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MARANHÃO - Quatro homens que se apresentam como integrantes de uma igreja evangélica estão realizando curas perigosas em bairros de São Luís.


http://www.overbo.com.br/modules/news/article.php?storyid=6655


(Fonte: O Imparcial) - Utilizando banhos, chá de ervas e escalda-pés, os falsos religiosos provocaram a internação do motorista Edmilson Freire Lindoso, 49, portador de diabetes e hipertensão arterial. Devido ao tratamento, o homem está com queimaduras de terceiro graus, necrose nos pés e outras complicações. O ritual começou a ser ministrado em 2 de março, levando Lindoso, algumas sessões depois, à Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Socorrão I (Centro) na quinta-feira, 17.

Segundo a filha da vítima, Cristina Lindoso, os quatro se apresentaram na casa da família como membros de uma igreja evangélica que funcionaria no bairro do Gapara. no final de março, através de uma amiga da família que já havia passado pelo tratamento. Conhecida apenas por Teresinha, a vizinha dos Lindoso teria orientado a família a receber os tais religiosos, que prometeram a cura do homem em um curto período: três meses. O motorista, inativo desde que o diabetes culminou em dormência das pernas e cegueira parcial, aceitou seguir as instruções do suposto fisioterapeuta Waldecir, como é conhecido o líder do grupo de curandeiros.

A família Lindoso foi persuadida a comprar grande quantia ervas em casas indicadas pelos curandeiros, que custou quase R$ 300. Em 2 de março iniciaram o tratamento composto por banhos, chás, lavagens, inalações e escalda pés, ministrados por um deles, conhecido apenas por Carlos. Cristina contou que os supostos religiosos indicaram uma nova dieta alimentar, contendo apenas legumes, verduras e derivados da soja, além de chás que deveriam ser tomados a cada duas horas.

Cristina acrescentou que eles ainda proibiram o pai de tomar a medicação industrializada responsável pelo controle do diabetes e da hipertensão do motorista. “Eles prometeram que esse tratamento curaria meu pai em três meses, mas em apenas um ele já estaria 90% curado”, contou.

QUEIMADURAS

Três dias após o início do tratamento, foi realizado o primeiro escalda-pés. Lindoso teria pedido que Carlos verificasse a temperatura da água, pois não poderia senti-la devido à dormência. O curandeiro Carlos teria menosprezado o alerta, resultando nas queimaduras que a vítima apresenta até hoje. “Ele (Carlos) disse para não nos preocuparmos com as bolhas, pois aquilo era o inchaço das pernas que estava descendo, e mandou a gente aplicar banhos e compressas de argila no local dos ferimentos”, relatou a filha de Lindoso.

De acordo com Cristina, a família acreditou no tratamento porque as bolhas das queimaduras foram secando. Mas quando a taxa de glicose do doente foi verificada, já estava em quase 500, nível que pode levar o organismo ao coma. “Se não tivéssemos levado meu pai ao hospital imediatamente ele poderia ter morrido”, desabafou Cristina.

Edmilson Freire Lindoso deu entrada na Unidade Médica do Coroadinho na noite do dia 17 de Abril, e foi remanejado para um leito do Socorrão I no mesmo dia, às 21h30. Hoje o motorista está internado na UTI, e apresenta queimaduras de terceiro grau e indícios de necrose dos dedos dos pés, além de outras complicações. “Ontem meu filho tentou me dizer alguma coisa, mas não conseguiu de tanta fraqueza e pela crise de soluço que já data uma semana”, lamentou a mãe de Lindoso, a aposentada Editi Mota Costa, 71.

Após o acidente, a família prestou um boletim de ocorrência contra os curandeiros no dia 15 de abril, no 10º DP (Coroadinho). O caso está sendo investigado pelo delegado Cunha. Desde que o ritual religioso culminou nas queimaduras, os falsos curandeiros não foram mais encontrados, porém, os Lindoso acrescentaram ter conhecimento de que outros moradores da vila Bom Jesus estão sendo persuadidos a seguir o mesmo tratamento atualmente.


Caso de curandeirismo: polícia inicia investigação


Publicado por Redação em 24/04/08


MARANHÃO - Começou ontem a investigação sobre o caso de supostos evangélicos que provocaram lesões corporais no motorista Edmilson Freire Lindoso, 49, através de atos de curandeirismo.


http://www.overbo.com.br/modules/news/article.php?storyid=6694

(Fonte: O Imparcial) - O caso está sob responsabilidade da delegada titular do 10º Distrito Policial, no Coroadinho, Katherine Lima. Ontem a delegada colheu depoimentos dos familiares da vítima. Os Lindoso alegam que os suspeitos prometeram a cura das doenças de Edmilson através de tratamento alternativo iniciado nos primeiros dias deste mês. A vítima foi queimada em terceiro grau após um escalda-pés no dia 5, e foi internada no Socorrão I (Centro) apenas no dia 17, onde permanece em estado grave.

O irmão do motorista, Germano Lindoso e a filha dele, Cristina Lindoso contaram a O IMPARCIAL que os mentores do suspeito tratamento se disseram membros da “Igreja Adventista do Sétimo Dia da Renovação”, do bairro Gapara. O líder se apresentou como “Waldeci” e o executor do falso tratamento, como “Carlos”. Eles induziram a família a submeter Edmilson a um tratamento de medicina alternativa desde o dia 2 de abril, prometendo cura em três meses.

Edmilson, portador de diabetes e hipertensão arterial, teve os sintomas de dormência nas pernas e cegueira parcial agravados pela suspensão da medicação industrializada, que controlava o avanço das doenças. “Waldeci” e “Carlos” convenceram os Lindoso a alimentar Edmilson apenas com vegetais temperados com alho e sal, e a dar chás a cada duas horas ao doente.

TRATAMENTO

Folhas de Urtiga, planta conhecida por irritar a pele, foram passadas no corpo da vítima durante o tratamento. Edmilson também foi submetido à lavagem estomacal, banhos e inalações de ervas, e ao escalda-pés que provocou queimaduras de terceiro grau a vítima no dia 5. Apesar da gravidade das feridas, Edmilson foi levado ao Centro de Saúde mais próximo somente no dia 17, pois até então, a família acreditava nos benefícios do tratamento. O primeiro a notar o péssimo estado de saúde de Edmilson foi seu irmão, Germano Lindoso.

“Quando visitei meu irmão pela última vez, ele disse que estava morto”, disse. A família relatou desconforto ao modo como a imprensa tem veiculado o caso, citando o suspeito tratamento de “curandeiro”. “Quando aceitamos as orientações dos supostos evangélicos, acreditávamos que se tratava de medicina alternativa, pois era nomeada por eles de tratamento naturista. Abominamos curandeirismos, temos membros evangélicos na família. Na verdade, nós fomos enganados”, ressaltou Cristina, filha da vítima.

IGREJA ADVENTISTA

A sede da igreja Adventista do Sétimo Dia no Maranhão informou que a doutrina da entidade é contrária a procedimentos de cura que desrespeitem a vida, e sejam diferentes daquelas praticadas pela medicina convencional. A filosofia da igreja não prega nem acredita em vertentes da medicina alternativa.

Os adventistas são adeptos de um estilo de vida saudável baseado na prática de exercícios e alimentação de vegetais, mas isso não faz parte das normas religiosas da entidade. A Igreja Adventista acrescentou que o suspeito “Waldeci” pode ser um ex-membro, excluído a mais de cinco anos por indisciplina. “Esse indivíduo publicava e distribuía panfletos agressivos à doutrina na porta de nossas igrejas”, complementou o vice-presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Maranhão, pastor Ramildo Bezerra da Silva.
Segundo a Polícia Civil, os culpados responderão por crime de lesão corporal, cuja pena varia de acordo com a gravidade das lesões. O Instituto Médico Legal (IML) foi convocado ontem para atestar o grau de lesões de Edmilson, hospitalizado na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) do Hospital Djalma Marques.


1. "Não está na Bíblia..." [1]

- Os protestantes gostam e repetir a frase acima, ensinada por Lutero, baseada na doutrina chamada "Sola Scriptura".

- Ora, Jesus ensinou bem diferente: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora"(Jo 16,12). e continuando, explica no versículo seguinte: "Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade"(Jo 16,13). O que não deixa dúvida, que é na Igreja (Católica e Apostólica), onde o Espírito Santo foi derramado em Pentecostes (At 2) que devemos buscar o verdadeiro ensinamento de Jesus, e não somente na Bíblia. A Bíblia contém apenas uma parte, e não todo o ensinamento para a nossa salvação. Se tudo estivesse na Bíblia, para que o Espírito Santo, para ensinar "toda a Verdade"(Jo 16,13)?



2. Os católicos acrescentaram livros apócrifos à Bíblia.

R. Poderíamos encerrar a questão perguntando-lhes: Onde está na Bíblia a lista dos livros canônicos? (pois os protestantes só aceitam o que está na Bíblia).

- Mas vamos elucidar mais.

a) Os Livros apócrifos (Apokruphoi, secreto) - Não eram lidos em público só particularmente. Deuterocanônicos são os livros que foram reconhecidos como canônicos em um segundo (do grego, deutero = segundo) momento.

b) Os judeus que não aceitaram a Cristo (os escritos no NT) é que propuseram o Sínodo de Jâmia e expurgaram todos os livros após Esdras. Os protestantes, seguindo o exemplo desses judeus não-cristãos... e não dos autênticos judeus que reconhecerem em Jesus o Messias predito pelos profetas, também retiraram da Bíblia os livros deuterocanônicos. Aprofundar.

c) A imprensa foi inventada por Gutemberg (séc XV) e o primeiro livro impresso foi a Bíblia 1455/1460. Veja a Bíblia de Gutemberg, com os 73 livros (os protestantes só vieram no séc XVI, para profanar e mutilar as Sagradas Escrituras).

d) Veja como o Cânon Bíblico já estava definido desde o ano de 393, no Concilio Regional de Hipona [3]

3. Livre-exame - Qualquer um pode entender a Bíblia pois todos têm o Espírito Santo

- Se todos podem ler a Bíblia e interpretá-la, por que a interpretação Católica que reúne os bispos do mundo inteiro em torno do Papa não é válida?

Se todos são guiados pelo Espírito Santo, como cada protestante lê a Bíblia e funda a "sua igreja". Cada uma delas com doutrinas contrárias às outras?

A Palavra de Deus é bem outra:

"Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal"(2Pd 1,20).

"...há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína..."(2Pd 3,16).

Por causa desta terrível heresia de "interpretação pessoal", hoje temos milhares e milhares de seitas protestantes, que proliferam igual erva daninha.


1. A Bíblia não manda batizar crianças

Já pedi a todos os protestantes que me questionam a mostrar na Bíblia onde está a proibição de batizar crianças e até hoje ninguém me respondeu.

Não se deixe enganar. A Palavra de Deus é muito clara: Todos eram batizados, independente da idade, como na casa de Cornélio (At 10); como o soldado romano em At 16,33: "Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família." . como Lídia, em At 16,15: "Foi batizada juntamente com a sua família".

Os primeiros cristãos:

Orígenes (185-255) escreve: “A igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém-nascidos”. (Epist. ad Rom. Livro 5,9).

E S. Cipriano em 258 escreve: “Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças “. (Carta a Fido) .



2. Confesso só com Deus -

Confissão: Nm 5,7; Eclo 4,31; Mt 3,6

- Só Deus pode perdoar pecados (Mc 2,7; Ef 4,32; Hb 4,16)

- Quem detém o poder pode delegá-lo (transferi-lo) a quem quiser.

Claro que só Deus pode perdoar pecados, mas Jesus ao perdoar os pecados do paralítico e enquanto muitos murmuravam (Mc 2,7), Ele curou o paralítico. E este poder de perdoar pecados foi dado aos apóstolos na tarde do dia de sua ressurreição: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”(Jo 20,23). Bem como o poder de fazer milagres fora conferido em várias oportunidades (Mc 6,7; Lc 9,1; Jo 14,12).

Desde o século primeiro a confissão era exigida: "Na assembléia, confessarás tuas faltas e não entrarás em oração de má consciência. - Este é o caminho da vida"(Didaqué. IV,14).

3. Em 394 d.C substitui o Culto pela Missa!!

- Aqui há uma inversão: Foi depois do século XVI, que os protestantes substituíram a Santa Missa (atualização do único sacrifício de Cristo no Calvário), pelo culto, que não vale nada.
- A Igreja celebra o mesmo que Jesus fez na última 5ª feira, véspera de sua paixão, desde o início.
"Isto é o meu Corpo" (Mc 14,22; Lc 22,19; 1Cor 11,24) "isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança"(Mt 26,28; Mc 14,24; Lc 22,20; 1Cor 11,25).

"No primeiro dia da semana, tendo-nos nós reunidos para a fração do pão..." (At 20,7).

"Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei (celebrai a eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro." (Didaqué, XIV,1).



4. Quando Jesus falou do pão do céu, falava simbolicamente, em figuras...

"Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu"(Jo 6,32). Jesus mostra a superioridade da Eucaristia sobre o maná do AT.

Se o maná que era figura da Eucaristia, sustentou o povo 40 anos no deserto. Como a Eucaristia pode ser símbolo? A figura (Maná) então seria maior que o que ela significa – a Eucaristia?.

Se o maná sustentou o povo 40 anos no deserto, a Eucaristia nos sustentará no 'deserto desta terra' até chegarmos ao Céu.

Se você negar a realidade da Eucaristia, pode negar o resto da Escritura. Nada há mais claro que este discurso do Pão da Vida.

