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Terço, ou o rosário, é uma oração de contemplação, louvor e súplica ao mesmo tempo. O papa Paulo VI ensinou que ele "tem índole comunitária, se nutre da Sagrada Escritura e gravita em torno do mistério de Cristo".

Quanto mais se invoca Maria repetindo as Ave-Marias, tanto mais se evoca o Cristo, o "bendito fruto do seu ventre".

Na medida em que o vamos rezando e contemplando, ele nos abre um "painel catequético e bíblico" da História da Salvação.

Tudo o que Jesus fez para nos dar o Reino do Pai. No caminho da oração vamos percorrendo o itinerário do discipulado junto com Maria, a discípula primeira e maior.

Os 'Pai-nossos', as 'Ave Marias' e os 'Glórias ao Pai' entrelaçam episódios importantes vividos por Jesus e Maria. Cenas de alegrias, dores, glória e vivência do Reino.

Elas nos oferecem uma visão global das etapas do Mistério Pascal desde a Encarnação até a Ressurreição, Ascensão e envio do Espírito Santo. Nas contas do terço vai desfilando também a missão que Jesus confiou a nós na Igreja.

Somos obrigados a rezar o Terço? Não. É uma devoção. Mas entre os que o rezam não haverá ninguém que ignore sua validade. Milhões e milhões de pessoas pelo mundo inteiro o rezam em todas as línguas e idades.

Feita com devoção e piedade esta prece tão excelente tem alcançado muitas graças divinas.

Por ela a Igreja superou grandes crises em sua História ao longo dos séculos: heresias, guerras, tragédias e perseguições.

Esta prece promove a vida cristã e a pastoral, iluminando a opção a ser feita em momentos de grave aflição. Depois do Pai-nosso é a oração mais conhecida e mais popular dentro da Igreja. Nenhum cristão deveria deixar de fazê-la. Rosário vem de rosa. Cada Ave Maria é uma rosa do buque a ser oferecido a Jesus e Maria.

Pe. Antonio Clayton Santanna, C.SS.R.


O Santo Rosário é considerado uma oração completa, porque traz em síntese toda a história da nossa salvação.

A palavra Rosário significa "Coroa de Rosas".
Todas as vezes que dizemos uma Ave-Maria é como se déssemos a Nossa Senhora uma linda rosa; com cada Rosário completo Lhe damos uma coroa de rosas.

Em todas suas aparições, em Fátima, Nossa Senhora pediu aos três pastorinhos para que rezassem o terço todos os dias. Este pedido de Nossa Senhora confirma o que disseram grandes Santos sobre os benefícios dessa devoção.

Mas, qual a razão dessa insistência? A salvação das almas, a conversão dos pecadores e a paz no mundo.

Ela previu também um grande castigo, caso não houvesse essa conversão.

Por isso, os insistentes pedidos de recitação do Terço, feitos por Nossa Senhora de Fátima, precisam ser atendidos. E, conforme a própria Mãe de Deus indicou, devemos rezar o Terço em reparação às ofensas feitas ao Imaculado Coração de Maria e ao Sagrado Coração de Jesus.

Veja o que diz o grande apóstolo do Santo Rosário, São Luiz Maria Grignion de Montfort (1673-1716):

"Quem rezar o Rosário fiel e devotamente, até o fim da vida, ainda que seja grande pecador, pode crer que receberá uma coroa de glória que jamais fenecerá".

"... A Santíssima Virgem aprovou e confirmou esse nome de Rosário, revelando a vários devotos seus que Lhe apresentariam tantas e agradáveis rosas quantas Avé-Marias recitassem em sua honra; e tantas coroas de rosas quantos fossem os Rosários por eles rezados.".

"Com efeito, sem a meditação desses Sagrados Mistérios da nossa salvação, o Rosário seria quase um corpo sem alma, uma excelente matéria sem a forma que é a meditação. É isto que o distingue das outras práticas de piedade".

"Para bem rezar o Rosário, não há necessidade de gosto, nem de consolação, nem de suspiros, nem de arroubos, nem de lágrimas, nem de aplicação contínua da imaginação. São suficientes a fé pura e a boa intenção".

Virtudes, benefícios e méritos do Santo Rosário

1) O Rosário eleva-nos insensivelmente ao conhecimento perfeito de Jesus Cristo;

2) Purifica nossas almas do pecado;

3) Torna-nos vitoriosos sobre todos os nossos inimigos;

4) Torna-nos fácil a prática das virtudes;

5) Abrasa-nos do amor de Jesus Cristo;

6) Enriquece-nos de graças e de méritos;

7) Fornece-nos com que pagar nossas dividas para com Deus e para com os homens;

8) Enfim, faz-nos obter de Deus toda espécie de graças;

Por que não começar a rezar o Terço do Santo Rosário hoje mesmo?
São apenas 15 a 20 minutos por dia que você reservará para um contato com Deus, através de sua Mãe Santíssima. Um momento especial para pedir pelos problemas que mais nos afligem e colocá-los nas mãos de Nossa Senhora.

E você? Já reza o Rosário? Se não reza, experimente as graças e os consolos espirituais que essa devoção lhe trará...



Carta Apostólica ROSARIUM VIRGINIS MARIAE

Na Carta Apostólica "Rosarium Virginis Marie", de 2002.10.16, o Santo Padre, para além de instituir os Mistérios Luminosos, estabeleceu ainda o Ano do Rosário, entre o mês de Outubro de 2002 e o mesmo mês de 2003, com a justificação de que "...recitar o Rosário nada mais é senão contemplar com Maria o rosto de Cristo. Para dar maior relevo a este convite, e tomando como ocasião a próxima efeméride dos cento e vinte anos da mencionada Encaíclica de Leão XIII, desejo que esta oração seja especialmente proposta e valorizada nas várias comunidades cristãs durante o ano. Proclamo, portanto, o período que vai de Outubro deste ano até Outubro de 2003 Ano do Rosário".



Indulgência Parcial

Significa a remissão de parte do tempo que a pessoa deveria permanecer no purgatório, por exemplo, 10 dias, cem dias etc. Exemplo: Antigos cânones da Igreja, nunca revogados e portanto em pleno vigor, dão 7 (sete) dias de remissão de pena de purgatório, para cada vez que você pronuncia com devoção os Santíssimos nomes de Jesus e de Maria; Quanto representa um terço? E um rosário? Faça as contas! Estes mesmos cânones prescrevem, sete, dez ou até quinze anos de purgatório, por apenas um pecado mortal. Este é apenas um exemplo. Eis porque o Rosário, depois da Santa Missa é a oração mais indulgenciada.

Fonte: paideamor


Maria, inspirando-se na tradição do Antigo Testamento, celebra com o cântico do Magníficat as maravilhas que Deus realizou nela. Esse cântico é a resposta da Virgem ao mistério da Anunciação: o anjo convidou-a a alegrar-se; agora Maria expressa o júbilo de seu espírito em Deus, seu salvador. Sua alegria nasce de ter experimentado pessoalmente o olhar benévolo que Deus dirigiu a ela, criatura pobre e sem influência na história.
Com a expressão Magníficat, versão latina de uma palavra grega que tinha o mesmo significado, é celebrada a grandeza de Deus, que com o anúncio do anjo revela sua onipotência, superando as expectativas e as esperanças do povo da aliança e inclusive os mais nobres desejos da alma humana.

Frente ao Senhor, potente e misericordioso, Maria manifesta o sentimento de sua pequenez: “Minha alma proclama a grandeza do Senhor; alegra meu espírito em Deus, meu salvador, porque olhou para a humilhação de sua escrava” (Lc 1,46-48). Provavelmene, o termo grego tapeinosis foi tirado do cântico de Ana, a mãe de Samuel. Com ele indicam a “humilhação” e a “miséria” de uma mulher estéril (cf. 1 S 1,11), que encomenda sua pena ao Senhor. Com uma expressão semelhante, Maria apresenta sua situação de pobreza e a consciência de sua pequenez perante Deus que, com decisão gratuita, colocou seu olhar sobre ela, jovem humilde de Nazaré, chamando-a a converter-se na mãe do Messias.

As palavras “de agora em diante todas as nações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48), têm como ponto de partida a felicitação de Isabel, que foi a primeira a proclamar a Maria “bendita” (Lc 1,45). O cântico, com certa audácia, prediz que essa proclamação irá se estendendo e ampliando com um dinamismo incontido. Ao mesmo tempo, testemunha a veneração especial que a comunidade cristã sentiu pela Mãe de Jesus desde o século I. O Magníficat constitui a primícia das diversas expressões de culto, transmitidas de geração em geração, com as quais a Igreja manifesta seu amor à Virgem de Nazaré.

“O Poderoso fez em mim maravilhas; seu nome é santo e sua misericórdia chega aos fiéis de geração em geração” (Lc 1,49-50).

O que são essas “maravilhas” realizadas em Maria pelo Poderoso? A expressão aparece no Antigo Testamento para indicar a libertação do povo de Israel do Egito ou da Babilônia. No Magníficat refere-se ao acontecimento misterioso da concepção virginal de Jesus, acontecido em Nazaré depois do anúncio do anjo.

No Magníficat, cântico verdadeiramente teológico porque revela a experiência do rosto de Deus feita por Maria, Deus não só é o Poderoso, a quem nada é impossível, como havia declarado Gabriel (cf. Lc 1,37), mas também o Misericordioso, capaz de ternura e fidelidade para com todo ser humano.

“Ele faz proezas com seu braço; dispersa os soberbos de coração; derruba do trono os poderosos e enaltece os humildes; os famintos os sacias de bens e despede os ricos de mãos vazias” (Lc 1,51-53).

Com sua leitura sapiencial da história, Maria nos leva a descobrir os critérios da misteriosa ação de Deus. O Senhor, confundindo os critérios do mundo, vem em auxílio dos pobres e pequenos, em detrimento dos ricos e dos poderosos, e, de modo surpreendente, enche de bens os humildes, que lhe encomendam sua existência (cf. Redemptoris Mater, 37).

Estas palavras do cântico, ao mesmo tempo em que nos mostram em Maria um modelo concreto e sublime, nos ajudam a compreender que o que atrai a benevolência de Deus é sobretudo a humildade de coração.

Por último, o cântico exalta o cumprimento das promessas e a fidelidade de Deus com o seu povo escolhido: “Auxilia a Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, como havia prometido a nossos pais, em favor de Abraão e sua descendência para sempre” (Lc 1,54-55).

Maria, cheia de dons divinos, não se detém a contemplar seu caso pessoal, mas compreende que esses dons são uma manifestação da misericórdia de Deus a todo seu povo. Nela Deus cumpre suas promessas com uma fidelidade e generosidade abundantes.

O Magníficat, inspirado no Antigo Testamento e na espiritualidade da filha de Sião, supera os textos proféticos que estão em sua origem, revelando na “cheia de graça” o início de uma intervenção divina que vai além das esperanças messiânicas de Israel: o mistério santo da Encarnação do Verbo.


O que o escapulário de Nossa Senhora do Carmo? O que consiste tal proteção? Qual a relação com o purgatório? Qualquer tipo de escapulário serve?

A princípio, vamos entender a promessa da Virgem do Carmo.

Simão nasceu em 1165 na Inglaterra. Sua mãe o consagrou antes de nascer à Santíssima Virgem. Quando bebê, ao chorar, bastava que a mãe lhe mostrasse uma imagem da Virgem para que ele se acalmasse. O menino aprendeu a ler bem cedo e começou a rezar, junto com seus pais, o Pequeno Ofício da SS. Virgem. Depois começou a rezar o Saltério, mesmo não conhecendo o latim, ficando extasiado com o que fazia.

Precocemente iniciou o estudo, aos sete anos, das Belas Artes no colégio de Oxford, surpreendendo os professores. Isso o levou a ser admitido à Mesa Eucarística num tempo em que o costume era o de fazer muito mais tarde. Neste momento consagrou também sua virgindade à Virgem.

Perseguido pela inveja de seu irmão mais velho e escutando uma voz interior que lhe inspirava o desejo de abandonar o mundo pagão, deixou o a casa dos pais aos 12 anos, encontrando refúgio em uma floresta isolada.

Um enorme carvalho, cujo tronco apodrecido formara uma cavidade suficiente para nele colocar uma cruz, uma imagem de Maria Santíssima e recostar-se, serviu-lhe de oratório e morada. Empregava o tempo na contemplação das coisas de Deus, oração e austeridades. Era vítima constante de assaltos do demônio, que não o deixava em paz. Bebia água de uma fonte que existia nas proximidades e alimentava-se de ervas e raízes. Ocasionalmente, porém, um misterioso cachorro levava-lhe um pedaço de pão. Viveu desta forma aproximadamente vinte anos.

