Quem reconhece o Cristo, vive coerente o nome de cristão


Xiamen, Moradores Da Favela, Fotografia De Rua, Sha Po


Queridos irmãos e irmãs, nesse 12º Domingo do tempo Comum, a liturgia nos adverte para a resposta coerente com o agir dos que querem seguir Jesus Cristo que viveu, agiu bem no mundo sem fazer pactos com sistema excludente da época, morreu por não aceitar as injustiças dos privilegiados, mas ressuscitou e está no nosso meio, clamando a nossa coerência de vida.

Sabemos que é difícil de dizer sim aos mais necessitados diante de tantas benefícios do sistema capitalista que privilegia alguns em detrimento de muitos. Hoje no Brasil vemos multidões de desempregados, muitos sem casas dignas, muitos passando fome e outros sem assistência a saúde, a educação e a segurança, mas poucos com tudo e outros muitos sem nada. Isso bate contra o que Jesus propor aos seus seguidores.

Somos cristãos e cada domingo nós reunimos para orar e agradecer, mas também se comprometer com o Reino de Deus que se faz na justiça, no amor, na misericórdia, no perdão e de mundo sem violência e sem armas.

Uma pergunta intrigante Jesus fez aos apóstolos e faz hoje para nós, Quem é Ele para nós?

Jesus é o Messias prometido, mas não como os judeus pensavam, pois Ele é o Messias servidor que compadece com a situação de milhões de pessoas que são exploradas, marginalizadas e excluídas dos sistemas de governos e de economia. Ele mostrou que quando estamos com Ele, haverá partilha, solidariedade e fraternidade que levanta o ser humano caído nas diversas situações de morte que se apresentam. 

Não haverá cristão verdadeiro se não for generoso com o seu próximo. O pobre sem recurso nenhum grita por socorro e pede a nossa ajuda. Não se pode dar migalhas e nem uma política assistencialista e populista que faz de conta que está protendo a maioria, mas não se abre a mão de privilégios e salários altíssimos em favor de todos.

Na profecia de Zacarias nos mostra como é o verdadeiro servidor, esse que foi registrado nessa profecia é Jesus Cristo. Jesus foi cruelmente assassinado e aceitou por ser um servo fiel e sofredor predito em Isaias. O que isso nos remete a Ele também nos faz pensar, dando a nossa resposta sincera de conversão a Deus. Então ser cristão de fato, não de placas de igreja e nem de rótulos bonitos. Ser pessoa que age na massa e produz algo que dá vida em abundancia para todos .. (cf. Zc 12,10-11;13,1)

A Carta aos Gálatas nos mostra que o Cristão, após o Batismo, se reveste de Cristo, por isso ele tem que ser outra pessoa, o homem velho, egoísta e insensível tem que sumir para viver uma vida nova em Cristo na comunidade de irmãos. Não se pode ter uma Igreja de privilegiados se existem muitos irmãos pedindo socorro e ajuda. Muitas vezes há pessoas que estão no nosso caminho à igreja, estendendo as mãos para levantarem daquela situação deprimente, mas a nossa insensibilidade, os deixamos lá fora e entramos na Igreja como só nós que Deus vai nos servir e ajudar. (Gl 3,26-29)


O evangelista Lucas, nos mostra a profissão de fé de Pedro e também o anuncio da Paixão de Jesus. É bom observar, que após as atividades de Cristo, Ele vai orar e depois disso conversa com os discípulos. E faz um pergunta: o que as pessoas pensam dele. As respostas são diversas mas não satisfatórias, mas Jesus faz uma pergunta direta, quem é Ele para eles.

Pedro dá uma resposta: Tu é o Cristo, filho do Deus vivo. Esta resposta é toda dimensão da ação de Jesus. Ele não se compactuou com o sistema dos privilegiados e exploradores daquele tempo, mas pede e quer que as pessoas se libertem desses sistemas e religiões intimistas e momentâneas. (cf. Lc 9,18-24)

Infelizmente muitas pessoas procuram um Cristo shop center a onde tem tudo de graça e ainda um Jesus pessoal e individual para cada um. Muitos não se comprometem por um mundo melhor para todos. Ficam anestesiados diante do horror da fome e de mortes de muitos irmãos nossos que estão marginalizados nesse mundo global.

Que a liturgia desse domingo possibilite que as pessoas mudem os seus paradigmas a favor do bem comum. Não há Igreja que não olhe e faça alguma coisa para todos e principalmente aos que mais precisam.
Tudo por Jesus nada sem Maria

Bacharel em Teologia Jose Benedito Schumann

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