Perdoar sempre
Perdoar sempre
Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando neste domingo o 24º Domingo do Tempo Comum. Faltam apenas 10 domingos para o término do ano litúrgico de 2026.
A Igreja nos propõe o tema do Perdoar sempre. Vivemos num mundo cheio de ódio, violência, guerras e todo tipo de Mal. Sabemos que o mal é a ausência do Bem. Parece que nada vai sair dessa corrente do mal, mas a liturgia nos dá a pista para que possa reinar o Bem.
Se queremos viver bem na família, na comunidade e em todos os lugares, então devemos perdoar. E viver o perdão.
O que a Bíblia nos fala do perdão que devemos praticar?
Nós podemos ver no antigo Testamento como era vivido a vingança e a resposta do mal que se pratica contra a pessoa. No princípio era uma compensação válida referente às injustiças recebidas e assim poderia desencorajar a pessoa a praticar novamente aquele mal praticado.
Depois colocaram a lei do Talião. Que era uma forma de limitar a vingança. Só poderia vingar proporcional ao mal recebido. O melhor dente por dente era justificável a vingança.
No Livro do Eclesiástico (Eclo 27,33-29,9) nos exorta para superarmos o modo operante da lei da vingança para substituir com sentimentos de misericórdia e perdão. Se não perdoarmos mutuamente, então não podemos pedir perdão a Deus referente as nossas faltas cometidas. Devemos cultivar o amor misericordioso e o perdão mútuo.
O ódio não combina com amor e a vingança com a misericórdia e o perdão. O Salmo 102 nos exorta para isso como está escrito: "O Senhor é bondoso e compassivo... ele perdoa toda culpa...". Deus é o primeiro a nos perdoar e tem compaixão de nós, então porque não podemos ser o agente do perdão e da misericórdia?
Na carta aos Romanos (Rm 14,7-9) nos fala deste modo que devemos agir no mundo e em todos os lugares em que estivermos. Na comunidade cristã é o lugar da nossa prática da vivência do amor, da misericórdia e do perdão para com todos. Procurar ser unidos e abandonar as diferenças que nos dividem. O amor é a lei maior que nos faz portadores da paz e do perdão.
No evangelho de Mateus (Mt 18,21-35) nos mostra o caminho da reconciliação e do perdão. Aqui temos o 4º discurso de Jesus que nos exorta a viver em comunidade. A correção fraterna deve ser uma prática do amor fraterno para os que erram.
Agora vamos ver como deve ser o perdão a ser dado a quem erra. A pergunta de Pedro a Jesus quantas vezes devemos perdoar o irmão que nos ofende e erra. Era costume perdoar duas, três ou quatro vezes no máximo. Isso parecia lógico e aceito na convivência humana. Pedro melhora essa ideia até sete vezes, mas
Jesus contraria essa lógica e nos fala 70x7, isso quer dizer infinitamente por Deus tem um coração amoroso e misericordioso. Aqui não é quantitativo de perdoar, mas ser de fato de coração. Ser misericordioso no perdão.
A parábola que Jesus ilustra isso nos fala bem disso. Um homem devia uma quantia incalculável e não tinha como pagar e pede tempo, o senhor perdoa toda a dívida. Esse tinha uma pessoa que devia uma dívida quase insignificante e pede piedade tempo. Mas ele foi cruel com ele. Então o senhor ficou sabendo dessa injustiça desse homem que não foi complacente com o pobre e ele tinha perdoado uma dívida impagável, então mandou surra-lo.
Então Jesus nos dá um alerta dizendo: "Assim agirá meu Pai com quem não perdoar seu irmão de todo o coração...". O perdão é sem limite, assim poderemos rezar o Pai nós, principalmente quando pedimos perdão a Deus na proporção do nosso perdão aos nossos irmãos.
Servus Christi semper.
Jose B. Schumann