Maria Santíssima revelou-lhe então que desejava que ele se juntasse a monges que viriam do Monte Carmelo, na Palestina, à Inglaterra, “sobretudo porque aqueles religiosos estavam consagrados de um modo especial à Mãe de Deus”. Simão então saiu de sua solidão e, obedecendo a tal ordem celestial, estudou teologia, recebendo as sagradas ordens. Dedicou-se à pregação, até que finalmente dois frades carmelitas chegaram em 1213. Desta forma, Simão recebeu o hábito da Ordem em Aylesford. Dois anos depois, São Brocardo, segundo Geral latino do Carmo, teve conhecimento das virtudes de Simão e, com isso, quis tê-lo como coadjutor na direção da Ordem. Em 1226 São Brocardo nomeou Simão como Vigário Geral de todas as províncias da Europa.

Simão enfrentou sérios ataques contra os carmelitas, em toda a Europa, suscitados pelo demônio através de homens considerados “zelosos” pelas leis da Igreja. Estes homens queriam extingüir a Ordem, com o argumento de ser nova, instituída sem a aprovação eclesiástica, o que era contrário às normas do IV Concílio de Latrão. Simão enviou delegados ao Papa Honório III para informar o pontífice da dura perseguição aos carmelitas e solicitar sua proteção. O Papa então enviou dois comissários para cuidarem do problema e, convencidos pelos perseguidores, decidiram pelo fim da Ordem. Mas a Virgem apareceu ao papa, ordenando-lhe que aprovasse as Regras do Carmo, confirmando a Ordem e protegendo-a. Através de uma Bula, o Papa assim o fez, declarando a Ordem legítima, de acordo com o Concílio de Latrão, autorizando suas fundações na Europa. Simão também participou do Capítulo Geral da Ordem na Terra Santa, em 1237. Em um novo Capítulo, em 1245, foi eleito o sexto Prior Geral dos Carmelitas.

Se a bula papal diminuiu ocasionalmente a fúria dos inimigos da Ordem, esta não cessou por completo. Depois de um período de paz, as perseguições recomeçaram.

Simão recorreu à Virgem, pedindo-lhe ajuda para a Ordem e um sinal de Sua aliança com ela.

No dia 16 de julho de 1251, pela manhã, Simão suplicava com maior empenho à Santíssima Mãe Sua proteção, recitando a bela oração por ele mesmo composta, “Flos Carmeli”. Segundo ele próprio relatou ao Pe. Pedro Swayngton, seu secretário e confessor, de repente “a Virgem me apareceu em grande cortejo , e, tendo na mão o hábito da Ordem, disse-me:

“ ´Recebe, diletíssimo filho, esta Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno.”

“E... disse-me Ela, ao desaparecer, que bastava-me enviar uma delegação ao Papa Inocêncio, Vigário de Seu Filho, que ele não deixaria de me mandar remédio para nossos males.”

Esta graça especial foi imediatamente propagada nos lugares onde os Carmelitas estavam estabelecidos, e confirmada por muitos milagres que, realizados em várias partes, calaram os inimigos da Ordem.

“ A Ordem do Carmo multiplicou-se tão prodigiosamente sob a direção do nosso Santo, que poucos anos depois de sua morte, cerca do fim do século XIII, segundo a observação de Guilherme, arcebispo de Tiro, essa Ordem contava já até sete mil e quinhentos mosteiros ou solidões, povoados por um grande número de religiosos que o mesmo autor eleva ao número de cento e vinte mil”.

Sendo Prior Geral dos Carmelitas, Simão buscou propagar de todas as formas a Ordem por toda a Europa, preferindo fundar casas em cidades onde havia universidades, como em Cambridge , Oxford, Paris e Bolonha, entre os anos de 1249 e 1260.

Simão atingiu extrema velhice e grandiosa santidade, operando numerosos milagres, tendo obtido também o dom das línguas. Mesmo idoso, viajou por todo o velho continente fundando novos mosteiros e atribuindo-se também a fundação das Confarias do Santo Escapulário. Com cem anos chegando a Bordeaux, na França, enquanto dirigia a Tolouse para o Capítulo Geral da Ordem, faleceu, fazendo a páscoa com o Senhor no dia 16 de maio de 1265. De seu sepulcro saíram raios de luz durante duas semanas depois de sepultado, o que levou os religiosos a comunicarem o fato ao Bispo. Este, por sua vez, visitou o sepulcro com o clero e o povo. Ao verificar o fenômeno, ordenou que o túmulo fosse reaberto, aparecendo o corpo de São Simão emitindo raios de luz e exalando delicado perfume. Em 1276 o culto a Simão Stock foi confirmado para o convento de Bordeaux pela Santa Sé e, mais tarde, para todos os integrantes da Ordem.

Diante desta bela e autêntica história, podemos assim resumir a Grande Promessa e o Privilégio Sabatino:

Todos aqueles que, ao morrer, têm a felicidade de usar o Escapulário, obtêm graça diante de Deus e são preservados do fogo do inferno, porque acreditamos que, para manter a Sua promessa, Maria retira para eles, dos tesouros divinos de que é depositária, as graças necessárias para a sua perseverança no estado de justiça, ou para sua conversão. Fortificados e reconciliados com Deus pelos sacramentos ou pela contrição perfeita, e morrendo com este santo hábito, os associados do Escapulário não caem sob os golpes de uma justiça inexorável.

Logicamente, isto não quer dizer que uma pessoa que morra em pecado mortal, usando o escapulário, será salva. Isto seria anti-teológico e uma injustiça descabida. A promessa quer dizer que quem portar o escapulário não morrerá em pecado mortal. Traduzindo: aquele que morrer PIEDOSAMENTE, não padecerá das penas do inferno. A teologia entende que quem morre com o Escapulário, ou receberá da Mãe de Deus, na hora da morte, a graça da perseverança no estado de justiça, se nele estiver, ou, caso não esteja, a graça da conversão e perseverança final.

Vale lembrar que esta grande promessa vale não somente para os religiosos que portem o Escapulário longo, mas para todos os fiéis que portarem o Escapulário pequeno, a medalha-escapulário ou o escapulário-protegido.

O escapulário pequeno é o mais convencional. Deve ser feito com dois pedaços de lã ( e não de outro material), ligados entre si opor fios, e da forma (quadrangular ou retangular) e cor requeridas (marrom, café ou negro). A medalha-escapulário foi criada por São Pio X, que em 16 de dezembro de 1910 regulamentou a permissão de se usar, no lugar dos pequenos escapulários das diferentes Ordens, uma só medalha de metal. Esta medalha deve ter em uma face o Sagrado Coração, e na outra a Santíssima Virgem. Todas as pessoas validamente investidas com um escapulário de tecido propriamente bento podem trocá-lo pela medalha de metal, que pode ser benta com bênção simples de qualquer sacerdote a cada nova troca de medalha (o escapulários tradicional só precisa ser bento na primeira vez, quando trocá-lo, o primeiro benze os demais). As medalhas devem ser usadas constantemente, penduradas no pescoço ou de maneira conveniente, ganhando-se com seu uso quase todas as indulgências e privilégios concedidos aos pequenos escapulários. Prefere-se estes a aquelas. As "medalhas-escapulários" deverão ser usadas somente com um inconveniente real no uso dos tradicionais. Esta medalha não foi criada por modismo, mas para atender os apelos de missionários de zonas tórridas, em favor dos nativos, pois os pedaços de lã, diante de certas condições atmosféricas, ficavam inteiramente disformes. E, por fim, o escapulário protegido, que consiste em dois pedaços de lã protegidos por plástico ou material qualquer. Este último aprovado pelo Papa Pio XI, por decreto de 8 de maio de 1925.

Deve-se observar também a castidade segundo o estado do fiel. Se for solteiro, perfeita; se for casado, a castidade matrimonial. Sem mencionar que cada uma das partes do mesmo deve cair sobre o peito e sobre as costas do fiel e que se rezem as orações prescritas pelo sacerdote que o impôs (no meu caso, por um frei carmelita, meu querido guia espiritual, já falecido, Frei Anastácio, que me prescreveu rezar três ave-marias por dia).

A Igreja concedeu a várias Ordens religiosas a faculdade de benzer também pequenos escapulários e impô-los nos fiéis independente de estarem ligados ou não às Confrarias, aos que portam o Escapulário do Carmo estenderam-se também essas promessas da Mãe de Deus. Quer dizer, não há mais necessidade de ser filiado a uma Confraria do Monte Carmelo para gozar-se desses privilégios.

Por isso a tal universal divulgação do Escapulário que, juntamente com o Rosário, é um dos símbolos mais característicos do católico praticante, piedoso e verdadeiro servo de Maria.

Paz e Bem!

Frei Ludovico Garmus


Era uma vez uma garça, toda branca, que veio visitar Petrópolis. Veio de longe e pousou no rio Piabanha. Eu estava num ponto do ônibus, quando a vi, e fiquei surpreso. Ela estava sozinha, de pé, no leito do rio. Estava quieta e olhava atentamente a água que escorria aos seus pés. Parecia muito pensativa e preocupada. Imaginei logo a razão desta tristeza e preocupação: Por mais que ela olhasse, não encontrava nenhum peixinho sequer.

Fiquei com pena dela. Aproximei-me de mansinho e puxei conversa com ela:
- Oi garcinha! o que você está fazendo aqui? Nunca te vi aqui em Petrópolis! Qual é o seu nome?


Ela parecia triste e preocupada. Mesmo assim, olhou para mim e começou a falar comigo:
- Eu me chamo Bianca - disse a pequena garça. Mamãe deu-me este nome porque, como minhas irmãs, sou toda branquinha.
- Donde você veio aqui para Petrópolis? - perguntei.
- Eu vim bem de longe. Lá do Pantanal do Mato Grosso.
- Mas você deixou o Pantanal, onde há tanta água e tanto peixe, e logo para vir aqui a Petrópolis? Dizem que o Pantanal é um paraíso, um patrimônio da humanidade! Não entendo.
- De fato, não é fácil explicar. O Pantanal ainda tem muita água e muitas aves, é verdade. Mas a situação está ficando cada vez mais difícil.
- Como assim, Bianca?


- E a garcinha, com um ar de tristeza, começou a explicar: Aqueles homens - disse ela - que se chamam fazendeiros, derrubaram as matas, acabaram com os cerrados para fazer grandes plantações e criar gado. Dizem que é o tal do agronegócio. Eles ganham muito dinheiro com isso. Mas para nós garças, para outras aves e passarinhos, para os peixes, a situação piorou muito. Antes a gente voava e podia pousar em alguma árvore. Agora, o que se vê são quilômetros e quilômetros sem árvore nenhuma. A gente voa e não encontra uma árvore sequer para pousar e descansar. Antes havia muitos riachos, muita água limpa, com peixinhos para a gente pescar e comer. Mas agora, muitos riachos simplesmente desapareceram. A água que ainda sobrou está ficando muito poluída pelos agrotóxicos. Os fazendeiros usam até pequenos aviões para jogar veneno sobre as enormes plantações de soja e de cana de açúcar. O veneno mata os bichinhos, que eles chamam de pragas. Mas envenena também a terra e a água. Muitos passarinhos morrem e também outros insetos que não prejudicam a tal da soja. Quando vêm as chuvas, levam muita areia com água poluída para os rios e para o Pantanal. Com isso, os rios e o Pantanal estão ficando assoreados. O povo que mora por ali, já está fazendo até cisternas para captar a água de chuva, para beber. A água envenenada faz mal para as pessoas. Imagine para nós e para os peixes. Eu, minhas irmãs e meus irmãos ficamos até doentes. Então, nossa mamãe garça recomendou: Procurem outros lugares do Brasil. Deve ter muita água não poluída ainda, com muito peixe em todo o lugar.


- Tua mãe tem razão, Bianca - disse eu. Os entendidos falam que no Brasil temos cerca de 15% de toda a água doce do mundo.
- Pode ser, porque eu já vi muita água na minha vida. - Depois continuou: Atendendo a sugestão da mamãe, voamos, então, para a Amazônia. Mais precisamente, para o Acre. Diziam que ao menos lá havia reservas extrativas, criadas pelo saudoso Chico Mendes. As reservas mostram que é possível homens ganharem a vida sem derrubar a mata e acabar com as aves e os animais. A mata conserva a água e abastece os rios. Pensávamos que seria um ótimo lugar para nós garças podermos viver tranqüilas.
- Boa escolha, garcinha! - comentei eu. Eu também já estive na Amazônia, na região de Manaus. É muita água! A gente nem consegue ver a outra margem do rio. Vi até botos, com seus mergulhos solenes, subindo e descendo o rio. Há muitos lagos, igarapés, água limpa e peixe em abundância.


- Era exatamente isso que nossos pais nos diziam - continuou a garça. Mas quando chegamos ao Acre, tivemos uma grande surpresa. Também ali grandes extensões de mata virgem já tinham sido derrubadas. Os fazendeiros já haviam chegado ali, para criar gado e plantar soja. Provavelmente, por causa disso, em 2005, quando ali chegamos, estava acontecendo uma terrível seca na Amazônia. Os igarapés secaram, os rios baixaram tanto que não era mais possível navegar. Os fazendeiros incendiaram as pastagens secas para renovar o pasto, como eles ainda costumam fazer. Mas o fogo se propagou para a mata virgem e atingiu até as reservas florestais. Foi um inferno. Havia tanta fumaça que nós garças até perdíamos o rumo quando voávamos. Os lagos ficaram cheios de peixes intragáveis. Era uma podridão.


