Vamos nos alegrar , aproxima o Natal do Senhor

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Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando o 3 º Domingo do Advento, este é uma domingo da alegria , pois estamos sempre com Jesus, ouvindo sua palavra, recebendo-o na Eucaristia e ainda estamos na Igreja junto com todos os irmãos. Como diz o Papa Francisco na Exortação Apostólica : Evangelii Gaudium 3. Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído»1

Assim meus irmãos e irmãs, somos felizes e alegria nos enche  o nosso coração, pois Cristo é a nossa razão de viver.

Hoje a liturgia bíblica nos fala dessa alegria que jamais cessará em nós e no mundo. Nós o esperamos com esperança e fé na vida do Senhor, pois Ele tira o pecado entre nós e nos deixa livre para estar com Ele no mundo e com todos os irmãos e irmãs. Somos felizes porque somos convidados a estar com Ele sempre e ainda nos faz construir o Reino dele entre nós e que vai ter culminância no céu.

O profeta Isaias nos ajuda a despertar e fortalecer a Fé do exilados do antigo testamento. O contexto do povo de Deus se encontrava  numa situação ruim . aqui Jerusalém e o seu Templo estavam destruídos e todo povo exilado e deportado na Babilônia. Embora essa condição ruim, o profeta anima o povo numa alegria da esperança, Essa vem de um tempo messiânico. As palavras são confortadoras, pois a onde é deserto vai flori, a tristeza vai vir a alegria que nos contagia. Os cegos vão enxergar, os coxos vão andar e os mudos vão falar. 

Tudo isso são sinais da presença de um tempo novo, assim não existira doença e nem chora, porque Deus vem até nós para restaurar o que estão mal e a justiça de Deus imperará para sempre entre nós. (cf Is 35,1-6a.10)

A Carta de Tiago nos faz um exortação para termos paciência pois Deus é que vai restaura tudo em seu tempo. São motivos para alegrar-se, pois é Senhor que vem até nós e a sua vinda é a certeza que Deus nunca nos abandona.. (cf. Tg 5,7-10)

O evangelista São Mateus nos indica que Jesus  traz um novo mundo que foi predito pelo Profeta Isaias. Existe a pergunta de João Batista aos seu discípulos para que vão a Jesus para saber se Ele é o Messias esperado. Sabemos João Batista estava preso por Herodes que sentia ofendido por ele. O João Batista acha que ia vir um um rei severo que ia castigar a todos. Como as obras de Jesus que ele ouvia era bem diferente do que ele imaginava. Por isso os seus discípulos foi enviado Jesus para indagar sobre a sua missão messiânica. Então Jesus responde a eles para levar a João Batista os sinais que já demonstram a libertação do homem do pecado.   "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo:     cegos estão vendo... paralíticos estão andando... leprosos estão limpos... surdos ouvem ... mortos ressuscitam... pobres são evangelizados..."    E acrescenta:  "Feliz quem não se escandalizar de mim..."

Essas afirmações nos dão a certeza que Jesus é o Messias esperado pelos antigos e agora estamos com Jesus na sua Palavra e na Eucaristia. Jesus dá testemunho de João Batista, dizendo que ele é o maior profeta entre nós. Ele não é poderoso e nem vive de luxo. Viveu despojado e na missão de preceder o anuncio da vinda do Senhor; (cf. Mt 11,2-11)

Queridos irmãos e irmãs, a liberdade que buscamos, a justiça que desejamos se encontram na esperança, na fé e no amor, que o mundo revista do mante de misericórdia e do perdão. Que as muralhas do ódio seja derrubadas e sejam aplainadas na partilha, na solidariedade e que as cores novas de felicidade no mundo novo sejam propagadas em todos os cantos da terra.

Que esta alegria de hoje seja permanente em nossa vida e na vida de comunidade de transformado em Cristo em criaturas novas, Amém!!!

Tudo por Jesus Nada sem Maria !!!

Bacharel em Teologia Jose Benedito Schumann Cunha


Ore com fé e confiança

Ó Santa Luzia,
que preferistes deixar que os vossos olhos
fossem vazados e arrancados
antes de negar a fé e conspurcar vossa alma;
e Deus, com um milagre extraordinário,
vos devolveu outros dois olhos sãos e perfeitos
para recompensar vossa virtude e vossa fé,
e vos constituiu protetora contra as doenças dos olhos,
eu recorro a vós para que protejais minha vista e
cureis a doença dos meus olhos.
Ó, Santa Luzia, conservai a luz dos meus olhos
para que eu possa ver as belezas da criação.
Conservai também os olhos de minha alma, a fé,
pela qual posso conhecer o meu Deus,
compreender os seus ensinamentos,
reconhecer o seu amor para comigo
e nunca errar o caminho que me conduzirá
onde vós, Santa Luzia, vos encontrais,
em companhia dos anjos e santuário.
Santa Luzia, protegei meus olhos
e conservai minha fé.
Amém.


Por: Mariana Lima
De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o número de lideranças indígenas mortas devido a conflitos no campo em 2019 foi o maior registrado nos últimos 11 anos.
Ao todo, foram 7 mortes registradas este ano, contra 2 observadas em 2018. Os dados divulgados são preliminares, já que o balanço final só será realizado em abril de 2020.
No início do mês de dezembro, três ativistas indígenas foram mortos no Brasil. Duas das mortes ocorreram no Maranhão, em Jenipapo dos Vieiras, em consequência de um atentato que ainda deixou dois feridos.
A terceira morte ocorreu em Manaus (AM), onde o ativista da etnia Tuyuca Humberto Peixoto Lemos foi agredido a pauladas.
Ao todo, 27 pessoas já morreram esse ano devido a conflitos de terra. O número deve ser semelhante ao registrado em 2018, com 28 mortes. Este ano, o grupo de lideranças indígenas foi o que teve o maior número de mortes.
Os dados da CPT levam em consideração apenas os assassinatos ligados a conflitos pela terra. As informações são enviadas pelas pastorais de cada região.
Além do registro da morte de lideranças, o levantamento também contabiliza as mortes de indígenas que não eram líderes de suas comunidades.
Um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) já apontava a tendência no aumento da violência contra a população indígena em 2018.
O relatório aponta o crescimento de 20% no número de assassinatos de indígenas em comparação com o levantamento anterior. Em 2018, foram registradas 135 mortes, enquanto em 2017 foram 110 casos.


