Mostrando postagens com marcador Santos e Santas. Mostrar todas as postagens


O dia 01 de Novembro a Igreja celebra a solenidade de todos os santos, fazendo memória de todos aqueles que já estão no céu e não tem um reconhecimento litúrgico, mesmo porque a Igreja não tem como conhecer todos os santos. Por isso, todos os filhos de Deus que já estão no céu são santos, pessoas que viveram com perfeição e luta o seguimento de Cristo e as Virtudes do evangelho. Pense que até membros de sua família podem estar na comunhão dos santos rezando por você, minha avó, meu pai, minha mãe e um primo que faleceu aos dois anos de idade, eu creio que eles estão no céu. Santidade é a vocação universal de todos os batizados: “E nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos no amor”. (Efésios 1,4)

“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo”. (Lv 11,44), (I São Pedro 1,15).

Não celebramos Halloween, celebramos a Santidade de Deus que santifica os seus filhos. Não as bruxas e Sim aos santos.

165. Em que sentido a Igreja é santa?

A Igreja é santa, porque Deus Santíssimo é o seu autor; Cristo entregou-se por ela, para santificá-la e fazer dela santificadora; e o Espírito Santo vivifica-a com a caridade. Nela se encontra a plenitude dos meios de salvação. A santidade é a vocação de cada um dos seus membros e o fim de cada uma das suas atividades. A Igreja inclui no seu interior a Virgem Maria e inumeráveis Santos, como modelos e intercessores. A santidade da Igreja é a fonte da santificação dos seus filhos, que, aqui, na terra, se reconhecem todos pecadores, sempre necessitados de conversão e de purificação.“Quando recebeu o livro, os quatro Animais e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfume (que são as orações dos santos)”. (Apocalipse 5,8)

564. Como é que os Santos são guias de oração?

Os santos são modelos de oração e a eles pedimos para, junto da Santíssima Trindade, intercederem por nós e pelo mundo inteiro. A sua intercessão é o mais alto serviço que prestam ao desígnio de Deus. Na comunhão dos santos, desenvolveram-se, ao longo da história da Igreja, diversos tipos de espiritualidade, que ensinam a viver e a pôr em prática a oração: “Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono”. (Apocalipse 8,3)

O que diz a Igreja:194.

O que significa a expressão comunhão dos santos?

Indica, antes de mais, a participação de todos os membros da Igreja nas coisas santas (sancta): a fé, os sacramentos, em especial a Eucaristia, os carismas e os outros dons espirituais. Na raiz da comunhão está à caridade que «não procura o próprio interesse» (1 Cor 13, 5), mas move o fiel «a colocar tudo em comum» (At. 4, 32), mesmo os próprios bens materiais ao serviço dos pobres.

195. O que significa ainda a expressão comunhão dos santos? Designa ainda a comunhão entre as pessoas santas (sancti), isto é, entre os que, pela graça, estão unidos a Cristo morto e ressuscitado. Alguns são peregrinos na terra; outros, que já partiram desta vida, estão a purificar-se, ajudados também pelas nossas orações; outros, enfim, gozam já da glória de Deus e intercedem por nós. Todos juntos formam, em Cristo, uma só família, a Igreja, para louvor e glória da Trindade. Essa é a nossa fé, por isso, podemos pedir a intercessão de todos os santos conhecidos e desconhecidos, rezemos:

Deus eterno e todo-poderoso, que nos dais celebrar numa só festa os méritos de todos os santos, concedei-nos, por intercessores tão numerosos, a plenitude da vossa misericórdia. Por nosso senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém

Você pode se perguntar: Quantos santos existem, está na Bíblia?

“Era uma imensa multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Apoc 7, 9).

Meus amigos santos são: a Virgem Maria, Santa Teresinha, são João Maria Vianey, são Pe. Pio, São Francisco de Assis, são Luiz, São João Bosco, Bem-aventurados Jacinta e Francisco… Todos os santos de Deus, rogai por nós!

No dia1º de novembro, Solenidade de Todos os Santos, feriado também na Itália, o Santo Padre o Papa Bento XVI, como é tradição aos domingos e dias santos, apareceu à janela dos seus aposentos, na Praça de São Pedro, ao meio-dia (hora local), para a recitação da oração mariana do Ângelus, como sempre antecedida de uma alocução.

"Como num jardim onde se admira grande variedade de plantas e de flores", observou o Papa, "há um sentimento de maravilhosa surpresa que toma posse de nós quando consideramos o espetáculo da santidade: "O mundo aparece-nos como um jardim onde o Espírito de Deus suscitou com admirável fantasia uma multidão de santos e santas, de todas as idades e condições sociais, de cada língua, povo e cultura. Cada um é diferente do outro, com a singularidade da sua personalidade humana e do carisma espiritual próprio. Mas todos levam impresso o sigilo de Jesus, a marca do seu amor, testemunhado através da Cruz".

Bento XVI observou que "a solenidade de Todos os Santos se foi afirmando no decurso do primeiro milênio cristão, como celebração coletiva dos Mártires". E continuou: "Foi assim que já no ano 609 o Papa Bonifácio IV consagrou o Pantheon de Roma dedicando-o à Virgem Maria e a todos os Mártires. Aliás este martírio, podemos entendê-lo em sentido lato, isto é, como amor por Cristo sem reservas, amor que se exprime no dom total de si a Deus e aos irmãos".

"Trata-se", observou ainda o Papa, "do caminho das bem-aventuranças evangélicas que a liturgia propõe neste dia. É o próprio caminho traçado por Jesus e que os santos e santas se esforçaram por percorrer, embora conscientes dos seus limites humanos. Na sua existência terrena, eles foram pobres em espírito, amargurados em razão dos pecados, mansos, com fome e sede de justiça, misericordiosos, puros de coração, operadores de paz, perseguidos pela justiça".

"E Deus participou-lhes a sua própria felicidade: puderam saboreá-la um pouco já neste mundo, e, no além, gozam-na agora em plenitude. São agora consolados, herdeiros da terra, saciados, perdoados, vêem a Deus. Numa palavra: deles é o Reino dos céus. Neste dia sentimos reavivar-se em nós a atração em direção ao Céu, que nos leva a apressar o passo da nossa peregrinação terrena. Sentimos acender-se nos nossos corações o desejo de nos unirmos para sempre à família dos santos, de que temos desde já a graça de fazer parte", concluiu o Pontífice.


Como já sabemos, as chamadas “pílulas de papel” de Frei Galvão teria feito milagres. Contudo,
é importante observar que nem Frei Galvão nem qualquer santo realiza milagres. Só Deus os
faz, só Ele é dono do ordinário e do extraordinário. Podemos sim, pedir a intercessão de um
santo – que está no Céu, participando da bem-aventurança permanente, em comunhão com a
SS. Trindade – para que Deus, este sim, atenda, conforme Sua Soberana Vontade, nossos
pedidos e, caso seja necessário, realize um prodígio extraordinário.
Existe, como já sabemos, a Comunhão dos Santos ou a grande família dos filhos de
Deus, na qual uns intercedem pelos outros.
O caso do milagre que permitiu a canonização de Frei Galvão foi singular e nos explica
muito acerca dos desígnios do Senhor. O casal Sandra Grossi de Almeida e César Augusto
Calafassi não eram casados na Igreja e a mulher tinha má formação do útero. Ao tomar as pílulas
conseguiram ter o filho Enzo. Muitas foram as pesquisas e, por fim, o milagre foi reconhecido
pela Igreja.
Deus aprova que o casal não tenha se casado e presenteou-os com um milagre? Não. O
pecador é alguém que recebeu a graça necessária para ser bom e rejeitou esta mesma graça.
Deus dá a graça para qualquer um de seus filhos. Deus é bom para os justos e para os
pecadores e vale lembrar que o casal Sandra e César aceitou tal sinal e regularizou sua vida
conjugal.
Ainda sobre as pílulas, Deus é Soberanamente Livre para servir-se de qualquer
instrumento para derramar suas graças, para manifestar seu poder.
Em 1 Cor 14,21s, por exemplo, vemos que inclusive fora da Igreja o sinal de Deus
poderá se manifestar. Um milagre é um sinal de Deus apropriado justamente para aqueles que
não têm fé dos que aqueles que a possuem.
21. Na lei está escrito: Será por gente de língua estrangeira e por lábios estrangeiros que
falarei a este povo; e nem assim me ouvirão, diz o Senhor (Is 28,11s).
22. Assim, as línguas são sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; enquanto as profecias
são um sinal, não para os infiéis, mas para os fiéis. ( 1 Cor 14,21s)
FONTE DE PESQUISA:area do site Pergunte e Responderemos nº 542, de D. Estevão Bettencourt.


corpo de santa Rita de Cássia.


O que são os corpos incorruptos? Significam milagres
realmente? Só acontece no seio da Igreja Católica? Como a Igreja
Católica se posiciona a respeito desse fenômeno? Tentarei,
resumidamente, responder a estas questões e a outras, relacionadas
com o tema.
Trata-se de um fenômeno próprio da Igreja Católica: corpos
incorruptos de santos e beatos. Prodígio este nunca visto antes e
nem fora da mesma. Tem acontecido somente na vida dos místicos
ou santos. Os corpos corruptos pertencentes a outras igrejas são
do tempo em que estavam unidas à Igreja Católica.
Existem três tipos de preservação dos corpos. Analise atentamente este quadro e compare as espécies:

Preservação Artificial

Esta técnica data de 3000 a.C. Devem
ser os egípcios os criadores desta forma
de preservação dos corpos. Este
procedimento se chama embalsamento.
O cérebro e os órgãos internos são
retirados. A cavidade craneana é
preenchida com resina quente e a
cavidade abdominal, com produtos
conservantes. Todo o corpo, então, era
colocado em carbonato de sódio trazido
do deserto da Líbia. Era desidratado
durante 60 dias e depois era limpo com
várias especiarias e azeite. Era envolto
em pelo menos 350 metros de algodão
ou linho. O corpo era acompanhado com
as jóias preferidas do defunto, para
serem úteis na viagem para a
eternidade. Depois de todo este preparo,
ía para o sarcófago. Tal processo
também foi usado pelos incas no Peru e
pelos Lamas, no Tibet.
Os corpos ficam rígidos e secos.

Preservação Acidental

As regiões de clima quente e seco são
propícias para este fenômeno. O terreno
seco e quente permite rápida evaporação
dos fluídos do corpo interrompendo a
dissolução dos órgãos internos,
impedindo a decomposição.
As melhores preservações naturais foram
encontradas no Egito, Peru e no México.
No Chile foi encontrado o corpo de um
menino preservado pelo gelo. Na
Alemanha, pela radiação do solo. Na
Rússia, nas covas com componentes
ricos em calcário.
Lembrete: todos estes corpos não
permaneceram perfeitos e fora destes
ambientes se decompõem.
Os corpos ficam rígidos e secos.


Incorruptibilidade(corpos incorruptos)


Os corpos incorruptos não ficam rígidos e
secos, mas estão, em sua maioria, úmidos e
flexíveis, em alguns casos há muitos séculos. E
mais: estão em condições naturais que
ajudariam na decomposição do corpo!!!
Trata-se da preservação milagrosa de um
corpo, e como tal não obedece a nenhuma
lei natural – solo quente seco, terreno rico
em calcário, solo radiativo etc – e nem foram
embalsamados. Alguns até exalam algo
como que perfume!
Para as técnicas anteriores demonstradas, é
preciso que o corpo seja rapidamente colocado
em lugar que favoreça sua preservação. No
caso dos corpos incorruptos de alguns santos,
o enterro aconteceu muito tempo depois de sua
morte, impossibilitando esta condição. São
Bernardino de Sena, por exemplo, ficou 26
dias exposto. Santa Ângela de Merici, 30 dias;
Santa Teresa Margarida do Sagrado Coração,
50 dias!