- De fato, disse eu, foi muito triste, garcinha. Nós, os civilizados, vimos tudo isso na televisão, lemos nos jornais. Foi muito comentado.
- Vocês viram isso na TV, sim. Mas nós sentimos o drama em nossa pele, ou melhor em nossas penas. Não só nós. Todo o povo ribeirinho, começou a passar sede e fome. A gente até que podia se virar, porque mudamos de dieta.
- Como assim, garcinha? vocês mudaram de dieta?
- Já que não havia mais peixe, nós começamos a seguir o gado. Comíamos os insetos que o gado espantava. Além do mais, a gente fazia um serviço de limpeza na pele do gado. Comíamos os carrapatos e bernes, que tanto incomodavam o gado. As vacas e os bois gostavam de nós, porque cada vez que a gente bicava na pele deles para catar um berne, fazíamos cócegas neles... Mas comer só carrapato e berne enjoa, sabe?


Quando ouvi este triste relato da Bianca, nossa pequena garça, fiquei pensando comigo mesmo: Que coisa terrível nós fazemos. Derrubamos o mato, incendiamos as florestas, provocamos as secas e envenenamos as águas. A gente faz tudo isso muitas vezes sem pensar nas conseqüências, apenas por lucro. Esquecemos todos os outros seres vivos, que precisam de água e de alimentos para sobreviver, como nós. No final, toda a natureza fica prejudicada: terra, homens, plantas, peixes, pássaros e animais. Isso acontece lá no Pantanal, na Amazônia, mas também em Petrópolis, Paty e em outras cidades. Desmatamos, prejudicamos as águas, poluímos a água com o nosso lixo, com os detergentes e outros venenos.
A pequena garça percebeu que agora era eu que estava preocupado, e continuou falando.


- Como não dava para viver no Pantanal nem na Amazônia, então resolvemos voar até o Rio de Janeiro. Nossa vovó garça dizia que lá era tudo muito bonito. O Rio era a Cidade Maravilhosa. A Baía da Guanabara, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Corcovado, o Pão de Açúcar e as montanhas com suas matas. Mas chegando até a Lagoa, encontramos as águas cobertas de milhares de peixes mortos. Diziam que era por causa da poluição. Eu, que me criei no Pantanal , sempre gostei de água doce. Mas até a água doce que o povo toma não tem graça nenhuma. Está cheia de produtos químicos que os homens dizem que serve para tratar a água do Rio Guandu, toda ela muito contaminada.
- E daí, garcinha, o que você resolveu fazer? - Perguntei.


- Minhas irmãs decidiram ir até o Rio Paraíba, no encontro com o Paraibuna. Mas, como elas me contaram, o rio Paraíba do Sul ficou todo poluído porque havia rebentado uma barragem em Minas. Com isso, os restos dos minérios se espalharam pelas águas dos rios Paraibuna e Paraíba, matando peixes, patos, mariscos e até garças que comiam os peixes contaminados. Foi um desastre ecológico, como diziam. As águas viraram pura lama.
- E olha, Bianca, isso não aconteceu pela primeira vez - comentei eu. Em 2003, houve um vazamento de 1,20 bilhões de litros de água tóxica, contaminada pelo cloro e soda cáustica, proveniente de uma fábrica de papel. O desastre ambiental deixou mais de 500 mil pessoas sem água potável, acabou com os peixes do rio, matou até jacarés, bezerros e bois que beberam desta água. Dizimou cães, gatos, patos, galinhas e outros pequenos animais que comeram camarões contaminados. Dois mil pescadores ficaram sem trabalho, durante noventa dias.


- É, nós ouvimos falar disso tudo. Percebemos que há muitas pessoas que só pensam no lucro e não se preocupam com a água, os peixes, as aves e as garças. Diante disso, minhas irmãs resolveram ir lá para o Nordeste.
- Mas por que logo para o Nordeste, tão seco? - perguntei.
- Foram para o Nordeste porque ouviram falar que lá morava um bispo franciscano, chamado Frei Luis Cápio. Um santo homem, um amigo da água, dos peixes, das garças e de tudo que vive da água. Ele chegou a fazer um jejum de dez dias, para defender as águas do Rio São Francisco. "Dou minha vida pela vida do Rio" - dizia ele. Tomava apenas a água do São Francisco. Muita gente pobre o apoiou, mas provocou a raiva de político e dos homens do agronegócio. Eles queriam transpor parte das águas, já diminuídas pelo desmatamento, para as suas terras.


- De fato, garcinha. Nós aqui de Petrópolis, e de muitas outras partes do Brasil, apoiamos o gesto corajoso deste bispo franciscano. Ele decidiu arriscar sua própria vida para salvar o Rio São Francisco, proteger a vida dos pobres que ali moram, salvar a vida dos peixes, das aves e de todas as garças.
- Nós garças ficamos muito comovidas com o jejum deste bispo. Durante dez dias ele deixou de comer, para não deixar que nós, as garças, as aves, os animais e o povo pobre passássemos fome. Agora temos certeza que nem tudo está perdido. Ainda há gente que pensa em nós e nos defende. Por isso, podemos continuar esperando por tempos melhores. Além do mais, ouvimos também que o povo, com a ajuda da Igreja e das ONGs, estava construindo cisternas para guardar a água da chuva. Minhas irmãs garças me diziam que era preferível ter pouca água, mas limpa, do que toda esta poluição das grandes cidades e até do Pantanal.
- Mas você não foi com elas. Por que? - perguntei.


- Eu resolvi vir até aqui, a Petrópolis, porque me lembrei do que minha vovó, nascida e criada em Petrópolis, contava para a gente quando éramos crianças. Ela dizia que em Petrópolis tudo era muito bonito. A Cidade Imperial, no meio das montanhas, cobertas de mata. Casas muito bonitas, construídas junto do mato, mas sem derrubá-lo. E muitos riachos, afluentes do Piabanha, com águas tão limpas, que as crianças podiam tomar banho e os meninos podiam pescar alguns peixinhos. Havia muito peixe também para nós, as garças. Todos ali gostavam das garças e não as incomodavam. Resolvi vir para cá para conferir se era de fato assim.


- E o que está achando de nossa cidade e de nossos rios? Eu vi você parada, aí no rio, olhando e imaginei o que estaria pensando: Não tem mais peixinhos, não é...?
- É, de fato, é uma decepção. Eu não posso nem acreditar! Um rio com tanta água, sem um peixinho sequer. O que essa gente está fazendo com a água? Eu estou até passando fome. Estou vendo se pego algum resto de carne podre, porque na hora do aperto, vale tudo.


- E o pior - comentei eu - é que o rio está poluído. Tome cuidado, garcinha. Você parada aí no rio, pode fazer mal. Pode pegar alguma doença. Infelizmente, muita gente ainda joga sacolas de lixo, plásticos, pneus, pettys, caixotes de madeira e outros entulhos mais. Como se o rio fosse uma lixeira. No passado, muitas tecelagens lançavam suas tintas e anilinas todas no rio. A água ficava colorida, azul, vermelha, amarela ou preta. Além disso, nossa Cidade Imperial está apenas começando a tratar o seu esgoto. Você devia sentir como é horrível o mau cheiro, quando não chove.
- Infelizmente, pensando bem - disse-me a garcinha - não dá mesmo para ficar e viver por aqui. Vou me embora, para junto de minhas irmãs e meus irmãos, lá para o Nordeste.


- Que pena! Você podia ficar por aqui - eu disse para ela. As crianças, todo o mundo iria gostar. Olha, a gente está fazendo até caminhadas ecológicas, promovidas pelas paróquias franciscanas do Sagrado Coração de Jesus e de Paty do Alferes. Estamos procurando conscientizar as pessoas para cuidarem mais das árvores, da água e do lixo. Prometo que vai chegar o dia em que vocês garças poderão vir, em bandos, comer os peixinhos criados em nosso rio Piabanha e enfeitar a nossa Cidade.


- Bem - disse a garcinha Bianca - sou até capaz de voltar um dia, se vocês prometerem cuidar mais da água. Mas agora eu preciso voar! Tchau! Vou-me embora para o sertão!
- Tchau, garcinha! Volte sempre!


E vocês, que ouviram a história da garça branca e da água, prometem que vão defender a água?


Acompanhar Nossa Senhora em todas as fases de sua vida terrestre, admirar os altos desígnios de Deus na pessoa sacrossanta de sua Mãe é sempre delícia para um coração devoto à SS. Virgem. Mais apropriada não podia ser a nossa meditação das dores, senão ocupando-nos com os sete dolorosos lances de sua existência terrena, ou propriamente “as sete dores”, a saber:

1Ý - A profecia de Simeão
“Eis aqui está posto este Menino para ruína e para ressurreição de muitos de Israel, e como alvo a que atirará a contradição. E uma espada traspassará tua alma”. (Lc. 2,34)

A esta palavra a SS. Virgem vê de uma maneira clara e distinta no futuro as contradições a que Jesus Cristo será exposto: contradições na doutrina, contradições no conceito público, contradições nos seus santíssimo afetos, na alma e no corpo. E esta previsão dolorosa ficou na alma de Maria durante trinta e três anos. À medida que Jesus crescia em idade, em sabedoria e em graça, no Coração de Maria aumentava a angústia de perder um filho tão caro, pela aproximação da inexorável Paixão e Morte. “O Senhor usa de compaixão para conosco, em não nos fazer ver as cruzes que nos esperavam, e se temos de sofrer, é só uma vez. Com Maria Santíssima assim não procedeu, porque a queria Rainha das dores e toda semelhante ao Filho; por isso ela via sempre diante de si todas as pelas que havia de sofrer” (Santo Afonso)

2Ý- A fuga para o Egito
A profecia de Simeão começou a cumprir-se logo. Jesus apenas nascido, já é cercado pela morte. Para salvá-lo, Maria deve ir para um exílio longínquo, para o Egito, por caminhos desconhecidos, cheios de perigos. No Egito a Sagrada Família passou perto sete longos anos como estranha, desconhecida, sem recursos, sem parentes. “A viagem de volta para a Terra Santa apresentou-se mais penosa ainda, porque o Menino Jesus já era tão crescido que, levá-lo ao colo, difícil tarefa devia ser, e fazer a pé o grande trajeto parecia acima de suas forças” (São Boaventura)

3Ý - Jesus encontrado no templo
“Há quem diga que toda esta dor não só foi maior de todas que Maria sofreu na sua vida, mas que foi também de todas a mais acerba”.

Nos outros seus sofrimentos tinha ela Jesus em sua companhia; mas agora via-se longe dele, sem saber onde ele se achava. Das outras dores Maria conhecia perfeitamente a razão e o fim, isto é, a redenção do mundo, a vontade divina; mas nesta dor não podia ela atinar com o motivo de Jesus estar longe de sua Mãe. Quem sabe se sua mente não se torturava com pensamentos como este: não o servi como devia, cometi alguma falta, alguma negligência, que motivasse dele se retirar de mim? Certo é que não pode haver pena maior para uma alma que tem amor a Deus, senão o temor de o ter desgostado. Realmente, em nenhuma outra dor, que nós saibamos, Maria se lamentou, queixando-se amorosamente com Jesus, depois de o ter achado:

“Filho, porque fizeste assim conosco? Olha que teu pai e eu te buscávamos aflitos” (Santo Afonso)

4Ý - Maria se encontra com Jesus na via dolorosa
Pilatos tinha sentimento humano para com Jesus; tivesse ele vencidosua covardia, talvez o teria salvo do furor da multidão, ainda mais, se à súplica de sua mulher se tivesse unido um pedido da Mãe de Jesus. Maria, porém, não se move naquela hora tremenda, que decide da vida ou da morte de seu Filho, porque sabe, que o Filho podia por si, sem auxílio alheio, livrar-se dos seus inimigos, e se se deixa como um cordeiro levar ao suplício, então é porque o faz espontaneamente, cumprindo a vontade de Deus. Maria ainda não se move, quando a sentença já é irrevogavelmente pronunciada. Vai ao encontro de Jesus que, carregado do peso da cruz, se encaminha para o Calvário. Vê-o todo desfigurado e entregue, coberto de mil feridas e horrivelmente ensangüentado. Seus olhares se cruzam. Nenhuma queixa sai da sua boca, porque as maiores dores Deus lhe reservou para a salvação do mundo. Aquelas duas almas, heroicamente generosas, continuam juntas no seu caminho do sofrimento, até o lugar do suplício.

5Ý - Jesus morre na cruz.
Chegam ao Calvário. Os algozes despojam Jesus das suas vestes, pregam-no na cruz, levantam o madeiro e sobre ele deixam-no morrer. Maria agora se aproxima da cruz e perto da cruz fica, e assiste à horrível agonia de três horas. “Que espetáculo ver-se o Filho agonizante sobre a cruz, e ver-se ao pé da mesma agonizar a Mãe, que todas as penas sofria com seu Filho! (Santo Afonso). “O que os cravos eram para o corpo de Jesus, para o coração de Maria era o amor” (São Bernardo). “No mesmo tempo que Jesus sacrificava o corpo, a Mãe imolava a alma” (São Bernardo). E não pode dar ao Filho o menor alívio; ainda saber que o maior tormento para o Filho era ver present5e sua Mãe, que dor, que sofrimento! O único alívio para a Mãe e para o filho era saber, que das suas dores resultava para nós a vida eterna.

