verdadeira vida que está nas mudanças de comportamento e Ele vem nos proteger de tudo que nos afasta Dele que é o egoísmo, o individualismo, o materialismo, fechamento de coração aso que mais precisam e privilégios.
A nossa conversão a Jesus está na simplicidade e na confiança Nele, confiando no hoje que Ele nos dá. Nós estamos aqui pela bondade de Deus e o tempo que ele nos dá é para sermos pessoas novas em Cristo que se associa a sua cruz que nos salva. Seguimos Jesus porque Ele é Deus e não porque Ele pode me dar.
Assim, irmãos e irmãs, a Igreja de Cristo se faz presente no ensino da manjedoura, na missão de Jesus que ajuda, que cura e expulsa todo mal das pessoas e ainda se culmina na morte de cruz onde Jesus se esvazia por completo no amor doação a humanidade. A cruz de Cristo nos leva ao sepulcro que fica vazio na sua ressurreição. A vida nova se faz na conversão a Deus que acontece no proposito de ser autentico cristão em uma vida de confiança ao projeto de salvação trazida por Cristo. Que cada dia possamos ser de Deus e que a sua graça seja propagada com a nossa vida em todos os lugares.
Cada um comece a mudar a sua mentalidade, seguindo o Evangelho de Cristo e que as nossas crianças, os nossos jovens e todos vivam as categorias cristãs e evangélicas. O mundo vai humanizar e cristianizar se vivermos no redil de Cristo que é o Pastor que leva ao verdadeiro caminho, para verdadeira verdade e vida. Desse modo a Igreja se torna naquilo que Jesus quer quando falou a Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e o mal não prevalecerá sobre ela. Isso porque Jesus a guia na força do Espirito Santo para o Reino definitivo que está no céu para sempre amém.

Segue uma palestra para pensar e refletir do nosso papel como Cristão na Igreja de Cristo:

Bacharel em teologia Jose Benedito Schumann Cunha

“O racismo está influenciando esse diferencial de taxa de homicídios. Não conseguimos uma metodologia que seja capaz de quantificar exatamente qual é este percentual, mas cremos, com certeza, que boa parte desse diferencial seja devido ao racismo”, afirma o pesquisador. O percentual de negros assassinados no Brasil é 132% maior do que o de brancos, revela pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea, intitulada Vidas Perdidas e Racismo no Brasil. Embora as razões para explicar esses dados não estejam totalmente claras, “20% da causa da morte de negros” pode ser atribuída a “questões socioeconômicas”, como diferenças em relação a emprego, moradia, estudo e renda do trabalhador, diz Rodrigo Leandro de Moura, um dos autores do estudo realizado pelo Ipea, em entrevista à IHU On-Line, concedida por e-mail. Os outros 80%, esclarece, podem ser explicados por uma “variável socioeconômica que não observamos, mas, apesar de não conseguirmos imaginar qual seja, pensamos que um componente importante para explicar esse dado seja o racismo”. E acrescenta: “O que reforça a tese de racismo é que as características socioeconômicas podem ser afetadas por ele. Então, por exemplo, o negro sofre discriminação no mercado de trabalho, pode ter mais dificuldade de ter acesso a postos de trabalho qualificados, pode sofrer bloqueio de oportunidades de seu crescimento profissional e também pode ter o que chamamos de desigualdade de oportunidades e, por causa disso, sofrer tratamento desigual no que se refere às oportunidades no mercado de trabalho”. Rodrigo Leandro de Moura é graduado em Economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - FEA-RP/USP, e mestre e doutor em Economia pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas - EPGE/FGV-RJ. Atualmente é professor e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia - IBRE/FGV-RJ. Confira a entrevista. IHU On-Line - Como foi realizada a pesquisa que demonstra maior violência contra os negros no Brasil? Rodrigo Leandro de Moura - Essa pesquisa surgiu do nosso interesse de avaliar se havia uma discriminação contra negros ocorrendo em relação aos casos de homicídios registrados no país. Procuramos avaliar inicialmente a taxa de mortes por homicídios de negros e não negros e verificamos uma discrepância grande entre os dados. No que se refere aos resultados por estados, também verificamos que há, principalmente no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, uma discrepância grande entre a taxa de homicídios de negros e não negros. A partir dessas informações, calculamos, através de uma metodologia de outro artigo, a perda de expectativa de vida do negro ao nascer, em razão da violência. IHU On-Line - Por que o número de negros assassinados no Brasil é 132% maior do que o de brancos? Quais as causas desses assassinatos e que atores estão envolvidos nestas mortes? Rodrigo Leandro de Moura - Visto que observamos esse diferencial muito grande entre homicídios de brancos e negros, calculamos a diferença da taxa de homicídios entre negros e não negros e procuramos avaliar, através de um modelo estatístico, qual percentual desse resultado poderia ser explicado por características socioeconômicas - quando falo de características socioeconômicas, refiro-me a diferenças de educação, diferenças demográficas, diferença nas condições do mercado de trabalho, como taxa de desemprego, renda do trabalhador, diferenças de tipo de moradia, densidade domiciliar, etc. A partir desses dados, verificamos que as características socioeconômicas explicavam somente 20% da diferença da taxa de homicídios. Ou seja, 20% da causa da morte de negros pode ser atribuída a essas principais características socioeconômicas. Os outros 80% correspondem a quê? Pensamos que esse resultado se explica através de características socioeconômicas que não observamos. IHU On-Line - Você tem ideia de quais são essas características ou é impossível identificá-las por enquanto? Qual o significado desses 80%? Rodrigo Leandro de Moura – Não. Logicamente estamos restritos à base de dados: utilizamos os dados do Censo. É difícil imaginar outras variáveis socioeconômicas demográficas que não tenham alguma relação no modelo, e também não conseguimos identificar novas características, porque esse exercício foi feito a partir das taxas de homicídio por município. Não conseguimos identificar, por exemplo, que tipo de característica específica, em cada município, pode estar associada ao racismo e que pode, de alguma maneira, afetar o resultado. O que quero dizer com isso? Dentro desses 80% pode ter uma variável socioeconômica que não observamos, mas apesar de não conseguirmos imaginar qual seja, pensamos que um componente importante para explicar esse dado seja o racismo. O que reforça a tese de racismo é que as características socioeconômicas podem ser afetadas por ele. Então, por exemplo, o negro sofre discriminação no mercado de trabalho, pode ter mais dificuldade de ter acesso a postos de trabalho qualificados, pode sofrer bloqueio de oportunidades de seu crescimento profissional e também pode ter o que chamamos de desigualdade de oportunidades e, por causa disso, sofrer tratamento desigual no que se refere às oportunidades no mercado de trabalho. O racismo cria determinados estereótipos negativos que acabam afetando a autoestima de crianças e jovens negros e, aí, logicamente, influenciam negativamente sobre eles. De modo geral, acreditamos que o racismo influencia esse diferencial de taxa de homicídios. Não conseguimos uma metodologia que consiga quantificar exatamente qual é este percentual, mas cremos, com certeza, que boa parte desse diferencial seja devido ao racismo. IHU On-Line - Como a violência se manifesta entre negros e não negros no país? Rodrigo Leandro de Moura – A violência gera uma perda de expectativa de vida. Avaliamos a violência em alguns aspectos: homicídios, acidentes de trânsito, suicídios, etc. A partir disso, observamos que a maior perda da expectativa de vida é para homens. Verificamos também que os homens não negros morrem mais por conta de acidentes de trânsito do que por homicídios, enquanto os negros sofrem mais homicídios. Diante desses dados, entramos na questão que está relacionada ao racismo institucional, ou seja, a uma forma particular de racismo nas instituições, que envolve o funcionamento da polícia. Essas organizações constituem só um segmento, uma ponta do Sistema de Justiça Criminal, que está mais perto do cidadão. Então, é o policial que, em geral, aborda primeiro o criminoso e deveria garantir os direitos civis, os direitos humanos, enfim, a questão da isonomia no tratamento ao cidadão. Entretanto, a partir dos dados do Censo e da Pnad de 2009, observamos que, quanto ao percentual da população que sofreu agressão física em 2009, 1,8% era de negros e 1,3% era de não negros. Entre as vítimas que não procuraram a polícia, 61,8% eram negros e 38,2% eram não negros. Então, o que isso mostra? Que entre aqueles que não procuraram a polícia, ou seja, não procuraram porque não acreditavam, ou porque tinham medo dela, não o fizeram por conta do racismo com que o cidadão é tratado pela polícia. Não descarto também outra possibilidade, que não estaria ligada ao racismo institucional, mas à questão do criminoso, que na maior parte das vezes é negro. Então, haveria um caso de racismo de negro contra negro ou, então, seria mais um problema social, ou seja, como o negro está mais envolvido com o crime, então ele tende a matar mais negros. Acredito mais na hipótese de racismo institucional. IHU On-Line – Há alguma característica específica para o índice de homicídios ser maior no Norte, Nordeste e Centro-Oeste? Rodrigo Leandro de Moura – Aí volta a questão das características socioeconômicas. Esperávamos que as diferenças socioeconômicas explicassem esse dado, só que não explicaram. Esse dado de 80% relacionado ao racismo se manifesta, portanto, no Nordeste, em Alagoas, Pernambuco, Sergipe, também no Pará, no Espírito Santo, em alguns estados do Centro-Oeste, onde parece que o racismo é mais alto. IHU On-Line - Como avalia as políticas públicas dos últimos anos em relação aos negros, como a inclusão nas universidades por cotas? Ações como essa mudam a mentalidade acerca do racismo? Rodrigo Leandro de Moura – As políticas de ação afirmativa, isoladamente, não resolvem o problema. Existem evidências favoráveis em relação às políticas de ação afirmativa, por exemplo, política de cota por raça nas Universidades. Alguns estudos têm mostrado que o desempenho do cotista na Universidade não tem sido estatisticamente pior do que o não cotista. Portanto, a proposta é boa para diminuir a desigualdade e garantir oportunidades. Entretanto, também é necessário melhorar a educação básica na base, porque senão se incorre em outro tipo de discriminação: contra os brancos pobres. As políticas de ação afirmativa deveriam complementar a políticas de educação básica, de qualidade. Você tem que dar uma educação boa desde a primeira infância. Depois de niveladas as características socioeconômicas, a política de ação afirmativa seria menos necessária. O que o nosso estudo mostra é que se você eliminar toda a diferença das características socioeconômicas, a taxa de mortalidade por homicídios reduziria somente 20%.