A Pastoral Carcerária Nacional vem, por meio desta nota oficial, manifestar seu repúdio ao pacote de alterações na legislação anunciado nesta segunda-feira (4) pelo ministro da justiça Sérgio Moro, o chamado “pacote anticrime”.
O pacote anticrime propõe a alteração de 14 pontos do Código Penal, Código de Processo Penal, Lei de Execução Penal, Lei de Crimes Hediondos e Código Eleitoral. Ele será enviado ao Congresso Nacional, para debate e votação.
O ministro alega que tais mudanças têm como objetivo “combater crimes violentos, organizações criminosas e a corrupção” no país; no entanto, o resultado desse pacote seria o aumento do encarceramento em massa, do endurecimento penal e da letalidade policial.
Uma das propostas do ministro é formalizar as prisões em segunda instância, que ignoram o conceito da presunção da inocência e colocam atrás das grades muitas pessoas que não tiveram sua sentença definida.
Dados do CNJ revelam que cerca de 40% da população prisional é composta por presos provisórios, e essa medida só vai agravar este cenário, superlotando ainda mais as prisões.
A Pastoral Carcerária Nacional repudia em nota o "pacote anticrime" do ministro da justiça Sérgio Moro, pois as soluções propostas vão aumentar a violência.
É sempre bom lembrar que o Brasil é atualmente o terceiro país do mundo que mais encarcera, e a violência não deixa de aumentar por conta disso, pois o cárcere em si é alimentador do círculo de violência.
Também a alteração do artigo 25 do Código Penal é extremamente preocupante. A proposta considera como legítima defesa que agentes policiais ou de segurança pública previnam agressões em conflitos armados.
Esse “excludente de ilicitude” irá diminuir as investigações de mortes cometidas por policiais, dando margem para o aumento da letalidade policial, que já é uma das maiores do mundo: segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 5144 pessoas foram mortas pela polícia brasileira em 2017, o que correspondeu a 8% de todos os assassinatos do país.
A Pastoral Carcerária, aliada com outras organizações sociais, enxerga que, para combater a violência efetivamente, é preciso combater o cárcere. Se faz necessário revisar princípios e conceitos sobre o sistema prisional e compreender que é uma questão de injustiça e desigualdade social, onde os mais vulneráveis são responsabilizados.
Temos como horizonte a Agenda Nacional pelo Desencarceramento, que propõe o desencarceramento, a desmilitarização e formas alternativas de resolução de conflitos. Sendo assim, não podemos concordar com o pacote de medidas do ministro da justiça, que contradiz em sua raiz o conceito cristão de não violência e amor à vida, pois temos a certeza de que mais encarceramento, punição e mortes por agentes do estado irão apenas gerar mais violência.
Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema “Fraternidade e Políticas Públicas”. A maioria da população carcerária é composta de jovens, negros e pobres, que em sua maioria só conhecem uma política pública do estado: a prisão.
Enquanto esse cenário não mudar e se pensarem políticas públicas favoráveis ao desencarceramento e ao fim da desigualdade social, a violência em todo o país só tende a crescer.
Pastoral Carcerária Nacional


Nas Bem-aventuranças, Jesus Cristo afirma: “Felizes as pessoas que promovem a paz, porque serão chamadas filhas de Deus.” (Mateus 5:9)
 
Para a tradição de fé cristã, a promoção da paz é uma resposta à graça de Deus que nos acolhe como seus filhos e suas filhas.
 
A fé em Jesus Cristo não permite nenhum tipo de discriminação e prática do ódio. Quem odeia o seu irmão e a sua irmã rompe com a graça amorosa de Deus.
 
Por isso, não podemos aceitar e nem concordar com a relação entre fé cristã e racismo religioso. Quem odeia e pratica a violência, física ou moral, contra uma pessoa de outra tradição religiosa, está pecando contra Deus.
 
Jesus Cristo nos ensina a prática da convivência e da hospitalidade. No seu encontro com a samaritana (João 4:5-43), apesar de Jesus ser de uma tradição de fé diferente da tradição de fé da samaritana, eles conversaram, dialogaram, expressaram seu modo de pensar e viver a experiência de Deus. Neste diálogo havia divergências de compreensões sobre onde seria o lugar verdadeiro para adorar Deus. No entanto, tal divergência não impediu Jesus de aceitar o convite da samaritana para ficar em sua comunidade. Diz o texto que Jesus passou alguns dias entre samaritanos e samaritanas. Jesus não foi arrogante com a comunidade samaritana, mas mostrou a possibilidade da convivência. Por causa disso, segundo o texto, os samaritanos e as samaritanas creram Nele. Talvez não no sentido de abandonar a sua tradição de fé samaritana, mas no fato de ter experimentado que era possível a convivência entre judeus e samaritanos, desde que uma tradição de fé não se julgasse maior ou melhor que a outra.
 
Cada tradição de fé é uma maneira de experimentar a fé em Deus. Não há melhor e pior quando a prática da fé nos leva ao encontro de nossos irmãos e irmãs. A falsa religião é toda aquela que pratica e promove o ódio e o racismo.
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil expressa irrestrita solidariedade a toda a população afrodescendente do Brasil, a todas as tradições religiosas de matriz africana e a toda a juventude negra que é exterminada por causa do racismo. Neste sentido, enviamos nossa lembrança especial às famílias dos jovens de Paraisópolis.
 
Comprometemo-nos a afirmar o direito à existência da sua cultura, da sua fé, das suas ancestralidades.
 
Eu sou porque você é – é isso que aprendemos do povo negro. Eu e o outro só existiremos como humanidade se assumirmos que somos seres em relação. Seremos melhores cristãos e cristãs se não agredirmos irmãs e irmãos afrodescendentes. Seremos melhores cristãos e cristãs se a tradição religiosa afro-brasileira existir e celebrar seus ritos com liberdade, amorosidade e tambores. 
 