6Ý- Abertura do coração de Jesus pela lança e descimento da cruz
Jesus morrendo, exclamou: “Consummatum est” – Tudo está consumado. Estava completa a série dos sofrimentos para o Filho, não porém, para a Mãe. Quando ela está chorando a morte do filho, um soldado vibra a lança contra o peito de Jesus, abrindo-o, e sai sangue e água. O corpo morto de Jesus não sente mais a lançada; mas sentiu-a a Mãe no íntimo do coração. Tiram o corpo do Filho da cruz. O Filho é entregue à Mãe, mas em que estado! Antes o mais belo entre os filhos dos homens, agora está todo desfigurado. Antes, era um prazer olhar para ele; agora, seu aspecto é horroroso. Quando morre um filho, trata-se de afastar do cadáver a mãe. Maria, pelo contrário, não deixa que lho tirem dos seus braços, senão quando é para sepultá-lo.

7Ý - Jesus é colocado no sepulcro.
“Eis que já o levam para sepultá-lo. Já se põe em movimento o doloroso préstito. Os discípulos levam o corpo de Jesus sobre os ombros. Os Anjos do céu o acompanham. As santas mulheres seguem e, no meio delas, a Mãe. Querem que ela mesma acomode o corpo sacrossanto de Jesus no sepulcro, precisando por a pedra para fechar o sepulcro, os discípulos precisam dirigir-se à SS. Virgem, e lhe dizer: “Agora é hora de vos despedir, Senhora; deixai que fechemos o sepulcro. Muni-vos de paciência! Olhai-o pela última vez e despedi-vos de vosso filho”. Moveram a pedra e colocaram-na no seu lugar, fechando com ela o santo sepulcro. Maria, dando um último adeus ao Filho e à sepultura, volta para casa” (Santo Afonso). “Voltou tão triste a aflita e pobre Mãe, que todos a viam, dela se compadeciam e choravam” (São Bernardo) Só no nosso coração não haverá lágrimas para Maria? Não choramos nós, que somos a causa de tantas dores? Ah! Se nos faltam lágrimas de sentimento dos nossos olhos sensíveis, choremos pelo menos lágrimas de penitência, expressão ainda do firme propósito, de não mais cometermos pecado algum. Foram os nossos pecados que levaram à morte o nosso Irmão primogênito, e transpassaram o coração dulcíssimo de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.


“Além disso, a igreja católica ensina, mesmo que discretamente, ser Maria Mãe de Deus em todos os sentidos”


É lamentável o seu argumento de que “a igreja católica ensina, mesmo que discretamente” que Maria é Mãe de Deus no sentido de que Deus só começou a existir a partir do momento em que foi concebido por Maria. A Igreja jamais ensinou isso. Mas, para “confirmar” o seu argumento, o senhor cita uma frase “da Internet”:



“Maria não é a mãe apenas da carne humana, mas de toda a realidade de seu filho, que tinha uma só pessoa (a Divina)” (pág. 20)



Se não houver má vontade na interpretação desta frase, será percebido que ela comporta toda a verdade cristã explicada detalhadamente acima. É só reler tudo o que eu escrevi e verá se a frase tem ou não razão. Repetindo: não se divide o Senhor ao meio, a Pessoa é única. Todavia, desconheço qualquer tipo de ensinamento da Igreja mesmo que discreto nessa linha. A Igreja é bastante clara nos seus ensinamentos. O que estou escrevendo aqui, não é conclusão minha, mas é ensinamento oficial da Igreja e isso vem mostrar que a Igreja não ensina nem discretamente nem diretamente essa doutrina que o senhor levantou. Ao contrário, o título “Mãe de Deus” vem se impor perante as heresias que colocavam em dúvida a Deidade de Nosso Senhor. A Igreja deu este título à Maria para confirmar cada vez mais a Divindade do seu Filho, pois Maria é Mãe do “menino... sobre seu ombro está o manto real, e ele se chama ‘Conselheiro Maravilhoso’, ‘Deus Forte’, ‘Pai para sempre’, ‘Príncipe da Paz’” (Is 9,5).



Sei que, como o senhor já havia me dito pessoalmente, as decisões conciliares da Igreja não representam nada para os protestantes. Contudo, não estou querendo provar nada aqui através dos Concílios, mas apenas mostrar o que de fato é a opinião oficial da Igreja, que tão facilmente é mal interpretada.



E veja: mais difícil de entender que Deus teve uma Mãe, ainda é entender que Deus se fez homem, e mais do que isso, que morreu numa cruz. E, no entanto, a fé cristã sempre professou isso sem medo de que fosse levado a extremo ou que, por má interpretação, se diminuísse a grandeza de Deus. O que para “os judeus é escândalo, para os pagãos é loucura” (1ª Cor 1,23), para os cristãos sempre foi Verdade de fé.



Na página 20 o senhor afirma com razão que a palavra grega Θεοτόκος (lê-se Theotókos), ou seja, Mãe de Deus, não está na Bíblia. Contudo se esquece que há algo muito similar. Isabel, cheia do Espírito Santo por ter ouvido a saudação da Mãe do Salvador (cf. Lc 1,41) assim exclamou: “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1,43). Senhor, em grego Κύριος (lê-se Kírios) é usado na Bíblia como título de Deus e, seguramente, o Senhor de Isabel é o Senhor Deus e não o Senhor Humano. Ou será que Isabel chamou de Senhor somente a parte humana de Jesus? Certamente Isabel não fez essa divisão na Pessoa do Senhor e, portanto Isabel falou: Mãe do meu Deus (cf. At 10,36 compare com Dt 10,17).



“Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus” (Calvino, grande nome do protestantismo, Comm Sur I’Harm Evang. 20).


Ainda dentro do tema Mãe de Deus, devo lhe pedir licença, pois acho que o senhor não entendeu muito bem essa questão. Primeiro é dito assim:



“Considerando que Jesus é Deus, e ainda, que nasceu de Maria, penso ser óbvio dizer que Maria é mãe de Deus”

(pág. 19)



E ainda:



“O termo grego ‘meter ton Iesous’ (mãe de Jesus) é usado na Bíblia algumas vezes, o que significaria dizer que no sentido humano, Maria é de fato a mãe de Deus. Foi ela quem gerou o Messias, quem o carregou por nove meses, quem o amamentou e cuidou dele até a idade adulta. Seria uma discrepância afirmar que, neste sentido, ela não é a mãe de Deus” (págs. 19 e 20)



O curioso vem agora:



“Deus não tem mãe; se tivesse, deixaria de ser Deus. (...) Maria é mãe do Deus homem e nada mais” (pág. 21)



Creio que aqui seja necessário uma detalhada explicação.



Maria é Mãe de Deus sim ou não? Não entendi a que conclusão chegou.

Para assimilar melhor esse Mistério nos é necessário saber mais sobre a Encarnação do Filho de Deus no ventre de Maria. Veja, antes de tudo precisamos saber a diferença teológica entre as duas palavras NATUREZA e PESSOA. A palavra NATUREZA se refere a tudo que seja próprio da essência de um ser, a sua estrutura íntima que o faz ser e agir tal como ele é e age. Exemplo: a natureza humana é a racionalidade do homem, isto é, a sua capacidade de pensar. Daí então vem a sua linguagem, sua maneira de agir e etc, ou seja, tudo aquilo necessário para que alguém seja ser humano. A todos os homens é igual esta natureza, pois essas características lhes são próprias. A criatura que tiver esta natureza racional é ser humano.



Porém, apesar de todos os seres humanos compartilharem da mesma natureza, eles não compartilham da mesma personalidade. E é aí que entra a palavra PESSOA, que se refere à personalidade, à individualidade e à particularidade que cada um tem e que é próprio seu, somente seu. É o “eu” de cada um, é o “ser” de cada um. Pastor, eu tenho a mesma natureza que a sua, mas a nossa pessoa é diferente.



Entendido isso fica mais fácil percebermos o Mistério da Encarnação de Jesus: Ele, sendo “Filho de Deus” (Mt 27,54), Eterno (sem começo e sem fim) igual ao Pai (Ap 22,13), tem a sua Natureza Divina, que é compartilhada pelas Três Pessoas da Santíssima Trindade. O Filho possui uma Natureza com características próprias da Divindade, que o faz ser Deus (cf. Fl 2,6). Junto com essa Natureza, Ele possui a Pessoa, sua personalidade particular que é diferente das demais, que são as características próprias dAquele que é o Filho e que só Ele tem. É o Seu Eu particular, a Sua Pessoa Divina.



Em um determinado momento da História (cf. Gl 4,4), essa Pessoa Divina com Natureza Divina, vem ao mundo e assim, no ventre de Maria, assume também a Natureza Humana. Jesus passa a ser então uma Pessoa com dois modos de agir, com duas naturezas: uma Divina (que Ele sempre teve) e uma Humana (que Ele assumiu por causa da Encarnação). No entanto, Este que possui as duas naturezas é uma Pessoa só, a Divina, a Pessoa Eterna do Filho de Deus (cf. Jo 17,5). O Eu de Jesus é Divino (cf. Cl 2,9) e a maneira de agir é Divina (cf. Mc 2,5-12) e Humana (cf. Mt 26,39), pois possui o que é característico de cada uma das naturezas. Por conseguinte, a Pessoa que nasceu de Maria é a Pessoa que sempre existiu: a Pessoa do Filho de Deus, Deus igual ao Pai (cf. Jo 1,1.14). Deste modo, é perfeitamente óbvio que Maria gerou a Natureza Humana, mas como ninguém é mãe só da natureza, mas sim da totalidade do ser, Maria é Mãe de Deus, pois a Pessoa que assumiu a natureza humana gerada em seu ventre é a Pessoa de Deus Filho.



O anjo anunciou à Maria: “...o Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35). As palavras do anjo confirmam a maternidade divina de Maria, pois chamando o Filho de Maria de Filho de Deus, o anjo está dizendo que o Filho que nasceu de Maria é “igual a Deus” (Jo 5,18).



Diante disso, não há como entender o seu argumento de que ela é Mãe de Deus “no sentido humano”. Se ela é Mãe no sentido humano, não é Mãe de Deus, mas Mãe do homem Jesus somente, e assim estaríamos fazendo uma separação entre dois Jesus diferentes: uma Personalidade de Jesus Humano e uma outra Personalidade de Jesus Divino, o que não existe.



Mais confuso ainda é dizer que “Maria é mãe do Deus homem e nada mais”. Como assim Deus homem e nada mais? Nada mais mesmo, pois “Deus homem” já é a totalidade do Senhor Jesus, não existe mais e nem menos. Como já visto, não se divide a Pessoa de Jesus em parcela humana e parcela divina. “O acontecimento único e totalmente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que seja o resultado da mescla confusa entre o divino e o humano. Ele se fez verdadeiramente homem permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem” (Catecismo da Igreja Católica, §464). Esta é a voz perene da Igreja ensinando que Jesus é a Pessoa Eterna Divinal que assumiu a natureza humana em um determinado tempo. A Pessoa do Filho de Deus é a mesma de sempre, acrescentada a Natureza Humana (cf. Rm 9,5), por isso Ele é indivisível!



Deste modo, o Concílio de Éfeso no ano 431 proclamou que Maria se tornou de verdade a Mãe de Deus, não porque dela nasceu a Divindade, mas porque nela Deus “se fez homem e habitou entre nós” (Jo 1,14). O Filho nascido da Mãe Maria é o mesmo Filho Eterno do Pai que é Deus igual ao Pai e ao Espírito Santo, e é conhecido como “Filho de Deus” (At 9,20) por ser ter natureza divina e “Filho do Homem” (Mt 17,22) por ter natureza humana.



“Aquele que fez todos os seres se tornou filho de sua criatura” (São Leão Magno, Doutor da Igreja, Na Escola dos Santos Doutores, 1454).


Essa é uma pergunta que muita gente se fez ou se faz vez outra: Maria poderia ter dito não?

Precisamos ter em conta essa resposta. Precisamos enxergar Nossa Senhora também tendo como ponto de partida o seu sim. Digo isso porque muito se fala do “Sim” de Maria. Foi a resposta mais bela que um ser humano poderia ter dado a Deus. Mas o Catecismo da Igreja nos ensina que Maria poderia ter dito “Não”. Maria não fora obrigada por Deus a dizer sim. Deus nunca obriga ninguém a nada, até porque Ele nos deu o livre arbítrio. Deus esperou a resposta de Maria, mesmo sendo ela, pensada por Deus desde a eternidade. Nos conta os evangelhos, sobretudo o evangelho de São Lucas que Maria era uma jovem, ainda virgem, mas já esposada a José.