Quando Jesus falou de maneira figurada (Eu sou a porta, Eu sou a videira), todos entenderam e ninguém abandonou Jesus. Mas quando ele falou da Eucaristia... eles questionaram até o fim... Como Jesus confirmou: "minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida"(Jo 6,55), então eles foram embora (Jo 6,66). E assim os protestantes também abandonaram Jesus, porque não aceitaram comer sua carne e beber o seu sangue... e se juntaram aos do versículo 6,66... e são seguidores do 666 (Anticristo).

Os primeiros cristãos:

São Justino: “Este alimento se chama ‘Eucaristia’, não sendo dele lícito participar senão ao que crê ser verdadeiro o que foi ensinado por nós e já se tenha lavado no banho da remissão dos pecados... porque não tomamos estas coisas como pão e bebida comuns, mas da mesma forma que Jesus Cristo, nosso Salvador, se fez carne e sangue por nossa salvação, assim também se nos ensinou que por virtude da oração do Verbo, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças (...) é a carne daquele mesmo Jesus encarnado”( Apologia I, 65-67)

São Cirilo de Jerusalém: “Pois, assim como o pão e o vinho da eucaristia, antes da santa epiclese da adorável Trindade, eram simplesmente pão e vinho, mas depois da epiclese o pão se torna corpo de Cristo e o vinho sangue de Cristo”( 1ª CATEQUESE MISTAGÓGICA, 7 )

"Se Ele em pessoa declarou e disse do pão: «Isto é o meu corpo», quem se atreveria a duvidar doravante? E quando ele afirma categoricamente e diz: «Isto é o meu sangue», quem duvidaria dizendo não ser seu sangue? Outrora, em Caná da Galiléia, por própria autoridade, transformou a água em vinho. Não será digno de fé quando transforma o vinho em sangue?” (4ª CATEQUESE MISTAGÓGICA, 2)

“Portanto, com toda certeza recebemo-los como corpo e sangue de Cristo”(4ª CATEQUESE MISTAGÓGICA,3)

Santo Inácio de Antioquia (Séc. II ): "Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é carne de Jesus Cristo, da descendência de Davi, e como bebida quero o sangue d’Ele, que é Amor incorruptível". (Carta aos Romanos, parágrafo 7, cerca de 80-110 d.C.)

Além disso existem dezenas de milagres eucarísticos que confirmam a Presença Real de Jesus na Eucaristia, como o Milagre de Lanciano. Se você ainda duvida, infelizmente faltam-lhe as duas coisas: Fé para crer e razão para entender!

Assista ao vídeo de 10 minutos sobre a Eucaristia.


1. Esta pedra em Mt 16 não é Pedro.O original grego do nome Pedro é Petrus, que significa “pedrinha, pedregulho”.

O grego tem estrutura de linguagem totalmente diferente do português.

O português possui dois gêneros (masculino e feminino); o grego possui quatro gêneros (masculino, feminino, neutro e dual).

O português não possui declinações, o grego possui declinações e casos, denominados: nominativo, genitivo, dativo... - (Vou explicar, para que você entenda: Os casos são as várias formas que a palavra assume, de acordo com sua função sintática na frase, isto é, sujeito, objeto direto, indireto... ).

Assim temos várias formas da mesma palavra Jesus: ιησους - ιησουν - ιησου (Iessous - Iessoun - Iesson )... ; análogas ao latim: Iesu - Iesus - Iesum). Ficou claro?



- Vamos agora ao famigerado argumento acima, já tantas vezes debelado, e vocês ainda continuam repetindo-o:

Conforme exposto acima, de acordo com o 'caso', pedra em grego assume várias formas: πετρος(petros), πετρα(petra). Estas variações registradas em Mt 16,18, derivam, pois, de sua função sintática: Petros é do caso 'nominativo'; e petra é do 'dativo'. Mas a mesma palavra: pedra.

Mas a falsidade deste argumento pode ser demonstrada, de maneira mais fácil e irrefutável, comparando com outros textos, veja:

- A língua falada por Jesus não era o grego, e sim aramaico. Percorrendo o Novo Testamento, você encontrará diversas passagens, chamando Pedro de Cefas. E Cefas (ou Kefas) não é grego, mas aramaico. Sabemos que o Evangelho, segundo São Mateus, foi escrito em aramaico, só depois traduzido para o grego.

Mas Pedro é chamado de CEFAS, em muitas outras passagens: Jo 1,42; 1Cor 1,12; 3,22; 9,5; 15,5; Gl 1,18; 2,9; 2,11; 2,14. o que não deixa dúvida de que Pedro é Cefas (Cefas = pedra, no aramaico).

- Agora não precisa dizer mais nada: Cefas ou Kefas é pedra, quer queiram, quer não.

Mas ainda tem mais:

Veja algumas interpretações dos cristãos dos primeiros séculos da Igreja, e depois responda, se todos estavam errados e só Lutero 'o iluminado' "re-inventou a roda":

«Tatiano, o Sírio: "Simão Cephas respondeu e disse, 'tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo. Jesus respondeu dizendo-lhe: 'Bendito és, Simão, filho de Jonas: não foram a carne nem o sangue quem te revelaram, mas o meu Pai que está no céu, E eu também te digo que és Cephas, e sobre esta rocha eu construirei a Minha Igreja; e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela". (Diatsseron 23, 170 d. C)»;

« Vejamos, agora, um trecho de Tertuliano: "Teria algo sido retido ao conhecimento de Pedro, a quem se chamou 'a rocha sobre a qual a Igreja seria construída', com o poder de 'desligar e ligar no céu e na terra'?" (Demurrer Against the Heretics 22, 200 d. C).»(Idem);

São Cipriano Bispo de Cartago: (Mártir em +258) diz: "Cristo edifica a Igreja sobre Pedro. Encarrega-o de apascentar-lhe as ovelhas. A Pedro é entregue o primado para que seja uma Igreja e uma cátedra de Cristo. Quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual foi fundada a Igreja, não pode pensar em pertencer à Igreja de Cristo" (De un. Eccl. cap. IV).

2. Jesus, a pedra: Mt 21:42-44; At 4:11...

- Jesus é a Pedra Fundamental, todos nós estamos de acordo. O que não impede que Ele coloque Pedro como fundamento de SUA IGREJA. Negar o que está tão claro na Palavra de Deus(Jo 1,42; 1Cor 1,12; 3,22; 9,5; 15,5; Gl 1,18; 2,9; 2,11; 2,14), é não ser cristão.

Em 1Cor 1,12, por exemplo, Paulo cita distintamente Cefas e Cristo, o que impede que sejam a mesma pessoa. Só cego não enxerga.

3. Até o séc V não havia papado

– No Evangelho, Pedro aparece como aquele a quem Jesus confia as chaves do reino dos céus (cf. Mt 16,17-19) e entrega o pastoreio das suas ovelhas (cf. Lc 22,31 s; Jo 21,15-17).

O próprio Pedro declara o seu primado: “Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós...”(At 15,7).

O título de papa é dado ao Bispo de Roma já por Tertuliano (+220 aprox.) no seu livro De pudicitia XIII 7, onde se lê: "Benedictus papa".

S. Irineu de Lião (+202) dá a lista dos primeiros papas: "Depois de ter assim fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos transmitiram a Lino o cargo do episcopado... Anacleto lhe sucede. Depois, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, é a Clemente que cabe o episcopado... A Clemente sucedem Evaristo, Alexandre; em seguida, em sexto lugar a partir dos Apóstolos, é instituído Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aniceto, Sotero, sucessor de Aniceto; e, agora, Eleutério detém o episcopado em décimo segundo lugar a partir dos Apóstolos" (Contra as Heresias III,2,1s).

"No décimo ano do império de Cômodo, Vítor sucedeu a Eleutério, que havia exercido o episcopado durante treze anos.(...)" (Euzébio de Cesaréia, séc. IV, História Eclesiástica 5,22).

"Se a sucessão dos bispos for levada em conta, quanto mais certa e benéfica a Igreja que nós reconhecemos chegar até o próprio Pedro, aquele que portou a figura da Igreja inteira, a quem o Senhor disse: 'Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela'. O sucessor de Pedro foi Lino, e seus sucessores em ordem de sucessão ininterrupta foram estes: Clemente, Anacleto, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Aniceto, Pio, Sótero, Eleutério, Victor, Zeferino, Calisto, Urbano, Ponciano, Antero, Fabiano, Cornélio, Lúcio, Estêvão, Sisto, Dionísio, Félix, Eutiquiano, Caio, Marcelino, Marcelo, Eusébio, Miltíades, Silvestre, Marcos, Júlio, Libério, Dâmaso e Sirício, cujo sucessor é o presente bispo Anastácio. Nesta ordem de sucessão, nenhum bispo donatista é encontrado" (Santo Agostinho, Ep. 53,2).



Infalibilidade

4. Todos os homens são pecadores (Rm 2.10.23). Logo o papa também.

- Confunde infalibilidade com impecabilidade. Pedro pecou gravemente traindo Jesus. Contudo a autoridade que Jesus lhe dera em Mt 16,17-19 foi confirmada por Jesus após sua ressurreição em Jo 21,15-17.

Em Lc 22,32 - Jesus manda Pedro "confirmar" seu irmãos.

Jesus começa interpelando a Pedro solenemente e individualmente "Simão, Simão" (vers 31) e acrescenta "eu orei por ti" (vers. 32). Jesus nunca orou individualmente por nenhum outro discípulo, daí o destaque a Pedro. Claro que a missão de apascentar dada a Pedro em primeiro lugar é também em jurisdição menor aos demais bispos e aos sacerdotes, que são representantes autorizados (ordenados) pelo Bispo.

Assim Pedro confirmava a 'todas' as igrejas, enquanto Paulo, somente àquelas fundadas por ele (na Ásia Menor), como também João confirmava aquelas que estavam sob sua jurisdição (veja as sete igrejas do Apocalipse). Assim fazem os Bispos hoje, cada um na sua jurisdição (diocese), mas estão sujeitos à orientação do Papa, o Bispo de Roma.

Quando Paulo teve dificuldade doutrinária, recorreu aos apóstolos (At 15 - o primeiro Concílio da Igreja - Igreja visível e hierárquica, pois a igreja invisível dos protestantes não pode se reunir para resolver nada!)

Pedro assume a autoridade que Jesus lhe conferiu diante de todos: "Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós..." (At 15, 7).

Aí está mais uma prova, entre muitas, que Pedro foi escolhido por Deus, dentre os apóstolos. Lá estavam os "os apóstolos e os anciãos", (versículo 6, imediatamente anterior).

Em Jo 21, 15-17, Jesus confirma a Pedro sua missão de apascentar o rebanho.

Este texto é de máxima importância devido à ênfase que Jesus lhe dá:

Jesus pergunta a Pedro três vezes e por três vezes confirma sua autoridade sobre o rebanho. É preciso muita má fé, para negar três vezes a palavra do Senhor Jesus... Mais 50 provas do Primado de Pedro: Clique Aqui

5. Não há nenhum relato bíblico ou histórico mencionando que Pedro tenha sequer conhecido Roma"

- A Bíblia não foi escrita para contar a história de Pedro. Aliás não contou nem mesmo tudo que Jesus fez e ensinou, como nos atesta o Apóstolo João. Leia Jo 21,25.

Mas as provas de Pedro em Roma são abundantes:

- No século II Santo Irineu de Lyon(130-202 aprox.) escreve na sua grande obra: Contra as heresias: "Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e fundavam a Igreja" (L.3, C.1, n.1, v.4)

a) S. Jerônimo ainda diz: "Simão Pedro foi a Roma e aí ocupou a cátedra sacerdotal durante 25 anos" (De Viris III. 1,1)

b) Sulpício Severo(363-420), falando do tempo de Nero, diz: "Neste tempo, Pedro exercia em Roma a função de Bispo" (His. Sacr, n. 28)

c) "Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente" (Dionísio de Corinto, ano 170, extrato de uma de suas cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na "História Eclesiástica" de Eusébio, II,25,8).

d) "Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de São Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Vai à via Óstia e lá encontrareis o troféu de Paulo; vai ao Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro" (Gaio, ano 199)

e) "Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo" (Orígenes, +253, conforme fragmento conservado na "História Eclesiástica" de Eusébio, III,1).

f) E as escavações dos anos 50/60 do séc. XX, encontraram o túmulo de Pedro sob a Basílica do Vaticano. Lá estava a inscrição: "Petrus Eni" (Pedro está aqui). Aprofundar (http://www.petruseni.com.br/historia.php )

6. "Para Pedro ser papa, ele não poderia ser casado": Mateus 8,14.

- O celibato sacerdotal nunca foi dogma da Igreja. É uma exigência pastoral, em vista da praticidade e em vista da palavra de Jesus "há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus"(Mt 19,12).

Além disso, a afirmação de que Pedro era casado, baseando-se na Bíblia, é totalmente sem fundamento, pois em nenhum lugar aparece a 'mulher de Pedro'. Pedro provavelmente era viúvo e também hoje a Igreja ordena sacerdotes, os homens que ficaram viúvos. Embora a Igreja possa dispensar o celibato, se assim o desejar, pois não é exigência evangélica.


1. A Igreja católica começou em 381 com o concílio “conctos populos” dirigido pelo imperador Teodósio.

- A Igreja Católica começou, quando Jesus a instituiu e entregou seu comando a Pedro: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja"(Mt 16,18). O que houve em 381 foi o Concílio de Constantinopla, onde a Igreja confirmou as verdades do Credo. O decreto do Imperador Teodósio não é de 381, mas data de 28.02.380 e foi promulgado para tornar oficial a Fé Católica. Leia mais.

Agora as provas da Igreja Católica desde os primeiros cristãos:

São Paulo já falava: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus”(1Cor 15,9).

- De qual Igreja fala o Apóstolo?