Que Deus tenha compaixão de nós e provoque-nos a superar o racismo e todo sentimento de exclusivismo que segrega e mata.
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil


Uma mãe para todos os povos, que sabe falar a cada cultura: é assim que ainda hoje se apresenta a Virgem de Guadalupe, verdadeiro eixo espiritual da América Central e do Sul. O seu santuário, no México, é anualmente visitado por mais de 20 milhões de peregrinos, sendo o mais frequentado daquelas regiões.
A padroeira da América Latina apareceu num local perto da cidade do México, entre 9 e 12 de dezembro de 1531, a um índio mexicano, Juan Diego Cuauhtlatoatzin, santo desde 2002.
No tempo das aparições, o México era terra de conquista, mas também de afronta à dignidade humana, porque muitas vezes os colonizadores espanhóis não tiveram piedade dos índios. Também por este motivo a aparição de Maria é um sinal relativamente aos oprimidos e sofredores de todo o mundo.
Ao vidente, a Virgem Morena confiou a tarefa de fazer construir uma basílica a ela dedicada, mas não foi fácil convencer o bispo, que pediu um sinal da aparição. Juan Diego, instruído por Maria, recolheu flores encontradas numa colina semi-desértica, em pleno inverno, que deveria levar ao bispo.
No dia 12 de dezembro, o vidente acondicionou as flores no seu manto ("tilma") e levou-as ao prelado, que com ele tinha reunido um conjunto de testemunhas. Ao abrir a capa, viram, em vez de flores, a imagem estampada de Nossa Senhora.
A imagem continua intacta até hoje, não obstante a fragilidade do tecido do manto, e a ciência não consegue explicar o fenómeno. Mas este não é o único facto que suscita interrogações por responder.
No final da década de 1970, especialistas que fotografaram o tecido com raios infravermelhos concluíram que a imagem não tinha traços de pincel, pelo que teria sido plasmada na totalidade. Além disso, não foram detetados elementos animais ou minerais.
E um oftalmologista peruano analisou os olhos da imagem com um aparelho capaz de os aumentar 2 500 vezes e identificou até 13 pessoas, sugerindo o reflexo do bispo e da sua comitiva quando o vidente lhe mostrou o manto.
A indestrutibilidade da imagem também é um dos motivos que a tornam famosa. Em 1921, um ativista anticlerical escondeu dinamite junto à imagem, no interior da basílica de Guadalupe. A bomba destruiu o pavimento, fez voar uma peça em mármore e o seu impacto estilhaçou janelas a 150 m de distância, mas a imagem e o vidro que a protegia permaneceram intactos
A basílica onde atualmente se conserva a imagem foi dedicada em 1976, tendo no exterior da fachada as palavras que a Virgem dirigiu a Juan Diego: «Não estou eu aqui, que sou tua Mãe?». Três anos depois foi visitada pelo papa S. João Paulo II, que em 1990 proclamou beato Juan Diego.
Na mensagem à América por ocasião da festa de Nossa Senhora de Guadalupe, proferida a 11 de dezembro de 2013, o papa Francisco recordou que quando a Virgem apareceu a S. Juan Diego, «o seu rosto era mestiço e as suas vestes, cheias de símbolos da cultura indígena».
«Seguindo o exemplo de Jesus, Maria está ao lado dos seus filhos, acompanha o seu caminho como mãe atenciosa, partilha as alegrias e esperanças, os sofrimentos e as angústias do Povo de Deus, do qual todos os povos da terra são chamados a fazer parte», acrescentou.
E a 12 de dezembro de 2014, o papa sublinhou que a Virgem «quis permanecer» com o povo das Américas: «Deixou impressa misteriosamente a sua imagem sagrada na "tilma" do seu mensageiro, a fim de que a tivéssemos bem presente, tornando-se deste modo símbolo da aliança de Maria com tais populações, às quais confere alma e ternura».
«Imploremos a Santíssima Virgem Maria, na sua vocação guadalupana — Mãe de Deus, Rainha e minha Senhora, «minha jovenzinha, minha pequenina», como lhe chamava S. João Diego, como com todos os títulos amorosos com os quais os fiéis se dirigem a ela na piedade popular — suplicando-a que continue a acompanhar e proteger os nossos povos», pediu Francisco.