Por isso podemos dizer que Maria tinha uma vida já estabelecida. Estava com seu futuro planejado. Estava com sua vida resolvida. Mas ao dizer sim, ela tinha noção de que a sua vida mudaria. Ela fora pensada por Deus desde a eternidade como vimos anteriormente. Mas Deus quis o seu sim de forma livre:

Quis o Pai das misericórdias que a Encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de seu Filho, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, uma mulher também contribuísse para a vida. (CIC§488)

Lendo este trecho do Catecismo da Igreja Católica, fiquei pensando: Como Deus elabora um plano de salvação desde a eternidade, e coloca em risco todo esse plano por causa da resposta de um ser humano?

Uma vez eu ouvi um sacerdote dizer (nunca lembro os nomes dos sacerdotes.. rss) que Deus nos ama tanto que arrisca tudo. Deus acredita tanto em nós que sua confiança chega até esse ponto. Graças a Deus que a confiaça de Deus na Santíssima Virgem Maria não foi em vão. Veja que a cada descoberta que fazemos no Catecismo, conseguimos perceber o amor de Deus.

E precisamos sempre lembrar desse sim. Esse sim é para ser festejado, celebrado, comemorado. Foi um sim livre que mudou a vida daquela jovem. Aquele sim, foi um abdicar de uma vida, para que se faça a vontade de Deus. Foi um sim de amor. Não foi um sim coagido, obrigado. Foi um sim na liberdade. É preciso sempre recordar esse sim, sobretudo quando Deus nos chamar. Maria disse o sim dela. Nós precisamos dizer o nosso sim.


A Virgindade de Maria Santíssima



Inviolata, integra et casta es, Maria: Quae es effecta fulgida coeli porta. O Mater alma Christi carissima: Suscipe pia laudum praeconia. Te nunc flagitant devota corda et ora; Nostra ut pura pectora sint et corpora. Tua per preclara dulcisona: Nobis concedas veniam per saecula. O benigna! O Regina! O Maria! Quae sola inviolata permansisti.

Inviolada, ítegra e casta sois, Maria; E porta fulgente do céu, Excelsa Mãe amantíssima de Cristo; Recebei os piedosos louvores de nossos cantos! Com fervor, de boca e coração vos rogamos, para sermos puros de corpo e alma. Por vossas preces e rogos tão doces. Alcançai-nos perdão para todo o sempre. Ó benigna! Ó Rainha! Ó Maria! A única sem mancha!



A VIRGINDADE DE MARIA SANTÍSSIMA



I - Sem nenhuma dúvida devemos afirmar que a mãe de Deus foi Virgem, mesmo no parto. Pois o Profeta não só disse « Eis que uma virgem conceberá », mas acrescentou: « e dará à luz um filho ». (Is 7, 14)



Há três razões que mostram por que convinha que assim fosse:



1ª. Porque correspondia ao que é próprio daquele que iria nascer, ou seja o Verbo de Deus. Porque o Verbo não só é concebido no coração sem corrupção, mas procede do coração também sem corrupção. Por isso, para que ficasse manifesto que aquele corpo era do Verbo de Deus em pessoa, era conveniente que nascesse do seio incorrupto de uma virgem. Assim se lê: « Aquela que dá à luz a carne deixa de ser virgem. Mas porque o Verbo nasceu da carne, o próprio Deus protegeu a virgindade, mostrando assim que ele é o Verbo. Pois, nem mesmo o nosso verbo ao ser gerado corrompe a alma, nem Deus, o Verbo substancial. ao escolher nascer, destrói a virgindade. »



2º. É também conveniente no que diz respeito ao efeito da encarnação de Cristo. Pois ele veio precisamente para tirar a nossa corrupção. Por isso não seria conveniente que, ao nascer, destruísse a virgindade da mãe. Eis por que, afirma Agostinho: « Não seria justo que, aquele que vinha sarar a corrupção, violasse a integridade com sua vinda ».



3º. Era conveniente que, aquele que mandou honrar os pais, não diminuísse a honra da mãe ao nascer.



Cristo, porém, juntou o admirável com o simples. Para mostrar que o seu corpo é verdadeiro, nasce de uma mulher; para mostrar sua divindade, nasce de uma virgem. Um nascimento assim era digno de Deus, como diz Santo Ambrósio num hino de Natal.



E assim, a Bem Aventurada Virgem deu à luz sem dores; houve, sim, a maior alegria, porque nasceu para o mundo o homem Deus, como diz Isaías: « Que a terra se cubra de flores dos campos, que ela exulte e grite de alegria ». (Is 35, 1-2)



II - A Virgem bem-aventurada permaneceu virgem depois do parto.



Diz-se em Ezequiel: « E o Senhor disse-me: Esta porta estará fechada; não se abrirá, e ninguém passará por ela; porque o Senhor Deus de Israel entrou por esta porta » (44, 42). Agostinho comenta assim este texto: « Que significa 'porta fechada na casa do Senhor' a não ser que Maria permanecerá sempre intacta? E que significa 'o homem não passará por ela' a não ser que José não a 'conhecerá'? E que significa 'só o Senhor entra e sai por ela', a não ser que o Espírito Santo a fecundará e o Senhor dos anjos nascerá dela? E qual o sentido de 'estará fechada para sempre' a não ser que Maria é virgem antes do parto, no parto e depois do parto? »



Sem nenhuma dúvida devemos detestar o erro de Celvídio, que pretendia ter sido a mãe de Cristo, depois do parto, conhecida por José e ter gerado outros filhos. Pois isto vai contra a perfeição de Cristo que, assim como pela sua natureza divina é o Unigênito do Pai, como o seu Filho em tudo perfeito, assim também convinha que fosse o unigênito da mãe, como seu fruto perfeitíssimo.


Quando li o livro do “Tratado da Verdadeira devoção a Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Montfort, sobre a importância da Virgem Maria para a salvação de todos os homens, confesso que fiquei impressionado. Pensei logo naqueles que “abandonaram” essa devoção e me dei conta da real importância da Santíssima Maria na nossa vida. Então, concluí: isso precisa ser divulgado.


Assim, transcrevo aqui alguns textos para que possam ser mais amplamente conhecidos. Além disso, pretendem responder às duas perguntas abaixo:


- A devoção a Nossa Senhora é necessária para a salvação?

- Sem a devoção a Nossa Senhora podemos nos salvar?


Eis o que está escrito no referido livro de Montfort nos itens 40 a 42:


§ 1. A devoção a Santa Virgem é necessária a todos os homens para conseguirem a salvação


40. “O douto e piedoso Suárez, da Companhia de Jesus, o sábio e devoto Justo Lípsio, doutor da universidade de Lovaina, entre outros, provaram incontestavelmente, apoiados na opinião dos Santos Padres, entre os quais, Santo Agostinho, Santo Efrém, diácono de Edessa, São Cirilo de Jerusalém, São Germano de Constantinopla, São João Damasco, Santo Anselmo, São Bernardo, São Bernardino, Santo Tomás e São Boaventura, que a devoção a Santíssima Virgem é necessária à salvação e também um sinal infalível de condenação - opinião do próprio Ecolampádio e outros hereges, - não ter estima e amor a Santíssima Virgem. O contrário é indício certo de predestinação ser-lhe inteira e verdadeiramente devotado.


41.As figuras e palavras do Antigo e do Novo Testamento o provam; a opinião e os exemplos dos santos o confirmam; a razão e a experiência o ensinam e demonstram; o próprio demônio e seus asseclas, premidos pela força da verdade, viram-se muitas vezes constrangidos a confessá-lo, a seu pesar. De todas as passagens dos Santos Padres e doutores, que compilei para provar esta verdade, cito apenas uma, para não me alongar: “Ser vosso devoto, ó Virgem Santíssima, é uma arma de salvação que Deus dá, àqueles que quer salvar (São João Damasceno).


42. Eu poderia repetir aqui várias histórias que provam o que afirmo. Entre elas, destaco:


Aquela que vem narrada nas crônicas de São Francisco, em que se conta que o santo viu, em êxtase, uma escada enorme, em cujo topo, apoiado no céu, avultava a Santíssima Virgem. E o santo compreendeu que aquela escada ele devia subir para chegar ao céu.

Outra narrada nas crônicas de São Domingos: quando o santo pregava o rosário nas proximidades de Carcassona, quinze mil demônios, que possuíam a alma de um infeliz herege, foram obrigados, por ordem da Santíssima Virgem, a confessar muitas verdades grandes e consoladoras, referentes à devoção a Maria. E eles, para sua própria confusão, o fizeram com tanto ardor e clareza que não se pode ler essa autêntica narração e o panegírico, que o demônio, embora a contragosto, fez da devoção mariana, sem derramar lágrimas de alegria, ainda que pouco devoto se seja da Santíssima Virgem” [Veja abaixo este texto com as respostas dos demônios] (São Luís Maria Grignion de Montfort, “Tratado da Verdadeira devoção a Santíssima Virgem”, pág. 40-45. 31. ed. Vozes. Petrópolis, 2002).


Respostas dos demônios, mesmo contra a vontade deles (*)


Quando São Domingos estava pregando o Rosário perto de Carcassona, trouxeram à sua presença um albigense que estava possesso pelo demônio. Consta que mais de doze mil pessoas tinham vindo ouvi-lo pregar. Os demônios que possuíam esse infeliz foram obrigados a responder às perguntas de São Domingos, com muito constrangimento. Eles testemunharam que:


1 - Havia quinze mil deles no corpo desse pobre homem, porque ele atacou os quinze mistérios do Rosário;


2 - Continuaram a testemunhar que, quando São Domingos pregava o Rosário, impunha medo e horror nas profundezas do inferno e que ele era o homem que eles mais odiavam em todo o mundo; isso por causa das almas que ele arrancou dos demônios por intermédio da devoção do Santo Rosário; revelaram ainda várias outras coisas.


São Domingos colocou o seu Rosário em volta do pescoço do albigense e pediu que os demônios lhe dissessem a quem, de todos os santos nos céus eles mais temiam, e quem deveria ser, portanto, mais amado e reverenciado pelos homens. Nesse momento eles soltaram um gemido inexprimível no qual a maioria das pessoas caiu por terra desmaiando de medo… e eles disseram:


“Domingos, nós te imploramos, pela paixão de Jesus Cristo e pelos méritos de sua Mãe e de todos os santos, deixe-nos sair desse corpo sem que falemos mais, pois os anjos responderão sua pergunta a qualquer momento (…). São Domingos ajoelhou-se e rezou a Nossa Senhora para que ela forçasse os inimigos a proclamarem a verdade completa e nada mais que a verdade. Mal tinha terminado de rezar viu a Santíssima Virgem perto de si, rodeada por uma multidão de anjos. Ela bateu no homem possesso com um cajado de ouro que segurava e disse: “Responda ao meu servo Domingos imediatamente”. Então os demônios começaram a gritar:


“Oh, vós, que sois nossa inimiga, nossa ruína e nossa destruição, porque desceste dos céus só para nos torturar tão cruelmente? Oh, Advogada dos pecadores, vós que os tirais das presas do inferno, vós que sois o caminho certeiro para os céus, devemos nós, para o nosso próprio pesar, dizer toda a verdade e confessar diante de todos quem é que é a causa de nossa vergonha e nossa ruína? Oh, pobres de nós, príncipes da escuridão: então, ouçam bem, vocês cristãos: a Mãe de Jesus Cristo é todo-poderosa e ela pode salvar seus servos de caírem no Inferno. Ela é o Sol que destrói a escuridão de nossa astúcia e sutileza. É ela que descobre nossos planos ocultos, quebra nossas armadilhas e faz com que nossas tentações fiquem inúteis e sem efeito. Nós temos que dizer, porém de maneira relutante, que nem sequer uma alma que realmente perseverou no seu serviço foi condenada conosco; um simples suspiro que ela oferece a Santíssima Trindade é mais precioso que todas as orações, desejos e aspirações de todos os santos.


Nós a tememos mais que todos os santos dos céus juntos e não temos nenhum sucesso com seus fiéis servos. Muitos cristãos que a invocam quando estão na hora da morte e que seriam condenados, de acordo com os nossos padrões ordinários, são salvos por sua intercessão. Oh, se pelo menos essa Maria (assim era na sua fúria como eles a chamaram) não tivesse se oposto aos nossos desígnios e esforços, teríamos conquistado a Igreja e a teríamos destruído há muito tempo atrás; e teríamos feito com que todas as Ordens da Igreja caíssem no erro e na desordem.


Agora, que somos forçados a falar, também lhe diremos isto: ninguém que persevera ao rezar o Rosário será condenado, porque ela obtém para seus servos a graça da verdadeira contrição por seus pecados e por meio dele, eles obtêm o perdão e a misericórdia de Deus”.

Papa João Paulo II1. A perene e coral tradição da Igreja evidencia o modo como a Assunção de Maria faz parte do desígnio divino e está arraigada na singular participação de Maria na missão do Filho. Já no primeiro milênio os autores sagrados se exprimem neste sentido.Testemunhos, na verdade apenas delineados, encontram-se em Santo Ambrósio, Santo Epifânio e Timóteo de Jerusalém. São Germano de Constantinopla (733) coloca nos lábios de Jesus, que Se prepara para levar a Sua Mãe para o céu, estas palavras: “É preciso que onde estou Eu, também tu estejas, Mãe inseparável de teu Filho…” (HomiL 3 in Dormitionem, PG 98, 360).