SÉCULO I/II: “A Igreja de Deus que peregrina em Esmirna à Igreja de Deus que peregrina em Filomélio e a todas as paróquias da IGREJA SANTA E CATÓLICA em todo o mundo”(Ig. Esmirna a São Policarpo, no seu martírio);

SÉCULO II: “Não só pela essência, mas também pela opinião, pelo princípio pela excelência, só há uma Igreja antiga e é a IGREJA CATÓLICA. ". (Clem. Alex., deStromata 1.7. c. 15).

SÉCULO III: São Piônio (morto em 251) se lê que Polemon o interroga:
“— Como és chamado?

— Cristão.

— De que igreja?

— CATÓLICA” (Ruinart. Acta martyrum pág. 122 nº 9).

- Já Santo Inácio, Bispo de Antioquia (+107 aprox.), escrevia: "Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica" (Aos Esmirnenses 8,2).

2. A Igreja desviou do caminho, então Martinho Lutero, o pai da reforma, ....após LER A PALAVRA, e descobrir, que aquilo que ele tanto acreditava e praticava, estava fora da verdadeira vontade de Deus".

Aqui eu vou lhes dar um conselho. Vocês protestantes que arrancaram 7 livros da Bíblia e partes de alguns outros, deverão arrancar também algumas passagens que são contrárias 'ao ensinamento de seu pai Lutero'. Ex. "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo"(Mt 28,20); "Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade"(Jo 16,13)...
Se somente no século XVI é que surgiu o "ILUMINADO" Lutero para descobrir que a Igreja caminhou 15 séculos nas trevas e no erro, e então ele consertou tudo, então Jesus mentiu. Não permaneceu conosco como prometeu (Mt 28,20), nem enviou o Espírito Santo para nos conduzir na Verdade (Jo 16,13), ou quem sabe o Espírito Santo também errou e só Lutero sabe tudo ! ! !

- Tertuliano(+220) "Sem dúvida, é preciso afirmar que as igrejas receberam dos Apóstolos; os Apóstolos receberam de Cristo, e Cristo recebeu de Deus" (De Praescriptione Haereticorum 21,4).

- Santo Inácio de Antioquia (+107): "Segui todos o Bispo, como Jesus Cristo seu Pai, e o presbitério como aos apóstolos; quanto aos diáconos, respeitai-os como a lei de Deus. Ninguém faça nada sem o Bispo, no que diz respeito à Igreja." (Smyrn., 8,1)

"Inácio... à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada 'feliz', digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside ao amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai, eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho do Pai" (Carta aos Romanos [Prólogo]).

- Ireneu de Lião, (+202): "Já que seria demasiado longo enumerar os sucessores dos Apóstolos em todas as comunidades, nos ocuparemos somente com uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por todos, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo. Mostraremos que a tradição apostólica que ela guarda e a fé que ela comunicou aos homens chegaram até nós através da sucessão regular dos bispos, confundindo assim todos aqueles que querem procurar a verdade onde ela não pode ser encontrada. Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos" (Contra as Heresias III,3,2).

- São Cipriano (+258): "A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal" (Epístola 55,14).

3. "Lutero descobriu, através da Palavra de Deus, que o justo vive pela fé (Hb 10:38; Rm 1:17). Não por obras de caridade"

- A Bíblia não é supermercado, onde você escolhe os produtos do seu gosto e deixa os que não lhe interessam. "Toda a Escritura é inspirada por Deus"(2Tm 3,16). Portanto, não basta tomar este ou aquele versículo, e esquecer os outros igualmente inspirados, como: "a fé sem obras é morta"(Tg 2,26); "a fé que opera pela caridade."(Gl 5,6).
Isto sem levar em conta que no julgamento final, Jesus vai separar os cabritos das ovelhas, em vista do que cada um praticou de caridade. Leia: Mt 25,32ss.


4. A Igreja esnoba riqueza ...

- A riqueza que a Igreja possui é a Verdade Revelada, que ela conserva com fidelidade, em obediência ao seu Senhor. É claro que os documentos históricos (prova de sua autenticidade e prova da Verdade Revelada têm valor incomensurável, mas não estão à venda, nem pertencem a nenhum de seus membros).
No tocante à riqueza material, vale lembrar o episódio de São Lourenço (diácono) a quem o rei exigiu que lhe entregasse os bens da Igreja e ele recolheu os pobres de rua e os levou ao rei... É claro: foi queimado vivo por isso, tornando-se mais um mártir da Igreja.


Introdução -

A grande crise religiosa do século XVI, conhecida por protestantismo, foi um dos movimentos que mais tipicamente definiu a insubordinação dentro de setores da Igreja. Inegável que existia a ignorância e a corrupção, incrustada em diversos setores e membros do clero. Entretanto, na época de São Francisco de Assis não foi diferente, mas sua atitude de fidelidade ao Papa e à Igreja, fizeram que seu nome fosse respeitado e venerado no mundo inteiro. Sua personalidade empolga, ainda hoje, todas as camadas da sociedade. Ele é o consolo dos fiéis, a alegria da Itália e o orgulho da Igreja.

Já a insurreição movida por Martinho Lutero, deixa clara a sua intenção orgulhosa em afrontar a hierarquia da Igreja. A propagação de suas idéias acarretaram uma grande cisão religiosa e conseqüentemente numa verdadeira avalanche política na Europa. A contestação dos dogmas e o ataque à organização da Igreja, repousavam no desprestígio do papado diante da crescente influência dos soberanos europeus que, por questões meramente políticas, influíam nas decisões regionais do clero, tendo a corrupção moral tomado conta de diversos setores da Igreja. Além disto, tornou-se difícil a interferência direta do Papa em tais questões, principalmente, por causa das distâncias. Como nos fins da Idade Média o espírito de independência desenvolveu-se em vários países, onde o nacionalismo crescente se ressentia de qualquer influência exterior, notadamente do Papa, os príncipes e monarcas interessados em aumentar seu poder, tinham a intenção de colocar a Igreja numa posição dependente. Vejamos:

HISTÓRIA

Conhecida com o nome de Reforma Protestante, teve suas raízes em movimentos religiosos da Idade Média, dirigidos por John Wyclif e João Huss. Esses movimentos haviam sido abafados, mas, na Inglaterra e na Boêmia, persistiam em estado latente as tendências que, combinadas posteriormente com causas muito complexas, fizeram eclodir a insurreição luterana na Alemanha.

Wyclif (1324-1384) foi professor de teologia da Universidade de Oxford, que se insurgira contra os tributos cobrados pela Igreja e declarara ser a Bíblia a única regra de fé, sendo livre a sua interpretação. Seus seguidores deram ao movimento um caráter de luta social contra a nobreza, e chefiados por John Ball, revoltaram-se em 1383, tendo conseguido entrar em Londres, onde, enganados por Ricardo II, foram eliminados completamente, sendo seus chefes decapitados.

João Huss, professor professor da Universidade de Praga, influenciado pelas idéias de Wyclif, tornou-se o chefe de um movimento religioso nacionalista de caráter antigermânico e antipapista. Havendo comparecido ao Concílio de Constança para justificar-se sob o ponto de vista doutrinário, foi considerado herético. Além disto, acabou sendo executado, não obstante possuir um salvo-conduto dado pelo imperador germânico. A execução de João Huss, desencadeou sangrenta guerra religiosa na Boêmia.

Nos primeiros anos do século X a Igreja atravessava um período difícil. A venda de cargos eclesiásticos e de indulgências, a diminuição do prestígio do papado pela influência dos soberanos que efetivamente influíam diretamente em decisões regionalizadas da Igreja, criaram um ambiente favorável para a difusão do movimento separatista protestante. Paralelamente, o forte espírito de independência já nos fins da Idade Média, desenvolveu-se em vários países, cujo nacionalismo crescente punha de lado qualquer interferência do Papa, considerado como estrangeiro. Os príncipes e monarcas habilmente exploraram esse nacionalismo, interessados em aumentar seu poder, intencionando colocar a Igreja numa situação de dependência. Deve-se considerar também o patrimônio da Igreja, que despertou a cobiça de reis e nobres, desejosos de anexarem às suas terras as propriedades dos bispados e mosteiros, adquiridos, durante séculos, pelas doações dos fiéis e que constituíam um terço do território alemão e um quinto da França. A isenção de impostos sobre estes domínios por certo aguçava o interesse das classes dominantes.

Já os motivos religiosos que completaram o conjunto de causas da reforma haviam sido provocados, de uma certa forma, pela influência do espírito crítico do humanismo. A contestação de dogmas e a crítica radical à hierarquia e estrutura da Igreja, basearam-se numa reação contra o pensamento de São Tomás de Aquino, sobretudo quanto ao livre arbítrio e os Sacramentos. O pensamento dos reformadores orientava-se, de certa maneira, de acordo com uma teoria na qual o livre arbítrio era sensivelmente prejudicado pela concepção do homem como um ser totalmente depravado, cuja salvação dependia da vontade divina. Outro fator importante era o grande número de padres que, sem nenhuma vocação religiosa, prejudicavam de maneira contundente o primado espiritual e a organização da Igreja. Nessas circunstâncias e nessa época, nasceu Martinho Lutero.

LUTERO

Filho de família humilde, Martinho Lutero nasceu em Eilesben em 1483. A morte de dois companheiros o impressionou de tal maneira que, repentinamente, abandonou o curso de direito e ingressou no Convento Agostiniano de Erfurt. Logo depois foi nomeado professor da Universidade de Wittenberg. Uma viagem a Roma parece ter exercido grande influência em suas idéias já distanciadas da ortodoxia católica. Seu rompimento com a Igreja foi provocado diretamente pelo fato de Tetzel, um monge dominicano haver, em nome do Papa, percorrido algumas regiões alemãs reunindo fundos para a reparação da Igreja de São Pedro. A Lutero tal fato pareceu apenas uma venda de indulgências. A princípio as discussões entre ambos parecia apenas uma contenda entre frades, mas o rumo de franca rebelião dado por Lutero ao pregar suas teses na porta da igreja local, levou o Papa Leão X a interferir junto à ordem dos agostinianos para que o frade rebelde se retratasse, o que não se deu.

Em 1520, as idéias de Lutero foram condenadas numa bula promulgada por Leão X, e lhe foi dado o prazo de 60 (sessenta) dias para retratar-se, sob pena de heresia. Lutero queimou publicamente a bula papal. Carlos V, soberano do Sacro Império Romano Germânico, a quem preocupava o movimento iniciado pelo rebelde, intimou-o a comparecer à Dieta de Worms. Nela, Lutero reafirmou suas idéias e, garantido por um salvo-conduto, refugiou-se num castelo de seu amigo Frederico III, da Saxônia.

Lutero havia desencadeado uma onda de descontentamento e de revolta social. Em 1522 rebentava uma tremenda rebelião da pequena nobreza, abafada pelos exércitos da alta nobreza com o apoio da Igreja. Logo em seguida, em 1524, um levante de classes inferiores estourou no sul da Alemanha, com reivindicações de liberdade e igualdade social, que acabou dominada pelos nobres, prestigiados pelo próprio Lutero que os apoiou na repressão da rebelião campesina, na qual era nítida a influência dos anabistas. Estes constituíam o grupo protestante mais radical de seu tempo. Recomendavam aos cristãos a divisão dos bens e recusavam a prestação de serviço militar. Nessa altura dos acontecimentos, os protestantes já constituíam uma força político-religiosa na Alemanha e, parte da nobreza, se havia apoderado dos bens do clero católico.

Reuniu-se a Dieta de Spira (1526-1529), para resolver as grandes divergências existentes entre católicos e reformistas. Pediram os católicos que não fosse abolida a missa nos lugares onde ainda era celebrada e que fosse proibida a pregação doutrinária dos reformistas, nos lugares onde ainda não haviam dominado. Os luteranos protestaram contra estes pedidos, donde lhes veio o nome de "protestantes", pelo qual ainda hoje são conhecidos.

Consequências

Tal movimento expandiu-se pela Europa. Na Suécia e Dinamarca o protestantismo tornou-se religião oficial. Na Suécia, sua implantação foi política, pois o rei Gustavo Wasa, desejando anular a autoridade dos bispos, recuperou os domínios que haviam sido legados à Igreja Católica, fazendo profissão de fé luterana e procurando-a introduzir em todo o reino. Na Dinamarca, Frederido I declarou-se abertamente protestante e, mais tarde, seu filho Cristiano III aboliu a hierarquia católica e confiscou-lhe os bens. Na Suíça a reforma foi introduzida por Ulrich Zwinglio que, persuasivo, atraiu tão grande número de adeptos a ponto de, em 1529, provocar uma guerra civil-religiosa, na qual morreu. Enquanto a Suíça se debatia entre os dois grandes partidos políticos, chega a Genebra João Calvino, que sofrera profunda influência dos discípulos de Lutero. Definiu elementos básicos de sua teologia em sua Instituições da Religião Cristã. Alastrou-se o calvinismo pela Holanda e França, tendo também se infiltrado nos reformistas da Inglaterra (puritanos) e da Irlanda (presbiterianos).

Na Inglaterra, a revolução protestante teve como causa, entre outras, o casamento de Henrique VIII com Ana Bolena. O Soberano inglês era casado com Catarina de Aragão, mas apaixonara-se por Ana Bolena e pedira ao Papa Clemente VII a anulação de seu casamento, usando como pretexto a suposta existência de parentesco com a própria esposa. Não tendo conseguido o intento, Henrique VIII convocou uma assembléia do clero que o reconheceu como chefe da igreja anglicana, conseguindo, junto ao Parlamento abolição dos pagamentos de rendas ao Papa e proclamaram a igreja anglicana como órgão oficial sob autoridade exclusiva do rei.

