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O sacerdote, tanto no Antigo Testamento (AT) quanto no Novo Testamento (NT) é essencialmente aquele que oferece o sacrifício. Mas o que é o sacrifício, e o que é o sacerdócio?

O sacrifício consiste basicamente na apresentação a Deus em holocausto de uma vítima pelo sacerdote. A maneira mais encontrada de se referir ao sacrifício, no AT, é a menção do sangue da vítima. O sangue da vítima apresenta propriedades especiais de purificação, sendo usado para a purificação daqueles que pecaram, para certas práticas divinatórias, etc.

Assim podemos afirmar que uma característica marcante do sacrifício é a separação do sangue e do corpo da vítima sacrificial. (1)

Tanto no AT quanto no NT encontramos três tipos de sacerdotes, cujos encargos são diferentes, e cujos sacrifícios, como não poderia deixar de ser, são de tipos diversos.

O grau mais alto do sacerdócio é o ofício do Sumo-Sacerdote, do primeiro dentre todos os sacerdotes. Ele é o centralizador do culto e é sob sua tutela que o culto é realizado. No AT esta função é dada por Deus a Aarão (2) ; chamamos por isso os sacerdotes judeus de sacerdotes aaronitas.

O grau intermediário do sacerdócio é o sacerdócio ministerial. No AT este sacerdócio é o encargo dos filhos de Aarão (3) e, em grau inferior, dos levitas, encarregados dos encargos subordinados ao sacerdócio, mas não sendo capazes de oferecer sacrifícios (ou seja, sacerdotes).

Antes da elevação de Aarão ao sumo-sacerdócio e de seus filhos ao sacerdócio ministerial, havia contudo o sacerdócio ministerial realizado pelos primogênitos, o que é atestado pela troca que é feita a mando de Deus entre os primogênitos de cada família e os levitas, que passam a ser propriedade de Deus.

O grau mais comum do sacerdócio é o sacerdócio universal, comum a todos os fiéis. Assim, o povo judeu foi constituído por Deus um povo de sacerdotes. (4)

No AT encontramos ainda a figura de Melquisedeque, o Rei Justo de Salém. Melquisedeque é um personagem interessantíssimo, sem pai, sem mãe, sem nenhuma explicação oferecida de sua origem. Ele, entretanto, é sacerdote do Deus Altíssimo, e Abraão paga o dízimo a ele. Sabemos, portanto, que Melquisedeque é superior a Abraão.

Mas como isso se traduz à realidade de hoje, à Igreja estabelecida por Deus no NT?

Sem que isso seja muito surpreendente, encontramos muitos pontos em comum com a noção de sacerdócio no AT. O sacerdócio cristão também apresenta três formas básicas, sendo uma a do sumo-sacerdote, outra a do sacerdote ministerial e finalmente o sacerdócio comum a todos os fiéis.

A Sumo-Sacerdote da Igreja é Jesus Cristo. (5)

Os sacerdotes ministeriais são os ministros ordenados (6) (o diácono, o padre e o bispo - são apenas graus diferentes do mesmo sacerdócio, que é exercido integralmente pelo bispo e subordinadamente pelo diácono e pelo padre).

E o sacerdócio comum aos leigos também foi mantido (7). Somos um povo de reis, sacerdotes e profetas.

Podemos, entretanto, notar que o sacerdócio do NT não é em absoluto o mesmo sacerdócio do AT. O sacerdócio do AT era hereditário (passava de pai para filho(8)), enquanto o sacerdócio cristão é um ministério ordenado. Note-se que Aarão foi ungido sacerdote, mas seu sacerdócio foi transmitido diretamente aos seus descendentes.

O sacerdócio do NT é o sacerdócio de Melquisedeque. Como diz o salmo, "Tu es sacerdos in aeternum secundum ordinem Melchisedec", és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque.

Mas a função do sacerdote ministerial continua sendo a mesma, embora muito mais bela e muito mais elevada: a apresentação do sacrifício.

O sacerdote cristão tem como sua principal função a apresentação do Sacrifício, do Sacrifício de Cristo na Cruz, que é novamente tornado presente na Santa Missa.

Igualmente a função do sacerdócio comum aos fiéis é ainda a mesma: somos chamados a nos tornar um sacrifício vivo, uma oferenda viva a Deus. (9)

As duas funções não se podem misturar, posto que se tratam de dois tipos radicalmente diferentes de sacerdócio. O sacerdote ministerial age em nome da comunidade, apresentando o Sacrifício a Deus. O sacerdote comum age em seu próprio nome, santificando-se de modo a se tornar uma hóstia viva e santa para O Senhor.

Muitas vezes hoje em dia vemos uma certa confusão entre muitos fiéis de boa vontade a respeito da necessidade e da diversidade essencial do sacerdócio ministerial. Levantam-se questionamentos nunca antes feitos, como a possibilidade de ordenar mulheres; muitos padres, em nome de uma teórica afirmação dos leigos, acabam por entregar a leigos funções que eles poderiam (e deveriam!) realizar. Um exemplo disso é o ministério do batismo ou do matrimônio, que podem ser realizados ou assistidos por leigos, mas que ainda assim competem em princípio ao sacerdote.

No AT esta mesma questão se levantou, e dura foi a resposta de Deus!

Livro dos Números, capítulo 16:

Coré filho de Isaar, filho de Caat, filho de Levi, tomou Datã e Abiram filhos de Eliab, bem como Hon filho de Felet, que eram filhos de Rúben, 2 e se insurgiram contra Moisés com mais 250 israelitas, todos chefes da comunidade, membros do conselho e pessoas de posição. 3 Amotinaram-se contra Moisés e Aarão, e lhes disseram: "Já é demais para vós! Pois todos os membros da comunidade são consagrados e no meio deles está o Senhor . Com que direito vos colocais acima da comunidade do Senhor ?"

4 Apenas ouviu isto, Moisés prostrou-se por terra. 5 Depois falou a Coré e a todo o bando, dizendo: "Amanhã cedo o Senhor fará saber quem é seu e quem é o consagrado que ele quer perto de si. Fará aproximar-se de si quem ele escolher. 6 Fazei o seguinte: Coré, e vós de seu bando, arranjai turíbulos, 7 e amanhã, na presença do Senhor , colocai o fogo e o incenso. Aquele que o Senhor escolher, esse será o consagrado. Será o bastante para vós, levitas!"

8 Moisés disse a Coré: "Escutai, levitas! 9 Parece-vos pouco que o Deus de Israel vos tenha segregado da comunidade de Israel, e vos tenha aproximado de si para exercerdes o serviço da morada do Senhor e estar à disposição da comunidade para servi-la? 10 Ele te aproximou de si junto com todos os teus irmãos levitas, e agora ambicionais também o sacerdócio? 11 É por isso que tu e teus partidários vos amotinais contra o Senhor! E quem é Aarão para que murmureis contra ele?"

12 Moisés mandou chamar Datã e Abiram filhos de Eliab. Mas eles responderam: "Não iremos! 13 Não basta nos teres tirado de uma terra onde corre leite e mel para nos fazeres morrer no deserto, e ainda nos queres tiranizar? 14 Na verdade não nos conduziste a uma terra onde corre leite e mel, e nenhum pedaço de terra ou vinha nos deste como herança. Queres cegar os olhos de todos estes homens? De forma alguma subiremos". 15 Moisés ficou muito indignado e disse ao Senhor: "Não dês atenção à oferta deles! Nunca lhes tirei nem sequer um jumento e a ninguém prejudiquei".

16 Depois disse a Coré: "Amanhã tu e teus partidários comparecei diante do Senhor , juntamente com Aarão. 17 Cada um pegará o turíbulo e porá incenso. Depois tu, Aarão e os 250 homens, munidos de turíbulos, vos aproximareis do Senhor ". 18 Pegando, pois, cada um seu turíbulo, puseram fogo e incenso e pararam à entrada da tenda de reunião. O mesmo fizeram Moisés e Aarão. 19 Coré reuniu em torno deles toda a comunidade na entrada da tenda de reunião. Então a glória do Senhor se manifestou a toda a comunidade.

20 O Senhor disse a Moisés e Aarão: 21 "Afastai-vos do meio dessa comunidade, pois vou acabar de vez com eles". 22 Mas, prostrando-se com o rosto em terra eles disseram: "ó Deus, Deus dos espíritos de todas as criaturas! Um só homem está pecando e te enfureces contra toda a comunidade?"

23 O Senhor respondeu a Moisés: 24 "Fala à comunidade nestes termos: Afastai-vos das proximidades da moradia de Coré, Datã e Abiram".

25 Moisés dirigiu-se para onde estavam Datã e Abiram, seguido dos anciãos de Israel, 26 e avisou a comunidade: "Retirai-vos já das tendas destes ímpios! Não toqueis nada do que lhes pertence para não serdes varridos por causa de seus pecados". 27 Eles se afastaram das proximidades da moradia de Coré, Datã e Abiram. Datã e Abiram, porém, saíram à entrada de suas tendas e ficaram ali parados com as mulheres, os filhos e as crianças. 28 Disse então Moisés: "Agora ides saber que foi o Senhor quem me enviou para fazer tudo o que tenho feito, e que não agi por própria conta. 29 Se estes morrerem como morrem todos os homens, e se tiverem o destino do comum dos mortais, então não foi o Senhor quem me enviou. 30 Mas se o Senhor fizer algo de inaudito, se a terra abrir as entranhas e os tragar com tudo que lhes pertence e eles desceram vivos para o abismo, então sabereis que estes homens desprezaram o Senhor ".

31 Mal acabou de pronunciar estas palavras, fendeu-se o solo debaixo deles, 32 a terra abriu as entranhas e os tragou com as famílias, os partidários de Coré e todos os seus pertences. 33 Logo que eles desceram vivos ao abismo com tudo que lhes pertencia, a terra os cobriu e assim eles desapareceram do meio da assembléia. 34 Ouvindo os gritos, todos os israelitas que estavam perto deles fugiram com medo de que a terra também os engolisse.

35 Um fogo mandado pelo Senhor devorou os 250 homens que ofereciam incenso.

Capítulo 17:

O Senhor falou a Moisés: 2 "Manda Eleazar, filho do sacerdote Aarão, tirar os turíbulos do meio do incêndio e espalhar as brasas mais longe, pois estão consagrados. 3 Quanto aos turíbulos dos que pecaram e pagaram com a vida, manda reduzi-los a lâminas para revestir o altar. Assim os turíbulos que foram apresentados diante doSenhor e ficaram consagrados, servirão de lembrança para os israelitas". 4 O sacerdote Eleazar pegou os turíbulos de bronze que tinham sido apresentados pelos homens que foram queimados, e mandou reduzi-los a lâminas para revestir o altar. 5 As lâminas serviam de advertência aos israelitas para que nenhum estranho aos descendentes de Aarão se aproximasse para oferecer incenso diante do Senhor e não lhe acontecesse o mesmo que a Coré e seu bando, conforme o Senhor tinha predito por meio de Moisés.

Nova revolta do povo. 6 No dia seguinte toda a comunidade dos israelitas se pôs a murmurar contra Moisés e Aarão, dizendo: "Fostes vós que matastes o povo doSenhor ". 7 Mas quando a comunidade se amotinava contra Moisés e Aarão e se dirigia à tenda de reunião, a nuvem a envolveu e a glória do Senhor apareceu. 8 Moisés e Aarão vieram para a frente da tenda de reunião.