Além disso, a mesma tradição eclesial vê na maternidade divina a razão fundamental da Assunção. esta convicção encontramos um vestígio interessante em uma narração apócrifa do século V, atribuída ao pseudo-Melitão. O autor imagina Cristo que interroga Pedro e os Apóstolos sobre a sorte merecida por Maria, e deles obtém esta resposta: “Senhor, escolhestes esta Tua serva a fim de que se torne para Ti uma residência imaculada… Portanto, pareceu-nos justo, a nós Teus servos que, assim como Tu reinas na glória depois de teres vencido a morte, Tu ressuscitas o corpo de Tua Mãe e conduze-a jubilosa contigo ao céu” (De transitu V. Mariae, 16 PG 5, 1238). Portanto, pode-se afirmar que a divina maternidade, que tornou o corpo de Maria a residência imaculada do Senhor, se funde com o seu destino glorioso.

2. Num texto rico de poesia, São Germano afirma que é o afeto de Jesus pela sua Mãe que exige a presença de Maria no céu com o Filho divino: “Assim como uma criança procura e deseja a presença de sua Mãe, e como uma Mãe ama viver em companhia de seu filho, assim também para ti, cujo amor materno pelo teu Filho e Deus não deixa dúvidas, era conveniente que tu voltasses para Ele. E, em todo o caso, não era por ventura conveniente que este Deus, que provava por ti um amor deveras filial, te tomasse em Sua companhia?(Homil. 1 in Dormitionem, PG 98, 347). Num outro texto, o venerando autor integra o aspecto privado da relação entre Cristo e Maria, com a dimensão salvífica da maternidade, afirmando que “era necessário que a Mãe da Vida compartilhasse a habitação da Vida” (Ibid., PG 98, 348).

3. Segundo os Padres da Igreja, outro argumento que fundamenta o privilégio da Assunção pode-se deduzir da participação de Maria na redenção. São João Damasceno sublinha a relação entre a participação na Paixão e a sorte gloriosa: “Era necessário que aquela que vira o seu Filho sobre a cruz e recebera em pleno coração a espada da dor… contemplasse este Filho sentado à direita do Pai” (Homil. 2, PG 96, 741). À luz do Mistério pascal, parece de modo particularmente evidente a oportunidade que, com o Filho, também a Mãe fosse glorificada depois da morte. O Concílio Vaticano Il, recordando na Constituição dogmática sobre a Igreja o mistério da Assunção, chama a atenção para o privilégio da Imaculada Conceição: precisamente porque fora “preservada de toda a mancha de culpa original” (LG, 59), Maria não podia permanecer como os outros homens no estado de morte até ao fim do mundo. A ausência do pecado original e a santidade, perfeita desde o primeiro momento da existência, exigiam para a Mãe de Deus a plena glorificação da sua alma e do seu corpo.

4. Olhando para o mistério da Assunção da Virgem é possível compreender o plano da Providência divina relativa à humanidade: depois de Cristo, Verbo encarnado, Maria é a primeira criatura humana que realiza o ideal escatológico, antecipando a plenitude da felicidade, prometida aos eleitos mediante à ressurreição dos corpos.Na Assunção da Virgem, podemos ver também a vontade divina de promover a mulher. Em analogia a quanto se verificara na origem do gênero humano e da história da salvação, no projeto de Deus o ideal escatológico devia revelar-se não em um indivíduo, mas num casal. Por isso, na glória celeste, ao lado de Cristo ressuscitado há uma mulher ressuscitada, Maria: o novo Adão e a nova Eva, primícias da ressurreição geral dos corpos da humanidade inteira. Sem dúvida, a condição escatológica de Cristo e a de Maria não devem ser postas no mesmo plano. Maria, nova Eva, recebeu de Cristo, novo Adão, a plenitude de graça e de glória celeste, tendo sido ressuscitada pelo poder soberano do Filho mediante o Espírito Santo.

5. Embora sejam sucintas, estas observações permitem-nos esclarecer que a Assunção de Maria revela a nobreza e a dignidade do corpo humano. Diante das profanações e do aviltamento a que a sociedade moderna não raro submete em particular o corpo feminino, o mistério da Assunção proclama o destino sobrenatural e a dignidade de cada corpo humano, chamado pelo Senhor a tornar-se instrumento de santidade e a participar na Sua glória.

Maria entrou na glória porque escutou no seu seio virginal e no seu coração o Filho de Deus. Olhando para ela, o cristão aprende a descobrir o valor do próprio corpo e a preservá-lo como templo de Deus, na expectativa da ressurreição. A Assunção, privilégio concedido à Mãe de Deus, constitui assim um imenso valor para a vida e o destino da humanidade.


Papa João Paulo II

1. A propósito da conclusão da vida terrena de Maria, o Concílio retoma os termos da Bula de definição do dogma da Assunção e afirma: “A Virgem Imaculada, que fora preservada de toda a mancha de culpa original, terminando o curso da sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma” (LG, 59). Com esta fórmula, a Constituição dogmática “Lumen gentium”, seguindo o meu venerado Predecessor Pio XII, não se pronuncia sobre a questão da morte de Maria. Todavia Pio XII não quis negar o fato da morte, mas apenas não julgou oportuno afirmar solenemente a morte da Mãe de Deus, como verdade que devia ser admitida por todos os crentes.

Na verdade, alguns teólogos afirmaram a isenção da morte da Virgem e a sua passagem direta da vida terrena à glória celestial. Todavia, esta opinião é desconhecida até o século XVII, enquanto na realidade existe uma comum tradição que considera a morte de Maria e sua introdução na glória celeste.

2. É possível que Maria de Nazaré tenha experimentado na sua carne o drama da morte? Refletindo sobre o destino de Maria e sobre a sua relação com o Filho divino, parece legítimo responder afirmativamente: dado que Cristo morreu, seria difícil afirmar o contrário no que concerne à Mãe.

Neste sentido raciocinaram os Padres da Igreja, que não tiveram dúvidas a este propósito. Basta citar São Tiago de Sarug (521), segundo o qual quando para Maria chegou “o tempo de caminhar pela via de todas as gerações”, ou seja, a via da morte, “o coro dos doze Apóstolos” reuniu-se para enterrar “o corpo virginal da Bem-aventurada” (Discurso sobre a sepultura da Santa Mãe de Deus, 87-99 em C. VONA, Lateranum 19 [1953], 188). São Modesto de Jerusalém ( 634), depois de ter falado amplamente da “beatíssima dormida da gloriosíssima Mãe de Deus”, conclui o seu “elogio” exaltando a intervenção prodigiosa de Cristo que “a ressuscitou do sepulcro” para a receber consigo na glória (Enc, in dormitionem Deiparae semperque Virginis Mariae, nn. 7 e 14; PG 86 bis 3293; 3311). São João Damasceno ( 704), por sua vez, pergunta: “Como é possível que aquela que no parto ultrapassou todos os limites da natureza, agora se submeta às leis desta e seu corpo imaculado se sujeite à morte?“ E responde: “Certamente era necessário que a parte mortal fosse deposta para se revestir de imortalidade, porque nem o Senhor da natureza rejeitou a experiência da morte. Com efeito, Ele morre segundo a carne e com a morte destrói a morte, à corrupção concede a incorruptilidade e o morrer faz d’Ele nascente da ressurreição” ( Panegírico sobre a Dormida da Mãe de Deus, 10: SC 80,107).

3. É verdade que na Revelação a morte se apresenta como castigo do pecado. Todavia, o fato de a igreja proclamar Maria liberta do pecado original por singular privilégio divino não induz a concluir que Ela recebeu também a imortalidade corporal. A mãe não é superior ao Filho, que assumiu a morte, dando-lhe novo significado e transformando-a em instrumento de salvação.

Empenhada na obra redentora e associada à oferta salvífica de Cristo, Maria pôde compartilhar o sofrimento e a morte em vista da redenção da humanidade. Também para Ela vale quanto Severo de Antioquia afirma a propósito de Cristo: “Sem uma morte preliminar, como poderia ter lugar a ressurreição?” (Antijulianistica, Beirute 1931, 194 s.). Para ser partícipe da ressurreição de Cristo Maria devia compartilhar antes de mais a Sua morte.

4. O Novo Testamento não oferece qualquer notícia sobre as circunstâncias da morte de Maria. Este silêncio induz a supor que esta se tenha verificado normalmente, sem qualquer pormenor digno de menção. Se assim não tivesse sido, como poderia a notícia permanecer escondida aos contemporâneos e, de alguma forma, não chegar até nós?

Quanto aos motivos da morte de Maria, não parecem fundadas as opiniões que lhe quereriam excluir causas naturais. Mais importante é a busca da atitude espiritual da Virgem no momento da despedida deste mundo. A este propósito, São Francisco de Sales considera que a morte de Maria se tenha verificado como efeito de um transporte de amor. Ele fala de um morrer “no amor, por causa do amor e por amor”, chegando por isso a afirmar que a Mãe de Deus morreu de amor pelo seu Filho Jesus (Traité de l’Amour de Dieu, Lib. 7, c. XIII-VIV).

Qualquer que tenha sido o fato orgânico e biológico que, sob o aspecto físico, causou a cessação da vida do corpo, pode-se dizer que a passagem desta vida à outra constitui para Maria uma maturação da graça na glória, de tal forma que jamais como nesse caso a morte pôde ser concebida como uma “dormida”.

5. Nalguns Padres da Igreja encontramos a descrição de Jesus mesmo que vem acolher a sua Mãe no momento da morte, para introduzir na glória celeste. Assim, estes apresentam a morte de Maria como um evento de amor que a levou a alcançar o seu Filho divino para participar da Sua vida imortal. No final da sua existência terrena, ela terá experimentado, como Paulo e mais do que ele, o desejo de se libertar do corpo para estar com Cristo para sempre (cf. Fl. 1,23).A experiência da morte enriqueceu a pessoa da Virgem: passando pela comum sorte dos homens, ela pode exercer com mais eficácia a sua maternidade espiritual em relação àqueles que chegam à hora suprema da vida.

* L’Osservatore Romano, ed. port. n.26, 28/06/1997, pag. 12(308)

DO Livro: A VIRGEM MARIA - 58 CATEQUESES DO PAPA JOÃO PAULO II –

Papa João Paulo II

1. A propósito da conclusão da vida terrena de Maria, o Concílio retoma os termos da Bula de definição do dogma da Assunção e afirma: “A Virgem Imaculada, que fora preservada de toda a mancha de culpa original, terminando o curso da sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma” (LG, 59). Com esta fórmula, a Constituição dogmática “Lumen gentium”, seguindo o meu venerado Predecessor Pio XII, não se pronuncia sobre a questão da morte de Maria. Todavia Pio XII não quis negar o fato da morte, mas apenas não julgou oportuno afirmar solenemente a morte da Mãe de Deus, como verdade que devia ser admitida por todos os crentes.

Na verdade, alguns teólogos afirmaram a isenção da morte da Virgem e a sua passagem direta da vida terrena à glória celestial. Todavia, esta opinião é desconhecida até o século XVII, enquanto na realidade existe uma comum tradição que considera a morte de Maria e sua introdução na glória celeste.

2. É possível que Maria de Nazaré tenha experimentado na sua carne o drama da morte? Refletindo sobre o destino de Maria e sobre a sua relação com o Filho divino, parece legítimo responder afirmativamente: dado que Cristo morreu, seria difícil afirmar o contrário no que concerne à Mãe.

Neste sentido raciocinaram os Padres da Igreja, que não tiveram dúvidas a este propósito. Basta citar São Tiago de Sarug (521), segundo o qual quando para Maria chegou “o tempo de caminhar pela via de todas as gerações”, ou seja, a via da morte, “o coro dos doze Apóstolos” reuniu-se para enterrar “o corpo virginal da Bem-aventurada” (Discurso sobre a sepultura da Santa Mãe de Deus, 87-99 em C. VONA, Lateranum 19 [1953], 188). São Modesto de Jerusalém ( 634), depois de ter falado amplamente da “beatíssima dormida da gloriosíssima Mãe de Deus”, conclui o seu “elogio” exaltando a intervenção prodigiosa de Cristo que “a ressuscitou do sepulcro” para a receber consigo na glória (Enc, in dormitionem Deiparae semperque Virginis Mariae, nn. 7 e 14; PG 86 bis 3293; 3311). São João Damasceno ( 704), por sua vez, pergunta: “Como é possível que aquela que no parto ultrapassou todos os limites da natureza, agora se submeta às leis desta e seu corpo imaculado se sujeite à morte?“ E responde: “Certamente era necessário que a parte mortal fosse deposta para se revestir de imortalidade, porque nem o Senhor da natureza rejeitou a experiência da morte. Com efeito, Ele morre segundo a carne e com a morte destrói a morte, à corrupção concede a incorruptilidade e o morrer faz d’Ele nascente da ressurreição” ( Panegírico sobre a Dormida da Mãe de Deus, 10: SC 80,107).