Na história da Igreja Católica existem centenas de relatos comprovados de fenômenos de incorrupção parcial e de corpos incorruptos, como o de Santa Rita de Cássia.
Santa Catarina Labouré, por exemplo – a serva de quem Nossa Mãe incumbiu de divulgar a Medalha Milagrosa – morreu
em 31 de dezembro de 1876. Depois de exatos 56 anos seu corpo foi encontrado em perfeito estado de conservação, apesar do
seu tríplece ataúde estar em péssimo estado, devido ao excesso de umidade – e olha que o clima seco ajuda na preservação! O
seu corpo encontra-se exposto na capela Milagrosa, em Paris.
Existem casos de incorrupção parcial, isto é, apenas alguns órgãos são preservados, mas o restante do corpo é
destruído. Um caso é o de Santo Antônio de Pádua (1195-1231). Somente a língua foi preservada. Depois de 400 anos de sua
morte, estava vermelha e perfeitamente intacta. Mesmo sem explicações científicas, podemos afirmar que permaneceu a
recordação do seu incansável ministério de pregação da Palavra de Deus.
Mas, por fim, qual a posição da Igreja?
1o) A Igreja não canoniza levando em conta somente se o corpo é incorrupto;
2o) Concílio de Trento declara que os corpos dos santos mártires e outros que vivem agora com Cristo podem ser
venerados, pois lembram a glória, o poder e a soberania de Deus sobre todas as leis naturais;
3o) Papa Bento XIV (1740-1758), em um documento sobre beatificação e canonização, explica quais as condições para
considerar milagrosa a conservação de um corpo: corpos incorruptos desintegrados após alguns anos não devem ser
considerados, por exemplo.
Segundo o documento acima citado, somente são milagres divinos os corpos incorruptos que permanecessem com certa
flexibilidade, cor e semblante semelhante a quando os santos estavam vivos!
Todas estas informações foram retiradas por mim do livro Católico pode ou não pode? Por quê? 2a Parte, da editora
Ágape, de Pe. Alberto Gambarini e espero, fielmente, que as dúvidas possam ter sido esclarecidas.


O objetivo deste pequeno estudo é esclarecer alguns questionamentos acerca das canonizações, dado que atualmente muitos têm questionado a validade de algumas canonizações, gerando dúvida e confusão entre os católicos.



I- O que é uma canonização?

Denomina-se de canonização o ato pela qual a Igreja declara que um determinado indivíduo praticou em sua vida terrena as virtudes em grau heróico e alcançou a santidade. Ou seja, a Igreja quando canoniza, declara que o indivíduo canonizado está no Céu e que pode interceder por nós diante de Deus. “Por canonização (= consignação no cânon ou no catálogo) entende-se a sentença definitiva pela qual o Sumo Pontífice declara estar algum servo de Deus na glória celeste e prescreve, lhe seja conseqüentemente prestada pública veneração.”1

“Acolhendo esses sinais e a voz do Senhor com maior reverência e docilidade, a Sé Apostólica, desde tempos imemoriais, pela importante missão que lhe foi concedida de ensinar, santificar e governar o povo de Deus, propõe à imitação, veneração e invocação dos fiéis homens e mulheres que sobressaem pelo fulgor da caridade e das outras virtudes evangélicas, declarando-os Santos e Santas num ato solene de Canonização, depois de ter realizado as investigações oportunas.”2

O Processo de canonização mudou várias vezes durante a história, mas sempre esteve presente no processo uma forma de reconhecimento através da Sé Romana.3

A canonização refere-se ao culto público e universal, diferente da beatificação, que refere-se ao culto público e local.



II- Conceito católico de Santidade

A Igreja Católica ensina que a santidade consiste em viver na Graça de Deus: “Os seguidores de Cristo, chamados por Deus e justificados no Senhor Jesus, não por merecimento próprio mas pela vontade e graça de Deus, são feitos, pelo Baptismo da fé, verdadeiramente filhos e participantes da natureza divina e, por conseguinte, realmente santos. É necessário, portanto, que, com o auxílio divino, conservem e aperfeiçoem, vivendo-a, esta santidade que receberam. O Apóstolo admoesta-os a que vivam acorro convém a santos» (Ef. 5,3), acorro eleitos e amados de Deus, se revistam de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, mansidão e paciência» (Col. 3,12) e alcancem os frutos do Espírito para a santificação (cfr. Gál. 5,22; Rom. 6,22).”4

Consiste também em entregar-se totalmente para a Glória de Deus e a Salvação das almas: “É, pois, claro a todos, que os cristãos de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade (123). Na própria sociedade terrena, esta santidade promove um modo de vida mais humano. Para alcançar esta perfeição, empreguem os fiéis as forças recebidas segundo a medida em que as dá Cristo, a fim de que, seguindo as Suas pisadas e conformados à Sua imagem, obedecendo em tudo à vontade de Deus, se consagrem com toda a alma à glória do Senhor e ao serviço do próximo. Assim crescerá em frutos abundantes a santidade do Povo de Deus, como patentemente se manifesta na história da Igreja, com a vida de tantos santos.”5 A Santidade é um chamado a todos os cristãos, e é possível através da Graça de Deus, das boas obras e da observância dos mandamentos.6

Este é o ensinamento que se encontra no novo catecismo. Portanto mostra que é falso a afirmativa de que após o Concílio Vaticano II a Igreja tenha alterado o conceito de santidade.



III- Canonização e Infalibilidade

São infalíveis as Canonizações? A infalibilidade das canonizações é aceita pela maioria dos teólogos e canonistas, entre eles três Doutores da Igreja: Santo Antônio de Pádua, São Roberto Bellarmino e Santo Tomás de Aquino. Não há nenhum texto do Magistério que seja favorável a tese de falibilidade das canonizações.

Podemos deduzir que as canonizações são infalíveis devido ao fato de o culto público e universal de um santo ser intimamente ligado às questões de fé, na qual a Igreja e o Papa são infalíveis. É este o parecer extremamente considerável de Santo Tomás de Aquino: “Dado que a honra que professamos aos santos é em certo sentido, uma profissão de fé, isto é, uma crença na glória dos santos, devemos piamente crer que, neste assunto, também o juízo da Igreja está livre de erro.”7

As canonizações também estão conectadas com a questão moral, como afirma D. Estevão Bettencourt: “Ora uma sentença de canonização toca a moral do povo cristão, pois propõe à veneração e à imitação dos fiéis uma pessoa que, não há dúvida, representa um ideal de doutrina e de vida bem caracterizado. Não se pode conceber, pois, que o Sumo Pontífice, em declarações feitas solenemente ao orbe católico, não indique as pessoas correspondentes a tal propósito, ou seja, autênticos santos [...].”8

Podemos ainda deduzir que as canonizações são infalíveis ao observarmos as expressões comumente utilizadas nas Bulas de Canonização9:

“[...] reunindo o consistório de nossos irmãos [os cardeais], e tendo obtido o consentimento deles, decretamos que o inscrevíamos no catálogo dos santos para a devida veneração. Estabelecemos que a Igreja universal celebre devotamente e com solenidade o seu nascimento para o céu no dia 4 de outubro, o dia em que, livre do cárcere da carne, subiu ao Reino celeste.”10

Já nas beatificações, são comuns expressões do tipo: “[...] com a nossa Autoridade Apostólica concedemos que o Venerável Servo de Deus Clemens August von Galen doravante possa ser chamado Beato [...]”11

Vemos, portanto, que enquanto os documentos de beatificação expressam uma permissão, consentimento, concessão; os documentos de canonização expressam um mandato, uma prescrição, ordem.

Outro fator que devemos aqui considerar é o que diz respeito aos chamados fatos dogmáticos, que são fatos conectados às verdades de fé: "No que se refere ás verdades em conexão com a revelação por necessidade histórica, e que devem admitir-se de modo definitivo sem contudo poderem ser declaradas como divinamente reveladas, podem servir de exemplo a legitimidade de eleição do Sumo Pontífice ou da celebração de um Concílio Ecumênico, as canonizações dos santos (fatos dogmáticos)".12

Quanto ao critério desta infalibilidade a maioria concorda que se refere a declarar infalivelmente que o indivíduo canonizado alcançou a Salvação.13



IV- Canonização e Unidade de culto

Sabemos que a Igreja Católica é caracterizada pela unidade e universalidade. Esta unidade consiste em três: unidade de governo (O Papa e os Bispos em comunhão com ele), de Fé (uma só Doutrina) e de Culto (sobretudo através dos sacramentos).14

Podemos observar que a veneração pública e universal dos santos está intimamente ligada à unidade de culto da Igreja. Afinal, como poderia a Igreja, Una e Católica, não ter um consenso sobre os santos que devem ser venerados?

Aceitando as canonizações estamos fazendo profissão de fé na Unidade da Igreja e na Comunhão dos Santos.



V- Os perigos de se duvidar de uma canonização

Diz o Papa Bento XIV: “Aquele que ousasse afirmar que o Pontífice teria errado nesta ou naquela canonização, e que este ou aquele santo por ele canonizado não deveria ser honrado com culto de dulia, qualificaríamos, senão como herético, entretanto como temerário; como causador de escândalo a toda a Igreja; como injuriador dos santos como favorecedor dos hereges que negam a autoridade da Igreja na canonização dos santos; como tendo sabor de heresia, uma vez que ele abriria caminho para que os infiéis ridicularizassem os fiéis; como defensor de uma preposição errônea e como sujeito a penas gravíssimas.”15

De fato, se refletirmos adequadamente, perceberemos o quão verdadeiras são estas palavras de Bento XIV. Quem questiona uma canonização causa escândalo, dúvida e confusão entre os fiéis católicos, e favorece os hereges que negam as canonizações da Igreja. Por em dúvida uma canonização, é por em dúvida todas as canonizações, é duvidar do juízo Divino da Igreja na questão de fé e de moral. Além do que fere a unidade de culto da Igreja.

Imagine-se o quão embaraçoso seria para uma paróquia um fiel que não prestasse culto a determinados santos. Certamente ele geraria divisão nesta paróquia e abriria caminho para um juízo subjetivo e individual acerca das canonizações. Aliás, é aí que reside o perigo principal: o subjetivismo e o relativismo. É como se fosse uma espécie de “livre-exame” das canonizações! E isso é erro protestante! Contra essa tese temerária temos o testemunho de um Papa e de três santos Doutores da Igreja.

Por fim, lembremo-nos da assistência que o Espírito Santo dá a Santa Igreja e consideremos a seguinte lógica: sendo que a Igreja é infalível ao ensinar acerca de Fé e Moral de maneira definitiva e universal, quando ela declara que alguém está no Céu e manda que este seja venerado publicamente e em toda a Igreja, ela não pode errar. É um absurdo admitir que a Igreja ordene a veneração pública e universal de um indivíduo que não esteja na Glória Celeste!

Bendito seja Deus nos seus anjos e nos seus santos!


Olhando o dicionário, podemos encontrar a seguinte definição de relíquia: "Parte do corpo de um san­to: qualquer objeto que lhe pertenceu".


As relíquias são usualmente guardadas em receptáculos chamados relicários. Existem três classificações de relíquias: primeira classe que é a parte do corpo de um santo (osso, unha, cabelo, etc); segunda classe são objetos pessoais de um santo (roupa, cajado, pregos da cruz, etc) e as de terceira classe que inclui pedaços de tecidos que tocaram no corpo do santo, ou, no relicário onde uma porção do seu corpo está conservada.

A Igreja Católica, consciente de que a Santidade do próprio Deus refulge e manifesta-Se em Seus Santos, venera, admira, e, invoca a intercessão dos mesmos, certo de que este procedimento, longe de ofender a Deus, ou de afastar os homens d'Ele, é algo que muito lhe agrada e muito favorece a Vida Cristã.

A Igreja respeita e conserva, com amor, os lugares aonde viveram os Santos, e, também, os seus restos mortais e objetos que lhes pertenceram na sua peregri­nação sobre a terra. Tudo isto, lugares, objetos e restos mortais dos Santos, ajudam-nos a nos lembrar deles, das suas vidas, dos seus exemplos de virtude, da necessida­de de também nós trilharmos o caminho da Santidade, de que eles, mesmo no Céu, não nos abandonaram, mas ainda estão conosco, nos ajudam e intercedem por nos.

As Relíquias dos Santos conservam-nos a sua precio­sa memória, ajudam-nos a mantermo-nos em comunhão com eles, e, também, são instrumentos dos favores di­vinos através da celeste intercessão destes amigos de Deus. Através do contato com tais relíquias, Deus pode conceder (e concede) graças para o Seu povo ainda peregrino sobre a Terra.

Veneremos sempre os Santos e suas Relíquias, na certeza de que Deus é admirável nos Seus Santos, de que estes são as Suas obras primas, e de que, também nós, somos chamados a condividir o Seu glorioso destino no Paraíso.


Conheça a chamada Grande Revelação, que o divino Coração de Jesus, fez a Margarida Maria Alacoque durante a Festa de Corpus Christi em 1675.



Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências, sacrilégios, e pela tibieza e desprezo que têm para comigo na Eucaristia. Entretanto, o que Me é mais sensível é que há corações consagrados que agem assim. Por isto te peço que a primeira sexta-feira apósa oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar Meu Coração, comungando neste dia, e O reparando pelos insultos que recebeu durante o tempo em que foi exposto sobre os altares”.

“Prometo-te que Meu Coração se dilatará para derramar os influxos de Seu amor divino sobre aqueles que Lhe prestarem esta honra”.

Jesus apareceu-lhe numerosas vezes de 1673 até 1675. Dos seus colóquios com Nosso Senhor distinguem-se classicamente 12 promessas. Eis alguns extratos da Mensagem do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria. (10)

“Os fiéis acharão, pelo intermédio desta devoção amável, todos os socorros necessários ao seu estado, ou seja, a paz nas suas família, o alívio nos seus trabalhos, as bênçãos do Céu em todas as suas empresas, a consolação nas suas misérias, e é propriamente neste sagrado Coração que alcançarão um lugar de refúgio durante toda a vida e principalmente na hora da sua morte”.

“O Meu divino Salvador fez-me compreender que aqueles que trabalham pela salvação das almas encontrarão a arte de comover os corações mais empedernidos e trabalharão com um êxito maravilhoso se eles mesmos estiverem penetrados de uma terna devoção ao divino Coração”.

“Asseverando-Me que Ele recebia um contentamento singular em ser honrado sob a figura deste Coração de carne, cuja imagem desejava fosse exibida em público, com a finalidade –acrescentou– de tocar por seu intermédio o coração insensível dos homens; prometendo-me que derramaria em abundância todos os dons que possui em plenitude sobre todos aqueles que O honrassem; e que em todo lugar em que esta imagem fosse ostentada para ser objeto de especial honra ela atrairia toda sorte de bênçãos”.

“Sinto-me totalmente imersa neste divino Coração; (...) estou como num abismo sem fundo onde Ele me revela os tesouros de amor e de graça que concede às pessoas que se consagram e sacrificam para lhe render e alcançar toda a honra, amor e glória de que são capazes”.

“Confirmou-me o contentamento que recebe em ser amado, conhecido e venerado pelas suas criaturas e tão grande que prometeu-me que todos aqueles que Lhe sejam devotados e consagrados não morrerão jamais”.

“Numa sexta-feira, durante a Sagrada Comunhão, disse estas palavras à sua indigna escrava: “Prometo-te, na excessiva misericórdia do meu Coração, que o seu amor onipotente obterá a todos aqueles que comunguem nove primeiras sextas-feiras do mês seguidas a graça da penitência final, que não morrerão na minha desgraça, sem receber os seus sacramentos e que o Meu divino Coração será o seu refúgio assegurado no último momento”. “Nada temas, Eu reinarei apesar dos meus inimigos e de todos aqueles que procurarão opor-se”.

“Este amável Coração reinará, apesar de Satanás. Isto me arrebata de alegria.” “Afinal reinará, este amável Coração, apesar de todos os que se quererão opor. Satã e todos os seus seguidores serão confundidos”


Neste 4 de outubro, Solenidade de Nosso Seráfico Pai São Francisco, terão início as comemorações em todo o mundo pelo Oitavo Jubileu de Fundação da Ordem Franciscana. Ou seja, há oito séculos um grupo de doze homens se apresentou ao Papa Inocêncio III para pedir-lhe que reconhecesse e aprovasse seu projeto de vida evangélica, a "Proto-regra". "E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do santo Evangelho. E eu o fiz escrever com poucas palavras e de modo simples, e o senhor Papa mo confirmou" (Test 14-15).

Este Especial quer indicar alguns textos que podem servir de subsídios para entender este tempo da graça das origens e também para celebrar o Santo que exerce um fascínio tão grande sobre os homens, de tal modo que, São Francisco não é um patrimônio religioso exclusivo da Ordem Franciscana ou da Igreja Católica, mas está além das fronteiras do Cristianismo. Grande parte são textos oficiais ou documentos da Ordem e, para completar, um pouco mais do que se escreve sobre o Poverello de Assis.

O documento da FFB, "Reviver o Sonho de Francisco e Clara de Assis no chão da América Latina e Caribe", conclui magistralmente ao falar deste Jubileu. "Ao celebrarmos 800 anos do Carisma Franciscano temos a ocasião de reacender em nós a chama do carisma, sopro do Espírito, que um dia irrompeu em Francisco e Clara, suscitando em torno deles a numerosa família de irmãos e irmãs, à qual temos a graça de pertencer. Que Francisco e Clara, paradigmas luminosos do peregrinar evangélico, invoquem sobre nós o Espírito que os conduziu, como Elias o invocou sobre Eliseu. E que assim possamos reviver o sonho de Francisco e Clara no chão da América Latina e Caribe: sermos presenças evangélicas, fraternas, densamente humanas, que procuram recriar, neste Continente, uma história parecida com a que eles viveram nos distantes primórdios. E isto, por estarmos, eles e nós, animados do mesmo Espírito e seguindo os passos do mesmo Jesus Cristo, humilde e servidor".

A Carta da Conferência da Família Franciscana (CFF), assinada pelos Ministros Gerais (superiores maiores) de todas as ordens franciscanas, com data de 29.11.2006, lembrou que este duplo movimento – ações de graças pelo chamar novamente a viver o Evangelho e a purificação da memória como reconhecimento das sombras da nossa família – deve nos levar a afrontar o desafio da refundação. “A experiência de oito séculos nos ensina que, como Francisco, temos sempre que retomar de novo o nosso itinerário de penitência evangélica que é a conversão, pôr em prática com gestos concretos para encarnar com a vida, pessoal e comunitária de cada dia, qualquer coisa da novidade e da juventude do Evangelho. Desde o primeiro século da nossa história, não temos cessado de “renascer”. (cf. Jo 3,3), como é testemunhado ainda hoje pelos nossos diferentes ramos e pelas centenas dos nossos Institutos. E é por isto que devemos alcançar as raízes, os “fundamentos”, ou seja, descobrir a maravilha da “força de Deus”, o Evangelho (Rm 1,16), a boa nova do Amor de Deus por nós e da comunhão com Ele, que a nós se oferece. Só sobre tal fundamento se pode construir um edifício sólido, uma verdadeira comunidade em missão na Igreja e no mundo. Este momento de graça - kairós - que vivemos no presente, nos coloca à prova, nos revelando a nossa fraqueza, mas nos convidando sobretudo a contar com o poder de Deus”, conclui.

Por último, Frei Regis Daher, assinala: “O projeto celebrativo da Ordem “A Graça das origens”, propõe para os anos 2008-2009 a meta: “Com espanto e gratidão, celebrar o grande dom de nossa vocação, para que o restituamos através de palavras e da vida” (p.20-21). Talvez este restituir, mais do que uma forma de anunciar (através de palavras) e de cultivar (através da vida) o dom da própria vocação, seja o reconhecimento de que esse dom não nos é dado numa única vez e de forma definitiva, mas que “ainda o recebemos diariamente da generosidade do Pai de toda misericórdia [...] e quanto maior e mais perfeita, mais ao Pai é devida” (TestC 1-4)”.



TEXTO EXTRAIDO DO SITE DA PROVINCIA DA IMACULADA CONCEIÇÃO. WWW.FRANCISCANOS.ORG.BR
Frei João Mannes, OFM
No dia 17 de setembro celebra-se a festa da impressão das chagas de São Francisco de Assis. Os estigmas que Francisco recebeu em 1224, no Monte Alverne, após uma visão do Cristo crucificado em forma de Serafim alado, são sinais visíveis de sua semelhança à humanidade de Cristo, nos seus três modos: na vida, na paixão e na ressurreição.

Francisco encontrou-se pela primeira vez com o Crucificado na pequena Igreja de São Damião. Num certo dia, conduzido pelo Espírito, entrou nessa Igreja e prostrou-se diante da imagem do Cristo crucificado que, movendo de forma inaudita os seus lábios, disse: “Francisco, vai e restaura minha casa que, como vês, está toda destruída” (2Cel 10,5). E, conta-nos Celano, que Francisco sentiu desde então uma inefável mudança em si mesmo, pois são impressos mais profundamente no seu coração, embora ainda não na carne, os estigmas da venerável paixão.

No entanto, foi ao ouvir o Evangelho acerca da missão dos apóstolos (Mt 10, 7-13), que Francisco compreendeu o real significado da voz do Crucificado, e imediatamente exclamou: “É isto que eu quero, é isto que eu procuro, é isto que eu desejo fazer do íntimo do coração” (1Cel 8,22). Assim, sob o toque ou o apelo de uma afeição, começou devotadamente a colocar em prática o que ouvira, isto é, distribuiu aos pobres todos os seus bens materiais, bem como renegou-se a si mesmo para que, exterior e interiormente livre, pudesse ir pelo mundo e anunciar aos homens a paz, a penitência e, enfim, o amor não amado de Deus.

O amor que é Deus realizou-se na sua profundeza, largura e altitude na pessoa de Jesus Cristo. A encarnação, o estábulo, o lava-pés e a Eucaristia são expressões concretas do modo de amar como só o Deus de Jesus Cristo pode e sabe amar. Porém, foi especialmente ao entregar incondicional e gratuitamente a sua vida na Cruz, que o Filho de Deus revelou à humanidade que Deus é essencialmente caridade perfeita.

Francisco, por inspiração divina, abraçou pobre e humildemente a cruz de Jesus e deixou-se impregnar, arrebatar e transformar totalmente pelo espírito de abnegação divina. Isso quer dizer que a imitação de Cristo, por parte de Francisco, não é mera repetição mecânica dos gestos exteriores de Jesus, mas é manifestação de sua profunda sintonia com a experiência originária de Jesus Cristo: o Reino de Deus. Somente quem possui o Espírito do Senhor pode observar “com simplicidade e pureza” a Regra e o Testamento de São Francisco e realizar em si mesmo as santas operações do Senhor.

Na Terceira consideração dos sacrossantos estigmas considera-se que, aproximando-se a festa da Santa Cruz no mês de setembro, o pai Francisco, na hora do alvorecer, se pôs em oração, diante da saída de sua cela, e entre lágrimas orava desta forma: “Ó Senhor meu Jesus Cristo, duas graças te peço que me faças antes que eu morra: a primeira é que em vida eu sinta na alma e no corpo, quanto for possível, aquelas dores que tu, doce Jesus, suportaste na hora da tua acerbíssima paixão; a segunda é que eu sinta no meu coração, quanto for possível, aquele excessivo amor do qual tu, Filho de Deus, estavas inflamado para voluntariamente suportar uma tal paixão por nós pecadores”(I Fioretti)). E, relata Boaventura que, enquanto Francisco rezava, “viu um Serafim que tinha seis asas (cf. Is 6,2) tão inflamadas quão esplêndidas a descer da sublimidade dos céus. E [...] apareceu entre as asas a imagem de um homem crucificado que tinha as mãos em forma de cruz e os pés estendidos e pregados na cruz. [...] Imediatamente começaram a aparecer nas mãos e nos pés dele os sinais dos cravos” (LM 13,3). Assim, Francisco transformara-se todo na semelhança de Cristo crucificado (cf LM 13,5). Pois, de fato, trazia Jesus no coração, na boca, nos ouvidos, nos olhos, nas mãos, nos sentimentos e em todos os demais membros (cf. I Cel 9,115), e conseqüentemente podia exclamar com o apóstolo Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

O Pobre de Assis, no seguimento de Jesus Cristo, perdeu a sua própria vida, mas recuperou-a inteiramente em Deus, de acordo com a palavra do Evangelho: “Quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la” (Mt 12,25). Todavia, Francisco não somente reencontrou a si mesmo em Deus, como filho de Deus, mas a todos os seres do universo. O Cântico das Criaturas, que compôs pouco antes de sua morte corporal, é expressão jubilosa dessa intensa experiência eco-espiritual: “Louvado sejas meu Senhor, com todas as tuas criaturas”.

