Nome do leitor: João Marcos
Cidade/UF: Parnaíba/PI
Religião: Cristã
Confissão: Protestante

Mensagem
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Os tais santos da Igreja Católica são canonizados por um homem, o “Papa”. É engraçado não é? Um homem pecador, comedor de feijão, se acha tão santo que lhe dão o poder de transformar meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui, e os canoniza como "santos".

A Bíblia, tanto católica como evangélica, diz que só existe um Santo, que é o Jesus.

A região Nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria: imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis.

A seca continua assolando aquela região, e assim vai ser até que todos sejam consumidos pela maldita idolatria.

Sou anti-santo de barro, pois sei que nada são.
Que Deus tire a venda que está nos olhos dos nossos irmãos católicos.

João Marcos

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Prezado João Marcos,

Paz e Bem, O Senhor te dê a Paz!

Sua mensagem revela uma completa ignorância a respeito da doutrina católica sobre os Santos e as imagens, como também uma visão absurdamente deformada da mesma. Você não sabe o que, objetivamente, são os Santos. Você não sabe o que, em verdade, é um processo de canonização. E muito menos sabe o que, de fato, são as imagens. E você não pode falar do que não sabe.

Mas não se preocupe. O Veritatis Splendor é um Apostolado que se dedica justamente a resolver tais mal-entendidos. Tendo sido sua mensagem encaminhada a mim, é isto que farei, em nome deste Apostolado.



Os Santos e as Canonizações

Você tem razão ao dizer que aqueles que nós, católicos, veneramos como Santos são “meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui”. Ora, sem dúvida no dia do Juízo hão de prestar contas a Deus, juntos a todos os homens. Aliás, eles já prestaram contas a Deus, logo após a morte, em juízo particular.

Mas o fato de que prestaram contas a Deus não quer dizer de modo algum que eles não tenham sido pessoas sobremaneira virtuosas a ponto de merecerem a glória do Céu. Porque, sim, nós prestaremos contas a Deus do que fizemos de bom e de mal; mas e se conduzimos nossa vida conforme os ditames da Lei de Deus, e se dirigimos nossa conduta de acordo com os ensinamentos de Cristo – não atingiremos a santidade? E no dia que prestarmos contas a Deus, não prestaremos contas das tantas coisas boas que fizemos e pregamos, da santidade que me vida procuramos edificar?

Isto fizeram os Santos, caríssimo João.

Foram pessoas, homens e mulheres, “meros seres humanos” – sim, você está certo ao defini-los assim! –, que de tal maneira se dedicaram a viver em tudo conforme a Cristo, que já podiam dizer como o Apóstolo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20). Foram meros seres humanos cuja medida da vida foi Cristo, cujo combustível da existência foi o amor a Deus. Foram meros seres humanos que, dia após dia, venceram as dificuldades diárias, carregaram sua própria Cruz, para imitar a Cristo Crucificado e Vencedor da morte! Foram meros seres humanos cujo horror ao pecado e o amor à santidade perpassaram cada instante de sua vivência diária. Foram meros seres humanos cujo cultivo da Fé, da Esperança e da Caridade, cujo amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos era de tal maneira radical que de igual modo os aproximou de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele que radicalmente nos amou até o fim. Foram meros seres humanos que responderam àquele convite de Nosso Senhor: “Sede santos, como vosso Pai que está no Céu é Santo” (Mateus 5,48).

E se tanto fizeram, não podem ser ditos santos? Não podem ser declarados como tais?

Se foram santos em vida, por que deixariam de sê-lo após a morte?

Nestas condições, após uma acurada investigação de suas vidas e condutas, o Papa, que é Chefe da Igreja, pode declarar que estas pessoas foram santas em vida, e que portanto agora já gozam das benesses de Nosso Senhor no céu.