3. É verdade que na Revelação a morte se apresenta como castigo do pecado. Todavia, o fato de a igreja proclamar Maria liberta do pecado original por singular privilégio divino não induz a concluir que Ela recebeu também a imortalidade corporal. A mãe não é superior ao Filho, que assumiu a morte, dando-lhe novo significado e transformando-a em instrumento de salvação.

Empenhada na obra redentora e associada à oferta salvífica de Cristo, Maria pôde compartilhar o sofrimento e a morte em vista da redenção da humanidade. Também para Ela vale quanto Severo de Antioquia afirma a propósito de Cristo: “Sem uma morte preliminar, como poderia ter lugar a ressurreição?” (Antijulianistica, Beirute 1931, 194 s.). Para ser partícipe da ressurreição de Cristo Maria devia compartilhar antes de mais a Sua morte.

4. O Novo Testamento não oferece qualquer notícia sobre as circunstâncias da morte de Maria. Este silêncio induz a supor que esta se tenha verificado normalmente, sem qualquer pormenor digno de menção. Se assim não tivesse sido, como poderia a notícia permanecer escondida aos contemporâneos e, de alguma forma, não chegar até nós?

Quanto aos motivos da morte de Maria, não parecem fundadas as opiniões que lhe quereriam excluir causas naturais. Mais importante é a busca da atitude espiritual da Virgem no momento da despedida deste mundo. A este propósito, São Francisco de Sales considera que a morte de Maria se tenha verificado como efeito de um transporte de amor. Ele fala de um morrer “no amor, por causa do amor e por amor”, chegando por isso a afirmar que a Mãe de Deus morreu de amor pelo seu Filho Jesus (Traité de l’Amour de Dieu, Lib. 7, c. XIII-VIV).

Qualquer que tenha sido o fato orgânico e biológico que, sob o aspecto físico, causou a cessação da vida do corpo, pode-se dizer que a passagem desta vida à outra constitui para Maria uma maturação da graça na glória, de tal forma que jamais como nesse caso a morte pôde ser concebida como uma “dormida”.

5. Nalguns Padres da Igreja encontramos a descrição de Jesus mesmo que vem acolher a sua Mãe no momento da morte, para introduzir na glória celeste. Assim, estes apresentam a morte de Maria como um evento de amor que a levou a alcançar o seu Filho divino para participar da Sua vida imortal. No final da sua existência terrena, ela terá experimentado, como Paulo e mais do que ele, o desejo de se libertar do corpo para estar com Cristo para sempre (cf. Fl. 1,23).A experiência da morte enriqueceu a pessoa da Virgem: passando pela comum sorte dos homens, ela pode exercer com mais eficácia a sua maternidade espiritual em relação àqueles que chegam à hora suprema da vida.

* L’Osservatore Romano, ed. port. n.26, 28/06/1997, pag. 12(308)

DO Livro: A VIRGEM MARIA - 58 CATEQUESES DO PAPA JOÃO PAULO II –


Quando para-se para refletir sobre o significado da palavra MARIA na vida dos cristãos, por diversas formas pode-se entendê-la: seja como a Mãe do Deus feito Homem – Jesus Cristo, Mãe da Igreja ou ainda na mãe por adoção filial dos batizados em Cristo Jesus.


Pode-se ainda vê-la de outras formas: é a cheia de graça (Lc 1,28); a bendita entre as mulheres (Lc 1,42); mãe do Messias, Servo Sofredor (Jo 19,25-27); ou ainda a Serva do Senhor (Lc 1,47-53).


Maria a Mãe de Deus ...


Lê-se em Lc 1, 41-42: ” Aconteceu que, mal Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança saltou em seu ventre; e Isabel, cheia do Espírito Santo , exclamou em voz alta: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! “


Por que então Isabel saudou Maria com tanto entusiasmo? É que o Espírito lhe abriu a mente para captar o mistério que Maria escondia, mistério que a faz efetivamente a mais bendita entre todas as mulheres da terra.


Por um momento na história Maria é o centro do desígnio de Deus. Por ela passam e se cruzam todos os caminhos. Com efeito, nela se encontram as duas Pessoas divinas que foram enviadas pelo Pai, o Filho e o Espírito. Primeiro o Espírito. Este desce sobre ela e arma nela a sua tenda, quer dizer, mora definitivamente em Maria. É o que o texto de Lc 1,35 deixa em luz cristalina. Estabelece-se uma relação única entre o Espírito e Maria. Ela é assumida pelo Espírito de forma tão radical que ela é elevada à altura do Divino. Por esta razão Lucas diz: “por causa disso, o Santo gerado será chamado Filho de Deus” (1,35). O Filho de Deus só pode provir de alguém feito Deus. Maria, portanto, é o templo vivo do Espírito.


Esse Espírito em Maria faz com que dela nasça o Filho de Deus encarnado. Maria empresta a sua carne. O Espírito vai gestando a santa humanidade de Deus a partir de Maria. Num momento preciso da história, quando ela diz ao anjo Sim, se fazem presente nela o Espírito que nela mora e o Filho eterno que começa a crescer como o seu filho. Dignidade maior não existe. Por isso Isabel tem razão em seu júbilo: Maria é bendita entre todas as mulheres do universo.


Pode-se ainda perguntar: Qual o papel de Maria Santíssima na historia da salvação?


O próprio Cristo quando na cruz a colocou como colaboradora íntima da obra salvadora por ele vivificada na cruz, em Jo 19, 26-27 tem-se: “Vendo a mãe e, perto dela o discípulo a quem amava, Jesus disse para a mãe: “Mulher, aí está o teu filho”. Depois disse para o discípulo: “Aí está a tua mãe”. Ela sempre vivia em união com seu Filho, acompanhava-o passo a passo, associando-se a Ele, amando sempre aqueles que Ele amava. Em Jo 2,5 está explicitado todo o serviço que Maria presta aos homens e que consiste em abri-los ao Evangelho de Cristo e convidá-los a obedecer-lhe: “Fazei tudo o que ele vos disser”.


“Deus se fez carne por meio de Maria, começou a fazer parte de um povo, constituiu centro da história. Maria é o ponto de união entre o céu e a terra. Sem Maria desencarna-se o Evangelho, desfigura-se e transforma-se em ideologia, em racionalismo espiritualista.“ ou seja em alegoria.(Cf. Puebla 301)





Maria a Mãe da Igreja ...e nossa Mãe


Ora se a Igreja é o Corpo místico de Cristo, e Maria é colaboradora íntima da obra salvadora de seu Filho, sendo a co-redentora, pode-se então indagar por que Ela é também chamada de Mãe da Igreja?


A Igreja, instruída pelo Espirito Santo venera Maria, a Mãe muito amada, e foi nesta fé que através de Paulo VI proclamou-se Maria a Mãe da Igreja. Ela que já era sem sombra de dúvidas a Mãe de Deus, Mãe de Cristo, quando o Espírito Santo a cobriu com sua sombra, seria também a Mãe da Igreja, porque é Mãe de Cristo, cabeça do corpo místico da Igreja. Pode-se ainda dizer, que é Mãe da Igreja porque no momento que a Igreja nasceu do coração de Cristo, ela colaborou com o seu amor, sofreu e se sacrificou com o seu Filho para a redenção do mundo.


A Igreja gerando sempre sua obra evangelizadora através de novos filhos batizados em nome da trindade, que pela conversão aceita o Evangelho de Jesus Cristo, passa a ter um significado de transformação e renovação para uma vida nova. Torna-se pois, a Igreja, um outro Cristo no verdadeiro renascer para uma nova vida, onde nesse parto Maria é a grande Mãe da Igreja e dos novos filhos – os cristãos pelo batismo.


Maria, mesmo estando na gloria do Pai, age na terra, pois o seu coração de mãe é tão grande quanto o mundo e intercede sem cessar pelos povos junto a seu Filho Jesus.


A Igreja hoje no seu renovar espiritual do povo de Deus , deve ter em Maria – o Evangelho encarnado, seja pelo modelo ideal da ternura do seu coração de Mãe, seja pelo acompanhamento e proteção que Ela se permite, para que Igreja tenha um novo caminho de peregrinação rumo ao Pai.


Por tudo isso é que os cristãos devem após refletir a sua Igreja, na sua origem, na sua missão e no seu destino, voltar o olhar para Maria a fim de contemplar nela o que é a Igreja e o seu mistério, na “sua peregrinação da fé”, e o que ela será na pátria celeste ao termo final de sua caminhada, onde a espera, “na glória da Santíssima e indizível Trindade”, “na comunhão de todos os santos”, aquela que a Igreja deve venerar como a Mãe do seu Senhor e como que a sua própria Mãe (conforme CDIC 972):

“Assim como no céu, onde já está glorificada em corpo e alma, a Mãe de Deus representa e inaugura a Igreja na sua consumação no século futuro, da mesma forma nesta terra, enquanto aguardamos a vinda do Dia do Senhor, Ela brilha como sinal da esperança segura e consolação diante do Povo de Deus em peregrinação.” (Lumem gentium 68)”.


exame protestante.
Reconhecer nossa incapacidade, sim, pois a primeira impressão de qualquer pessoa que lê esses trechos sobre Nossa Senhora é de que Cristo Nosso Senhor deu um duro tratamento à Sua santa mãe. No entanto, quando alguém nos explica, o que ocorre é bem diverso.

Note o que explica Santo Agostinho sobre um desses trechos de São Lucas:

Sobre Lc. 11, 27-28: 27 "Enquanto ele assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram! Mas Jesus replicou: Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!"

O santo, então, ensina:

“Isso significa: Minha mãe, ela mesma, a quem chamais de feliz (bem-aventurado), é feliz porque guarda a palavra de Deus. Não é feliz somente porque nela a Palavra “se fez carne e habitou entre nós”(Jo 1,14). É feliz porque guardou essa mesma palavra de Deus, por quem foi feita e que nela se fez carne. Logo, que as pessoas não se alegrem por sua posteridade temporal, mas sim, exultem pelo espírito com que estão unidas a Deus.” (Comentário do Evangelho de João X, 3., in Agostinho, Santo, A Virgem Maria - Cem textos Marianos com comentários, Paulus, 3a. ed.)

Ou seja, nessa passagem Cristo ensina uma determinada verdade, a da posteridade espiritual, que se aplica também e muito apropriadamente a Maria. Cristo se opõe à idéia arraigada nos judeus de que era a posteridade temporal que importava, por causa da lei.
O trecho então não representa de maneira nenhuma desprezo por Maria Santíssima, o que Cristo nunca poderia fazer: mas ao contrário é a afirmação da superioridade da graça em relação à lei.

Sobre o trecho de Lc 8, vs 19-21: "A mãe e os irmãos de Jesus se aproximaram, mas não podiam chegar perto dele por causa da multidão. Então anunciaram a Jesus: «Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem te ver.» Jesus respondeu: «Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.»"

ou também Mt 12, 50: "Disse-lhe alguém: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te. Jesus respondeu-lhe: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe."


Comenta Santo Agostinho:

"O Senhor indica assim, o parentesco espiritual que o liga ao povo por ele redimido. Conta como irmão e irmã a todos os homens e a todas as mulheres que se tornam santos, por serem seus co-herdeiros na herança celestial. Sua mãe é a Igreja inteira, pois, pela graça de Deus, ela dá à luz os seus membros que são os fiéis. Além do mais, sua mãe é ainda toda alma piedosa que cumpre a vontade de seu Pai e cuja fecundíssima caridade manifesta-se naqueles que ela gera para ele, até que o próprio Cristo seja neles formado. (Gl 4,19). Portanto, Maria ao fazer a vontade de Deus é, corporalmente, só a mãe de Cristo; mas, espiritualmente, é também a sua mãe e irmã." e ainda: “Logo, isso acontece com Maria, visto que ela sempre está a fazer a vontade do Pai.(...)” (Agostinho, Santo, A Virgem Maria - Cem textos Marianos com comentários, Paulus, 3a. ed., Pág. 54).


Portanto, novamente, nenhum desprezo a Maria.
Ao contrário, é a afirmação da superioridade da Nova Aliança, da qual Maria participa absolutamente, ao fazer a vontade de Deus.

No trecho de Lc 2, vs 49-50 vemos a manifestação da natureza divina em Cristo, ao revelar sua missão como Filho de Deus: "Sua mãe lhe disse: «Meu filho, por que você fez isso conosco? Olhe que seu pai e eu estávamos angustiados, à sua procura.» Jesus respondeu: «Por que me procuravam? Não sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?» Mas eles não compreenderam o que o menino acabava de lhes dizer."