A vela sempre teve um significado especial para o homem, sobretudo porque antes de ser descoberta a eletricidade ela era a vitória contra a escuridão da noite. À luz das velas São Jerônimo traduzia a Bíblia do grego e do hebraico para o latim, nas grutas escuras de Belém onde Jesus nasceu. Em casa, a noite, quando falta a energia, todos correm atrás de uma vela e de um fósforo, ainda hoje. Acender velas nos faz lembrar também a festa judaica de “Chanuká”, que celebra a retomada da Cidade de Jerusalém pelos irmãos macabeus das mãos dos gregos do rei Antíoco IV. Antes da era cristã os pagãos celebravam em Roma a festa do deus Sol Invencível (Dies solis invicti) no solstício de inverno, em 25 de dezembro. A Igreja sabiamente começou a celebrar o Natal de Jesus neste dia, para mostrar que Cristo é o verdadeiro Deus, o verdadeiro Sol, que traz nos seus raios a salvação. É a festa da luz que é o Cristo: “Eu Sou a Luz do mundo” (Jo 12, 8). No Natal desceu a nós a verdadeira Luz “que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo 1, 9). Na chama da vela estão presentes as forças da natureza e da vida. Cada vela marca um ano de nossa vida no bolo de aniversário. Para nós cristãos simbolizam a fé, o amor e o trabalho realizado em prol do Reino de Deus. Velas são vidas que se imolam na liturgia do amor a Deus e ao próximo. Tudo isso foi levado para a liturgia do Advento. Com ramos de pinheiro uma coroa com quatro velas prepara os corações para a chegada do Deus Menino. Nessas quatro semanas somos convidados a esperar Jesus que vem. É um tempo de preparação e de alegre espera do Senhor. Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador. Nas duas últimas, a Igreja nos faz lembrar a espera dos Profetas e de Maria pelo nascimento de Jesus. A Coroa é o primeiro anúncio do Natal. O verde é o sinal de esperança e vida. A vermelha simboliza o amor de Deus que se manifesta de maneira suprema no nascimento do Filho de Deus humanado. A roxa (ou rosa) significa a alegria de sua chegada. E a branca significa a paz que o Menino Deus veio trazer. A Coroa é composta de quatro velas nos seus cantos presas aos ramos formando um círculo. O círculo não tem começo e nem fim, é símbolo da eternidade de Deus e do reinado eterno do Cristo. A cada domingo acende-se uma delas. As quatro velas do Advento simbolizam as grandes etapas da salvação em Cristo. No primeiro domingo do Advento, acendemos a primeira vela que simboliza o perdão a Adão e Eva. Cristo desceu a Mansão dos mortos para dar-lhes o perdão. No segundo domingo, a segunda vela, acesa coma primeira, representa a fé dos Patriarcas: Abraão, Isaac, Jacó, que creram na Promessa da Terra Prometida, a Canaã dos hebreus; dali nasceria o Salvador, a Luz do Mundo. A terceira vela, acessa com as duas primeiras, simboliza a alegria do rei Davi, o rei que simboliza o Messias porque reuniu sob seu reinado todas as tribos de Israel, assim como Cristo reunirá em si todos os filhos de Deus. É o domingo da alegria. Esta vela têm uma cor mais alegre, o rosa ou roxo claro. A última vela simboliza os Profetas, que anunciaram um reino de paz e de justiça que o Messias traria. É a vela branca. Tudo isso para nos lembrar o que anunciou o Profeta: “Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes.Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor” (Is 11,1-2). “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos. 3. Porque o jugo que pesava sobre ele, a coleira de seu ombro e a vara do feitor, vós os quebrastes, como no dia de Madiã. Porque todo calçado que se traz na batalha, e todo manto manchado de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão presa das chamas; porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz. Seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre. Eis o que fará o zelo do Senhor dos exércitos” (Is 9,1-6).