– “Por que é que os padres não se casam?” (Pedro II – Rio de Janeiro-RJ).
Será oportuno, antes do mais, reconstituir brevemente a histórico da questão.
Na Era Apostólica, São Paulo recomendava que o bispo fosse “marido de uma só esposa” (1Timóteo 3,3; Tito 1,6). Com isto, certamente não queria afirmar que todo bispo tinha a obrigação de ser casado, pois nesta hipótese contradiria à palavra do Senhor, que reconhece e preza “aqueles que se castraram (=se conservaram virgens) por causa do reino dos céus” (Mateus 19,12); contradiria também a si mesmo, visto que Paulo desejava aos fiéis “fossem todos como ele mesmo era” (1Coríntios 7,7), isto é, celibatários, a fim de se entregarem sem divisão ao serviço do Senhor (cf. 1Coríntios 7,32-34). Na verdade, o Apóstolo queria inculcar que, no século I da nossa era, quando as comunidades cristãs constavam de muitos adultos e casados recém-convertidos, não se escolhesse para o episcopado algum varão casado em segundas núpcias (bígamo em sentido lato); estas [segundas núpcias], com efeito, eram geralmente desaconselhadas (não, porém, condenadas) pela antiga Igreja, por parecerem uma expressão de incontinência.
Houve, pois, nos tempos iniciais do Cristianismo, bispos, sacerdotes e diáconos legitimamente casados; nenhuma lei lhes proibia o uso do matrimônio.
Mais frequentes, porém, desde os primórdios eram os clérigos que espontaneamente abraçavam o celibato. A razão disto era o conselho do Senhor que exortava à continência (“quem o pode entender, entenda” – Mateus 19,12); eram também os dizeres de São Paulo que, sem derrogar a santidade do matrimônio, afirmava ser a virgindade um estado superior, estado no qual se pode servir ao Senhor sem solicitude supérflua (cf. 1Coríntios 7,32-34).
No século IV esta praxe espontânea começou a ser sancionada por leis de concílios regionais, que visavam assegurar aos eclesiásticos os benefícios do celibato. Diversas, porém, foram as prescrições promulgadas no Oriente e no Ocidente.
No Oriente, a legislação chegou ao seu termo definitivo em 692 (Concilio Trulano II ou Quinissexto); foi então proibido aos sacerdotes, diáconos e subdiáconos contrair matrimônio após receberem a respectiva ordem sacra; caso, porém um leigo casado desejasse ordenar-se, as núpcias anteriormente contraídas não lhe seriam empecilho, nem se exigiria que, depois de ordenado, deixasse de viver maritalmente com a esposa; apenas se lhe pedia que se abstivesse do consórcio conjugal quando estivesse para celebrar as funções do altar (que não eram cotidianas); ao sacerdote viúvo ficaria vedado casar-se em segundas núpcias. Quanto aos bispos, o Concilio lhes prescrevia continência absoluta, de sorte que, se um futuro bispo estivesse casado, a esposa, depois de sua sagração, deveria recolher-se a um mosteiro distante, ficando o marido obrigado apenas a prover às despesas de sua subsistência. São estas as determinações ainda hoje vigentes entre os cristãos orientais, quer cismáticos (com poucas exceções), quer unidos a Roma; o Direito Canônico não lhes impõe o celibato, que nunca foi obrigatório na tradição oriental. Em vista da cláusula um pouco-mais rigorosa imposta aos bispos, estes no Oriente são de preferência nomeados dentre os monges, que por profissão abraçam a castidade perfeita.
No Ocidente, o primeiro decreto restritivo se deve ao Concílio de Elvira (Espanha) reunido por volta do ano de 300: proibia aos bispos, sacerdotes e diáconos, sob pena de degradação, uso do matrimônio e o desejo de ter prole (cânon 33). Esta determinação, que a princípio só visava a Espanha, em menos de um século estava em vigor (às vezes sob forma de conselho apenas) em todo o Ocidente. A fórmula definitiva de tal disciplina foi promulgada pelo Concílio Ecumênico do Latrão I em 1123: a todos os clérigos, a partir do subdiaconato, foi prescrito de maneira peremptória o celibato; em consequência, o matrimônio contraído por um eclesiástico depois da respectiva ordenação era declarado inválido. O Concilio de Trento promulgou de novo tal lei no século XVI, época em que os Imperadores Ferdinando I (1556-1564) e Maximiliano II (1564-1576), da Alemanha, exerciam pressão sobre o Papa Pio IV (1559-1565) a fim de obterem o casamento dos sacerdotes de seu reino, ameaçados pela rebordosa luterana.
Sucessivas determinações da autoridade da Igreja têm corroborado frequentemente até nossos dias a obrigação celibato clerical. No início do século XX, violenta campanha se desencadeou contra essa praxe; na Tchecoslováquia, por exemplo, vários sacerdotes, reivindicando o direito de se casar, aderiram à “Iednota”, associação de tendências cismáticas, à qual o Papa Bento XV resistiu energicamente, declarando numa alocução consistorial de 16 de dezembro de 1920:
– “Veneráveis Irmãos: o que várias vezes já afirmamos ocasionalmente, Nós agora o atestamos solene e categoricamente: nunca esta Sé Apostólica atenuará ou mitigará essa lei profundamente santa e salutar do celibato eclesiástico; muito menos ainda a abolirá” (Acta Apostolicae Sedis XII [1920], p.585).
Na França, Paul-Louis Couchoud, que se dizia historiador das religiões, chegou a publicar um pseudodecreto de Leão XIII que abolia a disciplina do celibato para o clero da América Latina; o documento foi formalmente comprovado falso. Mantendo tão rijamente a tradição, a Igreja visa proporcionar aos seus ministros absoluta liberdade para se dedicarem ao próximo e desenvolverem frutuoso apostolado.
Eis, porém, que muito chamou a atenção pública uma dispensa concedida neste setor por Sua Santidade o Papa Pio XII. Tratava-se do pastor protestante Rodolf Goethe, descendente do poeta Wolfgang Goethe, que, casado e sem filhos, se converteu ao Catolicismo na idade de 69 anos. Por concessão do Santo Padre, o bispo de Mogúncia, aos 22 de dezembro de 1951, o ordenou sacerdote, ficando o mesmo autorizado a viver em matrimônio com sua esposa; o neo-sacerdote não foi destinado ao ministério paroquial, mas ao serviço de chancelaria e à cura espiritual de outros convertidos. No mesmo dia 22 de dezembro de 1951, o semanário católico inglês “Tablet” (p.470) lembrava que anteriormente já se haviam verificado duas outras ordenações de pastores protestantes casados e convertidos, dos quais um, com a idade de 40 anos, era pai de alguns filhos. No Seminário de Mogúncia, quando o sacerdote Goethe era ordenado, preparava-se para o presbiterado outro ex-pastor casado.
Estes fatos representaram, sem duvida, grande novidade na praxe da Igreja latina, novidade talvez sem precedentes.
Há quem, a propósito, aponte o episódio seguinte: numa carta ao rei Filipe II da Espanha (1556-1598), datada de 20 de abril de 1565, o Cardeal Pacheco, Embaixador da Espanha em Roma, referia que seu colega D’Arco, Embaixador de Maximiliano II da Alemanha, lhe afirmara que os legados do Papa Paulo III na Alemanha, sob o Imperador Carlos V (1519-1556), tinham dispensado do celibato dezoito sacerdotes. Como se vê, a notícia é complicada e passou por diversos intermediários; julga-se bem provável que o Embaixador D’Arco tenha aludido simplesmente aos poderes concedidos pelo Papa Paulo III aos seus legados em 1548 para reconciliarem sacerdotes casados, com a cláusula de se absterem do ministério sacerdotal.
Está, sem dúvida, no poder da Igreja desligar do celibato os clérigos ocidentais, para que vivam à semelhança dos orientais; trata-se de questão meramente disciplinar, não de lei divina nem de dogma. A razão por que o Santo Padre assim procedeu no caso do pastor Goethe era exposta nos seguintes termos pelo Superior do Seminário de Mogúncia, Monsenhor Reuss:
– “Não há dúvida: antigos pastores protestantes, à custa de penosos sacrifícios convertidos ao Catolicismo com sua família, são particularmente aptos a servir pela oração e pelo trabalho à magna causa da reunião de todos os cristãos na única Igreja de Jesus Cristo. Ordenados sacerdotes, eles se tornam colaboradores valiosíssimos na conquista deste grande objetivo da Igreja universal” (texto publicado na revista “Etudes” nº 227:6 p.255).
O motivo da dispensa era, pois, o apostolado. Com efeito, tem-se delineado na Alemanha protestante do pós-guerra uma volta notável da atenção para Roma. O fenômeno se explica por diversos fatores: a perseguição movida pelo nazismo aos cristãos em geral, o deslocamento de populações que passam a viver em “diáspora”, as dificuldades que os luteranos encontram para se constituir juridicamente. Em tal situação entende-se que a Igreja Católica lance mão de recursos novos para corresponder às expectativas dos irmãos separados. Enquanto este ou outro motivo grave o postular, o celibato eclesiástico poderá ser esporadicamente dispensado.
É inegável, porém, o grande interesse que tem a Cristandade inteira em se conservar a legislação vigente; os benefícios que ela de fato acarreta, são muito mais ponderosos do que as razões que se possam apresentar em contrário. O sacerdote tem que viver como homem de Deus, totalmente devotado aos interesses das almas.
  • Fonte: Revista Pergunte e Responderemos nº 4:1957 – ago/1957