Reação Católica

Antes mesmo do movimento reformista, já havia conhecido a Igreja um movimento de revivescência religiosa, iniciado pelo Cardeal Ximenes, na Espanha, onde se fundaram escolas, coibiram-se os abusos nos mosteiros e foram os padres obrigados a aceitar sua responsabilidade de dirigentes espirituais. Na Itália, já um grupo de padres fervorosos vinha trabalhando por uma recuperação do antigo espírito cristão, através de obras de caridade e serviço social. Destacaram-se os teatinos, com votos de pobreza, castidade e obediência, e os capuchinhos, que pretendiam seguir a mesma trilha de são Francisco. Além disso, comunidades religiosas organizaram-se, novas ordens foram fundadas, dentre as quais a Companhia de Jesus, ou Ordem dos Jesuítas, que é a que melhor caracteriza o espírito de reação católica. Seu fundador foi Santo Inácio de Loyola. Como antigo oficial espanhol, ficou gravemente ferido no cerco de Pamplona. Durante sua prolongada convalescência, converteu-se e transformou-se num batalhador da causa católica, num dos momentos mais críticos da Igreja, ou seja, durante a expansão luterana. Deu à sua companhia uma organização pautada em moldes militares. Com as armas do ensino, da prédica e da catequese, os jesuítas infiltraram-se nas hostes luteranas, cristianizaram a américa espanhola, penetraram na China, no Japão, na Índia e evangelizaram o Brasil, onde destaca-se o nosso grande Padre José de Anchieta.

A reação católica, comumente denominada "contra-reforma", foi orientada por seis grandes Papas: Paulo III, Júlio III, Paulo IV, Pio V, Gregório XIII e Sisto V.

Para saber mais:

- Em 1542 a Inquisição foi restabelecida como órgão oficial da Igreja, dirigido de Roma pelo Santo Ofício, sendo que seu objetivo era deter com violência o avanço protestante em Portugal, Espanha e Itália. Para saber mais consulte a história da Inquisição (desde a sua criação em 1231 pela bula Excommunicamus - do Papa Gregório IX, até seu restabelecimento em 1542).

- Consulte também o Concílio de Trento, que discutiu o corpo das doutrinas católicas baseadas nas críticas dos protestantes.

- Para entendermos como reis e imperadores decidiam diretamente nos setores regionalizados dos membros do clero, inclusive, intervindo na eleição de dignitários da Igreja, fato que foi duramente combatido pelo grande Papa Gregório VII muito antes da reforma protestante, ou seja, no século XI, consulte a questão das Investiduras.

- Recentemente, em 1982, um grupo de teólogos luteranos firmaram um documento, denominado "Manifesto de Dresden", onde os protestantes se questionam sobre sua recusa e indiferença à Maria Santíssima, já que o próprio Martinho Lutero foi devoto de Maria até à morte, dentre outras questões, principalmente a perplexidade diante das recentes aparições de Nossa Senhora e da infinidade de milagres cientificamente comprovados. Vale a pena ler.



1)"Em nome de Nosso Senhor, Jesus Cristo, mandamos que vos afasteis de todo irmão que se entrega à preguiça e não segue a tradição que de nós recebestes" (2 Tm 3,6).

2)"Tu, pois, meu filho, sê forte na graça de Cristo, e o que de mim ouviste perante muita testemunha confia-o a homens fiéis capazes de ensinar a outros" (2 Tm. 1-2). Eis aqui a tradição oral.

Nem tudo está na Bíblia:

"Há ainda muitas coisas feitas por Jesus, as quais, se se escrevessem uma por uma, creio que este mundo não poderia conter os livros que se deveriam escrever" (Jo 21,25).

S. Paulo: "Irmãos, ficai firmes e conservai as tradições que aprendestes, quer por palavra, quer por escrita nossa" (2 Tess 2,15).

E como ficam os protestantes sem a tradição e sem a Igreja? O Antigo Testamento prescreve uma série de normas que não foram abolidas pela Bíblia, mas pela Igreja. Como fica a observância dessas normas se só a Bíblia é fonte de revelação?

Exemplos: Não acender fogo (para cozinhar) em nenhuma moradia no sábado (Ex. 35,3). Não semear diferentes espécies no mesmo campo (Lev. 19,19). Não semear e colher nada, nos campos e na vinha, no ano sabático (Ex. 23, 10-11) e (Lev. 25 3-5). Não comer os frutos das árvores nos primeiros três anos (Lev 19, 23-25).

Só a Bíblia, dizem os protestantes, tudo deve apoiar-se sobre a Bíblia! Mas por que então Cristo não deu esta Bíblia? Por que ele não disse aos apóstolos: Sentai-vos e escrevei o que vos dito, ou, então, viajai e distribui bíblias; em vez de: 'ide e pregai - quem vos ouve, ouve a mim" (Lc 10, 16). E os apóstolos foram fiéis à sua missão; poucos escreveram, e escreveram pouco; mas todos pregaram, e pregaram muito.

Se basta a Bíblia, para que servem os pastores protestantes? Por que estas casas de culto... desde que há uma Bíblia em casa?

Ora, o que convém conhecer é menos a letra que o espírito. A observação é de S. Paulo: "A letra mata, mas o espírito vivifica" (2 Cor 3, 6). Deus fez o sacerdote "ministro do espírito e não da letra" (2 Cor 3, 6).

A Bíblia do Antigo Testamento existia no tempo de Jesus Cristo; entretanto, Ele nunca recomendou aos seus apóstolos a leitura da Bíblia; nem que adquirissem uma Bíblia, mas recomendou que escutassem àqueles que lhes explicavam a Bíblia, de modo autêntico, fossem eles até homens perversos e viciados, desde que constituem a autoridade legítima: "Sobre a cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus; observai, pois, e fazei tudo o que eles vos disserem; mas não imiteis as suas ações" (Mt 23, 2).

Fica claro que o Mestre não recomenda "ler a Bíblia", mas praticá-la, conforme as explicações dos chefes capazes de interpretá-la.

A Sagrada Escritura condena o "Livre Exame" Protestante

A) "Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal" (2Pd, 1,20).

B) "Assim vos escreveu também o nosso caríssimo irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando-vos dessas coisas, como faz também em todas as suas cartas. Nelas há, porém, alguma coisa difícil de compreender, que as pessoas pouco instruídas ou pouco firmes deturpam, como fazem também com as outras escrituras, para sua própria ruína" (2Pd 3, 15-16).

C) "Muitas são as opiniões dos homens, e as más imaginações levam ao engano" (Eclo 3,24).

Como explicar que Deus deixaria o mundo ao "livre exame" em que cada um segue sua cabeça e justifica suas opiniões? E onde ficaria a frase de S. João: "Haja um só rebanho e um só pastor" (Jo 10, 16).

E só folhear o Ato dos Apóstolos e verificar que a Igreja, desde o começo, seguia a um só pastor, isto é, o sucessor de S. Pedro (o primeiro Papa).

Outra contradição do "livre exame" é o fato de existirem tantas "igrejas" protestantes, todas se dizendo inspiradas pelo mesmo 'espírito santo', e cada uma pregando uma doutrina diversa da outra.

Depois, se todos têm o "livre exame", como condenar o exame católico? Como julgar, sem ser através de uma Igreja infalível, se a interpretação de alguém está certa ou não? A inspiração não vem para todos? No fundo, os protestantes se acham, ainda que implicitamente, infalíveis em seu exame. Enquanto os católicos são falíveis individualmente e a Igreja é infalível, os protestantes, individualmente, se outorgam a "infalibilidade" que condenam nos católicos.


1) O protestante, é o resultado final de uma revolta iniciada em 1517, com vários hereges, como: Lutero, Calvino, Knox, Wesley etc. O protestante é filho de várias doutrinas que surgiram 1500 anos depois da era Apostólica.

2) O protestante é aquele que protesta contra a Igreja Católica, usa a Bíblia, porém, não possui nenhuma autoridade superior, infalível, para declarar que uma palavra tem tal sentido, e exprime tal verdade.

3) O protestante tem sua fé alicerçada na emoção. A religião, para o protestante, resume-se em um estado de espírito agradável, em uma sensação que forçosamente um dia irá passar. O protestante toma uma experiência emocional por uma revelação, e um estado emocional pela graça de Deus. A fé edificada sobre a emoção não é fé verdadeira, mas mera busca de recompensa rápida, tão pouco profunda e ineficiente.

4) O protestante gosta de apoiar-se em ameaças de castigos e de fim de mundo, usando trechos da Bíblia. Acredita ter uma iluminação “direta” do Espírito Santo, sem intermediários, ou seja, sem a Igreja. No fundo, cada protestante se julga juiz da Bíblia.

5) O protestante se afirma salvo, porém, crê em um “Jesus” diferente, sendo que o “Jesus” dos Batistas parece ser diferente do “Jesus” dos Metodistas , que parece ser diferente do “Jesus ” dos Adventistas, que também parece ser diferente das demais igrejas protestantes. São mais de 20.000 denominações pregando vários “Jesuses” diferentes, um do outro.

6) O protestante adota uma interpretação particular da Bíblia como única norma de vida. Seu texto se converte em arma de ataque e de defesa frente a estranhos. Costuma Memorizar "versículos-chave" para tanto. Não se preocupa muito com o contexto das citações e nem com a verdade histórica de suas afirmações.

7) O protestante costuma desenvolver uma mentalidade de natureza fundamentalista. Seu fervor religioso nasce como reação a um mundo complexo e hostil que ameaça certos princípios qualificados como "intocáveis". Exclui o uso da razão de sua compreensão bíblica e cai facilmente na irracionalidade total. Sua argumentação frequentemente espelha medo e incerteza, desconhecendo o diálogo lógico e racional.

8) O protestante vive num ambiente de "supostos fiéis do povo escolhido". Segundo tal, o mundo os persegue porque somente eles têm permanecido fiéis ao que Deus quer. Isto provoca uma profunda suspeita frente ao mundo. Cria a idéia de que a salvação dos homens será possível apenas dentro dos estreitos limites das igrejas protestantes.

9) Os líderes fazem o possível para ocupar todo o tempo livre dos membros. Abarrota-lhes de reuniões, serviços, estudos e outras atividades que fazem com que a vida diária do adepto gire em torno das “supostas igrejas”. Costumam proibir categoricamente qualquer contato com culturas diferentes, avanço científico, literatura ou programas que não estão explicitamente escritos na Bíblia.

10) Sem exceção, ditam um código moral estreito que afetam todos os aspectos da vida de seus membros, a forma de vestir, a abstinência da dança, da música (não evangélica) etc. Tudo isso serve para separar do mundo os membros, dar-lhes uma identidade externa inconfundível, criar neles uma mentalidade de superioridade moral e reforçar em suas mentes a legitimidade da determinada “igreja protestante”.

11) Os líderes criam uma forte expectativa em seus membros quanto ao fim do mundo e a segunda vinda de Cristo. Esta postura de milenarismo ou adventismo resulta em um fanatismo dificilmente compreensível para aqueles que não compartilham da visão do fim iminente.

12) Já, os grupos de espiritualidade pentecostal, dão muita importância aos sinais exteriores do "poder do Espírito" como o falar em línguas, o transe místico, as visões, as choradeiras, etc... Algumas igrejas protestantes exercem uma sugestão poderosa sobre os seus para que se produzam estas manifestações de forma contínua nas reuniões dos adeptos.

13) Certas igrejas protestantes obrigam seus membros a uma ação direta de proselitismo de porta em porta, pelas ruas, etc... Distribuindo mensagens como forma de ganhar novos adeptos e de fortalecer a convicção dos membros. Freqüentemente controlam os resultados do proselitismo de forma pública dentro da comunidade, o que serve de pressão aos membros menos inclinados a estar molestando estranhos com suas crenças particulares.

Jaime Francisco de Moura – Texto para livre cópia e difusão

“A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1 Tim 3,15)

“Todo aquele que divide Jesus é um anti-cristo” (1 Jo 4,3)


Uma modesta carta-convite (http://www.cesep.org.br/Curso_Bispos/Carta_convite2007_com_assinatura.pdf) endereçada a cada bispo católico do Brasil, sintetizados carinhosamente com um caloroso e personal “querido irmão no episcopado” e assinada por D. Elias Manning, OFM, Bispo de Valença, RJ, e D. Frei Diamantino Carvalho, OFM, Bispo de Campanha, MG, se elenca em meio a muitas coisas interessantes que se pode ser encontrar na internet.

A cartinha, embora materialmente pequena, é envolta numa ambigüidade tamanha e com tanta destreza, que só um moderno bispo poderia tê-la escrito. Este estilo de redação me fez lembrar os textos de um certo Concílio Pastoral, já agonizante, que nega numa página o que afirma noutra, afirma não afirmando, diz não dizendo e que também foram redigidos por bispos...

Mas antes de continuar, é preciso dizer o motivo da tal cartinha: um curso. Um curso para bispos. Um curso que acontecerá do dia 15 ao dia 21 de outubro de 2007.

Apenas um curso? Poderia perguntar o leitor.

Digo, fizemos um artigo para comentar a respeito de um simples cursos para bispos. Mas devo alertar que é um curso muito esquisito. Infelizmente depois que os ambíguos textos do Pastoral Concílio Vaticano II se introduziram, muitas coisas esquisitas acontecem em meios aos católicos. Coisas estranhas à Fé e à Doutrina. Coisas estranhas à Caridade. Muitas destas esquisitices desgraçadamente acabaram por serem tomadas como verdadeiras e normais, por muitos de nossos pastores. Friso: pro multis e não por todos.

Mas, qual é então a esquisitice deste curso? É um curso para bispos católicos ministrado dentre outros, por hereges protestantes. O caro leitor está perplexo?

Poderíamos usar como analogia, um imaginativo curso que poderia tratar “como os pastores devem proteger o seu rebanho” ministrado por lobos. Certamente neste curso fictício a primeira ferramenta a ser abolida seria o cajado. E o cajado já se faz uns 40 anos da tentativa de sua abolição. Tentativa esta formalizada principalmente na Dignitatis Humanae e no Decreto Unitatis Redintegratio. Afinal, qual é o lobo que gosta de levar umas boas pauladas? Lobo gosta de carne fresca... inclusive a do próprio pastor se tiver oportunidade.