Como a verdade é única e imutável, assim como ninguém pode apagar a história, afim de desmentir aqueles que negam a vida do Santo Apóstolo Pedro em Roma, seu episcopado e martírio nesta cidade, vale a pena sempre recordar a memória cristã afim de combater o erro. São Pedro pregou em Roma "Lancemos os olhos sobre os excelentes apóstolos: Pedro foi para a glória que lhe era devida; e foi em razão da inveja e da discórdia que Paulo mostrou o preço da paciência: depois de ter ensinado a justiça ao mundo inteiro e ter atingido os confins do Ocidente, deu testemunho perante aqueles que governavam e, desta forma, deixou o mundo e foi para o lugar santo. A esses homens [...] juntou-se grande multidão de eleitos que, em conseqüência da inveja, padeceram muitos ultrajes e torturas, deixando entre nós magnífico exemplo." (São Clemente Bispo de Roma, ano 96, Carta aos Coríntios, 5,3-7; 6,1). Clemente o 3º Bispo de Roma após Pedro, dá testemunho do belíssimo exemplo que o Apóstolo deixou entre os cidadãos Romanos. "Não é como Pedro e Paulo que eu vos dou ordens; eles foram apóstolos, eu não sou senão um condenado" (Santo Inácio Bispo de Antioquia - Carta aos Romanos 4,3 - 107 d.C). Se Pedro não esteve em Roma, qual é o sentido destas palavras de Inácio de Antioquia? "Assim, Mateus publicou entre os hebreus, na língua deles, o escrito dos Evangelhos, quando Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja." (Santo Ireneu Bispo de Lião - Contra as Heresias,III,1,1 - 180 d.C). "Logo depois, o supracitado mágico [Simão], com os olhos do espírito impressionados por uma luz divina e extraordinária, após ter sido convencido de suas insídias [cf. At 8,18-23] pelo apóstolo Pedro, na Judéia, empreendeu uma longa viagem além-mar. Fugiu do Oriente para o Ocidente, julgando que, somente ali, poderia viver de acordo com suas convicções. Veio para Roma, onde fo bastante coadjuvado pela potëncia ali bem estabelecida [cf. Ap 17], e em pouco tempo sua iniciativas tiveram êxito, pois foi honrado como um deus pelo povo da região, com a ereção de uma estátua. Mas estas coisas pouco duraram. Imediatamente depois, ainda no começo do império de Cláudio, a Providência universal, boníssima e cheia de amor aos homens, conduziu mão a Roma, qual adversário deste destruidor da vida, o valoroso e grande apóstolo Pedro, o primeiro dentre todos pela virtude. Autêntico general de Deus, munido de armas divinas [cf. Ef 6,14-17; 1Ts 5,8], trazia do Oriente ao Ocidente a preciosa mercadoria da luz inteligível, e anunciava, como a própria luz [cf. Jo 1,9] e palavra da salvação para as almas, a boa nova do reino dos céus" (Eusébio de Cesaréia - HE,III,14,4-6 - 317 d.C) "Sob Cláudio [Imperador], Fílon [quande estoriador judeu] em Roma relacionou-se com Pedro, que então pregava aos seus habitantes." (Eusébio de Cesaréia - HE II,17,1 - 317 d.C) São Pedro foi Bispo de Roma Eusébio de Cesaréia, narrando sobre a primeira sucessão Apostólica em Roma escreve: "Depois do martírio de Pedro e Paulo, o primeiro a obter o episcopado na Igreja de Roma foi Lino. Paulo, ao escrever de Roma a Timóteo, cita-o na saudação final da carta [cf. 2Tm 4,21]." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,III,2 - 317 d.C). "[...]quanto a Lino, cuja presença junto dele [do Apóstolo Paulo] em Roma foi registrada na 2ª carta a Timóteo [cf. 2Tm 4,21], depois de Pedro foi o primeiro a obter ali o episcopado, conforme mencionamos mais acima." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,IV,8 - 317 d.C). "[...]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo" (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,IV,1 - 317 d.C). São Pedro sofreu o martírio em Roma "Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente" (Dionísio de Corinto, ano 170, extrato de uma de suas cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na HE II,25,8). "Eu, porém, posso mostrar o troféu dos Apóstolos [Pedro e Paulo]. Se, pois, quereis ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, encontrarás os troféus dos fundadores desta Igreja" (Discurso contra Probo - Caio presbítero de Roma, + ou - 199 d.C). Eusébio também trata deste escrito em HE II,25,7. "Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo" (Orígenes, +253, conforme fragmento conservado na HE, III,1). "Quando Nero viu consolidado seu poder, começou a empreender ações ímpias e muniu-se contra o culto do Deus do universo. [...] Foi também ele, o primeiro de todos os figadais inimigos de Deus, que teve a presunção de matar os apóstolos. Com efeito, conta-se que sob seu reinado Paulo foi decapitado em Roma. E ali igualmente Pedro foi crucificado [cf. Jo 21,18-19; 2Pd 1,14]. Confirmam tal asserção os nomes de Pedro e de Paulo, até hoje atribuídos aos cemitérios da cidade." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,II,25,1-5 - 317 d.C). "Pedro, contudo, parece ter pregado aos judeus da Diáspora, no Ponto, na Galácia, na Bitínia, na Capadócia e na Ásia [cf. 1Pd 1,1), e finalmente foi para Roma, onde foi crucificado de cabeça para baixo, conforme ele mesmo desejara sofrer." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE III,2 - 317 d.C). Conclusão Como podemos ver na grande maioria das vezes, é a falta de memória cristã o grande nascedouro das heresias cristãs. Pedro não só esteve em Roma, como foi Bispo daquela cidade e lá juntamente com São Paulo recebe a coroa do martírio. E é de Roma que ele escreve sua primeira epístola (cf. 1Pd 5,13), onde Babilônia é o codinome para a cidade de Roma, devido à grande semelhança entre as duas cidades quanto à idolatria e perversão.


   Quando você quer descobrir como consertar aquele barulhinho do motor do seu carro, a quem você procura? A um mecânico, ou a um jornalista?

Quando você deseja saber qual o melhor remédio para essa infecção que tá deixando todo mundo com medo, quem te passa mais credibilidade? Um infectologista, ou um apresentador da MTV?

Quando você deseja acionar na justiça uma empresa que recebeu mas não entregou, quem você prefere para lhe aconselhar? Um advogado ou um ator da novela das oito?

Certamente você dará preferência ao mecânico, ao infectologista e ao advogado.

Mas e quando você quer se instruir sobre o fato inicial da vida humana e tomar uma posição a favor ou contra a destruição de embriões humanos, a quem você busca?
Tem muita gente por aí preferindo o jornalista, o apresentador da MTV e o ator da novela. Infelizmente. Nada contra eles, mas não são especialistas. Aliás, de um tempo para cá todo mundo se embestou a emitir opinião sobre esse assunto altamente técnico como se esses fatos fossem adaptáveis ao nosso campo de visão, como se tívessemos autoridade para tal. "A vida começa no 4º dia…no 18º dia…só depois que nasce…".

Pobres embriologistas, anatomistas, biólogos, autores de tratados médicos, nunca foram tão desprezados. A prova viva disso é a afirmação da Folha de São Paulo (!) abaixo:

"Nem a ciência nem a religião podem dar uma resposta satisfatória e universal sobre quando começa a vida -se na concepção, ao longo do desenvolvimento fetal ou no nascimento. A única alternativa é deixar que o direito estabeleça o ponto, que será necessariamente arbitrário. O conjunto dos cidadãos e cidadãs tem toda a legitimidade para fazê-lo". (Folha de São Paulo, Domingo, Abril 15, 2007)

Resta a Folha dizer exatamente qual ciência é essa que não está dando conta do recado, porque a ciência que eu pesquisei, dentro das maiores referências bibliográficas do assunto no mundo, já deram sim uma resposta muito bem dada e bem universal. Não parecem ter dúvida alguma. Ou vai ver não alcançaram ainda os critérios científicos de normas-padrão da imprensa brasileira.

Achei esse compêndio dentro da Universidade de Princeton e espero que seja útil para trazer um pouco de luz para o debate mais comprado e tendencioso por parte da mídia que já presenciei nos últimos anos.

Para quem tiver a paciência e a humildade de ouvir os maiores especialistas do mundo na área, segue abaixo suas opiniões extraídas de seus respectivos livros.

A vida humana se inicia na fertilização do óvulo com o espermatozóide

Tradução livre: Silvio L. Medeiros – http://culturadavida.blogspot.com

"O desenvolvimento do embrião começa no estágio 1 quando o espermatozóide fertiliza óvulo e juntos se tornam um zigoto" (Marjorie England, professor da Faculdade de Medicina de Ciências Clínicas, Universidade de Leicester, Reino Unido). [1]

"O desenvolvimento humano começa depois da união dos gametas masculino e feminino durante um processo conhecido como fertilização (concepção).
Fertilização é uma sequência de eventos que começa com o contato de um espermatozóide com um óvulo em sequência e termina com a fusão de seus núcleos e a união de seus cromossomos formando uma nova célula. Este óvulo fertilizado, conhecido como zigoto, é uma larga célula diplóide que é o começo, o primórdio de um ser humano" (Keith L. Moore, premiado professor emérito e cátedro da divisão de anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Toronto, Canadá). [2]

"Embrião: um organismo no estágio inicial de desenvolvimento; em um homem, a partir da concepção até o fim do segundo mês no útero" (Ida G. Dox, autora sênior de inúmeros livros de refência para médicos e cientistas, premiada, trabalhou na Escola de Medicina da Universidade de GeorgeTown). [3]

"Para o homem o termo embrião é usualmente restrigido ao período de desenvolvimento desde a fertilização até o fim da oitava semana da gravidez" (William J. Larsen, PhD, Professor do Departmento de Biologia Celular, Neurologia e Anatomia, membro do Programa de Graduação em Desenvolvimento Biológico do Colégio de Medicina da Universidade de Cincinnati) [4].