POR HERMES FERNANDES (Pastor)
Mais uma vez os humoristas do Porta dos Fundos provocaram a fúria dos evangélicos.
No especial de fim de ano apresentado pela Netflix, Jesus Cristo, o Filho de Deus, é apresentado como homossexual que prefere se divertir a salvar o mundo.
Segundo o “Observatório da Imprensa”, esse é o enredo do filme: “em A Primeira Tentação de Cristo acompanhamos a festa surpresa que José (Rafael Portugal) e Maria (Evelyn Castro) prepararam para seu filho Jesus (Gregório Duvivier), que chega acompanhado de seu namorado Orlando (Fábio Porchat). (…) Mas, o convidado mais especial da festa, além do próprio aniversariante, é Deus (Antonio Tabet) que tem uma missão para seu filho: carregar e espalhar sua palavra pelo mundo. Contrariando Cristo, que é de humanas, e prefere coisas como malabares, miçangas e saraus de poesia”.
Rapidamente, pastores e líderes vieram a público pedirem para que os crentes cancelassem sua assinatura da Netflix.
Apesar do “admirável zelo” demonstrado pelos defensores da fé, há algo que me deixa preocupado. Será que se eles fizessem piadas com os excluídos, os oprimidos, com os que não se enquadram nos moldes do sistema, demonstraríamos o mesmo zelo em defendê-los? Por que só nos manifestamos em causa própria? E se a brincadeira envolvesse símbolos de outras tradições religiosas? Isso não revelaria o quão corporativistas temos sido?
Canso de ler comentários do tipo “quero ver fazer sátira com Maomé.” Sinceramente, isso não me parece muito cristão.
Aliás, louvo a Deus por viver em um ambiente que permite tal liberdade.
Em vez de me sentir ofendido, prefiro levar na esportiva. Confesso que, às vezes, até rio. Se não da piada em si, da ignorância de quem a contou.
Outra questão que julgo relevante: até que ponto não somos nós mesmos os culpados por termos nossa fé alvo de tantas chacotas? Que tipo de cristianismo temos vivido?
Talvez devêssemos aproveitar a ocasião para fazer uma mea culpa e reavaliar alguns de nossos posicionamentos junto à sociedade e às suas demandas.
Se assim procedermos, talvez o que seja motivo de riso para alguns, se torne motivo de lágrimas para nós, conduzindo-nos ao arrependimento de nossa apatia e de nossa fé caricata.
Não é a Cristo que atacam, nem mesmo os nossos mais caros símbolos, mas ao nosso cristianismo alienado e descomprometido com a ética do reino de Deus.
Apresentar Jesus como um homossexual possivelmente se deva à maneira preconceituosa com que seus pretensos seguidores tratam os homossexuais.
Nossa homofobia deve ofender mais a Deus do que qualquer sátira.
Creio que no juízo haverá menos rigor com quem conta piadas sobre a nossa fé do que com quem torna nossa fé motivo de piadas.


Por Humanista RJ,
Há alguns anos tive que procurar por ajuda psicológica e, no lugar onde fui procurar essa ajuda, havia um homem que, segundo me informaram, havia parado mentalmente nos anos setenta após ter sofrido um acidente automobilístico.
Não procurei saber se a informação era ou não verdadeira, mas imaginem alguém nos anos 2000, devido à enfermidade, teimando em não sair dos anos setenta! Certamente, para não sofrer tanto, algum mecanismo de fechamento nele mesmo o homem deve ter desenvolvido – já que o mundo a sua volta não parou de avançar, e velozmente, por sinal…
Parto então daqui para falar um pouco sobre o contexto do Concílio Vaticano II…
A modernidade inevitavelmente emergiu e, a partir do século XVI, foi se impondo e se solidificando, forjando um ser humano cada vez mais autônomo e senhor de si; nesse contexto o poder político da Igreja na Europa vai entrando em declínio crescente, e o saber científico passa, de modo também crescente, a ser a nova luz a guiar esse ser humano senhor de si – pois é ele próprio o criador dessa nova luz-guia.
O século XVIII marca a irrupção do homem contemporâneo, e “o mundo na contemporaneidade passa a ser reconhecido com consistência em si mesmo, autônomo em face da autoridade eclesiástica e em face da missão da Igreja.”
Frente a esse estado de coisas, a Igreja vai entrando e permanecendo, da modernidade à contemporaneidade, em um estado de isolamento, devido a uma postura de constante embate com o mundo e suas atualidades, fechada ao diálogo e aos sinais dos tempos.
Desde a reforma protestante, no século XVI – onde a Igreja, em vez de fazer a sua reforma, preferiu fazer uma contrarreforma, a Igreja católica assume uma forte atitude eclesiocêntrica de fechamento nela mesma que perdurou por quase quintetos anos.
Daí eu começar este texto com o exemplo do homem que, nos anos 2000, permanecia estacionado e fechado mentalmente nos anos 70 – isso com o mundo a sua volta modificando-se irremediavelmente.
Assim ficou a Igreja, nostálgica, amante e desejosa de uma época irretornável, fechada por tanto tempo no passado.
 Todavia, embora com quase cinco séculos de atraso, a reforma da Igreja enfim aconteceu, com o “novo pentecostes” que foi o Concílio Vaticano II.
O Concílio Vaticano II é um novo caminho de diálogo com o mundo, este não lhe é mais hostil e ameaçador, mas parte integrante de seu devir – mais ainda, agora a Igreja entende-se sendo no mundo como parte dele – não mais uma instituição de gueto, não mais uma instituição que se entende de modo esquizofrênico, isto é, mesmo no mundo entendendo-se e autoafirmando-se fora dele.
A ruptura trazida pelo concílio com o modelo estacionado e obsoleto de Igreja, aquela Igreja de molde imperial, clericalista e autorreferenciada, deu-se a partir de um movimento de retorno às fontes bíblicas e patrísticas, estabelecendo continuidade com a Tradição da Igreja e descontinuidade com o modelo eclesial tridentino.
Hoje, com efeito, vê-se que a Igreja vive uma forte tensão entre os que desejam o retorno aos fundamentos, aos tempos da Igreja da cristandade ou neocristandade e os que, acolhendo o espírito reformador do Concílio Vaticano II, desejam ardentemente uma Igreja atenta aos sinais dos tempos e amiga da modernidade, entendendo que só assim, dentro dessa modernidade, a Igreja como um todo pode cumprir o seu papel de ser sal, luz e bom fermento na massa.
Recepcionar o Espírito do Concílio Vaticano II é romper não só com os vínculos internos que prendem a Igreja aos grilhões de uma passado que não volta, mas romper também com as estruturas injustas a ela externas com as quais a própria Igreja aliou-se no decorrer da história – é romper com entendimentos e atitudes esclerosadas que mais afastou as pessoas do Evangelho do que as aproximou.
A Igreja da América Latina recepcionou este espírito conciliar de ruptura, que fez emergir uma Igreja atenta à exploração e opressão dos grandes sobre os pequenos, colocando-se ao lado dos explorados e marginalizados pelos sistemas opressores em vigência nos países pobres do continente.
É evidente que essa recepção não foi repentina, mas construiu-se paulatinamente e continua construindo-se, muito embora tenha sofrido baques profundos, e para muitos até pareceu que não avançaria mais.
A mentalidade elitista, tradicionalista, clericalista e de um carismatismo cada vez mais intimista e emocionalista, apartado (para não dizer opositor) de uma Igreja engajada nas lutas sociais como foi Jesus engajado nas lutas sociais de seu tempo, permanece nos corações e mentes dos cristãos inclusive não elitistas – pobres mesmo, e que certamente compõem uma parte expressiva, até mesmo hegemônica, de nossa Igreja. Isto tudo tornou-se uma realidade cultural, estrutural, e ao meu ver os pontificados de João Paulo II e Bento XVI foram momentos estanques do movimento reformador do Concílio.
Entretanto, Francisco foi suscitado por Deus a ser o Bispo de Roma e com ele o movimento reformador iniciado por João XXIII, o “Papa Bom”, e continuado por Paulo VI, é retomado.
Jorge Mario Bergolio escolheu o nome de um reconstrutor para seu papado, pois são Francisco de Assis recebeu a instrução divina de reconstruir a Igreja – tarefa que agora é encabeçada por Bergolio, o papa Francisco, saído da América Latina, de um continente de muita pobreza que convive com muita riqueza concentrada em mãos de minorias cada vez menores – talvez por isso Francisco tenha tanta sensibilidade para com os pobres, excluídos e desvalidos do mundo.
Sim, o Espírito do Concílio foi e continua sendo realmente um “novo pentecostes” para Igreja, um “Kairós”, porque sua origem está em Deus mesmo, na fé que gerou a Igreja e a sustenta – e “se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus” – At 5,38-39.
Graça e Paz.
Fontes consultadas:
BRIGHENTI, Agenor. Em que o vaticano II mudou a igreja. 1. ed. São Paulo: Paululias, 2016.
GUTIÉRREZ, Gustavo. Teologia da libertação. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1975.