O pai Francisco tornou-se assim um mestre na sequella Iesu. De imediato despertou o fascínio de muitas pessoas e atraiu muitos discípulos e discípulas, entre as quais, Santa Clara. Clara e suas Irmãs, a exemplo de Francisco, também querem chegar ao cimo da montanha da perfeição do amor. A propósito subscrevemos parte do VII capítulo (Do perfeito amor de Deus) de um interessantíssimo opúsculo que Boaventura escreveu à abadessa das Irmãs, do convento de Assis, sobre A perfeição da vida:

“Não é possível excogitar um meio mais apto e mais fácil para mortificar os vícios, para progredir na graça, para atingir o auge de todas as virtudes do que a caridade. Por isso diz Próspero, no seu livro Sobre a vida Contemplativa: “A caridade é a vida das virtudes e a morte dos vícios”. Como a cera se derrete diante do fogo, assim os vícios perecem diante da caridade. Porque a caridade possui tanto poder que só ela fecha o inferno, só ela abre o céu, só ela dá a esperança da salvação, só ela nos torna dignos do amor de Deus. Tal poder possui a caridade que entre todas as virtudes só ela é chamada propriamente virtude. Quem a possui é rico, tem abundância, é feliz. [...] E diz Santo Agostinho: “Se a virtude conduz a uma vida bem-aventurada, eu quisera afirmar em absoluto que nada é propriamente virtude senão o sumo amor de Deus”. Sendo, por conseguinte, o amor de Deus uma virtude tão elevada, cumpre insistir em alcançá-lo acima de todas as demais virtudes; porém, não um amor qualquer, mas só aquele com que Deus é amado sobre todas as coisas e o próximo por amor de Deus.

O modo de amar a teu Criador ensina-o o teu esposo no evangelho: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Repara bem, caríssima serva de Jesus Cristo, que amor o teu dileto esposo exige de ti. Quer o teu amado que ao seu amor dediques todo o teu coração, toda a tua alma, todo o teu espírito, de sorte que absolutamente ninguém em todo o teu coração, em toda a tua alma, em todo o teu espírito, tenha parte com ele. Que, pois, fará para amares o Senhor teu Deus realmente de todo o coração? Que quer dizer: de todo o coração? Vê como São João Crisóstomo ensina: “Amar a Deus de todo o coração significa não estar o teu coração inclinado a nenhuma outra coisa mais do que ao amor de Deus; não te comprazeres nas coisas desse mundo mais do que em Deus, nem nas honras, nem mesmo nos pais. Se, todavia, o teu coração se ocupar em alguma destas coisas, já não o amas de todo o coração”. Peço-te, serva de Cristo, não te iludas. Fica sabendo que, se amas alguma coisa, e não a amas em Deus e por Deus, já não o amas de todo o coração. Por isso diz Santo Agostinho: “Senhor, menos te ama quem ama alguma coisa contigo”. Se amas alguma coisa que não te faz progredir no amor de Deus, não o amas de todo coração. E se, por amor de alguma coisa, negligencias aquilo que deves a Cristo, já não o amas de todo o coração. Ama, pois, o Senhor teu Deus de todo o coração.

Não somente de todo o coração, mas também de toda a alma devemos amar a Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Que significa: de toda a alma? Vai dizê-lo Santo Agostinho: “Amar a Deus de toda a alma é amá-lo com toda a vontade, sem restrições”. Amarás, certamente, de toda a alma, se sem contradição e de boa vontade fizeres não o que tu queres, nem o que aconselha o mundo, nem o que te inspira a carne, mas aquilo que reconheceres como sendo a vontade de Deus. Amarás, de fato, a Deus de toda a tua alma quando por amor de Jesus Cristo entregares de boa vontade tua vida à morte, sendo necessário. Se nisto, porém, faltares, já não amas de toda a alma. Ama, pois, ao Senhor teu Deus de toda a tua alma, isto é, faze a tua vontade sempre em conformidade com a vontade divina.

Entretanto, não só de todo o coração, não só de toda a alma, deves amar o teu esposo, Jesus Cristo. Ama-o também de todo o teu espírito. Que quer dizer: de todo o teu espírito? Di-lo novamente Santo Agostinho: “Amar a Deus de todo o espírito, é amá-lo com toda a memória, sem esquecimento”. (in: Obras Escolhidas. Porto Alegre: EST, 1983, p. 433-435).


Mês de setembro, mês da Bíblia. Não dá para falar de São Francisco de Assis sem associá-lo à Palavra de Deus. A Igreja deu a ele o título merecido de "Homo Totus Evangelicus" e Frei Hugo Baggio escreve: "Ele soube verdadeiramente sentir a Palavra, não como um conjunto de símbolos ou uma transcrição escrita de uma fala de Jesus, mas como um ser vivo, palpitante, que podia ser tocado e cujo toque provocava calafrios e cujo som como que enchia os ares. Tocar no livro que continha a Palavra de Deus era como tocar no próprio Cristo".

Frei Hugo lembra ainda que a relação Evangelho-Francisco, por todos os autores de seu tempo aos nossos dias, foi percebida como uma verdadeira revolução. "Se de um lado causa admiração como o Evangelho estava marginalizado pela Igreja, melhor dito, pelos homens da Igreja, do outro lado, causa admiração como Francisco, numa simplicidade comovente, faz com que o Evangelho volte ao centro da vida cristã e faça com que a mensagem de Cristo se transforme em vida".

Neste Especial, oferecemos alguns textos que mostram como o Evangelho pautou a vida de Francisco e serviu para fundamentar a Regra da Ordem dos Frades Menores. Como diz Elói Leclerc, no livro "Francisco de Assis, o Retorno do Evangelho", o que dá à experiência evangélica franciscana sua verdadeira dimensão e seu poder de sedução é, precisamente, esse encontro entre o Evangelho e as aspirações profundas do homem, entre a mensagem de Jesus e as forças criativas da história". Para complementar, textos da Bíblia Sagrada, da Editora Vozes, são didáticos e ajudam a entender melhor o Livro dos Livros.


A Virgindade de Maria Santíssima



Inviolata, integra et casta es, Maria: Quae es effecta fulgida coeli porta. O Mater alma Christi carissima: Suscipe pia laudum praeconia. Te nunc flagitant devota corda et ora; Nostra ut pura pectora sint et corpora. Tua per preclara dulcisona: Nobis concedas veniam per saecula. O benigna! O Regina! O Maria! Quae sola inviolata permansisti.

Inviolada, ítegra e casta sois, Maria; E porta fulgente do céu, Excelsa Mãe amantíssima de Cristo; Recebei os piedosos louvores de nossos cantos! Com fervor, de boca e coração vos rogamos, para sermos puros de corpo e alma. Por vossas preces e rogos tão doces. Alcançai-nos perdão para todo o sempre. Ó benigna! Ó Rainha! Ó Maria! A única sem mancha!



A VIRGINDADE DE MARIA SANTÍSSIMA



I - Sem nenhuma dúvida devemos afirmar que a mãe de Deus foi Virgem, mesmo no parto. Pois o Profeta não só disse « Eis que uma virgem conceberá », mas acrescentou: « e dará à luz um filho ». (Is 7, 14)



Há três razões que mostram por que convinha que assim fosse:



1ª. Porque correspondia ao que é próprio daquele que iria nascer, ou seja o Verbo de Deus. Porque o Verbo não só é concebido no coração sem corrupção, mas procede do coração também sem corrupção. Por isso, para que ficasse manifesto que aquele corpo era do Verbo de Deus em pessoa, era conveniente que nascesse do seio incorrupto de uma virgem. Assim se lê: « Aquela que dá à luz a carne deixa de ser virgem. Mas porque o Verbo nasceu da carne, o próprio Deus protegeu a virgindade, mostrando assim que ele é o Verbo. Pois, nem mesmo o nosso verbo ao ser gerado corrompe a alma, nem Deus, o Verbo substancial. ao escolher nascer, destrói a virgindade. »



2º. É também conveniente no que diz respeito ao efeito da encarnação de Cristo. Pois ele veio precisamente para tirar a nossa corrupção. Por isso não seria conveniente que, ao nascer, destruísse a virgindade da mãe. Eis por que, afirma Agostinho: « Não seria justo que, aquele que vinha sarar a corrupção, violasse a integridade com sua vinda ».



3º. Era conveniente que, aquele que mandou honrar os pais, não diminuísse a honra da mãe ao nascer.



Cristo, porém, juntou o admirável com o simples. Para mostrar que o seu corpo é verdadeiro, nasce de uma mulher; para mostrar sua divindade, nasce de uma virgem. Um nascimento assim era digno de Deus, como diz Santo Ambrósio num hino de Natal.



E assim, a Bem Aventurada Virgem deu à luz sem dores; houve, sim, a maior alegria, porque nasceu para o mundo o homem Deus, como diz Isaías: « Que a terra se cubra de flores dos campos, que ela exulte e grite de alegria ». (Is 35, 1-2)



II - A Virgem bem-aventurada permaneceu virgem depois do parto.



Diz-se em Ezequiel: « E o Senhor disse-me: Esta porta estará fechada; não se abrirá, e ninguém passará por ela; porque o Senhor Deus de Israel entrou por esta porta » (44, 42). Agostinho comenta assim este texto: « Que significa 'porta fechada na casa do Senhor' a não ser que Maria permanecerá sempre intacta? E que significa 'o homem não passará por ela' a não ser que José não a 'conhecerá'? E que significa 'só o Senhor entra e sai por ela', a não ser que o Espírito Santo a fecundará e o Senhor dos anjos nascerá dela? E qual o sentido de 'estará fechada para sempre' a não ser que Maria é virgem antes do parto, no parto e depois do parto? »



Sem nenhuma dúvida devemos detestar o erro de Celvídio, que pretendia ter sido a mãe de Cristo, depois do parto, conhecida por José e ter gerado outros filhos. Pois isto vai contra a perfeição de Cristo que, assim como pela sua natureza divina é o Unigênito do Pai, como o seu Filho em tudo perfeito, assim também convinha que fosse o unigênito da mãe, como seu fruto perfeitíssimo.


Introdução

Desde os tempos apostólicos a Igreja ensina que os que morreram na amizade do Senhor, não só podem como estão orando pela salvação daqueles que ainda se encontram na terra. Tal conceito é conhecido como a intercessão dos santos.

A Doutrina

Sobre a doutrina da intercessão dos santos, o Catecismo da Igreja Católica ensina:

“Pelo fato que os do céu estão mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a toda a Igreja na santidade… Não deixam de interceder por nós ante o Pai. Apresentam por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, os méritos que adquiriram na terra… Sua solicitude fraterna ajuda, pois, muito a nossa debilidade.” (CIC 956)

Por tanto para a Igreja Católica, os santos intercedem por nós junto ao Pai, não pelos seus méritos, mas pelos méritos de Cristo Nosso Senhor, o único Mediador entre Deus e os homens.


Objeções

Os adeptos do fundamentalismo bíblico normalmente apresentam uma série de objeções à doutrina da intercessão dos santos. Neste artigo iremos confrontar as principais:

1a. objeção: Cristo é o único mediador entre Deus e os homens.

Esta é a principal objeção à doutrina da intercessão dos Santos. Os adeptos desta objeção fundamentam sua posição em 1 Tim 2,5 onde lemos: “Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus”. Para eles, a Sagrada Escritura não deixa dúvidas de que só Jesus pode interceder pelos homens junto a Deus.

Se isto é verdade, por que São Paulo ensinaria que nós cristãos devemos dirigir orações a Deus em favor de outras pessoas? Vejam 1Tim 2,1: “Acima de tudo, recomendo que se façam súplicas, pedidos e intercessões, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade.”

No exposto acima não está São Paulo nos pedindo para que sejamos intercessores (mediadores) junto a Deus por todas as pessoas da terra? Estaria então o Santo apóstolo se contradizendo? É claro que não. A questão é que a natureza da mediação tratada no versículo 1 é diferente da do versículo 5.

A mediação tratada em 1Tm 2,5 refere-se à Nova e Eterna Aliança. No AT a mediação entre Deus e os homens se dava através da prática da Lei. No NT, é Cristo que nos reconcilia com Deus, através de seu sacrifício na cruz. É neste sentido que Ele é nosso único mediador, pois foi somente através Dele que recuperamos para sempre a amizade com Deus, como bem foi exposto por São Paulo: “Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos.” (Rom 5,19)

Por tanto, a exclusividade da medição de Cristo refere-se à justificação dos homens. A mediação da intercessão dos santos é de outra natureza, referindo-se à providência de Deus em favor do nosso semelhante. Desta forma, o texto de 1Tm 2,5 dentro de seu contexto não oferece qualquer obstáculo à doutrina da intercessão dos santos.

2a. objeção: os santos não podem interceder por que após a morte não há consciência

Os defensores desta objeção usam como fundamento as palavras do Eclesiastes: “Com efeito, os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem mais nada; para eles não há mais recompensa, porque sua lembrança está esquecida.” (Ecl. 9,5) e ainda “Tudo que tua mão encontra para fazer, faze-o com todas as tuas faculdades, pois que na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria.” (Ecl. 9,10).