"O desenvolvimento de um ser humano começa com a fertilização, processo pelo qual duas células altamente especializadas, o espermatozóide do homem e o óvulo da mulher, se unem para dar existência a um novo organismo, o zigoto" (Dr. Jan Langman, MD. Ph.D., professor de anatomia da Universidade da Virgínia) [5].

"Embrião: o desenvolvimento individual entre a união das células germinativas e a conclusão dos órgãos que caracteriza seu corpo quando se torna um organismo separado…No momento em que a célula do espermatozóide do macho humano encontra o óvulo da fêmea e a união resulta num óvulo fertilizado (zigoto), uma nova vida começa…O termo embrião engloba inúmeros estágios do desenvolvimento inicial da concepção até o nona ou décima semana de vida" (Van Nostrand’s Scientific Encyclopedia) [6].

"O desenvolvimento de um ser humano começa com a fertilização, processo pelo qual o espermatozóide do homem e o óvulo da mulher se unem para dar existência a um novo organismo, o zigoto" (Thomas W. Sadler, Ph.D., Departamento de Biologia Celular e Anatomia da Universidade da Carolina do Norte) [7].

"A questão veio sobre o que é um embrião, quando o embrião existe, quando ele ocorre. Eu penso, como você sabe, que no desenvolvimento, vida é um continuum…Mas penso que uma das definições usuais que nos surgiu, especialmente da Alemanha, tem sido o estágio pelo qual esses dois núcleos (do espermatozóide e do óvulo) se unem e as membranas entre eles se chocam" (Jonathan Van Blerkon, Ph.D., pioneiro dos procedimentos de fertilzação em vitro, professor de desenvolvimento molecular, celular da Universidade de Colorado, reconhecido mundialmente como o preeminente expert na fisiologia do óvulo e do espermatozóide) [8].

"Zigoto. Essa célula, formada pela união de um óvulo e um espermatozóide, representa o início de um ser humano. A expressão comum "óvulo fertilizado" refere-se ao zigoto" (Keith L. Moore, premiado professor emérito e cátedro da divisão de anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Toronto, Canadá; Dr. T.V.N. Persaud é professor de Anatomia e Chefe do Departamento de Anatomia, professor de Pediatria e Saúde Infantil, Universidade de Manitoba, Winnipeg, Manitoba, Canadá. Em 1991, recebeu o prêmio mais importante no campo da Anatomia, do Canadá, o J.C.B. Grant Award, da Associação Canadense de Anatomistas) [9].

"Embora a vida seja um processo contínuo, a fertilização é um terreno crítico porque, sob várias circunstâncias ordinárias, um novo, genéticamente distinto organismo humano é por isso mesmo formado…A combinação dos 23 cromossomos presente em cada pró-núcleo resulta nos 46 cromossomos do zigoto. Dessa forma o número do diplóide é restaurado e o gênoma embrionário é formado. O embrião agora existe como uma unidade genética" (Dr. Ronan O’Rahilly, professor emérito de Anatomia e Neurologia Humana na Universidade da Califórnia) [10].

"Quase todos animais maiores iniciam suas vidas de uma única célula: o óvulo fertilizado (zigoto)…O momento da fertilização representa o ponto inicial na história de uma vida, ou ontogênia, de um indíviduo" (Bruce M. Carlson, M.D, Ph.D., pesquisador professor emérito da Escola Médica de Desenvolvimento Biológico e Celular). [11]

"Deixe-me contar um segredo. O termo pré-embrião tem sido defendido enérgicamente por promotores da Fertilização In Vitro por razões que são políticas, não científicas. O novo termo é usado para prover a ilusão de que há algo profundamente diferente entre o que não-médicos biólogos ainda chamam de embrião de seis dias de idade e entre o que todo mundo chama de embrião de dezesseis dias de idade. O termo pré-embrião é usado em arenas políticas – aonde decisões são feitas para permitir o embrião mais novo (agora chamado de pré-embrião) de ser pesquisado – bem como em confinados escritórios médicos, aonde pode ser usado para aliviar preocupações morais que podem ser expostos por pacientes de fertilização in vitro. "Não se preocupe", um médico pode dizer, "é apenas um pré-embrião que estamos congelando ou manipulando. Eles não se tornaram embriões humanos reais até que coloquemo-os de volta ao seu corpo" (Lee M. Silver, professor da célebre Universidade de Princeton no Departamento de Biologia Molecular e da Woodrow Wilson School of Public and International Affairs). [12]


[1] [England, Marjorie A. Life Before Birth. 2nd ed. England: Mosby-Wolfe, 1996, p.31]

[2] [Moore, Keith L. Essentials of Human Embryology. Toronto: B.C. Decker Inc, 1988, p.2]

[3] [Dox, Ida G. et al. The Harper Collins Illustrated Medical Dictionary. New York: Harper Perennial, 1993, p. 146]

[4] [Walters, William and Singer, Peter (eds.). Test-Tube Babies. Melbourne: Oxford University Press, 1982, p. 160]

[5] [Langman, Jan. Medical Embryology. 3rd edition. Baltimore: Williams and Wilkins, 1975, p. 3]

[6] [Considine, Douglas (ed.). Van Nostrand's Scientific Encyclopedia. 5th edition. New York: Van Nostrand Reinhold Company, 1976, p. 943]

[7] [Sadler, T.W. Langman's Medical Embryology. 7th edition. Baltimore: Williams & Wilkins 1995, p. 3]

[8] [Jonathan Van Blerkom of University of Colorado, expert witness on human embryology before the NIH Human Embryo Research Panel -- Panel Transcript, February 2, 1994, p. 63]

[9] [Moore, Keith L. and Persaud, T.V.N. Before We Are Born: Essentials of Embryology and Birth Defects. 4th edition. Philadelphia: W.B. Saunders Company, 1993, p. 1]

[10] [O'Rahilly, Ronan and Müller, Fabiola. Human Embryology & Teratology. 2nd edition. New York: Wiley-Liss, 1996, pp. 8, 29. This textbook lists "pre-embryo" among "discarded and replaced terms" in modern embryology, describing it as "ill-defined and inaccurate" (p. 12}]

[11] [Carlson, Bruce M. Patten's Foundations of Embryology. 6th edition. New York: McGraw-Hill, 1996, p. 3]

[12] [Silver, Lee M. Remaking Eden: Cloning and Beyond in a Brave New World. New York: Avon Books, 1997, p. 39]

Fonte: http://culturadavida.blogspot.com/2008/03/quando-comea-vida-humana.html


A 14 de setembro, a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Essa festa vem dos primórdios da cristandade, porque a morte do Senhor sobre a Cruz é o ponto culminante da Redenção da humanidade. A glorificação de Cristo e a nossa salvação passam pelo suplício da Cruz. Cristo, encarnado na Sua realidade concreta humano-divina, se submete voluntariamente à humilde condição de escravo (a cruz era o tormento reservado para os escravos) e o suplício infame transformou-se em glória perene.)

Os apóstolos resumiam sua pregação no Cristo crucificado e ressuscitado dos mortos, de quem provêm a justificação e a salvação de cada um. São Paulo dizia que Cristo cancelou "o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na Cruz" (Cl 2,14). É por isso que cantamos na celebração da adoração da santa Cruz na Sexta-Feira Santa: "Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo: Vinde! Adoremos!"

O caminho da cruz, da humilhação e da obediência, foi o que Deus escolheu para nos salvar. Por isso, amamos e exaltamos a santa Cruz. Santo Antônio, Doutor do Evangelho e "martelo dos hereges", dizia: "Porque Adão no paraíso não quis servir ao Senhor (cf. Jr 2,20), por isso o Senhor assumiu a forma de servo (cf. Fl 2,7) para servir ao servo, a fim de que o servo já não se envergonhasse de servir ao Senhor."