9 O Senhor falou a Moisés e Aarão: 10 "Retirai-vos do meio desta comunidade para que eu acabe de vez com eles". Mas eles se prostraram com o rosto em terra. 11 Então Moisés disse para Aarão: "Pega o turíbulo, põe nele brasas tiradas do altar, coloca o incenso e corre para junto da comunidade a fim de fazer a expiação, pois oSenhor desencadeou seu furor e já começou a mortandade". 12 Aarão pegou o turíbulo conforme a ordem de Moisés e precipitou-se para o meio da multidão. Nesse ínterim a mortandade já tinha começado entre o povo. Mas ele colocou o incenso e fez a expiação pelo povo, 13 colocando-se entre os mortos e os vivos até cessar a mortandade. 14 As vítimas daquela mortandade foram 14.700, sem contar os que tinham morrido por causa de Coré. 15 Terminada a mortandade, Aarão retornou para junto de Moisés à entrada da tenda de reunião.

Vemos assim como foi punida, e duramente punida, a rebelião daqueles que confundiram o sacerdócio comum aos fiéis com o sacerdócio ministerial!

Isso poderia ser para nós apenas uma velha história pitoresca do tempo do deserto, mas não é. Encontramos no NT uma lembrança de que esta tentação de substituir-se ao padre pode ocorrer no meio do povo cristão:

Epístola de São Judas:

3 Caríssimos, desejando vivamente escrever-vos acerca de nossa comum salvação, senti a necessidade de fazê-lo exortando a combaterdes pela fé, que uma vez para sempre foi dada aos santos. 4 Porque dissimuladamente se introduziram alguns homens, já desde tempos antigos, destinados a esta condenação, ímpios que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam nosso único soberano e Senhor, Jesus Cristo.

5 Embora saibais tudo, quero, não obstante, lembrar-vos uma vez por todas que o Senhor, depois de salvar o povo do Egito, fez perecer, a seguir, os incrédulos. 6 Os anjos que não guardaram sua dignidade e abandonaram seu domicílio, ele os guardou presos com cadeias eternas nas trevas para o julgamento do grande dia. 7 Da mesma forma Sodoma e Gomorra e as cidades vizinhas, que, como elas, cometeram imoralidades, correndo atrás dos vícios contra a natureza, servem como advertência, agora que sofrem a pena de um fogo eterno.

8 Assim também eles num louco desvario mancham o próprio corpo, menosprezam a soberania de Deus e blasfemam dos seres angélicos. 9 O arcanjo Miguel, quando discutia com o diabo, disputando-lhe o corpo de Moisés, não se atreveu a proferir um juízo de blasfêmia mas disse: Repreenda-te o Senhor. 10 Estes, no entanto, blasfemam de tudo que ignoram. E se corrompem mesmo naquilo que, à maneira de animais irracionais, só conhecem de modo instintivo.

11 Ai deles, porque andaram pelo caminho de Caim e, pelo amor do lucro, caíram no erro de Balaão e pereceram na revolta de Coré! 12 Eles são a vergonha de vossos banquetes. Banqueteiam-se convosco sem vergonha nenhuma, apascentando-se a si mesmos. São nuvens sem água arrastadas pelo vento. São árvores no fim do outono sem fruto algum, duas vezes mortas, sem raízes. 13 São ondas furiosas do mar, que lançam a espuma de suas impurezas. Astros errantes, aos quais está reservada a escuridão das trevas para sempre.

O autor da epístola nos lembra do perigo que é acreditar naqueles que dizem que não são mais necessários os sacerdotes, daqueles que dizem que o sacerdócio comum aos fiéis pode ser colocado no lugar do sacerdócio ministerial.

Ora, se Deus castigou de maneira tão violenta aqueles que fizeram exatamente a mesma coisa no AT, e ainda nos colocou no NT um lembrete para que evitemos fazer o mesmo, é bom que pensemos bastante antes de acreditar que a função do padre possa ser exercida pelos leigos...



1.O que nos é familiar na Liturgia eucarística; "Este é O Meu Corpo; este é O Meu Sangue". A separação entre corpo e sangue na frase traz imediatamente à mente o seu significado sacrificial, tornado ainda mais claro pelo vocabulário usado por Nosso Senhor para se referir à Eucaristia.

2.Ex 30,30

3.Ex 28,21

4.Ex 19,6

5.Hb 3,1

6.Rm 15,15-16; Tt 1,5; Tg 5,14...

7.1Pd 2,5ss

8.Os judeus de sobrenome Cohen são de dinastia sacerdotal, e são obrigados pela lei judaica a uma série de cuidados para evitar a impureza ritual. No ano passado foi descoberto por cientistas ingleses um gene especial dos cohanim (sacerdotes judeus), que está presente nos judeus de dinastia sacerdotal de todas as origens e aparências possíveis.

9. Rm 12,1

*Este texto foi escrito e gentilmente cedido por Carlos Ramalhete .A divulgação do seu conteúdo é livre, desde que feita sem acréscimos, cortes ou quaisquer outros tipos de alteração. Viste a home-page do autor em http://www.geocities.com/Athens/9818


“A sagração do dinheiro no neopentecostalismo - Religião e interesse à
luz do sistema da dádiva”
é o título da tese de doutorado de Drance Elias da
Silva
. Através desse trabalho, Drance reflete sobre o dinheiro como elemento de
mediação na relação com o sagrado, na experiência religiosa nas igrejas
neopentecostais. O uso que se faz do dinheiro no espaço do culto, indica, segundo
Drance, uma produção social ou uma espécie de reinvenção do social comunitário.
É esse aspecto sociológico dá norte à sua análise.
Em entrevista concedida por telefone à Vocacionados Menores, Drance fala dessa
reinvenção do social comunitário por parte desse símbolo dentro das igrejas e do
sagrado que ele representa no neopentecostalismo. Além disso, ele nos revela as
dádivas que apresentou na tese e sua opinião sobre o neopentecostalismo.
Drance Elias da Silva é formado em Teologia, pelo Instituto de Teologia de
Recife, e em Filosofia, pela Universidade Católica de Pernambuco. Realizou
mestrado e doutorado em Sociologia na Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE). Atualmente, atua como professor nessa universidade.
Confira a entrevista.

Vocacionados Menores – Você afirma que o dinheiro dentro das igrejas
neopentecostais é uma reinvenção do social comunitário. Como é que
esse símbolo se apresenta no imaginário de quem participa dos cultos
dessas igrejas?

Drance Elias da Silva
– Quando eu disse que o dinheiro era uma reinvenção do
social comunitário, foi para lembrar que ele é um elemento de ligação entre as
pessoas no espaço de culto. É um símbolo entre outros tantos símbolos que
participam dessa relação dentro do espaço. Isso cria, de alguma maneira, uma
relação entre eles. Comunitário, nesse sentido, é um encontro a partir de uma
série de símbolos que eles levam para ofertar. O social comunitário, nesse sentido,
é o processo permanente de produção de encontros a partir de uma diversidade de
coisas que são, evidentemente, levadas para serem doadas no altar. Então, o
dinheiro tem uma dimensão de vínculo nessa praxe religiosa que nós identificamos
no neopentecostalismo. Pelo menos, isso é um pressuposto que está colocado
dentro da experiência neopentecostal.

Vocacionados Menores – O que existe de sagrado no dinheiro para o
neopentecostalismo?

Drance Elias da Silva
– De sagrado no dinheiro existe a possibilidade de ele ser
transformado em uma coisa que ele não é. Por exemplo, nas igrejas
neopentecostais, como a Igreja Internacional da Graça de Deus ou a Igreja
Universal do Reino de Deus, ele se transforma numa ferramenta de Deus. Existem
várias interpretações que são dadas a esse elemento, que é simbólico, como a
atribuição de um valor de sacralidade. Na medida em que ele é ofertado em altar,
ao mesmo tempo é ressignificado enquanto coisa. Então, passa a ser uma oferta,
uma ferramenta de Deus, um propósito, trazendo uma série de significados. Por
isso, pelo fato de estar sendo oferecido a Deus, o dinheiro é ressignificado. Nesse
sentido, existe uma idéia de sacralidade desse objeto no espaço do religioso.

Vocacionados Menores – Com todos esses escândalos envolvendo o dinheiro
utilizado como dízimo por algumas igrejas neopentecostais, o senhor acredita que esse símbolo pode perder a valorização que tem dentro
desse espaço religioso?


Drance Elias da Silva – Ele não perde a valorização. Porque é claro que depois
do culto o dinheiro continua sendo dinheiro e será, de alguma maneira, investido
na própria igreja. Antes mesmo de ele continuar sendo o que ele é no dia-a-dia,
como sendo um equivalente geral, uma coisa que nós podemos trocar por outra,
naquele espaço do momento em que ele está sendo ofertado, o que está de fato
valendo não é, simplesmente, a dimensão monetária, não é um cifrão em termos
de valor nele contido. O dinheiro ganha, nesse momento, essa conotação. Claro
que depois do culto ele continua sendo dinheiro, porque, quer queira quer não, o
pastor deixa claro que ao você doá-lo como oferenda no culto, no espaço religioso,
ele será investido na igreja. Mas, antes disso, o significado que é atribuído a ele é
outra coisa. É nesse momento que percebemos que o dinheiro está como se
suspenso em sua realidade meramente material. Depois, é claro, os fiéis têm
clareza de que esse dinheiro será investido na igreja e no crescimento da própria
obra da igreja.

Vocacionados Menores – Dentro das igrejas neopentecostais, qual é a relação que
se faz entre religião, cultura e dinheiro?

Drance Elias da Silva
– Na relação entre a cultura, a religião e o dinheiro, eu
posso dizer que este é um elemento constitutivo com mediação de troca nas
relações, pois nós vivemos numa sociedade. Não há religião que possa, por
exemplo, prescindir de dinheiro. Inclusive, para sua própria subsistência. Só que,
de alguma maneira, o dinheiro não pode ser entendido, reduzido a meramente
uma realidade material. Ele é de fato ressignificado e, como eu disse, simbolizado.
Isso abrange a dimensão de fato da cultura, especificamente, na cultura religiosa.
Então, é uma relação que, nós poderíamos dizer, de pertencimento a todo esse
processo de construção da realidade social. Se no passado o dinheiro foi, por
exemplo, um outro significado, sal ou chocolate, hoje ele é uma outra realidade
material que se apresenta à sociedade. No entanto, a sua dimensão simbólica
continua, seja no espaço religioso, seja em outro espaço cultural em que ele possa
ganhar um outro significado para além de si mesmo.

Vocacionados Menores – Quais são as modalidades das dádivas religiosas, que o
senhor apresenta em sua tese?

Drance Elias da Silva
– As modalidades de dádivas religiosas são, por exemplo,
a dádiva como sacrifício, como propósito, a dádiva da atribuição, a dádiva do
desafio. São expressões de dádivas dentro de uma perspectiva, dentro de uma
análise hierárquica, que diz respeito à ressignificação do dinheiro nesse espaço. O
dinheiro como desafio, por exemplo, de fato instiga a pessoa a ir em busca desse
bem mais precioso. E ele toma isso como um desafio para si. O que ele vai trazer
no dia seguinte não é meramente o dinheiro, mas o desafio que ele tomou para si
e que o incitou de fato a essa perspectiva de oferenda, embora tomando como
pressuposto de que vai receber em dobro. São várias concepções que
identificamos dentro desse espaço de dádivas que vão sendo, aos poucos,
construídos no espaço neopentecostal.

Vocacionados Menores – O dinheiro é apresentado como uma mediação da
prosperidade?