Já que a Bíblia é um conjunto coeso de livros, não podemos aceitar a doutrina da “dormição” ou “inconsciência” dos mortos simplesmente pelo fato de que há versículos claros na Sagrada Escritura que mostram que os mortos não estão nem “dormindo” e nem “inconscientes” (cf. Is 14, 9-10; 1Pd 3,19; Mt 17,3; Ap 5,8; Ap 7,10; Ap 6,10); o que faria alguém pensar que há contradições na Bíblia.

A questão é que os versículos citados do Eclesiastes não fazem referência a um estado mental dos mortos, mas sim ao infortúnio espiritual em que se encontram por causa do lugar onde estão. Os mortos os quais os textos se referem são aqueles que morreram na inimizade de Deus, e não a qualquer pessoa que morreu. Vejamos os versículos abaixo:

“Ignora ele que ali há sombras e que os convidados [da senhora Loucura] jazem nas profundezas da região dos mortos.” (Prov 9,18)

“O sábio escala o caminho da vida, para evitar a descida à morada dos mortos.” (Prov 15,24)

Os versículos acima mostram que a região dos mortos é um lugar de desgraça, onde são encaminhados os inimigos de Deus. Isto é ainda mais evidente em Prov 15,24. O sábio é aquele que guarda a ciência de Deus, este quando morrer não vai para a “morada dos mortos”. As expressões “morada dos mortos” ou “região dos mortos” fazem alusão a um lugar de desgraça, onde os inimigos de Deus estão privados da Sua Graça.

Voltando aos versículos do Eclesiastes, o escritor sagrado ao escrever que para os mortos “não há mais recompensa”, “não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria”, refere-se unicamente ao infortúnio que existe “na região dos mortos, para onde” eles vão. Eles quem? Os que estão mortos para Deus.

Por tanto, dentro de seu contexto, os versículos do Eclesiastes também não oferecem qualquer imposição à doutrina da intercessão dos santos.

3a. objeção: os santos não podem ouvir as orações dos que estão na terra porque não são oniscientes e nem onipresentes

São Paulo nos ensina que a Igreja é o corpo de Cristo . Desta forma, os que estão unidos a Cristo através de seu ingresso na Igreja, são membros do Seu corpo. Isso quer dizer que tantos nós que estamos na terra, como os que já morreram na amizade do Senhor, todos somos membros do Corpo Místico de Cristo, onde Ele é a cabeça. Vejam:

São Paulo ensina que a Igreja é corpo de Cristo: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.” (Col 1,24)
São Paulo ensina que somos membros do corpo de Cristo e por isto os cristãos estamos ligados uns aos outros: “assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro.” (Rom 12,5)
São Paulo ensina que Cristo é a cabeça do seu corpo que é a Igreja: “Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja.” (Col 1,18)
Isso quer dizer que nós e os santos (que estão na presença de Deus) estamos ligados, pois somos membros de um mesmo corpo, o corpo de Cristo, que é a Igreja.

Assim como minha mão direita não pode se comunicar com a esquerda sem que esse comando tenha sido coordenado pela minha cabeça (caso contrário seria um movimento involuntário), da mesma forma, no Corpo de Cristo os membros não podem se comunicar sem que essa comunicação aconteça através da cabeça que é Cristo. Desta forma, quando nós pedimos para que os santos intercedam por nós junto a Deus (comunicação de um membro com o outro no corpo de Cristo), isso acontece através de Cristo. Assim como a nossa cabeça pode coordenar movimentos simultâneos entre os vários membros de nosso corpo, Cristo que é a cabeça da Igreja e é onisciente e onipresente possibilita a comunicação entre os membros do Seu corpo.

Por tanto, a falta de onipresença e onisciência dos santos não apresenta qualquer impedimento para que eles conheçam ou recebam nossos pedidos e então possam interceder por nós junto a Deus.

4a. objeção: nós não podemos dirigir nossa orações aos santos pois isto caracteriza evocação dos mortos que é severamente proibida na Bíblia.

Esta objeção baseia-se principalmente nos versículos abaixo:

“Não se ache no meio de ti quem pratique a adivinhação, o sortilégio, a magia, o espiritismo, a evocação dos mortos: porque todo homem que fizer tais coisas constitui uma abominação para o Senhor” (Dt 18, 9-14) (grifos nossos).

“Se uma pessoa recorrer aos espíritos, adivinhos, para andar atrás deles, voltarei minha face contra essa pessoa e a exterminarei do meio do meu povo. (…) Qualquer mulher ou homem que evocar espíritos, será punido de morte” (Lev 20, 6 - 27). (grifos nossos).

Conforme vimos, Deus abomina a evocação dos mortos. No entanto, há uma diferença tremenda entre evocar os mortos e dirigir nossos pedidos de orações aos santos.

A evocação dos mortos é caracterizada pelo pedido de que o espírito do defunto se apresente e então se comunique com os vivos como se ainda estivesse na terra. Esta prática é condenada por Deus, pois em vez de confiarmos na Providência Divina quanto ao futuro e às coisas que necessitamos, deseja-se confiar nas instruções dos espíritos. Conforme a Sagrada Escritura dá testemunho em I Samuel 28.

Na intercessão dos santos, não estamos pedindo que o santo se apresente para “bater um papo” a fim obter qualquer tipo de informação, mas sim, dirigimos a eles nossos pedidos de oração, como se estivéssemos enviando uma carta solicitando algo (o que é bem diferente de evocar mortos). Na intercessão dos santos continuamos confiando na Providência Divina, pois os santos são apenas mediadores. Quem atende aos nossos pedidos é Deus.

Desta forma, as proibições divinas quanto à prática de espiritismo não se aplicam à doutrina da intercessão dos santos.

5a. objeção: não há sequer uma única referência bíblica em relação à intercessão dos santos

Há diversos versículos bíblicos que mostram que os santos oram na presença de Deus. Vejamos:

“Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.” (Ap 6,9-11).

No trecho acima, os santos estão clamando a Deus por Justiça. Alguém poderia dizer: “mas eles estão intercedendo por eles mesmos e não pelos que ficaram na terra”. Ora, e o que impede que o façam pelos que estão na terra? São Paulo mesmo não recomenda que oremos pelos outros? (cf. 1Tm 2,1). Por alguma razão estariam os santos incapazes de continuarem orando pelos que estão na terra? Ora, alguém que esteja no seu juízo perfeito, há de convir que, o fato dos santos estarem na presença de Deus, não é motivo impeditivo para que intercedam pelos outros, muito pelo contrário, não há melhor lugar e momento para fazê-lo. Veja ainda:

“Os quatro viventes e os vinte e quatro anciões se prostraram diante do Cordeiro. Tinha cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos” (Ap 5,8). “A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.” (Ap 8,4).

Nos versículos acima os santos oram para Deus. Por que estariam orando, já que estão salvos e gozando da presença do Senhor? Oram em nosso favor, para que os que estão na terra também possam um dia estar com eles na presença do Senhor.

No livro do profeta Jeremias lemos:

“Disse-me, então, o Senhor: Mesmo que Moisés e Samuel se apresentassem diante de mim, meu coração não se voltaria para esse povo. Expulsai-o para longe de minha presença! Que se afaste de mim!” (Jr 15,1).

No tempo do profeta, ambos Moisés e Samuel estavam mortos. Que sentido teria este versículo caso não fosse possível que os dois intercedessem por Israel?

O Testemunho dos primeiros cristãos

Vejamos agora o que professava os cristãos no tempo em que não havia divisão na Cristandade, em relação à doutrina da intercessão dos santos:

“O Pontífice não é o único a se unir aos orantes. Os anjos e as almas dos juntos também se unem a eles na oração” (Orígenes, 185-254 d.C. Da Oração).

“Se um de nós partir primeiro deste mundo, não cessem as nossa orações pelos irmãos” (Cipriano de Cartago, 200-258 d.C. Epístola 57)

“Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos”. (Santo Hilário de Poitiers, 310-367 d.C).

“Comemoramos os que adormeceram no Senhor antes de nós: patriarcas, profetas, Apóstolos e mártires, para que Deus, por suas intercessões e orações, se digne receber as nossas.” (São Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. Catequeses Mistagógicas).

“Em seguida (na Oração Eucarística), mencionamos os que já partiram: primeiro os patricarcas, profetas, apóstolos e mártires, para que Deus, em virtude de suas preces e intercessões, receba nossa oração” (São Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. Catequeses Mistagógicas).

“Se os Apóstolos e mártires, enquanto estavam em sua carne mortal, e ainda necessitados de cuidar de si, ainda podiam orar pelos outros, muito mais agora que já receberam a coroa de suas vitórias e triunfos. Moisés, um só homem, alcançou de Deus o perdão para 600 mil homens armados; e Estevão, para seus perseguidores. Serão menos poderosos agora que reinam com Cristo? São Paulo diz que com suas orações salvara a vida de 276 homens, que seguiam com ele no navio [naufrágio na ilha de Malta]. E depois de sua morte, cessará sua boca e não pronunciará uma só palavra em favor daqueles que no mundo, por seu intermédio, creram no Evangelho?” (São Jerônimo, 340-420 d.C, Adv. Vigil. 6).

“Portanto, como bem sabem os fiéis, a disciplina eclesiástica prescreve que, quando se mencionam os mártires nesse lugar durante a celebração eucarística, não se reza por eles, mas pelos outros defuntos que também aí se comemoram. Não é conveniente orar por um mátir, pois somos nós que devemos encomendar suas orações” (Santo Agostinho, 391-430 d.C. Sermão 159,1)

“Não deixemos parecer para nós pouca coisa; que sejamos membros do mesmo corpo que elas (Santa Perpétua e Santa Felicidade) (…) Nós nos maravilhamos com elas, elas sentem compaixão de nós. Nós nos alegramos por elas, elas oram por nós (…) Contudo, nós todos servimos um só Senhor, seguimos um só Mestre, atendemos um só Rei. Estamos unidos a uma Cabeça; nos dirigimos a uma Jerusalém; seguimos após um amor, envolvendo uma unidade” (Santo Agostinho, 391-430 d.C. Sermão 280,6)

“Por vezes, é a intercessão dos santos que alcança o perdão das nossas faltas (1Jo 5,16; Tg 5,14-15) ou ainda a misericórdia e a fé” (São João Cassiano. 360-435 d.C. conferência 20).

Conclusão

Como pudemos ver, a doutrina da intercessão do santos, não é invenção do catolicismo (como pensam alguns), mas sim, uma legítima doutrina cristã, embasa tanto nas Sagradas Escrituras, quanto na Tradição Apostólica. Os primeiros cristãos jamais tiverem dúvidas quanto a ela (note que este tema jamais foi centro de disputas conciliares). Esta doutrina confirma o Amor de Deus para conosco e Seu plano de que sejamos uns para outros instrumentos deste Amor.


artigo em homenagem a patrona do site, a sublime santa franciscana irmã clara

Em 11 de agosto de 1253, Santa Clara entra na glória eterna; já no dia seguinte seu corpo é levado para a Igreja de São Jorge onde também repousa Francisco. No dia 3 de outubro de 1260, o corpo é exumado e colocado na Basílica de Santa Clara; ali permanece perto do altar com uma simples inscrição: "Aqui jaz o corpo da Virgem Santa Clara", protegido pelo brilho de uma lâmpada e as preces silenciosas de suas filhas que guardaram este fato no segredo de seus corações.

Em 1849 a República Italiana escolhe Assis como sede do governo e não tem boa relação com as instituições religiosas. No meio de conflitos e inventários, perseguições e desordem civil e espiritual, a Abadessa Clara Columba Angeli, resolve procurar o corpo da venerável Mãe Clara, para que a grande dama de Assis seja um verdadeiro sinal de paz e unidade para um momento sofrido da história italiana. Neste mesmo ano, o cardeal Marini, prefeito da Congregação dos Ritos, visita Assis para a festa dos Estigmas, e, num encontro com as Clarissas, conversam sobre o encontro dos restos de São Francisco em 1813. A Abadessa aproveita a ocasião e diz: " Eminência, já que o Sol deixou-se encontrar, não é necessário que a Lua tenha também o seu lugar?"