Poucos, como esse santo, conheceram o profundo mistério da encarnação do Verbo e Sua obediência até a morte de cruz para nos salvar. São Paulo resumiu tudo, dizendo aos filipenses que "sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente" (Fl 2,6-9). Se o Senhor passou por esse caminho de obediência, humilhação e crucificação, será que para nós, cristãos (imitadores de Cristo!), haverá outro caminho de salvação? Resposta: Não.

Somente pela cruz, que significa morte ao próprio Eu, à própria vontade, para acatar com fé, alegria e ação de graças a vontade de Deus, poderemos nos salvar. E é o próprio Senhor quem nos diz isso muito claramente: "Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me" (Lc 9,23) e "se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto" (Jo 12,24b). Cada um tem a sua cruz.

Por que essa necessidade de tomar a cruz a cada dia? Por que é preciso morrer para dar fruto? A resposta é que o homem velho, corrompido pela concupiscência, só pode ser despojado de si mesmo pela cruz, a fim de que, como disse São Paulo, seja "revestido do homem novo, criado à imagem de Deus em justiça e santidade verdadeira" (Ef 4,22-24).

É pela nossa cruz de cada dia que cada um carrega, que Deus nos santifica (cf. Hb 12,10), fazendo-nos morrer para todas as más inclinações do nosso espírito. É pela cruz que chegaremos à glorificação, como o Senhor Jesus. É por isso que exaltamos a santa Cruz. E é por essa cruz de cada dia (doenças, aborrecimentos, penúrias, humilhações, cansaços, injustiças, incompreensões, etc.) que temos a graça e a honra de poder "completar em nossa carne o que falta à paixão do Senhor no seu Corpo, a Igreja"(cf. Cl 1,24).

É preciso lutar contra a repugnância que temos da cruz. São João da Cruz dizia que o que mais nos faz sofrer é o medo que temos da cruz. E Santa Teresa dizia que, quando a abraçamos nossa cruz com coragem e vontade, ela se torna leve. Enfim, precisamos levar a cruz e não arrastá-la...

A maior lição que aprendi com os santos foi esta: não há maior glória que possamos dar a Deus do que sofrer com fé, paz e esperança, dando graças a Ele por ter-nos achado dignos de sofrer por Seu amor. "A alegria dos moradores do céu, dizia Santa Teresinha do Menino Jesus, consiste em sofrer e amar por amor a Deus". Mas para isso precisamos da graça de Deus, pois nossa natureza tem horror à cruz. Entretanto, o que é impossível à natureza é possível à graça, disse Santo Agostinho. Fiquemos em paz porque Deus é fiel; e não nos dará cruzes mais pesadas do que as nossas forças; e cada uma delas será para o nosso bem, por mais incrível que possa parecer. Enfim, "tudo concorre para os que amam a Deus" (Rm 8,29); por isso devemos glorificá-lo sempre, especialmente nas horas amargas. Exaltemos a santa Cruz!

Prof. Felipe Aquino


"Queres conhecer o valor do Sangue de Cristo? Voltemos às figuras que profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, diz Moisés, um cordeiro de um ano e assinalai as portas com seu sangue. Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem racional? Certamente, responde ele, não porque é sangue, mas porque prefigura o Sangue do Senhor. Se hoje o inimigo, em vez de sangue simbólico aspergido nos umbrais, vir resplandecer nos lábios dos fiéis, portas dos templos de Cristo, o sangue da nova realidade, fugirá ainda para mais longe.
Queres compreender ainda mais profundamente o valor deste Sangue? Repara donde brotou e qual é a sua fonte. Começou a brotar da cruz, e a sua fonte foi o Lado do Senhor. Estando já morto Jesus, diz o Evangelho, e ainda cravado na cruz, aproximou-se um soldado, trespassou-Lhe o Lado com uma lança e logo saíram água e sangue: água como símbolo do Batismo, sangue como símbolo da Eucaristia. O soldado trespassou o Lado, abriu uma brecha na parede do templo e eu achei um grande tesouro e alegro-me por ter encontrado riquezas admiráveis. Assim aconteceu com aquele cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício.

Do Lado saíram sangue e água. Não quero, estimado leitor, que passes inadvertidamente por tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico. Disse que esta água e este sangue simbolizavam o Batismo e a Eucaristia. Foi deste sacramento que nasceu a Igreja, pelo banho de regeneração do Espírito Santo, isto é, pelo sacramento do Batismo e pela Eucaristia que brotaram do Lado de Cristo, por conseguinte, que se formou a Igreja, como foi do lado de Adão que Eva foi formada.

Por esta razão, a Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão carne da minha carne, osso dos meus ossos, que S. Paulo refere, aludindo ao Lado de Cristo. Pois assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, assim Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono da Sua morte.

Vede como Cristo se uniu à Sua Esposa, vede com que alimento nos sacia. O mesmo alimento nos faz nascer e nos alimenta..Assim como a mulher se sente impulsionada pelo amor natural a alimentar com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, assim também Cristo alimenta sempre com o Seu Sangue aqueles a quem deu o novo nascimento." (São João Crisóstomo, ~350-407; Cat 3, 13-19).

Migrado do extinto site Agnus Dei. Tradução de Carlos Martins Nabeto.