Drance Elias da Silva
– Eu poderia dizer que a prosperidade é mais larga do que
meramente o dinheiro, mas este é uma espécie de mediador na medida em que ao
ser ressignificado e, ao mesmo tempo, ser doado, há uma idéia de que isso possa
possibilitar da parte de Deus a liberação das suas dádivas, daquilo que ele retém e
só através do sacrifício uma vez feito a pessoa possa de fato receber essas
bênçãos que vêm diretamente de Deus. Tudo isso dentro da lógica de
compreensão de um fiel dentro de um espaço neopentecostal. Então, dar o dinheiro, por exemplo, com a perspectiva de prosperidade, é significativo, porque
esse elemento está escrito dentro da possibilidade, da idéia do sacrifício. Porque
qual é o sacrifício maior que nós podemos hoje em dia fazer para poder, por
exemplo, oferecer a Deus o dinheiro como sendo um símbolo dessa natureza?
Então, sacrificando esse objeto em altar como símbolo ressignificado, é claro que,
na compreensão de um fiel, isso é um pressuposto para sua prosperidade, ou seja,
ele vai receber em dobro o que está doando a Deus. É como se o dinheiro fosse
não somente desamarrar aquilo que está prendendo a prosperidade, mas liberar
de Deus as suas dádivas, também porque ele está inserido dentro dessa idéia de
sacrifício. O dinheiro que está sendo doado é, de fato, o sacrifício que o fiel está
fazendo como símbolo de maior sacrifício, numa sociedade como a nossa, em que
o dinheiro é símbolo de grande importância.

Vocacionados Menores – A liberação total do sistema financeiro ameaça as
instituições democráticas e fortalece as igrejas neopentecostais?

Drance Elias da Silva
– Eu acho que o que fortalece as igrejas neopentecostais
não é simplesmente a liberação total do dinheiro, em termos de capitalismo
internacional. O que as fortalece é a capacidade que elas têm de reinventar seus
próprios símbolos para poder se manter do ponto de vista subjetivo e do ponto de
vista material. Então, nesse sentido, elas desenvolvem uma ética na qual
poderíamos encontrar alguns traços da própria ética protestante do Weber, mas
não fazendo uma relação direta, mecânica, porque não é o caso. Eu acho que a
ética pentecostal leva a pessoa a um trato com relação a esse símbolo que faz com
que ele se torne uma prioridade na expressão de sua fé. Não há, por exemplo,
como retirarmos o dinheiro das igrejas neopentecostais como um elemento
significativo de importância. Elas não subsistiriam como uma certa facilidade.
Então, o dinheiro se tornou um elemento bastante significativo de comunicação, de
relação, de encontro, e isso independe da abertura meramente do mercado a nível
internacional. Eu acho que é uma lógica muito própria, ou, pelo menos, muito bem
estabelecida dentro do pensamento religioso neopentecostal, no qual o dinheiro se
ancora de uma forma diferente, como de fato está ancorado numa estratégia bem
maior de sociedade mercantil como a nossa.

Vocacionados Menores – O liberalismo pode ser confundido com o
neopentecostalismo?

Drance Elias da Silva
– Veja, o neopentecostalismo não é uma realidade
separada dessa realidade em que estamos vivendo em sociedade. É evidente que,
por dentro dele, evidentemente perpassa essa visão mercantilista neoliberal.
Quanto a isso, não há dúvidas. As estratégias neopentecostais para adquirir
dinheiro de fato são agressivas e de fato são empresariais. Eles têm evidentemente
todo um know how em termos de perspectivas empresarial, que perpassa, por
exemplo, a condução dos seus cultos. Temos consciência, quando pesquisamos, de
que há um comportamento evidentemente nessa perspectiva. Eu diria que o
neopentecostalismo, de alguma maneira, colabora, fortalece a perspectiva liberal à
medida que não incomoda na sua crítica mais fundamental. As igrejas
neopentecostais, como todas as outras igrejas ou religiões no Ocidente em que
nós estamos vivendo de sociedade neoliberal, estão passando por essa realidade.
Então, não existe uma realidade neopentecostal separada ou suspensa dessa
realidade mais ampla do ponto de vista político e econômico que estamos vivendo
hoje. Há, portanto, uma excelência no comportamento religioso. Podemos, com
facilidade, identificar como as igrejas neopentecostais sabem utilizar os meios de
comunicação, o quanto elas têm uma dimensão empresarial e uma estratégia
muito clara. É claro que eu estou falando todas essas coisas porque o meu ponto
de vista é o do fiel, não meramente da instituição. A crítica que muitos fazem em
relação ao uso do dinheiro pelas igrejas neopentecostais é uma crítica que parte
do pressuposto em termos das instituições. Mas como é que fica a questão do fiel?
Como é que ele está vendo isso a partir de seu pertencimento religioso? Há um
processo de continuidade e descontinuidade das igrejas neopentecostais dentro dessa conjuntura.

Vocacionados Menores – E qual é a sua visão pessoal sobre a forma de agir das
igrejas neopentecostais?

Drance Elias da Silva
– Primeiro, eu não tenho uma visão ingênua do
neopentecostalismo enquanto realidade institucional. O trabalho, embora lidando
com a questão da dádiva e do que a ela hoje pode ser agregado para uma melhor
compreensão, não anula a crítica que fazemos às igrejas neopentecostais. Não
anula a idéia do comportamento que identificamos em relação à sua colaboração,
por exemplo, a essa sociedade mercantilista que nós estamos vivendo. Sobre ela,
recai uma crítica que muitos já fizeram, com a qual concordo. A grande questão é
como se dá a relação do fiel com a sua igreja no cotidiano. As estratégias são as
mais criativas, agressivas, mas também são aquelas a que de fato o fiel encontra
uma certa significação a outras experiências de pertencimento. Eu tenho uma
visão, até certo ponto, positiva das religiões neopentecostais, à medida que a
crítica que já foi feita, mais reducionista, não salvaguardava uma outra visão que
parte do fiel. É preciso que, de alguma maneira, ele possa aprofundar essa sua
experiência de pertencimento, inclusive também fazer as suas críticas. Eu não acho
que os fiéis estejam como cordeirinhos, totalmente alienados, dominados, imersos
num processo de não consciência da opção que ele está fazendo. Há uma reserva
de liberdade muito grande que nós temos que contar com ela da parte dos fiéis.
Eles também se decepcionam no âmbito da insistência por parte dos pastores, por
exemplo, de pedir dinheiro, em monopolizar muito dos momentos desse espaço de
pertencimento. Há muitos fiéis que migram hoje de uma igreja para outra porque
se decepcionaram, mas nem por isso o neopentecostalismo deixou de crescer.
Então, há alguma coisa aí de fato realmente religiosa, que está além das
estratégias de convencimento por parte das religiões. Há algo muito mais forte e
que está nas mãos dos próprios fiéis.

Luciane
Por que quanto mais se avança no conhecimento e fé em Deus, maior é
a sensação de indignidade?
(artigo extraído do Blog Cotidiano Espiritual)



Quanto mais noção se tem, de modo bem existencial, do imenso Amor deste Deus que vive eternamente, e que tudo dá a vida, quanto mais nos abeiramos da poderosa e sublime e imensa santidade do nosso Deus, mais clara, evidente e iluminada fica a pobreza moral do sujeito, mesmo que não seja muita.


Uma pequena falta, no inicio do caminho, parece não ser nada. Mas, à medida que a Luz aumenta de intensidade, devido ao caminho cristão, e à aproximação "dessa luz imensa que é Deus" (irmã Lucia, Fátima, 1917), essa falta, essa imperfeição ganha contornos subjetivos (leitura e interpretação do sujeito) mais negros, mais visíveis, pois quanto maior é a aproximação do Amor, mais evidente se torna a gravidade do desamor.

Por isso, bem que diz Isaias: "Ai de mim, estou perdido! Com efeito, sou homem de lábios impuros, e vivo no meio de um povo de lábios impuros, e os meus olhos viram o Rei, Iahweh dos Exércitos" (Is 6,5).


Se é o Senhor o critério único, final, pleno, de avaliação das ações morais, pois bem, à medida que Ele se torna mais "próximo", mais clara fica a gravidade do desamor (gosto de substituir pecado por desamor). A nossa pequena ofensa, ingratidão, ganha pesos infinitos diante da infinita bondade e santidade de Deus.


Lembram-se da parábola daquele homem que rezava no Templo, junto ao altar, agradecendo por ser justo e não como o resto dos homens, e outro estava na entrada pedindo perdão, pois nem ousava levantar os olhos? Bem sabem quem foi, segundo diz Jesus, justificado! Atendendo ao que agora foi dito, podemos interpretar de modo mais profundo, intimo, espiritual, esta parábola. O tal justo da parábola não fez aproximação a Deus, não se lhe descobriu, ou não se lhe tornou perceptível o seu pecado, por mais pequeno que seja. E por quê?
Porque, quanto mais nos aproximamos de Deus, maior é a sensação de indignidade.
E a realidade de Deus exige que esta sensação seja um facto, a ponto de se dizer:

"Sim, sou muito indigno; simplesmente nem tinha noção do quanto indigno sou, justamente porque não tinha noção do quanto Belo Sois; por isso, a Vossa Beleza inesgotável, fonte de qualquer beleza, reduz a um aborto moral o que, à partida, era uma coisa que nem se percebia.


Mas, seremos nós, para Vós, abortos morais? De facto, somos. Somos miséria, caducidade, contingência, à beira do nada. Mas, muda tudo de figura quando descobrimos, Senhor Deus, que na Pessoa do teu verbo abraçaste, amaste e assumiste em absoluto o que somos. Até chegaste ao cúmulo, Tu, que és a fonte de toda a santidade, de aceitares seres batizado no batismo de penitência de João Batista, afim de seres contado entre os pecadores. Ficou claro para nós o sentido desse batismo. Mas o teu batismo (mergulho) não ficou por aqui. Aceitastes, assumistes a morte; o Teu Verbo entrou na nossa morte, Ele que É autor e fonte de todo o existir, de toda a vida. Agora, até a nossa morte se tornou divina, pois ao sofrer e morrer, sei que sofro inserido em Ti, pois a nossa morte se tornou Vossa. Seja Vossa Senhor, a nossa noite.


Sem Vós NADA podemos fazer. Pena seja, Senhor Deus, que seja tão difícil nos
recordarmos disto.Mas Vós nos amais, não como deveríamos ser, mas como somos.Faze-nos recordar hora a hora, minuto a minuto, esse Vosso amor por nós. Poisassim, tudo, dores, alegrias, cansaços, problemas, tudo será vivido como uma dádiva, e assim aquele paraíso original, por Vós desejado para nós, mas nuncapossuído de fato, começará a acontecer na vida, e a nossa vida, cheia do Vosso Amor, será o mais belo jardim, regado pelo rio do Vosso Espírito.


Que pena, Senhor, que os homens não percebam que não é fábula, nem mito, nem coisa de gente fraca de mente, acreditar em Vós. Pois que, se existes necessariamente, criastes não por determinismo, mas por Suprema liberdade -
criaste por Amor.


O teu apóstolo diz que És Amor. Pois o amor é entrega. Mas se o Teu Amor é sem medida, então que morra em nós qualquer ideia de um deus altivo, sentado no trono, distante, e cresça em nós a ideia de um Deus INFINITAMENTE POBRE, DADO, ENTREGUE, OFERECIDO, DESPOJADO, ESVAZIADO DE SI.

Por: Rui Silva (PORTUGAL) – autor do Blog Cotidiano Espiritual






Por João Paulo II

Resumo da Alocução de S.S. João Paulo II na IV Conferência Internacional sobre AIDS "Viver, para quê?" Promovida pelo Pontifício Conselho para a Pastoral dos Agentes Sanitários, celebrada na Sala do Sínodo do Vaticano em 13, 14 e 15 de novembro de 1989.

Duplo desafio

As estatísticas comprovam que a juventude é a que está mais afetada pela AIDS. A ameaça que se cerne sobre as jovens gerações deve chamar a atenção e comprometer o esforço de todos, pois, humanamente falando, o futuro do mundo está fundado nos jovens e a experiência ensina que o único modo de prevenir é o de prepará-lo.