No dia 6 de agosto de 1850 recebem autorização do governo civil para a exumação. No dia 23 do mesmo mês, em silêncio e sempre à noite, os trabalhos começam acompanhados pelo vigário episcopal Luigi Alexandri, do Delegado para os Religiosos Pe. Giuseppe Morichelli, e o especialista em escavações Marco Rondini. Oito dias depois encontravam o túmulo onde o corpo da santa fora depositado há 6 séculos. No dia 23 de setembro, com a presença do Bispo de Perugia, Giocecchino Pecci (futuro Papa Leão XIII), o químico Purgotti, o arqueólogo Antonini e o diretor do arquivo municipal de Assis Paolo Cesini abriram o sarcófago. Não havia nenhuma inscrição junto com os restos mortais. O corpo de Clara tinha o fino semblante intacto, a pele estava sombria e bem colada aos ossos. Uma coroa de honra feita no século XIII estava perfeita. Os ramos de tomilho que enfeitavam o corpo permaneciam conservados. O corpo todo estava em estado de esqueleto na disposição normal dos ossos. A cabeça inclinada sobre o ombro esquerdo, o braço esquerdo sobre o peito e o direito estendido ao longo do corpo. Um fio de pó branco recobria o esqueleto. O corpo foi erguido e colocado num relicário. Uma grande relíquia foi mandada a Roma.

"Um Tríduo foi celebrado em ação de graças nos dias 26, 27 e 28 de setembro, depois que a urna foi aberta uma outra vez para recobrir os ossos da Santa e lhes dar a aparência de um corpo. Tinham sido envoltos anteriormente por uma camada de algodão. A túnica parda, a cobertura da cabeça branca e o véu preto foram confeccionados por algumas senhoras desconhecidas de Assis. Colocou-se sobre a cabeça uma coroa de flores. A urna foi então fechada e ornamentada para a procissão solene que teve lugar na tarde de 29 de setembro. Numa recordação comovente das horas históricas, o corpo de Santa Clara foi conduzido por quatro sacerdotes sob os aplausos da população, em primeiro lugar a São Rufino e, em seguida, para uma visita ao túmulo de São Francisco. Ao crepúsculo, as Irmãs acolheram sua Mãe no claustro e colocaram a urna aos pés do crucifixo que ela tanto amara em São Damião. Bem ao lado, se encontrava ainda uma outra preciosa relíquia: a grade atrás da qual Clara tinha recebido a Santa Comunhão. A bênção do Santíssimo Sacramento encerrou este dia memorável."

O corpo de Clara que está hoje na basílica foi mais uma vez restaurado. De 17 de novembro de 1986 até 12 de abril de 1987 um paciente trabalho foi feito para tirar do corpo da Santa um estado de viscosa humidade, devido ao clima e aos longos anos que criaram a decomposição das partes extremas, em particular as falanges e os dedos dos pés. Quando examinaram o corpo, ele mantinha a mesma posição deixada em 1850. Todo ele foi recomposto e restaurado com tela, gesso, esmalte e silicone. A equipe que trabalhou foi esta: Gianfranco Nolli (egiptólogo), Maria Venturi (ortopedista), Gabrielle Nazareno (químico), Massimo Benedettucci (escultor) acompanhados da Abadessa Madre Clara Lucia Canova e Frei Giovanni Boccalli, Provincial de Assis. Recompuseram o corpo e o rosto segundo os documentos da época, mantendo a personalidade de mulher fascinante, ardente, terna, sensível, segura e muito equilibrada.

Ao chegarmos a Assis e rezarmos diante de Clara devemos lembrar que uma vida como a dela é sempre fecunda, nunca se decompõe. Num coração aberto para o Absoluto, Deus sempre deposita a sua Beleza. Diante de seu corpo temos que ter o desejo de rezar. É preciso sempre desejar o espírito! Rezar é abrir os olhos, abrir nossas faculdades humanas e todo o nosso ser e deixar que Deus se estabeleça aí. Rezar é ver e auscultar, perceber que o espírito sempre trabalha na imagem.

Diante do corpo de Clara, é preciso redescobrir a espiritualidade da ternura, da pequenez, da pobreza. Clara, mulher e santa, não é um aprendizado intelectual, mas um conhecimento afetivo. Por que Clara é bela? Porque o Espírito imprime sempre no corpo a sua forma. O Amor pelo Esposo tomou forma em seu corpo! Após 750 anos, cuidou-se muito dos restos mortais de Clara para não se deixar de lembrar a sua forma de Vida, modo como ela eternizou-se no tempo.

No livro do Eclesiastes, se lê esta frase: 'Lembra-te que és pó. E ao pó retornarás'. Além de lembrar ao homem sua condição perecível e transitória, esta sentença recorda a aniquilação física, a decomposição do organismo, após a morte. A realidade é constatada quase universalmente. Digo quase universalmente, por se darem exceções, embora raríssimas, de não decomposição física. Exceção esta conhecida pelo nome de Incorrupção.

A Incorrupção é a preservação do corpo humano da deteriorização que comumente afeta todo organismo poucos dias após a morte. É evidente que são excluídas as mumificações, as saponificações e outros processos químicos de preservação dos corpos dos mortos; pois seriam incorrupções artificiais.rci pede.

Incorruptibilidade(corpos incorruptos)


Os corpos incorruptos não ficam rígidos e
secos, mas estão, em sua maioria, úmidos e
flexíveis, em alguns casos há muitos séculos. E
mais: estão em condições naturais que
ajudariam na decomposição do corpo!!!
Trata-se da preservação milagrosa de um
corpo, e como tal não obedece a nenhuma
lei natural – solo quente seco, terreno rico
em calcário, solo radiativo etc – e nem foram
embalsamados. Alguns até exalam algo
como que perfume!
No caso dos corpos incorruptos de alguns santos,
o enterro aconteceu muito tempo depois de sua
morte, impossibilitando esta condição. São
Bernardino de Sena, por exemplo, ficou 26
dias exposto. Santa Ângela de Merici, 30 dias;
Santa Teresa Margarida do Sagrado Coração,
50 dias!

Veja alguns exemplos de santos que tiveram seu corpo preservado:

------------------------------------------------------------
Beata Ana Maria Taigi (1769-1837)
------------------------------------------------------------

Nasceu em Sena de Toscana. Viveu em humilde simplicidade, atendendo a um pobre lar com sete filho, vendo-se obrigada em várias ocasiões a sustentar a casa com seus trabalhos de costura, quando seu marido perdeu seu emprego. Foi uma mulher de luzes extraordinárias e rodeada de maravilhosos carismas e dons extraordinários.

O cardeal Pedicini refere a sua declaração juramentada sobre os portentos que ele presenciou nessa mulher extraordinária, e que podem ser consultados no processo de sua beatificação.

Diz o citado Cardeal que Ana Maria Taigi vinha os pensamentos mais secretos das pessoas presentes ou ausentes; os acontecimentos dos séculos passados, e a vida que levavam as mais importantes personagens.

Poderia se dizer que este dom era onisciente, era conhecimentos de todas as coisas em Deus, na medida em que a inteligência humana é capaz de conhecê-lo nesta vida. E acrescenta o Cardeal:

"Me sinto impotente para descobrir as maravilhas de quem fui confidente durante 30 anos".

O decreto de beatificação a aponta como: "pródigo único nos fastos da Santidade".

---------------------------------------------
Ângela da Cruz (1846-1932)
---------------------------------------------


Nasceu nos arredores de Sevilha em 30 de Janeiro de 1846, tendo sido baptizada no dia 2 de Fevereiro seguinte na paróquia de Santa Luzia. Pouco tempo teve de escola, aprendendo a escrever, algumas noções de aritmética e catecismo. Apesar da sua pobreza, desde pequena se habituou a partilhar os bens da sua casa com os mais pobres.

Na família aprendeu a rezar o Terço e a celebrar o mês de Maio, dedicado à Virgem Maria.

Manhã cedo, acompanhava seu pai para a oração do Terço; em 1854 fez a Primeira Comunhão e recebeu a Confirmação no ano seguinte. Começou a trabalhar aos doze anos numa sapataria, onde também se rezava o Terço, diariamente; ali começaram as suas experiências místicas. Começou a ensinar a sua profissão a outras meninas numa instituição chamada "As arrependidas", em Sevilha.

O seu confessor ajudou-a a encontrar a sua vocação: ser monja. Por falta de saúde, não foi admitida no Carmelo fundado em Sevilha por Santa Teresa de Jesus, mas em 1868 entrou como Postulante nas Filhas da Caridade do Hospital central de Sevilha, de onde foi trasladada para Cuenca, com melhor clima para a sua saúde. Em 1870 teve de abandonar definitivamente a Instituição. Teve de viver como "monja sem convento", voltou ao seu trabalho, aceitou a orientação do seu director espiritual, escrevendo os seus pensamentos e desejos da alma, até descobrir a sua vocação perante uma Cruz: a fundação de um Instituto que,

"por amor de Deus, abraçasse a maior pobreza, para poder ajudar os pobres".


Com essa intuição, redigiu um projecto, com uma dimensão caritativa que a levasse a identificar-se com os menos afortunados: "fazer-se pobre com os pobres". Depois de participar na Santa Missa, instalou-se com outras três mulheres, num quarto alugado, onde tinham lugar principal um Crucifixo e um quadro da Virgem das Dores. Nasciam as Irmãs da Cruz.

As casas da "Companhia" deviam ter um ambiente de limpeza, saudável alegria e contida beleza, com estilo simples para mulheres simples, afastadas da grandiosidade, mas com ar de doçura, de modo a que todas sentissem uma nova maneira de querer Deus e os pobres. Começaran a recolher meninas órfãs, as casas começaram a crescer, atendiam as pessoas na sua própria casa, pediam esmola com uma das mãos e distribuiam-na com a outra. Em 1879 foram aprovadas as primeiras Constituições pelo Bispo diocesano, tendo conmo carisma a oração, a austeridade, contemplação e alegria no serviço dos pobres. Depressa se estenderam por toda a Espanha, chegaram à Itália e à América. Madre Ângela encontrou-se com o Papa Leão XIII na beatificação de João de Ávila e de Frei Diogo de Cádiz, mas o assinatura do decreto de aprovação da Companhia só foi assinado por Pio X, em 1904. A Irmã Ângela foi nomeada Superiora-Geral, reeleita por quatro vezes, destacando-se pelas suas virtudes de naturalidade e simplicidade.

Em 7 de Julho de 1931, foi atacada por uma trombose cerebral que a levaria à morte nove meses depois. Apesar de paralizada, mais procurava agradar do que incomodar. Faleceu em 2 de Março de 1932 e Sevilha passou durante três dias diante do seu cadáver. A Câmara Municipal celebrou uma Sessão extraordinária para elogiar a Irmã Ângela e deu o seu nome a uma rua da Cidade. Também ela foi beatificada por João Paulo II em 5 de Novembro de 1982, para ser, agora canonizada durante a viagem pastoral a Madrid. O seu corpo encontra-se incorrupto na Capela da Casa Mãe.

------------------------------------------------
Beato Gaetano Catanoso
------------------------------------------------


O Beato Gaetano Catanoso nasceu a 14 de Fevereiro de 1879, em Chorio di San Lorenzo (Itália). Fundou as Irmãs Verónicas do Santo Rosto. Morreu em Reggio Calábria a 4 de Abril de 1963.

------------------------------------------------
Santa Bernardete - 16 de abril
------------------------------------------------


Também conhecida como Santa Maria Bernadete e Santa Bernadete Soubirous. Ela nasceu no dia 7 de janeiro de 1844, em Lourdes, na França. Era de família pobre e chegou a trabalhar como empregada doméstica e pastora de ovelhas.

Santa Bernadete tinha constantes visões da Virgem Maria. Em uma delas, a Santa foi conduzida a uma fonte que curava. Ela entrou para o Convento das Irmãs de Nevers. Lá aprendeu a ler e a escrever. Tinha saúde frágil. Morreu no dia 16 de abril de 1879, em Nevers, na França, enquanto orava a Maria.

---------------------------------------------------
São Carlos Sezze, Franciscano - 25 de setembro
---------------------------------------------------


Nasceu em 1620 no povo italiano de Sezze. Um dia um bando de aves espantou os bois que Carlos dirigia quando estava arando, e estes arremeteram contra ele com grave perigo de matá-lo. Quando sentiu que ia perecer no acidente, prometeu a Deus que se fosse salvo se tornaria religioso. E milagrosamente ficou ileso. Pediu então a uns religiosos franciscanos que o ajudassem a entrar em sua comunidade e eles o convidaram a que fosse a Roma para que fale com o superior da congregação. Assim o fez junto com três companheiros mais e após ser provados com na humildade tratando-os com muita dureza, o superior permitiu admiti-los.