Não é o Papa que torna uma pessoa santa. É Deus e a própria pessoa: Deus auxiliando-a com sua graça, e a pessoa deixando-se levar pela graça de Deus, dirigindo sua conduta conforme os desígnios do Senhor, e assim santificando-se dia após dia. Quando o Papa canoniza uma pessoa, ela não a está tornando santa: está reconhecendo um fato já consumado, ou seja, que aquela pessoa viveu santamente e que por isso goza da visão de Deus no céu. A santidade da pessoa não acontece após a canonização pelo Papa: a santidade é anterior à canonização. A pessoa não se torna santa porque é canonizada: ela é canonizada porque é santa. Esta é a ordem das coisas.

Um processo de canonização é uma investigação acurada e cuidadosíssima. Não é coisa leviana. É feita um inquérito minuciosíssimo em torno da vida e obra do cristão que se intenta canonizar para comprovar se ele desenvolveu mesmo os que se chama de “heróicas virtudes cristãs” e se sua vida foi mesmo devotada ao serviço de Deus, da Igreja e do próximo. Além disso, são exigidos pela Igreja, para comprovação da santidade, que pelo menos três milagres, comprovados pela ciência como inexplicáveis, tenham ocorrido pela intercessão da pessoa que se intenta canonizar; estes milagres comprovam que a pessoa está realmente no céu, e que por isso já pode rezar por nós a Deus para que Ele nos conceda suas poderosas graças.

Após canonizado, o santo é proposto como modelo aos fiéis cristãos. Olhando para as virtudes do santo, para o modo como conduziu sua vida, para suas obras e palavras, para o modo como viveu intensamente por Cristo e para Cristo, o fiel cristão busca imitar o santo, tomá-lo como modelo, assemelhar-se a ele e assim assemelhar-se também a Cristo, a Quem o santo fez medida de sua vida.

Portanto, os santos da Igreja não são ídolos: eles mesmos adoraram a Cristo incessantemente, e por isso são ditos santos; o fiel, olhando para esta sua incessante adoração ao Filho de Deus, toma-os como modelo e busca, como eles, seguindo seu exemplo, adorar Nosso Senhor e viver segundo seus mandamentos a cada instante de sua vida.

As Imagens

“A região nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria, imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis”, diz-me você.

Eu sou nordestino, vivi toda minha vida no Nordeste, e, em absoluto, não vejo essa tamanha idolatria que você denuncia.

Obviamente, o que você intenta denunciar não é a idolatria, mas o costume sadio e benigno dos católicos de confeccionar e venerar imagens de Cristo, da Virgem Maria, e dos Santos de Deus. Como para todo protestante uma imagem sempre é um ídolo, então você encara que esta nobre e tradicional devoção católica, fortíssima também no Nordeste – que é católico majoritariamente, graças a Deus! –, é uma idolatria.

Engana-se, meu caro.

Engana-se severamente.

Os pastores da sua comunidade, homens com mania de Deus que acharam por bem fundar uma Igreja – quando só Deus tem o poder e a autoridade para fundar uma Igreja –, não estão lhe ensinando bem.

Pois se toda imagem é um sintoma de idolatria, por que o próprio Deus ordenou a Moisés que confeccionasse uma serpente de bronze? Está lá na Bíblia – “tanto católica como evangélica”, para usar suas palavras – em Números 21,5-9: “O povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: ‘Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento’. Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos. O povo veio a Moisés e disse-lhe: ‘Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós estas serpentes’. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: ‘Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.’ Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma cobra e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida”.

Isso mesmo, meu caro. O mesmo Deus que proibiu imagens mandou que fossem feitas imagens. Como explicar isto? Como compreender esta aparente incoerência?

É preciso diferenciar ídolos de imagens.

Os pagãos atribuíam aos ídolos de barro e ouro poderes divinos. Atribuíam estes poderes aos ídolos em si, enquanto meras peças confeccionadas por mãos humanas.