Agora é a hora de ressuscitar as esperanças e sonhos e colocá-los em ação.

Como muitas pessoas, tenho uma pilha de papéis em minha mesa que silenciosamente me incomoda toda vez que olho em sua direção.
Atualmente, consiste papéis do imposto de renda, notificações, notas de agradecimento que precisam ser preenchidas, uma lista de tarefas e todos os tipos de anotações relacionadas ao trabalho.
Eu desenvolvi uma maneira única e eficiente de lidar com a bagunça: primeiro, eu esqueço tudo a respeito até ficar tão desatualizado que não seja mais importante. Em seguida, eu jogo tudo fora, varrendo com um movimento rápido para a lixeira. Um método horrível, eu sei, mas por alguma razão eu sou capaz de fazer as pazes com a pilha de papel e considerá-la uma causa perdida. Melhor nunca do que tarde, ao que parece.
Depois de iniciar um novo ano, alguns de nós pensarão em todos os sonhos, ambições e esperanças que tivemos e ainda não foram cumpridos. Ou talvez alguns de nós estejam tão distraídos e ocupados que o ano novo pode passar despercebido. Vai parecer tarde demais para refletir sobre o passado e tomar uma decisão para o futuro – e talvez seja melhor simplesmente esquecer os sonhos que nunca se materializaram. Mas, mesmo que os compromissos passados ​​ainda não tenham sido cumpridos, não desista e varra seus sonhos para o lixo – o velho ditado é verdadeiro: antes tarde do que nunca.
No ano passado, passei um tempo com uma amiga da faculdade chamada Melinda, que eu vejo uma vez a cada ano, e do nada ela relembrou a época em que nos visitou 10 anos atrás em Cape Cod, quando minha esposa e eu estávamos esperando nosso primeiro filho.
Minha mãe organizou um chá de bebê e Melinda foi uma das convidadas. Aparentemente, ela não trouxe um presente. “Foi o primeiro chá de bebê de que eu participei, mas, ainda assim, eu era adulta e deveria saber!”. Ela disse: “Eu nem sabia o que estava fazendo. Eu não posso acreditar. Então… desculpe?”. Minha esposa, Amber, e eu rimos quando ela contou a história. Não nos lembrávamos de ela não ter trazido presente. Para nós, não foi nenhum problema, e nosso bebê sobreviveu mesmo não recebendo um presente dela. Mas nós rimos juntos desse episódio.
Nunca é tarde demais para corrigir um erro ou abordar algo que aconteceu no passado. No ano de 2000, o Papa São João Paulo II publicamente pediu desculpas pelos pecados dos cristãos passados que agiram em nome da Igreja. O pedido de desculpas foi amplo e muitos dos eventos aconteceram séculos antes. Para ele, era melhor que o pedido de perdão fosse feito antes tarde do que nunca, embora fazê-lo em uma data tão tardia possa ter sido embaraçoso. Ele estava certo – havia uma sensação de cura que vinha com suas palavras.
Outro exemplo de melhor tarde do que nunca é a história de Shirley Shafranek, que se tornou freira em 2011 aos 59 anos de idade. Nessa idade, a maioria de nós pode pensar que o tempo para assumir novos desafios de vida já passou. A irmã Shirley até admite: “O chamado sempre esteve dentro de mim, mas eu escolhi ignorá-lo por muito tempo”. Embora fosse fácil continuar ignorando seu sonho, afirmando que ela era velha demais ou que era tarde demais, em vez disso, ela deu um passo corajoso e encontrou a felicidade.
O que quer que esteja em sua mente enquanto você olha para frente – intenções passadas não cumpridas, sonhos deixados de lado, hesitação diante de um futuro incerto – não deixe que nada o impeça.
Não há nada embaraçoso em aparecer atrasado para a festa e nada na vida é uma causa perdida. Não há momento melhor para você do que agora.


Mas se não é verdade que cometemos idolatria, então por que usamos imagens?