A ameaçadora difusão da AIDS lança a todos um duplo desafio, que também a Igreja quer pegar na parte lhe compete: refiro-me à prevenção da doença e à assistência prestada aos que estão afetados por ela. Uma ação realmente eficaz nestes dois campos não poderá se realizar se não se tenta manter o esforço comum na contribuição que deriva de uma visão construtiva da dignidade da pessoa humana e de seu destino transcendente.

As particulares características da aparição e difusão da AIDS assim com a forma de enfrentar a luta contra esta doença, revelam uma preocupante crise de valores. Não estamos longe da verdade se afirmamos que paralelamente à difusão da AIDS, vem se manifestando uma espécie de imunodeficiência no plano dos valores existenciais, que não pode menos que reconhecer-se como uma verdadeira patologia do espírito.

Dois objetivos: informar e educar

Por conseguinte, é preciso em primeiro lugar reafirmar com firmeza que a obra da prevenção, para ser ao mesmo tempo digna da pessoa humana e verdadeiramente eficaz, deve propor-se dois objetivos: informar e educar para a maturidade responsável.

Antes de tudo é necessário que a informação transmitida pelas sedes idôneas seja correta e completa, além de medos infundados, mas também de falsas esperanças. A dignidade pessoal do homem exige, além disso, que o ajude a crescer na maturidade afetiva mediante uma específica ação educativa.

Só com uma informação e uma educação que ajudem a encontrar com clareza e com alegria o valor espiritual do "amor que se doa" como sentido fundamental da existência, é possível que os adolescentes e os jovens tenham a força necessária para superar os comportamentos perigosos. A educação para viver de modo sereno e sério a própria sexualidade e a preparação para o amor responsável e fiel são aspectos essenciais deste caminho para a plena maturidade pessoal. Ao contrário, uma prevenção que nasce, com inspiração egoísta, de considerações incompatíveis com os valores prioritários da vida e do amor, acabaria por ser, além de ilícita, contraditória, apenas rodeando o problema sem resolvê-lo em sua raiz.

Por isso a Igreja, segura intérprete da lei de Deus e "perita em humanidade", empenha-se não só em pronunciar uma série de "nãos" a determinados comportamentos, mas, principalmente a de propor um estilo de vida plenamente significativo para a pessoa. Ela indica com vigor e com gozo um ideal positivo, em cuja perspectiva se compreendem e se aplicam as normas morais de conduta. À luz deste ideal aparece profundamente lesivo da dignidade da pessoa, e por isso moralmente ilícito, propugnar uma prevenção da doença da AIDS baseada no recurso a meios e remédios que violam o sentido autenticamente humano da sexualidade e são um paliativo para aqueles mal-estares profundos onde se encontra comprometida a responsabilidade dos indivíduos e da sociedade. A reta razão não deve admitir que a fragilidade da condição humana, em vez de ser motivo de maior empenho, se traduza em pretexto para um relaxo que abra o caminho à degradação moral.

Compreensão e solidariedade

Em segundo lugar, uma prevenção construtivamente encaminhada a recuperar, principalmente entre as jovens gerações, o sentido pleno da vida e a exultante fascinação da entrega generosa, seguramente favorecerá um maior e mais amplo empenho na assistência aos doentes de AIDS. Estes, ainda na singularidade de sua situação patológica, têm direito, como qualquer outro enfermo, a receber da comunidade a assistência idônea, a compreensão respeitosa e uma plena solidariedade. A Igreja que, a exemplo de seu divino Fundador e Mestre, sempre considerou a assistência a quem sofre como parte fundamental de sua missão, sente-se interpelada em primeira pessoa, neste novo campo do sofrimento humano, pela consciência que tem de que o homem que sofre é um "caminho especial" de seu magistério e ministério.

Aos doentes de AIDS: o consolo da Igreja

Dirijo-me antes de tudo, com aflita solicitude, aos doentes de AIDS. Irmãos em Cristo, conheceis toda a esperança do caminho da cruz, não vos sintais sós. Convosco está a Igreja, sacramento de salvação, para sustentar-vos em vosso difícil caminho. Ela recebe muito de vosso sofrimento, enfrentando na fé; está perto de vos com o consolo da solidariedade ativa de seus membros, a fim de que não percais nunca a esperança. Não vos esqueçais o convite de Jesus: "Vinde a mim os cansados e atribulado, e eu vos serei descanso" (Mt. 11,28). Convosco estão, amadíssimos irmãos, homens da ciência, que se esforçam por conter e por vencer esta grave enfermidade: convosco estão quantos, no exercício da profissão sanitária ou por eleição voluntária, sustentada pelo ideal da solidariedade humana, dedicam-se vos assistir com toda solicitude e com todo tipo de meios.

Vós podeis oferecer em troca algo muito importante à comunidade da qual fazeis parte. O esforço que fazeis para dar um significado a vosso sofrimento é para todos um precioso reclamo aos valores mais altos da vida e uma ajuda talvez determinante para quantos sofrem a tentação da desesperação. Não vos encerreis em vós mesmos; buscai, mais bem, e aceitai o apoio dos irmãos. A oração da Igreja se eleva a cada dia ao Senhor por vós, particularmente pelos que vivem a doença no abandono e na solidão; pelos órfãos, pelos mais fracos, e pelos mais pobres, que o Senhor nos ensinou a considerar os primeiros em seu Reino.

À família: primeira escola de vida

Em seguida, dirijo-me às famílias. No núcleo familiar encontra-se a primeira e de formação dos filhos para responsabilidade pessoal em todos seus aspectos, incluído o que está ligado aos problemas da sexualidade. Vós podeis realizar a primeira e mais eficaz ação preventiva oferecendo a vossos filhos uma reta informação e preparando-os para escolher com responsabilidade os justos comportamentos tanto no âmbito individual como no social.

Depois, enquanto às famílias que vivem em seu interior o drama da AIDS, desejo que sintam dirigida a si a compreensão que o Papa compartilha com elas, consciente da difícil missão a qual estão chamadas. Peço ao Senhor que lhes conceda a generosidade para renunciar a uma tarefa que, perante Deus e perante a sociedade, assumiram a seu tempo como irrenunciável. A perda do calor familiar provoca nos doentes de AIDS a diminuição e até mesmo a extinção daquela imunologia psicológica e espiritual que às vezes se revela no menos importante que a física para sustentar a capacidade de reação do sujeito. Principalmente as famílias nascidas no sinal do matrimônio cristão têm a missão de oferecer um forte testemunho de fé e de amor, sem abandonar seu ente querido, ao contrário, rodeando-o de solícitos cuidados e afetuosa compaixão.

Aos educadores: idônea e séria formação

Aos professores e educadores se dirige meu convite a que se tornem promotores, em estreita união com as famílias, de uma idônea e séria formação dos adolescentes e dos jovens. Procure-se, especialmente nas escolas católicas, uma programação orgânica da educação sanitária na qual, harmonizando os elementos da prevenção com os valores morais, prepare os jovens para um correto estilo de vida, principal garantia para tutelar a própria saúde e a dos demais. A vós, educadores, vos foi confiado a responsabilidade de orientar as jovens gerações a uma autêntica cultura do amor, oferecendo em vós mesmos uma guia e um exemplo de fidelidade aos valores ideais que dão sentido à vida.

Aos jovens: sede de vida e amor

Aos jovens de qualquer idade e condição digo: Agi de modo que vossa sede de vida e de amor seja sede de uma vida digna de viver e de um amor construtivo. A necessária prevenção contra a ameaça da AIDS não há de inspirar-se no medo mas na escolha consciente de um estilo de vida saudável, livre e responsável. Fugi de comportamentos caracterizados pela dissipação, a apatia e o egoísmo. Sede, portanto, protagonistas na construção de uma ordem social justa, sobre a qual se apóie o mundo de vosso futuro. Praticai com generosidade e força de imaginação formas sempre novas de solidariedade. Rechaçai toda forma de marginalização; estai perto dos menos afortunados, dos que sofrem, cultivando a virtude da amizade e da compreensão, rejeitando toda violência convosco mesmo e com os demais. Vossa força há de ser a esperança e vosso ideal, a afirmação universal do amor.

Aos governadores e autoridades: plano global

Aos governadores e aos responsáveis pela administração pública dirijo um urgente chamado a enfrentar com todo empenho os novos problemas gerados pela difusão da AIDS. As dimensões que tem assumido, e que provavelmente assumirá esta enfermidade, assim como sua estreita conexão com alguns comportamentos que incidem nas relações interpessoais e sociais, exigem que os Estados se encarreguem --com valor, com claridade de idéias e com iniciativas corretas-- de todas suas responsabilidades. Em particular, às autoridades sanitárias e sociais compete preparar e realizar um plano global de luta contra a AIDS e as drogas; dentro desta programação deverá ser reconhecida, coordenada e sustentada toda justa iniciativa que os indivíduos, os grupos, as associações, e os diversos organismos ponham em andamento para a prevenção, a cura e a reabilitação. Igualmente a luta contra a AIDS exige a colaboração entre os povos: e posto que a demanda de saúde e de vida é comum a todos os homens, nenhum cálculo político ou econômico há de dividir o esforço dos Estados, chamados juntamente a responder ao desafio da AIDS.

Aos cientistas e pesquisadores: respeito da moralidade

Aos cientistas e aos pesquisadores, com uma felicitação por seu admirável esforço, vai meu convite a incrementar e a coordenar seu trabalho, fonte de esperança para os doentes de AIDS e para toda a humanidade. Como já foi reconhecido, "seria ilusório reivindicar a neutralidade moral da pesquisa científica e de suas aplicações... A causa de seu próprio significado intrínseco, a ciência e a técnica exigem o respeito incondicionado dos critérios fundamentais da moralidade: devem estar a serviço da pessoa humana, de seus direitos inalienáveis e de seu bem verdadeiro e integral segundo o plano e a vontade de " (Instrução Donum Vitae, 2). Hoje faltam ainda vacinas e medicamentos que sejam totalmente eficazes contra o vírus da AIDS; é realmente de desejar que a investigação científica e farmacológica possa alcançar em breve a suspirada meta. À porta de vossa competência e sensibilidade, ilustres cientistas e pesquisadores, está tocando uma humanidade implorante que espera uma resposta de vida, principalmente de vossa entrega e colaboração.

Aos médicos e pessoal sanitário: testemunho de amor

À espera do descobrimento resolutivo, convido os médicos e a todos os agentes sanitários, empenhados neste delicado setor profissional, a traduzir seu serviço em testemunho de amor pronto a socorrer. Estais vivendo individual e coletivamente a parábola do Bom Samaritano. Portanto, vossa solicitude não deve conhecer discriminação alguma. Sabei acolher, interpretar e valorizar a confiança que tem em vós o irmão doente. Buscai sempre, através da assistência, aproximar-vos com discrição e amor àquela misteriosa mas muito humana esfera psíquica e espiritual da qual pode brotar a energia viva e curativa que ajude ao doente a descobrir, inclusive em sua condição, o sentido da vida e o significado de seu sofrimento.

E vós, agentes sanitários voluntários, que cada vez em número maior dedicais competência e disponibilidade aos doentes de AIDS ou estais empenhados na obra de educação preventiva, uni e coordenai vossas forças, atualizar vossa preparação, tornai-vos promotores, inclusive no exterior, de uma ação dirigida a sensibilizar a comunidade social sobre os problemas vinculados à realidade e à ameaça da AIDS. Sede os porta-vozes dos anseios, das necessidades e das expectativas daqueles a quem atendeis.

