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Janeiro, 2012
Quinta
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A PÁSCOA DO CONCÍLIO

25 - Abril - 2012 Reporter: Erick Sávio Comentario

“Neste ano, a festa da Páscoa traz marcas do Concílio. A páscoa sempre evoca o passado, de maneira a trazer presente o significado dos acontecimentos antigos. Pois bem, desta vez, somos convidados a associar as diversas evocações antigas da Páscoa, com acontecimentos mais recentes na caminhada da Igreja. Entre eles, se destaca, com evidência, o Concílio Ecumênico Vaticano II. … [...]


1. Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Haverá sinais no sol , na lua e nas estrelas (Lc 21,25). 2. Diz Isaías: Naquele dia achar-se-á o germe do Senhor em magnificência e o fruto da terra é sublime (Is. 4,2). Esta expressão é aplicada, no sentido moral, ao pecador convertido. O dia é o sol que resplende sobre a terra. Quando o sol da graça ilumina a terra, isto é, a mente do pecador, então ela produz por si só o germe do Senhor, que simboliza a contrição. Com efeito, Isaías diz: A chuva e a neve descem do céu e inebriam a terra e fecundam-na e fazem-na germinar, a fim de que dê semente ao que semeia e pão ao que come (Is 55,10). A chuva e a neve representam a graça do Espírito Santo. Como a chuva e a neve, a graça desce do céu, isto é, da misericórdia divina. E inebria a terra, quer dizer, o pecador voltado para as coisas da terra, a fim de que a elas se torne insensível; se arrependa até às lágrimas e se manifeste o segredo do seu pecado.
De fato, a embriaguez produz estes três efeitos: torna insensível, provoca as lágrimas, e descobre os segredos. E fecundam-na com o espírito de pobreza, da qual diz Isaías: Sobre nós se derrame o espírito lá do alto (Is 32,15), para que não arda, como refere Jó, sobre ela a sede da cobiça (Jó 18,9). E a faz germinar maravilhosamente. Isto acontece quando o pecador se arrepende de modo absoluto de todos os pecados cometidos e de todas as omissões. Então, produz a semente das boas obras ao que semeia, ou seja, ao penitente que semeia entre lágrimas; e pão ao que come porque colherá em meio à alegria. Portanto, naquele dia achar-se-á o germe do Senhor em magnificência. E em glória.
Do germe da contrição procede a glória da confissão. Desta escreve Isaías à alma penitente: Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, a formosura do Carmelo e de Saron (Is.35,2). Líbano se interpreta a brancura; Carmelo, a circuncisão; e Saron, o canto de tristeza. A confissão produz estes três efeitos: branqueia a alma, elimina as coisas supérfluas e chorando, canta tristemente a melodia: A minha alma está triste até à morte (Mt 26,38). De fato, a mulher quando dá à luz está em tristeza (Jo 16,21). Da brancura da alma, livre do pecado, diz Isaías: Isto acontecerá quando o Senhor tiver limpado as manchas das filhas de Sião e lavado o sangue do meio de Jerusalém com espírito de justiça e em espírito de ardor (Is 4,4). As manchas indicam a imundície dos pensamentos. De fato, diz Jeremias: As suas manchas chegam até aos seus pés (Lam 1,9), isto é, aos afetos; o sangue significa a luxúria da carne, que o Senhor limpou às filhas de Sião, isto é, às almas de Sião, as almas que pertencem à Igreja; com espírito de justiça, que é a confissão, na qual o penitente se julga e se condena a si mesmo; e em espírito de ardor, que é a contrição, pela qual a alma abrasada prorrompe em lágrimas de compunção. Sobre as coisas supérfluas que devem ser eliminadas pela confissão, Isaías diz: Naquele dia, o Senhor, com uma navalha afiada, ou tomada emprestada, conduzida contra aqueles que estão da banda de além do rio, rapará a cabeça, o pêlo dos pés e a barba toda (Is 7,4).
A navalha, como que faz o homem novo, significa a confissão, que realmente torna novo o espírito do homem. Diz Jeremias: Preparai o terreno abandonado e não semeeis sobre espinhos (Jr 4,3), para que estes ao nascer não vão sufocar a palavra da confissão. Esta navalha se diz afiada, ou tomada emprestada: afiada, porque corta o pecado e as suas circunstâncias; tomada emprestada, porque o pecador, na obra da sua salvação, deve como que emprestá-la por uma certa soma, que é a devoção e a humildade. Com esta navalha, o Senhor rapará a cabeça dos que estão da banda de além do rio, os que transpuseram o rio, ou seja, os que receberam o batismo. A cabeça e os pés significam o princípio e o fim da vida; a barba significa a intrepidez em praticar as boas obras. Com o corte afiado de uma verdadeira confissão, o Senhor rapa no penitente os vícios, significados nos pêlos, desde o início da sua conversão até o fim de sua vida. Rapa ainda toda a barba¸ a fim de que não confie em nenhuma obra realizada, como se fora dele próprio. Devemos confiar, pois, só naquele que nos fez, e não naquilo que nós fizemos. Quem nos fez é todo o bem, o sumo bem; mas, o bem feito por nós assemelha-se ao pano de uma mulher menstruada. Pensa, pois, tu mesmo em que bem se deve confiar. Na verdade, deve-se confiar no bom Senhor Jesus, de quem o profeta diz: Tu és bom (Salmo 118,68).
Escreve Isaías do canto de tristeza: Pela colina de Luit subirá cada um chorando e pelo caminho de Oronaim irão dando gritos de aflição(Is 15,5). E o fruto da terra é sublime. O fruto da terra é a satisfação da penitência. Diz Isaías: Todo o fruto será a expiação do seu pecado (Is 27,9). O fruto da terra é sublime, quando o penitente é humilde, humilhando-se ao sublime e humilde verdadeiro sol, Cristo, que escondeu o esplendor da sua luz com o cilício da nossa condição mortal. Por isso, o Evangelho de hoje diz: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas.

Santo Antônio de Lisboa, Obras Completas, Lello & Irmão - Editores, 1987 Compilação: Frei Antônio Corniatti, OFM Conv
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Paz e Bem (Louvor as Criaturas)

Altíssimo, onipotente, bom Senhor
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar
Louvado sejas, meu Senhor
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste as claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é muito útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite,
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por Ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei ao meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.

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