Deve-se fazer acreditar também que cada ovelha sabe o melhor para si própria. Que a ovelha sabe viver bem sozinha, que a ovelha tem liberdade de religião, que pode pastar aqui e a colá em segurança, que ela pode tranquilamente perambular perto da boca faminta dos lobos. E normalmente a boca faminta de um lobo morde, mesmo que seja a de um simples e abrasileirado guará.

Lá neste curso, se ensina, por fim, que as ovelhinhas que ainda se refugiam no redil, mesmo sob um olhar indiferente e distante do pastor já sem o cajado, não devem se defender e nem fugir dos lobos. Devem dialogar. O diálogo é a melhor arma contra um lobo faminto, afirmam. Imaginem caros leitores! Em meio a uma alcatéia esfomeada, a pequena e indefesa ovelhinha tentando explicar para o lobo que só queria pastar com tranqüilidade, que não tinha a intenção de atrapalhar os uivos, etc...

Voltando ao nada fictício curso para bispos, um dos temas será: “A Leitura e Interpretação da Bíblia na tradição da Reforma” ministrada por um herege anglicano (http://www.cesep.org.br/cursos_curso_bispos.htm).

O que significa “tradição” na herética e rebelde revolução protestante? Os protestantes negam a toda Tradição Apostólica. Negam a autoridade de São Pedro. Negam a Infabilidade do Papa e a Santidade da Igreja. Negam os livros da Sagrada Escritura que não lhes interessam. Fazem uso da livre interpretação, negando assim a Verdade Objetiva da Palavra de Deus. Desta maneira, essa tal “tradição” da reforma deve ser aquela milenar e diabólica “tradição” herdada do pai-da-mentira. Aquela mesma e dialogante “tradição” que soube muito bem torcer a verdade e enganar Eva e depois Adão. É contra esta dialogante e ecumênica “tradição” a que nosso Senhor se referiu dizendo:

"Seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo o que disso passa procede do maligno" (Mt V,17).

Em outras palavras, com a mentira não há diálogo. Pois, quem dialoga muito é o Maligno. E quem dialoga com o Maligno ou é seu cúmplice ou possivelmente deseja ser enganado. Diga-se, Lutero sempre mantinha – como vulgarmente se diz – uma boa prosa com o Diabo. Lutero era ecumênico desde o princípio. Dialogava com o Diabo.

Outra temática interessante será “A Palavra de Deus na tradição católica recente”. Ora, sabe-se que a Tradição da Igreja Católica não é nada recente. Pelo contrário, data de sua fundação por Nosso Senhor Jesus Cristo, quando edificou sobre São Pedro Sua Única e Santa Igreja. Seria esta “tradição” a que o curso se refere, a recente “tradição” pós-conciliar? A “tradição” da ruptura concretizada pelo Concílio Vaticano II, que desejou fazer uma nova igreja com uma nova ordem, com uma nova missa? “Tradição” esta que o S. Padre o Papa Bento XVI tem combatido veementemente? A nova “tradição” moderninha que tem como único dogma o ódio à Tradição verdadeiramente Católica e Apostólica?

A Tradição Católica reza no Credo de Santo Atanásio:

"Todo aquele queira se salvar, antes de tudo é preciso que mantenha a fé católica; e aquele que não a guardar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá para sempre (...) está é a fé católica e aquele que não crer fiel e firmemente, não poderá se salvar".

Deus queira que nossos Bispos, possam reafirmar sempre esta verdadeira e imutável Profissão de Fé.

Por fim, peço que o caro leitor me perdoe, pois, quase que terminava o artigo sem fazer um breve comentário de uma estranheza da redação da carta-convite. Diz lá:

“Quando estivemos reunidos escrevemos uma palavra de saudação e solidariedade a alguns dos bispos que não puderam comparecer por se encontrarem enfermos ou impossibilitados: Dom Pedro Casaldáliga, Dom Tomás Balduino, Federico Pagura da Igreja Metodista de Rosário na Argentina, cuja esposa Rita, tantas vezes presente no nosso encontro, faleceu recentemente; Dom Waldyr Calheiros, Dom Mauricio Andrade, novo primaz da Igreja Episcopal Anglicana. “

Veja, a saudação abarca além dos Bispos verdadeiramente bispos, ou seja, os Bispos católicos, falsos bispos como os líderes de heréticas igrejas protestantes. Tudo em nome do diálogo e do ecumenismo em detrimento à Verdade Católica. Será que D. Manning e D. Diamantino já consideram os hereges, além de mestres, “irmãos no episcopado”? Como será que D. Demétrio Valentini, que é um dos coordenadores deste evento ilícito, considera estes protestantes?

Infelizmente, é de se notar que a cordialidade que alguns bispos têm pelos hereges seja diretamente proporcional ao ódio e o desprezo à Missa de Sempre e por tudo que seja verdadeira e clara doutrina católica.

Para os católicos que amam a Tradição Apostólica, não valem as regras do tal ecumenismo.

Rezemos por nossos Bispos.

Rezemos pelo Papa. Para que ele continue a combater os lobos e os maus pastores.



"Cuidai que ninguém vos seduza" (Mt. 24,4)

Um dos fenômenos mais característicos deste fim de século materialista é o pulular de seitas. Ao longo de uma rua qualquer podem ser encontradas igrejas, capelas, templos, centros e terreiros, freqüentados por multidões de cegos sem rumo. Homens que buscam fábulas, porque já não suportam a verdade. Supersticiosos que perderam a fé e que, sôfregos, desejam adorar a própria opinião. Deserdados, doentes ou miseráveis que têm por ídolo o dinheiro, a vida, a saúde. Todos os que pretendem que Deus os sirva.

Que é uma seita? Por que se multiplicam as seitas hoje com a rapidez das células cancerosas? O que atrai as pessoas para elas? São essas algumas das perguntas que um documento elaborado por vários Dicastérios romanos pretende responder (cfr. Osservatore Romano, 29.06.86, pp. 317 a 320).

A palavra seita vem do latim secta e significa cortada, separada. O estudo do Vaticano define seita como um "grupo religioso com uma concepção do mundo peculiar própria derivante, mas não idêntica, dos ensinamentos de uma das principais religiões do mundo". (p. 317).

O termo seita tem uma conotação pejorativa. Jamais os membros de um grupo religioso admitem ser considerados sectários. Comumente eles julgam os verdadeiros e únicos fiéis continuadores de uma religião que reputam verdadeira.

Há seitas de todas as religiões. Não há, porém, propriamente seitas católicas, no sentido em que elas existem nas outras religiões. O shiismo, por exemplo, é uma seita maometana que permanece inserida no Islam. Quando surge uma seita entre os católicos, contudo, ela é logo expelida pela excomunhão. A unidade santa da Igreja Católica é incompatível com a existência de seitas em seu seio.

A tendência para a formação de seitas é diretamente proporcional à falta de coesão doutrinária e à falta de unidade da religião-tronco. O protestantismo é essencialmente sectarizante, pois o princípio do livre-exame da Bíblia gera continuamente novas divisões e impede qualquer unidade. Pelo contrário, a unidade da verdade católica e a unidade de seu governo monárquico obrigam os grupos sectários a saírem e a constituírem religiões autônomas. É o que deve ocorrer em breve com a seita progressista.



CRISE

As seitas se multiplicam nas épocas de crise na Igreja e, principalmente, quando a força unificadora do Papado diminui. Por fraqueza, por covardia, por omissão ou por cumplicidade, um Papa pode contribuir para o crescimento dos erros e difusão das heresias. Assim, no final da Idade Média, com o prestígio do papado abalado pelo cativeiro de Avignon e pelo Grande Cisma do Ocidente, multiplicaram-se os grupos sectários.

Hoje ocorre um fenômeno semelhante. A crise do catolicismo tornou-se aguda a partir do Concílio Vaticano II. A defesa do ecumenismo, da liberdade de religião e de consciência, provocou a atual onda relativista em matéria de Fé e de Moral.

Até mesmo o documento do Vaticano que focalizamos reconhece que as pessoas aderem às seitas porque não encontram mais na Igreja a satisfação de suas necessidades e aspirações, nem diretriz para suas vidas. Mas insiste em recomendar o diálogo ecumênico – o qual tanto tem favorecido o relativismo e o indiferentismo – e uma atitude de abertura e compreensão e não de condenação para com os sectários convictos. Ora, é essa recusa em condenar o erro que torna as autoridades eclesiásticas responsáveis pela decadência do catolicismo e consequentemente pela proliferação das seitas.

O mundo tem tal necessidade de ter um Papa que, quando o sucessor de Pedro se recusa a apascentar o rebanho, as ovelhas logo procuram outro pastor. E o demônio está sempre pronto a suscitar mercenários que pretendem substituir o Sumo Pontífice, arvorando-se em chefes carismáticos da Igreja. Quando o Papa se cala ou pactua com o erro, pululam os messias, os profetas, os gurus e os falsos taumaturgos.

* * *

O LÍDER

"As seitas parecem oferecer direção e orientação através de chefes carismáticos. A pessoa do mestre, do chefe, do líder espiritual, desempenha um papel importante na coesão dos discípulos. Ao mesmo tempo, não existe apenas submissão, mas abandono emocional, e sempre uma devoção quase histérica a um chefe espiritual influente (messias, profeta, guru)". (Osservatore Romano, estudo citado, p. 318).

Por vezes, produz-se uma verdadeira caricatura do Papa. O "Profeta" faz-se carregar numa "Sédia Gestatória", ou abanar por "flabelli", reza o "Angelus" do alto de uma escada previamente adornada com um tapete; afirma-se inerrante; dá a sua benção a todos os seus discípulos "da cidade e do mundo" (urbi et orbi) etc.

É evidente que nesse perfil há muitos traços que indicam desequilíbrio. Não é raro que as seitas se constituam em torno de um homem de tendências paranóicas que se julga incumbido por Deus de salvar a Igreja ou a humanidade. A esse respeito veja-se o que diz o Dizionario di Teologia Morale do Cardeal Francesco Roberti, secretariado por Mons., mais tarde Cardeal, Pietro Palazzini: "... os paranóicos desse tipo, convencidos de estar destinados a cumprir uma missão sobrenatural para salvar a humanidade em perigo, não se limitam só às obras pessoais de ascese religiosa, mas assumem logo atitudes e conduta de reformadores, de apóstolos: são fanaticamente desprezadores da autoridade constituída e assim, em breve, revelam a sua loucura, não obstante o coro entusiasta de um mais ou menos numeroso grupo de seguidores, almas simples não sempre isenta, elas próprias, de notas paranóicas ou histéricas e, portanto, cegamente confiantes na palavra e, algumas vezes, crédulas nos pretensos milagres de tais enfermos" (Dicionário citado, verbete Paranóia: Ed. Studium, Roma).



PROFETA

Norman Cohnn afirma que já na Idade Média "o profeta pertencia a uma categoria social particular que pouco mudou no decurso dos séculos. Um grande número de profetas era membro do baixo clero (...), a seu lado encontravam-se igualmente membros deslocados da pequena nobreza (...) e numerosos leigos obscuros que tinham chegado a adquirir, de um modo ou de outro, a cultura de um clérigo (...). Qualquer que seja sua história individual, eles constituíam coletivamente uma camada social distinta, uma intelligentzia frustrada e de segunda categoria. Foi nesse mundo agitado de intelectuais e de semi-intelectuais desclassificados que a doutrina escatológica foi não só preservada mas produzida e elaborada até servir de ideologia revolucionária. (...) Esses profetas, que dispunham do necessário magnetismo pessoal, não se contentavam de montar uma ideologia revolucionária; eles mesmos se erigiam chefes eleitos por Deus para os Últimos Tempos, arautos da Parusia,. Imperador dos Últimos Dias e até Cristos reencarnados. Não é duvidoso que alguns desses homens fossem megalomaníacos. Outros eram impostores. E numerosos deles as duas coisas ao mesmo tempo. Todos possuíam um ponto comum: cada um se pretendia encarregado da incomparável missão de conduzir a Histórica a seu cumprimento pré-estabelecido. Essas pretensões influenciavam profundamente os grupos que se constituíam a seu redor. Porque os profetas não ofereciam apenas a seus discípulos a ocasião de melhorar a sua sorte e de escapar de angústias prementes, mas também a perspectiva de realizar uma missão capital e prodigiosa fixada por Deus. Eles também foram rapidamente enfeitiçados por esse sonho. Então se constituía um grupo de uma espécie particular, protótipo de um partido totalitário moderno, impiedoso e em constante fermentação, obcecado por quimeras apocalípticas e penetrado por sua própria infalibilidade; este grupo se sentia muito acima do resto da humanidade e repelia toda a pretensão diversa daquela inerente à sua pretensa missão" (NORMAN COHNN, Les fanatiques de l´Apocalypse, Juliard, Paris, 1957, p. 305).



SANTO

"O profeta normalmente se faz venerar como um santo, monarca ou até como Deus. Na Idade Média, os sequazes do heresiarca Tanchelm lhe eram cegamente devotados. Ele se fazia transportar numa espécie de trono, como se fosse um monarca, era precedido por sua própria espada auriflama, tinha escolta e distribuía a água do seu banho: alguns a tomavam à guisa de Eucaristia, enquanto outros conservavam piedosamente essa relíquia" (N. COHNN, op. cit. p. 46).