Diante do pedido de muitas pessoas que lhe pediam incessantemente que redigisse algumas normas para orar melhor e crescer em santidade, o santo publicou um folhetim lhe causando diversas difuculdades pelo que quase é expulso de sua comunidade. Humilhado se ajoelhou diante de um crucifixo para lhe contar suas angústias, e ouviu que Nosso Senhor lhe dizia:

"Ânimo, que estas coisas não lhe vão impedir de entrar no paraíso".

A petição mais freqüente do irmão Carlos a Deus era esta: "Senhor, me acenda em amor a Ti". E tanto a repetiu que um dia durante a elevação da Santa hóstia na Missa, sentiu que um raio de luz saía da Sagrada Forma e chegava a seu coração. Ao fim os superiores se convenceram de que este singelo religioso era um verdadeiro homem de Deus e lhe permitiram escrever sua autobiografia e publicar dois livros mais, um a respeito da oração e outro a respeito da meditação.

O Papa João XXIII o declarou santo em 1959, porque sua vida é um exemplo de que ainda nos ofícios mais humildes e em meio de humilhações e incompreensões podemos chegar a um alto grau de santidade e ganhar a glória do céu.

-------------------------------------------------------
Santa Catarina Labouré
-------------------------------------------------------


íntima da Mãe de Deus

Catarina Labouré - que disse que viu a Virgem Maria "em carne e osso" e que teve o privilégio de se ajoelhar a Seus pés e descansar no Seu regaço, favor que não foi concedido a nenhum outro vidente - nasceu durante o repicar dos sinos do Angelus, no dia 2 de Maio de 1806. A mãe morreu-lhe quando tinha só nove anos de idade. Viram-na então a abraçar a estátua da Mãe de Deus, dizendo:

"Agora Vós sereis a minha Mãe!"

e alimentava um desejo ardente de ver Nossa Senhora. Era esse o pedido constante nas suas orações, e ela confiava serenamente que se realizaria.


São Vicente de Paulo visitou-a num sonho aos dezoito anos, e foi aceite na sua comunidade em 22 Janeiro de 1830, com a idade de vinte e três anos. Santa Catarina considerou as aparições de um modo adequado: não como um favor pessoal (embora em certo sentido o tenham sido), mas como uma bênção geral para a humanidade. Considerou-se apenas como "um instrumento"e pediu ao seu confessor que lhe prometesse que guardaria sigilo da sua identidade, segredo que foi guardado durante 46 anos, mesmo das próprias religiosas da sua comunidade.

Catarina foi canonizada em 1947, e por ordem do Arcebispo, seu corpo foi exumado. Verificou-se então que seu corpo estava perfeitamente conservado, e até os olhos ficaram intactos. Depositaram-no em um caixão de cristal, que pode ser visto na imagem acima.

Santa Catarina também tinha o dom da profecia, e uma das suas profecias, ainda não realizada, refere-se ao grande triunfo de Nossa Senhora:

"Oh que maravilha será ouvir 'Maria é a Rainha do universo.' Será um tempo de paz, gozo e bençãos que durará por um tempo bastante longo".


---------------------------------------------------------
São Charbel Makluf
---------------------------------------------------------


Após a morte, bem como durante a vida, Padre Charbel foi considerado um santo. No dia de sua inumação, o superior anotou no diário do mosteiro de São Marun de Annaya o seguinte: "No dia 24 de dezembro de 1898 Padre Charbel de Beqa'Kafra, eremita, foi atacado pela paralisia; recebeu os últimos sacramentos, e morreu aos 70 anos de idade; foi sepultado no cemitério da comunidade, sendo superior o Padre Antônio Michmichâni. Os fatos "post-mortem"(após a morte) me dispensarão de dar maiores detalhes sobre sua vida. Fiel a seus votos, de obediência exemplar, sua conduta era mais angélica que humana". De fato, tratava-se de uma profecia que mais tarde se realizou.

O corpo de São Charbel permaneceu intacto depois de sua morte; inclusive transpirava. Este fenômeno de conservação e transpiração de corpo, desafiando as leis da natureza, fascinou os médicos, os homens de ciência e as pessoas mais simples. Em agosto de 1952, eu mesmo toquei no seu corpo; poderia dizer que era um "morto-vivo".

Que um cadáver se conserve não é um fenômeno único, porém que os restos mortais se conservem flexíveis, tenros, manejáveis, transpirando incessantemente, é um caso extraordinário e único no gênero. Este foi o caso de nosso Santo, cujo corpo se conservou e transpirou até o dia de sua Beatificação que se realizou no dia 5 de dezembro de 1965, no encerramento do Concilio Ecumênico Vaticano II. Podemos até dizer que seu corpo não conheceu a corrupção: depois de 1965, ele se decompôs simplesmente, e jamais se percebeu o odor que emana normalmente dos cadáveres ao abrir seus túmulos. Era ao contrário um odor agradável. Abriu-se o túmulo no dia 3 de fevereiro de 1976, e eu estive presente como responsável da sua Causa de Canonização; seu corpo está já decomposta, sobrando o esqueleto. No entanto os ossos conservam uma certa frescura e uma cor rosada (cor de vinho).

Conforme a ciência, me afirmaram dois médicos, seis meses depois da morte, o esqueleto do ser humano, normalmente, é formado de ossos brancos e perfurados. Até hoje, ano 1998, nunca este fenômeno se encontrou no esqueleto de São Charbel.

Em suma, seu corpo foi conservado até a sua Beatificação, depois ele "se volatilizou", sobrando o esqueleto que é conservado de uma maneira extraordinária.


------------------------------------------------------
Santa Clara de Montefalco
------------------------------------------------------


Uma santa italiana, Santa Clara de Montefalco, meditou muito sobre o mistério da Santíssima Trindade. Depois de sua morte achou-se no seu fígado três bolinhas iguais. Essas bolinhas tinham esse particular que cada uma delas pesava tanto quanto as três juntas. Que se pesasse uma, duas ou três, era sempre o mesmo peso. Uma imagem impressionante da Santíssima Trindade! Tome uma Pessoa divina: a natureza divina está toda nela. Tome duas Pessoas divinas: ela está toda nas duas. Tome todas as três, ela está toda nas três, mas tanto nas três quanto em uma só, como a bolinha que não pesava mais quando as três juntas ou quando uma só separada.

Isso vem do fato que, diz Sto Anselmo, acrescentar Deus a Deus nunca dá mais que um Deus, assim como somar a eternidade à eternidade nunca dá mais que uma eternidade, como juntar uma superfície a uma superfície sempre dá uma superfície. A concepção da natureza divina pede que ela seja una e indivisível; é assim impossível que ela seja multiplicada.

O catecismo exprime essa verdade quando diz: O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; não são três deuses, mas um só Deus em três Pessoas.


-----------------------------------------------------
São Cura D'Ars
-----------------------------------------------------


João Maria Vianney ficou conhecido no mundo inteiro com o nome de "Cura" (Vigário) d'Ars, um pequeno lugarejo da França, país onde o santo nasceu em 1786. Morreu com 73 anos, em 1859. Tomou-se modelo para todo cristão e um exemplo para todos os párocos, vigários e sacerdotes. Sua festa litúrgica é celebrada no dia 4 de agosto e, por isso, essa data é o "Dia do Padre".

Desde pequeno, Vianney queria ser padre. Todavia, seus problemas eram enormes, porque era pobre e tinha grandes dificuldades nos estudos. Quando conseguiu entrar no seminário, logo teve de sair, pois não conseguia dar conta do Latim e de outras matérias difíceis demais para ele, que era um simples camponês.

Um antigo Vigário, Pe. Balley, muito ajudou João Maria a chegar ao sacerdócio. O bispo aceitou e finalmente João Maria pôde ser ordenado. Ordenado sacerdote aos 29 anos, um de seus primeiros trabalhos foi o de pároco numa pobre, esquecida e pequena aldeia chamada Ars, ao norte da França.

Em Ars, João Maria encontrou um povo sem religião. A igreja vivia fechada. O pecado imperava ali. Começou, então, pelos contatos carinhosos com seu povo, e ficava lá, na igreja, sozinho, rezando. Já que não podia falar de Deus com o povo, ficava lá falando do povo com Deus. Aos poucos, o povo de Ars começou a rezar, a freqüentar a igreja e os sacramentos da Eucaristia e da Confissão.

Padre João Maria Vianney mudou a paróquia. De toda a França vinham muitas pessoas para escutar suas pregações e para confessar-se com ele. Ele passava 15, 16, 18 horas por dia no confessionário.

Sem milagres, sem curas, o santo "Cura d'Ars" atraia multidões para a igreja daquele lugarejo. Permaneceu lá, como Vigário, durante 40 anos.

--------------------------------------------------------
São Pio V - 30 de abril
-------------------------------------------------------


O Papa Pio V é venerado por ter unido a Europa, acabando com as guerras internas para que todos se voltassem contra o verdadeiro inimigo, os turcos, vencidos finalmente em 1571.

Mas é preciso lembrar que ele implantou reformas essenciais também dentro do cristianismo, acabando com o nepotismo na Igreja, um mal que até hoje afeta as comunidades no âmbito político. Também não se pode esquecer que defendeu o catolicismo com corpo e alma, unhas e dentes, quando preciso, chegando a excomungar a Rainha Elisabete I, da Inglaterra.

Miguel Ghisleri nasceu em 1504, em Bosco Marengo, na província de Alexandria e, aos quatorze anos já ingressara na congregação dos dominicanos. Depois que se ordenou sacerdote, sua carreira correu na Terra como um raio. Foi professor, prior de convento, superior provincial, inquisidor em Como e Bérgamo, bispo de Sutri e Nepi, depois cardeal, grande inquisidor, bispo de Mondovi e, finalmente, papa, em 1566, tomando o nome de Pio V.

Assim que assumiu foi procurado em Roma por dezenas de parentes. Não deu "emprego" a nenhum, afirmando ainda que um parente do papa, se não estiver na miséria, "já está bastante rico". Implantou ainda outras mudanças no campo pastoral, aprovadas no Concílio de Trento: a obrigação de residência para os bispos, a clausura dos religiosos, o celibato e a santidade de vida dos sacerdotes, as visitas pastorais dos bispos, o incremento das missões e a censura das publicações, para que não contivessem material doutrinário não aprovado pela Igreja. Depois de conseguir a união dos países católicos, com a conseqüente vitória sobre os turcos invasores e de ter decretado a excomunhão e deposição da própria rainha da Inglaterra, o furacão se extinguiu. Papa Pio V morreu em 1572, sendo canonizado em 1712.

Sua memória, antes homenageada em 5 de maio, com a reforma do calendário litúrgico passou a ser festejada nesta data, 30 de abril.

-----------------------------------------------
Eusébio de Roma
-----------------------------------------------


nasceu na ilha da Sardenha, no ano 283. Depois da morte do seu pai, em testemunho da fé em Cristo, durante a perseguição do imperador Diocleciano, sua mãe levou-o para completar os estudos eclesiásticos em Roma. Assim, muito jovem, Eusébio entrou para o clero, sendo ordenado sacerdote. Aos poucos, foi ganhando a admiração do povo cristão e do papa Júlio I, que o consagrou bispo da diocese de Vercelli em 345.

Nessa condição, participou do Concílio de Milão em 355, no qual os bispos adeptos da doutrina ariana tentaram forçá-lo a votar pela condenação do bispo de Alexandria, santo Atanásio. Eusébio, além de discordar do arianismo considerou a votação uma covardia, pois Atanásio, sempre um fiel guardião da verdadeira doutrina católica, estava ausente e não podia defender-se. Como ficou contra a condenação, ele e outros bispos foram condenados ao exílio na Palestina.

Porém isso não o livrou da perseguição dos hereges arianos, que infestavam a cidade. Ao contrário, sofreu muito nas mãos deles. Como não mudava de posição e enfrentava os desafetos com resignação e humildade, acabou preso, tendo sido cortada qualquer forma de comunicação sua com os demais católicos. Na prisão, sofreu ainda vários castigos físicos. Contam os escritos que passou, também, por um terrível suplício psicológico.

Quando o povo cristão tomou conhecimento do fato, ergueu-se a seu favor. Foram tantos e tão veementes os protestos que os hereges permitiram sua libertação. Contudo o exílio continuou e ele foi mandado para a Capadócia, na Turquia e, de lá, para o deserto de Tebaida, no Egito, onde foi obrigado a permanecer até a morte do então imperador Constantino, a quem sucedeu Juliano, o Apóstata, que deu a liberdade a todos os bispos presos e permitiu que retomassem as suas dioceses.