Aqui a intenção de Cristo é mostrar sua natureza divina, e de forma alguma ofender seus pais.
Tenha em mente que se Cristo nunca se revelasse como Filho de Deus no Evangelho, e somente como filho de Maria, se levantariam os hereges de todos os matizes para dizer que Cristo foi um simples homem.
E olhe que mesmo com as passagens que afirmam a divindade de Cristo, como esta citada, o mesmo Santo Agostinho nos informava que bem antes de Ario os Cerintiani já afirmavam que Cristo não era Deus! (Agostinho, Santo, Le Eresie - Catalogo e confutazione delle eresie del mondo antico, Ed. Mimesis, Italia, pág. 45)

Sobre o trecho de Jo 19 , vs 26-27: "Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: «Mulher, eis aí o seu filho.» Depois disse ao discípulo: «Eis aí a sua mãe.» E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa.", reproduzo o trecho de um artigo do site (As bodas de Caná):

"(...)Quando Nossa Senhora disse a Cristo : "Eles não têm mais vinho", a resposta de Nosso Senhor à sua Mãe, à primeira vista, pareceria dura àqueles que não possuem verdadeira compreensão da Sagrada Escritura. Disse Ele: "Quid mihi et tibi est, mulier? Nondum venit hora mea" _ "mulher, que temos Eu e tu com isso? Ainda não chegou a minha hora". ( Jo. II, 4).
Os protestantes se rejubilam, porque, segundo eles, Cristo teria dado uma resposta dura senão grosseira à sua Mãe, por chamá-la simplesmente de "mulher" e não de Mãe. Na sua malícia esses protestantes nem se dão conta que, dizendo isso, estão acusando ao próprio Cristo Deus de faltar com a honra devida aos pais, como também de faltar com a virtude da mansidão.
Ora, examinando-se melhor a resposta de Cristo, se vê como ela é, de fato, elogiosa para com a Virgem Maria. Em primeiro lugar, convém lembrar que Ele a chamou de "mulher", também no Calvário, dizendo do alto da Cruz: "Mulher, eis aí o teu filho" ( Jo. XIX, 26).
Chamando-a de "Mulher", Ele fala como Deus à sua criatura. Mas, ainda mais importante do que isso para compreender o texto, é que Cristo chama sua Mãe Santíssima de "Mulher", para que todos reconheçam nela aquela "mulher" que profetizou no Gênesis, quando amaldiçoou a serpente: "Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua raça e a dela, e ela mesma te esmagará a cabeça" (Gen. III, 15).
Cristo, então, chama sua Mãe de mulher, para que todos reconheçam nela a mulher , aquela que esmagou a cabeça da serpente ao consentir na Encarnação do Verbo, "Semine ejus", o Filho de Deus nascido de Maria Virgem. E assim como de Cristo se disse bem propriamente "Ecce Homo" – Eis o Homem -- , assim também é próprio dizer da Virgem Maria Mãe de Deus: "Ecce Mulier" , Eis a Mulher, Mater et Virgo, aquela que possui as duas perfeições mais importantes da "Mulher": ser Mãe e ser Virgem.
São Tomás comenta que Cristo chama Maria de mulher, para mostrar que Ele era Filho de Deus e de uma mulher, a fim de combater todas as heresias gnósticas, como a dos maniqueus e a dos cátaros, que condenavam a matéria como sendo má em si, e obra do deus do mal. Por isso, maniqueus e cátaros condenavam a mulher, o casamento e a procriação. Afirmando-se também como filho de uma mulher, Cristo condenava as heresias que negariam a sua humanidade, como iam fazer os eutiquianos, que afirmavam ter tido Ele apenas um corpo aparente e não verdadeiro.
Por tudo isso, convinha muito que o Evangelho salientasse que ela era "a mulher" e que afirmasse ser ela a mãe de Jesus: "E Mãe de Jesus estava aí". Por isso também São Paulo afirma? "Deus enviou seu Filho, nascido de mulher" (Gal. IV,4). (...)"

Esperando ter ajudado a solucionar suas dúvidas, pedindo suas orações à nossa boa Mãe,





Jornais e revistas por toda a América vêm espelhando um aumento palpável no interesse e na experiência em assuntos espirituais e religiosos. Há séries de TV tratando de intervenções angelicais, revistas semanais discutindo a crença em milagres, anjos e o sobrenatural; e uma série numa TV a cabo muito popular trata dos Mistérios da Bíblia. Torna-se óbvio que na sociedade mais bem sucedida, do ponto-de-vista material, na História do mundo, remanesce uma imensa fome espiritual que necessita ser satisfeita.

Desde os anos 60, vem-se notando um crescimento notável no número de aparições presumíveis da Bem-aventurada Virgem Maria, no mundo inteiro. Esse aumento precedeu em cerca de duas décadas o aumento recente do interesse público no sobrenatural e, nalguns casos, tem sido acompanhado por fenômenos extraordinários. Sob o ângulo privilegiado da distância no tempo, olhando retrospectivamente para muitas dessas aparições presumíveis, podemos hoje discernir um tema distinto, que parece emergir de todos esses eventos, o qual comunica ao mundo contemporâneo uma mensagem alta e clara: - a mensagem das aparições presumíveis de Nossa Senhora, em Fátima, em 1917.

Para situarmos esses eventos numa perspectiva correta, é necessário tomarmos distância da devoção ávida que algumas dessas aparições presumíveis geram, e dispormo-nos a examiná-las com a mesma cautela e do mesmo modo desapaixonado com que a religião organizada - particularmente a Igreja Católica - as avalia. Uma anedota a esse respeito ilustra esse processo.

São João da Cruz) foi um místico e santo homem que viveu no séc. XVI; tornou-se conhecido entre seus contemporâneos como homem sábio e confiável. Ele era, vez por outra, enviado por seu bispo para verificar ocorrências presumíveis de visões religiosas. E assim foi com uma mulher que afirmava ter visões do Espírito Santo. Nessas visões, ela presumidamente recebia todo tipo de revelações a respeito do futuro, de novas práticas religiosas e sobre o estado de alma de pessoas da região. Naturalmente, ela atraiu muita atenção. João foi enviado a ela, para averiguar os fatos. Chegando à cidade, João encontrou a mulher diante da casa dela. Ele perguntou-lhe: "É você a mulher a quem o Espírito Santo aparece?". Ela respondeu: "Sim, sou eu". Ele retrucou: "Deus a abençoe!" e retornou então ao seu mosteiro e concluiu para o bispo que a mulher encarnava ou uma fraude ou uma ilusão. O processo pelo qual a Igreja Católica avalia uma aparição presumível não é usualmente rápido - tipicamente, leva mais de 10 anos após o fim das aparições para chegar a uma conclusão final - e é indicativo de uma mentalidade generalizada na Igreja Católica, que é muito circunspeta quanto à aceitação de presumíveis visões sobrenaturais. De fato, o máximo a que chega a Igreja Católica é a uma "aprovação negativa" - certificando que nada relacionado a uma determinada aparição é contrário à fé ou à moral - e que, dessa forma, a aparição pode merecer crédito (a nível não de fé católica, mas de devoção privada).

Das muitas aparições de Maria que foram aceitas como autênticas, apreende-se uma série de características que lhes são comuns:

? O videntes usualmente não gostam das atenções focadas neles e sobre os fenômenos associados às aparições.
? Normalmente, os videntes são jovens, normais e sem nada que os distinga particularmente: nem especial formação, nem santidade ou espiritualidade prévia às aparições.
? Os videntes jamais esperavam que lhes ocorressem visões; estas se iniciaram completamente de surpresa.
? Os videntes são avisados por Nossa Senhora de que não serão felizes nesta vida.
? Os videntes relatam o conteúdo das suas visões de forma explícita e consistente. Eles jamais se contradizem, a despeito de quão mais tarde em suas vidas sejam interrogados a respeito de suas visões.
? As mensagens implicadas nas visões demandam oração, contrição e penitência.
? As aparições são acompanhadas ou imediatamente seguidas de fenômenos totalmente inexplicáveis.
? Curas espontâneas de doenças terminais são um exemplo típico dos fenômenos acima referidos.

Aparições que não se situam nesse padrão são ainda mais difíceis para as autoridades religiosas e científicas avaliarem e destarte seu processo leva ainda mais tempo. Mais ainda, na civilização ocidental pós-moderna a crença em eventos como aparições Marianas são encaradas como um retorno supersticioso a épocas menos iluminadas. Muito do que antigamente era considerado inexplicável pode agora ser explicado pela ciência, tornando-se assim o que é verdadeiramente miraculoso mais difícil de discernir e mais trabalhoso para documentar.

É necessária paciência na avaliação de revelações privadas, como as de Maria, pois existe grande possibilidade delas não passarem de projeções do próprio desejo do místico, ou pior. Um exemplo dessa abordagem demorada e cautelosa pode ser observado no comportamento posterior às aparições de Nossa Senhora a Santa Bernadete Soubirous, em Lourdes, em 1858. Apenas na Europa, contaram-se mais de 150 aparições Marianas presumíveis em seguida às aparições de Lourdes; NENHUMA destas foi jamais autenticada após a devida investigação e análise. A Igreja Católica, para proteger a si mesma e aos seus membros, avalia aparições privadas de forma muito cautelosa. As aparições privadas situam-se geralmente em quatro grupos:

? Questionáveis - toda aparição presumível é situada numa primeira instância nesta categoria. Nada se supõe estar ocorrendo antes que uma avaliação profunda e abrangente tenha sido levada a cabo.
? Falsas - após a avaliação competente, quase todas as aparições questionáveis são qualificadas como "alarmes falsos", ainda quando os videntes tenham sido considerados mentalmente saudáveis e sinceros quanto às suas afirmações e crenças.
? Fraudulentas - algumas aparições presumíveis provaram ser fraudes elaboradas por razões monetárias ou por indivíduos em busca de atenção e publicidade. Noutros casos foi detectado envolvimento satânico. O caso mais notório desta última classe foi o de Madalena da Cruz: ela podia levitar enquanto "orava", podia predizer o futuro e produzir curas. A despeito disso, ela confessou em seu leito de morte que havia se consagrado a Satanás desde a infância.
? Autênticas - umas poucas revelações selecionadas são consideradas autênticas, no sentido de implicarem intervenção sobrenatural e atuarem no fortalecimento e aprofundamento da fé dos que as seguem.

Aparições e locuções autênticas normalmente evoluem em quatro fases distintas:

? Após uma acurada avaliação por uma comissão constituída pela diocese local, o bispo emite um parecer de apoio ao evento, certificando que ele não envolve coisa alguma contrária à fé ou à moral, que parece ser inspirado sobrenaturalmente e que é passível de crença por parte dos fiéis.
? Após a aprovação do bispo, um extenso período é concedido à devoção privada dos fiéis, e observa-se se daí resulta um sensível aprofundamento da fé, um retorno à vida de auto-desprendimento e oração. Se a devoção se aprofunda e espalha, é possível acessar-se um novo estágio.
? Reconhecimento papal - o Papa atesta publicamente que está favoravelmente disposto em relação aos eventos e conteúdos da aparição. O último estágio é o reconhecimento litúrgico, pelo qual a celebração é inserida no calendário litúrgico oficial da Igreja (N.T. - sempre como memória facultativa, jamais como objeto de fé católica, no sentido de universal e obrigatória em ordem à salvação).

É para aqueles que não acreditam em aparições e milagres que o presente foi escrito. Pretende dar tão-somente uma visão geral - uma breve incursão pela miríade de relatórios, panfletos, livros e narrativas disponíveis a respeito dos fenômenos das aparições Marianas. Há no Menu uma relação de fontes onde se podem obter informações para um exame mais aprofundado das aparições Marianas, para os interessados. Há também uma discussão de fundamentos modernos para a crença, particularmente para o crédito científico, que tem por escopo abrir horizontes para uma realidade mais ampla que a tipicamente percebida pela maioria das pessoas "modernas". Fizemos o possível para evitar os jargões e a "latinidade" que normalmente permeiam as discussões de aparições Marianas. Ainda assim, alguns termos que são importantes ao entendimento da natureza desses eventos merecem explicação:

? Aparição - a manifestação mística de uma pessoa sobrenatural, que não pode ser vista senão pelos videntes (N.T. - por essa razão, esta categoria de manifestações místicas é preferencialmente chamada "visões"). Os videntes descrevem o sujeito da visão como um corpo real, tridimensional.
? Locução - palavras de origem sobrenatural, percebidas na mente do vidente como mensagens claras e distintas.
? Êxtase - um estado espiritual que causa no vidente a perda total de contato com a realidade circundante, tempo e local. Neste estado, o vidente não responde normalmente a qualquer estímulo físico, externo.
? Estigmas - manifestação visível, no corpo do vidente, dos ferimentos infligidos a Jesus em sua Paixão. Esses ferimentos sangram verdadeiramente, quase sempre às sextas-feiras, e causa dor considerável em quem os experiência.

Esses termos são empregados em muitos relatórios sobre aparições presumíveis. A comprovação médica do estado extático dos videntes pode contribuir para a determinação da realidade duma aparição. Os que não têm dificuldade em aceitar a realidade das aparições podem pular a seção intitulada "Serão as Aparições Realmente Possíveis?". O ponto crucial que emerge da avaliação das aparições de Maria é o conteúdo da mensagem. Estamos sendo conclamados a revisitar Fátima - tanto os eventos inexplicáveis que ali ocorreram como os portentos implicados na comunicação de Maria com três crianças dessa remota região de Portugal, cerca de oitenta anos atrás.
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