Os hebreus e cristãos não atribuíam – nem atribuem – poderes divinos às imagens: para o hebreu – que confeccionou leões para o Templo de Jerusalém (I Reis 7,29.36.45), querubins para a Arca da Aliança (cf. Deuteronômio 4,17) e uma serpente de bronze – e para os cristãos – que desde os primeiros séculos, época dos Apóstolos, confeccionavam imagens, como comprovam as catacumbas dos mártires – uma imagem é uma representação de Cristo, uma representação tão-somente – da mesma forma como a serpente de bronze representava Cristo, que ia ser levantado na Cruz (cf. João 3,14) – e a esta representação não são atribuídos nenhum tipo de poder místico ou divino, até porque é só uma representação.

Pela imagem o cristão aprende as verdades da Fé; as imagens são como um livro: da mesma maneira como as letras ensinam os mandamentos do Senhor, as imagens ilustram estes mandamentos e os transmitem de outra forma. Por isto o Papa São Gregório Magno ensinava: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os iletrados; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler”.

Além disso, as preces que são dirigidas a uma imagem não se dirigem à imagem em si, mas à realidade que ela fundamentalmente representa: Cristo. Por isto, ensina a Igreja no Concílio de Trento: “As imagens de Cristo e da Virgem Maria, Mãe de Deus, e dos Santos, devem ser guardadas nas Igrejas, onde se lhes devem prestar a devida honra e veneração; não por crer que haja nelas ‘Divindades’ ou ‘virtude alguma’, a quem queremos adorar ou pedir favores imitando os antigos gentios, que punham toda a sua confiança em seus ídolos; mas porque as honras que lhes prestamos, as referimos aos protótipos que elas representam, de sorte que, quando beijamos uma imagem, ou nos descobrimos ou prostramo-nos diante dela, adoramos Jesus Cristo e veneramos os santos por elas representadas”.

E mesmo as imagens da Virgem Maria e dos Santos representam fundamentalmente a Cristo, pois é em Cristo que a Virgem Maria e o Santos têm a sua glória, e sem Cristo eles nada seriam: eles fazem parte daquela “nuvem de testemunhas” de que fala o Apóstolo (Hebreus 12,1).

Portanto, meu caro, não creia nas barbaridades que muitos pastores protestantes proferem contra a Igreja Católica sem ter um mínimo de fundamento para tanto. Veja por exemplo que não própria Bíblia há momento em que os homens são ordenados a confeccionar imagens por Deus mesmo.

Se o próprio Deus sabe a diferença entre o que é uma imagem e o que é um ídolo, porque não haveríamos nós, que me tudo queremos segui-Lo, não saber esta diferença? Diferenciemos, portanto, o que são imagens e o que são ídolos – e são coisas bem distintas! – pois Deus mesmo os diferencia.

E se o próprio Deus se agrada com as imagens – como se agradou com os querubins da Arca da Aliança e aqueles tecidos nas paredes do Tabernáculo –, mas reprova os ídolos, o que devemos nós fazer? Agradarmo-nos com as imagens, mas reprovarmos os ídolos.

É preciso diferenciar o que é uma imagem e o que é um ídolo. Deus mesmo o faz, e nós também devemos fazê-lo.



Conclusão

Espero que estas simples considerações possam fazê-lo compreender a doutrina católica a respeito dos Santos e das imagens sacras. Espero que elas também tenham dissipado os mal-entendidos plantados em sua mente por pastores protestantes que não encontram fundamentos para suas críticas à Igreja.

Se você realmente desejar a verdade, sugiro que procure em nosso site outros trabalhos a respeito.

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Gentil disse... 9 de abril de 2010 22:14

Olá boa noite, parabenizo nosso irmão Erick pela dedicação e discernimento em responder ao nosso "irmão separado". Lamentavelmente todos os dias somos atacados em nossa fé, por pessoas que estão de algum modo fazendo expiações por seus erros quer morais quer materiais, iludidas que encontram Cristo por falsos profetas cheios de oratórias que visam antes de tudo seus bolsos. Peço perdão a Nosso Senhor por minha pequenez e também a todas pessoas que procurando (Jesus) na verdade só visam mesmo os bens materiais e fazendo-se exegetas e hemerneuticas nos agridem. Senhor tem Piedade de mim.

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