Dois renomados estudiosos dão seu parecer sobre o paulatino processo de barbarização a que a cultura brasileira tem se submetido. Vale a pena divulgar!
Rodolfo Acatauassú Nunes – Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Mestre e Doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Livre-Docente pela Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.
Paulo Silveira Martins Leão Júnior – Advogado; Procurador do Estado do Rio de Janeiro; Membro fundador do Centro de Bioética da Amazônia, em Belém, Pará, Presidente da União dos Juristas Católicos do Rio de Janeiro.
Nos últimos anos vem se acumulando exponencialmente na área médica o conhecimento científico e tecnológico. Muitas afecções tidas antes como incuráveis passaram a responder a novos tratamentos. A cada dia a Medicina se aprimora contornando situações progressivamente mais complexas, algumas vezes de modo até mesmo imprevisível. Contrariamente ao que ocorre com as células tronco embrionárias, o sucesso das células tronco adultas, retiradas do próprio indivíduo, da placenta ou cordão umbilical, vem revolucionando condutas previamente limitadas, amenizando ou corrigindo disfunções tidas como terminais.
O espírito científico de avançar em direção à obtenção da cura de uma doença congênita ou adquirida, foi sempre o que norteou a Medicina. Quando não é possível curar, o objetivo é usar a ciência e a arte médica em toda a sua capacidade para realizar uma terapêutica paliativa da melhor qualidade possível. Isto se nota com nitidez em situações clínicas terminais em que novas técnicas e cuidados multi e interdisciplinares têm conseguido expressivo alívio do sofrimento, sem cair no exagero do intensivismo.
Quando mãe e feto são os pacientes, os cuidados médicos são sempre dirigidos para ambos, visando a preservação de suas vidas. Em situações de iminente risco para a vida fetal ou materna o parto pode ser antecipado, para proporcionar, em ambiente extra-uterino, com os numerosos recursos de terapia intensiva atualmente disponíveis, o melhor tratamento possível para ambos. Em outros casos, tem sido possível realizar intervenções bem sucedidas intra-útero, para corrigir uma afecção congênita ameaçadora da vida ou da qualidade da vida. Um exemplo é a correção intra-uterina da meningomielocele onde, por uma falha de fechamento da parte posterior do tubo neural, parte da medula se exterioriza através de um defeito ósseo da parte distal da coluna. Com este procedimento vem se observando melhora das seqüelas motoras e da hidrocefalia, quase sempre presentes quando a correção é deixada para após o nascimento. Tudo isto era uma impossibilidade até há relativamente pouco tempo.
Infelizmente, existem também afecções congênitas letais, sobrevindo a morte antes ou pouco após o nascimento. Nestas doenças, cujo diagnóstico vem progressivamente se tornando de modo geral mais seguro, deverão ser ofertados cuidados médicos paliativos de alta qualidade, iniciados a partir da detecção dando um especial suporte aos pais, principalmente à mãe. Em uma dolorosa situação que envolverá a perda precoce de uma criança sonhada deve ser explicado, com sensibilidade, que seu filho sofre de uma afecção incurável e letal no estágio atual do conhecimento e, embora não se possa precisar o momento de sua morte, tudo será feito para ofertar o melhor tratamento possível, devido à dignidade humana. Deve ser assegurado aos pais de que eles não estarão sozinhos e que os cuidados da equipe serão também estendidos ao domicílio nos poucos casos em que possa ser dada a alta hospitalar. Entre essas afecções letais é listada a anencefalia.
A anencefalia é proveniente de um defeito de fechamento da parte anterior do tubo neural, que ocorre entre a terceira e quarta semanas de gravidez. As suas principais características são a falta de desenvolvimento da calota craniana, couro cabeludo e, principalmente, o comprometimento da parte anterior do encéfalo que origina os hemisférios cerebrais. As porções média e posterior do encéfalo podem ter grau variado de desenvolvimento, chegando a permitir que essas crianças respirem espontaneamente, chorem, deglutam, façam expressões faciais, movimentem os membros e respondam a estímulos nocivos. Mesmo sem embasamento, alguns tentam definir a criança com anencefalia como em morte encefálica, mas o simples fato dela respirar espontaneamente, comprova a presença de um tronco encefálico funcionante e descarta completamente esta possibilidade.
Embora a maioria dessas crianças venha a falecer horas ou alguns dias após o parto, uma pequena parcela recebe alta hospitalar para o convívio com a família, que pode durar alguns meses. No normalmente curto período de sua vida, essas crianças podem receber o amor e carinho de seus pais, avós e irmãos, serem registradas civilmente e, uma vez falecidas, sepultadas dignamente. Todos esses previsíveis eventos devem ser alvo de preparo específico, estando incluídos no rol dos cuidados paliativos, comuns a todas as afecções letais. De nosso conhecimento, o máximo registrado na literatura em termos de sobrevida na anencefalia foi de um ano e dois meses, embora um autor argentino refira genericamente que algumas dessas crianças poderiam atingir vários anos. De qualquer forma, não é verdadeira a afirmação, utilizada habitualmente como tentativa de descaracterizar o enquadramento como aborto, de que a vida extra-uterina na anencefalia é absolutamente inviável e de que todas essas crianças morram logo após o parto.
Um outro aspecto a ser aprofundado é a possibilidade dessas crianças, por um mecanismo de neuroplasticidade, experimentarem sensações ou uma forma de consciência primitiva. Foi justamente esta possibilidade que levou ao Conselho de Ética da Associação Médica Americana, em 1995, a retroceder quanto à retirada de órgãos de crianças com Anencefalia, exigindo a verificação da morte encefálica aplicáveis às pessoas em geral. O referido Conselho exortou a comunidade científica a realizar mais estudos que possibilitassem melhor atenção e cuidados à criança com anencefalia e seus familiares, postura que permanece até hoje. No mesmo sentido posicionou-se o Comitê Nacional de Bioética da Itália, afirmando que : “O anencéfalo é uma pessoa vivente e a reduzida expectativa de vida não limita os seus direitos e a sua dignidade”. Esta preocupação foi também recentemente enfatizada por ocasião da publicação na literatura médica internacional, em 2004, do primeiro caso de Ressonância Nuclear Magnética em recém nascido com anencefalia.
Talvez, através de estudos neurofisiológicos mais aprofundados, com tecnologia atual, seja possível explicar alguns relatos de mães que descrevem um certo grau de interação com seus filhos portadores de anencefalia, e que vêm classicamente sendo atribuídos a meros reflexos. Alguns desses relatos podem mesmo surpreender, como o de uma mãe que referiu que durante a gravidez o bebê respondia a uma compressão manual uterina feita por ela movimentando-se sistematicamente do mesmo lado, mas não respondia quando a compressão era feita pelo pai. Em outro relato, foi observado pela mesma mãe, após o nascimento, a normalização de parâmetros vitais monitorizados de sua filha na incubadora, quando ela dirigia-se a ela acariciando-a, mas não quando isso era feito por outras pessoas.
Desta forma, para a anencefalia e outras doenças congênitas letais, cumpre ofertar o que a Medicina e as áreas afins têm de melhor para o alívio de uma situação de sofrimento para os pais e para o paciente. A proposição defendida por alguns setores de realizar a chamada “antecipação terapêutica do parto” logo após o momento diagnóstico, invariavelmente condiciona 100% de mortalidade imediata para o elemento mais frágil do binômio materno fetal, e não pode ser aceita como terapêutica, já que o resultado do “tratamento” é pior do que a evolução natural da própria doença, a qual, em que pese a sua elevada letalidade, ainda pode permitir o nascimento e uma eventual sobrevida de alguns meses. Paradoxalmente, ao invés de privilegiar com cuidados médicos um membro do binômio que está em risco iminente de vida, condição que legitimaria a antecipação, faz justamente o oposto, pois coloca o feto que encontrava-se em condição de relativa estabilidade no útero materno em uma situação de morte inevitável. Por outro lado, as razões maternas evocadas para a indicação da antecipação, como, por exemplo, o polidrâmnio, a hipertensão arterial, o posicionamento atípico e a instabilidade emocional, podem ocorrer também em outras gravidezes, sendo habitualmente contornadas sem a necessidade de uma sistemática antecipação. Na prática, o termo acaba correspondendo a um eufemismo para o aborto, sendo algumas vezes a morte fetal provocada, ainda no ambiente intra-uterino, de modo que a movimentação fetal ou um eventual choro, não venha a angustiar a mãe ou outros familiares.