Aos sacerdotes e religiosos: arautos do Evangelho do sofrimento

Aos irmãos no sacerdócio, aos religiosos e às religiosas, e em primeiro lugar aos que, entre eles, dedicam-se à pastoral sanitária, dirige-se meu mais ardente chamado a fim de que sejam arautos do Evangelho do sofrimento no mundo contemporâneo. A história da ação pastoral sanitária da Igreja abunda em figuras exemplares de sacerdotes, de religiosos e religiosas que na assistência aos que sofrem exaltaram a doutrina e a realidade do amor. Vossa ação, amadíssimos irmãos e irmãs, para ser crível e eficaz, deve estar constantemente sustentada pela fé e alimentada pela oração. Vós que fizeste do seguimento de Cristo o ideal exclusivo de vossa vida, senti-vos chamados a tornar-vos presença de Jesus, médico das almas e dos corpos. Que os doentes a quem assistis advirtam em vós a proximidade de Jesus, e a vigilante e maternal presença da Virgem. Acolhei com generosidade o chamado de vossos Pastores, amai e favorecei o serviço aos doentes, atuai no sinal de abnegação e do amor, "para não desvirtuar a cruz de Cristo" (1 Co. 1,17). Estai perto dos últimos e dos mais abandonados. Praticai a hospitalidade, promovei e sustentai todas as iniciativas que, no serviço a quem sofre, exaltam a grandeza e a dignidade da pessoa humana e de seu destino eterno. Sede testemunhas do amor da Igreja pelos que sofrem e de sua predileção pelos mais provados pelo mal.

A todos os fiéis: mensageiros de esperança

Finalmente, convido a todos os fiéis a elevar sua oração ao Senhor da vida para que ajude a humanidade a tirar proveito inclusive desta nova e ameaçadora calamidade. Queira Deus Iluminar os fiéis sobre o verdadeiro e último "por quê" da existência, a fim de que sejam sempre e em todas as partes mensageiros da existência que não morre. Oxalá o homem de hoje saiba repetir ao Senhor as palavras de Jó: "Sei que és todo- poderoso: nenhum projeto te é irrealizável" (Jó 42,2). Se hoje, frente à ameaça do flagelo da AIDS, estamos ainda em busca do remédio eficaz, confiamos que, com a ajuda de Deus, triunfará finalmente a vida sobre a morte e a alegria sobre o sofrimento. Com este desejo invoco sobre vós e sobre quantos gastam suas energias ao serviço da nobilíssima causa as bênçãos do Deus Onipotente.


Antes de mais nada, é preciso dizer que o celibato de padres e freiras, bem como de todos aqueles que fazem voto de castidade perante Deus e a Igreja, não é um Dogma (matéria de fé), mas apenas uma norma disciplinar interna da Igreja.

Como tal, a Igreja poderá alterar esta disposição (como já fez) ao longo do tempo. Da mesma forma, não há obrigação para que os católicos concordem incondicionalmente com tal regra. No entanto, devido a tantas confusões que o público faz quando se trata do assunto, é interessante saber porque a Igreja optou pelo celibato de seus religiosos.

Na verdade, os clérigos optaram por um outro tipo de matrimônio: um casamento com a Igreja. Assim, um sacerdote, que não tem os deveres de pai e toda as preocupações que são inerentes a um chefe de família, pode se dedicar plenamente a sua paróquia, a sua missão de evangelizador.

Dos doze apóstolos, três eram casados (incluindo São Pedro, o primeiro Papa), mas nove eram celibatários. O próprio Jesus Cristo se manteve casto.

Com o tempo, os bispos e presbíteros da Igreja vão percebendo que esta condição mais próxima de Cristo era também a mais eficaz para o trabalho de evangelização. De fato, um pai de família não tem o mesmo tempo para cuidar da messe que um solteiro. Sem falar em outras questões, como a necessidade de se deslocar de uma região para outra.

Neste sentido, é que em 303 d.C. o Concílio de Elvira (Espanha) recomenda o celibato como norma para os religiosos. Na verdade, o Concílio apenas foi de encontro a uma realidade que já se fazia presente na Igreja.

Da mesma forma que várias instituições têm suas normas internas, a Igreja também as têm, com todo o dever e legitimidade para tanto. Ninguém é obrigado a ser padre, freira ou monge, mas caso decida por esta bela opção de vida, sabe das responsabilidades que está para assumir. Mutatis mutandis, é como quem decide entrar para as forças armadas: sabe das restrições que esta decisão implica, e mesmo dos riscos (tipo ser chamado para a guerra), mas se o faz, entende-se que há um ideal maior a justificar.

Haveria ideal maior do que procurar servir plenamente a Cristo?

Quanto a simples alegações dizendo que "o celibato vai contra a natureza do homem", tal não pode ser considerado, a menos que queiramos reduzir o homem a uma função meramente sexual, quase animalesca, esquecendo que se trata de um ser inteligente, dotado de alma e de ideais. E quanto não foram os exemplos de homens e mulheres que viveram feliz em sua condição de celibatário?

O exemplo típico é o de Santo Agostinho, que antes vivera em concubinato e, depois de converso ao Catolicismo, chega a exaltar o celibato, até mesmo de forma um tanto exagerada.

Mas para não ficarmos apenas no Cristianismo (o que já é mais do que suficiente), devemos lembrar do próprio Gandhi, que deixou a mulher para melhor lutar pelo ideal de libertação de sua pátria.

O que a sociedade moderna não entende é este "contra-testemunho" de pessoas que insistem em se manter castas, quando tudo "conspira contra", a começar pelos meios de comunicação em massa, que elegeram o sexo como um elixir mágico para todos os males.

Obviamente o sexo em si não é algo condenável. Pelo contrário, faz parte do Matrimônio, Sacramento da Igreja, exercendo a função de complementação entre o homem e a mulher, bem como a geração da vida. Funções, aliás, bem mais nobres do que outras que a sociedade moderna elegeu como justificativas das libertinagens a que hoje assistimos.

Mas, e a Bíblia, o que diz?

Os fundamentalistas em uma ponta, e os liberais em outra, dizem que o celibato é condenado pelas próprias Escrituras.

Neste sentido, citam versículos do tipo: "Crescei e multiplicai-vos". Ora, este é um mandamento para a humanidade em geral, e não para cada indivíduo. Se fosse assim, João batista, Cristo, São Paulo e boa parte dos apóstolos estariam, de cara, desobedecendo uma das recomendações que consta logo no início da Bíblia.

O próprio Cristo em Mt 19, 12 exalta o celibato:

"Pois há homens incapazes para o casamento porque assim nasceram do ventre da mãe; há outros que assim foram feitos pelos homens, e há aqueles que assim se fizeram por amor do reino dos céus. Quem puder entender, que entenda".

Quem puder entender, entenda...!

Mas Cristo continua:
"E todo aquele que deixar casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou campos por amor de meu nome, receberá cem vezes mais e possuirá a vida eterna." (Mt 19,29)

São Paulo endossa tal posicionamento:
Quisera que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem de Deus a sua própria graça; este uma, aquele outra. Contudo, aos não-casados e às viúvas eu digo: é melhor para eles que permaneçam como eu." (1Cor 7,7-8)

Ou ainda:
"Estás ligado a mulher? Não procures a separação. Estás livre de mulher? Não procures mulher." (1Cor 7,27)

"Eu vos quereria livres de cuidados. O celibatário cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado deverá cuidar das coisas do mundo, de como agradar à sua mulher, e assim está dividido. A mulher não casada e a virgem só se preocupam com as coisas do Senhor, com ser em corpo e em espírito. Porém a casada se preocupa com as coisas do mundo, como agradar ao marido. Isto vos digo para vossa conveniência, não para vos armar um laço, senão olhando ao que é melhor e ao que vos permite unir-vos mais ao Senhor, livres de impedimentos." (1Cor 7,32-35)

Por outro lado, quando São Paulo recomenda a São Timóteo que "o epíscopo tem o dever de ser irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, modesto, hospitaleiro, capaz de ensinar" (1Tim 3,2) não está obrigando São Timóteo a casar. Nem podia: um celibatário escrevendo para outro, mandando-o casar? Não faz o menor sentido!

O que São Paulo diz é para São Timóteo ser diligente na escolha de novos bispos, já que estes precisam ser pessoas exemplares para a comunidade. Só. Quem ler o trecho bíblico citado, com um mínimo de sensatez, não pode dar outra interpretação.

Se há clérigos que, infelizmente, não cumpriram os seus votos, isto não pode ser usado como desculpa para dizer que o celibato é imprestável, inviável, etc. Se fosse assim, toda e qualquer lei devia ser abolida, em respeito a seus infratores!


O presente artigo analisa a prática das promessas feitas a Deus ou aos santos por pessoas desejosas de obter alguma graça. Tal prática tem fundamentado na própria Bíblia (cf. Gn 28,20-22; 1Sm 1,11). Todavia verifica-se que os autores bíblicos faziam advertências aos fiéis no sentido de não prometerem o que não pudessem cumprir (cf. Ecl 5,4). No Novo Testamento São Paulo quis submeter-se às obrigações do voto do nazireato (cf. At 18,18; 21,24). Estas ponderações mostram que a prática das promessas como tal não é má. É certo, porém, que as promessas não movem o Senhor Deus a nos dar o que Ele não quer dar, pois Deus já decretou desde toda a eternidade dar o que Ele nos dá no tempo, mas as promessas contribuem para afervorar o orante, excitando neste maior amor. Acontece, porém, que muitas vezes os cristãos não têm noção clara do porquê das promessas ou prometem práticas que eles não podem cumprir. Daí surgem duas obrigações para quem tem o encargo de orientar os irmãos: 1) mostre-lhes que as promessas nada têm de mágico ou de mecânico, nem se destinam a dobrar a vontade de Deus, como se o Senhor se pudesse deixar atrair por promessas, à semelhança de um homem; 2) procure incutir a noção de que o cristão é filho do Pai e, por isto, não precisa de prometer ao Pai; o amor filial com que o cristão reze a Deus, é mais eloqüente do que a linguagem das promessas, que podem ter um sabor “comercial” ou muito pouco filial.
Comentário: Entre os fiéis católicos não é raro fazerem-se promessas a Deus ou a algum santo (…), promessas de algum ato heróico a ser cumprido caso a pessoa receba a graça que deseja. Em conseqüência, fala-se de “pagar promessas”. Não raro os fiéis que prometem, depois de atendidos, não têm condições físicas, psíquicas ou financeiras para pagar as suas promessas. Sentem-se então angustiados, pois receiam que algo de mau ou um castigo lhes sobrevenha da parte de Deus por não cumprirem as suas “obrigações”. O problema é tormentoso e merece ser analisado desde as suas raízes, ou seja, a partir do conceito mesmo de piedade que os fiéis cristãos devem alimentar. É o que vamos fazer nas páginas subseqüentes, examinando: 1) a fundamentação bíblica, 2) a justificativa teológica das promessas, 3) a casuística ocasionada, 4) uma conclusão final.