"Por que nós, católicos, temos imagens de quem adoramos, ou seja, de Deus? De onde nasceu essa ideia?” (Noemí F.Q., via Facebook)
O uso de imagens e quadros religiosos em igrejas e dentro de casa é muito difundido desde tempos imemoriais. A questão das imagens sagradas costuma ser bastante polêmica; e na relação entre a Igreja e as pessoas que pretendem seguir a Cristo fora dela, a polêmica se acirra mais ainda, porque essas pessoas, entre muitos outros erros, acham que a Igreja católica adora imagens, o que não é verdade.
Para esclarecermos o assunto, vamos repassar a história sagrada. Comecemos observando que, no Antigo Testamento, era severamente proibido o culto a todo tipo de imagens ou representações plásticas da divindade.
O primeiro mandamento do decálogo afirma com palavras contundentes: “Não farás para ti outros deuses diante de mim. Não farás escultura nem imagem alguma… Não te prostrarás perante elas nem lhes darás culto, porque eu, Javé, teu Deus, sou um Deus cioso…”. (Ex 20, 3-5). Fica proibido, portanto, todo tipo de imagens apresentadas como divindade.
Esse mandamento começa dizendo: “Não farás para ti outros deuses diante de mim”. Ou, dito de outra maneira: “Não faças nenhum ídolo”. Apesar desta proibição tão clara, porém, e imediatamente depois de prometer que iria cumprir a lei, o povo fabrica um bezerro de ouro e o adora como se fosse um deus: “Este é o teu Deus, Israel, aquele que te tirou do Egito” (Ex 32,8). Era justamente contra isso que Deus tinha advertido o seu povo. E é por causa deste pecado de idolatria que Deus decide destruir o povo. Só a intercessão de Moisés consegue a piedade e o perdão de Deus (Ex 32, 1-14).  E Deus dá um alerta aos israelitas também quanto às imagens que eles venham a encontrar entre os povos pagãos: “Queimareis as esculturas dos seus deuses e não cobiçareis o ouro nem a prata que as recobrem” (Dt 7,25).
Naturalmente, esta proibição permanece de pé no Novo Testamento com a mesma intenção e com o mesmo objetivo. A Bíblia mostra que os cristãos também evitaram o uso de imagens que pudessem ser objeto de adoração. São Paulo diz, em seu discurso em Atenas: “Se somos estirpe de Deus, não podemos pensar que a divindade se pareça com imagens de ouro ou de prata ou de pedra, esculpidas pela destreza e pela fantasia de um homem” (At 17, 29). O apóstolo São João também declara: “Filhos meus, guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5,21). Para a Igreja nascente, é bem claro que a adoração deve ser tributada somente a Deus. Por isso, no Império Romano, muitos cristãos foram martirizados: por se recusarem a adorar os ídolos.
Agora, levemos em conta que os ídolos não são necessariamente esculturas ou imagens. Também há ídolos imateriais, sutis e muito capazes de nos absorver, nos quais nos refugiamos e colocamos a nossa vã segurança. São ídolos que conservamos bem escondidos em nosso íntimo: a ambição material, o desejo de celebridade, o afã de poder, a sexualidade desordenada, a ilusão de ser os únicos amos da nossa vida, algum pecado ao qual estamos especialmente apegados e muitos outros ídolos afins. Em todos os casos, qualquer ídolo nos afasta de Deus e nos distrai do nosso autêntico objetivo de vida: a salvação.
Qual é o motivo da proibição do Antigo Testamento?
A verdadeira razão dessa proibição é que Deus é o único Deus. Ele não se resigna a ser, por exemplo, o primeiro entre os deuses. Ele é o único. Por conseguinte, os deuses ou ídolos não são nada. Isaías ridiculariza os ídolos e aqueles que os adoram (Is 44, 9-20).
Era proibido representar a Deus com imagens para que as pessoas não achassem que Deus tivesse a forma de uma criatura ou fosse um objeto. No fundo, o mandamento zela pelo bem do povo, para que o próprio povo não se condene adorando um erro. O que não se aceita, portanto, é recorrer a objetos materiais e depositar neles a plena confiança que devemos ao Deus único, vivo e verdadeiro. Deus não é um ser material, mas uma realidade espiritual. Por isso é que o povo não pode adorar sequer representações materiais do verdadeiro Deus, porque corre o perigo de confundir o Deus verdadeiro com a imagem que o representa, chegando a crer que se trata de um Deus material.
Por que, então, existiram e existirão as imagens?
O que muitos desconhecem é que, assim como existe uma proibição de cultuar imagens (e já sabemos o porquê), também existe uma permissão de fazer imagens!
Vamos levar em consideração que a proibição se refere diretamente à adoração das imagens em si mesmas, e não ao simples fato de fazê-las para que elas sirvam apenas como sinal da presença de Deus. Neste sentido, Deus mesmo manda fazer coisas, objetos e imagens. É o caso da Arca da Aliança, com seus querubins de ouro e com o propiciatório também de ouro puro (Ex 25, 10-22). São elementos que não merecem as honras divinas: não podemos render culto a eles como se eles fossem Deus.
Mas o povo precisava (e precisa ainda) desses sinais sensíveis. Deus mandou construir aquele sinal da sua presença no meio do povo. Recorre-se à Arca de Deus para fazer oração porque ela é sinal da presença de Deus. Prova disso é que a própria tenda do encontro foi construída por ordem divina e estava cheia de imagens. O Templo de Jerusalém também as tinha. E fica claro que elas não violavam a proibição decretada por Deus.
Outro exemplo? A fabricação da serpente de bronze, que Deus ordena a Moisés: “Faz uma serpente de bronze e expõe-na sobre um mastro (o próprio Jesus Cristo menciona aquela serpente de bronze como símbolo dele mesmo). Todo aquele que for ferido e olhar para ela, viverá” (Num 21, 6-9). Naturalmente, não é que a serpente de bronze tivesse alguma virtude especial que a elevasse ao nível de divindade. Olhar para ela era um ato de fé e de confiança na Palavra que Deus tinha pronunciado. Tanto é que, mais adiante, o povo se desvia dessa intenção e passa a prestar culto à própria serpente. Nesse momento, Ezequias manda destruí-la (2 Re 18, 4).
São do Antigo Testamento os textos da Bíblia que proíbem fazer imagens e devem-se ao risco de o povo cair na idolatria, a exemplo dos povos vizinhos, que adoravam ídolos como se eles fossem deuses. Já os textos do Novo Testamento que falam dos ídolos se referem propriamente a ídolos adorados por pagãos, e não a simples imagens. O II Concílio Ecumênico de Niceia, por isso, no ano de 787, “justificou o culto das sagradas imagens…” (Catecismo da Igreja Católica, 2131).