Os Beguinhos consideravam Frei Pedro João Olivi como "a luz e a tocha enviadas por Deus ao mundo e que andavam em trevas aqueles que não viam essa luz; e que se o Papa condenasse a doutrina e os escritos de Frei Pedro João Olivi, ele seria herético, porque condenaria a vida e a doutrina de Cristo; que os escritos de Frei Pedro João Olivi são mais necessários à Igreja de Deus, nesses tempos do fim do mundo, do que as obras de não importa quais doutores e santos; que se Deus não tivesse previsto as necessidades da Igreja de Deus enviando-lhe o dito Frei Pedro João ou um outro que lhe fosse semelhante, o mundo inteiro seria herege e cego" (BERNARD GUI, Manuel de l’Inquisiteur, p. 141).



DOUTOR

Diziam ainda que Frei Pedro João Olivi era "um tão grande doutor que desde os Apóstolos e os Evangelistas, não houve maior" (Idem, p. 139).

Nicolas de Bâle, um dos líderes do movimento herético dos irmãos do Livre Espírito "se pretendia um novo Cristo. Aos olhos de Martim (de Mayence, julgados em Colônia em 1393) a única via de salvação passava por um ato de submissão absoluta ao seu senhor. Era uma experiência terrível, mas uma vez realizada, ela acarretava imensos privilégios, porque Nicolas era a única verdadeira fonte de saber e de autoridade. (...) Seguindo as ordens de Nicolas, não se podia mais pecar. Se ele ordenasse, podia-se praticar a fornicação ou um assassinato sem escrúpulos. O único pecado consistia em desobedecê-lo ou renegá-lo.

Desde o instante que se tinha feito ato de submissão (a Nicolas) penetrava-se no estado de inocência original (N. COHNN, op. Cit., p. 186).



GRUPO SECTÁRIO

É evidente que essas atitudes arrastam à insubordinação. O "profeta" se afirma chamado por Deus para executar uma missão extraordinária na História, e por isso, considera-se superior às autoridades eclesiásticas estabelecidas e dispensado de obedecê-las. Mas acredita que elas é que lhe devem obediência. Como não o seguem, passa a condená-las como traidoras de sua missão eclesiástica e automaticamente destituídas de suas funções. A Hierarquia da Igreja é então considerada como pura estrutura sem espírito e sem a graça de Deus. Daí - mesmo que não se diga - passa-se a condenar como apóstata a Igreja estruturada. Verdadeira Igreja é a dos eleitos seguidores do "profeta". Nasce a "Igreja espiritual", isto é, a seita que pretende ser a autêntica continuação da Igreja.

Os exemplos históricos comprovantes desse resvalamento para o sectarismo são numerosos. Os beguinos distinguiam duas igrejas: "uma igreja carnal, isto é, a Igreja romana, e da multidão dos reprovados; outra, a igreja espiritual, a dos homens espirituais e evangélicos que vivem da vida de Cristo e dos apóstolos e é a sua própria igreja" (Bernard GUI, op. cit., p. 145).

Fra Dolcino ensinava que "toda autoridade conferida outrora por Nosso Senhor Jesus Cristo à Igreja romana está atualmente totalmente esgotada e cessou de existir por causa da malícia dos prelados. A Igreja romana que é governada pelo Papa, pelos cardeais, pelos prelados, clérigos e religiosos, não é, dizem eles, a Igreja de Deus, mas uma igreja reprovada e sem fruto" (...) "Assim, todo o poder espiritual, que no princípio Cristo entregou à Igreja, foi transferido à seita daqueles que se dizem apóstolos ou da ordem dos Apóstolos; esta seita ou ordem é, segundo eles, a congregação espiritual enviada e reservada por Deus para estes últimos tempos" (...) "Também, segundo eles, somente aqueles que se dizem apóstolos da seita sobredita ou congregação constituem a Igreja de Deus" (Bernard GUI, op. cit., p… 87 e 89).

O caráter separatista do espírito sectário tende a manifestar-se por um comportamento singular. Já Santo Agostinho notara que "em toda religião os homens não podem se agrupar sem se distinguir por um certo número de marcas ou de sinais aparentes" (Migne P. L. XLII, col. 355). Por isso, na Idade Média, o Manual do Inquisidor de Bernard Gui apontava como sinal suspeito de heresia o afastamento do modo comum de vida dos fiéis, sem causa justa. Falando dos Pseudo-apóstolos, seguidores de Gerardo Segarelli e de Fra Dolcino, diz aquele manual: "Apesar disso, eles não são menos suspeitos (afastam-se, com efeito, em suas vidas e costumes, do uso comum dos fiéis), e porque se os vê aderir ostensivamente aos hábitos e às maneiras singulares de sua seita, pelo também porque usam uma roupa especial e distintiva, como se se tratasse do hábito de alguma comunidade religiosa: eles não pertencem, entretanto, absolutamente a nenhuma ordem aprovada pela Igreja. Há mias: essa ordem é reprovada, visto que toda vestimenta análoga à dos religiosos, se não é aprovada, é interdita e seu porte é proibido: de outro modo, qualquer pessoa não religiosa poderia usurpar em aparência essa qualidade" (BERNARD GUI, Manuel de l’Inquisiteur, edité et traduit par G. Mollat, Les Belles Lettres, Paris, 1964, vol. I, p. 105).



O REINO

Para explicar como a Igreja ficou reduzida a um pequeno número de eleitos, os sectários costumam recorrer ao Apocalipse, que fala da grande apostasia e do pequeno número que permanecerá fiel. Eles são o resto, o "residuum" fiel. Era exatamente isso que afirmavam espirituais e fraticelli, no final da Idade Média.

"Os fraticelli viam a si mesmos como o resto salvo reunido na frágil barca da Igreja verdadeira, a Arca de Noé da última idade do mundo". (M. REEVES, The Influence of Prophecy in the Later Middle Age, Oxford, St Clarendon Press, 1969, p. 227).

"Deveis saber que... no princípio da Sexta idade (da Igreja), Cristo deve enviar ao mundo um homem que teria a missão de construir uma outra Arca como a de Noé, na qual se preservará outra vez a semente dos eleitos do dilúvio dos infiéis, os quais devem ainda vir a destruir a Igreja de Cristo, como também o dilúvio dos falsos cristãos e falsos profetas, isto é, dos falsos Papas, Bispos e religiosos ... e este homem foi venerável patriarca Senhor São Francisco" (F. TOCCO, Studii Francescani, vol. III, apud M. REEVES, op. cit., p. 214).

Assim, os fraticelli profetizavam que haveria um grande castigo no qual pereceriam todos os falsos cristãos, e até muitos membros de sua própria Ordem, sendo preservados apenas um muito pequeno número de pessoas – um resíduo – que entraria na era do amor, no Reino do Espírito Santo (Cfr. M REEVES, op. cit. P. 227), no qual a lei seria abolida (Cfr. N. FALBEL, A Luta dos Espirituais Franciscanos ..., p. 123).

"No tempo da perseguição do Anticristo... os cristãos carnais serão mergulhados numa tal aflição que cairão no desespero... apostatarão e morrerão. Mas Deus esconderá os eleitos espirituais... e o Anticristo e os seus ministros não poderão descobri-los. A Igreja então será reduzida ao número de pessoas que ela contava quando da fundação da Igreja primitiva. Com dificuldade, restarão doze. Por meio deles, a Igreja será reconstituída e sobre eles o Espírito Santo espalhará seus dons tanto ou mais do que sobre os Apóstolos da Igreja primitiva ..." , diziam os Beguinos (BERNARD GUI, op. cit., p. 151). Alguns dos Beguinos diziam que até fisicamente se poderia sentir essa efusão do Espírito Santo. Outras seitas afirmam que haverá uma transformação na natureza humana: os maus terão seus corpos animalizados, enquanto os bons (os membros da seita) serão angelizados, alcandorados... A própria natureza material será mudada no Reino que virá: as águas serão mais puras, as frutas mais saborosas, o clima será doce e suave, os homens serão bons, a reprodução humana terá mais elevação perdendo seu caráter sexual e animal e passando a ser "angelical", realizando-se por meio da palavra.

Para muitas seitas, como a dos Fraticelli, dos Dolcinianos, e dos Progressistas, o Reino do Amor será comunista, sendo abolida a propriedade particular. Não mais haverá rico e pobre. Tudo será de todos.

Para os Beguinos, na Era do Amor "todo o mundo seria bom e sem pecado, e todos os bens seriam de uso comum, reinando a caridade entre os homens" (N. Falbel op. cit. P. 251).

Quanto aos Irmãos do Livre Espírito, "desde o Século XIV, alguns deles pelo menos, haviam chegado à conclusão que o estado de inocência não poderia se acomodar com a instituição da propriedade privada. Em 1317 o Bispo de Estrasburgo escrevia: Eles crêem que tudo pertence a todos, de onde eles concluem que o roubo lhes é permitido" (N. COHN – op. cit. P. 86).

Taboritas e Anabatistas seguiram pelo mesmo caminho. Em Münster, Rothman e João de Leyde estabeleceram um Reino de Deus onde vigoravam o comunismo e o amor livre (cfr. J. BOLLE, Les séduction du comunisme pp. 47 a 67)



APOCALIPSE

Sem negar a veracidade das profecias apocalípticas, devemos observar que é próprio dos grupos sectários prever o Apocalipse para depois de amanhã, e isso por duas razões:

a – porque se consideram escolhidos e dirigidos diretamente por Deus para salvar a Igreja, realizando o objetivo final da História;

b - porque não conseguindo e não querendo convencer a massa do povo - pois o "residuum" é por definição composto de poucos elementos – os sectários têm que esperar sua vitória de uma intervenção direta de Deus.

A espera dos acontecimentos apocalípticos é manipulada pelo profeta da seita para manter seus sequazes em perpétua alienação da realidade histórica e em contínua tensão psicológica. A seita vive numa expectativa histérica que a torna ávida de profecias e sinais do céu. Os sectários colecionam revelações e predições. Estão constantemente à cata de manifestações divinas, interpretando nesse sentido os fatos mais corriqueiros. São sôfregos de cataclismas. Uma inundação no Paquistão é, para eles, um novo dilúvio, ou ao menos, sua primeira chuva precursora. Um terremoto na Califórnia é o fim dos tempos que chega.

Alguns, mais modernizados, esperam o dilúvio atômico, e, para evitá-lo, organizam refúgios nas Montanhas Rochosas ou ilhas de Utopia na selva de Mato Grosso. Ao primeiro sinal do céu ou do "profeta" eles partirão para esse local de refúgio. Será um grande êxodo.



ELIAS

Nos ambientes sectários se explora muito o papel misterioso que a Escritura atribui ao profeta Elias. É muito grande o número de seitas que aguardavam o advento do profeta Elias para destruir o Anticristo e instaurar um reino milenarista.

"O que os exegetas jansenistas procuram na Escritura são inicialmente e, sobretudo os sinais do fim dos tempos, o anúncio da vitória final daqueles que eles consideram a verdade. É naturalmente ao Apocalipse que eles pedem a confirmação essencial de seus pontos de vista. Seus comentários do apocalipse são em geral tão ousados sob esse aspecto que os melhores entre eles não puderam ser publicados no século XVIII. (...) Outros esperavam para um futuro bem próximo o retorno do profeta Elias, e vários acreditaram encontrá-lo reencarnado em certos "convulsionários". Entre vários deles reaparece mesmo a velha idéia do milênio, do reino temporal de Cristo na terra durante mil anos" (Louis COGNET Le jansenisme, P.U.F., Que ais – je? Nº 960, Paris, 1961, p. 118).

Os fraticelli sequazes do heresiarca Fra Dolcino acreditavam que o advento do Anticristo era iminente, e que, quando tal se desse "Dolcino e seus seguidores seriam removidos para o Paraíso enquanto Elias e Enoch desceriam para combater" (MAJORIE REEVES, The Influence of Prophecy in the Later Middle Ages, Oxford at Clarendon Press, 1969, p. 246).

Como se sabe, a influência das doutrinas joaquimitas foi muito grande entre os movimentos heréticos no final da Idade Média. Muitos esperavam então o advento do Anticristo e de Elias. Outros pretendiam vir a ser os seguidores de Elias, quando ele chegasse. Citava-se a "profecia" joaquimita do aparecimento de uma nova ordem religiosa "que propagaria e defenderia a fé até os confins do mundo no espírito de Elias" (M. REEVES, op. cit., p. 257).

No século XIX, Pierre-Eugene-Michel Vintras profetizou a chegada do Terceiro Reino, o advento do Paráclito e de Cristo glorioso. Vintras se dizia Elias. Acreditava que ele e seus discípulos tinham a missão de revigorar o cristianismo decadente. Anunciava "a proximidade de espantosas catástrofes pelas quais a terra ia sofrer o rigor de um julgamento precursor do juízo final e a futura conversão que devia fazer pressentir a aparição de Elias, ou de um outro que teria o seu espírito e poder (PIERRE LAMBERT, Heresias Éliaques, in Élie le Prophete au Carmel, dans le judaisme me et l’Islam, Les études carmélitaines, Désclée de Brouwer, Paris, 1956, 2o vol., p. 293-294 - O sublinhado é nosso).

Curioso é que o contínuo adiamento do castigo apocalíptico não é suficiente para abrir os olhos dos sectários para a fraude com que são enganados. Ainda há poucos anos, as Testemunhas de Jeová proclamaram a todos os ventos que o fim do mundo viria em 1975. Não veio. Foi adiada para data próxima, mas ... indefinida...

Os judeus da seita de Sabbatai Tzevi esperavam que ele instaurasse o Reino messiânico em 1648, quando de sua entrevista com o sultão em Constantinopla. Na data marcada Sabbatai renegou o judaísmo e se fez muçulmano. Nem por "tão pouco" a seita se desfez (Cfr. G.G. SCHOLEM, Sabbatai Tzevi, The Mystical Messiah).