1. Fundamentação bíblica

O costume de fazer promessas ou, segundo linguagem mais bíblica, votos tem origem na piedade popular anterior a Cristo. É documentado pela própria Bíblia, que nos mostra como pessoas, em situações difíceis necessitando de um auxílio de Deus, prometeram fazer ou omitir algo, caso fossem ajudadas pelo Senhor. Foi, por exemplo, o que aconteceu com Jacó, que, ao fugir para a Mesopotâmia, exclamou: “Se Deus estiver comigo, se me proteger durante esta viagem, se me der pão para comer e roupa para vestir e se eu regressar em paz à casa de meu pai,… esta pedra… será para mim casa de Deus e pagarei o dízimo de tudo quanto me concederdes” (Gn 28, 20-22). Ana, estéril, mas futura mãe de Samuel, fez a seguinte promessa: “Senhor dos exércitos, se vos dignardes olhar para a aflição da vossa serva e… lhe derdes um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor durante todos os dias de sua vida e a navalha não passará sobre a sua cabeça” (1Sm 1,11). Alguns salmos exprimem os votos ou as promessas dos orantes de Israel; assim os de número 65. 66. 116; Jn 2,3-9.
A própria Escritura, porém, dá a entender que, entre os membros do povo de Deus, houve abusos no tocante às promessas: algumas terão sido proferidas impensadamente: “É melhor não fazer promessas do que fazê-las e não as cumprir” (Ecl 5,4). Havia também quem quisesse cumprir as suas promessas oferecendo o que tinha de menos digno ou valioso em vez de levar ao Templo as suas melhores posses; é o que observa o Senhor por meio do profeta Malaquias: “Trazeis o animal roubado, o coxo ou o doente e o ofereceis em sacrifício. Posso eu recebê-lo de vossas mãos com agrado?… Maldito o embusteiro, que tem em seu rebanho um animal macho, mas consagra e sacrifica ao Senhor um animal defeituoso” (Ml 1, 13s). Com o tempo os mestres de Israel procuravam restringir a prática das promessas, pois podiam tornar-se um entrave para a verdadeira piedade. No Evangelho Jesus supõe que certos filhos se subtraiam ao dever de assistir aos pais, alegando que tinham consagrado a Deus todo o dinheiro disponível:
“Vós por que violais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Com efeito, Deus disse: “Honra teu pai e tua mãe” e “Aquele que maldisser pai ou mãe, certamente deve morrer”. Vós, porém, dizeis: “Aquele que disser ao pai ou à mãe: Aquilo que de mim poderias receber, foi consagrado a Deus, esse não está obrigado a honrar pai ou mãe”. Assim invalidastes a Palavra de Deus por causa da vossa tradição” (Mt 15, 3-6).
Todavia não consta que o Senhor Jesus tenha condenado o costume de fazer promessas como tal; ao contrário, os escritos do Novo Testamento atestam a prática de S. Paulo, que terá sido a dos cristãos da Igreja nascente e posterior:
“Paulo embarcou para a Síria… Ele havia rapado a cabeça em Cencréia por causa de um voto que tinha feito” (At 18,18).
“Disseram os judeus a Paulo: “Temos aqui quatro homens que fizeram um voto… Purificar-te com eles, e encarrega-te das despesas para que possam mandar rapar a cabeça. Assim todos saberão que são falsas as notícias a teu respeito, e que te comportas como observante da Lei” (At 21, 23s).
Em síntese, a praxe das promessas não é má, pois a S. Escritura não a rejeita, mas, ao contrário, torna-se objeto de determinações legais, como se depreende dos textos abaixo:
Lv 7,16: “Se alguém oferecer uma vítima em cumprimento de um voto ou como oferta voluntária, deverá ser consumida no dia em que for oferecida, e o resto poderá ser comido no dia imediato”.
Nm 15,3: “Se oferecerdes ao Senhor alguma oferenda de combustão, holocausto ou sacrifício, em cumprimento de um voto especial ou como oferta espontânea…”.
Nm 30,4-6: “Se uma mulher fizer um voto ao Senhor ou se impuser uma obrigação na casa de seu pai, durante a sua juventude, os seus votos serão válidos, sejam eles quais forem. Se o pai tiver conhecimento do voto ou da obrigação que se impôs a si mesma será válida. Mas, se o pai os desaprovar, no dia em que deles tiver conhecimento, todos os seus votos… ficarão sem valor algum. O Senhor perdoar-lhe-á, porque seu pai se opôs”.
Dt 12,5s: “Só invocareis o Senhor vosso Deus no lugar que Ele escolher entre todas as vossas tribos para aí firmar o seu nome e a sua morada. Apresentareis ali os vossos holocaustos,… os vossos holocaustos,… os vossos votos…”
Verifica-se, porém, que a prática dos votos nem sempre é salutar, merecendo por isto advertências da parte dos autores sagrados.

2. Qual a justificativa das promessas?

É certo que as promessas não são feitas para atrair Deus como se atrairia um homem poderoso, capaz de ser aliciado por dádivas e “pagamentos”; Deus não muda de desígnio; desde toda a eternidade Ele já determinou irreversivelmente dar-nos o que Ele nos concede dia por dia. Todavia, ao determinar que nos daria as graças necessárias, Deus quis incluir no seu desígnio a colaboração do homem que se faz mediante a oração; com outras palavras: Deus quer dar…, e dará…, levando em conta as orações que Lhe fazemos. Sobre este fundo de cena as promessas têm valor não tanto para Deus quanto para nós, orantes; sim, as promessas nos excitam a maior fervor; são o testemunho e o estímulo da nossa devoção; supõe-se que quem promete e cumpre a sua promessa, exercita em seu coração o amor a Deus; ora isto é valioso. Por conseguinte, quem vive a instituição das promessas em tal perspectiva, pode estar fazendo algo de bom, pois concebe mais amor e fervor. Diz o Senhor no Evangelho, referindo-se à pecadora que lhe lavou os pés pecados lhe estão perdoados” (Lc 7,47). Paralelamente diríamos, pode estar-se abrindo mais plenamente à misericórdia e à liberalidade do Senhor Deus.

3. E a casuística das promessas?

Há pessoas que, depois de receber o dom de Deus, se vêem embaraçadas para cumprir as suas promessas, porque não têm condições de saúde, de tempo ou de bens materiais para executar o que prometeram.
Que fazer?
- Antes do mais, afastem a hipótese, às vezes comunicada por religiões não cristãs, de que, se não “pagarem as suas obrigações”, estarão sujeitos a graves desgraças; na verdade, Deus não é vingativo nem é policial que pune contravenções, mas é Pai…, de tal modo que pensar em Deus deve despertar no cristão sentimentos de paz, confiança e alegria. Isto, porém, não quer dizer que o cristão despreocupadamente deixe de cumprir as suas promessas. Quem não as pode executar, procure um sacerdote e peça-lhe que troque a matéria da promessa. Esta solução condiz com os textos bíblicos que, de um lado, exortam a não deixar de cumprir o prometido (cf. Ecl 5,3), e, de outro lado, prevêem a insolvência dos fiéis e a possibilidade de comutação dos votos (ou promessas) por parte dos sacerdotes:
“Se aquele que fizer um voto não puder pagar a avaliação, apresentará a pessoa diante do sacerdote e este fixá-la-á; o valor será fixado pelo sacerdote de acordo com os meios de quem fizer voto” (Lv 27, 8; cf. Lv 27,13s.18.23).
Poderá acontecer que, em certos casos, o padre julgue oportuno dispensar, por completo, de certa promessa o fiel cristão.
A propósito convém incutir que, se alguém quer fazer uma promessa, evite propor certas práticas que são um tanto irracionais (como ocorre na peça “O pagador de promessas”); procure, ao contrário, prometer práticas não somente exeqüíveis e razoáveis, mas também úteis à santificação do próprio sujeito ou ao bem do próximo. Não tem sentido prometer algo que outra pessoa deverá cumprir, como é o caso de pais que prometem vestir o seu filho “de São Sebastião” no dia da festa do Santo; esta prática como tal não fomenta o amor a Deus e ao próximo. Quanto aos ex-voto (cabeças, braços, pernas… de cera), que se oferecem em determinados santuários, podem ter seu significado, pois contribuem para testemunhar a misericórdia de Deus derramada sobre as pessoas agraciadas; assim levarão o povo de Deus a glorificar o Senhor; mas é preciso que as pessoas agraciadas saibam por que oferecem tais objetos de cera, e não o façam por rotina ou de maneira inconsciente. Entre as práticas que mais se podem recomendar, apontam-se as três clássicas que o Evangelho mesmo propõe: a oração, a esmola e o jejum (cf. Mt 6,1-18). Com efeito, a S. Missa é o centro e o manancial, por excelência, da vida cristã, vida cristã que se nutre outrossim mediante a oração; a esmola e a colaboração com o próximo recobrem a multidão dos pecados (cf. 1Pd 4,8; Tg 5,20; Pr 10,12); o jejum e a mortificação purificam e libertam das paixões o ser humano, possibilitando-lhe mais frutuoso encontro com Deus através dos véus desta vida. Se a prática das promessas levar o cristão ao exercício destas boas obras, poderá ser salutar. Requer-se, porém, que os pastores de almas e os catequistas instruam devidamente os fiéis a fim de que compreendam que as promessas nada têm que ver com as “obrigações” dos cultos afro-brasileiros, mas hão de ser expressões do amor filial e devoto dos cristãos ao Senhor Deus.

4. Conclusão

Como se vê, a prática das promessas pode ser fundamentada na própria Bíblia. Verifica-se, porém, que já os autores sagrados lhe faziam certas restrições. Hoje em dia nota-se que freqüentemente alimenta uma mentalidade religiosa “comercial” ou amedrontada e doentia, gerando facilmente o escrúpulo mórbido. Muitas pessoas se sobrecarregam com promessas e mais promessas que elas não conseguem cumprir; em vez de fomentar a vida cristã, as promessas a prejudicam não raras vezes. Por isto é de sugerir que os cristãos reconsiderem tal costume, que de resto parece mais fundado numa concepção antropomórfica de Deus (concebido como o Grande Banqueiro, cuja benevolência é preciso cativar) do que na autêntica visão que o Cristianismo tem de Deus. Este é Pai, Aquele que nos amou primeiro, antes mesmo que O pudéssemos amar (cf. 1Jo 4,19.9s; Rm 5,7s); por conseguinte, somos seus filhos, certos de que o amor do Pai é irreversível ou não volta atrás, cientes também de que, antes que Lhe peçamos alguma coisa, Ele já decretou dar-nos tudo o que seja condizente com o nosso verdadeiro bem; diz São Paulo: “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos terá dado tudo com Ele?” (Rm 8,32).


Por: D. Estevão Bettencourt, osb

Não é conveniente adotar cânticos protestantes em celebrações católicas pelas razões seguintes:

1) Lex orandi lex credendi (Nós oramos de acordo com aquilo que cremos). Isto quer dizer: existe grande afinidade entre as fórmulas de fé e as fórmulas de oração; a fé se exprime na oração, já diziam os escritores cristãos dos primeiros séculos. No século IV, por ocasião da controvérsia ariana (que debatia a Divindade do Filho), os hereges queriam incutir o arianismo através de hinos religiosos, ao que S. Ambrósio opôs os hinos ambrosianos.
Mais ainda: nos séculos XVII-XIX o Galicanismo propugnava a existência de Igrejas nacionais subordinadas não ao Papa, mas ao monarca. Em conseqüência foi criado o calendário galicano, no qual estava inserida a festa de São Napoleão, que podia ser entendido como um mártir da Igreja antiga ou como sendo o Imperador Napoleão.
Pois bem, os protestantes têm seus cantos religiosos através de cuja letra se exprime a fé protestante. O católico que utiliza esses cânticos, não pode deixar de assimilar aos poucos a mentalidade protestante; esta é, em certos casos, mais subjetiva e sentimental do que a católica.
2) Os cantos protestantes ignoram verdades centrais do Cristianismo: a Eucaristia, a Comunhão dos Santos, a Igreja Mãe e Mestra… esses temas não podem faltar numa autêntica espiritualidade cristã.
3) Deve-se estimular a produção de cânticos católicos com base na doutrina da fé.


O terço, ou o rosário, é uma oração de contemplação, louvor e súplica ao mesmo tempo. O papa Paulo VI ensinou que ele "tem índole comunitária, se nutre da Sagrada Escritura e gravita em torno do mistério de Cristo".

Quanto mais se invoca Maria repetindo as Ave-Marias, tanto mais se evoca o Cristo, o "bendito fruto do seu ventre".