Depois do exílio de seis anos, Eusébio foi o primeiro a participar do Concílio de Alexandria, organizado pelo amigo, santo Atanásio. Só então passou a evangelizar, dirigindo-se, primeiro, a Antioquia e, depois, à Ilíria, onde os arianos, com sua doutrina, continuavam confundindo o povo católico. Batalhou muito combatendo todos eles.

Mais tarde, foi para a Itália, sendo recepcionado com verdadeira aclamação popular. Em seguida, na companhia de santo Hilário, bispo de Poitiers, iniciou um exaustivo trabalho pela unificação da Igreja católica na Gália, atual França. Somente quando os objetivos estavam em vias de serem alcançados é que ele voltou à sua diocese em Vercelli, onde faleceu no dia 1o. de agosto de 371.

Apesar de ser considerado mártir pela Igreja, na verdade santo Eusébio de Vercelli não morreu em testemunho da fé, como havia ocorrido com seu pai. Mas foram tantos os seus sofrimentos no trabalho de difusão e defesa do cristianismo, passando por exílios e torturas, que recebeu esse título da Igreja, cujo mérito jamais foi contestado. Com a reforma do calendário litúrgico de Roma, de 1969, sua festa foi marcada para o dia 2 de agosto. Nesta data, as suas relíquias são veneradas na catedral de Vercelli, onde foram sepultadas e permanecem até os nossos dias.


----------------------------------------------------
São João Bosco
---------------------------------------------------


Figura ímpar nos anais da santidade no século XIX, D. Bosco foi escritor, pregador e fundador de duas congregações religiosas, tendo sobretudo exercido admirável apostolado junto à juventude, numa época de grandes transformações. Dotado de discernimento dos espíritos, do dom da profecia e dos milagres, era admirado pelos personagens mais conhecidos da Europa no seu tempo.

Plinio Maria Solimeo
Nascido em Murialdo, aldeia de Castelnuovo de Asti, no Piemonte, aos dois anos de idade faleceu-lhe o pai, Francisco Bosco. Mas felizmente tinha ele como mãe Margarida Occhiena, que lembra a mulher forte do Antigo Testamento. Com sua piedade profunda, capacidade de trabalho e senso de organização, conseguiu manter a família, mesmo numa época tão difícil para a Europa como foi a do início do século XIX, dilacerada pelas cruentas guerras napoleônicas. João Bosco tinha um irmão, dois anos mais velho que ele, e um meio-irmão já entrando na adolescência.

Lar pobre e religioso; a mãe, exemplo de virtudes
A influência da mãe sobre o filho caçula foi altamente benéfica. "Parece que a paciência e a doce firmeza de Mamãe Margarida influenciaram São João Bosco, e que toda uma parte de sua amenidade, de seus métodos afáveis, deve ser atribuída aos modos de sua mãe, à sua maneira de ordenar e de prescrever, sem gritos nem tumulto. [...] Margarida terá sido uma dessas grandes educadoras natas, que impõem sua vontade à maneira de doce implacabilidade" [...].

"João Bosco é um entusiasta da Virgem. Mamãe Margarida lhe revelou, pelo seu exemplo, a bondade, a ternura, a solicitude de Mamãe Maria. As duas mães se confundem em seu coração. Dom Bosco será um dos grandes campeões de Maria, seu edificador, seu encarregado de negócios".


-----------------------------------------------------------
Santa Maria Francisca das Cinco Chagas
-----------------------------------------------------------



Nasceu em 1499. Depois de estudos feitos em Salamanca, entrou para os Frades Menores e, ordenado sacerdote, desempenhou diversos cargos na Ordem. Em 1554 obteve a licença de consagrar-se a uma observância mais estrita da Regra. Começou então, a acolher os seguidores, aos quais iniciou numa vida demais austera pobreza, jejum e penitência e de oração mais prolongada. Impulsionado pelo zelo das almas, dedicou-se com grande fruto à pregação. E com seus conselhos ajudou Santa Teresa de Ávila em sua atividade reformadora entre as Carmelitas. Deixou também obras escritas, em que narra a própria experiência ascética, baseada sobretudo na devoção para com a paixão de Cristo. Morreu no dia 18 de outubro de 1562.

ORAÇÃO
- Ó Deus, que ilustrastes São Pedro de Alcântara com os donos de admirável penitência e de altíssima contemplação, concedei, por seus méritos, que, mortificados na carne, mereçamos participar dos bens celestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


------------------------------------------------------
Santa Maria Mazzarello - 9 de maio
------------------------------------------------------


Nasceu no dia 9 de maio em Mornese, Itália. Sendo uma simples camponesa, pobre e ignorante, chegou a ser Fundadora da que é hoje a segunda Comunidade religiosa feminina no mundo (em relação ao número de religiosas), a Comunidade de irmãs Salessianas.

Fundou em seu povoado um "Oratório" ou escola de catecismo para meninas. Ela e suas amigas lhes ensinavam costura e outras artes caseiras, enquanto iam conseguindo que as jovens aprendessem muito bem a religião, observassem excelente comportamento em casa, fossem à missa e recebessem os sacramentos. Paralelamente, São João Bosco utilizava em Turim uma metodologia similar, mas aplicada aos varões.

O Padre Pestarino observou que em Maria Mazzarello e em suas amigas havia grande caridade para com os necessitados e um enorme amor a Deus, ademais de fortes desejos de conseguir a santidade. Então as reuniu em uma Associação Juvenil que se chamou: "De Maria Imaculada". Ele mesmo as confessava, lhes dava instrução religiosa.

No decorrer de uma viagem, o Padre Pestarino se encontrou com São João Bosco, quem neste momento se encontrava meditando sobre a possibilidade de ampliar seus ensinamentos também a meninas pobres. Pestarino contou-lhe sobre a obra que realizava junto com Santa Maria e o convidou a conhecê-la pessoalmente. Assim, no dia 7 de outubro de 1864, São João Bosco foi por primeira vez a Mornese. Dom Bosco constatou que aquelas jovens que dirigia o Padre Pestarino eram excelentes candidatas para ser religiosas, e com elas fundou a Comunidade das Filhas de Maria Auxiliadora, ou salessianas, que hoje em dia são mais de 16.000 em 75 países.

O Papa Pio IX aprovou a nova congregação, no dia 5 de agosto de 1572.

Maria Mazzarello foi superiora geral até o dia da sua morte, o 14 de maio de 1881. Seus três grandes amores foram a Eucaristia, Maria Auxiliadora e a juventude pobre, à qual educou e salvou.

-----------------------------------------------
São Vicente de Paulo
-----------------------------------------------


UM OLHAR SOBRE O POBRE - Um pobre para os pobres

"Vicente de Paulo nasceu em 1581 no povoado de Pouy, França. Já em criança, conviveu com os pobres e experimentou as condições de sua vida. Em 1600, ordenou-se sacerdote. Muito embora por algum tempo tenha procurado fugir da pobreza de sua origem, contudo, com a orientação de directores espirituais, sentiu em si a urgência de buscar com empenho uma santidade mais profunda. Foi então levado pela Divina Providência, através dos acontecimentos de sua vida, a assumir o firme propósito de se dedicar à salvação dos pobres.

Percebeu a grave urgência da evangelização dos pobres, quando exercia seu ministério em Gannes e, a 25 de Janeiro de 1617, em Folleville. Aqui se situa, conforme seu próprio testemunho, a origem tanto da sua vocação como da missão. Finalmente, em Agosto do mesmo ano, ao instituir, em Châtillon-les-Dombes, as "Caridades" para socorro dos enfermos carentes de todo cuidado, verificou e manifestou a íntima conexão existente entre a evangelização e o serviço dos pobres.

Evangelização e caridade
Foi na contemplação e no serviço de Cristo na pessoa dos pobres que sua experiência espiritual tomou forma gradativamente. Além disso, a visão de Cristo, enviado pelo Pai para evangelizar os pobres, tornou-se o centro tanto de sua vida como de seu trabalho apostólico.

Com a atenção voltada para as interpelações da sociedade e do seu mundo, Vicente aprendeu a interpretá-las à luz de um amor cada vez mais intenso a Deus e aos pobres, oprimidos sob o peso de todo tipo de calamidades. Desse modo, sentiu-se chamado a ir em socorro de toda espécie de misérias.

Entre diversas actividades, dedicou especial cuidado à Missão. Com efeito, para atender à evangelização dos camponeses, Vicente associou a si, por contrato passado a 17 de abril de 1625, seus primeiros companheiros, e estes, a 4 de setembro de 1626, assinaram um Acto de Associação, obrigando-se a formar uma Congregação, na qual, vivendo em comum, se dedicariam à salvação dos pobres camponeses.

Formação do clero
Enquanto se aplicavam à evangelização dos pobres, Vicente e seus companheiros chegaram à convicção de que os frutos da missão só poderiam perdurar entre o povo, se fossem tomadas providências para a formação dos sacerdotes. Iniciaram esta obra em 1628, na cidade de Beauvais, pregando, a instâncias do Bispo, retiros espirituais aos clérigos que se preparavam para as Ordens. Desse modo, estavam convictos de prover a Igreja de bons pastores.


Mobilizador de vontades
Para ir ao encontro das mais variadas necessidades, São Vicente reuniu em torno de si o maior número possível de pessoas, ricos e pobres, humildes e poderosos, empregou todos os meios para incutir-lhes o sentido do pobre como imagem privilegiada de Cristo, impelindo-os afinal a amparar directa ou indirectamente os pobres. A Comunidade das Filhas da Caridade, as Associações de Caridade, por ele fundadas, e outras delas derivadas seguiram esse voluntário e generoso devotamento e o assumiram como seu. O mesmo fizeram, até nossos dias, pessoas isoladas que conceberam o propósito de adoptar esse espírito.

Missões ad gentes
Seu zelo para com os pobres tomou novo incremento com a iniciativa das Missões ad Gentes, ao enviar seus primeiros coirmãos à Ilha de Madagáscar, em 1648. Enquanto crescia como Instituto, a Congregação definiu paulatinamente sua vocação, organização e vida fraterna. Afirmou cuidadosamente sua índole secular, embora seus membros firmassem sua estabilidade nela por um voto peculiar e pela prática da pobreza, castidade e obediência. Ainda em nossos dias, estas mesmas notas constituem o património da Congregação da Missão"

---------------------------------------------------
Santa Verônica Giuliani - 9 de Julho
---------------------------------------------------


Neste dia, celebramos Santa Verônica Giuliani, cujo nome de batismo era Úrsula Giuliani, que nasceu em Merccatello, perto de Urbino, no ano de 1660. Era a sétima filha do casal Francisco e Benedita Giuliani. Verônica ou Úrsula entrou para as irmãs clarissas aos dezessete anos de idade, na cidade de Castelo. No ano de 1697, lemos em seu diário - na sexta-feira santa, de madrugada, eu estava em oração...

"Deus fez penetrar em minha alma a graça ao dar-me os sinais e as dores que o Verbo Divino havia sofrido pela minha redenção. Sentia em meu coração uma dor mortal".


Assim descreve a recepção dos estigmas:

"Eu vi sair de suas santas chagas cinco raios resplandecentes, e todos vieram perto de mim... Em quatro estavam os pregos, e no outro estava a lança, como de ouro, toda candente e me passou o coração de fora a fora".

Quando vi estes estigmas exteriores - confia Santa Verônica ao seu diário -
"chorei muito e roguei ao Senhor que se dignasse escondê-los aos olhos de todos ".

Seu desejo foi ouvido, vivendo em reclusão total por toda a vida.

Após a sua morte, ocorrida na cidade de Castelo no ano de 1727, numa sexta-feira, após 33 dias de doença, sobre seu corpo, que mostrava ainda as feridas da paixão, foi feita a autópsia e os médicos reconheceram que o coração realmente estava transpassado de fora a fora. Mas as finas páginas de seu diário, escritas durante mais de trinta anos e publicadas, formaram 44 volumes, enriqueceu a nossa literatura.

--------------------------------------------------
existe muito mais santos corpos incorruptos que não foram mostrados mas só de ver os que mostrados foram, já podemos perceber o quanto cristo é maravilhoso e o quanto foram santos tais pessoas que foram tão dignos de cristo que receberam tal dom que pôde ficar incorruptos.

paz e bem, E QUE SEJAMOS A CADA DIA MAIS SANTOS Q PONTO DE SERMOS TAMBÉM INCORRUPTOS
-------------------------------------------------
Tecnologia do Blogger.