O Deus do Antigo Testamento não tinha corpo, era invisível. Não podia ser representado por imagens. Mas a partir de quando Deus se revelou em forma humana, Cristo se tornou “a imagem visível do Deus invisível”, como diz São Paulo (Col 1,15). No Novo Testamento, a permissão de usar imagens que representam a divindade assume um caráter novo, graças ao fato da Encarnação do Filho de Deus. Deus continua sendo puramente espiritual, mas assumiu uma natureza humana, que é material. Por esta razão, é lógico representá-lo para lhe dar culto (Catecismo da Igreja Católica, 1159; 2129).  A representação de imagens de Cristo é completamente lícita, já que é a representação de alguém que é realmente Deus. O culto que damos a Jesus, portanto, olhando para uma imagem dele, não é de adoração à materialidade dessa imagem, mas à própria Divina Pessoa que nela está representada. E ao olharmos, por exemplo, para a imagem do Cristo crucificado, recordamos o muito que Ele sofreu por nós e nos sentimos movidos a amá-lo mais e a confiar mais nele.
Em qualquer dos casos, o cristão sabe que a imagem, embora represente Cristo, não é a divindade em si, e, por consequência, não se presta culto a essa materialidade. Uma imagem representa o Filho de Deus ou outras pessoas intimamente relacionadas com Ele: por isso é lícito representar com imagens a Virgem Maria e os santos. A imagem é simplesmente uma representação e uma lembrança daquelas pessoas: quando se ora diante de uma imagem, não se cultua o objeto, não se fala à materialidade da imagem, mas se rende culto a Deus (culto de latria), a Maria (culto de hiperdulia) ou aos santos (culto de dulia). Diz o II Concílio de Niceia, de 787 (sessão 7ª, 302): “A honra tributada à imagem se dirige a quem ela representa” (Denzinger, pág. 155).
Na Igreja, veneramos os santos porque eles merecem o nosso respeito, admiração e gratidão. Graças às suas imagens, nós os recordamos e, ao mesmo tempo, eles nos trazem à mente verdades religiosas de grande proveito espiritual, dizendo-nos algo relacionado com as suas vidas. Por exemplo, graças às imagens podemos recordar quem era o santo (leigo, religioso, bispo etc.), que virtude ele mais praticou (pureza, desapego, humildade etc.), o que o tornou santo (martírio, estudo, missão etc.). Assim também, ao vermos uma imagem da Mãe de Deus, vem à nossa memória que, no céu, nós temos uma mãe imaculada que nos ama, que intercede por nós e que nos incentiva a levar uma vida santa.
Quando vemos uma imagem das almas do purgatório, recordamos a realidade do purgatório e somos movidos a orar pelos falecidos. As imagens são uma espécie de retrato de entes queridos, a quem recordamos com respeito e carinho. Quando beijamos a foto dos nossos entes queridos que já partiram ou que estão longe, não é a foto em si o que estamos homenageando: estamos recordando, pensando e sendo carinhosos como os nossos entes queridos ali representados.
Há nos livros de história retratos de grandes personagens para que os leitores os conheçam e, caso tenham sido bons, admirem e imitem; não há nisso mal nenhum.
Em edifícios e praças públicas há estátuas de grandes heróis a cujos pés são colocadas flores. Quem critica este gesto? Quem afirma que todas as pessoas que praticam esse gesto estão “adorando imagens”? Sabemos que, na verdade, o que elas fazem é homenagear e recordar com respeito essas pessoas, dignas, para elas, de lembrança e de respeito.
Os santos, através das suas imagens, não são adorados, mas sim venerados. A adoração é reservada somente a Deus. Venerar, porém, é reconhecer o valor de alguém ou de algo que merece o nosso respeito. Nós veneramos os nossos pais e a nossa pátria, mas não os adoramos. Adoramos somente a Deus.
Um protestante me disse uma vez: “Mas ajoelhar-se diante das imagens é adoração”. Este é outro erro dos protestantes. Isto é o que eles acham. Quem pode ver o interior das pessoas e acusá-las de idolatria, fazendo um juízo temerário com base em aparências exteriores? Mesmo os mais humildes, no fundo do seu coração, sabem que uma imagem sagrada ou religiosa não é Deus, nem é o santo a quem eles querem prestar respeito. Mesmo uma criança, sem muito conhecimento religioso, entende, quando vê uma imagem, que se trata simplesmente de uma imagem.
Devemos recordar que o gesto de ficar de joelhos tem significados diferentes dependendo da intenção com que é realizado. Diante de uma imagem, é um ato de veneração a quem a imagem representa. Quando os anciãos de Israel se prostravam diante da Arca da Aliança, não se prostravam diante de uma caixa de madeira, mas diante de Deus, ali representado. Quando rezamos diante do sacrário ou diante de uma custódia, não rezamos para uma caixa ou para um objeto metálico: rezamos e adoramos a Deus, presente no sacramento da Eucaristia.
Externamente, poderia parecer que um gesto de veneração a uma imagem é semelhante ao de um pagão idólatra que adora a imagem por si mesma. Há, porém, uma diferença substancial. Qual? A intenção do coração e o significado da imagem para a pessoa. As imagens não têm, para nós, o mesmo significado que tinham para os pagãos; eles de fato as consideravam deuses. Nós não as adoramos; nós sabemos perfeitamente que as imagens são apenas representações, seja de Cristo, seja dos seus santos.
Não devemos tirar as coisas do seu contexto. O proibido é a adoração das imagens como ídolos em si mesmas. A própria palavra hebraica usada no primeiro mandamento da Lei de Deus é “pésel”, que significa “ídolo”. Na mesma língua, há outras palavras que se referem a outros tipos de imagens não idolátricas, como as decorativas ou representativas. Se uma imagem não é um ídolo, ela não representa problema algum e podemos manter os nossos templos cheios delas, tal como estava o Templo de Salomão, que foi visitado por Jesus sem que Ele fizesse qualquer objeção à presença dessas imagens.
Quando os fiéis beijam as relíquias de santos e tocam nas imagens, o que eles fazem? Expressam amor pelos intercessores ali representados e que são estímulo para a nossa vida cristã. Trata-se, é claro, de uma fé simples, como a daqueles que esperavam receber a graça da cura ao tocar nos lenços de São Paulo (At 19,12), ou como o bem conhecido caso da hemorroíssa que, ao tocar no manto de Jesus, ficou curada (Marcos 5,26-31). Alguém considera que essas pessoas foram curadas por lenços e mantos? Jesus mesmo não falou da fé como de um grão de mostarda? (Mt 17,20).
Outro protestante me disse um dia: “Se a Igreja retirasse todas as imagens dos templos, eu poderia considerar a possibilidade de voltar à comunhão com ela”.
Esta não parece ser a solução para os problemas que enfrentamos com as seitas. Não vamos destruir todas as imagens porque alguns protestantes interpretam mal os ensinamentos da Igreja ou as atitudes de um bom fiel.
A solução do problema é a catequese, para que se chegue à maturidade da fé com toda a sua liberdade interior.
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