Na medida em que o vamos rezando e contemplando, ele nos abre um "painel catequético e bíblico" da História da Salvação.

Tudo o que Jesus fez para nos dar o Reino do Pai. No caminho da oração vamos percorrendo o itinerário do discipulado junto com Maria, a discípula primeira e maior.

Os 'Pai-nossos', as 'Ave Marias' e os 'Glórias ao Pai' entrelaçam episódios importantes vividos por Jesus e Maria. Cenas de alegrias, dores, glória e vivência do Reino.

Elas nos oferecem uma visão global das etapas do Mistério Pascal desde a Encarnação até a Ressurreição, Ascensão e envio do Espírito Santo. Nas contas do terço vai desfilando também a missão que Jesus confiou a nós na Igreja.

Somos obrigados a rezar o Terço? Não. É uma devoção. Mas entre os que o rezam não haverá ninguém que ignore sua validade. Milhões e milhões de pessoas pelo mundo inteiro o rezam em todas as línguas e idades.

Feita com devoção e piedade esta prece tão excelente tem alcançado muitas graças divinas.

Por ela a Igreja superou grandes crises em sua História ao longo dos séculos: heresias, guerras, tragédias e perseguições.

Esta prece promove a vida cristã e a pastoral, iluminando a opção a ser feita em momentos de grave aflição. Depois do Pai-nosso é a oração mais conhecida e mais popular dentro da Igreja. Nenhum cristão deveria deixar de fazê-la. Rosário vem de rosa. Cada Ave Maria é uma rosa do buque a ser oferecido a Jesus e Maria.

Pe. Antonio Clayton Santanna, C.SS.R.


“Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório.” (Ex 25,18)

Muitas vezes andando nas ruas encontramos pessoas vestidas com ternos e com uma Bíblia na mão, ensinando que usar imagens em igrejas é idolatria.

Por este motivo costumam chamar os católicos de idólatras, isto é, adoradores de ídolos, que quer dizer adoradores de falsos deuses. E ainda acusam a Igreja Católica de ensinar a adoração destas imagens.

Os protestantes encaram o uso das imagens sacras como um insulto ao mandamento divino que consta em Ex 20,4 que proíbe a confecção delas.

A Igreja Católica sempre defendeu o uso das imagens. Estaria a Igreja Católica desobedecendo a ordem divina em Ex 20,4?

A Igreja Católica é a única Igreja que tem ligação direta com os apóstolos de Cristo, sendo ela a guardiã da doutrina ensinada por eles e por Cristo, sem lhe inculcar qualquer mudança. Se ela quisesse mesmo agir contra a ordem divina, teria adulterado a Bíblia nas passagens em que há a condenação das imagens.

Na Bíblia católica – pois a Bíblia protestante não contém sete livros relativos ao Velho Testamento- o Livro da Sabedoria condena como nenhum outro a idolatria (Sb 13-15). Não poderia a Igreja repudiar o livro como fizeram os protestantes?

Na Sagrada Escritura há outras passagens que condenam a confecção de imagens como por exemplo: Lv 26,1; Dt 7,25; Sl 97,7 e etc. Mas também há outras passagens que defendem sua confecção como: Ex 25,17-22; 37,7-9; 41,18; Nm 21,8-9; 1Rs 6,23-29.32; 7,26-29.36; 8,7; 1Cr 28,18-19; 2Cr 3,7,10-14; 5,8; 1Sm 4,4 e etc.

Pode Deus infinitamente perfeito entrar em contradição consigo mesmo? É claro que não. E como podemos explicar esta aparente contradição na Bíblia?

Isto é muito simples de ser explicado. Deus condena a idolatria e não a confecção de imagens. Quando o objetivo da imagem é representar, ou ser um ídolo que vai roubar a adoração devida a somente a Deus, ela é abominável. Porém quando é utilizada ao serviço de Deus, no auxílio à adoração a Deus, ela é uma benção. Vejamos os textos abaixo:

“Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo da terra, nem nas àguas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque Eu, o Senhor teu Deus, sou zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira geração daqueles que me aborrecem.”(Ex 20,4-5)

Note que nesta passagem a função da imagem é roubar a adoração devida somente a Deus. O texto bíblico condena a confecção da imagem porque ela está roubando o culto de adoração ao Senhor. A existência deste mandamento se deve pelo fato do povo judeu ser inclinado à idolatria, por ter vivido no Egito que era uma nação idólatra e por estar cercado de nações pagãs, que não adoravam a Deus, e que construíam seus próprios deuses. Deus quer dizer aqui “não construam deuses para vocês, pois Eu Sou o Deus Único e Verdadeiro”.

“Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubin na extremidade de uma parte, e outro querubin na extremidade de outra parte; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele.” (Ex 25,18-19)

Neste versículo, Deus ordena a Moisés que construa duas imagens de querubins que serão colocadas em cima da arca-da-aliança, onde estavam as tábuas da lei, dos dez mandamentos. Veja que os querubins aqui não são objetos de adoração, mas de ornamentação da arca. Salomão também manda construir dois querubins de madeira, que serão colocados no altar para enfeitar o templo (1Rs 6,23-29).

Para deixar mais claro ainda a proibição e a permissão do uso das imagens sacras, vejamos os próximos versículos:

“E disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo mordido que olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal e pô-la sobre uma haste; e era que, mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal e ficava vivo.” (Nm 21,8-9)

“Este [Ezequias] tirou os altos, e quebrou as estátuas, e deitou abaixo os bosques e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera, porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã.”(2Rs 18,4)

Note que no primeiro texto de Nm 21,8-9, Deus não só permitiu o uso da imagem, como também a utiliza para o seu serviço; e a transforma em objeto de benção para seu povo, sinal de Seu amor por Israel.

E no segundo texto de 2Rs 18,4 a mesma serpente de metal que outrora foi construída por Moisés, é repudiada por Deus. Tornou-se objeto de adoração pois “os filhos de Israel lhe queimavam insenso”. Deram a ela o culto devido somente a Deus. A Serpente de metal perdeu como nos mostra o texto, o seu sentido original, porque os filhos de Israel “não obedeceram à voz do Senhor, seu Deus; antes, tranpassaram seu concerto; e tudo quanto Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado, nem o ouviram nem o fizeram.”(2Rs 18,12)

Aí fica mais que claro que Deus não condena o uso das imagens sacras e sim a idolatria. É importante lembrarmos que há muitas outras formas de idolatria, como o amor ao dinheiro, aos bens materias, etc; que substituem o amor que devemos ter somente por Deus.


A "reforma protestante" se expandiu rapidamente porque foi imposta de cima para baixo sem exceção em todos os países em que logrou vingar. O povo foi obrigado a "engolir" as novas doutrinas porque os reis e príncipes cobiçavam as terras e bens materiais da Igreja Católica. Infelizmente nesta época a Igreja era rica de bens materiais e pobre de bens espirituais. Foi com os olhos postos nesta riqueza mundana que os soberanos "escolheram" para si e para seu povo as doutrinas dos novos evangelistas, esquecidos de que todo ouro, terra ou prata se enferruja e fenece conforme ensina a escritura: "O vosso ouro e a vossa prata estão enferrujados e a sua ferrugem testemunhará contra vós e devorará as vossas carnes" ( Tg 5, 2-3 ). Prova isto o fato de que as primeiras providências eram recolher ao fisco real tudo o que da Igreja Católica poderia se converter em dinheiro.

INGLATERRA: foi "convertida" na marra porque o rei Henrique VIII queria se divorciar de Ana Bolena. Como a Igreja não consentiu, ele fundou a "sua" igreja obrigando o parlamento a aprovar o "ato de supremacia do rei sobre os assuntos religiosos". Padres e bispos foram presos e decapitados, igrejas e mosteiros arrasados, católicos aos milhares foram mortos. Qualquer aproveitador era alçado ao posto de bispo ou pastor. Tribunais religiosos (inquisições) foram montados em todo o país. ( Macaulay. A História da Inglaterra. Leipzig, tomo I, pgna 54 ). Os camponeses da Irlanda pegaram em armas para defender o catolicismo. Foram trucidados impiedosamente pelos exércitos de Cromwell. Ao fim da guerra, as melhores terras irlandesas foram entregues aos ingleses protestantes e os católicos forçados à migrar para o sul do continente. Cerca de 1.000.000 de pessoas morreram de fome no primeiro ano do forçado exílio. Esta guerra criou uma rivalidade entre ingleses protestantes e irlandeses católicos que dura até hoje, e volta e meia aparecem nos noticiários.

ESCÓCIA: O poder civil aboliu por lei o catolicismo e obrigou todos a aderir à igreja "calvinista presbiteriana". Os padres permaneceram, mas tinham de escolher outra profissão. Quem era encontrado celebrando missa era condenado à morte. Católicos recalcitrantes foram perseguidos e mortos, igrejas e mosteiros arrasados, livros católicos queimados. Tribunais religiosos (inquisições) foram criados para condenar os católicos clandestinos. ( Westminster Review, Tomo LIV, p. 453 )

DINAMARCA: O protestantismo foi introduzido por obra e graça de Cristiano II, por suas crueldades apelidado de "o Nero do Norte". Encarcerou bispos, confiscou bens, expulsou religiosos e proclamou-se chefe absoluto da Igreja Evangélica Dinamarquesa. Em 1569 publicou os 25 artigos que todos os cidadãos e estrangeiros eram obrigados a assinar aderindo à doutrina luterana. Ainda em 1789 se decretava pena de morte ao sacerdote católico que ousasse por os pés em solo dinamarquês. ( Origem e Progresso da Reforma, pgna 204, Editora Agir, 1923, em IRC )

SUÉCIA: Gustavo Wasa suprimiu por lei o Catolicismo. Jacopson e Knut, os dois mais heróicos bispos católicos foram decapitados. Os outros obrigados a fugir junto com padres, diáconos e religiosos. Os seminários foram fechados, igrejas e mosteiros reduzidos a pó. O povo indignado com tamanha prepotência pegou em armas para defender a religião de seus antepassados. Os Exércitos do "evangélico" rei afogaram em sangue estas reivindicações.(A Reforma Protestante, Pgna 203, 7ª edição, em IRC. 1958)

SUIÇA: O Senado coagido pelo rei aprovou a proibição do catolicismo e proclamou o protestantismo religião oficial. A mesma maldade e vileza ocorreram. Os mártires foram inumeráveis. ( J. B. Galiffe. Notices génealogiques, etc., tomo III. Pgna 403 )

HOLANDA: Aqui foram as câmaras dos Estados Gerais a proibir o catolicismo. Com afã miserável tomaram posse dos bens da Igreja. Martirizaram inúmeros sacerdotes, religiosos e leigos. Fecharam igrejas e mosteiros. A fama e a marca destes fanáticos chegou até ao Brasil. Em 1645 nos municípios de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante ambos no atual Rio Grande do Norte cerca de 100 católicos foram mortos entre dois padres, mulheres, velhos e crianças simplesmente porque não queriam se "batizar" na religião dos invasores holandeses. Foram beatificados como mártires este ano.Em 1570 foram enviados para o Brasil para evangelizar os índios o Pe Ináciode Azevedo e mais 40 jesuítas. Vinham a bordo da nau "S. Tiago" quando em alto mar os interceptou o "piedoso" calvinista Jacques Sourie. Como prova de seu "evangélico" zêlo mandou degolar friamente todos os padres e irmãos e jogar os corpos aos tubarões (Luigi Giovannini e M. Sgarbossa in Il santo del giorno, 4ª ed. E.P, pg 224, 1978).

