Ao longo da História, as imagens sagradas ajudam a formar cidades, como é o caso das cidades históricas de Minas Gerais, e também a contar a trajetória de quem seguiu os ensinamentos de Deus. Estão presentes desde o nascimento da Igreja Católica, quando os primeiros artesãos buscavam representar Jesus e o que Ele veio ensinar para quem não O conhecia.
É comum, no entanto, que pessoas
que não conhecem a Doutrina citem que “a prática da adoração de imagens é
incorreta” e até heresia dos fiéis. Até há quem cite passagens bíblicas, como
as expostas em Êxodo 20,3-5; Deuteronômio 4, 23 e Levítico 26,1.
O teólogo Allan Júnior explica que as imagens representam, para algumas religiões, uma espécie de desobediência à Palavra Divina. Porém, é preciso destacar que há uma diferença entre os textos (que falam sobre os ídolos) e os Santos.
Ídolos ou Santos?
Sobre os ídolos, o teólogo diz
que: “os deuses estrangeiros eram normalmente representados na Bíblia por meio
de imagens artísticas, como esculturas, estátuas, figuras de animais, etc. O
povo de Deus chamava essas imagens pelo nome de temunah, traduzido mais tarde para o termo grego eidolon, ou seja, ídolos”.
Esses ídolos, dessa forma, são
apenas objetos feitos por mãos humanas que não têm poder para intervir na vida
dos homens.
“Como Deus é de natureza
espiritual, é logicamente impossível representá-lo por meio de alguma temunah. Então, Deus proibiu que se confeccionasse imagens dEle para evitar
qualquer tentativa de torná-lo um ídolo, como no caso do bezerro de ouro”,
completa Allan.
Para facilitar a
compreensão, Padre Helcimar Sardinha,
pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora dos Remédios, em
Arraial do Cabo (RJ), explicou em suas redes sociais que:
“Naquela época de Israel era preciso tomar uma medida educativa radical e proibir que o povo fizesse qualquer imagem de Deus, para deixar claro que Ele não era mais um deus inventado, moldado por mãos humanas. Ninguém conhecia o rosto de Deus e nenhuma imagem poderia expressar o que Ele era. Mas tudo isso mudou quando Jesus nasceu e Deus finalmente nos mostrou a Sua face!”.
E as imagens de Santos?
Já quando nos referimos às
imagens católicas de santos, a interpretação segue uma explicação também. O
Catecismo diz que elas ‘significam o Cristo que é glorificado neles’. Nas
imagens dos santos encontramos uma referência Àquele que os santificou. Então, alguém
poderia perguntar: ‘esses versículos bíblicos seriam o fundamento para o culto
aos santos?’. Não. Para isso, será necessário compreender o que a Igreja
entende por santidade.
Dessa maneira, no número 829 do
Catecismo, a Igreja afirma que “ao canonizar alguns fiéis como santos, está os
proclamando solenemente como pessoas que praticaram heroicamente as virtudes e
viveram a fidelidade”.
Compreende-se, portanto, que
essas pessoas que foram santificadas colocaram Deus e Jesus no centro de suas
vidas. Elas amaram a Deus e entregaram suas existências a Ele.
“Por terem vivido a fé de forma
exemplar, os santos são pessoas que devemos imitar e admirar, como setas que
apontam para o verdadeiro caminho. Fazemos deles ícones (eikon em grego) de nossa fé, e por isso respeitamos e veneramos suas
imagens como retratos de irmãos queridos que estão no céu”, complementa o
teólogo Allan.
Não podemos “adorar” imagens
Atenção: não podemos adorar imagens em hipótese alguma. As imagens são para nós referência. Como Padre Reginaldo Manzotti explica,
existem três tipos de relação com o sagrado:
- Adoração: só a Deus.
- Hiperdulia: relação especial com Nossa Senhora, mais elevada que com os
Santos.
- Veneração dos santos.
Imagens como forma de conexão e fé
Como não há imagens da
fisionomia de Jesus, foi preciso representá-lO para que as pessoas tenham uma
referência física de como Ele viveu entre nós e o sentimento relacionado é pelo
significado que ela traz.
Sendo assim, as imagens sagradas
não podem ser consideradas do próprio Deus, muito menos “mágicas”.
“Podemos, porém, venerar quem
representam e aprender com elas o seu significado maior, pois os objetos
sagrados são separados (consagrados) para representar o Mistério de Cristo e
sua Igreja. Por isso a veneração é diferente da idolatria”, diz o teólogo.
São essas imagens, produzidas
por muitos artesãos do mundo inteiro, que funcionam como um lembrete da nossa
consagração a Deus por meio do batismo. Elas têm
uma importância enorme como ferramenta de conexão com o Senhor e também de
crença na fé. “Sua importância e seu valor são maiores que de outros objetos
comuns, por isso os tratamos com respeito e zelo”, finaliza Allan.

Postar um comentário
Postar um comentário