Além disso, eliminar intencionalmente o feto, porque uma dada afecção implica inexoravelmente em brevidade de vida extra-uterina, não se coaduna com os princípios mais elementares da Medicina entrando no escopo do chamado aborto eugênico, que não encontra respaldo legal em nosso meio. Obviamente, tomando como base este tipo de argumento a anencefalia seria apenas uma entre outras anomalias listadas como letais, como é o caso da trissomia do cromossomo 13, cujo tempo médio de sobrevida tem sido descrito como de apenas 2,5 dias.
A conduta de eliminação de filhos portadores de afecções letais, também não é isenta de riscos para os pais, que além da possibilidade do risco físico materno relacionado a uma intervenção extemporânea, podem sofrer pelo remorso de terem dado a autorização para o procedimento que acarretou a morte, sem o alento proporcionado pelo tratamento paliativo bem conduzido, o qual, independentemente da gravidade da situação clínica, expressa o cuidado e respeito à dignidade que todo filho merece enquanto vive. Como a raiz do sofrimento dos pais está no comunicado diagnóstico da afecção letal, a ordem para a antecipação da morte, não traz a resolução do quadro psicológico em si, mas pode transferir o ônus de uma morte devida a uma condição alheia à vontade do casal, para o âmbito da consciência do próprio casal. Isso sem mencionar o desacerto que traria um eventual erro diagnóstico que, embora raro na anencefalia, é ocasionalmente descrito na literatura.
No caso específico da anencefalia é mais sensato respeitar sempre a vida humana, mesmo em situação de grande fragilidade, quer acreditando na diminuição da ocorrência da afecção com o uso do ácido fólico e outros elementos que vierem a ser comprovados como eficazes, quer acreditando no aprofundamento do conhecimento científico a ponto de permitir o desenvolvimento de um diagnóstico bem precoce e, como decorrência, uma manobra terapêutica intra-uterina. Deve ser lembrado que muitos estudos recentes, inclusive experimentais, vêm colocando a possibilidade de, pelo menos algumas formas de anencefalia, terem origem na exencefalia, ou seja, o evento primário ser a falta de cobertura do sistema nervoso central, expondo o encéfalo desprotegido à injúria pela ação do líquido amniótico e pressão intra-uterina. Por mais que nos dias de hoje pareça irreal a possibilidade terapêutica, convém aprender com a história da Medicina e não repetir, por semelhança, a frase dita por um célebre cirurgião, de que o médico que tentasse suturar uma ferida cardíaca perderia o respeito de seus colegas. Cerca de treze anos depois, outro cirurgião fazia a primeira sutura cardíaca, em um jovem com ferida precordial por arma branca, salvando o paciente. O que antes pareceu ficção àquele cirurgião experimentado levando-o a emitir uma sentença que julgava de bom senso para o conhecimento da época, foi desmentido pela realidade em pouco tempo. O mesmo pode acontecer com a anencefalia e outros casos de afecções congênitas consideradas hoje letais .
Por outro lado, a ação benéfica do ácido fólico na prevenção dos defeitos dos tubos neurais e, em particular da anencefalia tem sido referido na literatura internacional em percentuais elevados, em torno de 50% ou mais. Esta substância deve ser ministrada cerca de três meses antes da gravidez e no curso desta. A adição do ácido fólico às farinhas de trigo e milho, como preconizado pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, é medida salutar e que deve ser apoiada, mas sempre complementada por outras ações. O ácido fólico é medicamento de baixo custo, que também tem efeitos positivos para a saúde em geral do feto e de sua mãe, cuja distribuição corriqueira deveria integrar as ações do SUS – Sistema Único de Saúde, pois atualmente a anencefalia afeta principalmente as mulheres carentes, que não dispondo de acompanhamento especializado no pré-natal, não têm informação sobre essa eficaz possibilidade de prevenção da doença. Por sua vez, as mulheres que tenham tido filhos ou filhas com anencefalia e/ou outros defeitos de fechamento do tubo neural, têm chances aumentadas de terem a recorrência desses mesmos defeitos em gravidez subseqüente, sendo-lhes recomendada a ingestão de ácido fólico em doses maiores. A prevenção e o adequado acompanhamento pré-natal, portanto, são as medidas mais eficazes para esses casos, respeitando-se assim não só a garantia da inviolabilidade do direito à vida, o primeiro dos direitos fundamentais, como a diretriz constitucional que estabelece “prioridade para as atividades preventivas”, no âmbito do Sistema Único de Saúde. Prevenir, buscar a cura da doença e amparar os que sofrem são atitudes concretas e eficazes na busca de superar o sofrimento.
Finalmente, a legislação brasileira tem também importante papel em estimular o avanço de novas soluções na Medicina. No caso da meningomielocele isso fica bastante claro, conforme publicação recente no meio científico a respeito do potencial de seu reparo intra-útero. É dito textualmente: “ A legislação brasileira não prevê a interrupção médica da gravidez, quando complicada por fetos com esta malformação, o que reforça a necessidade de conhecermos a fundo a sua evolução e as possíveis inovações terapêuticas para esses casos”. Ora, em muitos países o aborto é legalmente permitido em feto portador de meningomielocele. Como identificaremos a atitude compatível com a verdadeira Medicina, ante posições absolutamente antagônicas para uma mesma situação clínica do feto? Será aquela exercida pelo médico que entra no Centro Cirúrgico para interromper precocemente a gravidez e provocar a morte fetal, ou aquela exercida por outro médico que entra em uma outra sala para, sem interromper a gravidez, operar o feto no sentido de obter a sua cura? Não é possível que as duas sejam verdadeiras. Uma será verdadeira e a outra, conseqüentemente, falsa. A repulsa natural embutida no ato de matar um paciente facilita bastante a resposta.
BIBLIOGRAFIA
Aguiar MJB, Campos AS, Aguiar RALP, Lana AM, Magalhães RL, Babeto LT. Defeitos de fechamento do tubo neural e fatores associados em recém- nascidos vivos e natimortos. Jornal de Pediatria, 79(2): 129-134, 2003.
Calzolari F, Gambi B, Garani G, Tamisari L. Anencephaly: MRI findings and pathogenetic theories. Pediatr Radiol, 34: 1012-1016, 2004.
Comitato Nazionale per la Bioetica. Il Neonato anencefalico e la donazione di organi, Presidenza del Consiglio dei Ministri, Dipartimento per l’Informazione e l’ Editoria, Roma, 21 giugno 1996.
Costa SIF. Anencefalia e Transplante. Rev Assoc Med Bras, 50(1): 10, 2004.
Gianelli DM. Anencephalic heart donor creates new ethics debate. Am Med News , 3: 47-49, 1987.
Goetz CG. Textbook of Clinical Neurology, 2003; 2nd ed., Elsevier, p. 557-561.
Jones KL. Padrões reconhecíveis de malformações congênitas, 1998; 1ª ed., Manole, São Paulo, p. 18-19.
Leuthner SR. Palliative care of the infant with lethal anomalies. Pediatr Clinic N Am, 51: 747-759, 2004.
Mathews TJ, Honein MA, Erickson D. CDC. Spina Bifida and Anencephaly Prevalence, 1991-2001. MMRW, 51( RR13): 9-11, 2002.
Matsumoto A, Hatta T, Moriyama K, Otani H. Sequencial observations of exencephaly and subsequent morphological changes by mouse exo utero development system: analysis of the mechanism of transformation from exencephaly to anencephaly. Anat. Embryol, 205:7-18, 2002.
Moore KL; Persaud TVN. Embriologia Clínica, 7ªEd, São Paulo, Elsevier, 2003.
Mc Abee G, Sherman J, Canas JA, Boxer H. Prolonged survival of two anencephalic infants. Am J Perinatol, 20(2): 175-177, 1993.
Plows CW. Reconsideration of AMA opinion on anencephalic neonates as organs donors. JAMA, 275(6): 443-444, 1996.
Sbragia L, Machado I N, Rojas CEB, Zambelli H, Miranda ML, Bianchi MO, Barini R. Evolução de 58 fetos com meningomielocele e o potencial de reparo intra-útero. Arq Neuropsiqiatr, 62 (2-B): 487-491, 2004.
Shewmon DA. Anencephaly: Selected medical aspects. Hastings Center Report, 18(5): 11-19, 1988.
Shewmon DA, Capron AM, Peacock WJ, Schulman BL. The use of anencephalic infants as organ sources: A critique. JAMA, 261(12): 1773 –1781, 1989.
Szirko M. Clasificación de los anencéfalos. Electroneurobiologia 6: 72-88, 1998.