ALEMANHA: Na época era dividida em Principados. Como havia muito conflito entre eles, chegaram no acordo que cada Príncipe escolhesse para os seus súditos a religião que mais lhe conviesse. Princípio administrativo do "cujus regio illius religio". Os príncipes não se fizeram rogar. Além da administração mundana, passaram também a formular e inventar doutrinas. A opressão sangrenta ao catolicismo pela força armada foi a consequência de semelhante princípio. Cada vez que se trocava um soberano o povo era avisado que também se trocavam as "doutrinas evangélicas" (Confessio Helvetica posterior ( 1562 ) artigo XXX ). Relata o famoso historiador Pfanneri: "uma cidade do Palatinado desde a Reforma, já tinha mudado 10 vezes de religião, conforme seus governantes eram calvinistas ou luteranos" ( Pfanneri. Hist. Pacis Westph. Tomo I e seguintes, 42 apud Doellinger Kirche und Kirchen, p. 55)

ESTADOS UNIDOS: Para a jovem terra recém descoberta fugiram os puritanos e outros protestantes que negavam a autoridade do rei da Inglaterra ou da Igreja Episcopal Anglicana. Fugiram para não serem mortos. Ao chegarem na América repetiram com os indígenas a carnificina que condenavam. O "escalpe" do índio era premiado pelo poder público com preços que variavam conforme fossem de homem maduro, velho, mulher, criança ou recém-nascido. Os "pastores" puritanos negavam que os peles vermelhas tivessem alma e consideravam um grande bem o extermínio da nobre raça. EM RESUMO em nenhum país cuja maioria hoje é protestante foi convertida com a bíblia na mão. Foram "convertidos" a fogo e ferro, graças à ambição dos reis e príncipes. Exceção é feita no presente século onde a tática mudou. Agora o que ocorre é uma invasão maciça de seitas de todos os matizes, cores e sabores financiados pelos EUA. Pregam um cristianismo fácil, recheado de promessas de sucessos financeiros instantâneos ou quando não, promovem como saltimbancos irresponsáveis shows de exorcismos e curas às talargadas. Antes matava-se o corpo. Hoje estraçalha-se a razão e o bom senso. Dificilmente se conhece um "evangélico" que não seja de todo um ignorante nas Sagradas Escrituras ou tenha para com a Igreja de Cristo um ódio mortal e uma ignorância lamentável. Cursinhos de "teologia" ou "Apologética" onde pouco ou nada se estuda sobre a Bíblia, os escritos dos primeiros cristãos ou história séria são ministrados aqui e ali para fisgar os incautos que abandonam a Igreja duas vezes milenar fundada por Cristo e herdeira de suas promessas para seguir opiniões de aventureiros fundadores de igrejolas e seitas. Falsos profetas que se enganam e enganam. Cegos condutores de cegos ( MT 15, 14 ). Que rodeiam o mar e a terra, para fazer um discípulo, e quando o fazem o tornam duas vezes mais digno do inferno do que eles ( MT 23, 15 ).


O protestantismo negando tanto a Tradição quanto o Magistério sofre desde os seus primórdios uma desintegração doutrinária assombrosa. Onde Cristo fundou a Igreja Católica sobre a Rocha, Lutero e Cia fundaram a igreja Evangélica sobre a areia movediça da sola scriptura e do livre exame. E logo nas primeiras ventanias, pôs-se a casa dos reformadores a desabar fragorosamente: tábuas lançadas aqui e ali, telha lá e acolá, junturas e cacos em todas as direções.




Vejamos como no princípio deste século, o Reverendíssimo Pe. Leonel Franca já chamava a atenção para este fato, descrevendo lucidamente o processo de desagregação doutrinária do protestantismo, baseado no método da sola scriptura e do livre exame: "Na nova seita (protestantismo) não há autoridade, não há unidade, não há magistério de fé. Cada sectário recebe um livro que o livreiro lhe diz ser inspirado e ele devotamente o crê sem o poder demonstrar; lê-o, entende-o como pode, enuncia um símbolo, formula uma moral e a toda esta mais ou menos indigesta elaboração individual chama cristianismo evangélico. O vizinho repete na mesma ordem as mesmas operações e chega a conclusões dogmáticas e morais diametralmente opostas. Não importa; são irmãos, são protestantes evangélicos, são cristãos, partiram ambos da Bíblia, ambos forjaram com o mesmo esforço o seu cristianismo" ( In I.R.C. Pg. 212 , 7ª ed.).

Vejamos alguns exemplos práticos: um fiel evangélico quer mudar de seita? Precisa-se rebatizar? Umas igrejas dizem sim, outras não. Umas admitem o batismo de crianças, outras só de adultos, umas admitem a aspersão, infusão e imersão. Aquela outra só imersão, e mesmo há grupelho que só admite batismo em água corrente e sem cloro! Aqui e ali as fórmulas de batismo são tão variadas como as cores do arco-íris. Quer o sincero evangélico participar da Santa Ceia? Há seitas que consideram o pão apenas pão (pentecostais) outras que o pão é realmente o corpo de Cristo (Luteranos, Episcopais e outros). Uns a praticam com pão ázimo, outras com pão comum, aqui com vinho, lá com vinho e água, acolá com suco de uva. A Santa Ceia pode ser praticada diariamente, mensalmente, trimestralmente, semestralmente, anualmente ou não ser praticada nunca. Trata-se de ministérios ordenados? Esta seita constitui Bispos, presbíteros e diáconos. Àquela só presbíteros e pastores, alí pastores e anciãos, lá Bispos e anciãos, acolá presbíteros e diáconos, outras não admitem ministro nenhum. Umas igrejas ordenam mulheres, outras não. E por aí, atiram os evangélicos em todas as solfas quando o assunto é ministério ordenado.

Após a morte, o que espera o cristão? Pode um crente questionar seu pastor sobre isto? E as respostas colhidas entre as denominações seria tão rica e variada quanto a fauna e a flora. Há Pastor que prega que todos estarão inconscientes até a vinda de Cristo quando serão julgados; outros pregam o "arrebatamento" sem julgamento; outros, uma vida bem-aventurada aqui mesmo na terra; aqueles lá doutrinam que após a morte já vem o céu e o inferno; no outro quarteirão, se ensina que o inferno é temporário; opinam alguns que ele não existe; e tantas são as doutrinas sobre os novíssimos quanto os pastores que as pregam. Está cansado o fiel da esposa da sua juventude? Não tem importância, sempre encontrará uma seita a lhe abrir risonhamente as portas para um novo matrimônio. E de vez em quando não aparece um maluco aqui e ali aprovando a poligamia?

Lutero mesmo admitiu tal possibilidade: "Confesso, que não posso proibir tenha alguém muitas esposas; não repugna às Escrituras; não quisera porém ser o primeiro a introduzir este exemplo entre cristãos" ( Luthers M.., Briefe, Sendschreiben (...) De Wette, Berlin, 1825-1828, II. 259 ). Não há uma pesquisa nos Estados Unidos que demonstra que entre os critérios para um evangélico escolher sua nova igreja está o tamanho do estacionamento? Eis o que é hoje o protestantismo.

Vejamos neste passo a afirmação de Krogh Tonning famoso teólogo protestante norueguês, convertido ao catolicismo, que no século passado já afirmava: "Quem trará à nossa presença uma comunidade protestante que está de acordo sobre um corpo de doutrina bem determinado ? Portanto uma confusão (é a regra ) mesmo dentre as matérias mais essenciais" ( Le protest. Contemp., Ruine constitutionalle, p. 43 In I.R.C., Franca, L., pg 255. 7ª ed, 1953)

Mas o próprio Lutero que saiu-se no mundo com esta novidade da sola scriptura viveu o suficiente para testemunhar e confessar os malefícios que estas doutrinas iriam causar pelos séculos afora: "Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos; há quem admita outro mundo entre este e o juízo final, quem ensina que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros aquilo, em breve serão tantas as seitas e tantas as religiões quantas são as cabeças" (Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547 ; De Wett III, 6l ). Um outro trecho selecionado, prova que o Patriarca da Reforma tinha também de quando em quando uns momentos de bom senso: "Se o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos concílios (católicos) a fim de conservar a unidade da fé contra as diversas interpretações da Escritura que por aí correm" ( Carta de Lutero à Zwinglio In Bougard, Le Christianisme et les temps presents, tomo IV (7), p. 289).


I. Unidade
a) Cristo instituiu uma só Igreja: “Eu edificarei a minha Igreja” (Mt 16.19); e ela deve conservar-se uma só : “um só rebanho e um só pastor” (Jô 10.16)
E S. Paulo explica que “há um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef. 4.5)
b) A Igreja é una, porque tem um só governo, uma só fé e um só culto.
II. Santidade.
a) Cristo veio ao mundo para santificar os homens. Ele quer que nós nos santifiquemos (Jo 17.19). E para isto pregou uma doutrina de santidade e instituiu os meios de santificação ( os sacramentos).
b) Por isso a sua Igreja deve ter santidade, isto é, deve:
Pregar uma doutrina de santidade
Utilizar os seus meios de santificação;
Produzir Santos.
III. Catolicidade.
a) Cristo veio salvar todos os homens: “pregai o Evangelho a todas as criaturas” ( Mc 16.15). em todos os tempos” até a consumação dos séculos” (Mt 28.20)
b) Então a sua Igreja deve ser para todos os homens e para todos os tempos, sem nada mudar dos seus princípios.
IV. Apostolicidade
a) Cristo entregou sua Igreja aos apóstolos confiando-lhes a pregação do Evangelho e o governo espiritual dos homens.
b) Portanto, a Igreja de Cristo tem de ser a mesma que começou com os Apóstolos, conservando a mesma doutrina pregada pelos Apóstolos e com chefes que se prendem aos Apóstolos por uma serie ininterrupta.
Só ela tem as notas da Igreja de Cristo. Só ela é una, santa, católica e apostólica.
Vejamos:

I. Só ela é una. Tem:

- um só chefe universal – o Papa;
– uma só fé: é uma beleza ver a Igreja de S. Pedro em Roma, católicos de todo o mundo rezarem o Credo: todos crêem as mesmas verdades.
- um só culto: Em Roma, na Austrália, ou no congo, acompanho a S. Missa pelo meu missal, como na minha paróquia: e recebo do mesmo modo, os mesmo sacramentos
Observe que, quando se fala da Igreja Católica, apenas se diz: a Igreja : e quando se diz do protestantismo, se diz: as igrejas.

II. Só ela é santa:

- prega doutrina de santidade do Evangelho.
Sempre ensinou que boas obras são necessárias à salvação. Nunca alterou a doutrina de Cristo, embora chamem de atrasada – como no caso do divórcio e das falsas liberdades;
- utiliza de meios de santificação. Tornando-os até obrigatórios (como Missa aos domingos e dias de santos, Comunhão da Pascoa, confissão anual, jejum, abstinência) e aconselhando sua maior freqüência;
- produz Santos.
A Igreja Católica tem uma legião imensa de santos de todas as condições e idades, em todos os tempos e ainda hoje.
Convida seus filhos à santidade nas associações, congregações e ordens religiosas, algumas de grande rigor.
Produz verdadeiros heróis , que cuidam do próximo com uma dedicação desconhecida das outras religiões.
Vivendo em estado de graça, cumprindo os mandamentos de Deus e da Igreja, freqüentando os Sacramentos, praticando as virtudes alcançaremos também a perfeição.

III. Só ela é Católica:

-está estendida por todo o mundo;
- é a mesma em toda parte;
- procura alcançar todos os homens, mandando missionários aos países mais longínquos e convidando-nos a trabalhar pela conversão dos homens.

IV. Só ela é apostólica.

- conserva a mesma doutrina dos apóstolos;
- seu chefe é o sucessor de S. Pedro
De Pio XII (hoje Bento XVI) a S Pedro é ininterrupta a sério dos papas que governaram a igreja de Cristo .
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