O estudo elaborado pelo Vaticano registra o fato de que as seitas "prometem o início de uma nova era, de uma época nova" (Osservatore Romano, estudo cit. 29-VI-86, p. 318). Hoje ainda, em meio à imensa crise em que o mundo se debate, e que caminha evidentemente para um desenlace trágico, as seitas exploram o temor do futuro, prometendo, após uma crise terrível o advento de uma era de felicidade, para a qual – crêem alguns - não faltará a cooperação de seres extraterrenos, vindos com os discos voadores. A imaginação humana é fértil...



O REINO... PROGRESSISTA

Não se pense que esse clima milenarista seja próprio apenas de seitas com tendências místicas. Os progressistas não escapam dos efeitos do clima atual de crise.

Os teólogos da libertação repetem os mesmos erros dos fraticelli quanto à propriedade e o futuro Reino do Amor que, eles também aguardam, será socialista (Clodovis Boff, Da libertação, p. 96), igualitário e sem classes (idem, p. 81-82). Será um reino ecumênico e não católico. É para esse reino que "Marx escreveu uma página do Evangelho" (Frei L. BOFF, "Pelos pobres, contra a pobreza", Conferência em Teófilo Otoni, editada por Dom Quirino SCHMITZ, 1983, p. 43).

"As seitas e movimentos milenaristas apresentam sempre a salvação com as seguintes características":

a. coletiva, na medida em que deverá ser gozada pelos fiéis enquanto coletividade;
b. terrena, na medida em que deverá ser realizada neste mundo e não em algum céu de outro mundo;
c. iminente, na medida em que será súbita e para breve;
d. total, na medida em que deverá transformar completamente a vida na terra, de forma que o novo estado de coisa não será apenas um aperfeiçoamento do que existe mas a própria perfeição;
e. miraculosa, na medida em que deverá ser realizada por, ou com a ajuda de, agentes sobrenaturais."(NORMAN COHN, op. cit., p. 11)



ALICIAMENTO

Quando se analisam as seitas, verifica-se que seus membros apresentam certas coincidências de origem. Norman Cohn, ao estudar as causas da grande expansão das seitas no final da Idade Média, verificou que não era a miséria ou condições econômicas adversas que estavam na raiz do problema. Pelo contrário, ele constatou que as seitas se expandiram em épocas de florescimento econômico.

A invenção de novas técnicas de tecelagem, por exemplo, ao provocar um grande desenvolvimento industrial e o crescimento das cidades, levou ao surgimento de seitas milenaristas. A possibilidade de enriquecimento mais rápido atraía para a cidade um grande número de pessoas do campo. Elas não apenas mudavam de local, mas passavam a ter um modo de vida completamente diverso. Deixavam suas famílias, seus feudos, seu ambiente natural, para irem viver isoladas nas novas cidades que nasciam e cresciam como cogumelos.

No campo, tais pessoas tinham tido uma vida profundamente estável e rotineira. Seu trabalho era sempre o mesmo, fundado no ciclo das estações que determinava a época do plantio e da colheita. A família era de caráter patriarcal, observando sempre os mesmo costumes e dando grande proteção aos seus elementos. O feudo garantia sua defesa. Nele o direito era consuetudinário e quase não variava. Os impostos e obrigações eram fixados pelos costumes e pouco mudavam. Proteção, estabilidade, imutabilidade, rotina, eram as notas características da vida e do trabalho dos servos.

Atraídos pelo surto econômico industrial, muitos camponeses acorriam às novas cidades, onde tinham que enfrentar condições totalmente contrárias às que estavam habituados. Na cidade, as leis eram diferentes e novas. Os impostos podiam variar Os aluguéis sofriam mudanças mais rápidas. O tipo de atividade era mais arriscado, podendo celeremente enriquecer uma família ou lançá-la à miséria, dependendo da situação do mercado. Nem a família patriarcal, nem o feudo existiam lá, dando proteção e segurança a seus membros. As pessoas que mudavam do campo para a cidade deixavam seus antigos grupos sociais e econômicos, passando a viver inicialmente pelo menos, sem estruturas. Tais desestruturados buscavam lançar raízes o quanto antes, agarrando-se fortemente a qualquer grupo social que os acolhesse, dando-lhes aconchego e uma nova estruturam a que se integrassem.

Ora, as seitas ofereciam a esses desestruturados, carentes de relacionamento social, necessitados de apoio e proteção, um ambiente acolhedor, uma solidariedade fraterna, uma possibilidade de integração num todo maior em que o eu de cada indivíduo, enfraquecido pela perda de estruturas antigas, se dissolvia num nós mais poderoso e protetor.. Essa integração do indivíduo desestruturado num grupo maior era mais fácil quando, à perda de estrutura, se acrescera a ruína econômica.

Nessas situações, esses desarraigados ansiavam por sair de suas necessidades e angústias, sonhando com o advento próximo da felicidade. E o sonho era proporcional à decepção em que haviam caído. Eles viam o mundo de modo completamente negativo e sonhavam com uma transformação que o tornaria róseo.

Ora, as seitas vinham satisfazer completamente essas almas, pois pintavam o mundo atual como demoníaco e prometiam para breve, após uma crise apocalíptica, o surgimento do Reino de Deus.

Não é exatamente isso que ocorre hoje com tantos migrantes, deslocados e desestruturados nas grandes metrópoles do Sul, abandonados a um anonimato angustiante? Não é exatamente entre esses deslocados que as seitas pentecostais e milenaristas recrutam com facilidade seus membros?

As seitas procuram arrebanhar novos elementos somente "entre gente poeira, de famílias poeira", porque "as famílias bem estruturadas defendem seus elementos", enquanto dos desestruturados é mais fácil arrebatar um filho, levando-o a abandonar sua casa, a viver nos ambientes sectários, dedicando-se "full time" ao trabalho sectário e esperando sua recompensa no Reino que o "profeta" promete sempre para depois de amanhã.

De fato, muitos jovens sectários são filhos de famílias destruídas pelo desquite, pela desunião, pela desestruturação social e até pela frieza dos relacionamentos familiares.



DO ANONIMATO À ELEIÇÃO

O documento-estudo elaborado pelo Vaticano a respeito das seitas concorda com essa análise. Vejam-se as seguintes passagens, que apresentam os motivos da expansão dos movimentos sectários:

"A estrutura de muitas comunidades foi destruída; os tradicionais modos de vida, desagregados; os lares, desunidos; os homens sentem-se desarraigados e sozinhos. Daí uma necessidade de proteção" (Doc. cit., nº 2.2.1)

"A crise das estruturas sociais tradicionais, dos modelos culturais e dos conjuntos tradicionais de valores – causada pela industrialização, a urbanização, o rápido desenvolvimento dos sistemas de comunicação, os sistemas tecnocráticos completamente racionais, etc. – deixa muitos indivíduos desorientados, desarraigados, inseguros e, portanto, vulneráveis" (Doc. citado, nº 3).

As sociedades modernas nascidas da Revolução Francesa consideram todos os homens iguais. Recusam-se a reconhecer a personalidade e individualidade de cada um e lançam a todos num anonimato de fichário. Cada pessoa é apenas um número. Toda desigualdade é tida como anormalidade. Evidentemente cada pessoa então, ou se sente injustiçada pelo não reconhecimento de suas qualidades, ou se julga anormal por não se encaixar no fichário dos iguais. De qualquer modo, não se enquadra. Isola-se.

No próprio seio da família, cada um vive isolado. Não há mais motivações comuns unindo os seus membros, pois o divórcio, o controle da natalidade levam os cônjuges a buscar apenas vantagens egoístas. O preconceito contra os mais velhos minou a autoridade dos pais e isolou os filhos, que marginalizados e incompreendidos em meio aos aparelhos eletrônicos do lar burguês, ou na miséria dos barracos, buscam agregar-se a uma "gang", a um grupo sectário onde têm apelido característico pessoal, onde têm alguma raiz, onde acham um ambiente que os receba enquanto pessoas.

A agregação torna-se ainda mais fácil pelo fato de que a seita se apresenta como grupo de eleitos por Deus. Do anonimato se é transferido para a eleição. Isto gera em todo elemento uma idéia de sua própria superioridade. Os membros da seita são os eleitos que têm o direito de desprezar, de condenar e que sonham eliminar, às vezes até fisicamente, os precitos que não aderem às suas crenças, ou que lhes fazem oposição. Tal eliminação física das pessoas mundanas se dará na crise apocalíptica que precederá a instauração do Reino e será feita por Deus através de cataclismas, por intervenção dos anjos, mesmo pelos membros da seita que atuarão como instrumento de cólera e da vingança divina. A crise apocalíptica destruirá toda a ordem jurídica e o "profeta" terá então todo o poder e sua vontade será lei.

Ódio e desprezo particulares e mais profundos do que para os mundanos são reservados pelos sectários aos "traidores" da seita, aos "apóstatas" que, tendo um dia compreendido a "missão do grupo" na História, o abandonaram depois e até passaram a combatê-lo. Para eles se reservam maldições e excomunhões muito especiais.

Aos que abandonaram o grupo sectário, mas que por escrúpulos continuam a dar alguma colaboração, por exemplo, financeira, trata-se com cortesia calculada, mas nem por isso são eles perdoados. "O dinheiro deles – argentum eorum – não lhes dará a salvação. Continuam apóstatas e são precitos".

O estudo do Vaticano confirma esta causa do sectarismo ao assinalar que "as pessoas têm necessidade de sair do anonimato, de construir uma identidade, de sentir que são particulares e não apenas um número ou um membro anônimo de uma multidão (...) As seitas parecem oferecer (...) a oportunidade de fazer parte de um grupo seleto" (Doc. citado, nº 21.5). (as pessoas) "sentem-se frustradas, sem base, sem lar, sem proteção, sem recursos e desesperadas, e, por conseguinte, sem motivação, abandonados na família, na escola, no trabalho, na universidade, na cidade; perdidos no anonimato, na solidão, na marginalização, na alienação, elas se dão conta de que não pertencem a nada, sentem-se incompreendidas, traídas, oprimidas, desiludidas, alienadas, sem importância, não escutadas, rejeitadas, não consideradas seriamente" (Doc. Citado nº 3).

Uma conseqüência dessa idéia da seita como Igreja dos Eleitos é a colocação do sectário acima da lei comum, seja essa lei moral ou os padrões comuns de comportamento. Para o sectário, o "bem da causa" permite tudo. O fim justifica os meios. É evidente que essa liberdade moral auto-outorgada é um forte fator de aliciamento para todos os que só encontram entraves e obstáculos na sociedade em que vivem. Já vimos que certos beguinhos julgavam que podiam roubar porque no Reino de Deus não haveria mais propriedade e por antecipação eles já estariam dispensados de respeitar a propriedade alheia.



DONOS DA VERDADE

Entre os católicos, hoje, há uma completa desorientação doutrinária. Minados pelo liberalismo, que não admite a existência de uma verdade objetiva, os católicos foram empurrados aos abismos do subjetivismo.

O próprio documento do Vaticano sobre as seitas reconhece que o rebanho "não tem diretriz", que "falta orientação" e que os católicos "não encontram dentro de Igreja satisfação de suas necessidades e aspirações" (Doc. Cit. nº 1.5).

É a esse povo desorientado que as seitas oferecem respostas simplificadoras e fáceis. A convicção com que postulam suas idéias – mesmo as mais absurdas – aparece aos olhos dos inseguros como um fator de defesa e de segurança doutrinária.

Em terra de subjetivistas, quem aparenta ter uma certeza objetiva, aparece como dono de toda a verdade. Daí o tom de superioridade doutrinária arrogante e insolente que o sectário assume ao falar de temas que ignora quase completamente. Daí se julgar dispensado de estudar. Daí seu preconceito contra todo estudo científico. Ele dispensa a ciência. O céu o ilumina. Deus lhe fala pela boca de seu profeta. Ele ignora e acha dispensável o estudo da História porque crê fazer a História, como instrumento da providência.

Em conseqüência dessas posições, o aliciamento sectário recorre mais ao entusiasmo que à razão. Ele visa a fanatizar e não a convencer.

Cristo disse aos apóstolos: "Ide e ensinai a todos os povos..." A propagação da fé se faz através do ensinamento de verdades reveladas, falando à inteligência, para mover as vontades, os corações. Por isso, desde o princípio, os apóstolos ensinaram com argumentos (Cfr. Atos dos Apóstolos e as Epístolas de São Paulo).

O entusiasmo, quando existe, é sempre fruto de pregação doutrinária. A adesão à fé é um ato fundamentalmente racional.

A propaganda sectária, pelo contrário, explora sempre as paixões – o entusiasmo, o ressentimento, o ódio – para obter daí uma adesão de vontade. Utiliza-se, via de regra, os processos hoje chamados de "lavagem cerebral".

Consequentemente, a adesão do sectário a seu grupo religioso tem sempre um caráter passional e não racional. A defesa que faz de sua crença é sempre apaixonada. Ele procura justificá-la mais com base no que ela combate do que no que ela ensina. Além disso, como a doutrina da seita é sempre contraditória, seus membros são constrangidos a não discutir os pontos de contradição, mas a fazer uma apologética global, defendendo sistema sectário em bloco, evitando teimosamente discutir os pontos e que é refutado ou em que se evidenciam as contradições.

É essa fuga da discussão das posições contraditórias da seita pela apologia global do sistema que caracteriza a técnica escorregadia e teimosa utilizada pelos sectários em suas discussões. Não há meio de convencê-los, porque eles não "ouvem" as objeções que põem em claro suas contradições. Logo, eles a cobrem com a sua "lógica globalizante" e recusam prestar atenção à objeção particular, pois consideram que fazer isso é trair a Deus e a sua causa.