Seminário realizado na Anvisa mostra o processo de concentração da produção e comercialização de insumos agrícolas. Pesquisador alerta para risco à soberania nacional.
O mercado mundial de agrotóxicos movimentou US$ 51,2 bilhões em 2010. E o brasileiro US$ 7,3 bilhões. As seis maiores empresas -Basf, Bayer, Dow, Dupont, Monsanto e Syngenta - controlam hoje 66% do mercado mundial. E, no Brasil, as dez maiores empresas foram responsáveis por 75% da venda nacional de agrotóxicos na última safra. As gigantes do setor estão comprando as empresas menores, tanto de agrotóxicos, quanto de sementes, formando monopólios e oligopólios. Os dados foram apresentados no 2º Seminário Mercado de Agrotóxicos e Regulação, realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no dia 11 de abril, com a palestra do professor da Universidade Federal do Paraná Victor Pelaez.
Segundo o pesquisador, que também é coordenador do Observatório da Indústria de Agrotóxicos, a tendência é de que as grandes empresas continuem adquirindo as pequenas. "Existe um ciclo vicioso porque para baixar os preços é preciso produzir em escala maior, e, portanto, as menores empresas não têm condição de se manterem no mercado com os preços menores. Por isso cada vez o mercado se concentra mais", explica.
Victor avalia que se por um lado esse processo de concentração representa um risco para as condições de concorrência do mercado e ainda evidencia o poder econômico e político das empresas, por outro revela também uma resposta da indústria a uma maior exigência das agências reguladoras quanto à segurança na produção e comercialização de venenos. "A trajetória tecnológica nesse ramo de atividade tem evoluído no sentido de buscar moléculas que tenham um bom desempenho agronômico, também combinado com um menor impacto ambiental e à saúde, com substâncias menos tóxicas. Os organismos regulatórios tendem a ser mais exigentes à medida que se desenvolvem novos métodos de análise, inclusive exigindo que alguns produtos sejam eliminados do mercado. Quem tem condição de atender a essas exigências regulatórias são essas grandes empresas. Isso está provocando uma tendência a maior concentração", observa.
Para Pelaez, apesar de haver essa evidência positiva de um maior controle das agências reguladoras, o quadro é preocupante, pois as empresas passam a controlar cada vez mais também os alimentos que as pessoas vão consumir. "Essa dependência a um número muito pequeno de empresas que produzem sementes e todos os insumos é extremamente arriscado para a soberania de qualquer país, não só do Brasil. Essas empresas controlam também o comércio internacional de grãos e definem em primeira instância as políticas agrícolas e alimentares de grande parte do planeta", alerta.
O professor mostrou durante a apresentação que quase todas as grandes corporações do ramo de agrotóxicos adquiriram empresas de sementes nos últimos anos. E aquelas que não participam desse esquema acabam ficando de fora do mercado. "Ao vender para o agricultor, a empresa faz o pacote com a semente e o agrotóxico junto, com uma série de facilidades. Isso dá uma competitividade fantástica às empresas que conseguem ter esse portfólio de produtos. É o que chamamos de economia de escopo. Elas podem dar um desconto grande num produto e ganhar dinheiro em outro produto, e com isso vai faltando espaço e recursos para as empresas que não tiverem essa estratégia", detalha.
Dificuldade de informações
No final do ano passado, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou um relatório sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. O texto aborda inúmeras evidências dos malefícios desses venenos e da falta de controle na utilização dos produtos. Dentre as inúmeras recomendações do documento, está a necessidade de melhoria das informações repassadas pelas empresas aos órgãos de fiscalização.
O tema também apareceu no seminário. De acordo com Pelaez, os dados informados pelo setor regulado à Anvisa, ao Ministério da Agricultura e ao Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsáveis pela fiscalização dos agrotóxicos, são divergentes. "As empresas não têm um controle muito rígido no atendimento dessa demanda. E, por outro lado, é uma demanda que exige muita atenção e cuidado na leitura do manual de preenchimento dos formulários online e também um esforço e trabalho criterioso no preenchimento das informações. O que percebemos em grande parte é uma desatenção e uma falta de cuidado nesse sentido. E os sistemas têm alguns critérios diferentes que fazem com que a empresa não consiga aportar exatamente os mesmos dados", avalia o professor.
O pesquisador acrescenta que tanto as empresas, quanto os órgãos públicos deveriam se esforçar para aprender a usar os sistemas e para aprimorá-los. Ele reforça que o ideal é que existisse um único sistema de informações sobre a produção, comercialização e utilização de agrotóxicos. "O Ministério do Meio Ambiente não disponibiliza os dados. Portanto, se os órgãos não conseguem ter acesso aos dados uns dos outros, fica difícil. A Anvisa se viu obrigada a criar um terceiro sistema de coleta de dados, mas o racional seria um único sistema", opina.
Controle
Além das dificuldades no acesso às informações sobre o mercado de agrotóxicos, outro problema é a falta de estrutura dos órgãos de fiscalização brasileiros. Enquanto nos Estados Unidos a Agência de Proteção Ambiental (EPA) tem 850 técnicos, a Anvisa tem 26 e somados os profissionais do Ibama e do Ministério da Agricultura não chega a 50 o número de técnicos responsáveis por essa fiscalização. "É absurda a diferença considerando que nós temos um mercado que é 10% maior do que o mercado americano", comenta Victor.
Outra diferença do Brasil em relação aos Estados Unidos são os valores pagos pelo registro e reavaliação dos agrotóxicos. No Brasil, o custo para registro varia entre 50 e mil dólares. Já nos EUA, esse valor chega a custar 630 mil dólares. A reavaliação e a manutenção anual não são cobradas no Brasil e nos Estados Unidos as empresas precisam pagar 150 mil dólares em caso de reavaliação e de cem a 425 dólares para manutenção anual.
Segundo Pelaez, são esses montantes que arcam com a estrutura de funcionamento da fiscalização nos Estados Unidos. "Nos EUA, conseguiram fazer com que a indústria arque com esse valor que gira em torno de US$ 14 milhões. Esses recursos são destinados para financiar programas de treinamento de agricultores e uma política mais consistente de redução do risco da utilização dos agrotóxicos. Para ter mais celeridade, maior segurança e melhor qualidade no processo, alguém tem que pagar por isso, e aqui no Brasil é a sociedade que paga. As empresas são, inclusive, isentas de IPI e têm isenção de até 60% de ICMS", aponta.
Representantes das empresas presentes no seminário criticaram a demora da Anvisa em conceder registros de novos produtos, o que, segundo o presidente da Agência, José Agenor da Silva, de fato é uma realidade devido, entre outros motivos, à falta de estrutura da Agência. Por outro lado, José Agenor e Pelaez comentaram que muitas vezes as empresas conseguem o registro, mas não concretizam a fabricação do produto, o que torna a reclamação contraditória. De acordo com os dados apresentados no seminário, metade dos produtos com registro no Brasil não chegam às mãos dos agricultores. Além disso, 24% das empresas instaladas no Brasil não produziram nem comercializaram nenhum produto durante a última safra. "As empresas estão sempre desqualificando o trabalho da Anvisa porque ela não consegue cumprir as demandas de registro. Dizem que, ao não cumprir essa demanda, está sendo contra a agricultura nacional. Mas aí mostramos que não é bem assim, porque uma quantidade de produtos são aprovados e não são comercializados, porque não há recursos para isso", observa o professor.
Pelaez defende a existência de critérios de prioridade para concessão de registros. Ele explica que a fila hoje é por ordem de chegada, o que ignora uma série de procedimentos fundamentais em um processo regulatório. Segundo o pesquisador, a Anvisa já divulgou essa proposta de elaboração de critérios para a fila de registro e recebeu resposta favorável de alguns setores do empresariado. "Estabelecendo prioridades podemos começar a pensar onde há um gargalo e se há possibilidade de incluir produtos menos tóxicos", detalha.
Agricultores à mercê das empresas
Os dados sobre o mercado mundial de agrotóxicos apresentados no seminário revelam que esse comércio e o modelo de agricultura que o sustenta não mostram sinais de enfraquecimento. De 2000 a 2010, este mercado cresceu 190% no Brasil e 93% no mundo. Durante a ultima safra (segundo semestre de 2010 e primeiro de 2011), foram produzidos 833 mil toneladas de produtos em 96 empresas analisadas, do total de 130 cadastradas no país. A América Latina detém 22% do mercado mundial de agrotóxicos, sendo que o Brasil, sozinho, é responsável por uma fatia de 19%.
Para Pelaez, é fundamental discutir qual modelo de agricultura o país quer manter. "Esse modelo de agricultura não esteve aí sempre, não é a ordem natural das coisas como tentam colocar como sendo inevitável e irreversível. Pelo contrário, são escolhas econômicas e políticas que vão acontecendo ao longo do tempo. E lógico, depois de algumas décadas, passa a ser o modelo dominante", diz.
O professor caracteriza o modelo hegemônico na agricultura mundial como altamente excludente e dependente de subsídios do poder público. "Tentativas de implantação desse modelo agrícola na África, em alguns países que não tinham recursos financeiros para subsidiar, fracassaram. A indústria de sementes, agrotóxicos e fertilizantes na verdade é subsidiada pelas populações em geral, dado o custo elevadíssimo", explica.
Embora o quadro de concentração das empresas de agrotóxicos e sementes tenda a se intensificar na avaliação do pesquisador, as contradições dessa estratégia e os prejuízos para os próprios agricultores e para o país também estão se tornando cada vez mais evidentes. Pelaez dá o exemplo da empresa Monsanto, que aumentou recentemente em cinco vezes o preço da semente resistente ao agrotóxico glifosato, ambos - agrotóxico e semente - produzidos pela empresa. "Essa era a crônica da morte anunciada. Essa combinação que a Monsanto faz do glifosato com a semente resistente ao glifosato possibilita esse aumento de preços fantástico. Agricultores gaúchos que sempre foram extremamente favoráveis à difusão da soja transgênica resistente ao glifosato entraram com uma liminar contra o pagamento desses royalties. Isso é surpreendente porque eles sempre foram os grandes aliados desse modelo e agora estão sendo vítimas do que sempre defenderam. Isso mostra como o risco está presente", alerta.
Tecnologia do Blogger.