TÉCNICAS

O Documento do Vaticano enumera algumas técnicas de aliciamento sectário que convém citar e comentar:

1. GRADUAÇÃO - Processo gradual de iniciação no pensamento da seita

Muitas vezes, a seita oculta completamente, dos elementos que convoca, o seu pensamento. Chega mesmo a defender o oposto do que pensa, para captar a confiança do aliciado (Cfr. doc. cit. nº 2.2). Não se recua diante da restrição mental e até da mentira para conquistar um novo adepto.

A seita dos assassinos ismaelistas, fanáticos muçulmanos xiitas, tinha como último segredo que nada era verdadeiro, e que tudo era permitido. O ateísmo, o amoralismo se ocultava por trás da fé fanática no Corão e no seu Profeta (Cfr. J. BOLLE, Les séductions du communisme - De la Bible à nos jours). É por isso que normalmente as seitas se tornam esotéricas.

2. ISOLAMENTO - Isolamento e lavagem cerebral

Os sectários procuram separar os seus novos elementos do meio em que vivem. Tiram-nos do seio de suas famílias. Impedem que freqüentem escolas. Levam-nos a trabalhar nos ambientes da seita ou para a seita. Proíbem que estudem, que leiam, que se informem, para que percam qualquer referencial, qualquer ponto de orientação fora da seita. Ao mesmo tempo, bombardeiam os aliciados com uma "doutrinação" maciça. Entre aspas porque se trata menos de uma exposição de princípio que de uma exploração das carências e esperanças do aliciado.

3. CULPA - Criação de complexo de culpa

Procuram-se também explorar complexos de culpa do aliciado insistindo sobre seu "antigo comportamento" desviado, "como o uso da droga, os erros em matéria sexual" (Cfr. doc. cit. nº 2.2), mostrando que só na seita ele conseguirá se manter no bom caminho. Para ele, fora da seita não há salvação. Sair da seita será para ele o pecado supremo.

4. ATIVISMO E MISTICISMO - Ativismo e Misticismo (cfr. 2.2)

Aos aliciados de tendência ativa, a seita procura manter em constante trabalho burocrático, manual ou de "apostolado" de casa em casa, de pessoa em pessoa, ocupando-os continuamente para impedir que pensem. Nunca se os deixa a sós. Mantêm-se esses elementos em exaltação contínua, fazendo-os crer que de sua ação depende a instauração do Reino.

Os aliciados de tendência místicas são mantidos em isolamento, em "oração contínua", sob a orientação de um sectário mais experiente que controla o falso místico, que se dirige rapidamente para a loucura.

5. LAVAGEM CEREBRAL - Lavagem cerebral

Alternância de trabalhos e atividades exaustivas ou de castigos físicos, com longas reuniões e pomposas cerimônias, levam o indivíduo a reagir de acordo com o grupo. Sessões em que se multiplicam os aplausos, as exclamações e slogans, vituperando a tibieza e exaltando a dedicação, vão alterando a consciência do aliciado.

Muitas vezes se fazem exercícios de autocrítica ou paródias de capítulos de culpa, onde todos têm o direito de apontar os defeitos ou culpas do aliciados que recebe então punições. Outras vezes dão-se ordens absolutamente contraditórias, visando a quebrar o processo lógico do aliciado.

6. MODO DE SER - Imposição de um modo de ser

"As seitas impõem com freqüência as suas próprias maneiras de pensar, de sentir e de se comportar, em nítido contraste com o método da Igreja, que requer pleno conhecimento e consenso responsável" (2.2).

De fato, muitas seitas impõem trajes particulares, maneiras de agir exóticas, modos de caminhar, de pentear, de rir, de falar, de rezar, que distinguem seu adepto da maioria dos fiéis, que o separam do povo e fazem dele literalmente um separado, um sectário. Desse modo, o comportamento do sectário tem algo de autômato. Sente-se que ele é teleguiado em suas respostas, em suas atitudes e até em seus movimentos.

7. LÍDER - Importância atribuída ao líder

"Alguns grupos chegam até a diminuir (no caso das seitas "cristãs") o papel do Cristo em proveito da pessoa do fundador" (2.2).

A adesão a um homem substitui a adesão à Igreja. Tal substituição se faz paulatinamente apresentado-se o "profeta" ou líder carismático como protótipo do homem religioso, como a encarnação da Igreja e, finalmente, como superior e preferível a ela.

É por isto que toda seita tem, em sua raiz, uma figura humana, enquanto a verdadeira Fé só pode ter Deus em sua origem primeira.



CONCLUSÃO

Quando se contempla o quadro tão doloroso de decadência da Igreja no século XX, com a perda de tantas almas envolvidas pelas insídias da heresia sob o olhar, mais do que complacente, cúmplice – é o termo adequado – dos pastores que deviam guiá-las, é difícil não pensar na Grande Apostasia predecessora do Anticristo, de que fala o Apocalipse. Não caiamos, porém no erro comum dos sectários de ver o Apocalipse se realizando a cada passo da História. Só Deus é quem sabe quando será a hora da grande tentação. Em todo caso, o século XX registra – segundo muitas autoridades – a pior crise de toda a História da Igreja.

Temos, porém a promessa de Nossa Senhora em Fátima de que, por fim, Ela e a Santa Igreja triunfarão. Mais ainda temos a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo de que as portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja de Deus.

Como se parecem as heresias! Como são parecidos os hereges!

Lendo a obra "O mundo de ponta-cabeça", na qual o historiador marxista Christopher Hill descreve as seitas protestantes da Inglaterra do século XVII, tem-se a impressão de que ele está falando dos movimentos e seitas progressistas nascidas do Vaticano II ou dos delírios e absurdos defendidos pelo super moderno século XX.

O livre exame da Bíblia, pregado por Lutero contra o Papado, desencadeou uma avalanche de interpretações que fragmentaram o protestantismo em mil grupos diversos, cada um dos quais dizendo-se a igreja dos eleitos.

Diante dessa confusão doutrinária, duas atitudes eram possíveis. Uma postura intransigente de uma seita contra todas as outras, o que contradizia o princípio fundamental da Reforma, ou uma defesa da tolerância completa, que levava a longo termo o ceticismo.

"A tolerância religiosa é o pior de todos os males, pensava Thomas Edwards em 1646. Começará trazendo o ceticismo em matéria doutrinária e a falta de vergonha na conduta da vida, para depois chegar ao ateísmo. Se for adotada a tolerância, nem toda a pregação do mundo, impedirá a propagação das heresias" (Christopher Hill – op. cit., p. 109).

O princípio, ainda que enunciado por um sectário, nem por isso é menos exato. Estamos em posição de compreendê-lo bem, tendo sob os olhos o que vem acontecendo desde que o Concílio Vaticano II pregou a liberdade de consciência e o ecumenismo. Multiplicaram-se as seitas, cresceram às apostasias, os vícios inundaram a Terra. A fé foi substituída pelo sectarismo e, afinal, pelo ceticismo.

Com efeito, o ceticismo é o termo lógico da negação da existência de uma só religião verdadeira.

Essa marcha da fanática adesão a um princípio falso – o livre exame – até o ceticismo, se verificou também com relação à Bíblia.

De fato, a Reforma proclamou a Bíblia como a única fonte de revelação, mas deixou a todo fiel o direito de interpretá-la como quisesse. Como resultado, passou-se rapidamente de uma bibliolatria à negação da Bíblia, chegando-se a chamá-la de livro contraditório, responsável por todos os males religiosos, políticos e sociais do mundo.

"Os protestantes haviam pensado que tudo seria harmônico entre eles. Desde que se afastassem das tradições da Igreja em favor do texto da Bíblia; porém, junto ao clero reformado a Bíblia agrava, em vez de atenuar, os conflitos. ‘Mentes tenebrosas que mergulham nas Escrituras delas extraem mentiras suficientes para incendiar países inteiros’" (p. 259).

"Dizia-se então que, segundo os ranters, a Bíblia ‘foi causa de toda a nossa miséria e de nossas divisões... de todo o sangue que foi derramado no mundo" (...) "’Nunca haverá paz’, entendiam alguns ranters, "enquanto não forem queimadas todas as Bíblias’ (...) ‘A Bíblia era a peste da Inglaterra’" (255).

É claro que a marcha para o ceticismo foi acompanhada pela queda nos piores vícios. Aqueles que se julgavam os eleitos e predestinados ao céu, acreditavam que haviam sido reconduzidos ao estado de inocência de Adão antes da queda. Para eles nada era pecado e nada poderia fazer com que perdessem o céu a que Deus os predestinara.

Os quakers aboliram, a cerimônia sacramental do matrimônio, substituindo-a por uma simples comunicação à congregação (cfr. p. 299). Outros puseram em vigor o casamento temporário (p. 301). "John Robins deu aos seus discípulos permissão para que trocassem de mulheres e maridos – e, ‘para dar um exemplo’, trocou a sua" (idem).

"John Hall defendeu a causa do nudismo feminino, não (como se dizia que entendiam os adamitas) como um símbolo de uma inocência recuperada, porém porque a nudez seria menos provocante do que as roupas que as mulheres trajavam" (p. 301). Ao mesmo tempo, porém, havia quem declarasse que as mulheres não têm alma. Elas seriam como os gansos" (cfr. 301).

Para Abiezer Coppe, "o adultério, a fornicação e a impureza não constituem pecado", e "ter mulheres em comum é coisa legítima". Lawrence Clarkson defendeu a mais completa liberdade sexual. Segundo ele, até o adultério seria puro para os puros (cfr. p. 302). Esse pregador protestante radical chegou aos extremos do antinomismo. O único meio de libertar-se do pecado seria cometê-lo. A consciência é que criaria o pecado. A redenção estaria em sua abolição. Segundo ele, "para o autêntico puro ‘o Demônio é Deus; o inferno, céu; o pecado, santidade; a condenação, salvação: isso, e apenas isso, é a primeira ressurreição" (p. 324).

Se as doutrinas da predestinação aliadas ao livre exame produziram a corrupção dos que se julgavam eleitos, no outro extremo, entre os que eram atormentados pelo temor de estarem predestinados ao inferno, as conseqüências também eram péssimas. Desesperados da Salvação, ou se abandonavam a todos os vícios ou se matavam.

Com razão comenta Hill que "a abolição do purgatório, efetuada pela Reforma protestante, com efeito, deixava uma eternidade de beatitude ou de tormentos como a única alternativa para cada indivíduo" (p. 175). "A predestinação, concedia Helwys, em 1611, faz com que alguns se desesperem, pensando que para eles não há graça e que Deus decretou a sua destruição. E deixa outros completamente despreocupados, sustentando esses que, se Deus decretou que serão salvos, hão de sê-lo, e, se decretou que serão condenados, também o serão" (p. 176).

Do ponto de vista político, a Reforma começou por revoltar-se contra o Papado, atribuindo todo poder aos reis e fomentando, assim, o absolutismo monárquico. Calvino levou o igualitarismo religioso e político mais além. Não aceitava bispos nem reis. Defendia a república. Por sua vez, as seitas puritanas radicais, que não admitiam sequer presbíteros, recusavam-se a aceitar a propriedade particular e preconizavam a adoção do comunismo de bens e de mulheres. Com razão dizia Jaime I que o lema desses sectários era "no Bishops, no King, no Nobility". E poderia acrescentar: "no owners, no property".

O igualitarismo dos sectários radicais exigia que até nas fórmulas de tratamento se combatesse a desigualdade. Todos deviam ser tratados apenas por tu, nunca por Mister. Logo se percebeu que "esses que hoje introduzem o Tu e o Ti acabarão (se puderem) expulsando o Meu e o Teu, dissolvendo em confusão toda a propriedade" (Fuller, Church History, apud Hill, p. 254).

Com efeito, embora os puritanos radicais do século XVII inglês não contassem com as "luzes" de D. Aloísio Lorscheider, nem pudessem ser "conscientizados" pela Teologia da Libertação, eles já diziam que "é do Senhor a terra e tudo o que ela produz. Ele a deu aos filhos dos homens, em geral, e não a uns poucos arrogantes que dela se valem para dominar seus irmãos" (p. 239). Como Boff, um herege puritano, Burrough, denunciava toda "Dominação é tirania e opressão terrenas... mediante as quais algumas criaturas foram exaltadas e elevadas acima das outras, calcando a seus pés e desprezando os pobres" (239-240). E outro agitador puritano afirmava que "os pobres são aqueles em que está a benção, pois são os primeiros a acolher o Evangelho" (p. 54). "Para Winstanley", como hoje para a Teologia da Libertação, "o ‘verbo da justiça’, o ‘Evangelho’ significavam o comunismo e a subversão da ordem social vigente" (p. 54).

"Em 1657, Roger Crab alegou que amar o próximo como a si mesmo era incompatível com a acumulação de propriedades: ‘todas as nossas propriedades não passam de fruto da maldição divina’". (p. 320).

Em muitos outros pontos as seitas protestantes radicais, que chegaram à defesa do comunismo e do antinomismo, se assemelham ao que vemos ocorrer hoje em dia.

Tais semelhanças são frutos da adoção dos princípios igualitários, que conduziriam a Cristandade do feudalismo ao bolchevismo.

Muitos viram, ainda no séc. XVII, aonde chegariam os desvarios sectários. Thomas Case disse, em maio de 1647 na Câmara dos Comuns, que, se fosse dada liberdade aos sectários, "eles em pouco tempo virão também a saber que têm por nascença um direito a se libertarem do poder dos Parlamentares e reis, bem como a tomarem armas contra ambos, quando estes não votarem ou agirem de acordo com os seus humores. Isso que eles chamam, falsamente, de liberdade de consciência pode rápido converter-se em liberdade de terras, em liberdade de casas, em liberdade de esposas" (p. 112).

Falava então Case para a Câmara dos Comuns. Teria que mudar suas palavras se falasse ao Vaticano II ou à CNBB?
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